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És a nossa Fé!

Armas e viscondes assinalados: Nem o VAR impediu um tremendo keizercídio

Sporting 2 - Benfica 4

Liga NOS - 20.ª Jornada

3 de Fevereiro de 2019

 

Renan Ribeiro (2,0)

Será que o brasileiro só carregou o jogador do Benfica pelo prazer de tentar defender uma grande penalidade, claramente o tema da sua dissertação na universidade pontifícia dos goleiros? Ficou a centímetros de voltar a  superiorizar-se ao marcador, mas lá foi buscar a bola ao fundo das redes. Algo que fez seis vezes em cerca de 100 minutos, valendo-lhe que um dos golos do Benfica foi anulado por fora de jogo e outro por uma falta no início da jogada que o videoárbitro forçou Artur Soares Dias a assinalar apesar de o árbitro portuense estar tão interessado nisso quanto a Rússia e a China estão interessadas em reconhecer Guaidó como presidente interino da Venezuela. (Diga-se, em abono da verdade, que Renan Ribeiro fez algumas defesas providenciais, contribuindo para que a goleada ficasse aquém do estatuto de humilhação histórica.)

 

Bruno Gaspar (1,5)

Esforça-se sempre muito, o que por vezes permite disfarçar a sua gritante falta de apresentação formal à arte do futebol. Não foi o caso deste jogo, pois abriu avenidas para o ataque benfiquista mais largas do que aquelas que Albert Speer iria construir em Berlim caso os nazis vencessem a II Guerra Mundial. Mas felizmente os boches acabaram da mesma forma que os lances de perigo do Sporting tendem a acabar sempre que passam pelos pés do lateral-direito a quem Hélder Malheiro, artista convidado do Vitória de Setúbal-Sporting, ofereceu a titularidade neste e no seguinte derby lisboeta – já na quarta-feira, no Estádio da Luz, e a contar para a primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal –, ao expulsar o macedónio Ristovski.

 

Coates (2,0)

A tarde de pesadelo voltou a terminar com o uruguaio enquanto único central leonino, numa variação dos tempos em que Jorge Jesus o forçava a tornar-se ponta de lança nos últimos minutos. Mais lento a reagir do que o habitual, o que indicia aquele cansaço físico que lhe é sempre negado, deu excessiva liberdade aos avançados adversários e contribuiu para o 0-1, melhorando à medida que o jogo avançava para o fim. Só que entretanto a equipa já tinha sofrido quatro golos.

 

André Pinto (1,0)

Entrou em campo com uma máscara a proteger-lhe o nariz, após ter feito uma cirurgia na sequência daquele banho de sangue que valeu a Taça da Liga ao Sporting. E é bem possível que a dita máscara lhe tenha prejudicado a percepção do tempo e do espaço, tendo em conta a forma como deixou Seferovic e Ruben Dias cabecearem para golo – sem falar na incapacidade de cortar a bola rasteira que isolou João Félix. Foi substituído quando Marcel Keizer acordou, tarde e a más horas, para a hipótese de ainda virar o resultado, e com um pouco de sorte ninguém o reconhecerá sem a máscara, como tantas vezes sucede nos livros de banda desenhada.

 

Jefferson (2,5)

Tinha Borja no banco e Acuña ainda longe da Rússia, mas foi de longe o único elemento da linha defensiva do Sporting que sabia minimamente o que estava a fazer. Sempre lutador, fez diversos cruzamentos de qualidade, um dos quais poderia perfeitamente resultar em golo se Diaby não tivesse desviado para a baliza, estando em fora de jogo, a bola que iria chegar a Bas Dost.

 

Gudelj (1,5)

A derrota leonina na batalha do meio-campo passou em grande parte pelo elemento que deveria ter maior capacidade de impor o físico a Samaris, Gabriel e Pizzi. Não só não conseguiu como voltou a demonstrar extrema debilidade na saída com bola, ao contrário de Idrissa Doumbia (aquele reforço que passou de titular a não-convocado em menos de uma semana), e fraquíssima eficácia nos remates de longa distância. Muito do que tem de mudar no futebol do Sporting passa por esta posição.

 

Wendel (2,5)

Bom de bola, e mexido ao ponto de compensar a falta de poder de choque, o jovem brasileiro procurou levar a equipa a melhor destino do que aquele que lhe estava reservado. Mas nada resultou como planeado, muitos passes foram interceptados e o cansaço acumulado nas pernas, sobretudo desde que Miguel Luís deixou de contar para as contas do Keizer, impediu-o de chegar mais longe.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Levou os sportinguistas a sonharem com uma improvável reviravolta quando fez o 1-2, através de um remate magnífico em força e colocação, mesmo no final da primeira parte. Antes e depois disso distinguiu-se sempre pela vontade indomável de enfrentar um adversário que muitos colegas encararam como um adamastor, lutando por cada bola como se fosse a última. Mas nem ele está imune à desconcentração. Perdido que está o título, tal como provavelmente o lugar de acesso à pré-eliminatória da Champions, talvez até o terceiro lugar, é hora de gerir melhor o seu talento. Indispensável nas meias-finais da Taça de Portugal e na Liga Europa, será que tem mesmo de aguentar todos os minutos de todos os jogos?

 

Nani (2,5)

Fez a excelente assistência para o golo de Bruno Fernandes e recebeu como recompensa... ser substituído no intervalo. Não estava a ser o pior de entre os verdes e brancos, combinando muito melhor com Jefferson na esquerda do que Raphinha com Bruno Gaspar na direita, mas Keizer optou por sacrificá-lo numa jogada estratégica que implodiu logo após o reatamento, com o terceiro golo do Benfica.

 

Raphinha (2,0)

Todo o seu inegável talento revelou-se infrutífero num jogo em que pareceu contaminado pelos desajustes estruturais do colega de ala. Manteve-se ainda assim no relvado quase até ao fim, tendo como melhor momento um livre directo que embateu no poste.

 

Bas Dost (2,5)

Teve de ser o videoárbitro a permitir-lhe cobrar com sucesso a grande penalidade a castigar o guarda-redes do Benfica que não tem cara de adolescente de género fluido, expulso (muito) “a posteriori” por derrubar o holandês. Traumatizado com a indiferença de Artur Soares Dias, sempre disposto a deixar que os adversários o carregassem pelas costas, o avançado começou a resguardar-se nos duelos aéreos, rubricando mais uma exibição que leva os adeptos a suspirarem pelos bons tempos de há um ou dois meses.

 

Diaby (2,5)

Lançado ao intervalo para mexer com o ataque leonino, cumpriu melhor a missão do que tem vindo a ser seu hábito. Na retina ficou um lance em que se embrenhou na grande área adversária, junto à linha de fundo – pena é que o árbitro já tivesse decidido marcar canto –, tal como uma diagonal em que o remate saiu torto e fraco. Ainda fez abanar as redes, reagindo ao cruzamento de Jefferson, mas estava (mesmo) em posição irregular.

 

Jovane Cabral (-)

Reapareceu na equipa perto do final do tempo regulamentar, jogando dez minutos que na era Peseiro bastariam para marcar golo, sofrer penálti ou assistir um colega. Mas a ausência prolongada secou-lhe a aura de salvador e pouco ou nenhum efeito teve a sua entrada.

 

Luiz Phellype (-)

Entrou depois da expulsão do guarda-redes do Benfica, sem nada conseguir demonstrar nos sete minutos de descontos.

 

Marcel Keizer (1,0)

Deve ao videoárbitro João Pinheiro, capaz de impedir Artur Soares Dias de se envergonhar tanto quanto a esmagadora maioria dos jogadores do Sporting, não ter ficado associado a um dos piores desaires caseiros frente ao Benfica. E não se pode dizer que tenha merecido a relativa salvação, pois o keizercídio começou logo na convocatória, na qual Petrovic era a única opção para o meio-campo, e continuou ao longo de toda a segunda parte, adiando a segunda e terceira substituição enquanto o adversário fazia o terceiro e o quarto golo da mesma forma que poderia perfeitamente ter feito o quinto e o sexto. Ultrapassada a fase da euforia, directamente para o Inverno do descontentamento dos sportinguistas, o treinador holandês vem de uma sucessão de jogos mal conseguidos, quase sem rotação de titulares cada vez mais exaustos, e precisa de procurar no espelho o principal responsável pelo adeus definitivo ao principal objectivo da temporada. Volta a encontrar o Benfica na quarta-feira, espetando-se que algo mude e que, já agora, não seja para tudo ficar igual.

Armas e viscondes assinalados: Quando a cabeça não tem juízo o Sporting é que paga

Vitória de Setúbal 1 - Sporting 1

Liga NOS - 19.ª Jornada

30 de Janeiro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,5)

Salvou o ponto possível nos descontos, quando Nani fez um atraso de bola calamitoso e ofereceu um segundo golo dos setubalenses que o brasileiro não deixou acontecer. Teria sido o pior castigo imaginável para quem começara a tornar-se mero observador depois de uma primeira parte trabalhosa, e na qual foi deixado à mercê do adversário no lance do golo que ajudou as duas equipas que não chegaram à final da Taça da Liga a adiantarem-se na luta pelo outro lugar de acesso à Liga dos Campeões que não implica vencer o campeonato.

 

Ristovski (2,0)

Pareceu-lhe que era boa ideia gritar com um árbitro que aos dez minutos já tinha amarelado o colega que evitou ser expulso por acumulação e preferiu deixar escapar o autor do golo da equipa da casa. Tudo bem que o macedónio teve uma ligeira atenuante: Hélder Malheiro nem falta marcou ao adversário que lhe desferiu uma cotovelada capaz de fazer nascer de imediato um enorme galo na testa. Expulso quando a equipa tentava inverter o resultado negativo, ainda demonstrou dotes de ninja ao partir uma bandeira de canto com um pontapé, pelo que a suspensão que irá receber por ter sido agredido à cotovelada enquanto o videoárbitro metia sal nas pipocas é capaz de o afastar de mais jogos além da recepção ao Benfica. Diga-se, em abono da verdade, que não estava a fazer um jogo brilhante antes de perder a cabeça em mais do que um sentido.

 

Coates (4,0)

Terminou o jogo como único central leonino e, tendo em conta que toda a gente que joga ao seu lado acaba por sucumbir à fadiga muscular ou partir o nariz, talvez seja altura de apostar no 3-3-4 depois de o 3-2-4 ficar muito perto de valer três pontos. O uruguaio voltou a mostrar a razão para, se houver justiça antes do reino dos céus, acreditar que ainda conseguirá grandes conquistas ao serviço do Sporting. Incansável a defender, com uma única falha que teve de resolver com o agarrão que lhe valeu um cartão amarelo que ficou colado no bolso em intervenções homólogas de adversários, manteve a média de cortes providenciais e integrou-se com extrema raça e critério em jogadas de contra-ataque. Não conseguiu marcar, mas pode ser que se esteja a guardar para os principais beneficiários dos dois pontos deixados em Alvalade.

 

Petrovic (2,5)

Já habituado a estar em campo com o nariz fracturado, desta vez teve direito a uma máscara facial para o proteger após ter sido operado. Infelizmente faltou-lhe protecção contra quem lhe mostrou o amarelo aos dez minutos, o que o dissuadiu de derrubar o autor do golo do Vitória de Setúbal. Compensou a falta de velocidade, perigosa ao enfrentar avançados rápidos, com entrega e bom timing nos cortes, acabando por ver-se sacrificado na hora do tudo por tudo.

 

Jefferson (3,5)

Com Acuña de partida e Borja de chegada, ninguém mais havia para titular. Facto: no primeiro quarto de hora de jogo fez dois cruzamentos aos quais só faltava um lacinho, mas Bas Dost desperdiçou os presentes do brasileiro com duas cabeçadas muito aquém dos mínimos. Jefferson não esmoreceu e passou o jogo inteiro a cruzar bolas, quase sempre em boas condições, sem que ninguém quisesse corresponder ao esforço de quem terminou só com dois colegas na linha defensiva.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Os primeiros minutos ao serviço do Sporting mostraram que pode ser uma solução muito mais dinâmica do que Gudelj para a posição 6. Ainda que não tenha convencido completamente no que toca a poder de choque, o reforço de Inverno é capaz de acelerar jogadas, tem visão de jogo e poderá ser muito útil em jogos vindouros. No desafio em apreço acabou por ser substituído para que o 3-2-4 aparecesse em Setúbal, sem o efeito obtido aquando de outra aparição, cento e tal quilómetros mais a norte.

 

Wendel (3,0)

Tentou resolver o problema com remates de média distância, após desperdiçar uma ocasião dentro da grande área, e em posição frontal, devido a uma overdose de fintas. Terminou muito cansado, visto que o ónus de jogar com menos um recaiu em grande parte sobre o meio-campo, o que não o impediu de a poucos minutos do final embrenhar na área e servir Bruno Fernandes para uma das melhores oportunidades de consumar a reviravolta.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Conseguiu três grandes proezas - o remate oportuno que Bas Dost desviou para golo, resistir às recorrentes cacetadas dos adversários e chegar ao fim sem o segundo amarelo ao engolir palavras perante as artimanhas de um novo valor da arbitragem nacional -, e só lhe faltou um pouco de sorte para manter o Sporting próximo das duas equipas que não foram à final da Taça da Liga e lutam pelo lugar de acesso à Liga dos Campeões que não implica vencer o campeonato. Voltou a fazer passes emolduráveis e mesmo um cruzamento que só não foi perfeito porque Raphinha provou ser bastante mau a cabecear.

 

Raphinha (3,0)

Tirando aquela parte de ter recebido um cruzamento perfeito no coração da grande área e ter cabeceado sem nexo ao lado da baliza? O brasileiro voltou a agitar o ataque leonino, produzindo uma sucessão de jogadas que ninguém fez o favor de aproveitar. Na hora de desespero, sendo necessário Nani em campo, foi ele a sair em vez de Diaby, por razões que só Keizer conhece.

 

Diaby (2,0)

Bem tentou disputar bolas dentro da grande área adversária, mas Oliver Torres não foi emprestado ao Vitória de Setúbal, pelo que ninguém o chegou a carregar de forma tão flagrante que nem o ‘dream team’ para ali mobilizado pudesse ignorar. Particularmente penoso foi assistir à tentativa de pontapé de baliza em que se estatelou após falhar a bola.

 

Bas Dost (3,0)

Marcou um golo de elevada nota artística, com um toque com “a parte lateral do pé” e de costas para a baliza, mas passou o resto do tempo a recordar os adeptos e colegas de que anda de cabeça perdida no que respeita a utilizá-la para desviar bolas para o fundo das redes. Qualquer momento será apropriado para retomar aquela média de concretização que chegava a parecer demasiado boa para o rectângulo à beira-mar plantado.

 

Bruno Gaspar (3,0)

Chamado a jogo após a expulsão de Ristovski, combinou bem com Nani e fez um bom cruzamento que contribuiu o golo do empate. Também se aguentou bastante bem nas missões defensivas, ainda que uma linha de três com Coates no meio seja meio caminho andado para o sucesso.

 

Nani (3,0)

Tinha pouco mais de meia hora para ajudar a virar o resultado e livrar-se de ver o amarelo que o afastaria da recepção ao Benfica. Cumpriu o segundo objectivo e fez tudo o que estava ao seu alcance para atingir o primeiro, incluindo driblar um quarteto de adversários até ser derrubado. Pena é que tivesse ficado a um passo de oferecer a vitória ao Setúbal com um atraso incrivelmente disparatado.

 

Luiz Phellype (2,0)

Voltou a não conseguir fazer a diferença nos minutos que ficou em campo. Aguarda-se que isso suceda, mais cedo ou mais tarde, pois até ao presente momento não justificou a contratação.

 

Marcel Keizer (2,5)

Viu-se forçado a entregar a titularidade ao facialmente desafiado Petrovic, face à ausência de Mathieu e à falta de coragem para arriscar no corpulento Abdu Conté, apostou na estreia de Idrissa Doumbia face ao castigo de Gudelj, e deixou Nani no banco. Podia ter corrido bem, mas não era noite para isso, e se a desvantagem não levou o holandês a ser particularmente criativo, talvez por crer que o seu compatriota acabaria por cabecear decentemente , ficar com menos um jogador teve o condão de agitar a imaginação do pioneiro das tácticas 3-3-3 e 3-2-4, essa última prejudicada pela ineficácia do segundo avançado-centro. Mais difícil de explicar é o critério para prescindir de Raphinha em vez de Diaby.

Armas e viscondes assinalados: Onze de cada lado e no final ganha o Sporting nos pénaltis, mesmo que a sangrar do nariz

Sporting 1 - FC Porto 1 (3-1 no desempate por grandes penalidades)

Taça da Liga - Final

26 de Janeiro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,5)

Desta vez só defendeu um pénalti, mas a sua aura de especialista contribuiu para que Éder Militão e Felipe falhassem o alvo, pelo que é justo chamar-lhe herói da revalidação do título de vencedor da Taça da Liga, nas pisadas de Rui Patrício, também sujeito a desempate por grandes penalidades na meias-finais e final da edição anterior. Foi a melhor forma de o brasileiro se redimir pelo golo do FC Porto, nascido de uma defesa incompleta e atrapalhada para a frente. Poucas vezes posto à prova, apesar do enorme domínio dos adversários na segunda parte, ainda fez uma defesa magnífica a um cabeceamento de Felipe.

 

Ristovski (3,0)

Encontrou o irrequieto Brahimi e o pendular Alex Telles pela frente, o que em nada contribuiu para a sua participação no esforço ofensivo. Numa das raras ocasiões em que o fez decidiu mal, optando por um remate torto à entrada da área quando poderia ter servido Bas Dost, que estava em posição frontal e livre de cobertura. Restou-lhe fazer um jogo de grande sacrifício, sempre incansável e sem medo do contacto físico, até à maior vitória de um macedónio desde os tempos de Alexandre.

