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És a nossa Fé!

Tal como a França, a Espanha e o Brasil

Portugal, 1 - Coreia do Sul, 2

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Ricardo Horta: estreia de sonho como titular da selecção no Mundial

(Foto: EPA)

 

Não há três sem quatro. Aconteceu hoje à selecção portuguesa o que sucedeu às de França, de Espanha e do Brasil: perderam o último jogo da fase de grupos do Mundial, quando todas já tinham garantido o apuramento para a segunda fase. No nosso caso, ao contrário dos espanhóis, estava também assegurado o primeiro lugar do Grupo H.

Tudo muito diferente do cenário ocorrido em 2002, no Mundial da Coreia e do Japão, quando também fomos derrotados pelos coreanos (0-1), o que nos fez abandonar o certame precisamente na fase inicial, fazendo as malas mais cedo. E não era por falta de qualidade da equipa das quinas, que contava com vários jogadores que hoje treinam equipas e selecções: Paulo Bento, Sérgio Conceição, Rui Jorge e Petit. Além de Figo, Pauleta, Vítor Baía, Beto e João Vieira Pinto - este a figura mais destacada, mas pela negativa.

 

Desta vez com a qualificação garantida, após vencermos Gana e Uruguai, os profetas da desgraça estavam antecipadamente fora de combate: o ansiado dia, para eles, ainda não chegou. A nossa selecção continua em prova no Catar, ao contrário de várias outras já recambiadas para o local de origem: Alemanha, Dinamarca, México, Uruguai e Bélgica - esta que só por delírio a FIFA mantém no segundo posto da tabela classificativa ao nível de equipas nacionais.

Perdemos por alguma disciplicência, excessiva descontracção face aos objectivos já concretizados e à ausência de alguns dos melhores, poupados pelo seleccionador para os próximos confrontos. Com destaque para Bruno Fernandes, à bica com um amarelo e que teve de ser gerido a pensar no desafio de terça-feira, frente à Suíça.

 

E até entrámos muito bem contra os coreanos. Com um golo logo aos 5', na primeira oportunidade, muito bem concretizada por Ricardo Horta - o melhor dos nossos nesta sua estreia como titular pela selecção. Golo em ataque rápido, com apenas três toques: passe longo de Pepe, centro perfeito de Dalot, oportuna desmarcação do avançado braguista dentro da área, metendo-a lá dentro sem a deixar pousar na relva.

A Coreia não baixou os braços, empatando aos 27' na sequência de um canto, com a bola a embater caprichosamente nas costas de Cristiano Ronaldo enquanto João Cancelo (desta vez lateral esquerdo mas ainda sem mostrar qualidade para integrar o onze titular) era incapaz de reacção.

Na segunda parte Portugal reequilibrou a partida, com boas exibições de Pepe, Vitinha e (a espaços) Matheus Nunes. Por contraste, actuações apagadíssimas de Cristiano Ronaldo e João Mário. André Silva e Rafael Leão, que entraram aos 64' para render Matheus e CR7, não fizeram melhor, longe disso.

O golo da vitória coreana aconteceu aos 90', numa espécie de réplica do que teve a assinatura de Ricardo Horta: ataque rapidíssimo, aproveitando o desposicionamento de toda a nossa equipa junto à baliza adversária. Três dos nossos - Dalot, Palhinha e William - foram incapazes de acompanhar Son, que correu cerca de 70 metros e endossou a bola à vontade, com vistoso túnel a Dalot, enquanto Bernardo Silva punha em jogo Hwang, que não perdoou frente a Diogo Costa.

 

Ficou por vingar a derrota de há 20 anos. Mas agora com duas diferenças: Portugal transita para os oitavos e Paulo Bento, então jogador das quinas, treina agora os sul-coreanos. Há, portanto, dois portugueses entre os 16 seleccionadores ainda em prova neste controverso Campeonato do Mundo. 

Bento, que orientou a selecção nacional antes de Fernando Santos, cessará contrato na Coreia após o Mundial. Poderá ser ele o sucessor de quem lhe sucedeu?

Nunca se sabe. A vida dá sempre muitas voltas. E o futebol também.

 

ADENDA: Há 20 anos que a selecção dos Camarões não vencia um jogo do Campeonato do Mundo. E há 17 jogos que o Brasil não perdia. Aconteceu hoje: Brasil, 0 - Camarões, 1.

Futebol surreal

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O Mundial do Catar tem sido um fiasco em questão de audiências televisivas, na Alemanha. E, agora que a Mannschaft já deixou as arábias, até me pergunto se os canais estatais ARD e ZDF continuarão a transmitir os jogos.

Algo se passa na selecção alemã. Um tipo de futebol que deixou de funcionar? Falta de adaptação dos seleccionadores (sempre alemães) ao novo estilo de jogadores com origem migrante, como Serge Gnabri, Leroy Sané e Jamal Musiala? Enfim, nem sequer sou treinadora de bancada, não me compete dar respostas, muito menos, encontrar soluções. Mas a maneira como a Alemanha foi eliminada, desta vez, foi muito deprimente. O jogo de ontem teve momentos surreais.

A Alemanha tinha de ganhar. Mas estava, ao mesmo tempo, dependente de uma vitória da Espanha. Os primeiros golos foram marcados quase ao mesmo tempo: a Alemanha aos 10 minutos, a Espanha aos 11 minutos. Estava tudo a correr bem. Mas, aos 48, o Japão empatou e aos 51 pôs-se em vantagem. Logo a seguir, aos 58 minutos, a Costa Rica empatou. Aqui, o meu marido e eu passámos a torcer por uma vitória da Costa Rica. E note-se que o meu marido é alemão! Porquê? Se a Alemanha já não tinha praticamente hipóteses, que fosse a Espanha também eliminada. E não é que a Costa Rica marca o segundo golo aos 70 minutos?

