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És a nossa Fé!

Sobre Rafael Leão e todos os outros...

Desconheço se Rafael Leão irá ou não assinar pelo Lille, ou qualquer outro clube. Se o fizer, espero que o Sporting avance com processo para a FIFA à semelhança do que foi feito com Patrício, Podence e Gelson. Por princípio, entendo que deveremos estar sempre disponíveis para acordos futuros, no entanto há um ponto prévio que deve ser acautelado, em todos, repito, em todos os casos, só poderá existir acordo se for incluída uma cláusula anti-rivais. Caso não o façam, terei que afirmar sem qualquer margem para dúvidas, que os interesses do clube não foram acautelados pelos actuais dirigentes. Acrescento que face ao período pré-eleitoral que atravessamos, esta questão deverá ser colocada a todos os candidatos...

São Patrício

Poucas semanas depois de Portugal ter vencido o Euro, o Sporting apresentou-se diante dos seus sócios e adeptos. 

Todos os jogadores pisaram o relvado de Alvalade, incluindo os recém campeões europeus. 

Após a apresentação seguiu-se o jogo do dia, frente ao Lyon e, para surpresa dos (tele)espectadores, Rui Patrício jogou alguns minutos.

No final da partida, comentava assim Jorge Jesus "O Rui Patrício foi uma exceção e ele nem era para jogar, mas quis estar em campo".

Não atiro pedras a Rui Patrício porque sei que foi, é e continuará a ser um Leão. A sua carreira no Sporting merece-me o maior dos respeitos.

Teve azar de ter sido um dos alvos preferenciais de um louco bardamerda, saindo desta forma infeliz do nosso clube. Mas não tenho dúvidas de que, à semelhança de outra glória das redes leoninas, Vítor Damas, também irá regressar um dia ao Sporting para voltar a envergar a camisola n.º 1 e a defender as suas redes.

Serás sempre leão, Rui Patrício...

Escumalha que envergonha as nossas cores lançou artefactos incendiários na direcção de Rui Patrício, então guarda-redes e capitão da equipa. Anteriormente haviam procurado o atleta em área de estacionamento reservada no interior do estádio, à qual seguramente apenas tiveram acesso mediante alguma conivência. Posteriormente o bárbaro ataque a Alcochete, no qual foi um dos principais visados pelos cerca de 40 vermes encapuçados.

Seguramente que o caso das rescisões dos 9 atletas do futebol profissional não têm todos a mesma força, o que equivale a dizer possibilidade de sucesso, leia-se justa causa. Mas ninguém no seu perfeito juízo ousará duvidar que Rui Patrício será um dos que tem maiores probabilidades de obter uma sentença favorável.

Aos que criticam o atleta, convém relembrar as responsabilidades que podem e devem ser atribuídas em todo este processo ao louco que exaltou ânimos com publicações em redes sociais. Ao ponto de poder ser muito provavelmente considerado autor moral de todos estes lamentáveis episódios, que constituem um dos períodos mais negros da história centenária do Sporting Clube de Portugal. Espero dos serviços jurídicos do clube acções em sede própria contra o bando de autores materiais e também contra o alienado autor moral de todos estes crimes. A Rui Patrício desejo as maiores felicidades pessoais, sucesso profissional e não tenho dúvidas que o tempo permitirá que retorne à casa da família onde pertence. Daqui a 20 anos ainda será lembrado, enquanto o pequenino déspota mimado e birrento há muito que terá sido esquecido…

Rui Patrício…

escreveu este texto.

 

«Caros Sportinguistas

 

Após muitos ruídos e acontecimentos de que o Sporting Clube de Portugal e Eu, fomos alvo recentemente, remeti-me ao silêncio... não por ausência de sentimento, nem por falta de argumentos válidos, mas sim, por respeito ao Sporting Clube de Portugal e aos seus adeptos.

Neste momento, já existe espaço para que possa dizer, em linhas breves, aquilo que sinto e o porquê da minha atitude reservada.

Suportei e vivi muitas situações menos positivas, para poder representar o meu clube, dando sempre o máximo de mim e sendo soberana, a minha vontade de honrar a camisola que vestia desde os meus 12 anos, bem como transmitir esses valores para todos os meus colegas, enquanto um dos capitães e um dos jogadores com mais anos de casa desta equipa, que sempre me orgulhou e irá continuar a orgulhar pela sua força e determinação genuínas!

