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És a nossa Fé!

"O futebol tem de formar e educar"

"Há muita gente que trabalha no que não gosta, ganha pouco e o que lhe dá alegria é ver a sua equipa ganhar ao fim-de-semana. Não acredito que os adeptos que fazem mais barulho são a maioria, mas os clubes ouvem esses. Acredito que há muita gente que não se revê na comunicação dos clubes", concluiu Peseiro [nesta entrevista que recomendo a leitura].

Prémio Camões 2019

«JOGO DA BOLA
Chico Buarque
2017

Há que levar um drible
Por entre as pernas sem perder a linha
No jogo de bola
Há que aturar uma embaixadinha, deveras
Como quem tira o chapéu para a mulher
Que lhe deu o fora

Há que puxar um samba
Sacar o samba lá do labirinto da tua cachola
E dançar o miudinho
Feliz como um pinto no lixo
Mesmo quando o bicho pega
Mesmo quando já passou da hora

Salve o futebol, salve a filosofia
De botequim, salve o jogar bonito
O não ganhar no grito a simpatia quase amor
Da guria que antes do apito final
Vai sem aviso embora

Vivas a galera, vivas às marias-chuteira
Cujos corações incandescias
Outrora, quando em priscas eras
Um Puskás eras
A fera das feras da esfera, mas agora

Há que aplaudir o toque
O tique-taque, o pique, o breque, o lance
De craque do centroavante
E ver rolar a pelota nos pés de um moleque
É ver o próprio tempo num relance
E sorrir por dentro»

 

In.: BUARQUE, Chico; WERNECK, Humberto, compil - Tantas palavras : todas as letras. 1ª ed. Lisboa : Companhia das Letras, 2018. pp. 455, 456

 

 

O 15 de Maio... de glória!

«Na véspera, a 14 de Maio de 1964, Morais (na foto, em pontapé acrobático) tinha sonhado que daria a vitória ao Sporting na finalíssima da Taça das Taças frente aos húngaros do MTK de Budapeste, na marcação de um canto directo. De resto, o antigo jogador confessou a premonição ao DN, há semanas. No dia seguinte, o sonho tornou-se real.

A equipa leonina era capitaneada por Fernando Mendes, que levantou o troféu em Antuérpia, Bélgica. Neste conjunto de atletas também pontificavam outros nomes, casos de Carvalho, Pedro Gomes, Alexandre Baptista, José Carlos, Hilário (não jogou a final, devido a lesão), Pérides e Osvaldo Silva, entre outros. Há 41 anos, o Sporting conquistou o seu primeiro triunfo numa competição europeia de futebol.

Anselmo Fernandez, arquitecto, era o treinador do clube de Alvalade na época. Mascarenhas, Figueiredo, Geo e Dé foram os restantes quatro jogadores que integraram o onze inicial leonino. O dia 15 de Maio de 1964 ficará ligado, para sempre, à história do futebol português.

O 'CANTINHO DO MORAIS'. O êxito europeu do Sporting, materializado com o famoso "Cantinho do Morais", viria a ser "imortalizado" no disco lançado na altura, aproveitando o relato radiofónico da jogada, feito por Artur Agostinho, então em trabalho para a Emissora Nacional. A música, que resulta do golo decisivo apontado por João Morais, era interpretada por Margarida Amaral.»

In.: Diário de Notícias

 

P.S.: Relembrado ontem pelo nosso leitor «Leão de Queluz»

 

Atravessar etapas de uma crise

«ATRAVESSAR ETAPAS DE UMA CRISE não é necessariamente mau: permite-nos um olhar a que ainda não havíamos chegado, permite-nos escutar não apenas a vida aparente, mas também a insatisfação, a sede da verdade e de sentido, e apenas a assumir uma condição mais ativa.

Talvez precisemos de descobrir que, no decurso do nosso caminho, os grandes ciclos de interrogação, a intensificação da procura, os tempos de impasse, as experiências de crise podem representar verdadeiras oportunidades. Quando mais conscientes dos nossos entraves, limites e contradições, mas também das nossas forças e capacidades, tanto mais poderemos investir criativamente no sentido da nossa identidade. Isso implica uma mudança de ponto de vista sobre nós próprios e o mundo, e advém daí naturalmente uma instabilidade face a modelos que tínhamos por adquiridos.

