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És a nossa Fé!

Amanhã

Amanhã, por esta hora, conheceremos todos a suave paz da vitória ou a fossa funda do infortúnio. São incomparáveis, ganhamos sempre por poucos e sofremos sempre por muitos. Mas além do esforço, da devoção, da dedicação e da glória, o ethos do sportinguismo conta ainda com um quinto valor: o dever. Queremos muito ganhar, mas se não ganharmos - e honra ao vencedor, qualquer que ele seja, se a sua vitória for limpa - por cá estaremos amanhã: nas horas boas como nas más, Sporting sempre.

À tarde tem outro sabor

Regressemos às belas tardes de futebol ao domingo. Dos tempos em que era obrigatório levar para a bola o farnel e o garrafãozito. Os arrais terrestres eram montados numa toalha aberta no chão, o pessoal sentava-se em cavaqueira e a tentar adivinhar se o Carvalho, o Geo, o Inácio ou o Futre iriam jogar conforme as décadas em que cada um de vocês já acompanhavam as gloriosas tardes de domingo do nosso Sporting. Hoje, temos de ir aplaudir, às 17.00, a equipa de Domingos Paciência contra o Beira-Mar. O aplauso e o grito Spoooooooorting!!! são essenciais para prosseguirmos a caminhada.

Nós estamos aqui

 

 

Quando eles pensam que desistimos, nós cerramos os dentes. Quando eles pensam que temos os braços caídos, nós gritamos o que temos e o que não temos aqui dentro. Quando eles pensam que estamos no chão, nós levantamo-nos com raiva e ódio. Quando eles pensam que desistimos, nós dizemos estamos aqui. Dizemos que estamos onde sempre estivemos. Não desistimos. Não cedemos. Não negociamos. Nós estamos aqui. Nós não negociamos.

O Sporting já nasceu campeão

Continua a ser patético que um presidente do grande Sporting prometa ou deixe de prometer um Sporting campeão. A ver se nos entendemos de uma vez por todas: o Sporting só não é campeão se a matemática assim o ditar. A existência do Sporting e a luta pelo campeonato é um pleonasmo. Não é preciso prometer ou deixar de prometer. É assim. Não vale a pena gerir expectativas, vir com panos quentes, megalomanias e crenças tresloucadas. Todos os sócios do Sporting sabem perfeitamente quando é possível ser campeão ou quando não é. Mais: ser do Sporting é isto mesmo, ser implicitamente candidato mesmo não tendo meios para o ser. Uma coisa vos garanto: prometerem-me coisas ou esfriarem as expectativas é o mesmo que esvaziar o Sporting da sua natureza. Muito maior que um bairro, muito maior que uma cidade. Tão grande como os maiores da Europa. Só quero trabalho, sangue, suor e lágrimas, Domingo atrás de Domingo. Não quero nem promessas vazias nem gestão de expectativas. Quero ir à bola porque o Sporting joga. Para ganhar. Sempre. Ponto final parágrafo.

Saber esperar

Pudemos até perder na Luz, nem eles sabem como, ou empatar com o Porto em Alvalade, mas este ano vamos à bola de outra maneira. Satisfeitos? Ainda não. Tranquilos? Muito, mas muito mais. Agora, a equipa bate-se sempre bem, honra a camisola. Agora, há apenas que saber esperar, e esperar que as decisões - que salta à vista terem sido as certas - produzam, no tempo próprio, os inevitáveis resultados. Esforço, dedicação, devoção, glória - e tranquilidade: eis o que deve ser o Sporting.

Logo à noite

 

foto de Andreas Gursky, Dortmund, 2009

(a célebre e intimidante "Die Wand" no topo norte do estádio do Borussia Dortmund)

 

Hei de ir para o estádio com pés de chumbo, maldizendo 7 vezes a sorte que me fez ser sportinguista. Malvada paixão em literal sentido bíblico, legítima tragédia grega, este sofrimento ao qual nos entregamos como se fosse inevitável e não houvesse a alternativa de ficar em casa descansado a ver o jogo na TV. Não há desafio, destes carregados de eletricidade, em que mal entreveja o céu de chumbo iluminado pelo halo do estádio, não me acometam angústias: o que faço aqui? Porque entrego desta maneira a minha alegria ao que podem conseguir 14 futebolistas?

