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És a nossa Fé!

A caça e as touradas

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Judas "arremete de novo" contra Cintra e também contra Peseiro. Já aqui o referi, no dia da assembleia-geral Judas afirmou na TV que os resultados seriam aceites e que deixaria de haver polémica, em nome da unidade sportinguista. Mas é mais forte do que el@(s). Agora diz que Cintra e o treinador são psicopatas.

 

Peseiro porque gosta de touradas. Nunca vi uma tourada ao vivo, não tenho qualquer paciência mas torço o nariz aos adversários, até porque a sensibilidade para com os direitos dos animais e para com as formas como pensamos e sentimos a natureza estão muito para além disso. (Um dia escrevi sobre isso, deixo a ligação - tem uma dimensão política, excêntrica a um blog desportivo, mas espero não ofender nenhum sportinguista). Mas botar que um aficionado é um psicopata, enfim, é uma patetice.

 

Pela caça não tenho qualquer apreço, principalmente pela "caça grossa". Que um tipo vá caçar um coelho para o levar para a panela, ainda vá que não vá. Duas décadas de África deram-me contacto com caçadores - os da tal "caça grossa". E que torna o fenómeno mais complexo. Não percebo mesmo, e já tentei, que tipo de erecção é que um tipo tem quando atravessa meio-mundo, gasta uma pipa de dinheiro, e vai com uns guias, profissionais, com uma arma excelente, dar um tiro num animal soberbo. Se é para andar no mato, "perder-se" na natureza, porra, andei que me fartei e não precisei de matar um bicho. Se é para o "caçar", desatento, frágil? Nem é preciso grande máquina fotográfica ... Se é para a tal erecção, caramba, há por aí Cialis, Viagra, Furunbao. E decerto que genéricos. (Devem ser tomados com acompanhamento médico. E os jovens não os devem usar, não sejam parvos, esperem pela vetusta idade e vivam com o que têm enquanto têm). Ou um bocadinho de imaginação. Para além daquilo da companhia adequada. Mas, enfim, cada um como cada qual.

 

Pois há outra dimensão. Neste mundo em que os homens são (muito) piores do que os gafanhotos, tudo devastam, as coutadas são uma forma de preservar nacos de natureza onde a fauna bravia pode sobreviver. Alguns exemplares são abatidos, a peso d'oiro, como forma de manter os empreendimentos. É a triste realidade possível. E como tal, como em quase tudo, o radicalismo (chamar psicopata, por exemplo) não serve de nada, e é falsário - quem caça em coutadas, como Cintra, não mata animais em vias de extinção, paga para a sua preservação. Eu não simpatizo, não compreendo o afã, contribuiria, se tivesse dinheiro, de outra forma. Mas não se minta. Que é o que Judas faz.

 

Mas não pude deixar de me rir quando li esta judiaria de Judas contra Cinta. Pois em Moçambique conheci um grande caçador, já falecido, irmão mais velho de um muito querido amigo meu (também ele fervoroso sportinguista). O Rui era um caçador profissional, ainda do tempo colonial, nado e criado no centro do país, e fez vida disso. Conduziu caçadas com gente celebérrima, pois Moçambique era nos anos 1960s e 1970s um lugar crucial desse turismo e a caça era atractiva, não era socialmente mal vista: os astronautas (então verdadeiras estrelas), a nobreza europeia, actores (e actrizes) de Hollywood. Para mais o Rui era um verdadeiro homme à femmes, um enorme galã, nisso com um historial extraordinário. Uma verdadeira personagem de romance, houvesse quem o soubesse escrever. Depois da independência partiu para outros países, caçou na América, em África, uma vida recheada, aventurosa. Cheia. E na última década de vida regressou à sua terra, onde acalentou o projecto de estabelecer um pequeno parque natural. Continuava, já septuagenário, uma personagem apaixonante. Não era muito falador, para isso estávamos lá nós, o que condizia com o perfil, homem do  mato, andarilho, sedutor, enfim, parcas palavras mas marcantes, como convém a uma genuína imagem de marca.

 

Contava ele que um dia caçara com o Cintra - ele nem sabia bem quem fosse o homem, que de futebol nada sabia e de Portugal pouco mais. Já não sei se na Guiné se na África do Sul. E dizia ele, às gargalhadas, que o Cintra era lixado ("fodido" era o termo que usava). Pequenino, num frenesim de arma na mão. Chegava ao sítio e nem queria perder tempo, disparava a tudo o que tinha direito, até era perigoso, nunca tinha a arma quieta. E ao contar aquilo, nós, que conhecíamos o Cintra público, e tudo aquilo se adequava à personagem, bem que ríamos, à gargalhada, o sacana do Sousa Cintra aos tiros, frenético em África, desajeitado ... A gente ri(a)-se mas aquilo não é ser psicopata ... É ser Sousa Cintra.

 

Grande Rui Quadros. Um abraço à memória dele. E à sua queridíssima família.

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