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És a nossa Fé!

"Nem chegam ao Dia de Todos os Santos"

Uma nota prévia para agradecer o convite que Pedro Correia me endereçou para escrever neste blogue, que muito me honra, e para assinalar esta como sendo a minha primeira publicação no mesmo.

 

Depois de mais uma jornada em que ganhámos com facilidade, com uma exibição dominadora e convicente, no seguimento do que tem acontecido ultimamente, fui por curiosidade consultar a sucessão de resultados da equipa. 

Não me surpreendeu que fosse a 5ª vitória consecutiva para o campeonato após a derrota com o Porto em casa, na 20ª jornada, o que me surpreendeu foi ter reparado que desde início de Novembro, para o campeonato, contamos com 11 vitórias, 1 empate e 2 derrotas.

Se tivermos em conta que o empate foi no estádio do Benfica e uma das derrotas foi com o Porto, sobra apenas um resultado "anormal", a derrota com o Marítimo na Madeira na 15ª jornada.

Para comparação os resultados dos nossos rivais no campeonato, no mesmo período, início de Novembro até hoje, foram:

Benfica- 13 vitórias, 1 empate e 1 derrota. A derrota foi com o Braga e o empate com o Sporting.

Porto- 12 vitórias, 2 empates e 1 derrota. Os empates foram com o Braga e Casa Pia, a derrota foi o Gil Vicente.

Braga- 11 vitórias, 1 empates e 3 derrotas. O empate foi com o Porto, as derrota foram com Sporting, Vitória SC e Casa Pia.

Nota nº 1: Todos estes clubes têm um jogo a mais, vamos fazer o jogo em atraso da 25ª jornada no dia 5 de Abril.

Nota nº 2: Os clubes que mais tiraram pontos aos 3 da frente, exceptuando os confrontos directos, foram Sporting e Casa Pia.

 

Chegamos assim à conclusão que o fosso que nos separa dos 3 primeiros classificados foi cavado até à 11ª jornada, pois depois disso estaríamos a 3 pontos do Benfica, a 1 do Porto e 3 pontos à frente do Braga.

Até à 11ª jornada tivemos 6 vitórias, 1 empate e 4 derrotas, resultados que atribuo às saídas não colmatadas do plantel, especialmente a de Matheus Nunes, sobrecarga de jogos devido à Liga dos Campeões e um plantel curto e em sub-rendimento nessa altura.

Assim, ao contrário de várias épocas em que o Campeonato estava perdido por alturas do Natal, chegámos ao Dia de Todos os Santos, 1 de Novembro, já sem possibilidades de disputar o campeonato. 

Que sirva de lição para as próximas épocas os efeitos nefastos que uma temporada mal planeada tem numa equipa.

Culpas

O grande rival do Sporting neste ano foi o sorteio.

Aquela dupla paulada com Braga e Porto a abrir a Liga (dois jogos em que somámos 1 ponto, mas em que fizemos o suficiente para obter 4, 5 ou mesmo os 6) acabou por definir a época. Se tivessemos sobrevivido, uma coisa levaria à outra e provavelmente não teríamos perdido com o Chaves em casa (por exemplo).

A nossa Liga é demasiado fraca para que nos jogos contra equipas pequenas se note a falta de um Matheus Nunes (ou de um Enzo, um Otávio, etc). Perdemos porque vínhamos dessa paulada (enfim, acredito eu...).  

Claro que num mundo e numa vivência em que se acredita que com talento e empenho se controlam as variáveis todas, soa ridículo acusar o sorteio - precisamente uma variável incontrolável. Mas talvez se perceba melhor se se olhar para o nosso calendário quando fomos campeões, em que recebemos Porto, Benfica e Braga na primeira volta, sendo que apenas o jogo com os dragões (2-2) foi no princípio da Liga. 

Quando a sequência dos jogos é mais fácil, torna-se mais simples que jogadores e técnicos acreditem no processo. Ainda não temos, talvez não venhamos a ter tão cedo, arcaboiço para sermos invulneráveis ao sorteio.  

Se há uma coisa que gostava de saber é se os técnicos e dirigentes pensam desta forma. 

Nunca o saberemos, vir a público culpar o "sorteio" seria visto pela crítica, adeptos e adversários como patético. Talvez as mesmas pessoas que não acham patético justificar acidentes de viação "porque tinha chovido nessa noite", atrasos "porque estava trânsito" ou aviões que se perdem "porque ficámos horas na fila para o raio-xis". 

