Não é todos os dias que na 1.ª Liga portuguesa ou em qualquer 1.ª liga do mundo que, com a sua equipa a vencer pela margem mínima um jogo determinante para ser campeão, se estreia a 10 minutos do fim, descontos incluídos, um miúdo com 16 anos acabados de fazer. Visto bem, nem todos os dias nem quase nunca. Não sei o que teria acontecido se o Essugo falhasse um desarme e provocasse um penálti, como aconteceu com o Doumbia um dia destes. O que sei é que nada disso aconteceu: o rapaz entrou a jogar como se andasse naquilo há muito tempo, e se alguma oportunidade houve foi para a sua equipa, nada para o adversário. Mas que foi uma jogada de alto risco isso foi.
Mas existe o risco calculado e o outro. Pensando um pouco percebemos que Matheus Nunes estava impedido, não convinha recorrer aos médios-centros da equipa B para não ficarem impedidos de alinhar nos jogos finais do Campeonato de Portugal, nos sub23 não há nenhum elemento na posição que se destaque, o Essugo tem sido presença regular nas selecções da sua categoria, tinha treinado bem duas semanas com a equipa, e estava preparado para jogar esses minutos finais à frente de Palhinha, ajudando ao controlo do meio-campo. Portanto, foi um risco alto de facto, mas foi um risco bem calculado.
Mas quando o árbitro apitou para o final, o miúdo quebrou em pranto abraçado aos colegas acariciando o emblema do leão rampante. Amorim veio calmamente dizer:"O Dário é um miúdo com muito talento, com muita humildade, trabalhou bem e faz parte do nosso projecto. É mérito do Dário, e isto é também uma mensagem para os jovens jogadores, não interessa a idade, o Sporting está neste caminho, aqueles que estiverem em dúvida entre clubes, sabem que aqui têm a porta aberta, isso por vezes faz a diferença." Passámos a conhecer a história da família e dos contornos da sua vinda para o Sporting, então a jogada de risco transformou-se numa jogada de mestre.
Se calhar como foi a contratação do próprio Amorim por Frederico Varandas. A tal jogada de alto risco, a que muitos de nós torcemos o nariz, que o levou a ser acusado de gestão danosa e de estar a cometer um acto de desespero e que ajudou a engrossar o "comité de recepção" daquela tarde da visita do Desp. Aves a Alvalade, transformou-se efectivamente numa jogada de mestre.
PS: Esta história do Dário Essugo e da sua família vem na sequência de outra: a dum miúdo que também esteve com ele no banco, Joelson Fernandes, há um ano e picos agraciado pelo Grupo Stromp, com a família mais próxima presente no jantar respectivo. Ou duma terceira história que envolveu Jovane Cabral e Sousa Cintra. E de outras e outras do passado... como a história da Dona Dolores Aveiro.
Dário Essugo, aos 16 anos e 10 dias, estreou-se ontem na equipa principal do Sporting C.P.
Durante a sua ainda curta vida, nunca viu o seu clube ser campeão, mas arrisca-se a sê-lo, ao ter sido aposta de Ruben Amorim, durante a partida disputada ontem em Alvalade, quando o resultado ainda estava em aberto.
À semelhança do que têm procurado, mas ainda não conseguiram, os doutos iluminados que dirigem o podre e fedorento tuga soccer, na senda do processo a Ruben Amorim, por falta de habilitações para exercer o cargo de treinador, com 10 pontos de avanço para o segundo classificado, nem imagino como estaria a classificação se tivéssemos um treinador qualificado, talvez descubram agora que foi violada uma qualquer lei, que possa punir o Sporting C.P., eventualmente exploração do trabalho infantil...
Notícia para alguns que foram emitindo opinião sobre a formação do Sporting e a acusação de ter sido abandonada quase até à extinção: Vai a cada jogo sendo provado que essas eram notícias manifestamente exageradas.
Nota: A foto foi roubada do twitter do Pedro Fernandes.
De voltar a vencer o V. Guimarães, agora em casa. Domínio total do jogo e conquista de mais três pontos nesta recepção à turma minhota, apanhada de surpresa pela mudança do sistema táctico intoduzida por Rúben Amorim na nossa equipa, que actuou sobretudo em 3-5-2, com Daniel Bragança como médio colocado logo atrás do duo de avançados (Pedro Gonçalves e Tiago Tomás). Desta forma o corredor central foi todo nosso. E os de Guimarães viram-se incapazes de desatar o nó.
De Gonçalo Inácio. Grande exibição do jovem promovido por Amorim à equipa principal. Para este jogo, o treinador atribuiu-lhe uma pesada responsabilidade: substituir Coates no eixo defensivo, ficando Neto (regressado ao onze titular, como capitão) à direita e Feddal à esquerda. Ele cumpriu com brilho e distinção: rendeu o internacional uruguaio como patrão do sector mais recuado, foi de longe o que mais acertou nos passes longos e ainda foi à frente, marcar de cabeça o golo da vitória, aos 42', na sequência de um livre.
De Palhinha. Para a enorme eficácia da nossa equipa, que lidera há 18 jornadas o campeonato, muito contribuiu o nosso médio defensivo, enfim chamado à selecção nacional, mesmo nunca tendo sido convocado para a selecção sub-21. Parece estar em todo o lado: tão depressa vai à dobra de um central apanhado fora de posição como integra uma segunda linha ofensiva. Mas é sobretudo ele quem domina no meio-campo: ganha ali todos os duelos, impedindo a progressão dos adversários. Excelentes e sucessivos cortes do princípio ao fim: aos 11', 14', 16', 22', 54', 56', 86' e 90'+5. É dele a assistência para o golo. E ainda esteve quase a marcar, num disparo a meia-distância que rasou a barra aos 46'. Melhor em campo.
