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És a nossa Fé!

Sub-21: os nossos jogadores, um a um

Outra boa prestação da selecção portuguesa no Campeonato da Europa de sub-21, arrancando um empate à Itália - que não vencemos desde 1996. E, sobretudo, um resultado que nos permite comandar o nosso grupo (a Inglaterra venceu a Suécia) e aspirar às meias-finais.

Foi um jogo com duas partes distintas. Na primeira, pressão alta dos italianos que pôs à prova a excelência do nosso eixo defensivo e sobretudo dos reflexos do guarda-redes José Sá: custa a crer que continue a jogar nas reservas do Marítimo. Na segunda, Portugal assumiu o comando do jogo, impondo domínio táctico com controlo de bola e maior poderio físico. Os italianos acabaram esgotados.

Além de José Sá, as notas mais positivas vão para Paulo Oliveira, Tiago Ilori, William Carvalho e Bernardo Silva. Um caso muito sério, esta selecção comandada por Rui Jorge. Que empatou há pouco, na República Checa, ao fim de 11 vitórias consecutivas. Quem receava a falta de renovação de valores no nosso futebol, ao nível de selecções, tem todos os motivos para ficar mais tranquilo.

 

Itália, 0 - Portugal, 0

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Fica a minha pontuação aos jogadores:

 

José Sá (9). Intransponível. Segurou o empate com um punhado de excelentes intervenções. Destaque para defesas aos minutos 4, 6 e 27 - duas das quais a remates de Berardi, o mais perigoso dos italianos. Voltou a impedir o golo já no fim, aos 90'+3. Teve a sorte do seu lado ao ver a bola embater na barra no primeiro minuto do segundo tempo. Mas a sorte é assim: protege sempre os audazes.

Esgaio (7). Competente. Arriscou poucas incursões pelo flanco esquerdo mas quando o fez foi sempre com a bola dominada, como é sua característica. Nunca comprometeu. Um bom remate aos 39' saiu-lhe ao lado.

Paulo Oliveira (8). Sólido. O patrão da nossa defesa: tem uma invejável maturidade para um jogador tão jovem. Defesa titular do Sporting, tornou-se imprescindível nesta selecção sub-21. Sempre muito bem posicionado, joga por antecipação e coloca bem a bola nas linhas dianteiras. Cortes cirúrgicos aos 10' e 22'.

Ilori (8). Sereno. Completou muito bem o seu colega no eixo defensivo: o entendimento entre ambos é tão patente que até parece que jogam juntos há anos. Contribuiu para dar consistência à equipa. Um corte preciso aos 76' evitou um possível golo italiano.

Raphael Guerreiro (4). Trapalhão. Uma primeira parte para esquecer. Nervoso, desposicionado com excessiva frequência, falhando passes. Deixou-se ultrapassar várias vezes por Berardi na sua ala esquerda. Ia fazendo autogolo aos 15'. Melhorou de rendimento na segunda parte, mas foi sempre o elo mais fraco da nossa defesa.

William Carvalho (8). Influente. Foi novamente uma pedra angular do meio-campo português. Passaram por ele quase todas as nossas transições ofensivas. Grande distribuidor de jogo, exímio recuperador, sempre com visão panorâmica do terreno. Deu o exemplo na posse e controlo de bola, indispensáveis para estancar a pressão italiana.

Sérgio Oliveira (7). Eficaz. O capitão da nossa selecção, vice-campeão mundial de sub-20 em 2011, completou a acção de William ao fechar linhas de passe da squadra azzurra e conduzir a manobra ofensiva. Grande jogada com João Mário, na ala esquerda, gerou a nossa melhor oportunidade na primeira parte.

João Mário (7). Veloz. O médio leonino voltou a fazer o seu habitual jogo inteligente e dinâmico, criando desequilíbrios e desposicionando os defesas adversários graças à sua enorme mobilidade. Também fundamental em missões de posse de bola. Desperdiçou o golo aos 36' com um remate deficiente. Saiu aos 81'.

Rafa (5). Intranquilo. Rui Jorge apostou desta vez nele como extremo titular, sobretudo na ala esquerda. Também apoiou a defesa, indo buscar muitas vezes jogo às linhas recuadas. Mas a manobra ofensiva saiu-lhe quase sempre inconsequente. Substituído aos 54'.

Carlos Mané (6). Irregular. Como às vezes no Sporting, pareceu por vezes passar ao lado do jogo nesta estreia como titular na fase final do Euro sub-21. Mas é daqueles jogadores que nunca permitem descansar as defesas adversárias. Fez um excelente slalom na grande área aos 86' que deixou vários italianos pelo caminho: foi uma das melhores jogadas individuais do desafio.

