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És a nossa Fé!

A obrigação de tudo fazer

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É sempre assim. Rui Patrício coloca a bola num dos centrais, que a remete para um lateral. Este ou progride uns metros com ela ou apressa-se a devolvê-la ao central, que por sua vez a transfere para o médio defensivo. William, o primeiro pensador da equipa, deixa a bola bem colocada nos pés de Adrien, outro pensador e um transportador de luxo no eixo do terreno. Não tarda muito, a bola está com Gelson Martins, que faz dela o que quer na ponta direita, terminando no entanto quase sempre com um centro desfeito pela defensiva adversária.

O Sporting constrói o seu jogo quase sempre da mesma maneira - a que descrevi no parágrafo anterior. Com exagerada tranquilidade nas situações de posse de bola e uma tremideira inexplicável quando a perdemos. Com um número excessivo de passes curtos que conduzem a situações de bloqueio a meio-campo, forçando atrasos ao guarda-redes e o recomeço da construção ofensiva exactamente nos mesmos moldes.

 

Ao manter a linha defensiva muito avançada e os laterais actuando como extremos na tentativa reiterada de bombear a bola na área após o fracassado cruzamento inicial de Gelson, a nossa equipa torna-se demasiado previsível e presa fácil até para adversários medíocres, que se apresentam em campo com a lição bem estudada. Qualquer contra-ataque rápido leva o pânico ao nosso reduto defensivo, apanhado vezes sem conta desposicionado.

Adaptar este modelo, tornando-o mais versátil e sinuoso, menos previsível e ajustado às características dos intérpretes, é missão prioritária do treinador, que deve conferir-lhe dinâmica. Porque a posse de bola dissociada da linha de baliza, sem velocidade nem convicção ofensiva, pode deslumbrar os amantes domésticos do tiquitaca mas só por mero acaso nos conduz à conquista de troféus.

 

E é isso que nós queremos: troféus. Chega de basófia para alimentar manchetes, chega de refregas verbais com terceiros, chega de alusões aos violinos do passado. São já demasiados anos sem inscrevermos o nome do Sporting na galeria dos campeões nacionais em futebol. Há milhares de adeptos muito jovens, de inquebrantável espírito leonino, que aguardam isso, que exigem isso, que merecem isso.

Em nome destes adeptos que nunca festejaram um título de campeão, este Sporting de Bruno de Carvalho e Jorge Jesus tem a obrigação de tudo fazer para não lhes defraudar o grande sonho, tantas vezes adiado.

5 comentários

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    Anónimo 16.01.2017

    Excelente leitura, das poucas lúcidas e certeiras. Só o incompetente do Jesus é que não vê!?
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    Pedro Correia 16.01.2017

    Agradeço-lhe o elogio que faz à minha reflexão sobre o momento actual do Sporting.
    Mas não considero Jesus incompetente, de forma alguma.
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    Anónimo 17.01.2017

    Quem dispensou jovens da academia para trazer jogadores sem qualidade? Quem está a tentar mudar a filosofia que o clube, no seu todo, abraçou nos 3 anos anteriores, procurando as balelas de jogadores feitos, com a inacreditável permissão do presidente? Quem encostou o PO e o Jeferson? Quem não viu que depois de um Campeonato da Europa intenso, para satisfação de todos, que existia o perigo de Adrien e WC sofrerem um abaixamento de forma, normal, durante a época e que para o miolo era necessário reforços a sério? Quem não percebeu que a táctica tem de se adaptar às qualidades dos jogadores de forma a potenciá-las e não o contrário? Quem, à imagem de Paulo Bento, parece ter fetiches com jogadores e pelo caminho queima outros, algo que com LJ e MS parecia ter sido definitivamente deixado para trás? Quem, perante as evidências, à imagem de Paulo Bento, parece preferir antes mostrar que está correcto do que mudar e dar o braço a torcer, num claro sintoma de problemas de afirmação, algo que com LJ e MS parecia ter sido definitivamente deixado para trás? Mas anda tudo esquecido?

    Pedro Correia eu estou à vontade porque quando JJ estava no outro lado eu não gostava dele e criticava-o pelas mesmas razões que agora critico. O não gostar pessoal amenizou um pouco, claro, agora as deficiências no campo técnico estão lá todas. Mentalmente é fraco, sempre que as coisas apertam a sério JJ desmonta-se todo, a tendência para inventar, como PB, mantém-se, e a falta de perfil e vontade de o ter para o melhor projecto futebolístico em Portugal, que era o do SCP e que parece ter desaparecido, está aos olhos de todos. Agora com o contrato que ele tem estamos tramados e estas questões de perfil, rumo do futebol e contrato, não do que se passa no campo, a culpa é toda do BC.
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    Pedro Correia 17.01.2017

    Meu caro, hoje não é dia para este debate, se me permite a sugestão.
    Hoje é dia para apoiarmos incondicionalmente a nossa equipa no difícil desafio de Chaves.
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