Alegria efémera. Três minutos depois, Havertz empatou o jogo. Maldito Havertz! Ficámos numa situação muito ingrata, não me lembrava de já ter vivido semelhante, a assistir a um jogo de futebol. Deveríamos torcer pelo terceiro golo da Costa Rica? Mas: e se a Espanha ainda conseguisse virar o resultado?

O que veio a seguir foi surreal. A Alemanha começou a marcar golos e a Costa Rica desesperava. Tudo em vão. O marcador do Japão-Espanha congelara naquele fatal 2:1. Foi penoso ver a Alemanha a aumentar a sua vantagem, sabendo que tal vitória beneficiava apenas a Espanha.

Só nos resta esperar que “Marruecos” trate da saúde a “nuestros hermanos”.

E, de resto, viva Portugal!

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Super-Bruno põe Portugal nos oitavos

Mundial 2022: triunfo contra o Uruguai (2-0)

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Bruno Fernandes, melhor em campo, celebra segundo golo contra o Uruguai

(Foto:  Kirill Kudryavtsev/AFP)

 

Outro dia péssimo para os profetas da desgraça, que andam a salivar para cair em cima da selecção nacional, ansiando por derrotas. São tempos complicados para estes tugas sempre prontos a denegrirem as nossas cores e os nossos jogadores. Apoiam seja quem for que actue contra nós.

Tiveram azar. Portugal venceu ontem o Uruguai, por 2-0, num desafio em que foi claramente superior. Segundo triunfo consecutivo, após a nossa vitória frente ao Gana (que ontem derrotou a Coreia do Sul) na ronda inaugural do Grupo H do Campeonato do Mundo.

Este desafio superado com sucesso teve um sabor muito especial. Por ser a desforra da partida que há quatro anos nos afastou do Mundial 2018, nos oitavos-de-final, com dois golos de Cavani enquanto Pepe marcava pelo nosso lado. Desta vez o veterano avançado uruguaio ficou em branco, tal como os seus compatriotas Darwin Nuñez, ex-Benfica, e Luis Suárez.

 

Jogo de sonho para Bruno Fernandes, de novo o melhor em campo no Catar. Marcou os dois golos, aos 54' e aos 90'+3 - este de grande penalidade. E teve duas excelentes oportunidades para ampliar a vantagem mesmo ao cair do pano, aos 90'+8 e aos 90'+9: a primeira só travada por grande defesa do guardião Rochet, a segunda foi ao poste.

Destaque também para Pepe, que regressou à equipa das quinas para se confirmar como eficaz patrão da defesa, Diogo Costa (desta vez sem deslizes) com duas defesas dignas de nota muito elevada e Cristiano Ronaldo, que mesmo sem marcar teve intervenção decisiva no nosso primeiro golo, com desmarcação que baralhou Rochet. 

Justificam igualmente aplauso os "nossos" João Palhinha e Matheus Nunes, em campo desde o minuto 82: ambos contribuíram para consolidar o domínio leonino. Deviam ter entrado mais cedo.

Nota negativa para a saída de Nuno Mendes, aos 41, aparentemente por agravamento da lesão que já sofrera. Enquanto esteve em campo foi um dos melhores. Ao contrário do apagadíssimo João Cancelo e do desinspirado Rúben Neves. Diogo Dalot e Palhinha merecem ser titulares.

 

Os tais profetas andavam a uivar maus agoiros há largas semanas. Enganaram-se redondamente até ao momento. A selecção portuguesa é apenas a terceira a qualificar-se para a fase seguinte, ainda antes de disputar o terceiro jogo - será na sexta-feira, contra a Coreia do Sul treinada por Paulo Bento. Além de nós, por enquanto, só França e Brasil confirmaram presença nos oitavos-de-final.

O que fazer? Manter o apoio, claro. Falo por mim - e tenho a certeza de que falo pela esmagadora maioria dos portugueses.

Os outros vão continuar a resmungar e a lançar pragas. Mas agora em tom mais baixo, quase em surdina. É outra boa notícia.

Portugal venceu, Cristiano Ronaldo marcou

Mundial 2022: triunfo contra o Gana (3-2)

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CR7 celebra após marcar, de penálti, o primeiro dos nossos três golos contra o Gana

 

Hoje é um péssimo dia para os urubus que adoram transportar maus agoiros no bico. Um péssimo dia para os pregoeiros da desgraça.

Presumo, por isso, que seja também um dia calmo no nosso blogue.

São sempre assim, as madrugadas e manhãs que se seguem às vitórias - sejam do Sporting, sejam da selecção nacional. Ao contrário das ressacas dos desaires, quando o trânsito fica engarrafado por aqui.

Esta é talvez a característica que mais detesto em muitos portugueses: anseiam pelo fracasso dos compatriotas. Daí a diferença abissal entre a enxurrada de gente que se apressa a comentar quando há derrotas e a calmaria que se segue aos triunfos.

 

Hoje é um desses dias.

 

Portugal estreou-se ontem a vencer no Mundial de 2022. Superou o Gana, derrotando por 3-2 uma das melhores selecções do continente africano.

Portugal comanda isolado o Grupo H, aproveitando o empate registado no soporífero Coreia do Sul-Uruguai - tristemente assinalado por ser o único jogo até agora de um campeonato do mundo disputado neste século sem um só remate a qualquer das balizas.

Portugal viu o seu melhor jogador de sempre marcar o primeiro dos três golos: Cristiano Ronaldo conquistou um penálti e converteu-o de forma exemplar. Mostrando, a quem ainda tivesse dúvidas, que continua a ser mais-valia aos 37 anos e 9 meses.

Portugal acaba de ver CR7 superar mais um recorde: é o primeiro jogador da história do futebol a marcar em cinco campeonatos do mundo (2006, 2010, 2014, 2018, 2022) e também o primeiro a facturar em dez fases finais de grandes competições futebolísticas (contando com os golos apontados nos Europeus de 2004, 2008, 2012, 2016 e 2021).

 

Um dia sem história, portanto. Outro dia tranquilo aqui no blogue.