Pedro Gonçalves por Rúben Amorim

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«Eu vejo-o no futuro a jogar mais na frente.»

Assim falou ontem Rúben Amorim de Pedro Gonçalves. Dando razão àquilo que vários de nós aqui temos escrito sobre o mesmo assunto.

Não percebo muito bem estas palavras, vindas de quem vêm. Não é o treinador que escala o onze? Estará a implorar por um novo n.º 8? Então nenhum dos reforços contratados nem nenhum dos miúdos promovidos à equipa principal (Sotiris, Tanlongo, Rochinha, Mateus Fernandes) serve para o efeito? Será mesmo necessário recuar Pedro Gonçalves, diminuindo-lhe a sua potencialidade como homem-golo?

Enfim, esta declaração algo incompreensível tem pelo menos o condão de iluminar uma evidência: o nosso plantel possui um valor superior àquilo que vem exibindo em campo. Porque vários jogadores estão deslocados das posições em que mais rendem.

Se Rúben me permite, sugiro-lhe que não espere pela próxima época para pôr em prática as mudanças que se impõem. Faça-as já.

Vinte cinco atrasos para Adán

No Sporting-Midtjylland, de quinta à noite, os nossos jogadores de campo fizeram nada menos do que 25 passes ao próprio guarda-redes. Até parecia que não queriam progredir no terreno rumo à baliza contrária.

Isto explica muito da péssima exibição dos homens sob o comando de Rúben Amorim neste desafio da Liga Europa que estivemos prestes a perder. O golo salvador de Coates, que fixou o resultado em 1-1, foi marcado aos 93' 50". Quando só faltavam dez segundos para o apito final.

Anotei esses 25 atrasos ao guarda-redes. Para mais tarde recordar. 

 

Fica o registo:

00' 16'' (Matheus Reis)

04' 22'' (Coates)

04' 36'' (Matheus Reis)

16' 37'' (Matheus Reis)

18' 21'' (St. Juste)

23' 02" (St. Juste)

23' 15'' (Matheus Reis)

24' 49'' (Nuno Santos)

25' 08'' (Nuno Santos)

28' 50'' (Matheus Reis)

28' 58'' (St. Juste)

29' 09'' (St. Juste)

29' 16'' (Matheus Reis)

37' 15'' (St. Juste)

37' 21'' (Coates)

37' 28'' (Matheus Reis)

40' 05'' (Coates)

41' 22'' (St. Juste)

67' 29'' (St. Juste)

72' 15'' (St. Juste)

74' 58'' (St. Juste)

75' 06'' (St. Juste)

76' 16'' (St. Juste)

76' 26'' (Nuno Santos)

83' 47'' (St. Juste)

 

O que dizer a isto? Será atitude de equipa que quer vencer um jogo decisivo em termos desportivos e reputacionais?

Já nem sei. Digam vocês, se vos apetecer.

O que fazer depois de Porro?

porro.jpg

 

E se perdermos mesmo Porro?

O que deve ser feito sem demora para colmatar este eventual rombo - que promete ser quase irreparável - no já curto plantel leonino 2022/2023?

A Bola noticiou ontem com destaque, na sua edição digital, a contratação iminente de Tariq Lamptey, lateral ganês de 22 anos (1,63m) formado no Chelsea e agora no Brighton - em sexto na Premier League. Internacional A pelo Gana, que recentemente defrontou a nossa selecção no Mundial do Catar, pode vir por empréstimo.

Por sua vez o Record garantia há três dias, com manchete de capa quase inteira, que o escolhido seria Van Ewijk, também de 22 anos (1,77m), oriundo do Heerenveen e internacional sub-21 pela Holanda.

Convém recordar que a SAD leonina mandou entretanto regressar a Alvalade Gonçalo Esteves, de 18 anos (1,71m) que esteve meia época emprestado ao Estoril, onde teve utilização residual. Este jovem formado no FC Porto é hoje apresentado como «aposta a longo prazo», faltando saber-se em que moldes.

Chegou a falar-se noutro regresso: o de Tiago Santos, agora com 20 anos (1,75m), formado na Academia de Alcochete mas que renovou em Setembro com o Estoril, onde é titular como lateral direito. Tiago cumpriu quase todos os escalões de formação no Sporting, tendo sido cedido há um ano aos estorilistas.

