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És a nossa Fé!

Hoje giro eu - Ranking GAP

Nova época desportiva, novo Ranking GAP. Iniciámos bem, com uma vitória por 3-1, fora, em partida a contar para o Campeonato Nacional. Recordemos agora os números da temporada 2017/18: o Sporting disputou 60 jogos - 34 para o Campeonato Nacional, 8 para a Liga dos Campeões, 6 para a Liga Europa, 7 para a Taça de Portugal e 5 para a Taça da Liga - a que corresponderam 36 triunfos (60%), 13 empates (21,67%) e 11 derrotas (18,33%), com 108 golos marcados (1,8 golos/jogo) e 50 sofridos (0.83 golos/jogo).

 

Classificações (Estatísticas Ofensivas) - Vencedores:

 

1) MVP: Bas Dost (120 pontos), Bruno Fernandes (103), Gelson Martins (68);

2) Influência: Bruno Fernandes (53 contribuições), Bas Dost (46), Gelson (31);

3) Goleador: Bas Dost (34 golos), Bruno Fernandes (16), Gelson (13);

4) Assistências: Bruno Fernandes (18), Gelson (11), Acuña (9).

 

Temporada 18/19 - Ranking GAP (Golos, Assistências, Participação decisiva):

 

  G A P Pontos
Bas Dost 2 0 0 6
Bruno Fernandes 1 1 0 5
Ristovski 0 1 0 2
Jovane Cabral 0 0 1 1
Sebastian Coates 0 0 1 1

Hoje giro eu - Bruno acabou com a nostalgia de Cintra

Faço uma pequena pausa neste meu hiato no "És a nossa FÉ" para destacar a (re)apresentação de Bruno Fernandes em Alvalade. A acreditar - e não tenho razão nenhuma para não o fazer - nas palavras proferidas hoje em Conferência de Imprensa, quer por Sousa Cintra, quer por Bruno Fernandes, este último regressou ao Sporting sem ver melhorado o seu contrato de trabalho. Aliás, Bruno chegou a dizer que contrariou o seu empresário, o qual lhe teria garantido melhores condições remuneratórias, exigindo voltar nos exactos termos do contrato anterior. 

 

Escusado será expressar aos nossos Leitores o meu contentamento com o facto de as negociações terem chegado a bom porto, perdão, bom SPORTING, eu que durante o ano sempre considerei Bruno uns furos acima de qualquer outro jogador do plantel. O maiato comprova assim não ter só dois bons pés. A forma como se esquivou à carga fora de tempo do reporter da CMTV - sobre o seu homónimo ex-presidente - ou como driblou a pergunta do jornalista da RTP, acerca da renovação, mas principalmente a maneira como se dirigiu aos sócios e adeptos do Sporting Clube de Portugal, demonstrando uma visão muito mais do que periférica, mostra que Bruno Fernandes, para além de ter coração de leão, joga exemplarmente com os neurónios todos. Junta-se assim a Salin, Piccini, Ristovski, Coates, André Pinto, Mathieu, Lumor, Palhinha, Petrovic, Misic, Wendel, Bruno César, Acuña, Bryan Ruiz, Fredy Montero e Doumbia (mil desculpas se me esqueço de algum, eles merecem ser realçados) na minha lista de notáveis do Sporting. 

 

Obrigado Bruno e obrigado ao presidente da Comissão de Gestão, José de Sousa Cintra. Bem-hajam!

bruno-fernandes.png

 

Hoje giro eu - Vai continuar a "brincadeira"?

Enquanto Conselho Directivo e PMAG se desdobram em argumentos jurídicos a propósito da marcação de uma AG destitutiva, cada um reclamando vitória, mais 3 jogadores (Bruno Fernandes, William e Gelson Martins) rescindiram contrato alegando justa causa. Como dizia no meu Post de anteontem, vamos de vitória em vitória (à Pirro) até à derrota final. Até quando vamos tolerar esta brincadeira? Andámos a "empurrar com a barriga" os nossos assuntos para os Tribunais, em vez de os resolvermos em casa utilizando pessoas competentes e capazes para negociar uma solução. Agora isto... Uma coisa é certa, a história se encarregará de julgar a acção da totalidade dos nossos Orgãos Sociais. Não se trata de ter razão, trata-se de salvar o Sporting. Ao Conselho Directivo, uma nota: simplesmente, demitam-se. Pelo menos 2 dos seus elementos. Já chega!!!

Hoje giro eu - Ovos moles

Uma tristeza sem fim o clima que se vive em Alvalade. O presidente da Direcção veio uma vez mais publicamente vitimizar-se como se não fosse uma obrigação estatutária (aliás, no passado várias vezes repetida pelo próprio), reunidos os requeridos votos dos associados, a marcação de uma Assembleia Geral para destituição dos Orgãos Sociais. Por sua vez, o presidente da AG, à saída, deu à marcação da reunião magna dos sportinguistas a solenidade de uma rixa de bar, proferindo parcas declarações e no meio da rua, envolto por uma turba que gritava "Bruno!". Uma diferença gritante face à postura do Prof. Daniel Sampaio e restantes membros da mesa quando, perante a decisão da Direcção de Godinho Lopes de impugnar a marcação de uma AG de destituição, prestou esclarecimentos e enfrentou com grande dignidade e elevação a ira dos adeptos reunidos no auditório do Estádio de Alvalade, sujeitando-se inclusivé ao arremesso de ovos. Nem de propósito, a forma como este assunto está a ser tratado pela generalidade dos actuais Orgãos Sociais, demissionários e em funções - onde abunda a falta de decoro institucional ou a demagogia -, demonstra que com estes ovos dificilmente se faria uma boa omelete.   

