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És a nossa Fé!

Crónica de uma derrota anunciada

A coisa vinha a chamar a atenção desde o primeiro jogo. É certo que o resultado (3 - 1) com a Croácia é dilatado, mas houve por ali muita condescendência e apoio do senhor do apito (coisa que aliás se verificou até ao jogo de ontem, onde com um árbitro menos simpático pelo menos três amarelos e um vermelho teriam saído do bolso), e o resultado não traduz o que se passou em campo; no segundo, com o México, mais uma vez uma pobreza franciscana e uma passagem sem mérito algum; no terceiro jogo da fase de grupos, lá ganharam por 4-1 aos Camarões, mas a coisa esteve bastante tremida.

 

Ora nos oitavos levaram um banho de bola do Chile! O "nosso" Pinilla ia resolvendo a coisa mesmo no finalzinho, com uma bola ao poste e tinham ficado por ali as aspirações do Brasil; mas quis o destino que, nos penaltis, Júlio César fosse determinante; e passaram...

Nos quartos, apanhou uma Colômbia bem armada, mas algo ingénua e mais uma vez, com uma ajudinha, num jogo quezilento que levou ao afastamento de Neymar, lá venceram por 2-1, no seu melhor jogo, mas sem convencer, mais uma vez.

 

Questionado no final do jogo das meias, na CI, se algo deveria mudar no futebol brasileiro, Scolari disse com ênfase que não! Scolari já nos habituou ao seu temperamento teimoso, mas depois da desgraça como treinador de clubes, na Europa e no Brasil, e ainda na canarinha, não me parece que tenha alguma capacidade para continuar.

 

Repare-se que este "ocaso" do futebol brasileiro não é de agora. Já o ano passado o vencedor da Libertadores, o Corinthians, salvo erro, perdeu com o Raja Casablanca (3-1) na Taça do Mundo de Clubes; e, pior ainda, o Santos levou "chapa" 8 sem resposta do Barça, no jogo de apresentação em Camp Nou e a coisa ficou por aí porque, como ontem a Alemanha, o Barça "tirou o pé"...

 

Tenho que fazer por aqui um inevitável termo de comparação entre Portugal e o Brasil; ou melhor, entre P. Bento e Scolari: ambos teimam em seleccionar um grupo de (seus) amigos, em detrimento de seleccionar os melhores no momento. Os resultados de ambos estão à vista.

Há no entanto, numa selecção e noutra, alguns valores. E porque não rendem esses valores nestas selecções, se são titulares de grandes clubes europeus? Pois penso que a resposta não será difícil: tanto Scolari como Bento não acrescentaram nada às suas equipas! Antes pelo contrário. Não fora Neymar e o Brasil nem aos quartos chegava e Portugal ainda teve um arremedo de discussão da passagem da fase de grupos, porque Ronaldo, no jogo com os EUA, finalmente jogou...

Serve isto para dizer que tanto Brasil, como Portugal, que teimaram em prosseguir com a política anterior, têm forçosamente que mudar, que renovar os seus jogadores e mais que tudo, mudar métodos. De jogo, de treino, de actuação, de escolha de jogadores, de mentalidade e isto inevitavelmente só poderá ser feito com outros responsáveis, a começar pelos seleccionadores e, no caso português, até da equipa federativa!

 

Para terminar, o jogo de ontem demonstrou-nos duas evidências: o Brasil descaracterizou-se, deixou de ser a equipa de posse, passe certeiro curto e eficaz, de troca de bola e que "levava porrada de criar bicho" e passou a ser uma equipa mais quezilenta, ela própria muito faltosa e praticando um futebol directo, de passe longo, à procura da referência Neymar, à volta de quem foi construida e armada a equipa; e a Alemanha deixou de ser a equipa que deixava jogar, que via os adversários acumular posse de bola e que "só lá ia" pela certa, normalmente em contra-ataque venenoso e ganhava os jogos de forma algo cínica, até, o que levou ao são onze contra onze e no fim ganha a Alemanha, e passou a ser uma equipa de posse, de cobertura total do terreno de jogo, de excelente troca de bola e de ataque continuado, com qualidade de passe e pressão constante. Haverá por aqui alguma influência de Guardiola, já que a espinha dorsal é Bayern?

 

E logo continuo a torcer pela Holanda... a ver vamos.

Mundial Bizarro

Logo com a eliminação da ainda detentora do título, a Espanha, se desconfiou que este Mundial reservaria muitas surpresas. Também a Itália não sobreviveu à fase de grupos, idem para Portugal e a Inglaterra.

Depois, houve aquelas equipas que, pela sua coragem e o seu futebol descomplexado, mereciam ir mais longe, como o Chile, eliminado pelo Brasil à custa dos famigerados penáltis, e a Argélia, que, pasme-se, obrigou a Alemanha a entrar no prolongamento, perdendo por apenas 2:1.