Mas também sou um ser humano... de carne e osso, igual a todos vocês, e por isso tive de tomar uma decisão.

Os motivos que me levaram a sair são hoje conhecidos por todos vós...

São de conhecimento público... as causas descritas na minha rescisão.

Nunca faltei ao respeito a ninguém nem nunca o irei fazer, pois o meu silêncio até hoje, foi exclusivamente por respeito a todos!

Até ao momento da minha rescisão, tinha-se tornado insustentável a minha continuidade, por comprometer a minha produtividade profissional perante o meu Clube, e por essa razão, não estariam jamais, reunidas as condições para exercer a minha atividade profissional no Sporting.

Esta foi a minha casa durante 18 anos, sim a minha casa!

Passei mais tempo no Sporting do que em casa dos meus Pais…

Para além dos meus Pais... Sim foi o Sporting que me formou e me transformou naquilo que sou hoje, não só enquanto Sportinguista, mas também enquanto profissional e ser humano. Foi sem dúvida uma casa que me criou a todos esses níveis!

Seria impossível da minha parte “Virar Costas” ou prejudicar esta grande Família.

Por isso respeito e vou sempre respeitar todas as opiniões por parte dos adeptos, agradecendo todo o apoio que me deram ao longo de todos estes anos...»

Dívidas são para pagar

Muito se tem falado sobre a diferença entre o valor que o Wolverampton paga ao Sporting pela transferência de Rui Patrício e o valor que o clube recebe. Se existe uma dívida reconhecida pela Sporting SAD à Gestifute ou qualquer outra entidade, é bom que a mesma seja regularizada o quanto antes, sem manobras dilatórias ou chico-espertices tipo “Marcos Rojo/Doyen”, que acabam sempre por serem pagas, acrescidas de juros. Afirmar que dos supostos 18 milhões o clube recebe apenas 11, é intelectualmente desonesto, porque existe encontro de contas.

Mas desonestidade é algo a que nos habituámos durante 5 anos, sempre em defesa dos superiores interesses do Sporting, está bom de ver, acabando sempre por perder os processos em sede própria, só não viu quem não quis, ou quem de forma acéfala seguiu o conselho do guru espiritual e apenas sintonizou a Sporting TV, que foi, como sabemos até aqui, uma verdadeira fonte de informação ao serviço do deposto querido líder. É que, não tendo nada a ver com a vida dos outros, ainda me lembro quando um presidente de clube rival desbaratou o bom nome na praça, coleccionando dívidas e rasgando contratos. As consequências duram anos.

É pois com alguma surpresa e receio que ouço rumores que algumas transferências estão por pagar, que existem dívidas a fornecedores no valor de 40 milhões de euros. A ser verdade, tal poderia explicar algum desnorte e fuga à realidade que fizeram perigar nos últimos meses a existência do Sporting Clube de Portugal. Mas ninguém tenha dúvidas que, apesar do coro de viúvas carpideiras saudosistas do passado recente, o clube está a ser reerguido. Esperemos pelo resultado da auditoria forense e retiremos da mesma todas as consequências.

Carvão e transparência

É uma imagem impossível, eu sei, mas diz que os diamantes são uma espécie de composto de carbono e são transparentes e brilham imenso. Por isso, depois de ouvir e ver Cintra na SIC, a minha aversão a notícias sem confirmação sente-se tentada a acreditar nos rumores que vão correndo.

Pois então parece (e não será rumor, Cintra acaba de o confirmar) que Podence e Bruno Fernandes regressarão ao clube. Ora, crendo no carvão que vai sendo publicado, parece que ao regresso se juntará um prémio de assinatura. A ser verdade, ele lá saberá se tem dinheiro para lhes pagar, mas não deve ser difícil, já que a situção não deve ser tão má como a pintam. Pelo menos foi o que subentendi das palavras de Cintra ao intenso interrogatório sobre o tema a que o papagaio da SIC o submeteu (caramba, podia ter referido que entrou ontem em vigor o contrato de mais de 500M€ com a NOS, ficava-lhe bem).

Muito bem, que regressem. Tenho alguma curiosidade (a confirmarem-se as comissões) em saber qual vai ser a explicação que vai ser dada aos que não abandonaram o barco e qual será a sua reacção. E quais as consequências para a saúde do balneário. Se eu fosse saudosista, diria que provavelmente fará pior que um post no facebook, mas não sou e quero crer que o período de felicidade anunciado por Cintra tudo ultrapassará. Anseio verdadeiramente por isso. Anseio tanto que amanhã, logo pela manhã e numa prova de confiança nos jovens que ficaram e naqueles que regressam com vontade de triunfar, irei renovar o meu bilhete de época.