 

Hoje giro eu - Seremos Sporting sempre

Esta semana, esta dura semana, fez-me reflectir sobre a minha ligação ao Sporting. Vejo nas caixas de comentários desabafos no sentido de que as desilusões são mais do que muitas, que não compensa, que vão rasgar o cartão de sócio, que se sentem tristes, ofendidos, vexados, humilhados. Entendo perfeitamente esse sentimento, mais a mais dado o momento particularmente quente que vivemos. Mas peço a todos para reflectirem. Afinal, qual é a verdadeira natureza do amor?  Como um dia disse o poeta, o amor é ferida que dói e não se sente, um contentamento descontente, fogo que arde sem se ver, um não querer mais do que bem querer. Por vezes, também, desilusão que "converte em noite o claro dia". É neste último estádio do amor que estamos presentemente. Tudo nos parece cinzento e, a cada novo amanhecer, receamos que o Céu nos caia em cima da cabeça. Vivemos numa angústia permanente. O paladar não é o mesmo, o sono é perturbado, estamos em choque. É nestes momentos que o nosso amor é posto em xeque. Por motivos que os sociólogos um dia explicarão, na esmagadora maioria dos casos, a natureza do amor a um clube de futebol é incorruptível. Mudamos de emprego, de cidade, de país, de casa, de carro, até de mulher ou de marido, mas não mudamos de clube. 

Só pode ser por amor. Quantos fins-de-semana calendarizados ao milímetro para neles caber um joguito? Quantas alvoradas precoces no emprego a fim de conseguir despachar o trabalho e sair a tempo do jogo europeu? Quantas discussões com a cara-metade pelo controlo do comando da TV? Quantos jantares arruinados pela ansiedade? Voltando ao início, é claro que compensa. Afinal, o amor é entrega sem esperar nada em troca e, quer queiramos quer não, apesar de tudo, o nosso Sporting dá-nos muito, a começar pela resiliência, perseverança, FÉ inabalável, atitudes comportamentais que nos ficam para a vida. 

SEREMOS SEMPRE SPORTING !!!

Hoje giro eu - Fim de ciclo

Não gosto de invocar Deus em vão, mas Ele sabe o quanto fui aqui perorando, desde Abril, no sentido de que o bom senso imperasse. Reconheci, ab initio, que o presidente tinha tido uma precipitação grave, mas temi que se abrisse um precedente complicado para qualquer futuro presidente caso os jogadores saíssem a ganhar. Por isso, pedi a todos os envolvidos (treinador incluido) que pusessem o Sporting em primeiro lugar. Escrevi sobre isso aqui , aquiaqui ou aqui e (se lerem) verificarão que já na altura temia que chegássemos a este limbo. 

Parecia que se tinha alcançado a bonança, mas afinal era uma paz podre. Já não interessa quem tem razão. Bruno de Carvalho teve todas as oportunidades. Houve, inclusivé, quem arriscasse a sua reputação para na hora H sair publicamente em sua defesa, como foi o caso do Dr. Eduardo Barroso. Quando um presidente perde o respeito de funcionários do clube - não uns funcionários quaiquer, que me desculpem todos os outros, mas aqueles cujos direitos económicos constituem o maior activo da sociedade desportiva do Sporting  - e quando as claques se transformam em milícias e invadem a Academia para agredir jogadores e técnicos, só se impõe uma possibilidade, o pedido de demissão imediato do presidente Bruno de Carvalho. Não foi por falta de aviso de diferentes quadrantes mas, agora que os acontecimentos tomaram estas proporções, Bruno de Carvalho não tem alternativa possível, devendo assumir a responsabilidade política sobre os factos. Que preste um último serviço ao clube e crie condições para que alguém possa recolher os cacos e voltar a uni-los. Não será fácil, o tempo urge e escuso de lembrar a "oportunidade" que isto cria, a qual, a concretizar-se, muito lesará a nossa SAD...

Hoje giro eu - O Circo de Alvalade

Este clube parece um circo. Tem trapezistas, com ou sem rede, que ainda dão uma "perninha" na corda bamba, tem contorcionistas, especialistas na arte de escaparem entre os "pingos da chuva", tem ilusionistas, mestres em esconder a realidade, e inúmeros actos de palhaçadas. Muitas e muitas palhaçadas. E, depois, também tem leões, a força viva de qualquer circo. Deixados sonolentos, de forma a poderem ser melhor amestrados/adestrados. 

 

Hoje giro eu - Não ter golo

O Sporting entra na última jornada do campeonato nacional com 62 golos marcados, menos 12 que o Braga, 17 que o Benfica e 19 que o Porto. Em termos de golos sofridos, a equipa leonina consentiu 22, os mesmos que o Benfica e mais 4 que o Porto. Já agora, o Braga só consentiu mais 6 do que nós pelo que o seu "goal-average" é melhor (!) do que o nosso.

 

Como está bom de ver, o nosso problema tem sido a criação de oportunidades de golo bem como a sua concretização. Sabendo-se que Bas Dost tem o melhor rácio da Liga na proporção golo/remate e que Bruno Fernandes e Gelson têm números interessantes, como se explica isto? Tenho uma teoria.