 

Coates (4,0)

Quis o destino e a chuteira direita que fosse o único sportinguista a falhar no desempate por grandes penalidades. Como diria um ex-dirigente do clube, seria chato se o melhor jogador em campo ficasse ligado à derrota por causa disso. Felizmente não sucedeu essa gritante injustiça para o uruguaio, desta vez sem Mathieu ao lado, que foi vendo colegas de eixo defensivo caírem ao relvado com o nariz a sangrar enquanto fazia mais cortes nas jogadas prometedoras do FC Porto do que Mário Centeno tem feito nas despesas sociais.

 

André Pinto (3,5)

Mal o jogo tinha começado e já estava a fazer um excelente corte ao cruzamento de Corona, livre como um pássaro na ala direita. Serviu de mote para uma primeira parte de grande nível, na qual contribuiu para ultrapassar o sufoco inicial e lançar a equipa para o domínio improvável com que o Sporting chegou ao intervalo. Mas estava escrito que seria uma final azarada para o central português: antes do intervalo viu um amarelo (questionável) ao carregar Marega e depois da reentrada em campo fracturou o nariz numa disputa de bola com o mesmo avançado. Ainda tentou manter-se no relvado, com duas compressas ensopadas de sangue em cada uma das narinas, mas viu-se forçado a sair.

 

Acuña (2,0)

Tudo indica que a final da Taça da Liga foi o último jogo do internacional argentino pelo Sporting, e o mínimo que se poderá dizer é que terá sido uma despedida inglória. Tremendamente ineficaz a conter as incursões de Corona, também não muito mais eficaz a fazer cruzamentos para a grande área portista, e claramente no modo “rebelde sem causa” que atrai cartões amarelos, Acuña foi substituído ao intervalo. Se for mesmo para o Zenit deixará saudades por muitos outros jogos que não este.

 

Gudelj (3,0)

Depois de numerosas exibições a puxar para o fraco, eis que deu um ar da sua graça e lidou com os líderes da Liga NOS da mesma forma que um seu conterrâneo lida com donos de restaurantes manhosos noutro programa da grelha da TVI. Sem ter feito uma exibição isenta de erros - tanto deixou que Felipe cabeceasse para a melhor defesa de Renan como fez uma tentativa ridícula de remate à entrada da grande área -, empenhou-se em não deixar que os outros vencessem pela primeira vez a Taça da Liga com o tipo de determinação que os sérvios costumam reservar para os croatas, bósnios ou kosovares. Saiu após o golo de Fernando, quando Marcel Keizer apostou tudo no ataque, mas deixou a sua marca.

 

Wendel (3,0)

Destacou-se a sair com bola para o meio-campo adversário, sem qualquer medo de apostar no um contra um ou no um contra dois. A qualidade intrínseca do jovem brasileiro acabou por sair afectada do desgaste acumulado na segunda parte, ao ponto de controlar mal um belíssimo passe de Nani para dentro da área portista, e não fossem as circunstâncias particulares do jogo poderia muito bem ter dado lugar à entrada de Miguel Luís.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Merecia que Raphinha tivesse aproveitado melhor o passe de qualidade sobrenatural com que, pouco antes do apito final, fez algo à defesa portista que deveria tê-lo forçado a casar com ela. Apenas um dos toques de génio com que demonstrou estar a regressar à melhor forma, e que permitem ao Sporting viver acima das suas possibilidades. Já no último lance da primeira parte o deixara bem claro, na cobrança de um livre directo que saiu a centímetros do poste. Melhor esteve no desempate por grandes penalidades, demonstrando uma eficácia e frieza tais que o guarda-redes do FC Porto podia ter aproveitado para ler os clássicos naqueles segundos que passou a decidir para onde se lançaria.

 

Nani (3,5)

Ergueu o primeiro troféu desde o segundo regresso a Alvalade e contribuiu bastante para esse desfecho. Pertenceu-lhe o primeiro remate do Sporting, muito forte mas também bastante ao lado, aproveitando uma assistência de... Bas Dost, procurou sempre entregar a bola melhor do que a recebeu e voltou a procurar servir os colegas. Até redescobriu alguma velocidade nas pernas no lance em que respondeu ao golo portista com um cruzamento a que Bas Dost não conseguiu corresponder da melhor forma. 

 

Raphinha (3,0)

Apresentou a velocidade como cartão de visita, o que lhe poderia ter valido um golo caricato, visto que a bola embateu violentamente no seu corpo ao acercar-se de um alívio fora de tempo do guarda-redes portista. Também na segunda parte, servido por... Bas Dost, foi placado por Felipe quando tinha condições para isolar-se frente ao guarda-redes. Pena a falta de eficácia nos instantes decisivos, como aquele em que permitiu a defesa que impediu a consumação da reviravolta leonina sem necessidade da “lotaria dos pénaltis”, ainda que seja aquele tipo de lotaria em que são onze contra onze e no final o Sporting ganha.

 

Bas Dost (3,5)

Muito mais interventivo do que nos últimos jogos, o holandês aproveitou o mau momento de Pepe e Felipe para ganhar bolas no contra-ataque e assistir Nani e Raphinha em jogadas perigosas. Pouco solicitado pelos colegas no seu “core business”, não hesitou em ajudar a defesa nos momentos de maior domínio do FC Porto e também não ficou longe de conseguir empatar logo após o deslize de Renan. Redimiu-se com a calma glaciar com que cobrou o pénalti que caiu do céu, repetindo a proeza, com menos força, direcção e estilo, no arranque da série que valeu a Taça da Liga ao Sporting.

 

Jefferson (2,5)

Lançado após o intervalo para o lugar de Acuña, o lateral-esquerdo brasileiro não teve tarefa fácil no um contra um com Marega, com quem trocou empurrões e palavras nada meigas (naquela que foi a maior brecha da noite no “fair play” até Sérgio Conceição ordenar à equipa que recolhesse aos balneários antes da entrega da Taça ao Sporting, e um dos seus adjuntos ter recorrido à medalha de finalista como arma de arremesso contra um adepto leonino). Mas aguentou a pressão e quase merecia ser feliz num cruzamento que lhe saiu mal ao ponto de forçar Vaná a uma defesa apertada para canto.

 

Petrovic (4,0)

Entrou para o lugar de André Pinto quando o central fracturou o nariz e... fracturou também ele o nariz, apressando-se a pedir uma camisola nova para substituir aquela que ficara da cor das duas equipas que não chegaram à final da Taça da Liga. Assim se manteve em campo, adaptado a central e com o nariz adaptado a uma batata, tal como provavelmente se manteria caso lhe tivessem amputado um dedo ou uma mão. E a verdade é que se portou muito bem, sendo o menos culpado no golo do FC Porto e demonstrando absoluta coragem física nos muitos lances em que fez valer o físico para afastar o perigo da sua baliza. Ainda conseguiu ver um amarelo por uma falta que não cometeu.

 

Diaby (2,5)

Entrou na hora do desespero e teve o mérito de estar no sítio certo à hora certa, sendo carregado dentro da grande área por Oliver Torres sem que o árbitro João Pinheiro, a meia-dúzia de metros de distância, reparasse nisso até ser chamado à atenção pelos dois videoárbitros. O resto é história.

 

Marcel Keizer (4,0)

A sua equipa tinha menos 24 horas de descanso nas pernas e, por muito que isso custe, mais do que 24 milhões de euros de diferença de valor de mercado. Promoveu o regresso de Bas Dost, substituiu Mathieu por André Pinto e viu os seus jogadores darem a volta aos primeiros minutos de domínio do FC Porto. Pouco demorou até o Sporting controlar as operações, num daqueles jogos muito divididos e pouco espectaculares que costumam suceder quando as duas melhores equipas portuguesas se encontram, mas depois da bonança veio a tempestade da segunda parte. Tinha gasto a primeira substituição ao intervalo, impedindo Acuña de se despedir deixando a equipa com dez, e gastou a segunda logo a seguir, trocando o ensanguentado André Pinto por um Petrovic que logo deixou também de ser senhor do seu nariz. A única substituição táctica a que teve direito ocorreu no final do jogo, trocando Gudelj por Diaby, e bastou para escrever direito por linhas tortas. Um título ao serviço do Sporting já ninguém tira ao holandês.

Armas e viscondes assinalados: Renan defendeu direito pela arbitragem torta

Sporting 1 - Sp. Braga 1 (4-3 nos pénaltis)

Taça da Liga - Meias-finais

23 de Janeiro de 2019

 

Renan Ribeiro (4,0)

Ainda mal chegara à baliza e já tinha sofrido um golo, como lhe está sempre a acontecer desde que foi emprestado ao Sporting. Mas o certo é que resolveu uma segunda ocasião flagrante, beneficiando da má execução de Wilson Eduardo, e engrenou para uma noite positiva, ainda que tenha sido o videoárbitro a anular novo golo no primeiro lance da segunda parte e que nada pudesse fazer num cabeceamento de Raul Silva que embateu no poste. Foi depois do apito final que se tornou o herói do jogo, garantindo o acesso à final da Taça da Liga com uma sucessão de defesas nas grandes penalidades que compensaram o desacerto de Bas Dost, Coates e Nani.

 

Ristovski (2,5)

Mostrou aos habituais especialistas da equipa como se marca uma grande penalidade e esteve seguro a defender ao longo do jogo. Mas desta vez não conseguiu apoiar tanto o ataque quanto é seu hábito.

 

Coates (3,5)

Seria o herói da noite caso o árbitro Manuel Oliveira não fosse um renomado especialista na avaliação visual da intensidade de agarrões nas camisolas de adversários que se fazem à bola dentro da grande área, ignorando o pénalti que foi cometido sobre o uruguaio mesmo depois de ser convidado a visionar imagens inequívocas. Foi o seu poder de impulsão a permitir o empate que levou à decisão por grandes penalidades, voando sobre os centrais como Jardel para um cabeceamento indefensável. Na defesa teve muito trabalho e decidiu quase sempre bem, lamentando-se apenas que no desempate por pénaltis tenha acertado em cheio no poste.

 

Mathieu (2,5)

Saiu ao intervalo, com claros problemas físicos e o estigma de ter deixado Dyego Sousa à vontade no lance do 1-0. Pela idade e pelas particularidades físicas é um dos mais necessitados de maior rotatividade nos onzes por parte de Marcel Keizer.

 

Acuña (3,0)

Poucos minutos antes de ceder o lugar a Jefferson, numa fase em que a sua cara poderia servir de emoji para designar exaustão, conseguiu chegar ao passe de Nani e rematar contra um adversário dentro da grande área contrária. Já na primeira parte desperdiçara outra oferta do capitão leonino, rematando para a pedreira à entrada da área, pelo que as finalizações foram o calcanhar de Aquiles de mais uma exibição cheia de raça do internacional argentino, responsável acidental pelo chilique colectivo de Abel Ferreira e António Salvador ao sofrer uma falta de Dyego Sousa que levou à anulação daquele que seria o segundo golo dos bracarenses.

 

Gudelj (2,5)

Voltou a denotar carências no arranque de jogadas de ataque e foi um dos responsáveis por um domínio dos adversários no meio-campo que prometia impedir o Sporting de revalidar um dos dois únicos títulos que (pelo menos até agora) resultaram do investimento multimilionário na contratação de Jorge Jesus. Assim como está, não pode ficar.

 

Wendel (2,5)

Ninguém precisa de VAR para ver que o jovem brasileiro não está a conseguir manter a intensidade neste ciclo interminável de jogos, mas Marcel Keizer aparenta não confiar em Miguel Luís ou Francisco Geraldes. Sem virar a cara à luta, Wendel foi bastante menos esclarecido do que é habitual, e o Sporting ressentiu-se disso.

 

Bruno Fernandes (2,5)

Também pareceu ligeiramente fora, perpetrando uma sucessão de passes descalibrados quando pretendia servir os colegas. Sem bons resultados nesse campo durante os 90 minutos, honra seja feita ao facto de ter sido o primeiro jogador leonino a conseguir marcar a Marafona no desempate por grandes penalidades.

 

Raphinha (3,0)

Prometeu ser o herói da noite quando se desenvencilhou de dois adversários, entrou pela grande área do Braga e desferiu um remate forte, rasteiro e colocado que foi desviado para canto. Aliando técnica e velocidade (assim como um Diaby com técnica), o brasileiro tinha tudo para provocar calafrios aos adversários, mas houve um ponto de viragem no lance, ainda na primeira parte, em que se isolou para receber a abertura perfeita de Nani e, completamente à vontade, fez mais um passe do que um chapéu a Marafona. Talvez afectado pelo desperdício daquilo que seria o golo do empate, perdeu fulgor e até ao apito final não mais electrizou a noite.

 

Nani (3,5)

Três grandes passes, diligentemente subaproveitados por Acuña e Raphinha, marcaram uma exibição em que o capitão do Sporting foi o cérebro que faltou a outros e esteve em melhores condições físicas do que a maioria. Também ele ficou em branco nos pénaltis, mas se no sábado a equipa revalidar o título frente ao FC Porto já terá cumprido o primeiro objectivo deste segundo regresso.

 

Luiz Phellype (2,0)

Teve a oportunidade para demonstrar o seu valor, rendendo Bas Dost no onze titular, e não convenceu treinador e adeptos de que é uma alternativa credível. Muito encaixado na combativa defesa bracarense, pouco ou nada fez de útil para os seus e de perigoso para os outros.

 

André Pinto (3,0)

Entrou no início da segunda parte, como sucede quando Mathieu não pode continuar em campo, e desta vez foi o bom “understudy” que na maioria das vezes consegue ser. Um corte a um remate perigoso de Wilson Eduardo, já dentro da área, e outro desarme providencial à entrada da dita, após grande disparate do recém-entrado Jefferson, foram os destaques de uma exibição em que teve de vigiar Dyego Sousa, actual melhor marcador da Liga - e, a avaliar pelo estado de forma de um certo holandês, candidato a manter tal estatuto até ao fim.

 

Bas Dost (2,0)

Até a expressão do avançado denuncia que não está em condições físicas e anímicas. Dos poucos minutos que esteve em campo destaca-se a incapacidade de desviar um bom cruzamento rasteiro de Jefferson. Deixou claro que precisa de ‘reboot’ quando marcou o primeiro pénalti contra o corpo de Marafona mesmo após o guarda-redes se ter atirado nessa direcção.

 

Jefferson (2,5)

Entrado para o merecido descanso de Acuña, o quinto brasileiro de leão ao peito nesta meia-final só pecou por um atraso mal medido que não teve piores consequências graças à intervenção de André Pinto. Quando chegou a sua vez de bater o pénalti rematou com tanta força que talvez tivesse sido golo mesmo que o ex-colega que conhece da temporada passada em Braga agarrasse a bola em vez de apenas lhe tocar.

 

Marcel Keizer (3,0)

Chegou à primeira final e está a 90 minutos de ganhar o menos desejado título do futebol português. São motivos para ter ficado menos triste num dia que, anunciou o presidente do Sporting, foi dramático para o treinador holandês por motivos pessoais. No entanto, a baixa de forma de vários elementos-chave permite questionar o que levará Keizer a não dar oportunidades a outros jogadores do plantel. Lá por Luiz Phellype ter feito fraca figura, nada impede Geraldes ou Jovane Cabral de abanarem algo que começa a estar demasiado parado.

Armas e viscondes assinalados: Provavelmente a pior vitória da temporada

Sporting 2 - Moreirense 1

Liga NOS - 18.ª Jornada

19 de Janeiro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

O desvio atabalhoado para canto de um cruzamento-remate, quando o jogo caminhava para o seu triste fim, foi a principal intervenção do brasileiro, quase sempre limitado a reposições de bola. Também sofreu um golo, sem grande culpa, restando-lhe a compensação de que os três jogadores leoninos que estiveram melhor (Coates, Mathieu e Acuña) do que os marcadores dos dois golos que valeram esta tristonha vitória tiveram maiores responsabilidades nesse lance.

 

Ristovski (3,0)

Atrapalhou-se com a bola duas vezes quando poderia ter entrado com perigo na grande área do Moreirense, mas deve-se-lhe o remate que ajudou Bruno Fernandes a fazer o 2-0, bem como um excelente cruzamento que demonstrou a presente propensão de Bas Dost para encaminhar para fora da baliza qualquer bola que receba frente à baliza.

 

Coates (3,0)

Fez uma assistência de longa distância para o golo de Raphinha no universo alternativo em que Rui Costa e João Capela não foram escolhidos para serem o árbitro e videoaárbitro de um jogo em que o Sporting se arriscou a perder pontos para os três primeiros classificados. Também fez os cortes do costume, ainda que por vezes assaz aquém de perfeitos nas bolas altas, e contribuiu para que o desnorte da segunda parte não tivesse piores consequências.

 

Mathieu (3,5)

Desta vez não alvejou a baliza adversária, até porque Rui Costa só marcou (e ainda assim raramente) faltas contra Moreirense a uma distância segura da baliza dos visitantes. Dedicou-se a desarmes arriscados na grande área e a tentar suprir as insuficiências de colegas do meio-campo na construção de jogadas.

 

Acuña (4,0)

Teve um ataque de fúria quando o colega Petrovic o desarmou no instante em que se preparava para fazer o 3-1, mesmo na última jogada, e esse momento insólito serve de metáfora perfeita para um jogo em que o argentino pareceu estar num plano diferente do que a esmagadora maioria dos colegas. Além de marcar o canto que resultou no primeiro golo e de fazer o cruzamento para Diaby cabecear, o guarda-redes defender para a barra e o 2-0 aparecer dentro de momentos, manteve um ritmo alucinante ao longo de noventa e tal minutos, mostrando-se impecável na abordagem a todos os lances à excepção de um corte na grande área que só não deu pénalti porque João Capela deveria estar a ver o que se dizia na CMTV acerca do destino do “hacker do Benfica”. Se o Zenit contratar o internacional argentino no fecho do mercado de Inverno será a pior afronta que russos fazem ao Sporting desde que o CSKA Moscovo venceu a final da Taça UEFA em Alvalade.