Disse ainda que vai negociar Patrício por 18M€. Tenho algum interesse e não serei provavelmente o único, em saber quanto desse valor chegará realmente ao Sporting, se mais, se menos que aquilo que foi apregoado há bem pouco tempo (timidamente falou em agentes e comissões, mas foi assunto que não interessou ao entrevistador, que lhe passou por cima como cão por vinha vindimada). Seria da maior, elementar e já agora mais que necessária transparência.

A talhe de foice, gostaria também de ouvir os candidatos às eleições de 8 de Setembro a pronunciarem-se sobre o tema rescisões e sobre estes três casos em particular e que medidas tomarão para tratar do inevitável desconforto.

Achei piada à referência à vitória no Futsal, "...fomos campeões já com esta direcção". Ó Cintra, menos...

Rui Patrício, SIM!

Não farei coro com quem vomita ódio pelos nossos ex jogadores, em especial por Rui Patrício.  Continuarei a gostar dele e espero que seja feliz onde jogar (reposta a normalidade no clube, talvez ainda seja possível haver compromissos a propósito da sua contratação, ressarcindo assim quem o formou). Mas custa ler coisas como estas de sportinguistas:

 

Na Seleção quero que continue como nos dois primeiros jogos do Mundial, a defender Portugal, e bem! 

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Gestão danosa

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Várias vezes me insurgi aqui contra a venda apressada de Daniel Carriço - capitão do Sporting, formado em Alcochete - pela gerência de Godinho Lopes.

Um negócio feito em cima do joelho, para gerar receitas líquidas que pudessem satisfazer o pagamento de despesas correntes na agremiação leonina.

Um negócio vergonhoso, bem revelador da incompetência daquele Conselho Directivo.

 

O jogador manteve-se em Alvalade até ao derradeiro dia daquele funesto 2012. No último ano de contrato, o acordo de renovação com a direcção nunca chegou: o modesto Reading, de Inglaterra, apareceu para recrutar o jogador de 24 anos a troco de 750 mil euros e lá o levou. Três anos depois, Carriço tinha conquistado três Ligas Europa pelo Sevilha, para onde os ingleses o exportaram logo na época seguinte. Por mais do dobro do preço que lhes havia custado.

A dado momento, a propósito desta ruinosa venda e lembrando também uma transferência anterior de outro capitão do Sporting (João Moutinho) - dessa vez para um rival directo, o FC Porto - escrevi aqui, sem esquecer iguamente a saída de Cristiano Ronaldo por números irrisórios: «Três valores do futebol internacional - cada qual à sua escala - formados na Academia do Sporting. Três jogadores vendidos ao desbarato por gestores incompetentes. Não queremos disto. Nunca mais.»

 

Mal imaginava eu que ainda havia de acontecer pior. Outro profissional formado na Academia leonina, pertencente aos quadros do nosso clube desde 2001, haveria de sair sem gerar um euro de receita ao Sporting.

Consumou-se hoje: Rui Patrício vai passar a jogar pelo Wolverhampton, com um contrato de quatro anos, quando é campeão europeu em título, goza do prestígio de ter sido considerado o melhor guarda-redes do Euro-2016 e veste as cores da selecção nacional como titular absoluto no Mundial da Rússia.

 

Se critiquei Godinho Lopes por ter deixado sair Carriço por 750 mil euros, ainda mais devo criticar o seu sucessor por ter aberto caminho à rescisão do guarda-redes leonino, tudo fazendo para o insultar e humilhar em público, como se ansiasse pelo pedido de rescisão unilateral invocado pelo jogador.

Neste caso não estamos sequer perante um negócio ruinoso: é um monumental tiro no pé que torna o Sporting novamente notícia pelos piores motivos.

Outros talvez hesitem no nome a dar a isto. Eu não. Para mim é gestão danosa.

Etebo

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Etebo, jogador do Feirense em 2017/18. Licença desportiva vendida ao Stoke City por 7,2 milhões de euros (!) - um clube como o Feirense num negócio destes, mesmo que os empresários fiquem com um naco substancial, é mesmo sinal dos tempos ...