 

Optando Jorge Jesus muitas vezes por um sistema de 4-4-2, seria obrigatório que o jogador posicionado nas costas de Dost marcasse um bom número de golos. Bruno Fernandes, jogando como terceiro médio ou segundo avançado, fê-lo, o problema é que houve muitos jogos em que JJ optou por colocar Alan Ruiz, Podence, Ruben Ribeiro ou até Bryan Ruiz nessa posição. No conjunto da época, considerando todas as competições, os Ruizes marcaram em conjunto 3 golos e Podence e Ribeiro nunca fizeram "abanar o véu da noiva". Curiosamente, alguns destes jogos coincidiram com uma inesperada perda de pontos. Foi assim em Moreira de Cónegos, um campo para homens de barba rija onde Alan entrou de saltos altos, ou em Setúbal, onde o ex-vilacondense jogou atrás do holandês. Por outro lado, na ausência de Dost, os pontas-de-lança alternativos também não mostraram eficácia. Doumbia foi titular no Estoril e no Dragão, jogos em que o Sporting perdeu e o costa-marfinense ficou em branco. 

 

Perante este cenário, eis o que mudaria para a temporada 18/19: contratar um ponta-de-lança que seja, efectivamente, uma boa alternativa ao titular, de preferência sem tendência para engordar, algo que costuma acontecer com avançados "peitudos" que visitam muito o banco de suplentes. Ir ao mercado buscar um segundo avançado com golo e que não jogue apenas em pequenos espaços, capaz de desenhar umas hipérboles que desestabilizem as marcações adversárias, ao melhor estilo de um Teo mas com pelo menos dois neurónios na cabeça. Terminar com a invenção de Podence a segundo avançado, desviando-o para uma ala (esquerda, se Gelson ficar). Adaptar Acuña à lateral esquerda, pois não desequilibra no 1x1. Fazer evoluir o sistema de 3-5-2 (onde se retiraria o melhor de Acuña e de Ristovski, por exemplo), que a meu ver deveria ser utilizado em todos os jogos em Alvalade, com a possível - mas não obrigatória, veja-se o encontro com o Atlético de Madrid - excepção das partidas contra Benfica e Porto. A não sair ninguém, não mudaria mais nada para além do regresso obrigatório de Geraldes, Gauld, Mané, Domingos Duarte e Matheus (só com um T, não aquele que Bebeto andou a embalar no Mundial dos Estados Unidos) e a saída daqueles jogadores que ficaram aquém dos serviços mínimos, como Doumbia, Ruben Ribeiro, Bruno César (se é para jogar numa ala não serve) e, talvez, Petrovic (aos 30 anos estará a tirar o lugar ao jovem Palhinha) e Bryan Ruiz (poderia ir completar a sua Enciclopédia de Mil e Uma Maneiras de Falhar um Golo para outras paragens).

 

Em resumo, duas contratações apenas, cinco regressos e cinco saídas, com alguma oportunidade de venda de um dos nossos jogadores "top" a ser colmatada pela contratação de um jogador de idêntico perfil (exceptuando se for William a sair, pois temos Battaglia, Wendel, Palhinha e até Misic para essa posição), proveniente de um mercado emergente ou adjacente (mais barato). Estou certo de que assim, não só melhoraríamos o nosso desempenho desportivo como também as nossas Contas, nomeadamente a nível de Passivo (depois do encaixe de uma venda "top") e de Resultados Liquidos, estancando a enxurrada de jogadores que todos os anos chegam a Alvalade. 

 

#savingprivateryan

 

Hoje giro eu - Ganhar o que está à mão, perder o que está ao pé

Quando temos um treinador de andebol, de seu nome Hugo Canela, que transforma os 10(!) jogos de Champions mais a pré-eliminatória numa oportunidade para o crescimento competitivo da equipa - nunca dando relevo ao cansaço daí decorrente - , quando um treinador de voleibol, Hugo Silva, pega numa babilônia de jogadores, muito deles veteranos, cansados de duras batalhas anteriores, e fazendo das fraquezas forças se sagra campeão - nunca valorizando o facto da equipa treinar em Fiães, no Norte do país, só se deslocando a Lisboa para os jogos - , quando tudo isto acontece, dizia, acrescido do ênfase de ambos os treinadores em dar mérito aos jogadores, fica claro porque falhamos consecutivamente no futebol. É só fazer aquele passatempo de ‘descubra as diferenças‘... 

 

#savingprivateryan

Hoje giro eu - ...e outro !!!

O Sporting acaba de sagrar-se bicampeão nacional de andebol, vencendo o Benfica, no Pavilhão João Rocha, por 33-27.

 

Cudic, Frankis e Carlos Carneiro, na primeira parte, e Pedro Valdés e Pedro Portela, na segunda, foram decisivos. No cômputo geral, o guarda-redes terá sido o melhor em campo.

 

Parabéns à liderança serena de Higo Canela, a toda a equipa técnica e aos jogadores, que foram uns leões, recuperando já no segundo tempo uma desvantagem de um golo, isto depois de termos ido para o intervalo com uma vantagem de cinco golos (20-15). Providencial o desconto de tempo pedido por Canela quando estavamos a perder.

 

Uma palavra para a Direcção do clube, para o Director da secção (Carlos Galambas) e, muito especialmente, para os 1500 adeptos presentes no João Rocha que, tal como já havia acontecido no Voleibol, nos momentos mais difíceis catapultaram a equipa, com o seu apoio, para a vitória.

Hoje giro eu - A liderança de Bruno

Eu sei que este Post não vai cair bem numa certa "intelligentsia" leonina, mas talvez seja a hora de todos revermos os critérios pelos quais avaliamos a gestão de recursos humanos de Bruno de Carvalho.

Para mim, a condição sine-qua-non para o sucesso de um líder é saber alinhar os seus colaboradores em torno de um objectivo, criando assim uma identificação com o projecto comum. 