 

Gudelj (1,5)

O melhor momento da sua exibição foi o amarelo que o exclui da visita a Setúbal, próximo compromisso após o jogo ou jogos para a ‘final four’ da Taça da Liga. Desfasado do jogo, incapaz de colaborar na construção de jogadas e com frequentes atrasos nas movimentações, pecou pelo tipo de falta de agressividade na disputa de bolas que certamente será motivo para perda de nacionalidade se a constituição da Sérvia for como deverá ser. Voltou a subir no terreno quando Petrovic voltou a saltar do banco de suplentes, sem bons resultados.

 

Wendel (2,0)

Falhou na missão de acelerar o meio-campo leonino e limitou-se a lutar, raramente com muito critério, não obstante uma ou outra arrancada para contra-ataques que não resultavam em nada. Saiu muito cansado e talvez seja melhor alguém recordar ao treinador que Miguel Luís e Francisco Geraldes podem ser utilizados ao longo do ciclo infernal de jogos que vem a caminho.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Marcou um golo que deverá ser mostrado a Bas Dost e outros colegas para que aprendam como se faz uma recarga quando o guarda-redes teve que se atirar ao relvado. E fez por servir os colegas em diversas ocasiões, sem que os passes lhe saíssem tão bem quanto é costume. Embora a má forma de alguns desses colegas também possa explicar o baixo aproveitamento.

 

Nani (2,5)

Começou com um prenúncio de exibição de gala, inaugurando o marcador aos três minutos, num raro golo de cabeça. Pena que tenha começado a perder gás minutos mais tarde, abusando da lentidão responsável pela morte de mais jogadas do que os japoneses matam baleias. Foi substituído a meio da primeira parte e o melhor elogio que se lhe pode fazer é que não estava a ser o pior do Sporting.

 

Diaby (2,0)

Um cabeceamento para defesa incompleta que deu origem ao 2-0 foi o melhor que o maliano fez num jogo em que a sua titularidade em detrimento de Raphinha é um mistério comparável ao que seria a sua presença no banco em detrimento de Jovane Cabral. As insuficiências técnicas voltaram a ser gritantes - o melhor exemplo foi o modo como (des)controlou a bola ao receber uma abertura extraordinária do recém-entrado Raphinha -, e a quantidade de dinheiro paga pelo seu passe só não é o pior acto da gestão de Sousa Cintra porque se lembrou de incluir uma cláusula de venda escandalosa no empréstimo do jovem central turco Demiral, afastado do plantel principal para que Marcelo pudesse ficar.

 

Bas Dost (2,0)

Mais uma demonstração de que o melhor avançado de Dezembro ainda não entrou em 2019. A única ocasião de golo que teve foi transformada num desvio para longe da baliza, na melhor triangulação que fez estava (mesmo) em fora de jogo, e foi numerosas vezes displicente nas disputas aéreas, as quais têm sido o seu título de Miss Simpatia quando não cumpre nos desfiles de finalização. Ficou muito irritado quando os irmãos Arbitralha ignoraram o empurrão nas costas que sofreu à entrada da grande área no instante em que ia receber isolado o cruzamento de Diaby, mas seria mais pedagógico e construtivo ficar irritado com o cidadão holandês que lhe aparece no espelho.

 

Raphinha (3,0)

Poderia ter esmorecido ao ver-se relegado para o banco, o que não se verificou. Procurou dinamizar a ala direita, fez uma abertura notável para Diaby desperdiçar e até marcou um golo extraordinário, recebendo um passe longo de Coates e desviando-se do guarda-redes antes de rematar de ângulo complicado para o fundo das redes. A divulgação pública das comunicações entre Rui Costa e João Capela, discernindo o seu “tronco adiantado” em relação à linha de fora de jogo, poderá resultar num Prémio Gazeta. Quiçá um Pulitzer.

 

Petrovic (1,5)

Entrou nos últimos minutos, como entra sempre que o treinador enterra um pouco mais fundo a sua filosofia de futebol-espectáculo para garantir o resultado possível. Tentou impor a presença física para afastar o fantasma do empate, mas a segundos do apito final optou por roubar a bola a Acuña, evitando o 3-1 de uma forma tão eficaz que, havendo justiça, o sérvio deveria ser integrado na folha de vencimentos da equipa de arbitragem.

 

Marcel Keizer (2,0)

Manteve a distância de oito, três e dois pontos em relação a FC Porto, Benfica e Braga. Termina aqui a parte positiva do desempenho do holandês num jogo em que insistiu em Diaby, ignorou a má forma de Gudelj e Bas Dost, nem sequer esgotou as três substituições (esclarecendo Francisco Geraldes e Luiz Phellype quanto às expectativas que neles deposita) e demonstrou uma clareza de análise quanto à fraca qualidade do Sporting na segunda parte só comparável com a incapacidade de melhorar a dita qualidade. Seguem-se embates com Braga, Benfica, talvez com FC Porto, e ainda Villarreal, pelo que se alguém encontrar o Marcel Keizer que chegou a Portugal é favor devolvê-lo a Alvalade.

Armas e viscondes assinalados: Desperdício abatido com dois tiros disparados de longe

Feirense 0 - Sporting 2

Taça de Portugal - Quartos de final

16 de Janeiro de 2018

 

Salin (4,0)

Os adeptos do Feirense foram os primeiros a levar perigo à sua baliza, fazendo rebentar um petardo junto ao francês, mas logo os jogadores da equipa da casa seguiram o exemplo vindo das bancadas. Conseguir a rara proeza de chegar ao final do jogo sem golos sofridos implicou uma mão-cheia de excelentes intervenções, num festival de classe que arrancou na primeira parte, quando uma das habituais paragens colectivas da defesa leonina fez aparecer um adversário isolado à entrada da pequena área. Ainda melhor esteve nos últimos minutos de jogo, quando a vantagem de 0-2 poderia ter sido escassa para atingir as meias-finais caso o guarda-redes não tivesse desviado remates com selo de golo como se não houvesse amanhã.

 

Ristovski (3,0)

O macedónio não se deixou intimidar pelo cartão amarelo que viu cedo e vá-se lá saber porquê - ao ponto de ser reconhecido como dificilmente explicável pelo comentador da RTP antes de este lavrar a salomónica sentença “também se aceita” - e controlou as movimentações do Feirense sem deixar de dar precioso contributo nas jogadas de ataque. Pena que os cruzamentos nem sempre lhe tenham saído bem.

 

Coates (3,0)

Invejosos irão catalogar como inadvertida a assistência para o golo da relativa tranquilidade, desviando a bola de cabeça para a entrada da área, onde surgiu Bruno Fernandes. Mas foi apenas um dos momentos em que o central uruguaio se integrou bem no ataque, tal como esteve inspirado nos passes longos, oferecendo a Raphinha um golo que o brasileiro não soube marcar. Nos últimos minutos, já com Edinho empenhado em fazer aquilo que lhe valeu um cântico quando estava em Setúbal, acabou por cair também no desnorte que poderia ter causado dissabores ao Sporting.

 

Mathieu (3,5)

Com liberdade suficiente para actuar como lateral-esquerdo em boa parte do tempo, tirando partido da visão de jogo e da qualidade de passe longo, nem uma ou outra fífia lhe retirou mérito nas missões defensivas. Teve direito a alguns minutos de descanso após o segundo golo, e o mínimo que se pode dizer é que a sua ausência foi sentida.

 

Acuña (3,5)

A magnífica assistência para Bas Dost abrir o marcador que teimava em manter-se a zero, após fazer um ‘cabrito’ para ludibriar um adversário, não merecia ficar associada a um desperdício escandaloso. Extremamente lutador, mas desta vez só no bom sentido da palavra, recordou aos sportinguistas o quanto ficarão a perder se 20 milhões de euros chegarem para lhe pagar a viagem para a Rússia.

 

Gudelj (3,0)

Ainda não foi desta que marcou num pontapé de ressaca, mas talvez se possa inspirar naquele que Bruno Fernandes executou para estabelecer o resultado final. Já na posição mais recuada do meio-campo, para a qual acaba de ser contratado Idrissa Doumbia, foi útil no ataque à bola e dedicou-se melhor do que o habitual à ligação entre a defesa e o ataque. Subiu ligeiramente no campo aquando da entrada de Petrovic sem que daí adviesse nada de bom para a sua exibição e para o desempenho da equipa.

 

Wendel (4,0)

Mostrou estar pronto para tudo logo na primeira parte, sendo capaz de se desenvencilhar do árbitro Fábio Veríssimo quando este lhe tentou atrapalhar a progressão com bola. Ainda que não tenha conseguido aproveitar uma boa desmarcação saída dos pés de Nani, permitindo a defesa do guarda-redes, manteve-se sempre em elevada rotação e acelerou o jogo ofensivo do Sporting. Sobretudo quando avançou pela esquerda, tirou um adversário do caminho e rematou em arco para inaugurar o marcador. Recebeu como prémio merecidos 15 minutos de descanso, pois no sábado existe mais um compromisso daquela competição em que também se luta com o FC Porto, Benfica e Braga.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Cedeu protagonismo a Wendel e Nani na primeira parte, o que não o impediu de ficar perto do golo num remate muito forte e de muito longe. Depois do intervalo abriu o livro e encadernou-o a folha de ouro com passes magníficos para isolar colegas e, para não destoar, remates perigosos. O primeiro saiu perto do poste, mas o segundo, na consequência de um canto, alojou-se de forma tão decidida nas redes que talvez pudesse pôr em risco a integridade do guarda-redes caso saísse à figura.

 

Nani (3,0)

Entrou no jogo à patrão, assumindo o controlo tanto nos flancos como no miolo do relvado, para onde flectia com a intenção de servir os colegas. Destaca-se nesse período do jogo um passe para as costas da linha defensiva do Feirense que isolou Wendel. Só que à medida que o cronómetro avançava perdeu protagonismo e discernimento, falhando duas oportunidades de golo em posição frontal, num cabeceamento e num remate em arco. Ficou até ao apito final, pois Keizer preferiu poupar Wendel, mas mais uma vez nada se teria perdido se Jovane Cabral pudesse ter uns minutos para mostrar a sua arte.

 

Raphinha (3,0)

Especializou-se em passes impossíveis que aparenta fazer sem qualquer esforço e mostrou-se muito melhor do que nos minutos finais do Sporting-FC Porto, faltando-lhe o essencial: confiança no momento em que ganha espaço para rematar.

 

Bas Dost (2,0)

Também muito melhor nas trocas de bola com os colegas, teve o azar de Fábio Veríssimo estar mais atento à sua impulsão apoiado nos centrais do que aos agarrões desses mesmos centrais noutros lances, fora e dentro da grande área. O golo de cabeça que lhe foi anulado no primeiro tempo pode ter sido um factor de desestabilização, pois ainda antes do intervalo conseguiu rematar contra o guarda-redes na recarga a um grande remate de Bruno Fernandes, e na segunda parte abraçou a missão impossível de, sem cobertura e a poucos metros da baliza escancarada, desviar para o lado errado do poste a assistência perfeita de Acuña. Que o Sporting esteja a atingir uma fase decisiva da época com a principal referência atacante num tão baixo nível de inspiração não é nada que tranquilize os adeptos...

 

Luiz Phellype (2,5)

Teve direito ao seu primeiro quarto de hora de leão ao peito e fez por aproveitá-lo. Boas movimentações e velocidade na disputa de bola - tivessem os dois péssimos atrasos para o guarda-redes a que Bas Dost nem tentou chegar ocorrido com o brasileiro em campo... - foram o prenúncio de um remate forte, desferido de fora da grande área, que embateu no poste, impedindo uma estreia de sonho.

 

André Pinto (1,5)

Substituiu Mathieu em circunstâncias menos dramáticas do que as habituais, o que talvez tenha contribuído para que fosse muitíssimo menos capaz de desempenhar o papel de ‘understudy’ do francês. Lento e desorientado nas disputas de bola, contribuiu para o ascendente da equipa da casa nos últimos minutos do jogo.

 

Petrovic (2,0)

Costuma dar ordem ao meio-campo e tirar proveito do físico. Tende em regra a resultar, o que não impede que o jogo de Santa Maria da Feira tenha sido a excepção, pois a sua presença no relvado fica ligada a grandes atribulações que só não foram preocupantes porque Salin se preocupou em resolvê-las.

 

Marcel Keizer (3,0)

Começou bem na convocatória, deixando Diaby em Lisboa, e viu a equipa a gerir bem o jogo, não obstante o festival de desperdícios que poderia ter impedido o Sporting de disputar a Taça de Portugal com as mesmas três equipas com que disputa a Taça da Liga e a Liga NOS. Disse que a equipa esteve no melhor que já lhe viu, o que envolve um certo optimismo, mas desta vez até pôde descansar alguns dos mais desgastados (Mathieu e Wendel) ou desinspirados (Bas Dost), com o vírus resultadista a transformar Petrovic no 14.° jogador e a relegar Jovane Cabral para o estatuto de primeiro entre os que nem chegam a entrar no relvado.

Armas e viscondes assinalados: A tradição ainda é o que era

Sporting 0 - FC Porto 0

Liga NOS - 17.ª Jornada

12 de Janeiro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Começou o jogo com nota artística, arriscando fintar um adversário, e evitou o golo do FC Porto que elevaria a série de vitórias consecutivas de Sérgio Conceição para 19. A rara proeza de manter a baliza inviolada (sucedera-lhe até agora em duas ocasiões, a última das quais há dois meses, em Londres, frente ao Arsenal) implicou apenas uma boa defesa ao remate em zona frontal de Soares e uma saída atempada a um mau atraso, mas o brasileiro não tem culpa de Alvalade ser a kriptonite do FC Porto, menos activo do que é habitual.

 

Bruno Gaspar (2,5)

Diaby atirou os foguetes e apanhou as canas na ala direita, pelo que o lateral limitou-se sobretudo a missões defensivas, sem nunca comprometer, até que se ressentiu de um problema físico e saiu logo no início da segunda parte.

 

Coates (3,0)

Uma ou outra falha, a mais grave ao deixar passar o cruzamento para o remate de Soares, não desvirtuam mais uma boa exibição do uruguaio, desta vez poupado a assumir a falsa identidade de ponta de lança.

 

Mathieu (3,5)

Nos últimos minutos de jogo era um dos raros sportinguistas que ainda lutavam pela vitória, esquecendo-se da idade enquanto corria pelo meio-campo do FC Porto. No resto do tempo revelou a qualidade habitual na vigilância a Marega e ainda tentou o golo de livre directo.

 

Jefferson (3,0)

Levou tão a sério a missão de substituir Acuña que esteve a um passo de ser expulso ao crescer para Hugo Miguel depois de o árbitro o ter amarelado por uma falta cometida junto à linha de meio-campo. Mas a verdade é que se lhe devem três grandes iniciativas ofensivas no corredor esquerdo, desperdiçadas com assinalável diligência por Bas Dost. Espera-se que dentro de cinco jogos, quando o argentino cumprir a próxima suspensão por nova série de amarelos, Jefferson tenha mais sorte no destino dos seus cruzamentos.

 

Gudelj (3,0)

Um excelente corte junto à pequena área e um remate de muito longe que contribuiu para que Casillas tivesse (ligeiramente) mais trabalho do que Renan foram os destaques de uma exibição segura, mesmo tendo pela frente alguns dos melhores jogadores da Liga.

 

Wendel (3,5)

Policiou com brio as movimentações do adversário, recuperando bolas em zonas perigosas que poderiam ter levado o Sporting a encurtar a distância para cinco pontos se os colegas de equipa estivessem mais inspirados. Saiu cansado, mas não menos valorizado.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Antes do início do jogo recebeu os galardões de melhor médio e de melhor jogador da Liga NOS em Dezembro, arriscando-se a ir contemplá-los mais cedo, pois antes do intervalo fez uma falta pela qual poderia ter visto o segundo amarelo. Os melhores momentos foram um remate fortíssimo, desferido na quina esquerda da grande área, que Casillas defendeu para a frente, e o passe que isolou Ristovski para o que viria a ser a maior perdida do Sporting.

 

Diaby (2,0)

Toda a estratégia ofensiva da primeira parte assentou num simples princípio: passem a bola ao Diaby. E se é verdade que o maliano aproveitou a velocidade para se impor na ala direita, não menos verdade é que as suas aptidões para cruzar e rematar estiveram quase ao nível do festival de péssima execução que impediu a conquista de pelo menos um ponto em Tondela. Cedo começou a desaparecer na segunda parte, e a sua substituição pecou por muito tardia.

 

Nani (3,0)

Compensou a falta de velocidade com a classe que os seus pés deixam no relvado. E se poderia ter rematado melhor no único bom cruzamento de Diaby, fazendo embater a bola num defesa, na segunda parte criou o espaço necessário para o remate perigoso de Bruno Fernandes e fez um cruzamento perfeito que Militão tirou dos pés de Bas Dost, arriscando-se a fazer um autogolo. Ainda assim, nada se teria perdido se no último quarto de hora tivesse dado o lugar a outro cidadão português de origem cabo-verdiana, só que mais jovem e mais veloz.