Afinal

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22/11/22, para os numerologistas esta data deve ter um significado oculto qualquer, para mim, é o dia da Argentina vs. Arábia Saudita, pela primeira vez, uma das selecções que Roger disse que estariam na final, vai pisar o estádio icónico, quatro dias depois será a vez da selecção portuguesa, fazer o mesmo, frente ao Uruguai.

Arábia Saudita e Uruguai serão os primeiros adversários de Messi e Cristiano Ronaldo no Lusail Iconic Stadium, quem se defrontará no último encontro?

"Estamos no último minuto, dos oito que foram dados de prolongamento, portugueses e argentinos, arrastam-se pelo campo, mais que o calor, é a humidade que os sufoca.

O guarda-redes argentino tenta sair a jogar, coloca a bola em Enzo, à entrada da área, o passe sai frouxo, Enzo atrapalha--se e deixa-se pressionar por Bruno Fernandes, a bola sai dos pés do benfiquista para os de Cristiano Ronaldo, este usa muito bem o corpo, ganha a posição e embora atrapalhado por Otamendi remata certeiro na direcção da baliza.

Último minuto, último jogo do Mundial, último remate, provavelmente, o último golo do Ronaldo num mundial, aquele que fará de Portugal, campeão do mundo, surge, no entanto, rápido e oportuno, Paulinho* a empurrar a bola (que entraria de qualquer modo) para dentro da baliza.

Foi golo, golo, golo!

Portugal é campeão Mundial e Paulinho é o novo Éder" **

* Paulinho foi chamado ao Mundial para substituir Gonçalo Ramos que se lesionou numa disputa de bola com Pepe.

** A parte entre aspas foi um sonho que tive. A jogada como repararam era igual à do golo do Sporting, em vez de ser Trincão a roubar o golo a Paulinho foi Paulinho a roubar o golo a Ronaldo. Será que este segundo roubo seria encarado da forma que foi o primeiro?

Liga das Nações: Wembley é na "Pedreira"

Mais logo, às 19h 45m (hora portuguesa), a Inglaterra recebe a Alemanha em Wembley. Amanhã, à mesma hora, Portugal recebe a Espanha em Braga. Dir-se-ia que os holofotes estariam apontados ao clássico de Londres. Na verdade, trata-se de um jogo entre duas equipas humilhadas, só serve para cumprir calendário. Já da "Pedreira" vai sair um dos semi-finalistas da Liga das Nações.

Como o Pedro Correia aqui disse, a Inglaterra já caiu para a Liga B. Quanto à Alemanha, falhou a hipótese de passar às meias-finais, ao perder com a Hungria, em Leipzig, por 1:0, na passada sexta-feira. Uma derrota humilhante, à semelhança do que aconteceu com a Espanha.

Ao contrário da Alemanha, porém, nuestros hermanos ainda se mantêm na corrida. Espero que só até amanhã, ao serão.

Força, Portugal!

 

Nota: A Alemanha nunca logrou atingir a meia-final da Liga das Nações. Nem à terceira foi de vez.

Uma medalha que não deveria ser portuguesa

Pode não ser a opinião de muita gente, mas é o que me vai na alma.
Pedro Pichardo veio para Portugal porque o Benfica lhe acenou com um maço de notas para se naturalizar português, para poder dizer que também dava medalhas olímpicas ao país. Poderia perfeitamente ser atleta do Benfica e cidadão cubano. Se não queria competir por Cuba, por ter um conflito com o seu país, poderia simplesmente ter competido com a bandeira olímpica. Mas isso não interessaria ao Benfica, que não tolera que o Sporting seja visto como o clube cujos atletas mais medalhas olímpicas ganham. E assim se procedeu a uma naturalização em tempo recorde (seis meses após a sua chegada) - não sei ao abrigo de que critério, mas o Benfica pode sempre tudo. Será assim que se desenvolve o desporto em Portugal - a naturalizar atletas de países com menos recursos financeiros?
Nada disto retira mérito ao atleta e à sua medalha, obviamente. É um grande campeão. Acho também naturalíssimo que o seu clube celebre a medalha. E também a cidade onde vive - a medalha foi ganha por um dos seus. Mas se esta é uma medalha "portuguesa", então talvez seja melhor acabar de uma vez com esse conceito de nacionalidade atribuído às comitivas e às medalhas olímpicas, que vem do início das Olimpíadas, no final do século XIX e no rescaldo da Conferência de Berlim, mas que é bem diferente nos dias de hoje. Enquanto não for esse o caso, e embora saiba que Portugal esteja longe de ser um caso único como este (em Espanha há dezenas de casos, grande parte deles também à custa de Cuba), não concordo que Portugal fique com o proveito de uma medalha para a qual pouco ou nada contribuiu.
Uns esclarecimentos finais: esta minha opinião aplica-se à medalha de Pedro Pichardo, mas obviamente não às outras medalhas olímpicas portuguesas nestes jogos (nesse sentido são lamentáveis as declarações de Bessone Basto). Também não se aplica às medalhas de Francis Obikwelu ou Nélson Évora. Talvez se aplicasse a Auriol Dongmo, tivesse a atleta do Sporting sido medalhada (e muito contente ficaria eu com essa medalha), embora a sua naturalização tenha decorrido num prazo normal. Nada do que eu escrevi justifica o mau perder do grande campeão Nélson Évora, que muito mal lhe ficou.

Hoje somos os favoritos que falharam

Texto de Francisco Gonçalves

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Renato Sanches e De Bruyne no Bélgica-Portugal de 27 de Junho

 

A base da selecção [portuguesa no Mundial de 1966] era a de uma equipa com cinco finais da Taça dos Campeões Europeus em oito anos e que, de facto, teve um brilhante comportamento em Inglaterra, [mas] falhou, estrondosamente, o apuramento para o Munudial de 62, para o Europeu de 64 e para o Europeu de 68.

 

Entretanto, ficámos em 4.º lugar no Mundial de 2008; fomos semi-finalistas, em 2000 e em 2012; vice-campeões europeus, em 2004; campeões europeus, em 2016; e vencemos a Liga das Nações em 2019.