Os partos indolores são uma mistificação. Quem tem de nascer prepare-se para esbracejar. Há um momento em que aprendemos que vale mais prestar atenção àquilo que em nós está a germinar, num lento e invisível (e inaudível) processo de gestação, do que àquilo que perdemos.»

 

In.: MENDONÇA, José Tolentino, O pequeno caminho das grandes questões. Lisboa : Quetzal, 2017. p 151

 

Cantanhede, concelho de Coimbra (a sério!!!)

Na Revista do Expresso, desta semana.

 

«O QUE EU ANDEI PARA AQUI CHEGAR

UM CURRÍCULO VISUAL

 

Nuno Dias

Já foi catequista e professor, mas admite que ferve em pouca água. Tem duas licenciaturas e está há sete anos à frente do futsal do Sporting. Nesse período, conquistou cinco campeonatos nacionais e quatro taças de Portugal. No passado domingo, aos 46 anos, liderou os leões à conquista da Liga dos Campeões de Futsal / TIAGO SOARES

 

1972

Raízes na Beira-Litoral

Nasce a 27 de dezembro de 1972 em Cantanhede, concelho de Coimbra [sic]. Aos 11 anos começa a praticar basquetebol, mas rapidamente se muda para o futebol de onze. Na equipa da sua freguesia, o Marialvas, chega a sénior.

 

1998

Futsal e senhor professor

Durante o último ano do curso de Educação Física em Coimbra, vai para a 2º [sic] divisão jogar futsal na Académica. Depois da licenciatura vai para o Instituto D, João V, já na 1º [sic] Divisão, onde dá aulas ao mesmo tempo que joga.

 

2006

Mister

Estreia-se como treinador à frente do Instituto D. João V. Depois de cinco épocas no clube, ruma à Rússia para ser adjunto de Paulo Tavares no CSKA de Moscovo.

 

2012

Missão de leão

Regressa da aventura russa para suceder a Orlando Barros como treinador do Sporting. O objetivo é resgatar o título das mãos do Benfica. Cumpre esse objetivo, e repete o feito na época seguinte (2013/2014)

 

2015

Mestre

Em novembro, defende com distinção (17 valores) a tese de Mestrado “Representatividade dos Exercícios de Treino em Relação ao Jogo de Futsal”, na Universidade da Beira Interior. Nessa época volta a ser campeão nacional, depois de um ano em branco.

 

2017

Tricampeonato

Arranca a época de 2017/2018 com a ambição de vencer três campeonatos seguidos, algo que os leões já não conseguiam desde 1995. No final da época, não só o consegue como junta ao palmarés leonino a conquista da Taça de Portugal e da Supertaça.

 

2018

Prémios e mais prémios

Em fevereiro, a Universidade de Coimbra atribui-lhe o Prémio Carreira. Um mês depois, é considerado o melhor treinador de futsal pela Federação Portuguesa de Futebol.

 

2019

Campeão da Europa

Depois de três tentativas falhadas, o Sporting conquista o título de campeão europeu pela primeira vez na sua história. No final, não contém a emoção e festeja a vitória em lágrimas.»

 

In.: E. A Revista do Expresso, edição 2427, 4 de Maio de 2017. p.16

O futebol não é só futebol.

«QUE VAZIO TENTA SER COMPENSADO NA PAIXÃO das multidões pelo futebol? Que ausência ela vem ocultar? O futebol é hoje vivido quase como uma religião de substituição. Um dos primeiros a colocar esta questão foi Robert W. Coles, que defendeu a existência de analogias entre a realidade social do futebol e as práticas religiosas de busca e celebração da transcendência. Aquilo a que Durkheim chama "as formas elementares" do fenómeno religioso pode encontrar-se, sem grandes contorcionismos simbólicos, no entusiasmo colectivo que o desporto-rei desperta. De facto, o modo como a paixão pelo futebol se expressa passou a ser observado etnologicamente como um ritual religioso ou para-religioso, com as suas catedrais, os seus oficiantes, a sua liturgia, as suas regras, as suas narrativas sagradas e os seus seguidores.