Claro que há Esgaio. Mas será sempre um pálido sucessor de Porro. Daí a pergunta que renovo: deve ser feito o quê? E outra, que se segue a esta: alguém acredita que mudaremos para melhor?

Horários de Sporting do Campo Grande

O Sporting recebe hoje o Vizela, em Alvalade, a partir das 21.15.

Hora vergonhosa para o apito inicial, uma vez mais.

Noite de Inverno, fria e chuvosa, jogo a terminar quase às onze e meia. Depois não se admirem de ver o estádio José Alvalade às moscas e que haja cada vez menos adeptos fora da capital a comparecer nas bancadas.

Diz-se muito que o Sporting não é de Lisboa, mas de Portugal. Acontece que estes factos desmentem essa bela tese. Horários como os da partida de logo à noite servem só para o Sporting do Campo Grande. 

Um balanço de meia temporada (3) - O ataque móvel

Nesta quarta temporada sob o comando de Rúben Amorim, o Sporting passou duma equipa que defendia melhor que atacava e perdia muito poucos jogos, para uma que ataca melhor do que defende, e que perde mais jogos. 

Isso fica claro quando analisamos os números desta temporada. O Sporting segue com um score 10V, 2E, 8D e 34-25 em golos nos 20 jogos oficiais já disputados para as 3 competições, Liga, Champions e Taça, pelo que as médias de golos marcados e sofridos são de 1,7 e 1,25 respectivamente. Só não marcou em 5 dos 20 jogos, e só não sofreu em 6. Na Liga segue no 4.º lugar com 26-15 golos, o quarto melhor ataque e a nona melhor defesa. No 1.º lugar segue o Benfica com 37-7 , em 2.º o Porto com 31-9.

 

Quem observa estes números e não acompanha a equipa dirá que a problema está no trio defensivo. E em parte está. As lesões de St.Juste, Neto e Coates obrigaram Amorim a andar com Gonçalo Inácio dum lado para outro, e quando Esgaio foi chamado à posição a coisa correu mesmo mal. Também não ter a "6" um jogador tipo Palhinha complica muito a tarefa do trio, especialmente no jogo aéreo. As bolas paradas adversárias tornaram-se problemáticas, porque nas duas pontas da linha defensiva ficam obrigatoriamente jogadores fracos no jogo aéreo.

Mas hoje em dia ataca-se com todos e defende-se com todos também. Para mim o problema está no "ataque móvel" que Amorim perspectivou para esta temporada muito tendo em conta as necessidades específicas da Champions. Foi isso que levou à contratação de jogadores como Edwards, Trincão, Rochinha e Morita para se juntarem a Pedro Gonçalves, todos eles levezinhos, todos eles habilidosos, todos eles a gostar de receber a bola no pé, fintar para dentro e tentar o remate frontal, todos eles com dificuldade em recuperar a bola sem falta. Paulinho encaixa-se mal nesse ataque móvel, porque tem sempre muita gente a invadir a zona frontal em vez de irem à linha e lhe darem espaço para trabalhar e oportunidades de golo para tentar marcar.

 

Quem é que impõe o físico e acelera o jogo no Sporting, passando longo ou de primeira, que quebra linhas em velocidade e força os amarelos contrários? E logo sprinta para trás na recuperação? Quem é que vai à linha e centra atrasado? Quem é que joga mais para os outros do que para si, abrindo o jogo de primeira, desmarcando-se a dar linha de passe, dando velocidade ao jogo colectivo? Quem é que marca golos de cabeça saltando mais alto que os defensores contrários? Nenhum dos levezinhos faz nada disto particularmente bem ou não faz de todo.

Às voltas com as insuficiências do ataque móvel perante adversários mais fracos e que se fecham lá atrás, Amorim tem tomado algumas decisões tácticas que se têm revelado desastrosas, como o recuo de Pedro Gonçalves para o meio-campo que na prática quase equivale a retirar do campo o goleador da equipa e o avanço de Coates em fase de tentar tudo em busca do milagre, transformando por completo no momento a forma de atacar da equipa e abrindo uma cratera na defesa.

Dizia o António Tadeia referindo-se ao último jogo da selecção: "Isto é dos livros e extremamente fácil de entender: quanto mais uma equipa se desorganiza no ataque para criar desequilíbrios, mais desorganizada se apresentará no momento da perda da bola. Logo, mais dificuldades terá para impedir o adversário de progredir."