Sem prejuízo do mérito que a nossa selecção revelou, o Mundial de 1966 foi visto, quase, como um milagre. Uma superação que só acontece(u) de vez em quando.

Hoje, Portugal frequenta os lugares das melhores selecções do mundo, com uma naturalidade que, naquele tempo, era uma miragem.

 

Naquele tempo, éramos os coitados que se transcenderam.

Hoje, somos os favoritos que falharam.

 

Texto do leitor Francisco Gonçalves, publicado originalmente aqui.

A ver o Europeu (21)

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BÉLGICA ELIMINA PORTUGAL

No primeiro jogo do tudo-ou-nada, houve um tropeção. Que nos foi fatal. Frente à selecção belga, classificada como número 1 do mundo pela FIFA. Derrota tangencial em Sevilha, perante 14 mil espectadores nas bancadas: os belgas marcaram na única verdadeira oportunidade que tiveram num brilhante lance individual de Thorgan Hazard, aos 42'. Enquanto nós fomos incapazes de a meter lá dentro: houve 24 remates, grande parte dos quais por cima ou ao lado. O melhor - por Raphael Guerreiro, de pé direito - embateu no poste, aos 83', já com Courtois batido. Aos belgas, com apenas 44% de posse de bola e sem um só canto a seu favor, bastou rematar seis vezes para vencer.

Claro domínio português na segunda parte que foi crescendo de intensidade até ao apito final. Mas que só se tornou indiscutível quando Fernando Santos, com manifesto atraso, fez as substituições que se impunham: tirou Bernardo Silva e João Moutinho, os elementos mais fracos do onze titular, metendo em campo João Félix e Bruno Fernandes, que refrescaram a equipa e lhe deram alguma acutilância. Sobretudo só a partir daí os nossos flancos passaram a funcionar em dinâmica ofensiva. 

Bernardo nunca conseguiu acelerar o jogo e foi incapaz de fazer a diferença lá na frente. E teve também responsabilidade no golo belga: Thorgan bateu-o em velocidade e o avançado do City ficou a marcar com os olhos, consentindo o remate de meia-distância. Também Rui Patrício pareceu algo lento a reagir e mal posicionado, apesar de a bola ter entrado no centro da baliza.

 

Dos onze que entraram de início, neste jogo em que tivemos menos 48 horas para descansar do que os "diabos vermelhos", havia seis campeões europeus: Rui Patrício, Pepe, Guerreiro, Moutinho, Renato Sanches e Cristiano Ronaldo. O capitão português, muito marcado, desta vez foi incapaz de fazer a diferença - excepto num livre directo que levava selo de golo mas acabou interceptado por Courtois, o melhor em campo. Estavam decorridos 25 minutos: era o nosso primeiro remate enquadrado. O que resume em larga medida a nossa primeira parte, em que abdícámos da iniciativa atacante, sobretudo pelos corredores laterais. E só despertámos para a pressão no segundo tempo, correndo atrás do prejuízo.

Tivemos 88% de eficácia de passe. Mas a finalização, do nosso lado, parecia ter rumado a parte incerta. Palhinha, João Félix, Bruno Fernandes e o próprio Ronaldo falharam neste capítulo. Bernardo nem tentou. Mas o destaque pela negativa vai para Diogo Jota, uma autêntica nulidade. Isolado por Renato logo no minuto 6, num passe em lance corrido que cheirava a assistência para golo, o avançado do Liverpool rematou muito torto, bem para longe da baliza. Titular absoluto neste Europeu, nunca demonstrou ter qualidade para merecer a confiança que o seleccionador lhe deu. Aos 58', voltou a falhar com estrondo - desta vez assistido por Cristiano.

 

Pepe anulou bem Lukaku, o adversário mais temível. Palhinha neutralizou De Bruyne, um dos melhores jogadores do mundo. Guerreiro chegou e sobrou no confronto individual com Meunier. O problema da nossa equipa residia lá na frente: demasiados nervos à solta, demasiada intranquilidade, demasiada incompetência.

Campeões europeus desde 2016, cinco anos depois vamos ceder o título a outra selecção. Que bem pode ser a belga, embora também italianos e franceses sejam sérios candidatos. É verdade que nunca a Bélgica apresentou uma equipa tão forte num Campeonato da Europa. Mas não é menos certo que esta é a primeira vez em que somos afastados em fase tão prematura de um Europeu. Os nossos piores desempenhos antes deste aconteceram em 1996 e 2008, quando caímos nos quartos-de-final.

Todos os ciclos têm o seu fim. O do seleccionador Fernando Santos - que prescindiu de Nuno Mendes e Pedro Gonçalves, campeões nacionais pelo Sporting que nunca calçaram neste Euro-2021 - aproxima-se do epílogo. Mas esse é outro debate: haverá tempo e espaço para o fazer. Talvez só após o Mundial que vai disputar-se no Catar em 2022.

 

Bélgica, 1 - Portugal, 0

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Os jogadores portugueses, um a um:

 

Rui Patrício - Frente à selecção n.º 1 da FIFA, acabou por ter pouco trabalho. O golo belga foi a única ocasião em que enfrentou verdadeiro perigo. Infelizmente teve reflexos mais lentos do que Courtois na baliza contrária ao negar golos a Cristiano Ronaldo e André Silva.

 

Diogo Dalot - Estreia absoluta a titular pela selecção A. No essencial, cumpriu no capítulo defensivo. Mas foi demasiado tímido nas incursões ofensivas, sobretudo no primeiro tempo. Comportamento infantil aos 51', chutando a bola com o jogo parado: custou-lhe o cartão amarelo.

 

Pepe - O mais velho jogador de campo do Euro-2021, com 38 anos, voltou a ser pedra basilar. Imbatível no eixo da defesa, enfrentou com êxito Lukaku. Corte exemplar aos 66', negando o golo ao artilheiro do Inter. No quarto de hora final foi jogar lá na frente, como se fosse avançado.