De Tiago Tomás. Dois momentos de exemplar nota artística, driblando adversários na grande área com toques de calcanhar, demonstram que este avançado ainda júnior não é apenas combativo e tem faro de golo: vem requintando também os seus atributos no domínio técnico. Marcou um belo golo aos 26', coroando a melhor jogada colectiva do Sporting - infelizmente viria a ser anulado, por intervenção correcta do vídeo-árbitro, porque a bola havia saído totalmente de campo antes de Porro cruzar para Nuno Mendes que tocou em Daniel Bragança que deixou em Pedro Gonçalves que assistiu para o golo que não valeu. Saiu aos 71', dando lugar a Paulinho: uma vez mais, com a missão cumprida.
De Daniel Bragança. Em estreia absoluta como titular no campeonato, o médio leonino revelou os seus melhores atributos sobretudo na primeira parte: visão periférica, capacidade técnica, velocidade de execução em cada lance. Quebrou fisicamente a partir da hora de jogo, dando lugar a Tabata aos 71'. Mas merece nota muito positiva.
Da estreia de Dário Essugo. Ainda juvenil, cumpridos os 16 anos poucos dias antes, o jovem médio entrou aos 84' para render João Mário. Foi um momento emocionante para os adeptos: desde logo por ser um acto de coragem de Amorim, quando o resultado ainda era incerto. E também por representar um marco histórico: nunca um jogador tão jovem havido actuado no principal escalão do futebol português. Emocionante sobretudo para ele: Dário não conteve as lágrimas após o apito final, proporcionando as melhores fotos desta partida que ele guardará para sempre na memória. E nós também.
Do remate rasteiro de João Mário aos 15'. Levava selo de golo: só difícil intervenção de Bruno Varela, guardando a baliza vimaranense, travou a bola in extremis. Três minutos depois, foi Pedro Gonçalves a enviá-la com estrondo ao poste. Para compensar, os de Guimarães viram a bola embater duas vezes nos nossos ferros, aos 34' - numa das ocasiões após enorme defesa de Adán, outra vez baluarte do onze leonino. Estrelinha? Talvez. Mas muita competência, acima de tudo.
Da confiança da equipa. Excelente primeira parte, com um dos nossos melhores desempenhos colectivos nesta Liga 2020/2021. Na segunda, o Sporting quase se limitou a guardar a bola e a impedir as rotas de acesso à nossa baliza. Pausando o jogo, sempre com segurança, sem nervosismo nem ansiedade. Parecia exibição de campeão antecipado.
Da aposta sempre renovada na formação leonina. Começámos o jogo com oito portugueses no onze titular (Gonçalo, Neto, Palhinha, João Mário, Nuno Mendes, Daniel Bragança, Pedro Gonçalves e Tiago Tomás). Seis formados na Academia de Alcochete, portanto. Aos quais se juntaram Dário e Jovane (que entrou aos 89' para substituir Pedro Gonçalves). Outros proclamam a "aposta na formação", nós praticamo-la. Sem complexos. Com muito orgulho.
Do árbitro. Tiago Martins apitou pouco e quase sempre bem. Dizem alguns, em futebolês, que isto é "arbitar à inglesa". Prefiro dizer que é arbitrar com competência. Pena acontecer tão poucas vezes no campeonato português.
De ver o Sporting ainda imbatível. Concluimos a 24.ª jornada sem derrotas. Somos a equipa com melhor registo defensivo não apenas de toda a história leonina mas também ao nível do futebol europeu actual: apenas 11 golos encaixados nas nossas redes. Não sofremos golos em 15 destes 24 jogos. E já somamos 12 jornadas sem perder em casa.
De já somarmos 64 pontos. Correspondentes a 20 vitórias e quatro empates. Mantemos dez pontos de avanço face ao FC Porto, segundo classificado. Levamos agora 14 de avanço ao Braga e 16 ao Benfica de Jorge Jesus, que se enfrentarão esta noite.
De Paulinho. Recuperado de lesão, o ex-artilheiro do Braga regressou quatro jogos depois. Entrou aos 71', mas quase só se viu em missões defensivas. Desperdiçou um golo cantado, após impecável assistência de Jovane: rematou para as nuvens quando tinha apenas Bruno Varela à sua frente. Foi o último lance do desafio - pouco lisonjeiro para a sua fama como goleador.
Da ausência de Coates. Primeiro jogo desta Liga 2020/2021 em que não pudemos contar com o nosso capitão, excluído por acumulação de amarelos: Adán é agora o único titular absoluto da equipa no campeonato. Mas Gonçalo Inácio deu boa conta do recado.
De ver Matheus Nunes e Antunes fora da convocatória. Ambos acusaram positivo em teste à Covid-19. Oxalá recuperem depressa. E bem.
30 pontos em disputa 10 pontos de avanço sobre o 2.° classificado Faltam 21 pontos para atingir o impossível.
Nota pessoal: o meu filho é trabalhador-estudante. Exerce funções no pólo EUL, como secretário técnico das equipas. Iniciou as suas funções em 2016, como estagiário do Curso de Técnico de Gestão Desportiva que frequentou no Sporting. O escalão com o qual trabalhou nesse primeiro ano, era o dos 11-12 anos e tinha um menino chamado Dário Essugo. Ontem foi uma noite muito emotiva, para o Dário e para quem acompanhou o seu percurso. Estão de parabéns todos os que, na estrutura de formação do Sporting, conseguem mudar a vida destes miúdos.