E é muito isto que se passa com o Sporting desta temporada. Ugarte que o diga. Quase nunca chega ao intervalo sem levar amarelo e depois fica a vê-los passar.

SL

Um balanço de meia temporada (2) - Retaguarda de jovens

Para que seja viável um plantel curto na equipa principal é indispensável dispor duma retaguarda de jovens de grande potencial, capazes de substituir com sucesso os mais velhos em momentos de aperto e explodir de rendimento durante a temporada.

Ora, se na época passada essa retaguarda deixava muito a desejar. Bastava olhar para a falta de qualidade da equipa B. Esta época, com a dispensa de muitos, a promoção dos melhores juvenis e juniores e a contratação de alguns estrangeiros de grande qualidade, tudo é diferente. 

Mas a verdade é que nesta meia temporada nenhum dos jovens que entrou em campo na equipa principal, e estamos a falar de jogadores que se treinam regularmente nessa equipa embora jogando muitas vezes pela B, se fixou na mesma, antes foram aparições esporádicas e muitas vezes mal conseguidas.

 

Então como explicar isso?

Em primeiro lugar gostava de saber se os lançamentos na equipa A têm alguma coisa a ver com recompensas pela assinatura do contrato "de adulto", resistindo a promover quem ainda não o assinou por não ter a idade necessária ou resistir à assinatura. Porque é que o Chico Lamba, que nem é opção na B, foi lançado contra o Casa Pia ou o Mateus Fernandes contra o Tottenham?

Em segundo, não consigo entender porque é que a B joga num sistema táctico diferente da A. Só conseguiria entender se Amorim estivesse de saída do Sporting ou estiver nos seus planos voltar aos quatro defesas. 

 

O onze habitual da equipa B, que tem feito boa campanha na complicada 3.ª Liga e é a base da equipa que ficou em primeiro lugar no seu grupo na Youth League e também da selecção portuguesa de sub20, é o seguinte:

Callai; Travassos, Marsà (Gilberto), Alcantar (Veiga) e Nazinho (Marsà); Essugo (Veiga), Diogo Abreu e Mateus Fernandes; Fatawu, Rodrigo Ribeiro e A. Moreira (D. Cabral).

Então é fácil ver que nenhum dos jovens da B foi lançado na A na posição em que joga habitualmente. Então os casos de Marsà e Mateus Fernandes são flagrantes.

 

Falando de Mateus Fernandes, para mim é outro que, tal como Daniel Bragança, nunca será titular neste sistema táctico de Amorim. Se a equipa B jogasse nesse sistema, o onze titular teria provavelmente Essugo e Diogo Abreu no meio-campo, os mais parecidos que existem com Ugarte e Morita. E ainda lá está o Marco Cruz nos sub23. Claro que em 4-3-3 ou 3-5-2 já existe espaço para um médio ofensivo "levezinho" como os dois que referi.

Ainda sobre esta questão do 4-3-3 vs 3-4-3, as duas últimas contratações, Tanlongo e Sotiris, parecem "clones" do Palhinha e do Matheus Nunes, ajustam-se ao 3-4-3 que Amorim tem utilizado.

 

O caso de Fatawu também é curioso. Na pré-temporada foi testado a ala esquerdo e para mim estava ali de caras o titular. Mas não, voltou a jogar como extremo direito de pé trocado. Aí concorre com Trincão e Edwards pela titularidade, ou seja, não tem grandes hipóteses. Isso deveu-se a Amorim não lhe querer quebrar as rotinas da selecção para ele poder render o máximo no Catar?

Concluindo, por uma razão ou por outra a verdade é que a tal retaguarda de jovens não tem funcionado nada bem nesta meia-temporada, fico a aguardar a próxima Taça da Liga para rever este meu pensamento.

SL

Ainda o Dia de Finados

Pois, então, confesso que o fatídico embate com os alemães teve também o condão de revelar que o meu optimismo numa temporada, pelo menos remediada, não é afinal inabalável: a coisa finou-se na terça-feira à noite. 

Na última possibilidade que alguns e muito ruidosos tiveram para assobiar o hino da LC (diga-se até que se calhar estão contentes, já que este ano não o assobiam mais e pelo andar da carruagem para o ano também ficarão sem pio); mas dizia, na despedida da liga milionária a equipa deixou em campo a sua própria caricatura: incapacidade de ganhar, de reagir perante a adversidade, de ampliar a vantagem, de sequer a segurar; mostrou-se capturada pela desorganização, ditada por más opções tácticas, como a saída de Edwards, para a entrada da regular nulidade Trincão, mais a gritante falta de opções goleadoras.