A marcha triunfal da Alemanha tem-se dado sem buzinadelas nem caravanas de automóveis, em Stade, a cidade onde vivo. Jogos como a meia-final de ontem iniciam-se às 22:00, hora proibitiva, num país onde as pessoas se levantam entre as 05:30 e as 06:00 da manhã, para estarem nos empregos entre as sete e as sete e meia. Os únicos festejos de que me apercebi foram os dos quartos-de-final, jogados numa sexta-feira (dia 4), às 18:00 horas.

 

Que dizer depois deste 7:1 ao Brasil? Que se prevê novo descalabro para o próximo adversário da Alemanha? A Argentina tem-se ficado pelo 1:0, tanto contra a Suíça (após prolongamento), como contra a Bélgica, países que não são potências em termos futebolísticos. E também a Holanda, depois de um início promissor, só logrou passar à meia-final depois de vencer a Costa Rica a penáltis.

 

Enfim, resta-me um consolo: só levámos quatro da Alemanha! E só fomos eliminados por termos sofrido mais golos do que os EUA. Merecíamos ir à final, não?

A ver o Mundial (26)

Nunca nenhum de nós tinha alguma vez visto um jogo assim. Muito provavelmente, nenhum de nós voltará a ver um jogo como esta meia-final. O Alemanha-Brasil disputado esta noite no estádio do Mineirão, em Belo Horizonte, mergulha o país anfitrião do Campeonato do Mundo em estado de choque. Comparada com o que hoje sucedeu, a derrota frente ao Uruguai na final do Mundial de 1950 facilmente será esquecida a partir de agora. Mas daqui a meio século, daqui a um século, este desafio ainda será lembrado. Como símbolo de humilhação do Brasil à escala planetária.

Foi a maior goleada deste Mundial. A maior goleada do Brasil registada numa meia-final de um Campeonato do Mundo. E o resultado mais desnivelado sofrido pelos brasileiros em quase cem anos. Números impressionantes que perseguirão como um estigma o seleccionador Luiz Felipe Scolari e os jogadores que acabam de sucumbir frente aos germânicos, infinitamente superiores na arte, na técnica, na táctica e na estratégia desta modalidade desportiva que apaixona o mundo e a que damos o nome de futebol.

Este foi o pior Brasil de sempre.

 

Como sucedeu tal descalabro? A que se deve o naufrágio brasileiro?

Desde logo, como já sublinhei, à inapelável superioridade da Alemanha. Muito bem organizados, os comandados por Joachim Löw, que vinham acumulando resultados positivos (quatro vitórias, uma das quais contra Portugal, e apenas um empate, com dez golos marcados e só três sofridos), apresentaram-se no Brasil com uma verdadeira máquina de jogar futebol, aproveitando o essencial do trabalho desenvolvido pelos profissionais do Bayern de Munique: Manuel Neuer, Boateng, Lahm, Schweinsteiger, Toni Kroos e Thomas Müller. Com Khedira, Özil e Schurrle também em excelente plano. No domingo, marcarão presença na oitava final da Alemanha em campeonatos do mundo.

E merecem.

 

 Foto David Gray/Reuters

 

Começou por ser um jogo histórico aos 23', quando Miroslav Klose marcou o 2-0. Batia-se mais um recorde num Campeonato do Mundo - o de Ronaldo, que conseguira 15 golos em fases finais do Mundial. Klose superou-o, apontando o golo nº 16 em 23 desafios disputados em cinco fases finais, desde o campeonato de 1998.

Nos cinco minutos seguintes, houve mais três golos alemães. À meia hora, perdendo por 5-0, era já evidente que o Brasil seria afastado do Mundial com uma derrota de dimensão inédita. Devido à incomparável superioridade do adversário, é certo, mas também a colossais erros próprios. Porque repetiu contra a Alemanha a estratégia inicial de pressão alta desenvolvida contra a Colômbia mas já sem o efeito surpresa. Porque se mostrou disposto a arrumar o jogo nos primeiros minutos sem medir as consequências dessa aposta temerária que desguarnecia o centro do terreno, estimulando o contra-ataque germânico. Porque permitiu defesas em funções de médios ou até como inesperados candidatos a avançados, como Marcelo e David Luiz, continuamente fora de posição, incapazes de recuperar o processo defensivo quando o Brasil perdia a bola. Foram-se abrindo autênticas auto-estradas no meio-campo brasileiro que a Alemanha, única equipa de cabeça fria, aproveitou da melhor maneira nas costas da defesa adversária.

