Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

O Ernesto vai para o Sporting

 

 

Quando eu era aluno do Instituto Vaz Serra, em Cernache do Bonjardim, a equipa de futebol local era reforçada com jogadores de primeira água que frequentavam o colégio, nomeadamente o Parente, o Duarte, o Paes e o Ernesto. Todos estes haveriam de ir parar à Primeira Divisão. Mas o Ernesto era um fora-de-série. Num jogo contra o Lamego em que o Cernache venceu por 13-1, o Ernesto marcou 7. Um belo dia, cheguei ao recreio e gritei: "Ei, malta! O Ernesto vai para o Sporting!". A minha alegria era imensa por se tratar do clube do coração. Entretanto, a nova temporada iniciou-se e aos domingos à tarde não largávamos o aparelho de rádio para acompanhar os relatos dos jogos. Um domingo, nada de Ernesto no Sporting. Outro domingo e nada. Ao terceiro domingo desesperei. Na aula de ginástica seguinte perguntei ao professor, também ele um sportinguista doente, por que razão não jogava o Ernesto no Sporting. A resposta foi surpreendente, com um toque de mágica: "Ó rapaz, o que dizes tu? Está a jogar e já marcou golos!" O Ernesto no Sporting era afinal conhecido por outro nome. No Sporting ele era o Figueiredo, o grande Figueiredo...

Morais. Os minutos de silêncio. E assim.

A propósito deste post do João E. Severino, lembrei-me de um outro que escrevi em tempos num blog pessoal. Copio parte para aqui agora porque é este o lugar dele.

 

"Domingo fui ao estádio. Era o último jogo do Sporting em Alvalade no campeonato deste ano. E que lástima de campeonato… quarto lugar conseguido – digo bem, conseguido – sem esforço nenhum. Mais por trapalhice dos que se seguem que propriamente mérito do meu clube. Mas adiante que de clube não se muda e lá estarei para o ano, sempre muito crente e cheia de esprança.

Voltando ao jogo. Não me apetecia ir. Tenho andado moody – ou em português, armada em parva – e tinha pouca vontade. Mas tinha bilhetes, sempre era um programa, e gosto sempre de ir ao último jogo da época. Antes que me arrependesse lá fui. Dormi a viagem toda o que em mim já é sintomático uma vez que não moro em Bragança e o caminho até Alvalade é no máximo meia hora havendo algum trânsito.

Abra-se aqui parentesis para falar de João Morais. O Morais, como sempre ficou conhecido, fez parte da equipa do Sporting que em 64 ganhou a taça das taças. Esta taça é o único troféu europeu do Sporting e a única taça das taças em Portugal. Por um motivo e outro, é uma data reconhecida e acarinhada pela maior parte dos sportinguistas. Mesmo os que como eu nasceram anos mais tarde. Nessa final, o golo foi marcado pelo Morais, de canto. Mais até que a taça, o canto de Morais é mítico no Sporting. Há uma música, e conheço pelo menos um café que se chama “o cantinho do Morais”, mas as alusões a este golo de canto, em ambiente verde e branco são inúmeras, todos conhecemos o canto do Morais. A semana passada, com 75 anos, morreu Morais. Fecha parentesis, de volta ao estádio.

Aquecem equipas, descem e sobem já para o jogo. O speaker anuncia “antes da partida vai fazer-se um minuto de silêncio” aqui estremeci e lembrei-me “ui, o Morais”. Ultimamente, nos minutos de silêncio quando se trata de um jogador, há palmas. O minuto passa a dois: um em silêncio, outro de palmas. Só palmas. É arrepiante já que num estádio normalmente há toda uma esquizofrenia de sons. Alguns silêncios mas muito breves e que normalmente não são bom sinal. As palmas aconteceram por exemplo com Damas, Jesus Correia e Feher. Este último não foi atleta do clube como sabemos, mas evidentemente o choque foi geral e não olha a cores. Tétrico, eu sei. Mas são homenagens e só as faz quem lá está naquele dia.