 

Bas Dost (2,0)

A parte menos vazia do copo foi a supremacia do holandês nos duelos aéreos, mas naquele departamento que o levou a receber o prémio da Liga NOS de melhor avançado de Dezembro, nada de bom há a assinalar. Começou por cabecear muito por alto uma bola cruzada com peso, conta e medida para a pequena área por Jefferson, terminou a primeira parte com um remate frouxo e à figura de Casillas, ao ser servido por Jefferson à entrada da grande área, e sonegou dois pontos ao Sporting com a forma como, livre de adversários e perto da linha de golo, cabeceou o cruzamento do outro lateral que passará a estar em campo. 

 

Ristovski (3,0)

Entrou a frio, com a segunda parte a decorrer, e fez alguns bons cortes antes de combinar bem com Bruno Fernandes, entrar na grande área portista em velocidade e fazer o cruzamento que Bas Dost conseguiu, vá-se lá saber como, cabecear para fora da baliza. Digamos que o clássico não foi a melhor demonstração de que o maior problema do Sporting reside nos laterais...

 

Raphinha (1,5)

Existe um jogador no plantel leonino que tem o hábito de aproveitar dez ou quinze minutos no relvado para deixar marca, mas esse jogador não é o extremo brasileiro. Lançado tarde e a más horas, tendo em conta as limitações estruturais e a fatiga conjuntural de Diaby, Raphinha pouco mais conseguiu do que ver o cartão amarelo.

 

Petrovic (-)

Ouviu apupos e assobios aquando da sua entrada, sem ter a menor culpa de que o treinador preferisse assegurar um ponto nos descontos do que arriscar o zero ou três com cinco minutos à Jovane.

 

Marcel Keizer (2,5)

Interrompeu a série vitoriosa do FC Porto e manteve a sobrenatural tradição da invencibilidade leonina aquando da visita dos dragão, não sofreu golos pela primeira vez desde que assumiu o comando da equipa e teve mais oportunidades para chegar à vitória. Nada disto seria negativo, ou sequer mediano, não fosse o caso de o Sporting ter semeado pontos em Guimarães e Tondela que o deixam a oito pontos do líder e na quarta posição, pelo que é legítimo questionar se Keizer não percebeu a ironia de manter no banco o autor do melhor golo de Dezembro, não reparou que Diaby (escolha questionável mas compreensível pelo critério da velocidade) estoirou muito antes dos 80 minutos e não se deu conta de que, perante as circunstâncias muito particulares desta temporada, tem margem para ser menos resultadista. Sendo o título definitivamente uma miragem, resta ao holandês reflectir se não será melhor repensar algumas apostas e tirar partido dos reforços de Inverno nas próximas jornadas.

Armas e viscondes assinalados: Ai Jesus que lá foram eles

Tondela 2 - Sporting 1

Liga NOS - 16.ª Jornada

7 de Janeiro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Sofreu dois golos, um dos quais com elevadíssima nota artística, mas a triste e amarga realidade é que o brasileiro fez três defesas que evitaram uma vergonha ainda maior ao Sporting.

 

Bruno Gaspar (1,5)

Novamente fraco a atacar e não raras vezes contemplativo a defender, como se viu no lance do primeiro golo, voltou àquilo que, infelizmente, aparenta ser o normal.

 

Coates (2,0)

Contribuiu de forma decisiva para o único e insuficiente golo leonino, tal como na época passada conquistara os três pontos em Tondela, quase ao 100.º minuto, num dos momentos mais felizes da doença senil do jorgejesuísmo chamada central a ponta de lança. Dito isto, esteve aquém do seu melhor a defender antes de ser cooptado para substituto de Bas Dost pelo desespero de Marcel Keizer. E também não se portou muito melhor enquanto ponta de lança.

 

Mathieu (2,0)

Poderia ter sido uma noite ainda pior se o golo que roubou a Montero fosse anulado por fora de jogo. À falta de um azar desse tamanho restaram-lhe uma série de maus cortes (numa jogada conseguiu fazer dois consecutivos que a olho nu pareciam assistências para o Tondela) e demonstrou uma notória incapacidade de travar os endiabrados avançados beirões.

 

Acuña (2,0)

Poderia ter sido uma noite ainda melhor se não tivesse conseguido ver o amarelo que o afasta da recepção ao FC Porto quando faltavam dois minutos para o apito final e a noite já estava pior do que estragada. Até então tentara cruzar, sem grande sucesso, ficando marcado pela forma como se limitou a testemunhar o primeiro golo do Tondela.

 

Gudelj (2,0)

Sacrificado logo ao intervalo, o sérvio teve como principal mérito não ter visto o cartão amarelo que o afastaria da recepção ao FC Porto. 

 

Wendel (2,5)

Alguns bons passes e cruzamentos não chegam para tornar positiva uma exibição em que nem a vantagem numérica permitiu maior desafogo nas operações no meio-campo.

 

Bruno Fernandes (2,5)

Faltou-lhe pontaria nos remates para furar a muralha defensiva e não foi tão esclarecido quanto habitual na condução do jogo, abusando de passes errados. Mesmo assim fez uma assistência  primorosa, a dezenas de metros de distância, que teria valido o empate se fosse recebida por alguém mais talentoso.

 

Nani (2,5)

Toques de classe sem consequências práticas foram o melhor resumo de uma exibição em que o momento mais relevante foi aquele em que contribuiu para que o Sporting tivesse mais um em campo durante 40 minutos, pois foi abalroado por Jaquité, expulso por acumulação de amarelos.

 

Raphinha (3,0)

Encarregou-se de ser a maior ameaça a Cláudio Ramos, forçando o guarda-redes a aplicar-se num trio de boas ocasiões. A ter havido conquista de pontos na Beira Alta certamente se deveria a ele.

 

Diaby (0,5)

Dizer que fica a dever três golos ao Sporting implica esquecer que não possui a técnica necessária para dominar o passe teleguiado de Bruno Fernandes. Mas nas outras duas ocasiões - uma bola que foi parar aos seus pés no coração da área, chutando-a para onde estava virado (infelizmente estava virado para o lado errado do poste mais distante...), e um cabeceamento calamitoso a um cruzamento tão perfeito que ainda assim deu para acertar nos ferros - veio ao de cima o défice de qualidade do avançado maliano, em má hora chamado a substituir Bas Dost.

 

Montero (2,5)

Entrou ao intervalo, regressado de lesão, e esteve a um passo de marcar numa tentativa de recarga a um grande remate de Raphinha. Acabou por conseguir dirigir a bola para a baliza num lance posterior, com um remate tão fraco quanto oportuno, que só não entra na sua contabilidade porque Mathieu entendeu por bem espoliá-lo.

 

André Pinto (-)

Foi colocado em campo num momento de desnorte em que o treinador achou boa ideia ter três defesas centrais na grande área contrária.

 

Marcel Keizer (1,0)

A derrota em Tondela começou logo na convocatória, pois sem Bas Dost e Jovane Cabral disponíveis impunha-se ter pelo menos mais uma opção de ataque, nomeadamente o reforço Luiz Phellype. Acabou por nem esgotar as substituições, o que se torna compreensível olhando para o banco, num jogo que o Sporting começou praticamente a perder e nunca converteu posse de bola em domínio, mesmo estando quase metade do tempo em superioridade numérica. Ai Jesus que lá se foi a lua de mel do treinador holandês com os adeptos e uma derrota no próximo sábado colocará o FC Porto a 11 pontos de distância do clube agora relegado para a quarta posição.

Armas e viscondes assinalados: A falta que um Bruno faz

Sporting 2 - Belenenses SAD

Liga NOS - 15.ª Jornada

3 de Janeiro de 2019

 

Renan Ribeiro (2,5)

O desconsolo que exteriorizou ao sofrer o golo da praxe, desta vez à beira do fim do jogo, é compreensível. O brasileiro emprestado pelo Estoril ainda defendeu o primeiro remate de um adversário que lhe surgiu isolado à frente, mas a recarga selou mais um dos momentos “you can’t win, Charlie Brown” que vão pautando a sua passagem por Alvalade. No resto do jogo viu remates com selo de golo passarem a rasar um poste, passarem a rasar o outro, embaterem violentamente nesse mesmo poste, mas parece que os jogos só acabam quando uma bola se anicha nas redes. Mesmo sem culpa alguma de um guarda-redes que, muitas vezes instado a repor a bola em jogo, distinguiu-se pela elevada percentagem de passes para zonas do relvado desabitadas por colegas de equipa.

 

Bruno Gaspar (3,5)

Pouco importa que o golo com que inaugurou o marcador pareça dever-se quase por inteiro ao desvio na cabeça de um jogador da Belenenses SAD. Num jogo vespertino em que ficou patente a falta que o castigado Bruno Fernandes faz ao Sporting, o lateral-direito contratado à Fiorentina foi um dos raríssimos jogadores que pôde sair verdadeiramente satisfeito aquando do apito final. Muito forte nas missões defensivas quando o Sporting estava a ser sufocado pelos visitantes, Bruno Gaspar soltou-se na segunda parte e foi à luta como nunca antes se tinha visto, permitindo que pelo menos numa tarde de 2019 não fosse preciso recordar César Prates, Abel, Cédric Soares, João Pereira ou Piccini com os olhos marejados.

 

Coates (2,0)

Quis o impiedoso destino que o central uruguaio terminasse um dos seus piores jogos envergando a braçadeira de capitão que lhe foi entregue após a saída de Nani. Incapaz de alcançar Freddy na cavalgada que só terminou com um remate ao poste na primeira parte (optando por não cometer uma falta que valeria o cartão vermelho), Coates é o principal responsável pelo golo da Belenenses ML, numa jogada que só deixou de acompanhar com os olhos quando viu dois adversários a correrem para a grande área. Claro que cumpriu a quota de cortes antiaéreos, mas a alguém com a qualidade de Coates exige-se sempre mais.

 

Mathieu (3,0)

A ausência de Bruno Fernandes e a incapacidade de Gudelj e Miguel Luís levaram a que lhe fosse entregue a missão de iniciar a maioria das jogadas leoninas. Assim sucedeu sobretudo na primeira parte, na qual o francês procurou servir de antídoto para o desnorte colectivo, mas a qualidade de sempre manteve-se até ao fim, com mais uma série de cortes providenciais e uma nova tentativa de marcar de livre directo.

 

Acuña (2,5)

Esteve quase a inaugurar o marcador, com um remate rasteiro junto ao poste que foi defendido pelo irmão do guarda-redes mais valioso do Mundo, mas logo a seguir teve um “momento Secretário” que esteve quase a resultar num golo da Belenenses (R) ou na expulsão de Coates. Muito porfiou ao longo de todo o jogo, a atacar e a defender, mas sem o acerto habitual, vendo-se incapaz de resolver a inércia do uruguaio no lance do 2-1, após o que conseguiu somar mais um daqueles cartões amarelos por motivos disciplinares que levarão, mais tarde ou mais cedo, a interromper as férias pagas de Jefferson.

 

Gudelj (2,5)

Incapaz de conduzir jogo, por vezes pouco criterioso na escolha entre dureza e macieza ao enfrentar adversários, e nada convincente na hora de rematar. Assim foi o sérvio, ligeiramente melhor quando subiu no terreno devido à entrada do compatriota Petrovic.

 

Miguel Luís (3,0)

O magnífico golo que acabou por revelar-se decisivo para a conquista dos três pontos resgata uma exibição titubeante, retrato de um meio-campo que não sabe carburar sem combustível BF. Muito lutou o jovem “made in Alcochete”, claro está, mas raramente lutou bem.

 

Wendel (3,5)

Regressou à equipa em boa hora, dedicando-se a tentar suprir a falta do melhor jogador do Sporting. Esteve em todo o lado, acelerou o que tendia para a lentidão, combinou bem com os colegas e saiu cansado, mas com a satisfação do dever cumprido.

 

Nani (3,0)

A assistência para Acuña e o remate ao poste foram pedradas no charco de uma primeira parte em que o Sporting de Keizer parecia repetir a lição que lhe fora dada pelo Vitória de Guimarães. Mesmo sendo excruciantemente lento na execução, demonstrou que quem sabe nunca esquece, procurando rendilhar lances de ataque que acabaram por abrir brechas na muralha dos assaz talentosos SADicos do Jamor.

 

Diaby (3,0)

Ineficaz na cara do golo, nomeadamente na jogada em que procurou fintar o irmão do guarda-redes mais valioso do Mundo, serviu-se da velocidade e do voluntarismo para meter os adversários em sentido. E fez uma assistência para Bruno Gaspar que deveria valer golo mesmo sem intervenção inadvertida de um adversário.

 

Bas Dost (2,0)

Muitos sentiram falta de Bruno Fernandes, mas ninguém sentiu tanta falta quanto o avançado holandês. Teve uma oportunidade de golo, logo na primeira parte, procurou ajudar na luta no meio-campo, viu um adversário roubar-lhe o 1-0, mas... deu-se mal com a solidão e com a falta de bolas à medida das suas capacidades. O Sporting recuperou o segundo lugar, e passou a ter o melhor ataque da Liga NOS, mas desta vez não foi graças a Bas Dost.

 

Raphinha (1,5)

Entrou tarde e para a esquerda, onde não engatou. Quando finalmente passou para a direita também não engatou e pouco ajudou Bruno Gaspar. Melhores dias virão.

 

Petrovic (2,5)

Já habituado aos aplausos que as bancadas lhe dedicam sempre que faz algo supostamente inesperado, como uma finta de corpo ou um passe bem medido, o sérvio cumpriu com o papel de barreira às iniciativas contrárias que Keizer lhe destinou. Em tempos de entradas e de saídas de Inverno, será aconselhável manter quem tanto se dedica a fazer aquilo que sabe.

 

Jovane Cabral (-)

Teve poucos minutos para ser talismã, até porque o final do jogo foi dedicado sobretudo a golos do adversário e a sururus.

 

Marcel Keizer (2,5)

Retirou oxigénio às chamas ao reconhecer que o Sporting fez um mau jogo. Diagnóstico certeiro, tendo em conta o domínio exercido pelo adversário nos primeiros minutos, a falta de acerto nas movimentações da equipa, as falhas que poderiam ter saído caras. Traído por más exibições individuais de alguns dos seus melhores jogadores, acabou por virar a tendência do jogo mesmo sem atingir o brilhantismo de jogos transactos. Na segunda-feira volta a contar com Bruno Fernandes na ida a Tondela, mas há que aperfeiçoar a equipa para que o Sporting-FC Porto possa trazer verdadeira emoção à Liga NOS.

Armas e viscondes assinalados: E assim se desfez o nó Peseiro

Feirense 1 - Sporting 4

Taça da Liga: Fase de Grupos - 3.ª Jornada

29 de Dezembro de 2018

 

Salin (3,5)

Só duas saídas em falso a cruzamentos, uma na primeira parte e a outra no último lance do jogo, retiraram brilho ao regresso do francês à baliza leonina. Muito atento às movimentações do adversário, avançando no terreno para adiantar-se a desmarcações, defendeu tudo o que havia para defender. Tirando o pénalti, claro está, mas não por falta de esforço.

 

Ristovski (2,5)

O melhor da sua exibição poderá muito bem ter sido a movimentação que distraiu a defesa e ajudou Raphinha a inaugurar o marcador. Com a bola nos pés sentiu maiores dificuldades, pelo que a posição de lateral-direito parece cada vez mais a principal lacuna do Sporting,

 

Coates (3,5)

A assistência magnífica que fez para Bruno Fernandes representou metade de um grande golo. No resto do jogo foi o central virtuoso que demonstra ser em praticamente todos os jogos.

 

Mathieu (3,5)

Viu reconhecida pelo treinador a importância do corte providencial que fez no início da segunda parte, impedindo que um contra-ataque chegasse a dois adversários bem posicionados para empatar o jogo. Voltou a marcar um livre directo que levou perigo à baliza do Feirense.

 

Acuña (3,0)

Combativo como só ele sabe ser, distinguiu-se nas missões defensivas, mas na hora de atacar viu-se prejudicado pela má noite de Diaby. Saliente-se a relativa contenção com que lidou com uma entrada assassina que o árbitro puniu com um cartão mais desbotado do que se exigia.

 

Petrovic (3,0)

Teria sido uma noite bastante positiva para o médio sérvio não fosse a grande penalidade escusada que cometeu quando o Sporting embalava para a goleada. Eficaz a destruir jogo, serviu-se da altura para aumentar o domínio aéreo e ficou bem perto de fazer o 1-5 num cabeceamento à entrada da área.

 

Miguel Luís (3,0)

Estava a ter uma noite de formiga incansável no meio-campo até que decidiu fazer de cigarra, entrou pela grande área e forçou um defesa a fazer autogolo para evitar que a bola chegasse a Bas Dost. Ainda tentou inscrever o nome na lista de marcadores com um remate de longe.

 

Bruno Fernandes (4,0)

A execução do chapéu ao guarda-redes e a sincronia com o passe feito de muito longe por Coates fazem do seu golo mais um marco na carreira de um dos melhores médios de sempre a ter o leão ao peito. Ficou perto de bisar num cabeceamento à ponta de lança e num livre directo, fez a equipa carburar num jogo em que poderia ser preciso marcar muitos golos para chegar à fase final da Taça da Liga e criou tantas oportunidades para os colegas que o seu nome do meio deveria ser “passe de ruptura”. 

 

Raphinha (3,5)

Inaugurou o marcador cedo e a boas horas com um remate notável e tentou sempre agitar a ala direita. Começa a ganhar o ritmo de que a equipa necessitará nas próximas semanas, mas ainda se nota o cansaço que levou à substituição.

 

Diaby (2,0)

Rendeu pouco à esquerda e foi particularmente perdulário nas oportunidades de golo que teve. Quando isolado frente ao guarda-redes permitiu a defesa e perante a baliza aberta, na recarga ao excelente remate do recém-entrado Jovane, rematou muito acima da barra. Quando Nani regressar fica sem espaço caso não consiga fazer melhor.