 

Quando os (des)comandados de Scolari caíram em si estavam já mergulhados num pesadelo: a defesa ruiu por completo, começando pelo impotente Dante, com a mobilidade de uma estátua, e por um desvairado David Luiz, sempre ausente em parte incerta. A frágil organização de jogo eclipsou-se por completo. Jogadores como Fred e Hulk pareciam implorar para saírem dali. O descalabro psicológico contribuiu para afundar ainda mais o escrete, com prestações medíocres de quase todos. Na segunda parte Paulinho e Bernard ainda tentaram remar contra a maré, mas não era possível.

Sofreram sete golos. Podiam ter levado mais dois: Thomas Müller só não marcou aos 60' devido a uma magistral defesa de Júlio César e Özil, isolado aos 89', enviou a bola a um metro do poste.

Desporto colectivo, o futebol vive muito de valores individuais. Que por vezes podem fazer toda a diferença. Esta selecção de remendos, sem Neymar (ausente por lesão) nem Thiago Silva (ausente por castigo), parecia um Brasil de outro campeonato. E foi mesmo.

 

Nunca mais esqueceremos esta hecatombe: ficará para sempre gravada na memória de todos nós, do lado de lá e do lado de cá do Atlântico.

 

Alemanha, 7 - Brasil, 1

Que ganhe… o futebol!

Aproximam-se as meias-finais de um Mundial de futebol que colocou quatro das melhores equipas nesta fase (quase) final. Alemanha, Argentina, Brasil e Holanda vão digladiar-se entre hoje e amanhã para discutirem os dois lugares no Maracana. Um par de jogos que se prevêem muito emotivos e de resultado claramente incerto.

Neste Mundial não tive preferência por qualquer selecção (nem a portuguesa!!!) e nem agora penso nisso. Quem ganhar que o faça apenas com mérito e sem casos.

Curiosamente estas meias-finais resultaram em embates entre selecções europeias contra sul-americanas. Dois estilos de futebol assaz diferente, mas deveras atractivo.

O Brasil apresenta-se hoje sem Neymar nem Thiago Silva, mas nem mesmo estas condicionantes serão suficientes para retirar à equipa da casa algum favoritismo. Só que a Alemanha parece ser uma selecção imune aos estad(i)os de espírito. O treinador alemão conhece bem os seus recursos e sabe com o que pode contar. Disciplinada e assertiva, a selecção germânica tem jogadores com qualidade suficiente para num segundo resolverem qualquer partida.

Amanhã teremos então na outra meia-final duas equipas com percursos bem semelhantes, pois ambas ganharam todos os jogos dos seus respectivos grupos. No entanto a Holanda pareceu bem melhor tanto a nível futebolístico como a nível físico. A Argentina, por sua vez, tarda em convencer os adeptos do futebol da sua qualidade e não fosse Lionel Messi, provavelmente a equipa das Pampas já estaria de férias. E das duas uma: ou a Holanda ressente-se da última jornada com prolongamento e penalidades e a Argentina tem hipótese (mesmo sem Di Maria) de seguir em frente ou muito provavelmente os alvi-celestes vão discutir o terceiro e quarto lugares.

Seja como for perspectivam-se dois jogos de alta qualidade e com emoção a rodos.

Para mim só espero e desejo que o maior vencedor seja o apenas e só… o futebol!

 

 

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Brazil I used to know

O Brasil adquiriu o estatuto de selecção do mundo nos anos 60: toda a gente queria que o Brasil ganhasse porque toda a gente adorava ver o Brasil jogar. Diz quem viu (não é, infeliz ou felizmente, o meu caso) em 1958 e 1962 que nunca se tinha visto nada assim: as imagens da selecção de 1970, apesar de nem sempre serem de boa qualidade, deixam perceber o que se terá passado nos doze anos anteriores.

 

Nos anos 70, os europeus aprenderam a lidar com os brasileiros, sobretudo graças ao "futebol total" holandês (vale a pena ver aqui o bailinho de habilidade holandês ao Brasil de 1974, que antecipava já os de agora, com um misto de futebol e râguebi: https://www.youtube.com/watch?v=ZTs2iwMqVMg). Nos anos 80, os brasileiros reapareceram com um futebol lindo (que eu tive o privilégio de ver), que se imaginava ir escavacar tudo como antes o de Garrincha, Pelé, Jairzinho, Tostão, Rivelino, etc. E no entanto, nunca conseguiram chegar sequer a uma meia-final (tanto em 1982 como em 1986). Foi um trauma de que nunca mais se libertaram. Desde então, o futebol brasileiro é invariavelmente horrível, com gradações: desde o muito horrível (1994) até ao moderadamente horrível (2002). Mas sempre bastante eficiente.

