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És a nossa Fé!

A vertigem do cheiro a pólvora

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Quando se esperava que o presidente do Sporting dirigisse uma mensagem de exemplar serenidade ao plantel, que lambe as feridas após três derrotas nos quatro últimos jogos, e se concentrasse no indispensável incentivo aos jogadores para derrotar o Belenenses, Bruno de Carvalho voltou ao seu pior estilo: disparou em várias direcções, provocou ruído totalmente dispensável e vestiu já o fato de candidato a três meses do acto eleitoral.

Como se não houvesse questões muito mais urgentes a enfrentar agora.

 

Desde logo, o meio escolhido foi o menos indicado: novamente uma mensagem no Facebook, em vez de ter optado pelos canais institucionais do clube. Também o tom foi desajustado: agressivo e crispado, transmitindo a ideia de que o Sporting Clube de Portugal vive com os nervos em franja, pronto a declarar guerra ao mundo inteiro. Além disso, a extensão do escrito, desnecessariamente longo e confuso em vários trechos, fez dispersar a mensagem – como qualquer profissional da comunicação certamente lhe diria se Bruno de Carvalho tivesse a humildade de se aconselhar com quem percebe do assunto.

O pior foi confundir o estatuto de presidente leonino com o de candidato às eleições de Março, apressando-se a eleger novos alvos internos para as suas invectivas. Nada menos recomendável, num momento em que o Sporting deve mais que nunca estar unido para enfrentar sérias dificuldades no plano desportivo, superar problemas estruturais no plano financeiro e contrariar a ameaça sempre renovada de perversão da transparência no futebol. Bruno de Carvalho volta a dispersar energias e munições, transforma o insulto em argumento (“hipocrisia”, “parasita”; “papagaios”) e aconselha até determinados sportinguistas a devolver o cartão de sócio. Revisitando assim os clássicos, mas às avessas: procura mobilizar as hostes não contra o adversário externo mas contra o hipotético inimigo interno.

 

Os méritos do presidente do Sporting, que são muitos, dissipam-se com frequência nesta sua vertigem de sentir a todo o momento o cheiro a pólvora. Quando não há, ele inventa-o. Sem graduar prioridades, sem distinguir problemas.

E afinal, nesta altura concreta, dele pedia-se apenas algo muito simples: o apoio firme, expresso em palavras claras e sucintas, à equipa técnica e aos jogadores no confronto de amanhã no Restelo. Nada menos, nada mais. A pólvora era perfeitamente dispensável. E a frente de batalha interna que acaba de inaugurar a escassos dias do Natal também.

4 comentários

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    Pedro Correia 21.12.2016

    Os erros corrigem-se. Bruno de Carvalho está há quase quatro anos nas actuais funções. O exercício dos cargos implica sempre um processo de aprendizagem.
    Em certas matérias, no entanto, essa aprendizagem está a revelar-se demasiado lenta. Em nenhuma isso é tão óbvio como na comunicação.
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    Guilherme Rosado 21.12.2016

    Caro Pedro, é bem verdade erros qualquer pessoa os comete na actividade que desempenhar, quando a experiência é pouca mais depressa isso acontece. Ora o nosso caro presidente já tem quase 4 anos de Sporting!!! Será que ainda não se apercebeu que está sempre na mira dos média e tudo o que diz ou faz é notícia.
    Sinceramente BdC foi uma coisa boa que aconteceu ao Sporting após muitos anos sem se sair da cepa torta. Ora uma coisa boa não é uma coisa excelente. Não é, mas podia ser com mais acertividade e ponderação. Pela boca morre o peixe e o "calado" vence todos.
    SL
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    Pedro Correia 21.12.2016

    Caro Guilherme: espero bem que Bruno de Carvalho - a quem o Sporting já muito deve - dê prioridade à gestão dos erros comunicacionais nos tempos mais próximos. Estou convicto de que assim sucederá. Até porque, como sublinha, ao fim de quase quatro anos já teve tempo para assimilar lições proveitosas neste domínio.
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