 

A presença ontem, no Pavilhão João Rocha, de jogadores das mais diferentes modalidades do clube faz-me crêr que há uma nova cultura no Campo Grande, que os atletas compreendem os desafios que lhes são propostos e entendem a estratégia do Sporting e a visão do seu presidente. Andando todos com a mesma visão na cabeça - a tal orientação para a vitória, o sucesso - , partilhando-a e alimentando-se dos triunfos de outros colegas como estimulo para o seu próprio triunfo, os atletas estão a transmitir-nos que estão profundamente envolvidos nessa causa comum. 

 

É possível que escrevendo direito por linhas tortas, Bruno de Carvalho esteja a mudar decisivamente a mentalidade do clube do leão rampante. Digo-o com humildade, pois nunca adoptaria o seu estilo de comunicação. No entanto, acredito piamente na meritocracia e na avaliação pelos resultados e o presidente leonino tem averbado vitórias em várias frentes: do ecletismo à vertente financeira (ainda que nesta subsistam algumas preocupações na minha mente), da mobilização dos sócios à imposição de uma série de medidas em nome da verdade desportiva, do crescimento da marca Sporting à obra de construção de um novo pavilhão para as modalidades, do projecto olímpico à aposta no desporto adaptado.

 

Pode-se não gostar do estilo - e eu, embora não o conhecendo pessoalmente, não sou particular adepto - mas há que reconhecer que o homem tem realizações em várias vertentes. Não seria caso virgem na humanidade, alguém com um estilo fora dos cânones normais se conseguir impor e até criar novas tendências. Não usar um modelo "standard", muito formatado, por não conseguir enquadrá-lo na sua personalidade, evitando assim entrar em choque de identidade, e conseguir ter sucesso. Ser inovador e criar o seu próprio estilo de liderança. A questão e o desafio que se coloca a Bruno de Carvalho no presente/futuro é não se deixar cair num endeusamento, momento que geralmente está associado a um défice de aprendizagem e início da trajectória descendente. Os acontecimentos de há um mês atrás são aliás elucidativos e preocupantes, embora ilustrem também uma característica pouco abordada quando se analisa o presidente: Bruno, sendo um anti-político na forma como se expressa e age muitas vezes, é muito mais político do que a maioria dos analistas lhe concede. A prová-lo está a forma como ele protege o seu eleitorado com astúcia e grande habilidade, sempre à procura de uma nova eleição, como aliás demonstrou pós-reflexão, depois da crise.

 

O grande desafio que se coloca a Bruno de Carvalho é pôr de lado essa faceta política de anti-político e ganhar estofo de estadista. Deixar de se preocupar com a nova eleição - "deixa-se andar e quando vamos ver já fomos", disse ele a propósito de declarações de opositores declarados - para passar a preocupar-se com a perpetuação de novas gerações de sportinguistas, modernizando ainda mais o clube, atraindo mais sócios e adeptos e trocando a farda de guerrilheiro pelo fato de reformador. Continuar a ser próximo, sem necessitar de ser íntimo. Ser inovador, sem necessitar de ser disruptor. A minha dúvida é se tal um dia será possível, mesmo se e quando repostas as condições de concorrência leal entre todos os contendores. Eu gostaria de poder ver isso... 

brunoliderança.jpg

 

Hoje giro eu - Sporting campeão

O Sporting acaba de vencer o Benfica, na "negra", por 3-2 (16-14 no último parcial), após salvar bola de encontro. Primeiro campeonato das modalidades conquistado no João Rocha.

 

Sporting campeão nacional de Voleibol, 24 anos depois !!!

 

SPOOOOORTING !!!

 

P.S. Grande festa da familia leonina. Ana Capeta (futebol feminino), Mathieu (futebol), Pedro Portela (andebol), jogadores de hóquei e de futsal vistos a apoiar a equipa de Voleibol. O "joker" foi João Simões que entrou muito bem no final do 3º set. Angel Dennis (42 anos) fez o ponto decisivo. Parabéns a todos os campeões, com um destaque especial ao capitão Miguel Maia (47 anos), 16 (!) títulos de campeão nacional, e ao treinador Hugo Silva. 

Hoje giro eu - O Mustang e o "Cool Dude"

Inspirado por uma troca de opiniões com uma leitora/comentadora (*) do nosso blogue, lanço aqui um texto sobre dois jogadores totalmente díspares, duas propostas diferentes de entendimento do futebol:

 

De um lado, temos Gelson Martins. O ala é o cavalo à solta, de Ary e Tordo, o Mustang, de Boloni. A sua velocidade é inata, o seu drible de rua, também. Ele é ginga, é engano, é dança "au pair". Simultaneamente, tango e "tanga". Gelson é o homem do dinamite, a sua missão é fazer explodir o cofre onde se refugia o adversário. Quando melhorar a sua visão periférica do jogo e , quando na zona central, ganhar uma maior perpendicularidade face à baliza - os tais movimentos que lhe permitam ganhar a frente dos lances e chegar isolado para finalizar - tornar-se-á um jogador consensual, pretendido por toda a Europa.