Tudo somado, o jogo com os alemães ofereceu-nos novo choque com a dolorosa realidade de que esta será mais uma época inglória. "Rais'parta" para isto que parece sina. 

Li com gosto (como sempre) o texto de Pedro Boucherie Mendes, e desta vez reajo. Pela simples razão de que penso que apesar do acima escrito, ao contrário do que escreve o meu homónimo não concordo que estejamos obrigados a ver um qualquer árabe carregado de petrodólares como dono do nosso emblema para que o mesmo tenha força na Europa. O Benfica e o Porto dão-me razão. 

O Sporting, parece-me, está obrigado a apostar no recrutamento de pérolas, tem de melhorar sempre o "scouting" para as equipas das camadas jovens, a Academia tem de dar as melhores condições aos potenciais talentos, é para o Sporting que eles têm de querer ir. 

Quanto ao presente, fine-se a teimosia do grande Amorim e contrate-se um goleador, um matador, um jogador que não precise de muito para marcar.

Enfim, dêem-nos razões para este pessimismo finar, antes que nele finemos. 

 

Dez reflexões sobre o Sporting

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1

Há um grave problema estrutural neste Sporting 2022/2023. Uma vez e outra, temos de recorrer em desespero a Coates como "ponta-de-lança" improvisado. Uma vez e outra, fica demonstrado que montar uma equipa que sonha ser campeã sem avançados goleadores é um erro lapidar. Imperdoável - e há responsabilidade directa do técnico disso - foi ter-se descurado a contratação de um artilheiro.

Equipa sem golos não vence jogos, não pontua, não ganha títulos. Balanço da temporada até agora: 18 jogos, oito vitórias, dois empates, oito derrotas. Golos marcados: 29. Golos sofridos: 24. Não há coincidências.

 

2

Existe agora a mania de justificar derrotas invocando orçamentos. Se isso servisse para alguma coisa, o Sporting teria a obrigação de golear o Varzim por 8-0 na Taça de Portugal - da qual fomos eliminados pela equipa poveira.

 

3

No final de Dezembro, quando for desmontada a tenda do Mundial do Catar e retomado o campeonato nacional de futebol, estaremos fora de combate. Sem Taça de Portugal, sem possibilidade de competir para sermos campeões. A lutar (espero) pelo segundo lugar da Liga. É voar baixinho. Coisa pouca, com a glória em parte incerta.

 

4

Nunca me recordo de uma época com tantos jogadores nossos lesionados. Na última semana, mais três: Morita, Nuno Santos e Ugarte. O que suscita sérias interrogações sobre o modo como é assegurada a gestão física dos futebolistas.

Se estes jogadores não têm pedalada para jogar pontualmente de três em três dias (mas os do Benfica, do FCP e até do Braga são sujeitos a igual pressão do calendário) é sinal que existem problemas ao nível da preparação física.

Nesta temporada cumprimos 18 jogos em três meses. Será motivo para ter metade da equipa rebentada? Será motivo para estarmos num humilhante sexto lugar à 11.ª jornada?

Tenham paciência, mas não faz o menor sentido.

 

5

Questiono-me se as "bolas paradas", ofensivas e defensivas, não fazem parte dos treinos leoninos. E se o mesmo acontece com os pontapés de meia-distância.

 

6

Na opinião de alguns, o Sporting está na segunda pior época de que há memória por causa dos árbitros, das claques, do mega-empresário Mendes e do seleccionador nacional de futebol. E também dos comentadores e dos jornalistas que escrevem nos mesmos diários a que dá jeito recorrer quando se pretende validar a tese de que «o Sporting é sempre roubado».

Culpas próprias? Jamais. Ou "jamé", como dizia o outro. 

 

7

Desde a exclusão de Slimani, em Abril, nunca mais o Sporting se endireitou. Muitos falam de Palhinha e Matheus Nunes, mas o grande problema para mim sempre foi lá na frente. Perdermos o artilheiro argelino causou mais danos do que a saída dos outros dois, que aliás geraram uma receita de cerca de 67 milhões de euros.

Convém não esquecer: Palhinha e Matheus Nunes já declararam publicamente que queriam jogar na Premier League. Sem deixar lugar a dúvidas. Faria algum sentido mantê-los em Alvalade contrariados? O que lucraria o Sporting com isso?