 

Bas Dost (3,0)

Tremendamente eficaz no lance do pénalti, tanto a ganhar posição como a sofrer a falta e a marcar o golo, o holandês falhou a emenda ao cruzamento de Jovane de forma tão inacreditável que se penitenciou de joelhos. Espera-se que guarde alguns golos para o difícil mês de Janeiro, assegurando um Inverno do contentamento para os sportinguistas.

 

Jovane Cabral (3,0)

Entrou muito mexido e merecia o golo numa jogada individual que fez a bola embater no poste. Não esmoreceu e procurou sempre o golo que procurou oferecer a Bas Dost.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Substituiu Ristovski com o jogo a caminho do fim e ainda ficou à beira de marcar graças a uma desmarcação com a assinatura de Bruno Fernandes.

 

Jefferson (-)

Cinco minutos em campo para dar prova de vida.

 

Marcel Keizer (3,0)

Cumpriu o objectivo de manter o Sporting na luta pela revalidação da Taça da Liga, desfazendo o nó que José Peseiro apertou em torno do seu pescoço ao perder em casa com o Estoril. Ultrapassado o embate do desaire em Guimarães pôs uma equipa em campo empenhada em jogar bom futebol e conseguiu-o, não obstante a incerteza decorrente do golo do Feirense e da boa entrada da equipa da casa após o intervalo. Mas o próprio Keizer sabe que os testes mais importantes ainda vêm a caminho.

Armas e viscondes assinalados: Pesadelo antes do Natal

Vitória de Guimarães 1 - Sporting 0

Liga NOS - 14.ª Jornada

23 de Dezembro de 2018

 

Renan Ribeiro (4,0)

Poderia muito bem ter sido uma noite memorável para o brasileiro, convertido no gato de Schrodinger dos guarda-redes, na medida em que viu o cartão vermelho e não viu o cartão vermelho no mesmo lance. Expulso por derrubar um adversário que seguia isolado, valeu-lhe o videoárbitro, que detectou um fora de jogo no início da jogada, para continuar a tentar evitar o inevitável: o primeiro desaire do Sporting na era de Marcel Keizer. Teve uma exibição que só ficou aquém da perfeição devido a uma abordagem deficiente a um cruzamento perigoso e à incapacidade de evitar o único golo do jogo, acumulando excelentes defesas, tanto a mísseis disparados de longe quanto a remates disparados de perto. O Sporting voltou de Guimarães com zero pontos apesar de Renan e bastaria que mais alguns dos outros 13 que jogaram estivessem ao seu nível para evitar o pesadelo antes do Natal.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Mal vão as coisas quando o lateral-direito contratado à Florentina não é o elo mais fraco da equipa leonina. Longe de ter sido muito mais eficaz do que costuma, apesar das ligeiras melhoras na hora de atacar, não foi o principal culpado e ainda se pode queixar de ter sido amarelado cedo e sem motivo.

 

André Pinto (2,0)

Costuma ser um bom suplente de Mathieu, tanto quanto Bruce Wayne pode ser bom suplente de Batman. Algo que talvez explique as maiores dificuldades sentidas a substituir Coates, com quem costuma formar uma dupla de centrais menos propensa a deixar escapar tantos adversários na direcção da baliza.

 

Mathieu (2,5)

É bem verdade que fica ligado ao resultado final, pois o remate de Tozé alterou a trajectória ao embater no seu pé, mas o francês deu o corpo à bala num lance em que Renan Ribeiro dificilmente poderia evitar o 2-0 e integrou-se várias vezes no esforço ofensivo dos leões. 

 

Acuña (2,5)

Nem sempre a pessoa mais esperta na sala leva a sua avante e nem sempre o melhor lateral do Sporting deixa a sua marca. Algo limitado no um contra um (ou contra dois, ou contra três), o argentino também ficou aquém do que sabe nos cruzamentos e viu os colegas desperdiçarem aquilo que criou com o suor do seu rosto. Do ponto de vista defensivo destacou-se uma ocasião na primeira parte em que só lhe faltou estender uma passadeira vermelha para que um adversário entrasse na grande área do Sporting.

 

Gudelj (2,0)

Ouviu das boas de Renan numa das jogadas em que permitiu incursões vimaranenses junto à baliza do Sporting e foi um dos maiores responsáveis pelo domínio que os da casa exerceram. Teria sido um herói caso Bruno Fernandes tivesse começado a correr um segundo antes para o passe longo que o sérvio fez, logo no início do jogo, para a entrada da grande área do Guimarães.

 

Miguel Luís (1,5)

Entre a macieza na cobertura das movimentações dos adversários e a desinspiração nas trocas de bola com os colegas andou a noite aziaga da nova coqueluche de Alcochete. A melhor memória que pode guardar é o passe muito longo a servir o recém-entrado Raphinha.

 

Bruno Fernandes (2,0)

Rematou muito, como quase sempre, mas o melhor que conseguiu foi acertar na cara de um defesa. Também os passes raramente lhe saíram bem e até conseguiu, mesmo ao cair do pano, ver um amarelo por protestos que o retira da equação na próxima jornada da Liga NOS, já em 2019, frente ao Belenenses. Espera-se que Francisco Geraldes volte cheio de energia do exílio que lhe terá permitido aprimorar o estudo da Escola de Frankfurt.

 

Diaby (3,0)

Fez o único remate digno desse nome que o Sporting conseguiu na primeira parte, e depois do intervalo serviu Raphinha antes de tentar novamente o golo, sem grande pontaria. Ainda provocou um autogolo, num lance anulado por flagrante fora de jogo, e é pena que isto baste para se destacar dos demais.

 

Jovane Cabral (2,5)

Sofreu uma carga logo no início da partida, quando acabara de recuperar a posse de bola com o guarda-redes adversário a tentar recuar para a baliza. A falta não mereceu amarelo, sabe-se lá porquê, tal como as incursões do jovem extremo pela esquerda não mereceram seguimento dos colegas. Não voltou para o relvado na segunda parte, reconhecidamente o seu melhor habitat.

 

Bas Dost (2,0)

Dois remates de cabeça, um muito torto e outro directo para as mãos do guarda-redes, constituíram o fraco pecúlio do goleador holandês, ligeiramente mais útil a fazer combinações com os colegas.

 

Raphinha (3,0)

Regressou de lesão num jogo em que voltou ao estádio do antigo clube e, tendo entrado após o intervalo, protagonizou a fase menos má dos leões. Excelente a dominar a bola lançada por Miguel Luís, livrou-se de um adversário antes de rematar quase à figura, tal como noutra ocasião para dar início à reviravolta perdida ficou a centímetros do poste. Tê-lo pronto a jogar é uma das poucas boas notícias que o Sporting recebeu nesta noite.

 

Carlos Mané (2,0)

Entrou para servir de segundo avançado e o melhor que conseguiu foi amortecer o cruzamento de Mathieu para um remate disparatado de Diaby a poucos metros da baliza.

 

Petrovic (1,5)

Cumpriu os últimos minutos de jogo na posição de Gudelj e não conseguiu reverter a má situação.

 

Marcel Keizer (2,0)

Bem avisou que este dia chegaria e no final do jogo ainda agradeceu a Renan pela contida dimensão da vitória da equipa da casa. Nada disto desculpa a incapacidade de levar os seus jogadores a reconquistarem o meio-campo perdido, mas também é verdade que a vaga de lesões limitou as opções que tinha no banco. Caído dos céus para uma realidade complexa, trazendo do Minho os mesmos zero pontos que José Peseiro, cabe-lhe tentar o milagre da qualificação para a fase final da Taça da Liga e a preparação das duas primeiras jornadas da Liga disputadas em 2019. Tudo o que for chegar ao Sporting-FC Porto com cinco ou mais pontos de desvantagem soa a missão impossível.

Armas e viscondes assinalados: Premissas diferentes para o mesmo resultado

Sporting 5 - Rio Ave 2

Taça de Portugal - Oitavos de final

19 de Dezembro de 2018

 

Renan Ribeiro (3,0)

Voltou a sofrer dois golos sem culpa, pois um autogolo com nota artística e uma grande penalidade nunca seriam propriamente fáceis de defender. Talvez também não conseguisse chegar à bola no livre directo que embateu na barra, mas esteve bem nas manchas, uma das quais impediu Fábio Coentrão de ter um regresso a casa ainda mais feliz.

 

Bruno Gaspar (1,5)

O autogolo vistoso que cometeu pouco antes do intervalo, numa tentativa de corte que resultou num chapéu perfeito ao seu guarda-redes, foi a principal nota de destaque de uma exibição marcada, mais uma vez, pela incapacidade de ajudar o ataque leonino. Se a extinção do dodó foi consequência directa da incapacidade que essa ave demonstrava no momento de voar, o que poderá estar reservado a um lateral que não sabe fazer cruzamentos? 

 

Coates (3,0)

Mesmo a indignação com que reagiu ao pénalti marcado por João Pinheiro, após um ressalto ter levado a bola a embater na sua mão, serve para mostrar a classe do central uruguaio. Nada convencido da justiça da decisão, insistiu de forma insistente mas civilizada com o árbitro, e não deixou que o episódio abalasse a sua concentração. Ficou bem perto de marcar o tantas vezes adiado golo de cabeça, encaminhando a bola para o poste mais distante no lance em que a recarga de Bas Dost selou o 2-0. E manteve a média de cortes de jogadas perigosas que faz de si um ausência muito notada na deslocação a Guimarães.

 

Mathieu (3,0)

Uma desatenção que permitiu ao irrequieto Gelson Dala rematar para fora dentro da grande área foi o pior momento do francês, desta vez incapaz de marcar de livre directo. Acabou por ter direito a alguns minutos de descanso necessários a dar rotina de jogo ao homem com quem irá formar dupla de centrais no próximo jogo do Sporting.

 

Acuña (3,5)

Duas assistências para golo e o incansável contributo para o domínio sobre uma equipa tão perigosa e bem organizada quanto o Rio Ave mereceriam melhor nota não fosse a faceta patologicamente contestatária do argentino. Empenhado em tentativas de comunicação com o auxiliar que mereceram vaias dos poucos mais de 12 mil presentes no estádio, acabou por ver o amarelo devido a uma sucessão de faltas enumeradas pelo árbitro.

 

Gudelj (3,0)

Tinha pela frente adversários valiosos e deu boa conta de si na maior parte do tempo. Sem sorte a rematar de longe, ainda sofreu um toque e viu-se forçado a sair do relvado mais cedo.

 

Miguel Luís (3,5)

As mesmas chuteiras de lã com que ganhou lugar na equipa de Marcel Keizer serviram-lhe para pautar a ligação entre defesa e ataque no meio-campo leonino. Já lhe chamam o novo Adrien, o que é uma péssima notícia para o Adrien propriamente dito.

 

Bruno Fernandes (4,5)

Um golo e uma assistência não chegam para traduzir aquilo que o capitão na ausência de Nani fez neste jogo. Apesar de o 3-0 ter sido o melhor do jogo, num míssil teleguiado com força, efeito e precisão, e apesar de a assistência para Diaby ser uma obra de arte. Todos os seus toques de bola foram excelentes e a assistência que fez para o potencial hat-trick de Bas Dost deveria contar mesmo sem ter sido concretizada. A exibição só não foi perfeita pelas duas ou três ocasiões em que insistiu em passar a bola para a direita quando tinha Jovane Cabral a isolar-se na esquerda.

 

Diaby (4,0)

Mais dois golos plenos de oportunidade, daqueles que o revelam como um avançado capaz de estar no sítio certo à hora certa, fazem pensar onde é que o maliano terá andado durante os seus primeiros meses em Alvalade. 

 

Jovane Cabral (3,5)

Voltou a não estar isento de trapalhadas ao longo de um dos raros jogos que fez do primeiro ao último minuto, mas integrou-se bem na fábrica de fazer goleadas leonina e ainda fez um cruzamento tão perfeito para o segundo golo de Bas Dost que quase dispensou o holandês de tirar os pés do chão no momento de cabecear.

 

Bas Dost (4,0)

Desta vez não sofreu nem converteu pénaltis, dedicando-se à sua especialidade de marcar golos que, sem serem de m..., não são para emoldurar e pendurar na parede. Rápido a encaminhar a bola para as redes no 2-0 e a arrastar os defesas consigo no 3-0, bisou de cabeça e só não chegou ao hat-trick devido ao excesso de ética protestante que lhe mandou devolver a bola a Bruno Fernandes sem que o colega estivesse à espera.

 

Petrovic (3,0)

Entrou para o lugar de Gudelj e interpretou bem o papel de unidade menos criativa de uma equipa concebida para criar. Consciente das suas limitações técnicas, o sérvio contorna essas dificuldades de modo a poder ser útil e a justificar o seu lugar no plantel.

 

André Pinto (2,5)

Teve direito a alguns minutos no relvado como ensaio para a deslocação a Guimarães no próximo domingo. Podia ter corrido melhor, pois ficaram patentes as dificuldades na hora de lidar com avançados velozes.

 

Ristovski (3,0)

Outro que recebeu alguns minutos para ganhar ritmo de jogo. Aproveitou-os bastante bem, nomeadamente nas missões defensivas, ainda que o grau de comparação fosse uma das piores actuações de Bruno Gaspar.

 

Marcel Keizer (4,0)

Repetiu o mesmo resultado do último jogo, ainda que sem o susto dos dois golos iniciais sofridos com o Nacional, e empolgou os poucos sportinguistas que fizeram uma pausa nos afazeres natalícios. Totalmente ganha a aposta em Miguel Luís e as substituições destinadas a dar minutos a jogadores que precisa de ter como opções válidas para o que der e vier. Mas o mais importante é a liberdade que concede aos criativos da equipa e que torna menos relevante a fase em que se encontra o trabalho defensivo.

Armas e viscondes assinalados: Uma reviravolta de mão-cheia

Sporting 5 - Nacional 2

Liga NOS - 13.ª Jornada

16 de Dezembro de 2018

 

Renan Ribeiro (3,0)

Deu por si a encaixar dois golos sem culpa nenhuma, mas por volta da meia-hora põs travão ao descalabro em curso. Fez uma excelente defesa a impedir que um livre directo levasse o Sporting a recolher ao balneário com uma desvantagem de 0-3 e não mais permitiu veleidades à ameaça do nacional-madeirismo. Voltou a destacar-se na segunda parte ao impedir aquilo que seria o 3-3 e deu boa conta de si, não obstante ocasionais imperfeições na reposição de bola.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Contam-se os minutos até que um dos youtubbers da moda faça um vídeo com as tentativas de cruzamento do lateral-direito contratado à Fiorentina por um ex-presidente leonino que continua suspenso. Voltou a atrapalhar-se quando tinha boas condições para fazer duas assistências para golo (na segunda parte, muito bem assistido dentro da área, até poderia inscrever o nome na lista de marcadores) e a bola começa a temer rumar à sua zona de influência tal qual os navios temem o triângulo das Bermudas. Bastante mais razoável a defender, diga-se de passagem.

 

Coates (3,0)

Uma das suas duas arrancadas pelo meio-campo adversário deu origem ao primeiro golo do Sporting, tal como na quinta-feira outra arrancada permitira o golo de Miguel Luís. Contrariada a estatística nesse ponto, segue-se o golo de cabeça que tarda em aparecer... Nas missões defensivas esteve tão bem quanto pode estar um central que vê a equipa sofrer dois golos, mesmo condicionado por um amarelo que o retira da difícil deslocação a Guimarães.

 

Mathieu (3,5)

Convém assinalar que o francês foi testemunha ocular do pontapé e do cabeceamento que deram vantagem à equipa visitante. Mas não só levou a equipa para a frente nos períodos de maior desorientação da primeira parte como consumou a reviravolta no resultado com um golo de livre directo que o ex-colega de equipa Lionel Messi decerto aplaudiria. 

 

Jefferson (2,0)

Voltou a provar que sabe fazer bons cruzamentos, e num deles permitiu que Bas Dost testasse os reflexos do guarda-redes adversário. Pena é que esteja cada vez mais apático, não raras vezes suicidário na abordagem aos lances de ataque do Nacional da Madeira. A boa notícia é que Acuña regressa na próxima jornada.

 

Gudelj (3,0)

Começou o jogo perdido no meio-campo e soterrado pela avalancha madeirense, melhorando numa segunda parte em que esteve perto de fazer estragos na baliza contrária. Ao contrário de Coates não viu o amarelo que o afastaria da próxima jornada, mas também há que reconhecer que para um natural da Sérvia Guimarães deve parecer a Disneylândia.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Aquela velha história de o futebol ser um jogo de onze contra onze em que a Alemanha vence no fim encontra paralelismo na série de exibições do melhor jogador da época passada. Nos períodos mais negros da noite chegou a ser avistado perto dos centrais, iniciando jogadas que outros que não queriam ou não podiam iniciar. Ainda ouviu gritos de Bas Dost por tentar o remate cruzado num lance em que poderia ter tentado cruzar para o encosto do holandês, mas na segunda parte aproveitou a boa companhia de Miguel Luís para iniciar um recital que incluiu um golo fácil ao “ir às sobras” de Bas Dost, um remate de muito longe que ficou perto de surpreender o guarda-redes, uma tentativa de marcar em jogada individual e o último tento da noite, assumindo a recarga à queima-roupa do seu próprio remate de cabeça. 

 

Bruno César (2,0)

Escolhido para a titularidade por Marcel Keizer, andou desfasado do resto da equipa e nunca conseguiu provar que tinha um papel a desempenhar neste jogo. Só poderia ter regressado ao relvado após o intervalo se Alvalade ainda vivesse no tempo do outro senhor.