Nos antípodas de Gelson temos Montero. O colombiano é "Mr Cool". Nada o parece incomodar. Num cinema em chamas e com toda a gente em pânico, ele já estaria cá fora; num eléctrico sem freio, ele seria o primeiro a descer, sem um arranhão. Nunca se sabe o que vai sair dali. Pode ser fava ou brinde num bolo-Rei, marcar o golo decisivo após 90 minutos sem tocar na bola. Faz lembrar o Nené do Benfica, o homem invisível que, raramente, mostra a sua forma humana, um misto de uma realidade fria e desesperante e de um misticismo quente e inspirador. Enquanto outros engrossam as estatísticas de passe, remate, recuperações, et caetera, Montero é como um analista da NASA, um astro-físico, um matemático, sempre a computar probabilidades de sucesso. Assim, só suja os calções quando a probabilidade é elevada, não se desgastando com questões menores mais próprias de um qualquer comum mortal. Enquanto Gelson propôe arrombar, Montero estuda demoradamente a combinação do cofre. Não a obtendo, guarda o ataque para outro dia. Tenho, no entanto, um pressentimento: Fredy "Mr Cool" Montero vai resolver, saído do banco, o próximo derby. Naquele jeito de quem está a fazer um grande frete e de que o dia até seria mais bem empregue numa ida à praia...

 

(*) Obrigado CAL

 

#savingprivateryan

gelsonemontero.jpg

Hoje giro eu - Triste futebol português

Um golo invalidado a Miguel Cardoso, quando é Luisão que levanta mais o pé que Tyler Boyd, um cartão vermelho perdoado a Ruben Dias (Nuno Almeida nem falta marcou) - e concomitante ausência no derby - quando Tomané ia isolado para a baliza e o treinador tondelense, Pêpa, expulso. Junte-se a tudo isto cinco minutos de descontos quando só houve 3 substituições antes dos 90 minutos. Ainda assim, vitória do Tondela, no Estádio da Luz, por 3-2. Atenção a Tomané, que belo jogador!

Hoje giro eu - O Sporting é a minha prioridade

Glosando esse título tão em destaque na blogosfera, não creio em delito de opinião. O brilhante jpt - a propósito, quem escreve prosas com esta qualidade, tem de assinar com letras maiúsculas -, na sua imensa erudição e com toda a urbanidade, tricota aqui em baixo um belo texto, dando conta da "camisa de sete varas" onde Bruno de Carvalho, aparentemente, insiste em se meter.

 

Embora não me custe a acreditar que a informação em que ancora a sua opinião tenha um fundo de verdade, o facto é que ela se baseia na leitura dos jornais, pelo que o grau de fidedignidade que lhe queiramos dar tem mais a vêr com um pré-conceito, um preconceito, vá lá, que se vai fazendo atendendo ao que tem sido o comportamento-padrão do actual presidente.

 

Insisto, no entanto, num ponto: eu que votei Bruno, não sou brunista. Eu sou é do Sporting. Não sei se Bruno insiste numa deriva, num desvario ou caminho persecutório sobre quem se lhe opõe, o que tenho como certo é que temos jogo no Sábado. E temos de vencê-lo! Por isso, e que me desculpe quem possa ter outra (legítima) opinião, entendo que o nosso foco deve estar aí. Todas as outras situações terão local próprio para serem dirimidas, idealmente no final da época e por quem entender (com igualmente toda a legitimidade) suscitá-las. 

 

Bastas vezes, em função da paixão que nutro pelo nosso leão rampante, aqui tenho expressado que não quero mostrar ao mundo que tenho razão. Obviamente, tenho uma opinião formada sobre o "status-quo" instalado em Alvalade e sinto-me desiludido com a forma desbragada como se tem processado a nossa comunicação e a gestão dos recursos humanos. Mas, querendo sempre que o Sporting ganhe, não quero que isso seja contra Bruno, muito menos aceito uma derrota só porque existe Bruno. Uma vitória do Sporting, é uma vitória de todos os sportinguistas. Ponto! 

 

Joga-se muito de uma época no Sábado. A vitória na Taça da Liga e um hipotético triunfo na final do Jamor serão interessantes panaceias, mas é difícil não pensar que o mal estará instalado caso não consigamos assegurar um lugar na terceira pré-eliminatória da Champions. Desde logo, pelo "upgrade" dos valores que, já na próxima temporada, premiarão a presença em tão prestigiosa competição, os quais ditarão o enfraquecimento do ausente face aos outros dois competidores. Enfraquecimento económico que, para ser resolvido, resultará na venda de jogadores e, concomitantemente, em perda de competitividade. É, por isso, de primordial importância, presidente, treinador, jogadores, sócios, adeptos e simpatizantes estarem com o clube. Com o clube, leram bem. E, neste momento, isso para mim representa não dar trunfos aos nossos adversários. Por isso, os jogadores terão muito mais força em campo se interiorizarem que vão jogar pelo Sporting, por um lugar de destaque na sua história e pela sua massa associativa. Isso é que serão os valores correctos. A minha experiência de vida diz-me que a estratégia de unidos contra alguém (que neste caso seria Bruno) tem apenas efeitos a curto-prazo (por exemplo, em ano de divulgação dos emails isso pareceu não ser causa suficiente para unir decisivamente o plantel no sentido da vitória). O ser humano precisa de desafios, mas ganha maior adesão com os seus valores um comprometimento a favor de uma causa ou, neste caso, de uma bandeira, de um símbolo, algo que congregue. É o nosso Sporting, a nossa razão, a nossa emoção, essa causa. Assim, termino, desejando que o mar de Portimão possa assistir à formação de uma gigantesca onda verde que mais tarde possa rebentar, serenamente, no areal de uma Champions League perto de nós. Isso sim, seria a "minha praia". Abraço a todos e vivó SPORTING!  