 

Rúben Dias - Fez boa parceria com Pepe. Ambos tinham pela frente uma selecção que marcou 40 golos na fase de apuramento e não se deixaram atemorizar por isso. Cabeceou com perigo, aos 82', após canto de Bruno Fernandes. Com outro guarda-redes talvez tivesse entrado.

 

Raphael Guerreiro - A sua melhor exibição do Europeu ocorreu neste desafio. Corte impecável aos 40'. Redobrou de protagonismo ofensivo na segunda parte, com vários cruzamentos bem medidos. Esteve quase a marcar aos 83': Courtois já estava batido mas a bola foi ao poste.

 

Palhinha - Ganhou estatuto na selecção, como ficou comprovado neste jogo - o seu primeiro como titular no Europeu. Infelizmente, foi também o último. Não merecia voltar já para casa: bom desempenho na recuperação e no desarme. Só falhou no disparo de meia-distância.

 

João Moutinho - Incompreensível, esta reiterada aposta do seleccionador. Precisávamos de um acelerador de jogo no eixo do terreno: rápido, vertical, incisivo. Moutinho não tem nenhuma destas características. Saiu aos 56', comprovando que o tempo dele na selecção acabou.

 

Renato Sanches - Com 91% de eficácia de passe, talvez o melhor português neste jogo. No primeiro tempo foi o que mais tentou remar contra a maré: desequilibrou, transportou com qualidade, nunca deu um confronto por perdido. Quase assistiu para golo aos 6'. Saiu aos 78'.

 

Bernardo Silva - Outro mistério: como é que foi titular nos quatro jogos de Portugal neste Europeu? Voltou a ter uma exibição medíocre, tanto no flanco direito ofensivo como em missão defensiva: tem clara responsabilidade no golo belga, ao deixar fugir Hazard. Saiu só aos 56'.

 

Diogo Jota - Divide com Bernardo o "prémio" de pior em campo. Pedia-se goleador - e falhou em toda a linha. A ala esquerda, onde actuou, ficou sempre desequilibrada: quase não ganhou um confronto individual e parecia até fugir da bola. Espantosamente, esteve em campo até aos 70'.

 

Cristiano Ronaldo - Nem ele conseguiu fazer a diferença. Mas se há jogador que não merecia ir mais cedo para casa é precisamente o capitão. A primeira clara oportunidade de golo foi dele, na marcação de um livre, aos 25': Courtois defendeu in extremis. Aos 58', assistiu para Jota falhar.

 

João Félix - Saltou do banco (56'), rendendo Bernardo. Procurou a bola mas faltou-lhe talento na zona da decisão. Cabeceou à figura, aos 61'. Atirou por cima aos 82', rematou ao lado aos 90'+4. Tentou mergulhar para a piscina, cavando um livre. O árbitro não se deixou enganar.

 

Bruno Fernandes - O que se passa com o melhor jogador da Liga inglesa? Desta vez só entrou aos 56', por troca com Moutinho. Aos 82', marcou bem um canto que podia ter dado golo. Mas falhou remates quando se exigia mais precisão: atirou muito por cima aos 62' e aos 90'+2.

 

André Silva - Imperdoável, a escassíssima utilização neste Europeu do segundo melhor artilheiro da Liga alemã. Neste jogo entrou aos 70', substituindo o inútil Jota. Desperdiçou um bom passe de Bruno Fernandes (80'). Mas quase marcou aos 88': Courtois, atento, impediu o empate.

 

Sérgio Oliveira - Entrou aos 78', para refrescar o meio-campo, substituindo um exausto Renato Sanches. Tentou dar consistência e acutilância às nossas acções ofensivas, infelizmente sem oportunidade para testar o seu famoso pontapé de meia-distância.

 

Danilo - Entrou aos 78', rendendo Palhinha, já amarelado. Útil nas dobras defensivas, numa fase em que Pepe já actuava lá na frente, como se fosse um avançado. Desarmou Lukaku aos 86'. Esteve melhor ainda, abortando uma ofensiva muito perigosa de Carrasco, aos 90'+4.

O dia seguinte

Obviamente que nos faltou a tal "santinha" que nos acompanhou noutras situações. Mas ela hoje meteu folga.

Mas para Portugal defrontar a Bélgica em Sevilha é um pouco como o Sporting jogar em casa contra o Braga ou algo assim, se não entra com tudo para marcar primeiro e deixa enrolar o jogo até que um "chouriço" qualquer funcione como despertador, arrisca-se mesmo a perder. Porque a outra equipa redobra de moral, porque os minutos se vão esgotando, porque cada um tenta  resolver por si o que a equipa não consegue, nem equipa às tantas existe com tantas alterações e a pressa de meter a bola lá na frente.

E é verdade, Portugal não tem um Coates.

Mas tem alguns jogadores fetiches de Fernando Santos, a começar por um Bernardo Silva que marcou com os olhos o ala da Bélgica que fez o golo e um Jota que desperdiçou uma oportunidade muito bem conquistada por Renato Sanches. Foram fetiches como estes, a começar por aquele de William Carvalho contra a Alemanha, que marcaram definitivamente esta campanha. 

Realmente faltou chegar a Sevilha com um modelo de jogo consolidado. Entrou um onze remendado das contigências da fase de grupos, com pouca ideia de conjunto, e sem ninguém para ajudar Cristiano Ronaldo. Que podia ter sido João Félix, como se viu na segunda parte. 

E assim se encerra esta campanha. Com todo o respeito pela competência e curriculum de Fernando Santos, se calhar é tempo de encerrar um ciclo e partir para outro, com outra capacidade colectiva e outra mistura de jovens com fome de vencer e consagrados que não falhem. Sempre com Cristiano Ronaldo, porque ele fará sempre parte da solução, o melhor jogador do mundo nunca será o problema.

Olhando agora para os jogadores do Sporting que integraram esta selecção, Palhinha esteve hoje muito aquém do que pode fazer, não será certamente por este Euro que estará envolvido numa grande transferência, e dois dos melhores jogadores da Liga portuguesa, como Nuno Mendes e Pedro Gonçalves, só foram conhecer os colegas e fazer treino de recuperação. É frustrante, mas é assim mesmo.

