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És a nossa Fé!

A paródia

O que é constrangedor, é muitas vezes revelador. Constatámo-lo, mais uma vez, no fim-de-semana passado. Foi ao som dos murros na mesa, na gramática e na defesa do Benfica desferidos pelo presidente da dita agremiação. Porque aquilo de discursar sem discurso escrito revelou que a toupeira fez mesmo uns buracos naquela terra, prometida, para tantos, infernal, para muitos. 

Mesmo sem "Red Pass" tivemos acesso aos bastidores da máquina que ao longo dos anos se tem escondido por detrás de uma fachada de betão armado, embelazada por cartilha orquestrada, apuradamente especializada em marcar a agenda mediática. Foi assim até se lhe descobrirem mais rachas e mais fissuras, como estas, tão grosseiramente abertas por toupeiras.

O destemperamento de Luís Filipe Vieira na manifestação do indignado é, mais que tudo, revelador. Distribuindo ameaças, o chefe benfiquista revelou-se encostado à parede. Na situação em que LFV se encontra nada valerá fazer que não seja responder cabalmente às gravíssimas suspeitas que recaem sobre ele e sobre o clube que dirige. Se a coisa tivesse sido escrita, talvez, talvez possa admitir a possibilidade de alguns terem visto no líder, apenas e só, o perseguido, o inocente, a vítima de perseguição injusta e injustificável. Mas falando de improviso, a espaços descontrolado, só lhe vimos o desconforto e a encapotada fuga para frente na forma de alegada pro-actividade.   

O Gabinete de crise, além do rídiculo do nome, não é mais que uma arma de arremesso. Uma ameaça contra todos aqueles que ousem falar do Benfica, nos termos em que o Benfica considere ofensivo e atentatório da "marca". Em rigor, o que Luís Filipe Vieira fez foi a tentativa de nos amordaçar a todos, incutindo -nos medo, acenando com a represália que sobre nós cairá se ousarmos dizer, uns, que o estádio da Luz se parece com um cesto das molas, outros, que a construção está cheia de falhas no revestimento, fachada, afinal, repleta de enormes buracos.

"Acabou a paródia à conta do Benfica", disse, a dada alutra, o parodiante, todo ele empenhado na imitação burlesca de obra séria. É esta a definição de paródia e paródia foi o que ali assistimos.

Com presidente e vice-presidente arguidos em processos a correr na justiça, ver o Benfica apostado, na pessoa do seu líder máximo, em silenciar, controlar, ditar o que se pode dizer ou não pode dizer sobre o Benfica, a fazer ameaças a quem não lhe faça a vontade; é de uma gravidade sem precedentes. LFV ditou regras para cidadãos e, claro, para órgãos de comunicação social e para todos aqueles que os povoam com as cores que não sejam as que ele, hoje, veste.

Comparado com isto, é quase inócuo o pedido do presidente do Sporting Clube de Portugal aos sócios e adeptos para que só leiam o jornal do clube e vejam apenas a SportingTV - e quem aqui vem com regularidade sabe o quanto critiquei e repudiei as palavras de Bruno de Carvalho.

É insuportável e indefensável que o SLB, oficialmente, assobie para o lado como se nada tivesse a ver com o escândalo que ensombra a verdade desportiva nacional, e na qual entroncam ramificações que, preocupantemente, podem inquinar de forma profunda todo o edifício judicial português.

Ouvir do vice-presidente Fernando Tavares, arguido no processo Lex, que o Benfica está a funcionar em "completa normalidade" é ofensivo, de tão ilusório e enganador que é. Faz pouco de nós. Falta-nos ao respeito porque falta ao respeito à coisa pública.

Ver o presidente do Benfica, mergulhado em gravíssimas suspeições, falar ao público sem dar uma única explicação sobre os emails que alegadamente o incriminam, de maneira muito mais grave do que a denunciada violação da correspência privada, assistir a isto tudo sem o condenar, rejeitar e denunciar como muitísimo grave, seria alarmante e, a mim, na parte que me toca, não me deixaria de consciência tranquila como cidadão.

Nas circunstâncias em que o SLB se encontra, dos seus órgãos máximos, sócios e simpatizantes esperava-se pudor. Exige-se-lhes pudor.

Se o Benfica quer ser respeitado, tem de se dar ao respeito. Se o benfiquistas querem ser respeitados, dêem-se ao respeito. Chega de serem parodiantes de uma paródia de péssimo gosto.

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