 

sportingsempre.jpg

 

Hoje giro eu - Foco

Parece que anda tudo muito entretido, num jogo do gato e do rato, para descobrir quem é o Wally (o bufo do balneário). O diário desportivo Record traz o tema para capa da sua edição de hoje, com direito a cópia dos SMS enviados por Bruno de Carvalho aos jogadores, mais uma interpretação livre se o facto caiu (ou não) bem no balneário. Uma vírgula diferente aqui, umas reticências acoli, um ponto final mais à frente e certamente não será difícil perceber quem passou a informação que fez, certamente, as delícias do jornal. Mas, a quadrilhice não deve ser o nosso problema, temos um jogo decisivo - são todos até ao final do ano - em Portimão e essa deve ser a nossa exclusiva preocupação neste momento. Para já, os dois elementos da Estrutura do futebol - Bruno de Carvalho e André Geraldes - não poderão representar o clube no jogo. Ambos foram penalizados pelo Conselho de Disciplina e por motivos diferentes: Bruno devido às palavras trocadas com Salvador, Geraldes por, alegadamente, ter esbracejado e gritado com o árbitro da partida contra o Boavista. Sobre isto, a nossa Comunicação institucional nada diz. Enquanto adepto e sócio, espero que não nos distraiamos, nem nos fracturemos nesta fase decisiva do campeonato nacional com assuntos menores e que a equipa se sinta defendida em campo. É que há um lugar numa recém-aditivada Champions por assegurar...

 

P.S. entretanto, no Voleibol, o quarto jogo, a ser disputado no Pavilhão da Luz, foi adiado. Com isso, e na eventualidade de um quinto jogo (no João Rocha), só haverá um dia efectivo de descanso ("negra" a 1 de Maio). Atendendo a que a nossa equipa tem jogadores com mais idade, que com uma semana de descanso ganhou 3-0 ao Benfica e que no dia seguinte, e nas palavras do próprio treinador, acusou a sua maior veterania e apenas ganhou por uns muitos renhidos 3-2, agradecia ouvir uma opinião institucional do meu clube sobre este adiamento.

Hoje giro eu - Ranking GAP

Agora que entrámos na fase decisiva da época infelizmente os nossos indicadores deterioraram-se um pouco. Assim, o Sporting disputou até agora 53 jogos - 29 para o Campeonato Nacional, 8 para a Liga dos Campeões, 6 para a Liga Europa, 5 para a Taça de Portugal e 5 para a Taça da Liga - , a que corresponderam 32 triunfos (60.4%) , 12 empates (22.6%) e 9 derrotas (17%), com 98 golos marcados (1.85 golos/jogo) e 42 sofridos (0,79 golos/jogo).

 

Perguntas: Em que jogo ocorrerá o golo 100 da época? E quem será o seu autor?

 

Classificações (Estatísticas Ofensivas):

 

1) MVP: Bas Dost (108 pontos), Bruno Fernandes (87), Gelson Martins (63);

2) Influência: Bruno Fernandes (45 contribuições para golo), Bas Dost (41), Gelson Martins (29);

3) Goleador: Bas Dost (31 golos), Bruno Fernandes (13), Gelson Martins (12);

4) Assistências: Bruno Fernandes (16 passes decisivos), Gelson Martins (10), Marcus Acuña(9).

 

Nota:  Bruno Fernandes contribuiu em 45.9% dos golos da equipa; Bas Dost marcou 31.6% dos nossos golos.

 

Ranking GAP (Golos, Assistências, Participação decisiva):

 

  G A P Pontos
Bas Dost 31 5 5 108
Bruno Fernandes 13 16 16 87
Gelson Martins 12 10 7 63
Doumbia 8 1 1 27
Marcus Acuña 5 9 4 37
Sebastian Coates 4 3 2 20
Fredy Montero 4 0 0 12
Rodrigo Battaglia 3 3 2 17
Jeremy Mathieu 3 1 2 13
Bryan Ruiz 2 2 3 13
Rafael Leão 2 1 0 8
Bruno César 2 0 1 7
João Palhinha 2 0 0 6
Fábio Coentrão 1 4 4 15
Iuri Medeiros 1 1 1 6
William Carvalho 1 0 2 5
Mattheus Oliveira 1 0 0 3
Adrien Silva 1 0 0 3
Daniel Podence 0 7 2 16
Cristiano Piccini 0 2 4 8
Ruben Ribeiro 0 2 1 5
Ristovski 0 1 0 2
Alan Ruiz 0 0 2 2
autogolos 2 0 0  

Hoje giro eu - O Sporting e o futuro

Vejo por aqui no blogue muitos sportinguistas cheios de certezas, uns e outros irredutíveis defensores do seu lado da trincheira. Mas, observo igualmente, progressivamente, o crescimento daqueles que têm dúvidas, inquietações e que desejam vêr uma solução equilibrada, que acautele o presente e não prejudique irremediavelmente o futuro.

 

Na contabilidade específica de um clube de futebol, os direitos económicos sobre os jogadores são activos intangíveis do Balanço de uma Sociedade Desportiva. Esses direitos quando alienados a outro clube (venda do jogador), como têm um valor de mercado, vão reflectir-se na Demonstração de Resultados como um Proveito (extraordinário). Existe porém uma fundamental diferença para outro tipo de sociedades. Se eu tiver uma corticeira, não vou ter de negociar com os sobreiros, os quais por sua vez não me vão apresentar o seu empresário, nem chamar o seu sindicato. Muito menos me intimarão com um pedido de rescisão com justa causa e/ou ameaçarão abandonar a propriedade onde se encontram. Vendo ao preço que consigo, para o mercado que mais me interesse e pronto, negócio despachado. Já um futebolista é um ser pensante, tem as suas expectativas, as suas ambições e com ele é necessário estabelecer acordos. Posso ter uma proposta fantástica para o clube proveniente da China e esta não interessar à estratégia desportiva do jogador e o negócio já não se faz. Posso não querer vender o jogador, este começar a fazer birra e não treinar, ter de lhe instaurar um processo disciplinar, suspendê-lo e acabar toda a situação por ser um "loose-loose", visto o jogador, parado, perder valor.

