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És a nossa Fé!

A nuvem por Juno

Bom, eu queria aguardar para o pós-jogo de hoje para "dissertar" sobre a problemática das claques, porque estou curioso para ver como se porta "o estádio" com esta nova realidade, mas entendi que a opinião que tenho sobre o assunto não se alterará seja qual seja a atitude da "curva sul" na recepção ao Rosenborg.

Já tenho por aqui escrito e defendido que as claques, não sendo fundamentais ao apoio aos atletas em competição, são um factor muito importante desse apoio e por vezes nalguns locais, o único. Na sua essência, as claques são um factor positivo para os clubes, neste caso particular para o Sporting ainda que circunstâncias várias fossem desvirtuando o seu papel e a sua existência, ao ponto de hoje grande parte dos adeptos as considerarem um factor negativo e desagregador, tão longe do seu papel inicial. E lamentavelmente estarão certos nesta apreciação.

Anos de evolução das claques sem regulação e após regulação sem fiscalização adequada, conduziram-nas a quase todas a grupos compostos maioritariamente por gente boa, é certo, mas em quase todas dirigidos por gente muito pouco recomendável.

São conhecidos episódios de violência extrema protagonizados por membros de claques de outros clubes, alguns até que ceifaram a vida a pessoas de carne e osso; São conhecidos episódios de tráfico de estupefacientes nas "casinhas" das claques de vários clubes; São conhecidos e estão sob alçada da justiça, vários actos criminosos perpretados por elementos de várias claques, entre eles elementos da Juventude Leonina; É público que o dirigente máximo dos super dragões se passeia num automóvel de luxo de alta cilindrada, não se lhe conhecendo fontes de rendimento para tal; Do outro lado da rua passa-se pela porta 18 com uma impunidade arrepiante...

O que quero eu dizer com este intróito? Pois quero dizer que apresentado o cenário atrás descrito, por muito mafiosos que sejam Pinto da Costa ou Filipe Vieira (e falo por ouvir dizer) e por muito mafiosos que tivessem sido Godinho Lopes e Bruno de Carvalho, outros antes deles e Varandas agora, qualquer medida avulsa que seja tomada contra as claques (oxalá eu esteja redondamente enganado), como esta de Frederico Varandas agora, estará condenada não só ao fracasso mas pior, estará intimamente ligada a uma escalada de violência que afastará as pessoas do estádio.

Eu percebo a atitude de Frederico Varandas e em tese até concordo com ela: as claques não podem ser um "estado" dentro de outro "estado" e não podem condicionar a gestão do clube como grupo, ainda que os seus membros enquanto sócios tenham todo o direito a ter opiniões semelhantes e concertadas. Apresentem-nas dentro das regras instituídas e "que ganhe o melhor", se for esse o caso. Pode Frederico Varandas estar no entanto certo que, como disse atrás, esta sua posição/atitude estará condenada ao fracasso se quem tem obrigação de resolver o problema se continuar a demitir da sua obrigação. Falo obviamente do governo, do ministério público e dos tribunais. Tivessem estas entidades em devido tempo prestado atenção ao fenómeno, ao crescimento da violência e criminalidade associadas e Frederico Varandas contaria com um grupo de claques focadas no apoio aos atletas de todas as modalidades e não à contestação ao seu mandato (contaria com ela, mas noutras sedes e noutro contexto) e Godinho Lopes e Bruno de Carvalho não teriam sido seus reféns. Quem afirma que as claques funcionavam como guarda pretoriana dos presidentes que por cá passaram é no mínimo distraído e não está bem a ver a relação de forças. E é de força mesmo que falo! Tudo o que estas duas claques agora penalizadas movimentam, a força da inércia que deslocam, o mundo que à sua volta gira é, por muito que me custe dizê-lo, mais que qualquer presidente e eles têm-se deixado encostar debaixo do toldo "amigo" destas claques, para conseguirem minimamente governar. 

É boa a medida? Se quiserem que seja simpático e pensando de forma simplista, sim! No entanto se pensar que nas claques estão jovens sportinguistas que "apenas" querem ajudar o Sporting com o seu apoio incondicional, vibrando pelo clube em cada estádio, em cada pavilhão, em cada local onde compita um atleta do Sporting e que esses jovens são a esmagadora maioria dos membros das claques, se calhar aquilo que já aqui escrevi, ad nauseum, e que é a medida que deveria ter sido tomada logo a seguir à invasão de Alcochete, que era a suspensão (ainda que preventiva até decisão do processo em tribunal) e a consequente proibição de frequentar as instalações do clube aos membros das claques e outros que sendo (ou não, por maioria de razão) sócios do clube, perpretaram aquele acto criminoso, evitaria esta medida radical agora tomada. Será avisado que não se tome a nuvem por Juno, sob pena de estarmos a hipotecar o futuro do clube, que como sabemos pouco tem ganho no futebol nos últimos 40 anos e chamar jovens a um clube que não ganha...

Parece-me que o caminho, mais que uma refundação das claques JL e DUXXI, será "apenas" a aplicação da legislação em vigor, que é quanto baste para que as coisas funcionem na perfeição. Não podendo o clube imiscuir-se na organização interna das claques, que são personalidades jurídicas autónomas, pode no entanto condicionar a sua actuação intramuros à verificação do cumprimento da legislação. Será fácil, cumpre a Lei conta com apoios, não cumpre, não conta!

Não será contudo sério que culpem apenas o "Orelhas", o "Papa", o "Fivelas", o "Kim" e o "Flopes" pelo descambar desta realidade que são as claques em Portugal. Se calhar o "Bolo Rei", o "Sócas", o "Coelhone" e o "Monhé" também têm muitas culpas no cartório. 

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