 

O Brasil tem toda a legitimidade para jogar feio, porco e mau. Quem somos nós para pedir que façam outra coisa, se esta até tem resultado? O que já não percebo é a sistemática bajulação do futebol do Brasil por tudo o que é fã incauto e jornalista. Não percebo o desejo parolo de que o Brasil ganhe. Isto é muito simples, meus amigos: o Brasil já não joga "bonito" vai quase para 30 anos. Já está na altura de perder o tal estatuto de selecção do mundo que toda a gente adora. Agora é simplesmente a selecção do Brasil, que joga feio, ganha e acabou.

 

O choradinho por estes dias é o Neymar. Foi uma falta incrível do jogador da Colômbia. Mas o Brasil fez a cama em que se deitou: antes de chegar essa falta, o meio-campo e a defesa do Brasil andaram a distribuir porrada por tudo o que era jogador da Colômbia (o mesmo já tinha acontecido, aliás, com o Chile, mas o Chile joga doutra maneira) com a geral complacência do árbitro. Se o árbitro os tivesse parado mais cedo, não só o jogo seria bem diferente como talvez ainda tivessem o Neymar.

 

Enfim, foi um desabafo enquanto faço horas para começar o Brasil-Alemanha. Não consigo torcer pelo Brasil, não consigo torcer pela Alemanha. Preferia que o outro jogo fosse a final.

A ver o Mundial (23)

No jogo dos quartos-de-final desta noite, disputado em Fortaleza entre duas equipas sul-americanas, houve emoção e sofrimento mútuo do princípio ao fim - exactamente ao contrário do que sucedera na insípida partida da tarde entre duas selecções europeias.

O Brasil foi superior à Colômbia e mereceu a vitória, que ainda assim foi muito suada e com resultado incerto até ao apito definitivo do árbitro. Com Maicon no lugar de Dani Alves, Scolari ordenou aos seus jogadores para iniciarem o desafio a grande velocidade e manterem pressão alta. Missão cumprida. E até facilitada, quando Thiago Silva apontou o primeiro golo, num lance de bola parada, logo aos 12'. A Colômbia - jogando em casa alheia e em estreia absoluta nuns quartos-de-final de um Campeonato do Mundo - demorou demasiado a equilibrar o jogo, sem explorar a sua principal arma: a rapidez nos flancos. O corredor direito quase não foi utilizado durante o primeiro tempo e jogadores de inegável qualidade, como Cuadrado, estiveram abaixo do nível habitual.

O Brasil, pelo contrário, fez o seu melhor jogo neste Mundial, funcionando como um verdadeiro colectivo. Isto apesar de Neymar ter estado menos acutilante, Fred continuar tão ineficaz como sempre e os golos terem sido marcados por dois defesas (o segundo, um livre marcado pelo pontapé-canhão de David Luiz aos 68', viria a ser o lance decisivo).

James Rodríguez abandona o torneio apontando mais um golo, de penálti. E vão seis, o que faz dele o melhor marcador até ao momento. Tem motivos para sair satisfeito apesar de a Colômbia ficar pelo caminho: revelou-se um dos astros indiscutíveis do Mundial.

O Brasil joga terça-feira a primeira meia-final, em Belo Horizonte, contra a Alemanha. Sem Thiago Silva, por acumulação de cartões, e talvez sem Neymar, que hoje saiu lesionado. Mesmo perante o seu público, sob a liderança carismática de Scolari e os ventos dominantes soprando a seu favor terá de mostrar mais do que revelou até agora para conseguir conquistar o hexa. Os milagres já não são o que eram - nem sequer no futebol.

 

Brasil, 2 - Colômbia, 1

Diário da Copa - O dia em que Marcelo foi herói

 

Ele chama-se Marcelo. Não quer dizer onde vive. É fácil adivinhar que a sua realidade não é a porta da frente, que nasceu do lado errado da cidade. De um dos demasiados lados errados de São Paulo.

 

É um mulatinho de calções curtos, pernas finas, cabelo crespo, olhos como a noite, brilhantes. Dá vontade de lhe perguntar o que esconde a atrás desses olhos. Tem 12 anos, diz, tamanho de nove, no máximo. Desde manhã cedo que peregrina pela Vila Madalena, bairro boémio de São Paulo que se tornou no epicentro dos festejos da Copa, com uma caixinha de cartão. Dentro da caixinha pacotes de balas (rebuçados) coloridas. Cada pacote um real. Marcelo, como a maioria dos meninos vendedores, não está lá sozinho, há toda uma rede por detrás. Mas disso também nao quer falar. Em São Paulo há mais de cem mil crianças e adolescentes, numa estimativa por baixo, que trabalham vendendo doces, panos de louça, engraxando sapatos, mendigando, fazendo malabarismos nos semáforos. A versão moderna da muralha medieval? Em São Paulo, como em Lisboa, é a janela do carro.