 

Por tudo o que enunciei no parágrafo anterior, é fundamental uma boa gestão destes recursos humanos. Nesse sentido, uma boa cultura corporativa, com valores bem incutidos e regras de conduta bem delineadas e aceites por todos é essencial, na medida em que é a cola que vai unir todo o grupo. Este pormenor não é dispiciendo, porque é exactamente nas organizações em que esta cultura está mais sedimentada que existem menos problemas. Transposto para o futebol, isso significaria que a cultura (no jargão da bola, "a mística") se sobreporia a treinadores e jogadores. Há múltiplos exemplos disso no futebol, mas o Sporting, infelizmente, não é um deles.

 

Um clube sem essa cultura bem incutida está mais dependente do perfil e da personalidade dos elementos de toda a Estrutura. Que engloba Presidente e/ou dirigente responsável pelo futebol, treinador principal e jogadores, entre outras figuras menos mediáticas mas não necessáriamente menos importantes na tal dimensão da mística. Estou convencido que o que está a acontecer ao nosso Sporting tem muito a vêr com isto e não deixa de ser surpreendente. Desde logo, porque o Sporting é, há longos anos, a equipa em Portugal que tem mais jogadores provenientes da sua Formação, o que deveria apertar mais os laços entre jogadores e clube. O clube é reconhecido em Portugal e no mundo como formador de um tipo de jogador especial, ainda não muito formatado tácticamente e estimulado no seu talento, chegando aos séniores ainda com algum "jogo de rua". Ainda assim, na minha ideia, poderá faltar em termos de complemento uma maior cultura de exigência, de excelência e de superação. Esses valores deveriam ser interiorizados desde cedo e fazer parte do ADN futebolistico de cada jogador. 

 

Chegámos à situação que todos conhecemos. Divergências profundas entre presidente (e treinador?) e jogadores ficaram subitamente expostas, faltou senso e temos um problema para resolver. Digo temos, porque cabe aos sócios encontrarem a melhor solução para o clube. Uma solução que não aliene definitivamente o que deve ser a estrutura orgânica e hierárquica de uma organização, mas que também não permita que se possam depreciar importantes activos da SAD/clube. Por isso, é preciso bom senso, equilíbrio e ponderação. Mais estudo e reflexão e menos intervenções públicas provenientes de todos os quadrantes e, especialmente, de dentro do clube. Aproveitar este tempo também para pensar o clube e a sua cultura. Temos uma direcção que foi eleita anteriormente com Bruno de Carvalho, mostrou competência e pode gerir interinamente, sem o actual presidente, o clube. Que, sujeita posteriormente a eleições, poderá vir a ser uma solução definitiva, porque não? O principal papel de um gestor é comprar tempo. Nunca, como agora, essa competência foi tão necessária e será tão posta à prova. É que o algodão não engana e os sportinguistas estarão atentos ao que os actuais Orgãos Sociais e sócios "ilustres" com expressão pública fizerem ao clube. 

 

Hoje giro eu - O Sporting, sempre!

Há muito tempo que digo que no futebol, depois da bola, o melhor são os jogadores. Enquanto ninguém se desloca a um estádio para ver um presidente ou um treinador, já um passe mágico, um drible enganador ou um bom golo são a ilusão que justifica a militância nas bancadas. Se os jogadores necessitam dos adeptos e da sua paixão pelo jogo para poderem ter bons contratos, também os adeptos precisam dos jogadores para poderem ter algum sortilégio nas suas vidas e assim libertarem as suas muitas vezes, pessoal e profissionalmente, reprimidas emoções.

 

Esta introdução pretende demonstrar a admiração e o respeito que nutro pelos profissionais da bola e as tardes e noites de glória (manhãs é que não, que ainda tenho presente na memória aquele jogo contra o Belenenses) que me têm feito viver. Cresci a tentar imitar as fintas saídas do pé esquerdo de Bruno Conti, a visão de jogo de Platini ou o toque de Midas de Diego Armando Maradona (hoje, já menos activo nas "peladinhas", é Bruno Fernandes quem me encanta) e com eles aprendi uma das minhas primeiras lições: é que prezando muito o valor do trabalho, ainda assim há coisas que só com trabalho não se conseguem obter, é preciso talento e inspiração. 

 

Posto isto, regresso à minha ideia inicial expressa em Posts anteriores: o presidente não deveria ter publicado no Facebook críticas à equipa e os jogadores não deveriam ter reagido de igual forma. Ambos estiveram mal. Agora, é difícil de compreender ou aceitar que o adepto, de tão envolvido com o jogo, ignore um princípio básico de gestão e dê loas ao grito de Ipiranga dos jogadores. Bem sei que falamos de futebol, um fenómeno geralmente acompanhado de paixões exacerbadas, mas em que empresa é que esse comportamento seria tolerado? O que se vem passando por estes dias em Alvalade abre um perigosíssimo precedente, só não o vê quem está sedento de ver Bruno de Carvalho pelas costas e acha que vale a pena tudo, pois nenhuma organização resiste à inversão da hierarquia de comando.

 

É certo que o presidente procedeu mal em primeiro lugar (um péssimo acto de gestão de recursos humanos) e que, de seguida, entrou num descontrolo emocional de múltiplas publicações no Facebook - a primeira irreflectida e mortal, decretando a suspensão dos jogadores - e conferência de imprensa que, na minha opinião, não aconselham a sua continuidade, no sentido em que se tornou mais um problema do que uma solução para o clube. Mas o facto de ter sido o causador da rebelião que se seguiu não justifica que, qual circo romano, Alvalade tenha vaiado de polegar para baixo o seu presidente enquanto glorificava os seus "gladiadores", ao mesmo tempo que nos estúdios da SportTV, Carlos Manuel e Sousa gozavam com as suas "dores nas costas".