Nesta madrugada estive a ver o que escrevi aqui no "És a Nossa Fé" nestes meses. Muita parvoíce, apertado entre a vontade que o "Bruno" fosse Bruno e a consciência de que o Bruno é "Bruno". Muita parvoíce mesmo. Enfim, cá se escrevem cá se pagam ...

Mas ficam-me dois textos à bloguista "da bola", contentam-me. No dia 2 de Outubro um postal a que chamei "O Muro de Lisboa" pois "o Rui Patrício foi o Muro de Lisboa a que nos vem habituando". Aliás, se eu fosse da administração de alguma construtora civil com negócios do estrangeiro, tipo construções de barragens ou grandes vias, contratá-lo-ia para uma campanha publicitária.

O outro? A 9 de Setembro, fazendo uma espécie de rescaldo após a 5ª jornada, botei "Entretanto eu, aqui da praia, fico-me a pensar que aquele rapaz Etebo, que vive em Santa Maria da Feira, tem ar de quem seria um bom grumete para a nossa equipagem". Pena que não tivesse tido o eco que eu desejaria.

Espero que compensem, um pouco, outras coisas por aqui deixadas.

 

Balanço (1)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre RUI PATRÍCIO:

 

- Francisco Melo: «Rui Patrício não teve uma boa exibição em Atenas. Jogar com os pés nunca foi o seu forte e então quando está inseguro no jogo, cada atraso para o nosso redes é um ai Jesus! Com o capital de experiência acumulado e créditos firmados, já era tempo de o guardião leonino gerir melhor a sua relação com a bola no pé.» (14 de Setembro)

- Pedro Azevedo: «De há uns quatro anos para cá, o guarda-redes conquistou-me definitivamente. Rui é hoje um guardião de classe mundial, campeão europeu com defesas decisivas, maduro, tranquilo, fortíssimo na "mancha" perante adversários isolados, ágil entre os postes como mostrou perante Griezmann na final de Paris. E, apesar disso tudo, continua a ser um homem humilde, sereno, que nunca se põe em "bicos de pés", um herói com uma personalidade de anti-herói.» (21 de Outubro)

- Filipe Arede Nunes: «Será que dá para fazer, ao lado do leão, uma estátua ao Patrício?» (27 de Outubro)

- JPT: «Vem isto a propósito do Sporting-Juventus de anteontem. Aos 69 minutos, vindo lá do canto da baliza, Rui Patrício fez uma defesa extraordinária – não exactamente espectacular mas absolutamente extraordinária, no que mostrou de capacidade técnica de controlo do seu espaço próprio, a baliza e a pequena-área.» (2 de Novembro)

- Eu: «Faz hoje onze anos, começaste a defender a baliza na equipa principal do Sporting. E começaste muito bem, parando uma grande penalidade nesse jogo de estreia. Missão que continuas a desempenhar com zelo e brio, sem te pesar no ego o brilhante título de campeão europeu e a eleição como melhor guarda-redes do continente em 2016.» (19 de Novembro)

- José da Xã: «Rui Patrício tem sido um baluarte na baliza do Sporting e na selecção no que respeita às grandes penalidades?» (26 de Janeiro)

- António de Almeida: «Rui Patrício mostrou uma vez mais que é um verdadeiro líder dentro e fora do campo, capaz de unir a equipa nos momentos mais adversos.» (6 de Abril)

- Zélia Parreira: «Grande Homem, grande Sportinguista.» (6 de Abril)

- António F: «Neste lapso de tempo em que vivemos, temos a felicidade de ver jogar uma das grandes lendas do nosso clube: Rui Patrício.» (21 de Maio)

Quanto pior, melhor

Precisamente no dia em que a selecção nacional iniciou a concentração na Rússia, para o campeonato mundial de futebol, ele anuncia aos quatro ventos no Facebook - traindo pela enésima vez uma promessa solenemente feitarepetida aos adeptos leoninos - que vai processar Rui Patrício, titular absoluto do onze português. Por "difamação e calúnia", garante. Já esquecido de tudo quanto andou a escrever e a dizer sobre o capitão do Sporting - até na véspera da final da Taça de Portugal, quatro dias após o ataque dos jagunços a Alcochete. Já esquecido de ter assistido impávido e sereno à miserável agressão ao nosso guarda-redes com tochas incendiárias por parte dos queridos membros da sua claque de estimação, em pleno estádio José Alvalade, segundos após ter começado um decisivo jogo contra o Benfica.