 

Nani (2,5)

Esteve longe de ter a noite mais feliz da carreira, primando pela lentidão no ataque e pelo alheamento nas acções defensivas. Leva como maior influência no jogo o cabeceamento defeituoso na jogada do primeiro pénalti sobre Bas Dost, um remate de longe e um passe longo para a área que seria açucarado caso chegasse a outros pés que não os de Bruno Gaspar. Saiu com problemas físicos que, a manterem-se, podem abrir a porta ao regresso do ex-vimaranense Raphinha ao onze inicial na próxima jornada.

 

Diaby (3,0)

Fez da velocidade e da vontade de ajudar a equipa forças que compensam as ocasionais falhas técnicas difíceis de resolver numa fase tão adiantada da carreira. O melhor cartão de visita foi uma arrancada de um lado ao outro do campo e a assistência para o golo anulado a Bas Dost em que o fiscal de linha viu o maliano em posição irregular e o videoárbitro manteve a decisão por falta de imagens de uma câmara avariada.

 

Bas Dost (4,0)

Invejosos vão dizer que as faltas que deram origem aos dois pénaltis que converteu (três se contarmos com a primeira marcação do segundo, mandado repetir devido à entrada de outros jogadores na grande área) são extremamente parecidas com as sofridas pelo mítico avançado benfiquista conhecido por Vidoso, tantas vezes ocorre o “pénalti do Vidoso”, mas bisou e voltou a colocar-se no topo da lista dos melhores marcadores, ao lado do bracarense Dyego Sousa. E ainda teve tempo para um golo anulado e para servir Bruno Fernandes no lance do 2-2, compensando uma ocorrência na primeira parte em que se esqueceu da aura de “bom gigante” e berrou com o colega após desferir um pontapé num poste que fez abanar a baliza.

 

Miguel Luís (3,5)

Entrou no início da segunda parte e deixou a impressão de que chegava com atraso de 45 minutos mais descontos. Dotado para as trocas no meio-campo em que assenta o modelo de jogo keizeriano, o jovem habituado a festejar títulos europeus mostrou que por ele também se pode festejar títulos nacionais. Líder absoluto nos passes para finalização, selou nova boa exibição com o cruzamento que quase permitiu a Bruno Fernandes marcar de cabeça.

 

Jovane Cabral (3,0)

Voltou a dar cartas em poucos minutos, executando o excelente passe para Bas Dost que levou ao primeiro golo de Bruno Fernandes. E mexeu sempre com o jogo de uma forma que Nani não ousaria fazer.

 

Marcel Keizer (3,0)

Ele bem avisou que prefere vencer por 3-2 em vez de 1-0, mas não deveria estar à espera de começar com um 0-2 e de ver o Nacional a encostar o Sporting às cordas antes de passar a ter o melhor ataque da Liga. Errou ao escolher Bruno César para o onze, corrigindo o passo em falso ao intervalo, só que os 45 minutos da segunda parte duram mais quando toda a gente se diverte, o que se aplica tanto ao relvado quanto às bancadas. Voltou a prescindir da terceira substituição, a conseguir ser feliz sem demasiado esforço e a deixar para mais tarde o inevitável dia em que tudo correrá pior.

Armas e viscondes assinalados: Primeiro houve baile e depois houve debutantes

Sporting 3 - Vorskla 0

Liga Europa - Fase de Grupos 6.ª Jornada

13 de Dezembro de 2018

 

Salin (3,0)

Voltou à baliza que nunca mais ocupara desde que saiu do estádio do Portimonense directamente para o hospital, superando as piores experiências das adolescentes britânicas na noite da cidade algarvia. Desta vez nada de mal lhe sucedeu, ao ponto de nem sequer sofrer golos. Algo que também não seria fácil, pois os ucranianos remataram muito pouco e quase sempre ao lado. No momento de maior (relativa) aflição saiu depressa e bem da grande área.

 

Ristovski (2,5)

Regressado de lesão, o macedónio recordou aos adeptos que garante maior apoio ao ataque do que Bruno Gaspar sem lhe ficar atrás na defesa. Ganhou algum ritmo que ainda manifestamente lhe falta e pôde descansar mais cedo quando Marcel Keizer decidiu conceder oportunidades à juventude leonina.

 

Coates (3,5)

Terminou o jogo com a braçadeira de capitão, entregue por Bruno Fernandes quando foi substituído, e o uruguaio mereceu a honra num jogo em que foi um dos três únicos titulares da recepção ao Desportivo das Aves que não tiveram direito a sopas e descanso. Mesmo tendo facilitado num lance da segunda parte que poderia ter sido melhor aproveitado pelos ucranianos, Coates não só acumulou os tradicionais cortes pela relva e pelo ar como deu início à jogada do segundo golo dos leões.

 

André Pinto (3,0)

Voltou a demonstrar que os medicamentos genéricos podem ser tão eficazes quanto os de marca, contribuindo de forma decisiva para a nada habitual ausência de golos sofridos. Para a noite poder ser mais risonha bastaria que fosse mais expedito nas oportunidades que teve para marcar na grande área contrária.

 

Acuña (3,5)

Já tinha perdido perdão com palavras pela sua expulsão no jogo anterior, mas desta vez pediu perdão com actos, voltando a mostrar-se inflexível a defender e letal a atacar. Contribuiu directamente para o tento inaugural, destacou-se no um contra um e só não conseguiu ser mais decisivo porque os colegas desperdiçaram os livres e cantos que lançou com conta, peso e medida para a grande área contrária.

 

Petrovic (3,0)

Mesmo o cartão amarelo que recebeu, anacrónico num jogo de inequívoco domínio do Sporting, foi um sacrifício necessário para impedir uma incursão de Careca, o brasileiro que foi o mais perigoso de entre os ucranianos. Seguro a vigiar e punir as movimentações do adversário, o sérvio conquistou as bancadas com alguns toques de classe que nem parecem vir do mesmo jogador que falhou o 4-0 ao enviar para cima da barra uma bola que cabeceou à vontade. Mas não tanto quanto estava na primeira parte, sendo então capaz de saltar em falso e deixar o esférico seguir para longe.

 

Miguel Luís (3,5)

Permitiu a defesa do guarda-redes do Vorskla na primeira assistência que recebeu de Bruno Fernandes, mas à segunda oferta empurrou a bola para o fundo da baliza. Dificilmente poderia esperar melhor naquilo que pareceu um teste de aptidão à corrida pelo lugar do lesionado Wendel. Eficaz nas trocas de bola em que assenta o novo sistema de jogo leonino, o jovem da formação marcou pontos e deu por si rodeado de oriundos dos sub-23.

 

Bruno Fernandes (4,0)

A assistência para o golo de Miguel Luís e a semi-assistência para o autogolo do defesa ucraniano que se antecipou à Montero foram dois dos melhores momentos de mais uma grande exibição do jovem que entrou no relvado como capitão. Ainda melhor foi a assistência de calcanhar desaproveitada por Miguel Luís, o passe de calcanhar que permitiu a Acuña cruzar para o 1-0 e as muitas combinações que infernizaram os adversários e ajudaram a que o resultado ficasse feito antes do intervalo. Saiu vinte e poucos minutos antes do fim, com a sensação de dever muito bem cumprido.

 

Carlos Mané (3,0)

Irrequieto ao longo do jogo inteiro, mesmo que isso tenha implicado foras de jogo e perdas de posse de bola, a esperança adiada da Academia de Alcochete demonstrou vontade de recuperar o tempo perdido. Não ficou nada longe de marcar, ainda que tenha preferido jogar para a equipa.

 

Jovane Cabral (2,5)

Não era a noite do habitual talismã quando salta do banco de suplentes. Alternou momentos em que pareceu perdido no relvado com períodos de hiperactividade pouco esclarecida. Sendo o mais rematador da equipa, nada melhor conseguiu do que um remate às redes laterais na primeira parte e do que permitir uma boa defesa ao guarda-redes ao receber uma assistência de Carlos Mané em posição frontal. Pode ser que no domingo recupere o hábito de saltar do banco para alterar o marcador.

 

Montero (3,5)

Atrapalhou-se ao ser isolado frente ao guarda-redes por Jovane Cabral, mas no lance do primeiro golo provou que é capaz de cabecear por instinto e a sua presença bastou para induzir um adversário a fazer autogolo. Sempre excelente a combinar com Bruno Fernandes, não merecia o extremo azar de sair de maca devido a uma bola dividida no meio-campo.

 

Pedro Marques (3,0)

O jovem avançado que está longe de ser titular indiscutível nos sub-23 teve direito a mais de meia hora de jogo devido à lesão de Montero e tudo fez para deixar marca. Campeão dos foras de jogo, podia ter marcado num cabeceamento por cima da barra e numa jogada de insistência dentro da grande área do Vorskla. Nada mal para um dos dois estreantes na equipa principal do Sporting.

 

Thierry Correia (2,5)

Voltou a somar minutos na Liga Europa, e sem estar isento de erros defensivos pode dizer que ficou a centímetros de juntar o seu nome à lista de marcadores na competição.

 

Bruno Paz (3,5)

O segundo e último debutante na equipa principal deu muito boa conta de si desde o instante em que ocupou o lugar de Bruno Fernandes. Robustez física, qualidade de passe e visão de jogo foram os requisitos para fazer figura em pouco mais de 20 minutos, pois assistências como aquela que fez para Thierry Correia não estão ao alcance de qualquer um.

 

Marcel Keizer (3,5)

Trocar oito titulares e mesmo assim chegar ao intervalo a ganhar por 3-0 é um sinal de que a sorte protege os audazes. Depois de ter visto a equipa dar baile aos ucranianos, optou por dar minutos aos jovens que convocara e chegou ao apito final com seis ‘made in Alcochete’ no relvado, para gáudio dos 25 mil que foram a Alvalade numa noite fria. Domingo há mais, e o treinador holandês terá  quase todos os titulares bem frescos para somar mais três pontos na recepção ao Nacional da Madeira.

Armas e viscondes assinalados: Nem com um a menos se repetiu o Jamor

Sporting 4 - Desportivo das Aves 1

Liga NOS - 12.ª Jornada

9 de Dezembro de 2018

 

Renan Ribeiro (3,5)

Sabia que o último guarda-redes do Sporting a sofrer dois golos do Desportivo das Aves num só jogo é agora titular de um clube da Premier League, mas nem assim o brasileiro consentiu que a bola voltasse a transpor a linha de golo após o tento que abriu o marcador em Alvalade. Sem nada poder fazer para desviar o cabeceamento de Defendi, Renan Ribeiro cobriu bem o ângulo para evitar que Amilton fizesse o 0-2 num contra-ataque muito rápido, e voltou a dificultar a missão de Elhouini, servido por um péssimo atraso de Coates, mesmo antes de o intervalo chegar e de Nani selar a reviravolta. Manteve-se atento na segunda parte, encaixando remates perigosos e controlando o tráfego aéreo na sua grande área de jurisdição.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Ficou a dever o 5-1 a Bas Dost, sendo incompreensível como conseguiu cruzar mal ao ponto de os metros de avanço do holandês em relação à linha defensiva de nada servirem. Por essa altura já era evidente que o lateral-direito assumira o papel de coveiro de jogadas prometedoras, tão manifesta a sua incapacidade de conseguir desequilíbrios ou de sequer fazer chegar a bola aos colegas de equipa. Melhor defensivamente, distinguiu-se por um alívio milagroso que evitou um segundo golo capaz de levar a que também Renan Ribeiro fosse para o Wolverhampton. Muito pouco, ainda assim, para justificar titularidade (até a presença) numa equipa que luta para ser campeã.

 

Coates (2,5)

Dizer que não foi a melhor noite da carreira do central uruguaio é pouco. O golo do Desportivo das Aves teve o seu aval, tamanha a liberdade que permitiu a Defendi, mas também abusou da sorte em contactos com adversários na grande área e fez um passe disparatado a Renan que poderia ter levado a um pesadelo semelhante àquele que viveu na final da Taça de Portugal. Claro que a isto pode contrapor uma sucessão de cortes providenciais e de outras resoluções de problemas, bem como uma incursão pelo meio-campo adversário (em trocas de bola com Bas Dost) menos  fútil do que é habitual, ainda que tão pouco frutífera quanto as anteriores. Mas a ele exige-se sempre mais. 

 

Mathieu (3,0)

Forçado a trabalhar muito na fase inicial de construção de jogadas, devido à apertada vigilância que os adversários impuseram ao meio-campo leonino, o francês deu o que tinha. E ainda lhe sobrou muito para fazer cortes e antecipações que evitaram maiores dissabores ao Sporting.

 

Acuña (2,0)

Viu dois amarelos, o segundo dos quais por derrubar um adversário que se iria isolar, e deixou os colegas com menos um em campo durante quase 40 minutos. Já não seria grande cartão de visitas, mas a parte pior é que a sua exibição ficou mais marcada pelos conflitos com a equipa de arbitragem (sobretudo o fiscal de linha a quem terá declamado alguns dos mais belos versos da poesia em língua castelhana), e pelas picardias que lhe valeram o primeiro amarelo, do que pelo futebol praticado. Tendo recolhido mais cedo ao balneário, talvez tenha podido assistir ao prolongamento da final da Taça Libertadores da América.

 

Gudelj (3,0)

Começou o jogo totalmente manietado pela táctica do Desportivo das Aves, demorando a ganhar espaço. Conseguiu-o sobretudo na segunda parte e revelou-se útil na missão de não se reparar tanto na inferioridade numérica dos jogadores verdes e brancos.

 

Wendel (3,0)

Vítima de uma entrada a puxar para o assassino, mesmo que nem sequer sancionada com falta, o jovem brasileiro regressou ao relvado com uma ligadura e com prioridade na ordem de substituições, sendo descansado por Marcel Keizer quando se tornou evidente que estaria tocado. Até então fizera o possível para assegurar circulação de bola no meio-campo. Mas não tão bem quanto nos jogos anteriores.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Chamar assistência ao passe que fez para Nani antes do 2-1 poderá ser uma tecnicalidade, mas o cruzamento perfeito, tirado da cartola mesmo junto à bandeirola de canto para Bas Dost cabecear para o 3-1, tal como o passe rápido e cheio de efeito que serviu Diaby no 4-1, são obras de arte só ao alcance de um grande jogador. Tão eficaz a construir como solidário a defender, voltou a provar que o melhor jogador da última temporada não se encontra num retiro espiritual tendo deixado um sósia no seu lugar.

 

Nani (3,0)

Marcou um golo magnífico, num remate de fora da área que não perde mérito por ter beneficiado do toque num adversário, daqueles golos que dá valor ao preço que se paga para ver um jogo. Foi o ponto mais alto de uma noite em que andou muitas vezes desaparecido, foi pouco influente na equipa e poderia ter saído mais cedo para permitir a entrada de Jovane Cabral.

 

Diaby (4,0)

Podia ter entrado na história do jogo mais cedo, pois dominou bem a bola dentro da grande área do Aves e rematou com muita força, só que a bola tentou furar as redes pela parte de fora. Precisou de esperar pelo lance em que foi abalroado quando procurava servir Bas Dost de cabeça, valendo o pénalti que permitiu o empate. E mais tarde selou o resultado final, pouco depois da expulsão de Acuña reavivar fantasmas de jogos passados, controlando muito bem a bola oferecida por Bruno Fernandes, flectindo rapidamente em direcção à baliza e fazendo um remate indefensável. Saiu do relvado com a sensação do dever cumprido.

 

Bas Dost (4,0)

O grau de confiança de Bas Dost ficou patente na firmeza com que agarrou a bola quando o árbitro ainda se dirigia para os monitores nos quais reviu várias vezes a falta sobre Diaby. A mesma confiança que lhe permitiu cobrar a grande penalidade de forma simples e eficaz, ou que serviu para cabecear como mandam as regras o cruzamento inesperado que Bruno Fernandes lhe endereçou. Sendo certo que talvez abuse do tempo que passa longe da baliza, nomeadamente em combinações com os colegas, não ficou longe de somar uma assistência para golo à contabilidade, descobrindo o recém-entrado Bruno César em boa posição para marcar.

 

Jefferson (2,5)

Foi chamado ao jogo na sequência da expulsão de Acuña, e foi útil sem deslumbrar, numa eficácia desprovida de brilhantismo que ajudou a assegurar tranquilidade à noite dos mais de 35 mil que foram a Alvalade. Chegou para ser o melhor lateral da equipa.

 

Bruno César (2,5)

Entrou para o lugar de Diaby, mas com a verdadeira missão de substituir Wendel, por sua vez sacrificado para a entrada de Jefferson. Devolveu critério na posse de bola e ficou a centímetros de fazer o 5-1, num remate à entrada da grande área, após uma assistência de Bas Dost.

 

Marcel Keizer (3,5)

Estreou-se no Estádio de Alvalade com uma exibição que não foi isenta dos sustos a que os sportinguistas se devem ir habituando. Desta vez não obteve resultados tão positivos do meio-campo, mas os violinos da orquestra estiveram afinados quanto baste para assegurar bons momentos de futebol e um caudal de golos que coloca o Sporting à beira de ter o melhor ataque da Liga. Bem a reagir à expulsão de Acuña, ainda que a dois tempos, só pecou por não refrescar a equipa com a terceira substituição. Tanto Jovane Cabral como Montero poderiam aproveitar o balanceamento dos adversários para o ataque nos últimos minutos de jogo.

Armas e viscondes assinalados: Seguro dos três pontos saiu do banco

Rio Ave 1 - Sporting 3

Liga NOS - 11.ª Jornada

3 de Dezembro de 2018

 

Renan Ribeiro (3,0)

Duas defesas apertadas consecutivas (uma delas com a cara) que impediram o empate a 2-2 e uma estirada felina que roubou o 2-3 a Fábio Coentrão limparam uma noite de calafrios auto-infligidos. Mal o jogo tinha começado e já o guarda-redes emprestado pelo Estoril-Praia demorou tempo infinito a despachar uma bola, ficando perto de oferecer o golo ao Rio Ave. Embora pouco pudesse fazer no golo do empate, tão boa foi a execução do livre directo, não recolheu aos balneários sem antes sair dos postes de forma atabalhoada e hesitante, coroada com um alívio disparado contra o corpo de Acuña que só por sorte não foi aproveitado pelos adversários. Na segunda parte melhorou bastante, ao ponto de não fazer nada mais grave do que ceder um canto quando a bola se dirigia tranquilamente para a linha de fundo.