Quando o árbitro (e logo que bisca nos havia de ter calhado!) apitar o início, hei de desejar que já tivessem passado os 90’ para acabar com aquele sofrimento e desde logo sonho como seria bom marcarmos 3 golos no primeiro quarto de hora, para que o resto da partida fosse uma festa, sabendo que isso não vai acontecer e hei de beber esta taça de veneno até ao fim.

 

Hei de ser constantemente atravessado pelo arrepio dos moribundos quando os outros, infames, ganharem um lance, se aproximarem a menos de 20 metros da nossa baliza, ou marcarem um canto. E se o Polga esquece que já não estamos no ano passado? E se o Onyewu escorrega? E se o Carriço jogar?

Hei de ficar desiludido cada vez que o Capel o Elias ou o Ricky peguem na bola e não fizerem aquele golpe de magia que tudo decide; abre o livro!, grito eu da bancada e eles surdos ao meu tormento.

Hei de ficar prostrado com o nosso primeiro golo, sem forças para exultar, por achar que veio ou cedo ou tarde demais e será efémero se não lhes aplicarmos um golpe que os ponha KO. Como é pequena a alegria dos sacrificados, sempre ensombrada pelo desastre.

 

Se eles, os outros, os infames, marcarem um golo, hei de olhar para o lado estupefacto, para o silêncio dos que me rodeiam, a tentar perceber se aquilo foi verdade e aconteceu mesmo; talvez tenhamos visto mal e a bola foi fora, talvez tenha havido uma falta antes e o árbitro ainda anule aquela desfaçatez.

Se perdermos hei de concluir que aqui está de novo o Sporting do Mirko Jozic, muita parra e pouca uva; se ganharmos hei de fazer contas para os pontos que ainda nos falta recuperar, se empatarmos não saberei o que hei de pensar.

 

Ir ao futebol não é um passatempo, não é um divertimento, é uma provação que haveremos de atravessar. Então porque vais, pergunta-me a minha mulher, sensata e atónita? Porque não tenho outro remédio…

Tomara que já fosse domingo de manhã.

Ivone

Quando o Sporting foi campeão com Inácio, assisti a dois episódios inesquecíveis. O primeiro foi na bancada de Vidal Pinheiro (conhecido como quintal pinheiro), a poucos minutos do final. Eu estava imediatamente atrás do nosso banco de suplentes e um jogador saltava em cima do banco como se não houvesse amanhã. Entoava os cânticos connosco, até nos dar a sua camisola durante a festa final. Esse jogador não era das escolas, deve ter visto o Sporting pela televisão umas três vezes na vida, mas nunca mais me saiu da memória. Era italiano - o único italiano campeão - e chamava-se Ivone De Franceschi. Conclusão: ser da cantera nem sempre é sinal de amor ao clube e alto profissionalismo. Ivone esteve apenas alguns meses em Alvalade e deu tudo o que tinha em todos os jogos. Foi um grande campeão. Quando regressou a Alvalade com a camisola do Chievo, há uns verões atrás, foi longamente ovacionado de pé.

O segundo episódio é com o mesmo jogador. Chamado à SAD, já depois de terminado o campeonato, saiu em lágrimas do estádio. Tinha sido dispensado, ou melhor, o clube não tinha accionado a cláusula de opção, julgo eu. Para um sócio de coração, não de carteira, o que interessa é apenas isto: é indiferente se vem de Alcochete e é um "activo" para vender no futuro; o relevante é que tenha ganas de vestir a camisola e ganhar coisas. Aqui.



Uma crença, só pode ser isso

 Campeões nacionais de atletismo 1976. Reconhecíveis ao centro: Armando Aldeagalega, Carlos Lopes, Fernando Mamede; yours truly é o 4º a contar da esq. 

 

- Obrigado Pedro Correia, por me ter convidado para o coro desta igreja!