SL

E se o Rúben fosse seleccionador?

Vou lendo por aqui e por ali diversas e diferentes opiniões sobre os jogadores que foram convocados, mas acima de tudo sobre as tácticas usadas por Fernando Santos. Não faço qualquer juízo de valor sobre o trabalho do seleccionador até porque, como disse o Edmundo, sou outrossim dono de um nível zero de treinador.

Posto isto gostaria de perguntar ao "nosso" treinador Rúben Amorim que jogadores colocaria em campo e, mais do que tudo, qual a táctica que colocaria em campo?.

Digam o que disserem, Rúben Amorim foi o único que conseguiu fazer de um conjunto de jogadores uma boa e temível equipa.

E logo à tarde/noite deveria estar em Sevilha uma equipa e não só um conjunto de meros jogadores de futebol

Prognósticos antes do jogo

Vai fazer agora cinco anos, no Campeonato da Europa em França, chegámos aos oitavos de final com menos um ponto do que agora. Após empates com Islândia, Áustria e Hungria. 

Depois, nos oitavos, enfrentámos a Croácia de Modric - que em 2018 se sagrou vice-campeã mundial. Desafio difícil: os croatas acabavam de derrotar a favorita Espanha (então ainda campeã europeia em título) e tiveram mais 48 horas de descanso do que a equipa das quinas entre a fase de grupos e a fase a eliminar.

Foi um desafio com desfecho incerto quase até ao apito final. Após o zero-a-zero aos 90' (como ontem, no Áustria-Itália) seguiu-se o prolongamento. E aos 117' ocorreu isto, que na altura relatei aqui: «Cristiano Ronaldo, muito marcado, pareceu ausente durante grande parte do encontro. Mas na hora decisiva lá estava ele, aproveitando bem uma diagonal aberta por Nani e rematando por instinto, com força suficiente para o guarda-redes croata largar a bola, o que permitiu a recarga vitoriosa de Quaresma, estreante a marcar em fases finais de Europeus.»

Sem espinhas: transitávamos para os quartos-de-final.

 

E agora, como será?

Aguardo com expectativa os vossos prognósticos para este Portugal-Bélgica - a Bélgica de Lukaku, De Bruyne, Courtois, Meunier, Ferreira-Carrasco e dos irmãos Hazard. 

Começa mais logo, a partir das 20 horas. Em Sevilha, onde após muitos avanços e recuos o Estado português estará representado pelo ministro da Educação. Presidente da República, presidente da Assembleia da República e primeiro-ministro ficam em casa.

Para alguns parece tempo de luto

Objectivo mínimo alcançado: os oitavos-de-final.

A partir de agora cada jogo terá a sua história.

Entretanto conseguimos mais pontos do que a Dinamarca e a Ucrânia, que passam à fase seguinte com duas derrotas cada, e mais cinco golos do que a Inglaterra, qualificada com apenas duas bolas metidas nas redes adversárias.

Terminamos a fase de grupos com os mesmos pontos da Croácia, vice-campeã mundial. E do que a Alemanha, a Suíça e a República Checa.

Para alguns portugueses adeptos de futebol, estranhamente, em vez de ser tempo de festa parece ser tempo de luto.

Major Alvega e o futebol

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No postal publicado abaixo, pelo ex-futuro treinador de futebol de praia fluvial, Edmundo Gonçalves, gerou-se uma polémica (nos comentários) relacionada com o piloto luso-britânico Alvega, de Cook e Alvega.

Ora bem, o major Alvega foi um excelente piloto de caças (isso todos sabemos) o que muitos desconhecerão, é que aliava a esse c' kill (eh eh eh, isto sou eu a falar inglês técnico) da pilotagem, uma capacidade inata para o futebol, como as imagens acima demonstram.

Domingo, se calhar, Alvega, faria falta para marcar um golo de bola corrida.

Adenda: Com um abraço para o jpt e remetendo para os comentários no postal do Edmundo

O dia seguinte

Foi realmente uma noite de sofrimento e prazer a de ontem, que tive a ocasião de partilhar algures no Minho com um conjunto de amigos do desporto, na maioria Sportinguistas.

Por um lado havia o desafio que estávamos a ver, mas por outro o que não víamos mas que ouvíamos pela voz dum mais atento ao telemóvel e do qual só se ouviam más noticias.

E o que estávamos a ver durante muito tempo não servia para nada tendo em consideração o que se estava a ouvir.

E tudo acabou por correr "à Fernando Santos". Duas equipas bem encaixadas, uma mão bem na testa, outra mão no avançado que se isola, outra mão na bola, mais outra mão a desviar a bola para o poste, empate e não se fala mais nisso.

Claro que a equipa melhorou, mas pior do que contra a Alemanha era difícil, e no final tudo óptimo, fomos os únicos a ganhar à Hungria e por números que nos garantiram o apuramento, vamos apanhar um daqueles bons fregueses que se fartam de jogar na primeira fase e logo vão para casa satisfeitos, isto está a compor-se...

 

PS: Palhinha: calma, calma, rapaz... vem aí a Champions... 

A ver o Europeu (19)

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MISSÃO CUMPRIDA: VENHA A PRÓXIMA

Missão cumprida. Conquistámos ontem o quarto ponto no nosso Grupo F - mais um do que na mesma fase do Europeu de 2016. Desta vez empatando com a França em Budapeste, num início de noite muito quente e num estádio Puskás a transbordar de espectadores. Transitamos assim para os oitavos-de-final, a disputar domingo contra a Bélgica. Superando um grupo mais difícil do que aquele em que estivemos inseridos há cinco anos.