Continuando no jogo de Domingo então. Estão ambas as equipas no meio campo imóveis e o público, todo de pé, divide-se entre os que aplaudem e os que prestam a última homenagem a Morais em silêncio. Nos ecrans, as imagens do famoso e significativo canto. Eu soluço. Sim. Vamos adiar comentários para o fim do post. O speaker tinha dito também que dois elementos mais jovens da academia prestariam uma homenagem simbólica e aquilo fez-me confusão “que homenagem farão dois miudos se se está a fazer o minuto de silêncio? mais invenções...”. Ai senhores… de ramo de flores, os dois pequenos dirigiram-se à marca de canto para lá as deixarem. Foi o fim. Se eu fosse um dvd com legendas em inglês hearing-impaired diria nesse momento “sobbing”. Os minutos de silencio são arrepiantes e eu pelo-me – sinistramente, admito – por momentos destes. Emociono-me, mas não costumo chorar. Não ando decididamente muito bem, mas também não vejo com muita surpresa o facto de ter chorado ali. That’s me alright.

 

5 de Maio de 2010"

A futebolização do desporto

O desporto futebolizou-se em Portugal. É um fenómeno recente. Não é preciso recuar muitos anos para lembrar que já houve um tempo em que nem só o pontapé-na-bola mobilizava as atenções de quem se interessava pela prática desportiva. Tornei-me sportinguista em miúdo, por exemplo, pelo grande cartaz multidesportivo que o clube de Alvalade então ostentava. Vibrei com os golos de Yazalde em vários estádios, é certo. Mas também com as proezas de Livramento no hóquei em patins, de Joaquim Agostinho no ciclismo, de Brito no andebol ou de Carlos Lopes no atletismo. Este foi um património que se perdeu. É um património que também tem vindo a perder-se no Sporting. O futebol tomou conta de tudo, em regime de monopólio. Noutros países europeus não é assim. Mas em Portugal é. O que constitui uma prova adicional do nosso atraso.



Só eu sei

 

 

Só Deus sabe como ainda me chateio quando falo disto. Tínhamos perdido 1 a 0 em Barcelona com um dos golos mais desgraçados que vi o Damas sofrer no Sporting. Não importa agora, eu sei, mas quando o árbitro apitou para a marcação da falta a bola já ia a caminho da baliza. Certo é que antes o Sporting tinha falhado uma ocasião única para marcar em Camp Nou: Rui Tovar explicou-nos pela televisão que Negrete (lembram-se?) passou com um toque de cabeça a bola por cima do Zubizarreta, mas depois falhou um golo que já estávamos todos a gritar lá em casa. Perder assim em Barcelona só podia querer dizer isto: que venceríamos em Alvalade. Nunca duvidei disto. Fui para o estádio no autocarro 33 até ao Campo Grande e lembro-me da multidão que formigava em redor do velho Alvalade. Lembro-me do frisson diante da 10 A, à medida que os jogadores iam entrando com Manuel José: Damas, Virgílio, Venâncio, Duílio, Fernando Mendes, Zinho, Oceano, Mário Jorge, Manuel Fernandes, Negrete, Meade, Gabriel Mendes, McDonald, Houtman. Deus sabe que vencemos o Barcelona com enorme estilo nessa noite, mas vencemos 2-1. Sim, fomos traídos por um golo que Deus poderia ter evitado. No dia 5 de Novembro de 1986, Negrete começou por marcar o golo que me tinha ficado a dever em Barcelona e Mead marcou o segundo. Já só faltava meia hora para o jogo acabar. O Sporting estava na eliminatória seguinte. Deixou de estar quando um senhor chamado Roberto marcou um golo esquisito a 10 minutos do fim. Ninguém devia sofrer golos com o Barcelona a 10 minutos do fim. Eu sei disso. Deus sabe disso e por isso continuo chateado.