 

Não me lembro da primeira vez que fui à bola. Mesmo antes de me conhecer, certos Domingos à tarde ia pela mão de meu pai a Alvalade. Lembro-me de sempre lhe pedir para comprar um daqueles chapeuzinhos de cartolina cónicos, que eu achava divertidíssimos e práticos, e ele demitir tal ideia com um incontestável não sejas piroso. E foram tantas as vezes que ele cedeu em comprar-me uma bandeirinha do Sporting, quantas as que as perdi no tropel da multidão à saída.

Durante a adolescência odiei o futebol, sobretudo o do Sporting. Então nós, os do atletismo (e já agora, os do andebol, do hóquei, do boxe, do tiro, do ténis de mesa, do basquete), é que ganhávamos as taças e os trambolhos do pontapé na bola passeavam pelos corredores do 10A armados em bons? Só não fiz rugby no Sporting porque da modalidade o Sporting apenas ficou com as camisolas, mas acabei por jogar na Agronomia que também se equipava às riscas verdes e brancas, embora fininhas.

Quando li “Fever Pitch” de Nick Hornby, tive a sensação que ele plagiara o livro que eu não havia escrito. Também não sei o que responder quando ela me pergunta “em que estás a pensar?”, porque estou a pensar na tática do Sporting, o que é digno de uma admoestação conjugal com justa causa; também a mim me bastaria ser recordado como um sportinguista quando fosse a enterrar.

Perdoem a vaidade, mas não autorizo ninguém a dizer que é mais sportinguista que eu. E tenho métrica para arrasar qualquer veleidade de comparação: 1) sócio há mais de 50 anos; 2) dois lugares cativos no estádio (setor 3, fila 23, 9&10) depois de ter tido dois lugares no estádio antigo, enquanto ele durou; 3) contribuí em pelo menos 5 taça, das que refulgem na sala dos troféus. Apenas concedo primazia à Sra. D. Maria José Valério e, por razões diferentes, ao Paulinho.

Só em duas ocasiões chorei em Alvalade. A primeira aconteceu na noite de 24 de Outubro de 1990: quando Bozinowski estampou o sétimo selo nos atarantados romenos do Timisoara, transportado pela euforia virei-me para abraçar o meu pai, esquecendo que ele tinha morrido na semana anterior. A outra foi num álgido fim de tarde de Maio de 94, quando o petulante Queiroz (nunca lhe perdoei e sempre tive razão!) substituiu o Paulo Torres pelo Pacheco e vi um dique rebentar, por onde jorrou uma pestilência avermelhada – até os céus choraram comigo nesse crepúsculo.

Resgatei-me de tais mágoas em 1999 quando cumpri a promessa de andar um dia com o cabelo tintado de verde.

O Sporting tem-me dado mais penas do que alegrias, é verdade, mas o que querem – é a vida…

Ser sportinguista, ser diferente?

Há a divisa clássica: esforço, dedicação, devoção e glória - eis o Sporting. Ela atravessa os tempos de um clube centenário, que se definiu logo como 'de Portugal', matriz aglutinadora de adeptos que, no ato fundador, quiseram abranger todo um país, não um bairro ou uma cidade. Mas, tendo estes referentes como ponto de partida, que há de novo, que deve haver de novo no sentir e na imagem de um clube? Por vezes me pergunto isso, como adepto e como sócio, e sempre as respostas se me encaminham para uma ideia continuada de modernidade.

Ser sportinguista é ser diferente em quê? Ser diferente, como adepto: sentir o clube como uma comunidade solidária, no apoio às nossas cores, aos nossos atletas,tomando como exemplo os clubes ingleses - resistindo ao «8 ou 80», dando ânimo nos momentos dificeis,como acontece numa familia (somos uma familia, não é?, a 'familia sportinguista'). Ser visionário, como clube: como o fizemos quando criámos uma escola de formação, referenciada no mundo como de alta qualidade.  Ser realista, como sócio: entendermos que o futebol mudou, que o clube tem de ser entendido como uma empresa bem gerida e pragmática, em tempo de mercados globalizados. E que só isso nos permitirá manter a ilusão e o sonho.

