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És a nossa Fé!

A "lei" da compensação

O tema já foi abordado e com a acutilância característica do Pedro Correia, mas logo depois do jogo ficou a ideia de escrever qualquer coisa sobre isto.

Eu vi o jogo na tv e logo ali, na jogada corrida, no lance do penalti, vi que havia fora-de-jogo de Teo Gutierrez. O penalti é clarinho, mas já lá vamos...

Assistimos a uma prestação menos boa de alguns elementos da equipa e demo-nos conta da falta de Adrien, mas também nos apercebemos que como equipa o conjunto esteve muito bem, ou seja, o colectivo superou-se ao individual; Confesso que não sei se isto é bom ou mau, mas perguntem ao Rui Vitória, ele é capaz de ter alguma opinião. Apenas uma referência individual e porque é justo, já que lhe bati noutras circunstâncias: João Pereira voltou a fazer um excelente jogo.

Eu não sei bem se o Estoril atravessou o autocarro, mas que trouxe duas vanettes da Amoreira, disso eu não tenho dúvidas nenhumas e com duas linhas muito juntas que coartavam a iniciativa aos nossos homens da frente e permitiam saídas rápidas para o contra-ataque, foi criando perigo e dando trabalho a Rui Patrício, tendo até oportunidades para marcar, bem anuladas pela exibição segura do nosso número um, que vai provando uma evolução enorme a cada época que passa.

Isto era tão bom se fosse como quando éramos putos, como diz o Pedro Oliveira ali em baixo: Muda aos cinco e acaba aos dez e, felicidade suprema, sem árbitros! As discussões eram muitas, mas dissipavam-se logo que se via que uma equipa era melhor que a  outra e os argumentos técnico-tácticos se sobrepunham à retranca. A única autoridade que por vezes intervinha era o polícia, que quando estava com os azeites, lá aplicava a fatídica multa que levava a bola a ficar encarcerada por largo período de tempo, até os pais se esquecerem da pastilha aplicada. No início dos anos sessenta, 50$50 (cinquenta mil e quinhentos, cinquenta escudos e cinquenta centavos, qualquer coisa como vinte e cinco cêntimos de euro) era uma quantia que fazia mossa à maior parte das famílias. Ainda se o estádio fosse alguma coisa de jeito, mas a rua era (ainda é) de calçada de granito, completamente desnivelada, pondo a cada jogada à prova a genialidade dos praticantes, uma pedra mais alta que outra a originar quedas aparatosas e "falta! é falta, cara..." gritado a plenos pulmões e a vizinha do 103 a vir à janela incomodadíssima (eu acho que era despeito, porque a senhora nunca teve filhos, mas isto é agora a quase cinquenta anos de distância) a chamar a atenção para a "asneirada que por aí vai". Ninguém me tira da cabeça que era ela a culpada da visita do chui.

Ah, pois! O árbitro. É hoje um elemento essencial ao bom decorrer de qualquer jogo de qualquer modalidade. As equipas jogam quase todas com os mesmos argumentos e para evitar salgalhadas, instituiu-se que um tipo com um apito na boca e dois com uma bandeira na mão metem ordem naquilo. Às vezes! É que, se nos jogos de miúdos, a qualidade de uma equipa impunha a disciplina, por vezes (vezes demasiadas infelizmente) a falta de qualidade dos árbitros e assistentes é o óbice a um desfecho perfeito num qualquer jogo, neste caso concreto de um jogo de futebol.

E o jogo de Sábado teria tido um final perfeito, se o tipo do apito e os da bandeira, tivessem demonstrado alguma qualidade. A ver: Se os três homens tivessem demonstrado estar interessados em fazer a sua parte de acordo com as leis de jogo, estaríamos a falar de um bom jogo de futebol, com um resultado suado mas com uma diferença por duas ou três bolas e onde, apesar dos protestos dos jogadores do Sporting, o árbitro não marcou uma grande penalidade, quando o jogo já estava em 2-0, por fora-de-jogo de Gutiérrez antes de sofrer falta clara para penalti. Mas não, o que vamos ouvir durante esta semana e até final do campeonato, é que o Sporting venceu o Estoril com um penalti precedido de fora-de-jogo e quando os palermas do costume vierem fazer o balanço do campeonato, lá irá aparecer este lance, sendo cirúrgicamente esquecidos todos os restantes, incluíndo uma raquetada com a mão de um dos do Estoril (nem de propósito, Mano de seu nome) e um fora-de-jogo escandalosamente assinalado a Gutiérrez, que está em jogo praí meio-campo (pronto, dois, três metros, mas é apenas para verem o tamanho do erro), que até quando recebe e domina a bola ainda está atrás do defesa estorilista. Portanto, para aqueles que vierem com tal argumento, encomendo-os para declarações de Diego Armando Maradona, um rapaz argentino da minha idade, que não tem papas na língua; Vocês sabem do que é que eu estou a falar...

Claro que poderia ainda falar daquele amarelo mostrado ao Jefferson, mas isso era estar a colocar o árbitro no mesmo patamar do polícia da minha infância e apesar dos cinquenta mil e quinhentos, o bófia tinha a seu favor a lei, que cumpria escrupulosamente.

Pensando melhor, eu acho que o Jorge Ferreira é mais a vizinha do 103...

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