Ivone

Quando o Sporting foi campeão com Inácio, assisti a dois episódios inesquecíveis. O primeiro foi na bancada de Vidal Pinheiro (conhecido como quintal pinheiro), a poucos minutos do final. Eu estava imediatamente atrás do nosso banco de suplentes e um jogador saltava em cima do banco como se não houvesse amanhã. Entoava os cânticos connosco, até nos dar a sua camisola durante a festa final. Esse jogador não era das escolas, deve ter visto o Sporting pela televisão umas três vezes na vida, mas nunca mais me saiu da memória. Era italiano - o único italiano campeão - e chamava-se Ivone De Franceschi. Conclusão: ser da cantera nem sempre é sinal de amor ao clube e alto profissionalismo. Ivone esteve apenas alguns meses em Alvalade e deu tudo o que tinha em todos os jogos. Foi um grande campeão. Quando regressou a Alvalade com a camisola do Chievo, há uns verões atrás, foi longamente ovacionado de pé.

O segundo episódio é com o mesmo jogador. Chamado à SAD, já depois de terminado o campeonato, saiu em lágrimas do estádio. Tinha sido dispensado, ou melhor, o clube não tinha accionado a cláusula de opção, julgo eu. Para um sócio de coração, não de carteira, o que interessa é apenas isto: é indiferente se vem de Alcochete e é um "activo" para vender no futuro; o relevante é que tenha ganas de vestir a camisola e ganhar coisas. Aqui.



Uma crença, só pode ser isso

 Campeões nacionais de atletismo 1976. Reconhecíveis ao centro: Armando Aldeagalega, Carlos Lopes, Fernando Mamede; yours truly é o 4º a contar da esq. 

 

- Obrigado Pedro Correia, por me ter convidado para o coro desta igreja!

 

Não me lembro da primeira vez que fui à bola. Mesmo antes de me conhecer, certos Domingos à tarde ia pela mão de meu pai a Alvalade. Lembro-me de sempre lhe pedir para comprar um daqueles chapeuzinhos de cartolina cónicos, que eu achava divertidíssimos e práticos, e ele demitir tal ideia com um incontestável não sejas piroso. E foram tantas as vezes que ele cedeu em comprar-me uma bandeirinha do Sporting, quantas as que as perdi no tropel da multidão à saída.

Durante a adolescência odiei o futebol, sobretudo o do Sporting. Então nós, os do atletismo (e já agora, os do andebol, do hóquei, do boxe, do tiro, do ténis de mesa, do basquete), é que ganhávamos as taças e os trambolhos do pontapé na bola passeavam pelos corredores do 10A armados em bons? Só não fiz rugby no Sporting porque da modalidade o Sporting apenas ficou com as camisolas, mas acabei por jogar na Agronomia que também se equipava às riscas verdes e brancas, embora fininhas.

Quando li “Fever Pitch” de Nick Hornby, tive a sensação que ele plagiara o livro que eu não havia escrito. Também não sei o que responder quando ela me pergunta “em que estás a pensar?”, porque estou a pensar na tática do Sporting, o que é digno de uma admoestação conjugal com justa causa; também a mim me bastaria ser recordado como um sportinguista quando fosse a enterrar.

Perdoem a vaidade, mas não autorizo ninguém a dizer que é mais sportinguista que eu. E tenho métrica para arrasar qualquer veleidade de comparação: 1) sócio há mais de 50 anos; 2) dois lugares cativos no estádio (setor 3, fila 23, 9&10) depois de ter tido dois lugares no estádio antigo, enquanto ele durou; 3) contribuí em pelo menos 5 taça, das que refulgem na sala dos troféus. Apenas concedo primazia à Sra. D. Maria José Valério e, por razões diferentes, ao Paulinho.

Só em duas ocasiões chorei em Alvalade. A primeira aconteceu na noite de 24 de Outubro de 1990: quando Bozinowski estampou o sétimo selo nos atarantados romenos do Timisoara, transportado pela euforia virei-me para abraçar o meu pai, esquecendo que ele tinha morrido na semana anterior. A outra foi num álgido fim de tarde de Maio de 94, quando o petulante Queiroz (nunca lhe perdoei e sempre tive razão!) substituiu o Paulo Torres pelo Pacheco e vi um dique rebentar, por onde jorrou uma pestilência avermelhada – até os céus choraram comigo nesse crepúsculo.

Resgatei-me de tais mágoas em 1999 quando cumpri a promessa de andar um dia com o cabelo tintado de verde.