A nossa capacidade para ser realmente diferente dependerá da nossa capacidade em entender a realidade num mundo (futebolístico) em mudança. A nossa modernidade tem a ver com comportamentos, perspetivas e prospetivas. Raízes no sempre, olhos num futuro sustentável.

Voltarei a estes temas, em próximas entradas no blogue.

A culpa é da genética

Eu gosto de não gostar do Benfica. Eu sou daqueles que nunca na vida dirão "benfiquistas": ali, serão sempre os "lampiões". Eu sou daqueles que querem que o Benfica perca sempre, seja uma final da Liga dos Campeões contra o Real Madrid ou um jogo de treino contra o Bobo Sport do Burkina Fasso. Eu sou daqueles que têm orgulho por ter chorado quando o Liedson chorou. Eu sou daqueles que todos os domingos estavam na "curva" do velho Alvalade quando há anos não ganhávamos nada. Eu sou daqueles que acreditam em "nós". Eu sou daqueles que consideram com convicção que todos os árbitros são produtos embalados pelos nossos adversários. Eu gosto de não gostar do benfica. Não sei ser do Sporting sem não gostar do Benfica. Até gostava de não gostar do Porto como não gosto do Benfica, mas o Porto não é bem um clube, é uma experiência genética falhada, é o passo que antecede o homo sapiens. A culpa não é minha. É a genética.

O cartão

O ano começou com a Maria Rita, novo membro da família, a receber o cartão de sócia. A Clara, antes dela, já o leva na mochila para a escola. A minha avó, que as inscreveu, fez uma notinha num cartão: "A Rita já é do nosso clube".

O Sorting e a família andam a par e passo. Lembro-me até hoje dos primeiros jogos onde o meu avô me levou, ao velhinho Estádio de Alvalade. A Clara, agora com quatro anos, pouco liga à bola - mas fala do Sporting como o "clube do papá". Esta semana ouvia a música do hino de Portugal e dizia que era a música do Sporting. Linda.

Na verdade, a Clara raramente diz que é do Sporting. Como a mãe é academista, vai estrear-se na mais que provável final da Taça deste ano: Sporting-Académica. Fará caminho, como eu, para escolher o seu clube do coração.

 

Da simplicidade

Enquanto doente leonino, não me interessa nem nunca me interessou a qualidade do futebol do Sporting. Só me interessou e interessa ganhar. Repito: ganhar. Não sendo possível isto, só me interessa e continua a interessar uma coisa: que o Benfica não ganhe. É tão simples como isto.

Sporting, sempre

Um grande amor e uma grande causa como o Sporting Clube de Portugal merecem todo o esforço, dedicação e devoção. É isso que faço desde que me conheço e jamais pedirei o divórcio, mesmo que esta relação, tantas vezes, me traga desilusões. Não tenho o mesmo sentimento com o Porto que tenho em relação ao Benfica. Em boa verdade, ninguém que se senta no mágico José de Alvalade tem. Por isso só posso desejar que o grande Sporting ganhe três pontos. Não quero saber se joga bem e bonito. Não quero saber de tácticas nem do onze titular. Só quero ganhar. Ganhar hoje, quarta-feira, domingo que vem, sempre. Mas gostava que, como num mítico passe de Secretário para Alberto "Matador" Acosta, um qualquer tripeiro estendesse a passadeira do golo a Wolfswinkel. No último minuto. Um vitória de raça, com orgulho verde e branco, que puxe por tantos como eu que amam o Sporting e gostam assim-assim de futebol. Porque no dia em que esta equação se inverter na minha cabeça, o futebol passará a ser um desporto como os outros, e isso será o princípio do seu fim. Sporting, sempre.

 

Texto originalmente publicado no Diário de Notícias, a 27 Novembro 2010, no dia de um Sporting-Porto. Em vésperas de jogo grande em Alvalade, recupero-o com uma única alteração: Wolfswinkel no lugar de Postiga. Faz toda a diferença.

{ Blog fundado em 2012. }

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