O padrão é o mesmo: declarar guerra aos jogadores. Talvez com inveja por ganharem mais que ele, certamente com ciúmes por serem inifinitamente mais populares que ele. O descontrolo emocional é o mesmo de sempre. Infelizmente, continuamos à mercê de alguém que, não satisfeito por ter lançado fogo ao Sporting, quer também lançar fogo à selecção.

Para ele é sempre assim: quanto pior, melhor.

"Salvar o Sporting de Bruno de Carvalho"

Daniel Oliveira escreveu no Expresso um artigo cuja leitura recomendo vivamente, pois trata-se de um balanço (creio que justo) da presidência de Bruno de Carvalho por quem o apoiou, seguido da explicação dos motivos por que já não o pode apoiar.

A dada altura pode ler-se:

Como sportinguista, não quero alimentar os argumentos que possam favorecer rescisões unilaterais em que os clubes que levam jogadores ficam dispensados de compensar o Sporting pelo investimento feito. E não penso ser legítima a insinuação de que Rui Patrício (que justamente é e será para sempre um símbolo do Sporting) poderia desistir desta rescisão se Bruno de Carvalho se demitisse. Apesar de compreender a situação do jogador, ser solidário pelo que passou e até perceber o racional desta condição, não se pode abrir um precedente em que jogadores podem, de alguma forma, determinar quem é e quem deixa de ser o presidente do clube para o qual trabalha. Como trabalhador do Sporting, é livre de lutar pelos seus direitos e tem, como não podia deixar de ter, a minha total solidariedade. Ao Sporting cabe tentar minimizar os danos deste processo. E é evidente que outro presidente o fará em muito melhores condições do que Bruno de Carvalho. Mas uma coisa é ser eu a dizer isto, outra é ser Rui Patrício ou alguém por ele.

 

Concordo sem dúvida, mas não deixo de apontar que pelo menos alguns dos jogadores (e o anterior treinador) não são meros trabalhadores do Sporting: são também verdadeiros sportinguistas que desejam o bem do clube. Nessa qualidade, e conhecendo-o melhor do que ninguém, é natural que desejem o afastamento de Bruno de Carvalho. 

Rui Patrício e Bruno de Carvalho

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Rui Patrício tem 18 anos de Sporting. Mais do que alguns dos agressores de Alcochete e aqueles que lhe lançaram tochas incendiárias em Alvalade têm de vida.

Cumpriu no clube todos os escalões de formação.

É titular da baliza leonina há dez anos.

Foi o segundo jogador (após Hilário) que mais vezes vestiu a camisola verde e branca. Nada menos de 467 vezes.

Conquistou três Taças de Portugal e três supertaças.

É campeão europeu em título.

Foi considerado o melhor guarda-redes do Euro 2016.

Será titular absoluto da nossa selecção no Mundial da Rússia.

Valeu-nos largas dezenas - centenas? - de pontos nos campeonatos nacionais.

Tem um currículo muito mais vasto e valioso aos 30 anos do que o de Bruno de Carvalho aos 46.

Isto é maneira de gerir um clube?

Rui Patrício, em discurso directo:

 

«A postura física do Presidente, principalmente em relação a mim, foi sempre de enorme agressividade reiterando, várias vezes, que eu e o William Carvalho é que organizávamos a revolta dos outros, para podermos sair do clube.

Inúmeras vezes, dirigindo-se a mim aos berros afirmou: “Pensas que estás a falar com quem?”

E sempre que eu tentava referir que o que se devia discutir era o ataque do Presidente ao grupo de trabalho, este reafirmava que os seus posts não tinham nada de mal.

Chegando mesmo a afirmar: “Vocês são uns meninos mimados, eu sou o Presidente, eu faço o que quiser e escrevo o que quiser, onde quiser".»

 

(...)

 

«Quando o William Carvalho tentou, em nome do grupo, transmitir ao Presidente que não podia publicamente colocar em causa o profissionalismo da equipa e que era por esse motivo que os jogadores estavam magoados, este . recusou-se a aceitar que os jogadores tivessem qualquer razão.

E mesmo quando o treinador, Jorge Jesus, lhe disse: “Você disse que vinha aqui para pedir desculpas… ”, o Presidente o que respondeu foi que: “Pedir desculpas... Eu não fiz nada de mal...", vitimizando-se, dizendo que “no final da época eu vou-me embora, vou para junto da minha família nada mais importa, está aqui o REI — referindo-se a Jorge Jesus – e eu vou-me embora, para junto da minha família que é o mais importante, que gosta de mim..."