Os ecos de uma mentalidade religiosa persistem portanto, ainda que secularizados, reconfigurados e deslocados para outro âmbito. Muda claramente o objeto, mas não a antropológica necessidade de relação. Por isso, o futebol não é só futebol. Ele coloca em campo, além da bola, outras questões pertinentes.»

 

In.: MENDONÇA, José Tolentino, O pequeno caminho das grandes questões. Lisboa : Quetzal, 2017. p. 38

Como se constrói uma catedral

(Sporting - V. Guimarães | 44.107 espectadores)

 

«UMA FORMA INESPERADA, mas certeira, de erguer uma catedral foi a que encontrei num conto de Raymond Carver. Dois homens estão numa sala com o televisor ligado. De repente, faz-se um silêncio na conversa que mantém e ouve-se a voz que vem do aparelho. Fala-se de catedrais. É um documentário sobre catedrais. E um dos homens pede ao outro: "Descreve-me uma catedral." Esse homem é cego. O outro hesita, soma banalidades, diz que são monumentos enormes, feitos de pedra, que são tão altos que precisam de reforços para se susterem no ar, que pertencem a um tempo perdido (…).

O cego ouve-o. E propõe-lhe o seguinte: "Traz um papel e um lápis, deixa que a minha mão fique segura à tua e deslize-a enquanto me desenhas o que é uma catedral." Era um pedido insólito, mas ele não teve coragem de recusar. E assim foi. Primeiro desenhou uma caixa que parecia uma casa. Pôs-lhe um telhado e pináculos também. Acrescentou janelas com arcos e grandes portas.

O cego pediu-lhe ainda que desenhasse pessoas. "O que é uma catedral sem pessoas?" E, após isso, que ele fechasse os olhos e continuasse, sem medo, a desenhar. Como se apenas de olhos fechados se pudesse ver uma catedral. As duas mãos pareciam uma apenas, deslocando-se em silêncio sobre o papel, unidas uma dança errante, como se flutuassem. Ele nunca sentira nada assim. Estava em sua casa. Sabia que estava em sua casa. Mas, de repente, não tinha a certeza de que estivesse ainda ali.»

 

In.: MENDONÇA, José Tolentino, O pequeno caminho das grandes questões. Lisboa : Quetzal, 2017. p. 111

 

P.S.: Os 'links' são de minha autoria

Foto retirada do site SuperSporting

Peço desculpa…

… por não falar sobre a realidade do nosso clube.

 

 

A propósito do lançamento do livro/disco da gravação - inédita - de dois concertos de Zeca Afonso, ouvi na TSF uma entrevista feita ao jornalista Adelino Gomes e a outros responsáveis por este trabalho.

Nessa entrevista Adelino Gomes referiu-se a um outro concerto de José Afonso ocorrido nas Grutas de Lapas (Torres Novas) no dia 28 de Dezembro de 1968. Uma descrição desse espectáculo, organizado por um grupo de jovens ligados à Igreja, foi feita por uma jovem e publicado jornal Almonda, tendo – pasme-se a falta de atenção – passado no crivo da censura.

Não vou o adjectivar, simplesmente gostei do que li e transcrevi-o para vocês. Peço desculpa por alguma eventual gralha.

 

Peço, mais uma vez, desculpa por não falar do Sporting.

 

 

«Maravilhoso Espectáculo

NAS GRUTAS DE LAPAS

na noite de 28 de Dezembro

 

[CONVITE

Intimamos você a largar 30 paus e a comparecer pelas 21 horas (ameaçamos ser pontuais) de sábado 28/12/68, nas Grutas das Lapas, para ouvir o José Afonso, o José Amaro, o Jorge Vala.

Companheiros e paróquia das Lapas querem proporcionar-lhe uma noite basto gira.]

 

Recebi o convite ontem. O programa era tentador, por isso fui.

 

Grutas das Lapas, maravilhosas, iluminadas com luzes indirectas, cadeiras por todo o lado, que apesar disso não chegaram; não houve problema, sentámo-nos no chão.

