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És a nossa Fé!

A semente da divisão interna

Texto de V. Guerreiro

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A imagem do dirigente desportivo português começou a mudar depois do 25 de Abril. Depois dos dirigentes institucionais clássicos, cinzentos, começaram a surgir presidentes populistas, nos quais o povo se revia. Pimenta Machado, Valentim Loureiro, Vale e Azevedo e outros trouxeram para o dirigismo desportivo conceitos da politica e da comunicação populista que não mais o abandonaram.

No Sporting, dirigentes como Jorge Gonçalves, Sousa Cintra e Santana Lopes (por esta ordem) inauguraram essa gestão populista no nosso clube. A eles, sucedeu-se uma nova vaga de institucionalistas e gestores profissionais que começou com José Roquette.

Essa geração, sem eu saber bem qual a origem disso, às tantas, começou a ser designada por “croquetes”, enquanto sinónimo de indivíduos privilegiados. Nesse momento, criou-se o sistema de castas no Sporting e foi lançada à terra a semente da divisão interna.

 

A partir daí, foram-se marcando as clivagens entre uma elite governativa de favorecidos e a massa adepta anónima, o povo sportinguista, sendo a primeira alimentada pelo esforço da segunda através do dízimo da quota. Ao mesmo tempo que isto acontecia, os sportinguistas passaram a olhar para os seus dirigentes com os mesmos olhos com que olhavam para os treinadores: se não ganhas, não serves, tens de ir embora.

Até ao dia em que essa geração foi destronada em favor de um dos nossos. “O Sporting é nosso” foi o mote. O populismo, na figura de Bruno de Carvalho, surgiu em força no Sporting e o Presidente passou a ocupar o espaço mediático, através duma dependência compulsiva do facebook. O Presidente confundiu-se com o Sporting (o Sporting somos nós) e criou as bases para o desenvolvimento dum culto de personalidade nunca visto no Sporting, o qual originou um movimento de massas: o brunismo.

 

Líderes populistas e carismáticos associados a movimentos como Ídolos Zero tornam os jogadores em profissionais privilegiados que não honram a camisola (quando não são mesmo mercenários) e catapultam-se a eles próprios para o palco das paixões.

Enquanto continuarmos a utilizar no nosso discurso vocábulos divisionistas, como croquetes, sportingados e outros, sem percebermos que essas designações têm muitíssimo mais de artificial do que de real, o que nos acontecer de bom será apenas circunstancial.

 

Texto do leitor V. Guerreiro, publicado originalmente aqui.

 

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