 

Bruno Gaspar (2,5)

O lateral-direito oriundo da Florentina difere de Winston Churchill no que toca a promessas de sangue e de lágrimas, embora os adeptos possam chorar ao recordarem-se de César Prates, de Abel, de Cédric Soares e mesmo de Schelotto e de Piccini. Uns poucos cruzamentos bem medidos, tristemente desaproveitados, são tudo o que de bom tem para mostrar em mais um jogo de muito suor, pois enfrentou adversários de grande talento a atacar e a defender, e em que deu o que tem. A mais não é obrigado, infelizmente.

 

Coates (3,5)

A forma acelerada como marcou o livre que permitiu inaugurar o marcador foi a expressão ofensiva das muitas antecipações que evitaram males maiores às balizas do Sporting. Juntou mais dois grandes cortes à colecção permanente do seu museu, esteve mais uma vez perto de marcar com a mesma cabeça com que serviu Diaby para uma ocasião que só não deu golo devido a uma grande defesa do guarda-redes adversário. E não se intimidou por ter sido um dos muitos sportinguistas contemplados com um amarelo por travar o irrequieto extremo Galeno.

 

Mathieu (3,5)

Mostrou o que é ter experiência e velocidade ao fazer um corte de carrinho na grande área tão arriscado que deveria ser antecedido por um aviso aos cardíacos. Também esteve perto de marcar de cabeça, mas teve mais pontaria com as mãos que deram o chega-para-lá ao adversário que cacarejava junto a Jefferson depois de o brasileiro ter sofrido uma entrada punida com um vermelho desbotado ao ponto de ficar amarelo.

 

Acuña (3,0)

Amarelado desde o primeiro quarto de hora de jogo, por culpa de José Peseiro e do amigo de Sousa Cintra que sabe tudo acerca de futebol, presumíveis culpados por Fábio Coentrão não poder terminar a carreira no clube do seu coração, o argentino teve um jogo atípico. Claro que somou mais uma assistência com um cruzamento perfeito para Bas Dost fazer o 1-2, mas nem sempre conseguiu expor o seu futebol e teve como segundo maior mérito o relativo controlo emocional que o impediu de juntar-se ao clube de amarelados por influência directa de Galeno. Após ficar a um xistrésimo de segundo de ser expulso por acumulação de amarelos foi substituído pelo cauteloso Marcel Keizer.

 

Gudelj (2,5)

Muitas vezes assoberbado pela avalancha ofensiva da equipa da casa, o sérvio ficou uns bons furos abaixo das exibições anteriores na contenção de danos e na construção de jogo. Já nos abundantes remates demonstrou coerência, mantendo o hábito de apontar para a baliza imaginária que só ele vê a pairar cinco metros acima do relvado.

 

Wendel (3,5)

Voltou a ser a formiga incansável do meio-campo leonino, batalhando em cada lance para ganhar posse de bola ou tecer a sucessão de passes rápidos em que assenta o regime keizeriano. Viu tanto esforço recompensado com uns minutos de descanso após a vitória ficar praticamente garantida.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Começou por marcar o primeiro golo do jogo, com um remate em diagonal perfeita após excelente desmarcação dentro da grande área. Só não bisou com um dos remates que são a sua marca registada, disparados de longe com muita força, direcção e efeito, porque Léo Jardim resolveu ser um desmancha-prazeres e desviou para canto. Quase sempre mais recuado do que Wendel, assumiu o transporte criterioso da bola e tentou ajudar Gudelj a ajudar-se, assim permanecendo até ao fim de um jogo facilitado pelo instante em que poderia rematar em posição frontal mas viu o recém-entrado Jovane Cabral à sua direita e permitiu que outros fizessem arte.

 

Nani (3,5)

Assistiu Bruno Fernandes no lance do 0-1 com a mesma mestria serena que lhe permitiu armar jogo, vigiar os adversários e até queimar tempo nos minutos que antecederam o apito final. Assenta-lhe mesmo bem aquela braçadeira.

 

Diaby (2,5)

Raphinha já treina e será uma questão de tempo até recuperar aquilo que é legitimamente seu. Enquanto esse dia não chega, cabe ao maliano ocupar-se de demonstrar que não cumpre os mínimos para seguir as pisadas de Figo, Quaresma e Cristiano Ronaldo. Melhor enquanto segundo avançado, ficou perto de marcar pelo terceiro jogo consecutivo, o que poderia ser encarado como um sinal de iminência do apocalipse.

 

Bas Dost (3,0)

Lutou com ninguém, demonstrou que deve ser o melhor colega que qualquer um pode desejar, mas a triste realidade é que não foi, nem por sombras, tão eficaz e letal quanto é seu bom hábito. Acumulou oportunidades desperdiçadas nos seus primeiros remates até que viu Acuña a preparar a mira, antecipou-se ao central e fez um magnífico cabeceamento que elevou para a meia-dúzia a sua contabilidade de golos na Liga NOS. Mais discreto na segunda parte, como quase toda a equipa, ‘limitou-se’ a ganhar duelos aéreos e a trocar cada vez melhor a bola com os colegas.

 

Jefferson (2,5)

Entrou para poupar o Sporting a jogar com menos um, numa noite em que Acuña não esteve tão inspirado e a comparação directa foi menos cruel. Resolveu alguns problemas na defesa, fez um cruzamento que Léo Jardim encaixou antes de Bas Dost lá chegar e sofreu o tipo de entrada que poderia tê-lo desconjuntado e daria à equipa médica leonina a hipótese de fazer aquilo que uma empresa sinistra fez ao polícia Murphy no clássico de ficção científica ‘Robocop’.

 

Jovane Cabral (3,5)

Recebeu com o pé a bola como se esta fosse colorida nas mãos de uma criança e fez o arco em ogiva que sossegou o espírito dos sportinguistas que tremiam com a desvantajosa vantagem do 1-2 que parecia eterno enquanto durasse. O golo que marcou fica como o melhor momento de um jogo movimentado e torna menos ridícula a ladainha do “para quem gosta verdadeiramente de futebol” que se ouvia na televisão. Ao seguro dos três pontos que saiu do banco só faltou bisar num contra-ataque em que permitiu o desvio para canto quando poderia flectir para o centro da grande área.

 

Bruno César (2,0)

Escassos minutos em campo serviram para fazer prova de vida, com bom toque de bola misturado com perdas de bola evitáveis. 

 

Marcel Keizer (3,5)

Teve uma boa estreia na Liga NOS e viu os seus jogadores interpretarem bem uma filosofia de aceleração do processo ofensivo e outras expressões utilizadas por quem gosta verdadeiramente de ganhar o sustento a falar de futebol. Compensou a entrada mais fraca na segunda parte com as substituições, tirando Acuña por cautela, Diaby por oportunidade e Wendel por cansaço, permitindo que Jefferson, Jovane Cabral e Bruno César assegurassem a conquista dos três pontos que mantêm o Sporting a dois pontos da liderança e com dois jogos teoricamente fáceis em Alvalade antes da deslocação a Guimarães.

Armas e viscondes assinalados: O azar dos azeris veio à meia-dúzia de Alvalade

Qarabag 1 - Sporting 6

Liga Europa - 5.ª Jornada

29 de Novembro de 2018

 

Renan Ribeiro (2,5)

Nem no Azerbaijão se livrou de sofrer um golo sem ter grande culpa disso. Depois de ter as redes arrombadas, com o Qarabag a repor a igualdade que pouco tempo durou, pôs trancas à porta da grande área, de onde saiu em duas ocasiões, e com grande estilo, para travar ataques da equipa da casa. Mesmo assim, e apesar de ser um espectador pouco participante na maior parte do jogo, quase sofreu um segundo golo que só não existiu devido à rapidez de raciocínio e de execução demonstrada por Bruno Fernandes. É possível que o brasileiro emprestado pelo Estoril-Praia seja um guarda-redes à altura do Sporting, mas raramente tem oportunidades para o provar.

 

Bruno Gaspar (2,5)

Começou em grande, fazendo o cruzamento que Bas Dost transformou no lance do pénalti que abriu o marcador, mas ficou marcado pelo lance do golo do Qarabag, no qual nada pôde fazer contra dois adversários que apareceram sozinhos na grande área. Primou pela mediania esforçada e pela ausência de novos cruzamentos, voltando a mostrar que o Sporting tem um problema na direita tanto grande quanto as sondagens do PSD.

 

Coates (3,5)

Habituado a ser o patrão da defesa leonina, patrão continuou a milhares de quilómetros de Lisboa. Começou por resolver todos os problemas aéreos e terrestres na sua área de intervenção, mas com o passar do tempo integrou-se cada vez mais no ataque. Só lhe faltou o golo que deveras mereceria.

 

André Pinto (3,0)

Voltou a interpretar na perfeição o papel de suplente de Mathieu. O central português é o mais próximo de um bom ‘understudy’ da Broadway que se pode encontrar nos relvados, pois raramente ou nunca desilude quem nunca pagaria bilhete para o ver jogar. Assim voltou a fazer e os azeris foram postos em respeito.

 

Jefferson (2,0)

Todas as boas indicações deixadas no jogo anterior, aquele em que fez duas assistências para golos de Bas Dost, não chegaram a embarcar no avião que transportou a comitiva leonina. Inofensivo no ataque, e incapaz de fazer um cruzamento que fosse, o brasileiro só não foi pior porque não comprometeu por aí além nas missões defensivas. Felizmente haverá Acuña ao luar de Vila do Conde na segunda-feira.

 

Gudelj (3,5)

Começou o jogo algo manietado pelos jogadores do Qarabag, incapaz de participar na construção do ataque. Mas depressa se impôs na floresta do meio-campo e foi um dos intérpretes da nova filosofia de jogo que Marcel Keizer veio trazer ao Sporting. Outro ponto positivo: num festival de cartões amarelos, em que os azeris foram admoestados a torto e a direito, escapou incólume.

 

Wendel (4,0)

Outro que demorou alguns minutos a encontrar o seu lugar no relvado, até porque jogar ao primeiro toque é mais complicado do que o futebol mastigado e contemplativo dos tempos do outro senhor. Quando encontrou o lugar trouxe ilimitado azar aos azeris, acumulando assistências para golo e contribuindo de todas as formas para um resultado que poderia ser ainda mais impressionante se não tivesse cabeceado de olhos fechados, mesmo em frente da baliza, de uma forma equivalente à do célebre e infausto falhanço de Bryan Ruiz.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Tranquilizou as hostes com o remate de meia-distância que resultou no 1-2, contando com força, colocação, ressalto na relva e alguma ajuda do guarda-redes. Déspota iluminado do meio-campo ofensivo, combinou com os colegas de um modo que merece nota artística elevada, e bisou na segunda parte, numa desmarcação rápida e decidida ao passe de Wendel. É verdade que foi o único sportinguista amarelado, mas compensou-o ao chutar para longe a bola que ameaçava reduzir a desvantagem do Qarabag para 2-3.

 

Nani (4,0)

Venceu em drible e velocidade metade da equipa da casa para fazer um golo espantoso e claramente merecedor de ser comemorado com o salto mortal que deve provocar calafrios às seguradoras. Antes disso já se fazia notar pela forma como recuava no relvado para construir jogadas. Saiu alguns minutos antes para a ovação dos poucos adeptos leoninos sentados numas bancadas que também não tinham muito mais adeptos do Qarabag.

 

Diaby (3,5)

Encaminhava-se para mais um festival de inconseguimentos, embora tivesse participado na jogada que deu origem ao primeiro golo, oscilando entre perdas de bola e falhas de cobertura (a mais flagrante conduziu ao golo do empate), mas não só voltou a marcar um golo como, já depois de passar a referência atacante para o descanso de Bas Dost, ainda sucedeu que bisasse. 

 

Bas Dost (3,5)

Não muito distante do Azerbaijão, Jorge Jesus também decerto exclamou ter sido ele a ensinar o holandês a dominar a bola como dominou, forçando um adversário a derrubá-lo, e a marcar o penálti com uma perfeição maquinal. Não satisfeito com isso, o ponta de lança voltou a empenhar-se nas combinações com os colegas, compensando a falta de novas oportunidades de golo provocada pela ausência de cruzamentos dos desinspirados laterais. Teve direito a descanso antecipado, pois na segunda-feira há três pontos para amealhar frente ao Rio Ave.

 

Jovane Cabral (3,0)

Chegou, viu e assistiu para golo. Wendel desperdiçou um cruzamento perfeito, mas Diaby mostrou ser bem-agradecido e facturou. Pena que tenha entrado para o lugar de Bas Dost, pois o holandês teria finalmente quem lhe colocasse bolas na cabeça. Pena também que numa belíssima jogada individual não tenha rematado melhor.

 

Thierry Correia (2,0)

Teve direito à estreia na equipa principal e, sem nunca deslumbrar, esteve à altura da responsabilidade e não destoou do substituído Bruno Gaspar - o que também não é dizer assim tanto. Se o campeão europeu de sub-17 e sub-19 se consciencializar que é o elemento dos sub-23 para quem as circunstâncias do plantel do Sporting são mais favoráveis, tudo terá para ser um caso sério.

 

Carlos Mané (2,0)

Já passava dos 90 minutos quando fez uma arrancada pelo meio-campo adversário que fez recordar as esperanças que nele depositavam antes do advento de Jesus, do exílio alemão e das lesões recorrentes. Foi pena não ter um pouco mais de energia.

 

Marcel Keizer (4,5)

Disse que o Sporting não fez o jogo perfeito, ainda que a goleada à antiga, tão grande quanto as maiores da Europa, e a exibição muito bem conseguida tenham sido uma boa aproximação. Parece evidente que os jogadores estão a assimilar bem as suas ideias, algo que não deixa de ser verdadeiro só por soar ao pior tipo de futebolês. E se conseguir solucionar os problemas laterais do Sporting poderá ser um caso sério.

Armas e viscondes assinalados: Nove minutos para as ambições do Keizer

Lusitano de Vildemoinhos 1 - Sporting 4

Taça de Portugal - 4.ª Eliminatória

24 de Novembro de 2018

 

Renan Ribeiro (2,5)

O Boavista e o Arsenal mantiveram-se isolados no que toca à capacidade de não marcarem golos ao guarda-redes brasileiro, último a ficar mal na fotografia (após Bruno Fernandes, Gudelj, Coates e Bruno Gaspar) na jogada em que o Lusitano de Vildemoinhos empatou. Antes disso fizera uma boa defesa e tornara-se observador pouco participante do desafio disputado no sempre deslumbrante estádio do Fontelo. Pior balanço da tarde só poderia ter ocorrido se a equipa dos arredores de Viseu tivesse feito o segundo golo, mesmo ao cair do pano (certamente molhado de levar com tanta chuva) num lance de insistência em que o remate saiu muito por alto e Renan aparentava estar batido.

 

Bruno Gaspar (2,5)

Muito em jogo na primeira parte, ao ponto de ter sofrido um toque dentro da grande área adversária que poderia ter levado à marcação de um pénalti, ganhou várias vezes a linha e cruzou para zonas lamentavelmente desprovidas de camisolas verdes e brancas. Do ponto de vista defensivo sobressaiu uma dobra em que afastou a bola na hora H, mas no instante I observou o cabeceamento de Diogo Braz para a baliza do Sporting. Para piorar, muitas foram as ocasiões durante a segunda parte em que se tornou evidente que não fazia a menor ideia do que deveria fazer à bola.

 

Mathieu (3,0)

Começou com uma perda de bola que teria sido assaz comprometedora não fosse o caso de o próprio ter recuperado terreno e impedido o golo que inauguraria o marcador. Foi esse o mote de uma actuação segura, mesmo quando recorria à classe para solucionar os seus próprios erros, ainda que no lance do golo do Vildemoinhos seja o menos culpado.

 

Coates (3,0)

Três vezes reincidiu nas incursões pelo meio-campo contrário, sem quaisquer consequências práticas, o que talvez deva levar a repensar essa prática perante adversários mais complicados. Mas no resto, tirando o posicionamento no lance do empate, foi de uma competência tão absoluta que quase se pode esquecer por um instante que os adversários eram de um escalão muito inferior.

 

Jefferson (3,5)

Na ausência de Acuña coube-lhe ser o cruzador-mor do Sporting, e o balanço final de duas assistências para golo mostra que não desaproveitou a oportunidade. Na primeira parte fez um cruzamento rasteiro e muito rápido para o encosto de Bas Dost e na segunda parte fez um cruzamento aéreo e em que a bola demorou a fazer o arco para o pontapé de Bas Dost. Ambos deram resultado e fizeram com que o brasileiro não ficasse à espera de uma segunda oportunidade para causar uma boa primeira impressão ao novo treinador.

 

Gudelj (3,0)

Entre as suas culpas no cartório estão o cartão amarelo algo escusado que o condicionou desde cedo e a displicência com que permitiu o cruzamento para o golo dos adversários. Mas voltou a provar que é um poço de força que utiliza para varrer o meio-campo de ameaças à integridade territorial da sua equipa.