Apesar de no programa o Padre Tiago ameaçar ser pontual, o José Amaro só começou a cantar às nove e meia. Cantou mais ou menos bem, mas foi um desapontamento ouvi-lo cantar o «Embuçado» — lembrei-me do João Ferreira Rosa. Acabou de cantar e logo nos surge o Jorge Vala, tal como o José Amaro, vestido sem preconceitos: umas calças velhas, uma camisola e uns sapatos de todos os dias. Escândalo para os mais velhos, faltava a gravatinha; para nós agradou, porque vimos que não era cenário, que era mesmo próprio da maneira de ser deles, marimbando-se do que os outros pensassem.

Recitou poesias do José Régio, Manuel Alegre e vários outros. Bem, nada exagerado, mas sentindo o que dizia. Relevo para a poesia «Rosas Vermelhas, dia 12 de Maio às 10 horas e 15 minutos».

O momento máximo aproxima-se e com ele surge José Afonso, sem preconceitos de espécie alguma, não se importando de ferir, de magoar, mas transmitindo-nos verdadeira poesia, nas suas baladas tão simples e ao mesmo tempo tão complexas.

Pediu desculpa, porque estava rouco, mas quando abriu a garganta e começou a cantar o «Menino do Bairro Negro», houve uma mudança total nas pessoas; as tosses e ruídos acabaram; nós, sentados no chão, em cadeiras, espalhados um pouco por toda a parte, ganhámos um pouco do mistério, da beleza, do sórdido, do que existia de inconformista na sua canção. O silêncio só era interrompido para cantarmos com ele o estribilho da canção. As nossas vozes não eram nossas,

eram as de todos aqueles meninos de Bairros Negros, existentes em todo o mundo.

E o Zeca Afonso continuou a cantar baladas tristes todas elas, mas tão belas, tão brutalmente reais: «Catarina», «No Tribunal» (adaptado de uma peça), «O Comerciante». «O Criado», «O Menino de Ouro».

O menino de ouro que é ainda mais abstracto do que o do Bairro Negro, mais difícil de atingir; «A Menina dos Olhos Tristes». E o José Afonso terminou com a «Balada dos Caídos», magnífica, dura, cruel, brutal. Choca-nos, acorda-nos do turpor em que as suas baladas anteriores, talvez mais fáceis, nos tinham feito cair.

Faz-nos vibra [sic], viver, nas grutas ouvia-se fazendo eco pelas abóbodas um cântico imenso, a reunião de todas as nossas vozes, vozes duras, que não podiam, mas exigiam, não éramos nós, mas sim todos os que tinham sofrido, que gritavam e gemiam.

E o José Afonso foi-se embora no meio de palmas loucas de nós que o admiramos, a ele que tem a coragem de lutar contra tudo e todos, contra o que julga que está mal; talvez ele às vezes esteja errado, talvez o seu ideal não seja o mais válido, talvez a política o domine e arraste, talvez, talvez, talvez... talvez... talvez... Há tantos talvez que ficam no ar e que não têm importância alguma. O que tem importância é que ele luta, ele grita, ele cria baladas, tentando construir um mundo melhor, tentando encontrar lugar nesse mundo para o criado, para todos os meninos de Bairros Negros que existem.

Nessa medida ele é grande, é um gigante e, além de tudo as suas baladas são belas, impressionam-nos porque a sua maior beleza reside na sua extrema simplicidade.

Em seguida Padre Fanhais, não estava sequer no programa, apareceu e, como todos sabemos que canta maravilhosamente, pedimos-lhe para o fazer.

É preciso ter ciasse e humildade, para cantar depois do Zeca Afonso; o Padre Fanhais fê-lo.

Com o Padre Fanhais — momento para o «Amor», para a compreensão. O José Afonso canta a guerra, a fome, o ódio. tenta construir um mundo mais válido; mas deixa-nos na interrogação, na dúvida. «É possível construir esse mundo em que há lugar para os que têm uma fome de estômago, uma fome fisiológica?» (J. A.) — ele já só pergunta e pede isso.