 

Marcelo, o menino desajeitado, entrou no José Menino Botequim, um bar na Mourato Coelho. Uma pequena subversão. A porta da frente é uma fronteira invisível. Entre os que podem pagar cem reais de entrada – com direito a cinco chopes ou duas caipirinhas – pelo privilégio de ver o Brasil jogar contra o Chile num écran plano, num ambiente “seleccionado”, vendo a rua a uma distância segura, e a rua. A rua, neste sábado, é compacta, tecida por homens e mulheres vestidos de verde e amarelo com as cabeças cobertas pelas mais inventivas variações de chapéus. O Inverno fez uma pausa. O calor é tão pesado que quase se toca com os dedos. Chove cerveja. Vuvuzelas, tambores, apitos.Uma explosão de som. Alegria seminal. Infernal.

 

Na mesa em frente à minha alguém vê o menino e prepara-se para o denunciar. “Trabalho infantil é crime”. “Deixa o menino ficar. Senta aqui”, diz um homem noutra mesa. São as pequenas delicadezas que dão sentido à vida. “Você quer alguma coisa?”. “Ver o jogo”, diz Marcelo. Tão pouco, tudo. Os anseios do  daquele menino eram iguais aos de todos no bar e o seu coração batia com o mesmo descompasso.

O Brasil empata com Chile. “Como vai ficar o jogo, Marcelo?”. “O Brasil vai ganhar. Vai ganhar sim”. Sopra com força na corneta amarela. Em torno todos riem com o menino. “Sou brasileiro com muito orgulho”, canta com uma voz que o corpo franzino não fazia supor. O bar chique enternece-se com o menino do morro. “Você vai dar-nos sorte?”. Enquanto se acredita no improvável há sempre uma oportunidade. “Dou sim”.

 

O Brasil vai a penaltis. De Roraima ao Rio Grande do Sul há uma nação suspensa das luvas de um goleiro com nome de imperador. “Assim ninguém vai poder dizer que o Brasil comprou a Copa, pô”. Deu Brasil e o menino chora. O bar abraça-se numa loucura. Um e outro e outro pegam no menino ao colo, atiram-no ao ar. “Você foi a nossa mascote. Nos deu sorte”. O bar compra a caixinha completa de balas ao Marcelo-mascote-herói e ainda paga o dobro. O Marcelo sorri, sorri sem reservas. Cumpriu um sonho “ver o jogo como os ricos da Vila (Madalena)” e hoje a mãe “não vai bater, nem chingar”.

O futebol inventou um jeito de igualar todos, pelo menos  por um dia.

 

Publicado também aqui

A ver o Mundial (18)

Há jogos que começam a ser perdidos muito antes do apito inicial do árbitro. Aconteceu com o jogo desta noite, dos oitavos-de-final do Campeonato do Mundo, que opôs no mítico Maracanã a Colômbia ao Uruguai. Terminou com uma vitória indiscutível dos colombianos, que há 16 anos não participavam num Mundial e atingem pela primeira vez uma fase tão avançada da prova máxima do futebol a nível de selecções.

Foi também o jogo da vida do ex-portista James Rodríguez, actual médio ofensivo do Mónaco, com apenas 22 anos. Autor dos dois golos desta partida: já contabiliza cinco no Brasil, tantos como Neymar, tendo ultrapassado Messi e Müller na lista dos melhores goleadores do Mundial.

 

São dois golos extraordinários, por motivos diferentes.

O primeiro é uma obra de arte individual, que haveremos de rever inúmeras vezes: servido de cabeça por Aguilar, a cerca de 15 metros da baliza, em zona frontal, James recebe muito bem a bola, ampara-a com o peito e sem a deixar cair remata à meia-volta num pontapé seco, forte, intencional e bem colocado. O guardião argentino ainda lhe tocou com a ponta dos dedos, sem conseguir travá-la: entrou pela zona superior direita da baliza, sem hipóteses de defesa.

O segundo é uma obra de arte colectiva, que a partir de agora devia ser exibida em todas as academias de futebol. Uma fabulosa jogada ao primeiro toque, com a bola sempre em movimento. De Gutiérrez para Jackson, de Jackson para Armero, de Armero para Cuadrado, de Cuadrado para James.

E a propósito de Cuadrado: o jogador da Fiorentina voltou a fazer uma partida magnífica, tendo já a seu crédito um golo e quatro assistências no Mundial.

Jogos como este, golos como estes, são uma extraordinária homenagem ao futebol de ataque, confirmando este Campeonato do Mundo como um dos melhores de sempre.

 

Sou suspeito, porque torcia pela quarta vitória consecutiva da Colômbia: não consigo assistir a uma partida de futebol sem tomar partido. E considero que o Uruguai já entrou em campo derrotado pela inqualificável consulta antidesportiva do seu goleador, Luis Suárez, justamente castigado com uma sanção duríssima pela FIFA por ter mordido um adversário no jogo Itália-Uruguai - conduta em que é reincidente (é pelo menos a terceira vez que protagoniza um lamentável lance deste género).