 

Wendel (3,0)

Foi o melhor do Sporting na primeira parte, e não apenas por ter dado início à jogada que inaugurou o marcador. Muita luta, qualidade de passe e capacidade de ler o jogo só não surtiram melhores efeitos porque não afinou a pontaria na hora de rematar. Na segunda parte começou a decair, com a falta de ritmo e o cansaço nas pernas a virem ao de cima, pelo que foi substituído por um compatriota que entrou no relvado já mais cansado do que ele.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Estava a ser mais uma tarde mal-aventurada para o melhor jogador da Liga em 2017/2018, capaz de rematar para as bancadas, em posição frontal, após uma defesa incompleta do guarda-redes, para de seguida perder a bola que permitiu o golo que anulou a vantagem obtida por Bas Dost. Mais recuado do que Wendel, e com instruções para iniciar a construção das jogadas, andava perdido no jogo. Tudo mudou na segunda parte, mais concretamente no momento de pura magia em que recebeu a bola de costas para a baliza, fez um passe de calcanhar para Bas Dost, recebeu a tabelinha do holandês e num toque seco de primeira dirigiu a bola para o fundo das redes, dando início aos nove minutos que levaram o Sporting do sufoco do 1-1 à tranquilidade do 1-4. Mais influente ao longo dos últimos 45 minutos, deixou a esperança de que os bons tempos estejam para voltar.

 

Diaby (3,0)

Começou por fazer várias boas arrancadas pela direita, não raras vezes coroadas com cruzamentos bastante decentes, e desta vez não executou os inconseguimentos futebolísticos que borram habitualmente as suas pinturas. Tão especial era o dia que até marcou um golo à ponta de lança, servido por Nani, recebendo um voto de confiança de Marcel Keizer ao ser desviado para a posição de avançado centro quando Bas Dost teve direito a merecido repouso.

 

Nani (3,0)

Outro que andou à espera do comboio na paragem do autocarro numa primeira parte em que deixou como principal marca o desperdício de um dos melhores cruzamentos de Jefferson. Voltou do intervalo com mais garra, ainda que a velocidade que vai faltando dificulte boa parte daquilo que se espera de um extremo. Mas isso não o impediu de servir Diaby para o golo que selou o resultado final.

 

Bas Dost (3,5)

Agarrado pela camisola num lance em que o árbitro decidiu não marcar grande penalidade, o avançado holandês mostrou-se sempre muito dinâmico a trocar a bola com os colegas e não desperdiçou a ocasião que teve para fazer o primeiro golo num toque precioso junto ao relvado. Só precisou de metade da segunda parte para bisar, novamente com o pé, e para fazer um assistência primorosa. Se a cabeça tivesse mais juízo, o Vildemoinhos é que pagaria.

 

Jovane Cabral (2,0)

O elemento do plantel do Sporting que mais tem a agradecer a José Peseiro não aproveitou a quinzena de minutos no relvado para recuperar a aura de talismã. Mas ainda assim fez duas boas incursões pela direita, numa lógica de depressa e (mais ou menos) bem até existe quem.

 

Bruno César (1,5)

Entrou e logo começou a perder bolas e fazer passes errados. Se a ideia era provar que tem lugar no plantel, dir-se-ia que a resposta não foi a melhor.

 

Petrovic (1,5)

Deu descanso a Gudelj nos últimos minutos e dedicou-se a fazer um número de faltas desproporcional ao tempo passado no relvado. 

 

Marcel Keizer (3,0)

Tinha a estreia mais desejável, enfrentando um adversário de escalão inferior, mas não arriscou descansar titulares além de Acuña. Também mostrou o seu dedo ao apostar em Wendel para um 4-3-3 sem flúor de duplo pivot defensivo, mas a verdade é que também passou por um belo sufoco quando o Vildemoinhos empatou logo a seguir ao 1-1. Aos 60 minutos não tinha nenhum suplente a aquecer, pelo que os nove minutos de bom futebol que permitiram a maior goleada leonina dos tempos mais recentes caíram do céu e da qualidade individual de alguns jogadores daquele plantel que não escolheu. O sinal mais interessante foi a aposta em Diaby para terminar o jogo na posição para a qual terá sido contratado, em troca de meia-dúzia de milhões de euros. Mas os próximos embates, com Qarabag e Rio Ave, darão sinais mais claros quanto à evolução do futebol do Sporting do que a passagem em frente na Taça de Portugal.

Armas e viscondes assinalados: Chaves para as portas da vice-liderança

Sporting 2 - Desp. Chaves 1

Liga NOS - 10.ª Jornada

11 de Novembro de 2018

 

Renan Ribeiro (2,5)

Muito pouco teve para fazer ao longo de quase todo o jogo e muito pouco fez nas raras ocasiões em que era preciso. Além do lance do golo do Chaves, no qual foi impotente perante o arco do triunfo de Niltinho, o guarda-redes brasileiro distinguiu-se por algumas reposições de bola muito abaixo dos mínimos.

 

Bruno Gaspar (3,0)

Despertou para alguns dos melhores e mais intensos minutos que os sportinguistas lhe viram (não muitos ao vivo, pois pouco mais de 20 mil foram ao estádio) na segunda parte, depois de ficar estendido na grande área adversária ao fazer aquilo que se pede a um lateral de um clube grande: diagonais que aumentem as hipóteses de golo. Já na primeira parte tivera uma ocasião para marcar, permitindo o desvio para canto, mas na maioria parte do tempo parecera tão detido nas movimentações quanto o homónimo que o foi contratar à Fiorentina.

 

Coates (3,5)

Nem o golo do Chaves, longe da sua área de influência, retira brilho a mais uma grande exibição do uruguaio, impondo extremas restrições ao espaço aéreo como só ele sabe. No que toca às tradicionais incursões ofensivas destaca-se uma tentativa de triangulação prejudicada pela interpretação de Bruno Gaspar do que representa ser um vértice.

 

Mathieu (3,5)

Começou o jogo com um susto, pois um atraso levou a bola a deslizar demasiado na relva molhada. Teve muito tempo para se redimir e assim fez, não só nos cortes e na pressão sobre os adversários, mas também na capacidade de esticar o jogo ofensivo dos leões.

 

Acuña (3,5)

Foi o último a tocar na bola antes do apito final, o que constituiu uma certa justiça cósmica para o argentino, novamente posicionado como lateral-esquerdo de grande vocação atacante. Deve-se-lhe o cruzamento perfeito que permitiu a Bas Dost inaugurar o marcador, outros centros que ficaram por aproveitar, uma atitude de carraça que deve causar calafrios aos adversários e a disponibilidade para disputar a bola mesmo que lhe estejam a agarrar a camisola ou a fazerem entradas de sola que são punidas com vermelho directo. A destoar em mais uma grande exibição só mesmo a liberdade que concedeu a Niltinho no lance do golo do Chaves.

 

Gudelj (3,0)

Viu um cartão amarelo por uma obstrução que provavelmente seria considerada um cumprimento cordial na Sérvia. Novamente colocado na posição mais recuada do meio-campo leonino, onde parece ter encontrado o seu nicho, voltou a servir-se do físico e da experiência acumulada para levar a água ao seu moinho.

 

Miguel Luís (3,0)

Manteve a titularidade que lhe fora entregue perante o Arsenal pelo seu antigo treinador dos tempos de júnior. Distinguiu-se pelo muito que lutou no miolo do terreno, ainda que sem nunca deslumbrar tanto quanto deverá precisar para continuar a ser aposta do novo treinador.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Teve em omnipresença o que lhe faltou em omnipotência e omnisciência, pois o seu mapa de acção cobre todo o relvado. O pior foram os resultados práticos, pois a sua tentativa de míssil teleguiado saiu directa para as bancadas esvaziadas pelo boicote da Juve Leo, uma desmarcação feita por Jovane Cabral foi desperdiçada e um passe longo que isolaria Nani não chegou ao destino. Pode ser que a pausa na Liga e a mudança de treinador ilumine o melhor futebolista da última edição da Liga NOS.

 

Nani (3,0)

Passou o tempo a construir jogadas e à procura de oportunidades para se reaproximar da liderança da lista de melhores marcadores. Valeu a pena? Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena... Teve direito a aplausos das bancadas ao ser substituído, já em tempo de descontos.

 

Jovane Cabral (3,0)

Desta vez foi titular, o que não costuma combinar assim tão bem com ele. Mesmo assim, um cruzamento para Bas Dost cabecear à figura e um remate rasteiro desviado pelo guarda-redes compensam um pontapé sem qualquer nexo junto da linha de fundo.

 

Bas Dost (3,5)

Passou dois minutos com a bola nas mãos, enquanto à sua volta os jogadores do Chaves protestavam, o videoárbitro revia as imagens e o guarda-redes era assistido. Foi autorizado a marcar o pénalti, fez o resultado final. Logo no início da primeira parte inaugurara o marcador com um cabeceamento irrepreensível, demonstrando que quem sabe nunca esquece.

 

Montero (2,0)

Preparava-se para entrar com o jogo empatado, entrou com o 2-1 e a missão de agitar o ataque, mas ficou demasiado só e lutou mais do que conseguiu obter.

 

Diaby (2,0)

Entrou para o lugar de Jovane e também oscilou de ala, logrando um bom cruzamento da direita para Bas Dost, que não andou longe de ser a única coisa digna de registo que o maliano tem para oferecer.

 

Misic (-)

Voltou a pisar o relvado em tempo de descontos. Pode ser que o Keiser engrace com ele.

 

Tiago Fernandes (3,0)

Deixa o Sporting na segunda posição, a apenas dois pontos do FC Porto, e bem posicionado para a qualificação na Liga Europa. Não só isso como aqui e acolá surgem uns vislumbres do que é construir jogadas com pés e cabeça. O interino emocionou-se no final do jogo, mas não se deve esquecer que os leões voltaram a terminar um jogo com vontade de queimar tempo para assegurar os três pontos. Estando a jogar contra dez. 

 

Armas e viscondes assinalados: Um nulo mais valioso do que a soma das partes

Arsenal 0 - Sporting 0

Liga Europa - 4.ª Jornada da Fase de Grupos

8 de Novembro de 2018

 

Renan Ribeiro (3,0)

Tornou-se o primeiro guarda-redes a defender as balizas do Sporting em relvados ingleses sem ser natural de Marrazes desde há muito tempo, podendo celebrar a data com o fim da impressionante série de jogos consecutivos a sofrer golos fora de casa que os leões ostentavam. Longe de ter feito uma exibição espantosa, daquelas que o levariam, mais tarde ou mais cedo, a engrossar as fileiras do Wolverhampton, o brasileiro teve um par de defesas seguras que ajudaram a manter o empate, distinguiu-se nas saídas aos cruzamentos e contou com a preciosa ajuda da dupla de centrais.

 

Bruno Gaspar (2,5)

Muito sofreu com o endiabrado extremo Iwobi, felizmente mais interessado na parte lúdica do futebol do que na fria contabilidade dos golos e assistências, mas a sua passagem por Londres fica marcada acima de tudo pela participação inadvertida na grave lesão do avançado Welbeck. 

 

Coates (3,0)

Seria candidato a homem do jogo se não tivesse deixado escapar um atraso de bola proveniente do meio-campo que deixou a equipa a jogar só com dez nos últimos minutos. Ainda assim há que referir que o sacrifício a que forçou Mathieu foi compensado pela diligência com que impediu um autogolo do francês, na melhor jogada do Arsenal na primeira parte, despejando a bola para longe antes de esta passar a linha de golo. Apenas uma das muitas intervenções em que o uruguaio, desta vez menos afoito no ataque - a única tentativa de avançar no terreno durou menos de cinco segundos -, impôs a sua lei e contribuiu para que os leões tenham um pé e meio nas eliminatórias da Liga Europa. Mesmo que durante grande parte do jogo aparentasse um daqueles polícias que tentam em vão evitar o massacre num filme de terror.

 

Mathieu (3,0)

Raras são as ocasiões em que um jogador que viu o vermelho directo é cumprimentado pelos treinadores das duas equipas. O veterano francês salvou o empate ao derrubar Aubameyang mesmo antes de o avançado do Arsenal entrar na grande área, livrando-se da nefasta viagem ao Azerbaijão no fim do mês. No resto do tempo dedicou-se a afastar o mal das balizas leoninas, pressionado por avançados que quase o levaram a marcar na própria baliza, e atento ao espaço nas costas de Acuña.

 

Acuña (2,5)

Regressou ao posto de lateral-esquerdo, após ter sido o homem do jogo anterior enquanto extremo-direito, e essa roleta posicional esteve muito aquém de lhe trazer benefício. Abriu demasiado espaço aos adversários em muitas ocasiões e abusou das faltas mesmo depois de um cartão amarelo por protestos, o que também o afasta da próxima jornada da Liga Europa e praticamente assegura que Jefferson terá oportunidade de contrariar quem não cessa de repetir que o seu prazo de validade expirou há muito tempo.

 

Gudelj (3,5)

O Sporting perdeu o Battaglia mas ganhou um homem de guerra, que se dedicou a servir de cortina de ferro aos avanços do meio-campo do Arsenal. Naturalmente menos dedicado a lances de ataque, pertenceu-lhe o primeiro remate do Sporting mais ou menos digno de tal nome, ainda que tenha saído tão alto que nem uma versão gigantone de Peter Cech lhe conseguiria tocar. Certo é que lutou muito, ao longo de quase 100 minutos, e mesmo no final só lhe faltaram pernas para chegar à bola num contra-ataque que poderia ter recompensado o esforço e dedicação da equipa mais do que seria justo.

 

Miguel Luís (3,0)

Provando que as notícias acerca da morte da formação do Sporting são manifestamente exageradas o campeão europeu de sub-17 e sub-19 estreou-se a titular na equipa principal. Deu boa conta do recado quase sempre, embora uma falha de marcação tenha estado na origem da tal jogada em que Coates teve de evitar o autogolo de Mathieu, mas a prova de fogo ficará para um próximo desafio em que o Sporting tenha a iniciativa de jogo. Talvez já neste domingo à noite, em Alvalade, frente ao Chaves.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Faltou-lhe espaço e tempo para investir nos remates de longa-distância, mas manteve-se sempre atarefado com a pressão sobre o adversário e constantes tentativas de lançar o contra-ataque em circunstâncias assaz desiguais. Boa parte deste empate deve-se à sua incansável eficácia.

 

Diaby (2,0)

Conseguiu fazer o que se lhe pedia uma única vez, ainda na primeira parte, quando ganhou a linha direita e cruzou para a grande área do Arsenal, onde Montero não estava e Nani não chegou a tempo. Aquilo que mais demonstrou foram gritantes deficiências no domínio de bola, o que dilui a importância da sua velocidade nos contra-ataques leoninos. Numa rara ocasião em que havia três atacantes do Sporting para três defesas do Arsenal preferiu rematar contra um adversário em vez de passar a bola a Bas Dost ou Nani. Resta a compensação de que o seu passe foi um milhão de euros mais barato (sem contar uns quantos anos de inflação) do que o passe de Sinama-Pongolle.

 

Nani (3,5)

Puxou dos galões de ex-Manchester United e tentou levar tudo à sua frente na ala esquerda. Conseguiu-o algumas vezes, cruzando na melhor dessas ocasiões para o espaço onde Montero não conseguiu desviar para golo. Muito assobiado pelos adeptos da casa, sobretudo depois de não ter lançado a bola para fora do relvado aquando da lesão de Lichtsteiner, encolheu os ombros, na melhor expressão “haters gonna hate”, e seguiu caminho.

 

Montero (2,5)

Deixado à deriva entre a linha defensiva do Arsenal, foi a versão menos eficiente daquilo que fizera, frente ao mesmo adversário, no jogo de Alvalade. Teve poucas ocasiões, pouco conseguiu combinar com os colegas, e quando cedeu o lugar a Bas Dost nada de relevante teria para escrever num postal enviado para casa.

 

Bas Dost (2,5)

Veio refrescar o ataque do Sporting, trazendo poder de choque e apetência pelo jogo aéreo, e não se coibiu de trocar a bola com os colegas para lançar jogadas de ataque - tentou, por exemplo, fazer a assistência para Gudelj. Não era, no entanto, noite para contrariar a ideia de que o holandês é o tipo de goleador que prefere ser forte com os fracos.

 

Jovane Cabral (2,0)

Demorou muito a substituir o inoperante Diaby e revelou-se igualmente inoperante. Espera-se que não tenha perdido a qualidade de talismã com a saída de José Peseiro e o novo corte de cabelo, demasiado conservador para quem parece destinado a dar nas vistas.

 

Petrovic (2,5)

Entrou numa fase de sufoco, com a missão de servir de tampão aos ataques da equipa da casa, posicionando-se junto à linha defensiva, mas a expulsão de Mathieu levou a que recuasse para central. O nulo do resultado final mostra que foi bem-sucedido naquilo que se lhe pediu.

 

Tiago Fernandes (3,5)

Montou um onze para o objectivo que alcançou, o que basta para escrever que o treinador interino teve uma noite bem positiva. Mesmo a opção arriscada na titularidade de Miguel Luís torna-se normal perante as alternativas no banco leonino e os enormes e trágicos equívocos na construção do plantel. Esteve bem nas substituições, ainda que Diaby pudesse ter saído mais cedo, e acertou especialmente em cheio na necessidade de ter o esforçado Petrovic a assegurar um empate a zero que, por todos os motivos, é mais valioso do que a soma das suas partes.

 

Corpo Expedicionário Sportinguista (5,0)

Raras foram as vezes que uma equipa portuguesa pareceu jogar em casa num país que até optou pelo Brexit. Os milhares de sportinguistas que estiveram no estádio Emirates exponenciaram as suas vozes e impuseram-se à maioria silenciosa, quase do primeiro ao último minuto, constituindo um valiosíssimo 12.° jogador que explicou aos arsenalistas por que não fica em casa. Tiveram direito ao agradecimento sentido (e merecido) da equipa, abrindo caminho para a necessária reconciliação entre jogadores e adeptos.

 

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