 

Nas últimas horas quem me conhece sabe que é genuino o meu sofrimento. Sofro por ver um clube dividido, com um presidente autista na avaliação da situação e uma vasta maioria de antigos apoiantes a serem instrumentalizados pela oposição do costume e pela imprensa e a não saberem criar condições para que o presidente saia com a dignidade devida. É verdade que Bruno de Carvalho já poderia e deveria ter saído pelo seu pé, mas é publico e notório o seu cansaço, o seu desgaste (aparentemente estará também doente) e, neste momento, o seu pouco discernimento e instabilidade emocional.

 

Bruno de Carvalho não voltará a ter o meu voto. Já houve presidentes que saíram devido aos maus resultados desportivos e/ou financeiros, o actual presidente desaparecerá da liderança do clube de Alvalade por questões essencialmente comunicacionais. Não parece real, mas é, e só isso já dá a entender o conjunto de diatribes que protagonizou e que terminou de uma forma absolutamente insólita com o presidente em rota de colisão com os principais activos da SAD/clube. Na minha opinião, nos próximos tempos seria importante que o presidente se afastasse e que abrisse espaço para que a sua Direcção restabeleça a natural hierarquia de comando, apoiando treinador e jogadores nas importantes batalhas que se avizinham, até que se encontre uma solução definitiva.

 

Tenho muita pena que tenhamos chegado aqui, mas permitam-me que não me junte ao coro de virgens ofendidas que anda por aí. A começar no do costume e a continuar na figura do presidente da AG do clube, que tão mal tratou, na Assembleia Estatutária, os sócios que pediram para falar contra Bruno de Carvalho, ameaçando cortar-lhes o microfone. O Sporting jamais encontrará um paradigma de sucesso enquanto as vaidades, as ambições pessoais e a pequena política se sobrepuserem ao interesse do clube. Para mim, o clube estará sempre em primeiro lugar. Por isso, embora não queira que Bruno de Carvalho continue e compreenda a indignação quase generalizada, não vaio, não apupo, não injurio. Apenas fico triste, muito triste.

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Hoje giro eu - E o Sporting?

Parece-me óbvio que as partes - presidente e jogadores - estão condenadas a entender-se. Todo o ruído altamente vexatório para o Sporting e os sportinguistas acabará por ser desvalorizado, à laia de um "fait-divers". No entanto, é difícil encontrar algo de positivo neste pesadelo mediático a que clube e adeptos foram submetidos nas últimas horas. Em primeiro lugar, ficou bem visível que o ambiente já não seria o melhor. Estas coisas não acontecem de geração espontânea, vão crescendo e há um dia em que detonam. O presidente já tinha criticado a atitude da equipa por esta não ter correspondido a um pedido para se juntarem a uma campanha de solidariedade. Simultaneamente, as palavras azedas dirigidas por Bruno de Carvalho a Adrien também não terão caído bem. O ex-capitão é percepcionado por todos como um líder de balneário e a sua influência ainda estará bem presente na memória de quem com ele privou no balneário. Agora aconteceu isto...

 

Em Post anterior critiquei também os jogadores (aqui), porque independentemente das razões que lhes assistiam nunca, em nenhuma circunstância, deveriam ter tornado esse sentimento público. Adicionalmente, os sócios e adeptos estão agastados por verem que o potencial da equipa não se consuma nos relvados e isso não me parece que seja culpa do presidente.

 

Uns e outros estiveram mal e subordinaram o Sporting ao seu interesse pessoal, tentando influenciar as massas no sentido de apoiarem a sua posição, em vez de resolverem em privado as suas divergências em nome do respeito que deveriam ter pelo clube.

 

Bruno de Carvalho não pode continuar com este seu registo "single", ao ritmo de 45 revoluções por minuto. Não pode ser um Che Guevara, doente e isolado na selva (há dúvidas?) do futebol português. Também não se deve sujeitar a si, e ao clube, a fazer aquela figura do cavaleiro do "Em busca do Cálice Sagrado", decepado e já com a cabeça separada do tronco, a desafiar tudo e todos em busca da glória da conquista do campeonato nacional. Pelo contrário, o presidente pode aproveitar a sua reconhecida energia para ser o agente de mudança que o futebol português precisa. Como um estadista e de uma forma reformista, reunindo apoios, não confundindo linguagem acessória com a mensagem fundamental.

 

Se sócios e adeptos compreendem a luta pela verdade desportiva e as suas múltiplas batalhas que vão desde os vouchers aos emails e aos jogos para perder, já as guerras intestinas com epicentro em Alvalade soam à maioria como pura autofagia.

 

Publicamente, o presidente preside, os jogadores jogam, sócios e adeptos criticam e avaliam o trabalho de todos, este deve ser o princípio básico de uma Organização com estas características. No resguardo dos gabinetes e do balneário é diferente e o presidente tem todo o direito de se dirigir aos jogadores e de os espicaçar. Mas deverá ter cuidado com a forma como o faz, nunca deixando no ar a hipótese de se querer pôr de fora: uma coisa é ter poder - Bruno foi eleito pelos sócios - outra é ser uma autoridade. Esta última é uma qualidade reconhecida (ou não), por quem é dirigido, ao seu líder e nunca deve ser confundida com autoritarismo. 

 

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