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És a nossa Fé!

A ver o Mundial (33)

Caíram vários mitos neste Campeonato do Mundo disputado no Brasil, com 2,67 golos por jogo (melhor média desde a edição de 1994). Desde logo, o da superioridade técnica do futebol que se pratica no continente americano: o melhor do futebol-espectáculo pratica-se hoje na Europa, onde aliás actua a esmagadora maioria dos craques latino-americanos, incluindo Messi e Neymar.

Caiu também o mito do factor-continente na definição da equipa vencedora. É certo que uma selecção oriunda das Américas (a brasileira) já havia vencido um Mundial realizado em solo europeu (Suécia, 1958). Mas o inverso jamais tinha ocorrido. Aconteceu agora, com a primeira conquista do troféu máximo do futebol à escala planetária por um onze europeu no outro lado do Atlântico.

Esta foi, aliás, a terceira vitória seguida de uma selecção europeia - a alemã, depois dos triunfos da Itália no Mundial de 2006 e da Espanha no Mundial de 2010. Desfazendo assim outro mito: o da indispensável alternância de continentes após um máximo de dois troféus consecutivos. O último extra-europeu já tem 12 anos: foi o do Brasil liderado por Scolari em 2002.

Houve partidas emocionantes, golos para todos os gostos (e alguns belíssimos, que vão perdurar-nos na memória) e o predomínio da organização colectiva sobre o rasgo individual, correspondendo ao mais genuíno espírito do futebol, como ficou bem patente na superioridade da Alemanha. Tal como já tinha acontecido com Espanha no Mundial da África do Sul. Num caso e noutro, não por acaso, esta superioridade deveu-se em boa parte ao facto de haver um clube na espinha dorsal da selecção - Barcelona em 2010, Bayern de Munique agora. Também em ambos os casos a estrutura-base das equipas assenta num trabalho iniciado nos escalões jovens: tanto na Espanha campeã há quatro anos como na Alemanha actual os jogadores começaram a actuar juntos nos sub-17 e nos sub-19.

Uma lição que devíamos aprender por cá se quisermos atingir voos mais altos sem nos enredarmos nas inúteis lamúrias do costume.

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Quadro de honra - Alemanha, justa e digna vencedora. A combativa Holanda, que merecia ter comparecido na final.

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Quadro negro - A detentora do título, a já envelhecida Espanha, afastada na fase de grupos após goleada inicial contra a Holanda (1-5). Inglaterra e Itália, ex-campeãs mundiais, igualmente eliminadas antes dos oitavos-de-final apesar de terem selecções cheias de vedetas. Rússia, país organizador do próximo Mundial: ninguém deu por ela.

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Surpresas - A talentosa selecção da Costa Rica, que atingiu os quartos-de-final e acabou afastada pela Holanda, após um Mundial sem derrotas, na sequência dos sempre aleatórios pontapés de grandes penalidades. A esforçada Argélia, melhor selecção africana no torneio, capaz de pôr em sentido a Alemanha num jogo que chegou ao prolongamento e terminou com uma tangencial vitória germânica.

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Decepções - O Brasil de Scolari, que levou sete da Alemanha e três da Holanda, foi a defesa mais batida, quedando-se no quarto lugar neste segundo Mundial que jogou em casa - humilhação superior à do Campeonato do Mundo de 1950 em que, também como anfitrião, perdeu a final frente ao Uruguai. A selecção portuguesa, comandada por Paulo Bento, incapaz de ultrapassar a fase de grupos com o seu cortejo de jogadores lesionados. Cristiano Ronaldo, que saiu do Brasil com uma copiosa derrota frente aos alemães (0-4) e apenas um golo marcado. Iniesta, campeão mundial na África do Sul que perdeu a chama nos estádios brasileiros.

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Os melhores -  Robben, o extremo mais veloz do primeiro ao último minuto do primeiro ao último jogo. James Rodríguez, melhor marcador do torneio com golos que deslumbraram adeptos de todos os continentes. Thomas Müller, com cinco golos e três assistências: tinha sido o goleador do Mundial de 2010, foi o segundo nesta edição. Mascherano, um médio defensivo do outro mundo. O sportinguista Slimani, com dois golos marcados pela Argélia - melhor jogador africano neste Campeonato do Mundo. Neuer, melhor guardião naquele que chegou a ser considerado o "Mundial dos guarda-redes" devido à quantidade e qualidade das exibições de figuras como Ochoa (México), Keylor Navas (Costa Rica), Tim Howard (EUA) e Claudio Bravo.

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Os piores - Luis Suárez, aclamado como herói no Uruguai por mais um lamentável exemplo de conduta antidesportiva (mordeu o ombro de um defesa italiano, Chiellini). As desastrosas exibições de David Luiz - que o Paris Saint-Germain contratou ao Chelsea por 50 milhões de euros - nos desafios do Brasil contra a Alemanha e a Holanda. O italiano Balotelli, que voltou a passar ao lado de uma grande competição. O medíocre Fred, ponta-de-lança sem golos, na memória de todos apenas por ter forjado um penálti para o Brasil contra a Croácia. Casillas, ex-campeão do mundo: desta vez, com ele na baliza, até pareceu que Espanha jogava sem guarda-redes.

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Para lembrar - Klose, melhor goleador do Mundial de 2006, voltou a marcar estabelecendo novo recorde individual em campeonatos do mundo de futebol: um total de 16 golos em quatro edições - ultrapassando assim o anterior titular, o brasileiro Ronaldo. Mario Götze saltando do banco num torneio em que parecia ser condenado a suplente para se tornar um herói do Campeonato do Mundo ao apontar o golo da vitória alemã na final contra a Argentina no segundo tempo do prolongamento. A despedida em lágrimas de David Villa, logo após um golo de fazer levantar o estádio, contra a Austrália. O seu último golo pela selecção espanhola.

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Para esquecer - A ridícula ameaça de greve dos jogadores do Gana, nas vésperas do jogo contra Portugal, e a entrega de dinheiro vivo que os fez mudar de ideias.

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