E antes de se ir embora terminou dizendo: “Vou tirar a suspensão, o mister pode convocar quem quiser, é o Rei do Clube, mas os processos vão continuar”.»

Mas ninguém acha isto estranho?

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Resta alguma dúvida sobre a intenção de Patrício e de quem o assessora? (ou vice-versa se quiserem)

 

Num documento desta gravidade deixa-se um espaço para colocar a data à mão?

Se o pedido de rescisão fosse hoje como é que o faria? Rasurava o mês?

Que ridículo...

Para não falar do conteúdo da carta que nada mais é que um recolher de dados publicados na imprensa (sim, o conteúdo das sms também não traz nada de novo...). Nada de substancial contém...

Sinceramente, duvido que venha a ganhar o processo e antecipo-lhe anos muito tristes de lutas em tribunais para no final sair humilhado...

 

A minha opinião sobre este Conselho Directivo e a sua postura desde o jogo de Madrid está espelhada neste blog, mas não posso ignorar que, neste acto específico, Rui Patrício fica muito mal na fotografia...

Isto é só um "supônhamos"

Ora só haverá lugar a "justa causa", porque se gorou a transferência para o Wolvermendes.

Ora então suponhamos que o negóciao se fazia e os tais 7 milhões e qualquer coisa eram deduzidos aos 18 milhões. restariam 10 milhões e qualquer coisa, a que se teria que deduzir a comissão do Mendes que dizem que andará pelos 10%, ou seja, como diazia o outro, fazendo as contas seriam pouco mais de 9 milhões de Euros por um jogador como Rui Patrício. Como diria o poeta, "antes a morte..."

Mas continuemos a supôr que era isso que acontecia. Isso é que era vê-los, na carreira de tiro, de arma em punho, num fuzilamento sumário ao presidente. Bom, em bom rigor, já estão, que qualquer motivo é um bom motivo.

Duma coisa não o podem acusar, hoje. Não foi ele que desviou a atenção do "pagar para perder". Foi alguém que terá sido roubado na sua dignidade profissional e a quem ainda não ouvi um pio acerca do assunto.

A talhe de foice e porque é de rescisões que falamos, há um pequeno assunto que me mantém intrigado e se alguém souber que responda: A senhora advogada de apelido Garcia Pereira, pensa o mesmo que o senhor advogado de apelido Garcia Pereira sobre o direito a rescisão por justa causa dos jogadores do Sporting? Acho que é uma pergunta pertinente, uma vez que foi indicada para uma comissão qualquer pelo senhor comendador e estão em causa os interesses do Sporting...

 

Já agora, aqui a carta de rescisão apresentada por Rui Patrício. Peço que leiam com atenção, e se não se revirem na maior parte das críticas ao desempenho dos jogadores, atirem a primeira pedra.

É chato

Excertos da longa carta que Rui Patrício fez chegar à administração da SAD leonina:

 

«Fui alvo de violência psicológica e física.»

 

«É inequívoco que foram violados os meus mais elementares direitos, legais e contratuais, e que não fui tratado pela Sporting Clube de Portugal - Futebol SAD com o respeito devido a um colaborador, que não me foram dadas, por esta, as condições necessárias para o exercício da minha profissão.»

 

«Fui alvo de uma conduta de assédio, que visou condicionar-me, hostilizar-me e limitar-me na minha liberdade, nomeadamente de expressão.»

 

«O representante máximo da SAD criticou-me publicamente, ofendeu-me, surpreendeu-me, acusou-me, processou-me. Atiçou, diversas vezes, a ira dos adeptos contra mim e contra os meus colegas de equipa, bem sabendo que alguns dos adeptos, em particular nas claques, reagem de forma primária e irracional a quaisquer declarações proferidas pelo Presidente.»

 

«Vivi momentos de puro terror, sem que a Sporting SAD tenha revelado qualquer preocupação - que, naquelas circunstâncias, lhe era manifesta e especialmente exigível - com a segurança dos seus atletas profissionais de futebol, deixados à mercê de um grupo violento de membros da claque.»

 

«Perante os factos ocorridos na Academia de Alcochete, que colocaram em risco a minha integridade física (e mesmo a vida), nada tendo sido feito pelo empregador para o evitar, não tendo sido asseguradas as condições de segurança que se impunham face ao momento que se vivia à data, revela-se totalmente insustentável a subsistência da relação de trabalho.»

 

{ Blogue fundado em 2012. }

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