 

8

Alguns dos que agora tentam desviar as atenções invocando a saída daqueles dois jogadores como causa fundamental dos problemas são os mesmos que há um ano diziam que Ugarte era «claramente melhor» que Palhinha e criticavam Matheus por «querer a bola só para ele» e «empastelar» o nosso jogo a meio-campo.

É sempre assim. Entoam hinos aos jogadores do Sporting... apenas quando eles deixam de ser jogadores do Sporting.

 

9

Parece sina deste clube: quando há um pequeno ciclo de vitórias, logo é engolido por um longo ciclo de não-vitórias. Foi assim com os últimos presidentes vencedores - João Rocha (por três vezes), Roquette, Dias da Cunha. Está a ser assim também com Frederico Varandas.

 

10

Rúben Amorim tem cometido vários erros. A exclusão de Slimani, a obstinação em não contratar um ponta-de-lança alternativo a Paulinho, a reacção absurda à saída de Matheus Nunes como se isso o privasse dum salvador da pátria (algo que não deve ter dado moral nenhuma aos que ficaram), contínuas indirectas à estrutura directiva, a insistência em fazer alinhar Trincão de início para um lugar em que Edwards está muito mais qualificado, a confissão de que tem jogadores "preferidos" no plantel...

Precisa de adquirir alguma humildade. E de saber conviver com a pressão e as críticas.

Ser fiel às ideias é de aplaudir. Mas se as ideias não forem adequadas às necessidades impostas pelas circunstâncias, deve ter flexibilidade suficiente para se recriar, para se reciclar, para assimilar novas ideias, novos processos de jogo, novas dinâmicas.

Se me perguntarem quem prefiro como seu sucessor, responderei sem hesitar: Amorim deve substituir o próprio Amorim. Ou seja: o treinador do Sporting tem de reinventar-se. Corrigindo teimosias, atenuando obstinações, limando casmurrices.

Está em início de carreira, tudo lhe sorriu até agora, falta experimentar o outro lado - menos feliz e sorridente. Se estes problemas o ajudarem a crescer como profissional do futebol, um dia há-de olhar para eles com alguma gratidão. Possamos nós dizer o mesmo.

Não há Plano B



Nunca imaginei que pudéssemos ser campeões há dois anos, mas também nunca imaginei que caíssemos numa daquelas épocas tão frequentes no passado. Supus que com RA, o nosso “teto para baixo” fosse o terceiro lugar mesmo a dormir e que eliminações na Taça por clubes da segunda ou terceira, jamé voltassem a acontecer.

Sobre a Champions, nunca achei nada, porque o SCP não é um clube Champions - nem será com este modelo de SAD. Ou vem um tailandês (marciano, polaco, cabo-verdiano, tanto faz) que empata meio bilião ou coisa parecida, ou seremos sempre o clube que por vezes vai, até faz umas flores, mas acaba depressa.

Quando as coisas correm bem, o auto convencimento é muito sedutor. Quando correm mal é que se vê a fibra. Nos últimos anos, o nosso líder dentro, fora, por cima, por baixo e em redor do campo tem sido RA, um casaco que ele vestiu porque gosta e onde se sente bem. É claro para mim que RA acha que no casaco só cabe uma pessoa, ele.
Vê-se agora que falta plano B, porque o espaço de liderança está todo o ocupado.

Pior do que a direção ou direção técnica, é não haver dentro de campo quem saiba mandar e meter sentido naquilo. Coates nunca foi um líder – é um jogador de grande envergadura e dedicação, mas não um daqueles que sigamos até à morte - talvez só Porro ou Nuno Santos se assemelhem ao que poderíamos ter. Paulinho não tem a confiança da bancada, da imprensa e sobretudo dele próprio, no meio campo não há ninguém. É ver como Pote, Trincão ou Edwards jogam sozinhos, porque os deixam (treinadores e colegas) ou como o novatíssismo Artur tem já essa inclinação.

Ontem, em Arouca ou com o Varzim, nunca se sentiu que pudéssemos dar a volta. Em Londres, com o Tottenham fomos salvos por um golo anulado caído do céu (a anulação); com o Casa Pia tivemos sorte durante sete ou oito minutos (até num penalti mais ou menos coiso sobre o Edwards).

Eu penso assim, que no momento estamos entregues ao sorteio da sorte. Infelizmente, pelo que vejo na expressão do nossos treinador, ele também.