Os uruguaios passaram aos oitavos, mas Suárez regressou a casa. Estará afastado da selecção por nove jogos, o que lhe dará imenso tempo para reflectir sobre a sua conduta. Prejudicou-se a si próprio. E também prejudicou a equipa, que hoje entrou em campo já psicologicamente batida sem o colega que figurou entre os melhores marcadores do Mundial de 2010 e marcou 11 golos na fase de qualificação.

Este foi um Uruguai irreconhecível, sem soluções de ataque, em nada semelhante à selecção classificada em quarto lugar no Campeonato do Mundo da África do Sul. Com Forlán, distinguido com o título de melhor jogador nesse torneio, agora substituído na segunda parte após uma exibição apagadíssima, sem conseguir estabelecer a ligação entre o meio-campo e o ataque. Um Uruguai que fica por aqui após ter eliminado ingleses e italianos na fase de grupos.

 

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A Colômbia vai jogar agora com o Brasil, que derrotou também hoje o Chile com o recurso ao desempate por grandes penalidades após o jogo ter terminado 1-1, já após o prolongamento, no estádio do Mineirão, em Belo Horizonte. Scolari deve ter acendido uma vela à Senhora de Caravaggio por este triunfo tão suado.

Mas terá de fazer bem mais que isso nos quartos-de-final se quiser ultrapassar esse poderoso obstáculo chamado Colômbia. Que pode estar para o Brasil em 2014 como o Uruguai esteve em 1950, quando o escrete - também na condição de selecção anfitriã - saiu derrotado do Maracanã, sem apelo nem agravo. Um trauma que chegou aos nossos dias.

"Brasil toca madera", escreve a Marca. Depois do que vimos hoje, no Maracanã e no Mineirão, não admira nada.

 

Colômbia, 2 - Uruguai, 0

Brasil, 1 - Chile, 1 (3-2 nas grandes penalidades)

A ver o Mundial (14)

Ao contrário do que alguns imaginam, o futebol não é só feito de esquemas tácticos, jogadas a régua e esquadro, losangos, bolas paradas e "transições ofensivas". O futebol é sobretudo uma fascinante soma de momentos mágicos que perduram na memória colectiva, ampliam a nossa crença nas potencialidades da espécie humana e demonstram onde é possível chegar quando talento e esforço se conjugam. Momentos como o que ontem testemunhámos ao minuto 36 do Austrália-Espanha: bem servido por Iniesta, David Villa marca um extraordinário golo de calcanhar. O seu 59º golo pela Roja. E também o último: minutos depois, aos 56', o maior marcador da história da selecção espanhola, goleador máximo do Campeonato da Europa de 2008 e do Campeonato do Mundo de 2010, saía de campo sob um coro de merecidos aplausos. Espanha, prematuramente afastada do Mundial do Brasil, já não tinha nada a ganhar excepto aquele desafio que só contava para cumprir calendário. Mas Villa bateu-se em campo, neste último jogo, como se fosse o primeiro da sua exemplar carreira. Porque queria abandonar a selecção de cabeça levantada.

Era ele que ali estava - mas era mais do que ele, como o homem do leme do poema de Fernando Pessoa: era já também o mito. Um mito vivo, feito de carne e osso. E também de lágrimas, que não conseguiu reprimir ao sentar-se no banco de suplentes. Quem disse que um herói não chora?

 

Não sei se pensam como eu: gosto de ver uma equipa cair de pé. Sem vitórias morais, sem desculpas de mau pagador, sem o espírito queixinhas de quem se justifica com as condições climatéricas adversas para procurar fugir às responsabilidades.

No futebol há vitórias e derrotas. E por vezes ganha-se perdendo ou perde-se triunfando. Aconteceu ontem com Espanha: derrotou a combativa mas frágil selecção australiana mas esta vitória soube a desaire pois não tardou a embarcar de regresso a casa: foi uma das três primeiras a fazer as malas, juntamente com a Inglaterra e a Bósnia-Herzegovina. 

Ficou a sensação de que havia potencial para fazer muito mais e melhor. Se Vicente del Bosque tivesse a ousadia, logo na partida inicial, de apostar naqueles que eram mesmo os melhores em vez de os remeter ao banco. Jogadores como Villa, que só ontem alinhou. Ou Koke e Juanfran, seus colegas do Atlético de Madrid, por acaso ou talvez não a equipa campeã de Espanha mas totalmente subalternizada a nível de selecção. Todos eles fizeram ontem a diferença, tal como o eterno Iniesta, autor de duas assistências para golo: ele é também daqueles que podem cair, mas sempre cairão de pé.

 

Futebol é isto.