O José Afonso não nos diz se esse mundo é possível, leva-nos até a crer que a ambição, o egoísmo dos grandes, o impedem. Ele é assim inconformista, chora, grita por um mundo que sonha e não sabe se é realizável.

Ora o Padre Fanhais tem algo que falta ao José Afonso, tem fé.

Nas suas canções ele mostra-nos o que está mal, mas mais do que isso ele deixa-nos a sua mensagem, diz-nos que se nós quisermos poderemos mudar o mundo inteiro. E isso que noutros se tornaria caricato, um homem pensar que pode mudar o mundo — parvo. Nele, com ele, nós sabemos que é a verdade, ele sente o que canta, ele responsabiliza-se da esperança que nos dá.

E nós ainda inquietos, insatisfeitos contra tudo e todos, que julgávamos que o nosso ideal era irrealizável, sentimo-nos mais leves, mais sem problemas; porque um homem com fé, nos transmite a sua mensagem, mensagem essa nem sempre fácil, antes pelo contrário, mas na qual ele nos diz que se nós acreditamos de algo mas com todas as nossas forças, com todo o nosso Amor, nós consegui-lo-emos.

O Padre Fanhais cantou entre outras uma canção na qual o homem segue na noite, em busca de uma estrela, o seu ideal.

O estribilho não pode ser mais significativo e é:

Dura noite, noite bela / A caminho da estrela / Dura noite, noite bela / A caminho da estrela.

Cantou depois uma balada maravilhosa, uma balada de esperança, em que nos diz que o mundo é grande de mais, mas se todos os jovens do mundo derem as mãos, rodearão o mundo numa roda imensa.

E o Padre Fanhais cantou, cantou... e acabou com «Avisa-se», uma canção diferente das outras; o Padre Fanhais compô-la quando da morte de Luther King e Bob Kennedy. Como disse o P. Fanhais, o poema e a música há muito que bailavam na sua ideia, mas tinha de surgir uma ocasião para aparecer, nascer.

O P. Fanhais avisa toda a gente que por cada flor estrangulada, há milhares de flores hesitantes, mas que um dia se levantarão. Avisa-se por fim angustiadamente que é preciso mais flores, mais flores, mais flores.

Obrigámos o P. Fanhais a cantar três vezes o «Avisa-se». Ao fim quase chorávamos.

Portanto «Avisa-se» que tu deves ser uma flor, nós temos falta de flores.

Gritamos queremos um mundo em que todos os meninos de ouro e de Bairros Negros não passem fome de barriga.

Queremos um mundo melhor. Para isso não podemos estar parados esperando que os outros modifiquem o mundo, somos nós que temos de o fazer. Eu falo por mim, eu quero também fazer qualquer coisa na construção de um mundo novo; mas eu tenho medo de que me arrastem, confundindo-me e ao que quero para movimentos políticos. Eu quero, nós queremos, sabemos o quê? Mas os outros sabem-no?

E até poder descobrir o caminho a seguir eu só poderei cantar — Dura noite, noite bela a caminho da estrela.

Como eu desejo um dia encontrar essa estrela!

 

[Assinatura]

Madrugada de 29 de Dezembro/68»

 

In: Jornal O Almonda, n.º 2889 de 11 de janeiro de 1968

O novo violino

 

 

«Eu [Bruno Fernandes], o ritmista febril

Para quem o parágrafo de versos é uma pessoa inteira,

Para quem, por baixo da metáfora aparente,

Como em estrofe, anti-estrofe, epodo o poema que escrevo,

Que por detrás do delírio construo

Que por detrás de sentir penso

Que amo, expludo, rujo, com ordem e oculta medida,

Eu ante ti quereria ter menos de engenheiro na alma,

Menos de grego das máquinas, de Bacante de Apolo

Nos meus momentos de alma multiplicados em [golo]*

 

(…)»

 

Álvaro de Campos | Fernando Pessoa

 

(*) verso, na versão original.

Adulteração minha colocada em parêntesis rectos

 

In: Álvaro de Campos - Livro de Versos . Fernando Pessoa. (Edição crítica. Introdução, transcrição, organização e notas de Teresa Rita Lopes.) Lisboa: Estampa, 1993

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