Gostaria que a equipa técnica ficasse, pela competência, pela liderança e por um certa mística que RA começou a criar. Mais importante do que termos craques novos no Inverno, é termos o nosso líder de volta.

Fora de tudo

Não há campeonato, não há taça e por pouco não havia competições europeias (estamos apenas no play-off da Liga Europa). Ao dia 1 de Novembro.

Estamos perante um desastre total. O Sporting Clube de Portugal foi desvalorizado de todas as formas e está remetido a uma posição muito frágil. Isto é inconcebível e inaceitável.

É preciso uma solução para tudo isto. A direção, a estrutura do futebol e o treinador (um bom treinador, mas teimoso) que resolvam: são eles os "culpados", em conjunto, e são eles que terão de ver uma saída porque têm especiais responsabilidades ao terem montado um plantel desequilibrado e sem qualidade para 2022/2023, ao terem vendido Matheus Nunes e, sobretudo, ao terem toda esta sobranceria a lidar com as coisas do clube. Não se admite.

Em sexto

O V. Guimarães derrotou esta noite o Famalicão por 3-2, subindo ao quinto lugar no campeonato. O Casa Pia já tinha vencido o Rio Ave por 1-0, ascendendo ao quarto posto. No terceiro mantém-se o FC Porto, com 23 pontos. Em segundo vai o Braga, com 25. O Benfica lidera, largamente destacado, já com 31.

E nós? Com 19 pontos, à 11.ª jornada, caímos para a sexta posição nesta Liga 2022/2023. A segunda pior de que há memória neste século. Ainda assim, tivemos sorte: o Boavista empatou na recepção ao Vizela (2-2). Se tivesse vencido, remetia-nos ao sétimo lugar.

Tudo podia, portanto, ser ainda pior.

Bibi, o Benfica e a Casa Pia

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Para nós, sportinguistas, o jogo mais importante desta jornada é amanhã: Sporting vs. Casa Pia.

Uma vitória sobre o Casa Pia pode colocar o Sporting no terceiro lugar (empatado com o Braga) a três pontos do segundo e atirar com o Casa Pia para o oitavo lugar, uma derrota com os gansos pode significar que seja o Sporting a terminar esta jornada em oitavo. Muita atenção, portanto.

O Casa Pia que vamos enfrentar não é bem o da imagem, em vez de cultura, será mais, usura e em vez de solidariedade, será mais, negócio.

O negócio Rafa Silva, foi-me contado assim por um casapiano: "vendemos um dos nossos melhores jogadores [ao VSC] mas o americano [Robert Platek] precisava de recuperar algum dinheiro", perguntei: "Então mas o dinheiro não vai para o clube?" "Não, o americano é que paga os jogadores mas quando vende fica com o dinheiro".

Não consigo imaginar como funciona a contabilidade do Casa Pia, como não imagino como funcionava a contabilidade do Benfica no tempo de Bibi [Vítor Santos] um pato bravo que era dono de um jogador, Roger, do plantel encarnado.

Já que estamos a falar do Benfica, vamos ver o que consegue fazer logo, fará melhor ou pior que o Brugges?

Três jogos interessantes para acompanhar este fim-de-semana:

Porto vs. Benfica, hoje às 20h15

Estoril vs. Braga, amanhã às 18h00

Sporting vs. Casa Pia, amanhã às 20h30

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O meu apelo a Rúben Amorim

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Outros farão os mais diversos apelos aos responsáveis directivos do Sporting, à equipa técnica e aos jogadores.

O meu é muito simples e tem Rúben Amorim como destinatário. Peço-lhe para pôr a nossa equipa a vencer.

Começando no desafio deste sábado frente ao Casa Pia.

 

Já basta o que ficou para trás. O Sporting vem de três derrotas consecutivas e de seis jogos seguidos a sofrer golos.

É tempo de inverter o rumo.

É tempo de começar a ganhar.

 

Até agora, nesta época tão atribulada, fomos incapazes de virar um resultado desfavorável - algo que custa a entender.

Levamos 24 golos marcados e 19 sofridos em 14 jogos - números medíocres.

E perdemos 42% das partidas realizadas - estatística inaceitável para uma equipa com os pergaminhos do Sporting.

 

Daí eu aproveitar este espaço para renovar o tal apelo que fiz no início.

Façam o favor de ser felizes. E de nos fazerem felizes também. 

{ Blogue fundado em 2012. }

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