Neste desafio contra a selecção campeã do mundo e vice-campeã da Europa, em que fomos a melhor equipa no primeiro tempo, o golo inicial foi nosso. Marcado pelo suspeito do costume: Cristiano Ronaldo, que há dias se estreou como goleador contra a Alemanha e agora repetiu a proeza frente à França. Penálti muito bem convertido, aos 30', castigando derrube de Danilo pelo guarda-redes Lloris, incapaz de travar o pontapé certeiro de CR7.

 

Fernando Santos fez duas mudanças no onze titular: deixou de fora William e Bruno Fernandes, fazendo entrar João Moutinho e Renato Sanches. A equipa ganhou dinâmica e consistência com estas trocas. Ao contrário do que sucedera contra a Alemanha, equilibrámos o meio-campo e fechámos os corredores. Melhorou o jogo colectivo e diminuíram muito os erros individuais: desta vez não houve autogolos (como os de Rúben Dias e Raphael Guerreiro) nem elementos passivos na organização defensiva (como aconteceu com Rafa, transformado em medíocre espectador do quarto golo alemão).

Era dia de efeméride: fez ontem 37 anos que as duas selecções se haviam defrontado na meia-final do Europeu de 1984, ingloriamente perdida (2-3) pela equipa das quinas já no prolongamento, com dois golos do saudoso Rui Jordão. Mas não estava escrito nas estrelas que a história iria repetir-se. Desta vez registou-se um empate a duas bolas. Com Cristiano e Benzema, antigos companheiros do Real Madrid, a bisarem - cada qual para seu lado. Três dos golos resultaram de penáltis. CR7 no momento já mencionado e aos 60'. O francês, mesmo ao terminar a primeira parte (45'+2) e logo no recomeço (47'), desta vez em lance de bola corrida.

 

Melhores em campo?

Do nosso lado, uma vez mais, Cristiano Ronaldo: já fez cinco golos em três jogos, lidera a lista de artilheiros do Europeu e acaba de igualar o iraniano Ali Daei como rei dos goleadores da história do futebol ao nível das selecções (109, no total). Também superou o alemão Klose como goleador n.º 1 em fase finais de Mundiais e Europeus (soma agora 20).

Mas também Rui Patrício, gigante na baliza lusitana: protagonizou aquela que é até agora a melhor defesa deste Euro-2021, aos 68', desviando um tiro de Pogba e travando logo de seguida um pontapé de recarga. Confirma-se, onze anos depois: continua imprescindível como titular nesta posição.

Destaque igualmente para Renato Sanches, o melhor dos nossos médios ofensivos, justificando a condição de titular. E para o nosso João Palhinha, que jogou toda a segunda parte como médio defensivo com o mesmo grau de eficácia que bem lhe conhecemos do Sporting.

 

O seleccionador promoveu as mudanças adequadas. Viria a trocar Bernardo Silva por Bruno Fernandes, Moutinho por Rúben Neves, Nelson Semedo por Diogo Dalot (em estreia absoluta pela selecção nacional) e Renato Sanches por Sérgio Oliveira. Sempre com o objectivo - em grande parte conseguido - de nunca perder o controlo do meio-campo. Isto explica o facto de raras vezes os astros da selecção gaulesa (Mbappé, Dogba, Griezmann) terem conseguido criar desequílibrios. 

Balanço provisório: já cumprimos os mínimos. Oito presenças consecutivas em campeonatos da Europa, oito qualificações para os jogos a eliminar. Com um aliciante suplementar: desde 1996 que não marcávamos dois golos à selecção francesa.

Conclusões? Palhinha merece ser titular, Renato também. Dalot (52.ª estreia na selecção A promovida por Fernando Santos) justificou a convocatória de emergência, por João Cancelo ter testado positivo à Covid-19. Sérgio Oliveira merece igualmente nova oportunidade. E vai sendo tempo de apostar enfim em Pedro Gonçalves: o melhor marcador do campeonato português não pode continuar de fora.

 

França, 2 - Portugal, 2

.................................................

 

Os jogadores portugueses, um a um:

 

Rui Patrício - Brilhou entre os postes ao defender um remate que levava selo de golo, disparado aos 68' por Pogba. Já tinha confirmado estar na sua melhor forma aos 16', quando impediu Mbappé, isolado, de rematar com êxito. Um baluarte do onze nacional.

 

Nelson Semedo - Fez a sua melhor partida do Euro-2021 neste confronto com os campeões do mundo. Sem as falhas posicionais que havia revelado no jogo contra a Alemanha. Tinha missão difícil: cumpria-lhe policiar o irrequieto Mbappé. Foi bem-sucedido. Saiu lesionado aos 79'.

 

Pepe - Outra missão de enorme desgaste. Mas o internacional de 38 anos, campeão europeu, não virou a cara à luta neste dia em que cumpriu a 118.ª internacionalização. Mostrou-se atento às movimentações de Benzema. Bom nos passes longos. Terminou o jogo exausto.

 

Rúben Dias - Discreto. Não complicou nem procurou inventar. Mas aos 47' cometeu um deslize que nos saiu caro: deixou Benzema ganhar posição e rematar com sucesso, fazendo o segundo golo dos franceses. Tarda em mostrar o que vale neste Campeonato da Europa.

 

Raphael Guerreiro - Tinha ordem para subir pouco pela sua ala e seguiu à risca a orientação do seleccionador. Aventurou-se só pelo seguro, evitando abrir clareiras no flanco esquerdo. Melhor momento, aos 49': um passe teleguiado para Cristiano Ronaldo, que o capitão desperdiçou.

 

Danilo - Boa primeira parte, desta vez actuando sozinho à frente da nossa linha defensiva. Cumpriu a tarefa com zelo e determinação. E até ousou incursões às linhas avançadas. Num desses lances levou uma cotovelada de Lloris que gerou penálti e o forçou a abandonar o jogo.

 

João Moutinho - Novidade no onze titular português sete jogos depois, substituindo William. Deu segurança ao meio-campo, assegurando ligação à linha ofensiva. Tentou sem êxito, por duas vezes, o remate de meia-distância. Falta-lhe condição física para durar 90': saiu ao minuto 73.