 

Villa despediu-se com um grande golo 

 

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Andavam alguns à procura de uma estrela neste Campeonato do Mundo. Seria Messi? Seria Cristiano Ronaldo? Parece-me que a estrela está encontrada e joga em casa: chama-se Neymar. Faz a diferença - e de que maneira - pela selecção anfitriã, como ontem se confirmou ao marcar mais dois golos para o Brasil (só à sua conta já vão quatro) e qualificar o "escrete canarinho" para os oitavos-de-final.

É certo que os comandados por Scolari enfrentavam talvez a pior selecção deste Mundial: os Camarões, turma indisciplinada e rebelde, que aplica a rebeldia justamente onde não deve. O árbitro sueco poupou-lhes uma expulsão, por conduta antidesportiva em relação a Neymar. Fez mal: os camaroneses teriam beneficiado do ponto de vista pedagógico se vissem o merecido cartão vermelho na mão do juiz da partida, que talvez para compensar ignorou um aparente fora-de-jogo de Fred no lance em que finalmente marcou um golito.

Mas nem ele nem Hulk nem Óscar nem David Luiz nem qualquer outro merecem destaque. Desta selecção apetece dizer - adaptando a involuntária boutade de que se usou e abusou no período pré-Mundial relativamente a Cristiano Ronaldo - que é Neymar mais dez. Uma selecção em que o colectivo funciona muito menos do que na Holanda de Robben ou no México de Ochoa  - duas selecções também já qualificadas para os oitavos-de-final.

O futebol, não esqueçamos, é desporto colectivo: o Brasil que se cuide.

 

Austrália, 0 - Espanha, 3

Brasil, 4 - Camarões, 1

Era uma vez na América

Pero Vaz de Caminha, na sua carta a D. Manuel, relata assim o primeiro encontro entre portugueses e americanos no Brasil: "Pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Traziam arcos nas mãos, e suas setas. Vinham todos rijamente em direção ao batel. E Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os depuseram". Eh pá, eu cá não repetia a técnica.

A ver o Mundial (6)

Pode um jogo que termina empatado a zero ser um bom espectáculo? Pode. Aconteceu esta noite, no Brasil-México. Um jogo aberto, emotivo, bem disputado. Futebol de alto nível, com várias oportunidades de golo para ambas as equipas. Mas o destaque vai por inteiro para o guardião mexicano, Guillermo Ochoa, que fez uma das melhores exibições de que me recordo de um guarda-redes numa fase final de um campeonato do mundo.

O momento da partida aconteceu aos 25', dando fama planetária ao defensor da baliza mexicana: Dani Alves faz um centro muito comprido, da lateral direita, para um cabeceamento fulminante de Neymar na grande área adversária. Ochoa voa para a bola, num espectacular mergulho para o seu lado direito, desviando-a para canto em cima da linha de baliza. Um movimento fabuloso que fez irromper aplausos espontâneos nas bancadas do estádio Castelão, em Fortaleza.

Confiante como nunca, o guarda-redes de 28 anos que há dias sofreu um golo marcado por Bruno Alves no último minuto do Portugal-México desta vez não deixou entrar nada. Neymar (por três vezes), Paulinho, Bernard e Thiago Silva bem tentaram, de diversas maneiras, mas em vão. O Brasil teve mais oportunidades de golo, mas o México também não deu tréguas às redes brasileiras. Júlio César que o diga: salvou dois golos quase certos.

Com uma equipa muito organizada, os mexicanos souberam pressionar e ocupar espaços no terreno, cortando as vias de acesso à sua área. Apresentando um colectivo digno desse nome, em que se destacaram nomes tão diversos como o veterano Rafa Márquez (35 anos, quatro campeonatos mundiais no seu currículo), Vázquez, Giovani dos Santos, Moreno, Guardado e Herrera. Embora nenhum tão influente no desfecho como o espectacular Ochoa, que foi guarda-redes titular do Ajaccio - clube da Córsega que acaba de descer à segunda divisão francesa - e vai ficar sem contrato a partir deste Verão.

Havemos de ouvir falar mais dele, não tenho a menor dúvida.

 

Brasil, 0 - México, 0

 

Ochoa, herói do jogo

Então, já chegámos ao Japão?...

A coisa já se antevia, como diz muito bem ali em baixo o Pedro Correia.

E estava eu de volta dumas belas sardinhas e dum tinto de Pias com um físico que nada desmerecia ao de Cristiano, bem encorpado portanto, quando vejo a apresentação das três equipas para o jogo inaugural da Copa 2014.

Desde logo pensei de mim pra mim: "quésver que voltámos à Coreia/Japão?"

