A ver o Mundial (6)
Pode um jogo que termina empatado a zero ser um bom espectáculo? Pode. Aconteceu esta noite, no Brasil-México. Um jogo aberto, emotivo, bem disputado. Futebol de alto nível, com várias oportunidades de golo para ambas as equipas. Mas o destaque vai por inteiro para o guardião mexicano, Guillermo Ochoa, que fez uma das melhores exibições de que me recordo de um guarda-redes numa fase final de um campeonato do mundo.
O momento da partida aconteceu aos 25', dando fama planetária ao defensor da baliza mexicana: Dani Alves faz um centro muito comprido, da lateral direita, para um cabeceamento fulminante de Neymar na grande área adversária. Ochoa voa para a bola, num espectacular mergulho para o seu lado direito, desviando-a para canto em cima da linha de baliza. Um movimento fabuloso que fez irromper aplausos espontâneos nas bancadas do estádio Castelão, em Fortaleza.
Confiante como nunca, o guarda-redes de 28 anos que há dias sofreu um golo marcado por Bruno Alves no último minuto do Portugal-México desta vez não deixou entrar nada. Neymar (por três vezes), Paulinho, Bernard e Thiago Silva bem tentaram, de diversas maneiras, mas em vão. O Brasil teve mais oportunidades de golo, mas o México também não deu tréguas às redes brasileiras. Júlio César que o diga: salvou dois golos quase certos.
Com uma equipa muito organizada, os mexicanos souberam pressionar e ocupar espaços no terreno, cortando as vias de acesso à sua área. Apresentando um colectivo digno desse nome, em que se destacaram nomes tão diversos como o veterano Rafa Márquez (35 anos, quatro campeonatos mundiais no seu currículo), Vázquez, Giovani dos Santos, Moreno, Guardado e Herrera. Embora nenhum tão influente no desfecho como o espectacular Ochoa, que foi guarda-redes titular do Ajaccio - clube da Córsega que acaba de descer à segunda divisão francesa - e vai ficar sem contrato a partir deste Verão.
Havemos de ouvir falar mais dele, não tenho a menor dúvida.
Brasil, 0 - México, 0
Ochoa, herói do jogo