O Sporting tem-me dado mais penas do que alegrias, é verdade, mas o que querem – é a vida…

Campeões na Luz

 

Eu estava lá: 1988. Tinha acabado de fazer 17 anos e fui com a Juve para o pavilhão da Luz. A história desta épica vitória contra os lampiões está aqui http://www.sportingcanal.com/?p=2265 mas os "incidentes graves com a PSP" foram mais ou menos isto: eles levaram com o terceiro golo já no final do jogo, nós fomos campeões na Luz, deitámos a gaiola abaixo (mandem a conta) e entrámos ao molho e com imenso orgulho para dentro do ringue para abraçar a rapaziada campeã. Foi uma invasão de ringue à moda antiga. Sabem, das boas. Sem violência. Só um grito "campeões na Luz". Só outro grito "em cada lampião". Os agentes da PSP saíram disparados dos balneários na nossa direcção e quando fugimos de regresso às bancadas estavam lá outros agentes à nossa espera. Levámos uma bordoadas, mas, não levem a mal, foram as melhores (apesar de únicas) bastonadas da minha vida adolescente. Nós também já fomos campeões na Luz.

Porque sou Sportinguista

Antes de mais, e como têm feito os ilustres colegas a que agora me junto (obrigada pelo convite!), deixem-me dizer porque sou Sportinguista. O texto que se segue foi escrito em Fevereiro de 2010 e está obviamente datado por alguma mágoa e desânimo que naquela altura nos assolavam. Não o alterei porque é nesses momentos que demonstramos a nossa fibra e nos distinguimos dos outros.

 

"A minha mãe e o meu pai sempre foram adeptos daquele clube que agora tem o estádio em frente ao Colombo. Na casa dos meus pais nunca se falou muito de futebol. Por isso, quando entrei para a Escola Preparatória (actual 2º ciclo), fiquei um pouco abananada quando me perguntaram pela primeira vez de que clube era. Foi aí que comecei a prestar atenção.
Na minha turma e entre os meus amigos, o Sporting estava em minoria e até dava aflição quando perdiam um jogo. O resto da malta apresentava-se na segunda-feira sedenta de vontade de espezinhar, humilhar, enxovalhar.
Se às vezes a situação se invertia, os poucos sportinguistas perdiam imediatamente o direito a demonstrar a sua alegria. Os matulões encarnados não viam com bons olhos a audácia dos poucos verdes que se atreviam a chegar sorridentes à escola ou, pior ainda, gozar um bocadinho com alguma derrota dos adversários.
Por isso, a pouco e pouco, as coisas foram-se definindo no meu espírito. Nunca poderia apoiar aquela soberba e presunção dos encarnados. Por outro lado, cada vez simpatizava mais com o Sporting e com os sportinguistas.

Quando andava no 6º ano, o Sporting, contra todas as expectativas divulgadas na comunicação social, ganhou um derby (se acham a imprensa tendenciosa, experimentem ser do Sporting). Não sei o resultado, duvido que tenham sido os famosos 7 a 1, mas sei que fiquei tão contente como só costumava ficar no dia dos meus anos. Percebi que me tinha tornado Sportinguista, de corpo e alma. E acreditem, não foi fácil, porque mais ou menos por essa altura o Sporting começava a longa travessia no deserto que haveria de durar 17 anos.
Embora não o tenha feito propositadamente, sei que o meu entusiasmo acabou por contagiar quase toda a minha família. É claro que a entrada do meu cunhado Francisco Manta para o clã foi determinante para o sucesso, e foi verdadeiramente em família que comemorámos os dois campeonatos com que o Sporting quebrou o jejum.
Acompanho os relatos pela rádio, recebo as sms do costume no telemóvel quando o Sporting perde e acho piada ao seu silêncio imóvel quando estamos a vencer. Grito quando há golo e respiro fundo quando a bola entra na nossa baliza.

