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És a nossa Fé!

A culpa é toda de Bruno de Carvalho. Toda.

Para mim, nunca houve desde o triste comunicado do Facebook do "não quiseram jogar a segunda mão" e dos "meninos mimados" a mais pequena dúvida em estar do lado dos jogadores. Não posso tolerar que nenhuma entidade patronal faça esse tipo de assédio moral público - friso obviamente o "público" - aos seus funcionários (eu não falo em "colaboradores"), e não posso aceitar quem não se solidarize incondicionalmente com eles. Quem não o fizer, é porque ou é patrão (e trataria assim os seus funcionários), ou é trabalhador, e aceitaria ser publicamente tratado assim. Em ambos os casos não merece o meu respeito.

Temos portanto um presidente que, ultrapassando todas as suas funções, destrata os jogadores publicamente. Os jogadores reagem, obviamente também publicamente. O presidente suspende-os coletivamente, e é pela primeira vez notícia no mundo inteiro. Segue-se um clima de guerra fria, que rebenta finalmente na véspera da jornada final do campeonato. Seguem-se esperas e ataques verbais aos jogadores no aeroporto e no estádio, e finalmente o ataque físico, no local de trabalho. Mais uma vez é notícia, sempre pelos piores motivos, em todo o mundo. Não posso afirmar que a entidade patronal esteja diretamente implicada neste ataque, mas é responsável por ter criado o ambiente para ele se ter realizado. E isto confirma-se por não ter estado ao lado dos trabalhadores, atacados no seu local de trabalho, nas denúncias à polícia, nem por não ter havido a mínima solidariedade ou empatia da parte da entidade profissional, limitando-se a reação ao já célebre "foi chato".

Perante estes factos, não tenho a menor dúvida de que qualquer observador imparcial só pode estar com os jogadores. Mas o desporto, e particularmente o futebol, não é muito dado a observadores imparciais, e há muitos sportinguistas que defendem Bruno de Carvalho. Há quem o apoie nas críticas que fez e no modo como as fez - como eu já atrás expliquei, não me merece respeito quem assim pense. Há quem pense que se os jogadores tivessem amor ao clube - provavelmente o amor que eles têm - não rescindiriam nunca, mesmo sentindo-se com justa causa. É este tipo de adeptos que mais me preocupa - os fanáticos. Preferem ser poucos mas "puros" e "verdadeiros". Muitos dos jogadores ofendidos, sendo profissionais, são também sportinguistas, e fizeram ao longo de anos muito mais pelo clube do que qualquer um destes fanáticos (onde incluo o presidente). A estes adeptos só posso responder que nenhum amor a nenhum clube deve ser o valor principal na vida. Há valores mais importantes, como o respeito e a dignidade, que o presidente do Sporting violou consistentemente. Sempre julguei que a maioria dos sportinguistas tinha bem presente uma hierarquia correta de valores - sem deixar de amar o clube. Infelizmente não parece ser esse o caso, não só dos energúmenos que invadiram a Academia, mas também de muitos sportinguistas anónimos nas redes sociais. Apesar de tudo, creio que são uma larga minoria, mesmo se os efeitos da sua presença são infelizmente bem visíveis.

Resta ainda uma outra categoria de defensores de Bruno de Carvalho - creio que a maioritária, dentro do que me parece ser (e espero que seja) uma minoria, os sportinguistas que ainda apoiam Bruno de Carvalho. Os sportinguitas desta categoria consideram esta desgraça que se tem abatido sobre o futebol, mas quando a comparam com os inegáveis sucessos das modalidades não sabem o que pensar, ainda mais por terem receio de um regresso a um passado recente que também não é nada brilhante. Dentro dos ainda apoiantes do presidente, são os únicos que eu ainda consigo compreender. Vivemos uma situação de chantagens mútuas - do presidente aos jogadores e dos jogadores ao presidente. Noutras circunstâncias, esta situação de jogadores a imporem condições ao clube seria inaceitável, mas não nestas. Estes jogadores foram consistentemente atacados, para além do aceitável, e só estão, legitimamente, humanamente, a defender-se como podem. Toda esta situação é insustentável, mas poderia ter sido perfeitamente evitada e só foi criada por Bruno de Carvalho. Bruno de Carvalho é o único responsável por se ter chegado a esta situação. Provavelmente perdemos o acesso à Liga dos Campeões, de certeza que perdemos uma taça, por culpa de Bruno de Carvalho. Se se confirmar a perda dos jogadores, eventualmente para os rivais, a culpa será toda de Bruno de Carvalho. Isto não pode compensar o trabalho nas restantes áreas (modalidades e não só). Enquanto Bruno de Carvalho continuar à frente do clube, a tragédia continuará.

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