 

Renato Sanches - Desta vez foi titular, chamado a render Bruno Fernandes. Aposta certeira de Fernando Santos: o médio ofensivo do Lille merece alinhar de início. Dinâmico, combativo, recuperou bolas, acelerou o jogo, deu luta constante a Kanté, seu adversário directo. Saiu aos 87'. 

 

Bernardo Silva - Melhorou um pouco relativamente à partida anterior, mas continua sem justificar a presença no onze titular. Isolado em posição frontal, falhou o ataque à baliza aos 41'. Bateu muito mal um livre aos 63', atirando-a para fora. Saiu aos 72'. Merece ficar no banco. 

 

Diogo Jota - Demasiado discreto, parecendo fatigado, o avançado do Liverpool perdeu uma oportunidade de se mostar em grande nível com a camisola da selecção. Conduziu bem um ataque aos 42'. Constantes trocas posicionais com Cristiano. Foi-se apagando sem tentar o golo.

 

Cristiano Ronaldo - Novamente o homem do jogo. Sem vacilar na marca dos 11 metros, marcou duas vezes de grande penalidade - uma das quais ocorrida quando protagonizava um lance de ataque junto à linha de fundo. Com a energia habitual, destacou-se até em missões defensivas. 

 

Palhinha - Tardou, mas apareceu. E merece ficar no onze titular. Fernando Santos chamou-o ao intervalo para render Danilo, lesionado. O campeão nacional cumpriu com distinção. Na recuperação, no desarme, no passe de ruptura. Dois carrinhos consecutivos aos 71'. Excelente.

 

Bruno Fernandes - Só entrou aos 72', rendendo Bernardo Silva. Continua muito longe do fulgor a que nos habituou no Sporting e no Manchester United. Perdeu bolas aos 89' e aos 90'. Fez um corte temerário aos 90'+2 que deu a sensação de poder gerar penálti. Tem decepcionado.

 

Rúben Neves - Em campo desde o minuto 73, com a missão de substituir João Moutinho, cumpriu no essencial. Pausando o jogo, segurando a bola, ligando sectores, transmitindo tranquilidade numa altura em que a equipa precisava dela. 

 

Diogo Dalot - Estreia absoluta na selecção A do ex-defesa portista, recém-sagrado vice-campeão europeu sub-21. Entrou aos 79' para o lugar de Nelson Semedo, preenchendo a lateral direita, e cumpriu no essencial.

 

Sérgio Oliveira - Último a entrar em campo, estavam decorridos 87'. Rendeu Renato Sanches, já muito desgastado, e teve como missão essencial contribuir para fechar o nosso corredor central. Assim aconteceu.

A ver o Europeu (18)

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AS AVES AGOIRENTAS VOAM PARA SEVILHA

Quando Portugal venceu a Hungria, no nosso jogo inaugural do Campeonato da Europa, logo houve quem se apressasse a desvalorizar esta vitória dizendo e escrevendo que tínhamos derrotado "a equipa mais fraca" do certame. 

Eis a mentalidade tuga no seu pior. A vontade de deitar abaixo é tanta que nunca falta quem invente pretextos para transformar vitórias em empates ou até em derrotas. 

Afinal mais ninguém foi capaz de derrubar a Hungria. A França, campeã do mundo, empatou com eles. A Alemanha, anterior campeã mundial, também não conseguiu melhor do que um empate frente aos húngaros, apesar de actuar em casa: na partida que terminou há pouco, a selecção magiar deu luta aos alemães até ao fim. E só fica pelo caminho por ter tombado contra nós no primeiro jogo.

As aves agoirentas andam com azar. Agora terão de esvoaçar até Sevilha: é lá que a selecção nacional vai disputar os oitavos-de-final do Euro-2021. Desta vez contra a Bélgica, n.º 1 do ranking da FIFA. Jogo a jogo, como Rúben Amorim tão bem nos ensinou.

 

ADENDA: A Dinamarca chega aos oitavos com duas derrotas em três jogos. E a Inglaterra é apurada tendo marcado apenas dois golos - menos cinco do que Portugal.

Sim, eu apoio a selecção

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Não idolatro treinador algum. Nem sequer Rúben Amorim. Nem Pep Guardiola.

Mas recuso ler uma vitória por 3-0 contra a Hungria da mesma forma que uma derrota por 2-4 contra Alemanha. Usando exactamente as mesmas palavras e os mesmos argumentos. Só porque não ou só porque sim.

 

Também recuso recorrer a chavões, próprios das conversas de café.

Alguns exemplos:

- "Ah e tal, eu não apoio a selecção porque não estão lá a jogar os jogadores do Sporting." Mas se estivessem, quem fala assim já apoiava. São princípios de geometria muito variável. Não são os meus. Desde logo porque não confundo Clube com selecção.

- "Ah e tal, eu detesto a selecção porque é a do Mendes e não é de Portugal." Mas quando esta "selecção do Mendes" venceu o título europeu em 2016, maior proeza de sempre do nosso futebol, muitos dos que falam assim andaram a exibir bandeiras e a cantar o hino. Até neste blogue isso ficou patente, designadamente nas caixas de comentários.

- "Ah e tal, quando Portugal ganha é sempre com sorte." Levando este raciocínio à letra, concluímos então que não perdemos por erros próprios frente à Alemanha: só perdemos porque tivemos azar. O que não explica coisa nenhuma. E deixa o debate no grau zero.

 

Só para concluir, sem rodeios: eu apoio sempre a selecção.

Seja quem for o seleccionador.

Haja ou não jogadores do Sporting no onze titular.

 

No fim, aplaudo ou critico. Mas antes e durante estou sempre a apoiar.

Era assim com António Oliveira, com Humberto Coelho. Foi assim com Scolari, continuou a ser assim com Paulo Bento. É assim com Fernando Santos.

Será assim com o próximo seleccionador, chame-se ele como se chamar.

Até pode chamar-se Jorge Jesus, como alguns parecem desejar cada vez mais.

{ Blogue fundado em 2012. }

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