Há golos inesquecíveis: o ombro de Miguel Garcia ou o ímpeto do Rui Patrício a atravessar o campo no último minuto para marcar e decidir o jogo. Os treinadores Augusto Inácio, Lazslo Bölöni e Paulo Bento. E jogadores: o Jardel sempre a mexer no cordão dos calções ali perto da área e depois, golo! Os guarda-redes Schmeichel e Ricardo, o André Cruz, o Acosta, Beto, Hugo Viana e a magia do Pedro Barbosa. E claro, Liedson. Meia equipa nas pernas, no espírito e na garra daquele Levezinho.
E momentos tristes, que nos fortaleceram: O penalty falhado de Miguel Garcia contra os encarnados, o silêncio da final da Taça UEFA em Alvalade e a desilusão gelada da primeira Taça da Liga no Estádio do Algarve.
Ninguém consegue imaginar a euforia que se vive na minha casa quando o Sporting marca e ganha. E quando perde, a sensação que nos invade de desilusão, de oportunidade desperdiçada...
Sim, eu sei que este ano tem sido trágico nesse aspecto, mas é precisamente nestes momentos, quando a derrota pesa e o desânimo parece não querer levantar âncora, que me apetece dizer a cada pessoa que encontro na rua:


Olá. Sou a Zélia. Mãe, Bibliotecária e Sportinguista."

Do Peão

 

Nesta minha estreia quero agradecer ao Pedro Correia, qual Carlos Freitas local, o convite para integrar o plantel. Aderi desde logo, "sou do blog desde pequenino", frisson vindo do primeiro postal que aqui li, o "O despertar do Sportinguismo" do Rui Rocha, a recordar os tempos do Fraguito, esse que lembro jongleur com os vagares da arte, meias sempre descaídas, como se essas num matreiro sorriso de quem sabe. E depois, tiques de bloguista, fui ali à coluna dos elos ver quem cá joga e a assembleia geral, os senhores dos camarotes e os adeptos de bancada. Coisa em grande, para um convicto "este ano é que é". Mas, e por isso mesmo, logo a lembrar-me, e também por causa do Fraguito e seus pares de então, que sou dos tempos da malta do peão.

 

E, como tal, vinda desses tempos de transição, de elevação, surge-me a obrigação de aqui começar sublinhando o meu sempre símbolo do Sporting, o grande e eterno Presidente, Senhor João Rocha

 

O despertar do sportinguismo

 

Angola, 1973. Os flamingos equilibram-se sobre uma das patas, na sonolência da tarde. O rádio estremece a cada lance de perigo. A ventoinha do tecto espalha o calor pela sala. Observo o meu pai e ouço o relato. Não entendo bem o que se passa, mas vou fixando alguns nomes. Fraguito é muito engraçado. Percebo que tudo se desenrola em volta do Esférico. Deve ser muito bom jogador. Indigno-me quando um elemento do Benfica agarra o Esférico. E fico muito confuso quando, passado uns minutos, é um tal Alhinho, do Sporting, que o agarra. Aproveito um momento de pausa para colocar ao meu pai a dúvida que me atormenta: papá, de que equipa é o Esférico? A resposta surge, surpreendente: o Esférico é de todas as equipas. Arquivo a informação preciosa sobre o mundo da bola: há um jogador chamado Esférico que alinha por todas as equipas. As emoções do relato acabam por me aborrecer. Apetece-me dar um passeio no cavalo de madeira que está na varanda. Fecho os olhos. Agora é no quintal da Avó Palmira, na motróple, que estou a cavalgar. Imagino-me a espreitar a capoeira, de longe. O bico das galinhas sempre me meteu muito medo. Lá estão os frangos. Franguitos. Fraguito. Sim, sim. Está na hora de dar uns pontapés na bola. A baliza é na parede. Hoje chamo-me Esférico e vou marcar muitos golos. Mas, vão todos ser do Sporting. E, logo à noite, quando formos dar a volta dos tristes na Restinga do Lobito, hei-de contar ao Calita quantos marquei. E havemos de apanhar muitos peixes com os frascos de compota em que, para os atrair, colocaremos pequenos pedaços de pão.

 

* Na foto (roubada aqui), a equipa do Sporting na época 1973/74. Em baixo, da esq. para a dir. - Tomé, Yazalde, Nélson, Márinho, Dinis; em cima, mesma ordem - Laranjeira, Manaca, Alhinho, Damas, Fraguito, Carlos Pereira. O texto foi publicado no Delito de Opinião no dia do último derby com o Benfica.

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D