Ao longo do jogo fui constatando que sim. O espírito do Coreia/Japão estava lá todinho! O colinho que o japa deu aos brasileiros foi ainda um pouco mais escandaloso que a vergonha desse mundial disputado no oriente, onde como se sabe, à selecção de Scolari foi aberta uma auto-estrada até à vitória. Ontem entre uma expulsão perdoada, um penalti inexistente e um golo precedido de falta clara, o Brasil chegou lá.

Aposto que Blatter até levou com ele as faixas. Em troca por uma fazenda no Rio Grande do Sul?...

Talvez a nossa senhora do Caravaggio saiba.

A ver o Mundial (1)

Imaginem só, por momentos, o que sucederia se Portugal tivesse feito em campo a triste figura que ontem fizeram os brasileiros, levados ao colo por um árbitro inepto na jornada inaugural do Campeonato do Mundo: logo certas aves canoras do torrão luso poisariam nas pantalhas a clamar contra tão clamoroso atentado à "verdade desportiva", com trinados em louvor das "novas tecnologias" que tardam em ser implantadas pelos sobas da toda-poderosa UEFA pilotada por monsieur Platini mas já perfilhadas pela FIFA do imarcescível senhor Blatter.

Como é São Brasil que está em jogo e os rapazes comandados pelos sargentão Scolari têm vindo a ser idolatrados cá na paróquia em reportagens da treta servidas ao domicílio de manhã à noite, entronizados como antecipados campeões da festa mundial do desporto-rei, as tais aves assobiam para o lado. Não se escandalizam com coisa nenhuma que vá além de Badajoz.

 

Eu sei que o escrete canarinho joga em casa, mas convém não abusar. O que ontem à noite aconteceu no Brasil-Croácia é um péssimo cartão de visita ao futebol. Se sonham com campeões antecipados, como parecem querer as nossas queridas televisões, elejam-nos por supremo decreto da sacrossanta FIFA. Ou por televoto, em honra e louvor das "novas tecnologias".

A Arena de São Paulo parecia um daqueles combates desiguais da velha Roma entre gladiadores e leões, com o juiz da partida - o japonês Nishimura Yuichi - investido da missão de virar o polegar para baixo. A traçar o destino dos gladiadores croatas.

Permitam-me a pergunta: desde logo, um japonês porquê? Alguém conhece os preciosos contributos do Japão para o desenvolvimento e prestígio do futebol à escala planetária?

 

A verdade é que Neymar, minutos antes do golo inaugural do torneio, devia ter sido expulso por óbvia agressão a Luka Modric, o melhor dos croatas. No entanto só viu o cartão amarelo, quase com direito a vénia pela conduta antidesportiva: foi fácil perceber que o moço está pronto a ser entronizado como vulto maior deste Mundial.

Nesse momento o campo estava apenas ligeiramente inclinado. Mas o apitador nipónico encarregou-se de facilitar ainda mais a vida aos brasileiros. Primeiro ao inventar um penálti mal viu Fred cair na grande área croata, como se respondesse pelo nome de Capela Yuichi ou Nishimura Xistra - um penálti que o craque Neymar esteve quase a falhar. Depois ao validar o terceiro golo, marcado por Oscar (o melhor brasileiro em campo), claramente precedido de falta - não assinalada, para evitar novos tumultos populares em São Paulo e no Rio.

A tecnologia de ponta chegou à Copa, com o novíssimo olho de falcão a vigiar as balizas. Nada a fazer, porém, perante a incompetência - velha como o mundo.

 

Tudo está bem quando acaba bem. Resultados à la carte, como este, são sempre preferíveis à angustiante incerteza da roleta do marcador, propícia a ataques de ansiedade.

Na tribuna central, sentado a poucos metros da esfuziante Presidenta Dilma Roussell, o senhor Blatter sorria. Tinha bons motivos para isso: tudo decorreu de acordo com o guião. Como escreveu acertadamente a Marca, "contra o caseirismo não há olho de falcão que valha". Estava escrito nos astros que a vitória caberia ao Brasil neste estádio do Corinthians. E assim foi.

 

Brasil, 3 - Croácia, 1

 

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Hexaço

Parece que o primeiro jogo do Campeonato do Mundo deu o tom: sempre que o Brasil precisar, mão amiga virá amparar os meninos. O melhor do jogo: o meio-campo da Croácia; foram dos pés de Modric e Rakitic que saíram as únicas verdadeiras jogadas dignas do nome.

Que venham mais para a História!


Porque o Mundial também é isto. Danças eternas com a bola por entre os adversários. Rasgões de impetuosidade e de genialidade. A química que se gera entre o jogador e a bola e que passa para as bancadas quando toca na rede. E numa linguagem verdadeiramente (de) Mundial, todos gritamos GOLO!

P.S: O do Cambiasso (golo nº16) é um hino ao futebol, salvo erro, foram perto de 20 toques da Argentina. Diz a história que a Sérvia nem cheirou a bola...

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