Bernardo Silva (8). Irrequieto. Um dos nossos jogadores mais tecnicistas, voltou a demonstrar esta característica com diversas incursões da ala direita para o centro do terreno, baralhando todas as marcações. Arrancou dois cartões amarelos aos adversários, desgastando o bloco defensivo italiano. Mesmo quando tem pouco espaço para se movimentar, inventa-o: foi o que sucedeu ao protagonizar um grande lance aos 69'. Substituído aos 78'.

Gonçalo Paciência (6). Discreto. Entrou aos 54', substituindo Rafa, quando Rui Jorge modificou o dispositivo táctico, apostando num 4-3-3 clássico. Conferiu mais poder atlético ao nosso ataque, na posição de ponta-de-lança, mas a pontaria não lhe saiu afinada: remates desperdiçados aos 73' e 78'.

Iuri Medeiros (6). Dinâmico. Imprimiu velocidade ao corredor direito português, rendendo Bernardo Silva aos 78', numa fase em que os italianos já acusavam bastante desgaste físico. Sempre perigoso, arrancou um cartão amarelo a Romagnoli. Abusou por vezes do individualismo.

Tó Zé (5). Entrou para o lugar de João Mário aos 81'. Essencialmente para refrescar a equipa. Cumpriu a missão, sem tempo para grandes rasgos individuais. Aos 88', marcou bem um livre que Gonçalo Paciência desperdiçou.

Para a próxima tens de sorrir, William

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Uma vez mais, fico com a sensação de ter visto um jogo totalmente diferente. Para o jornalista do diário A Bola que avaliou o desempenho dos nossos jogadores no Portugal-Inglaterra do Europeu de sub-21, William Carvalho foi o pior em campo. Algo precisamente nos antípodas do que aqui escrevi.

Como é possível que o nosso médio mais recuado - que jogou toda a partida - tenha sido o pior em campo num desafio que Portugal venceu por 1-0, impondo uma derrota memorável à Inglaterra, selecção que tinha marcado em todas as partidas da fase de qualificação?

Vejamos então quais foram os poderosos argumentos contra William do jornalista Nuno Saraiva Santos, responsável pelas avaliações no plano individual: «Passou pela zona mista de rosto terrivelmente fechado. Tinha razões para isso. Onde anda aquele William irresistível? Lento, a dar muito espaço aos adversários e sem aquela precisão no passe que deliciava os adeptos. Só muito amiúde se viu o médio. E apenas fogachos. Um remate (88') ao lado.»

Vimos portanto jogos muito diferentes daquele que ele viu - e utilizo o plural porque incluo os próprios adeptos ingleses, que não negaram aplausos a William Carvalho com fair play muito britânico.

 

Mas terá razão o jornalista d' A Bola?

Leio a avaliação ao jogo feita por Rui Malheiro, que assina algumas das melhores análises futebolísticas na imprensa portuguesa. Ele sim, viu o mesmo desafio que eu. Ele viu Portugal a vulgarizar a poderosa selecção inglesa, ele viu a vedeta Harry Kane travada a todo o passo pelo nosso bloco defensivo. Ele viu William Carvalho como peça fundamental dessa estratégia e primeiro construtor do processo ofensivo português, traduzido neste triunfo que merece ser assinalado.

«Foi nos vértices do losango desenhado por Rui Jorge que Portugal venceu o jogo ante uma Inglaterra muito afoita na etapa inicial. William Carvalho, o vértice defensivo, revelou - com a subtileza de quem percorre quilómetros dando a entender que se movimenta a passo - um elevado sentido posicional e grande eficácia nas acções de antecipação e de desarme, para além da habitual segurança nas entregas, que permitiram fazer a bola circular, e inteligência nos desdobramentos sempre que decidiu invadir o meio-campo adversário», assinala Rui Malheiro, com a sua habitual argúcia, na edição de ontem do Record.

 

Ora aí está. O jornalista da Travessa da Queimada que atribuiu nota 5 (em 10) a William Carvalho) foi incapaz de perceber essa subtileza «de quem percorre quilómetros dando a entender que se movimenta a passo». Eu, que hoje me sinto generoso, atribuo nota 3 (também em 10) ao texto que ele escreveu.

E para a próxima, meu caro William, não te esqueças de sorrir quando passares pela zona mista: isso também conta para a nota.

Sub-21: os nossos jogadores, um a um

Portugal entrou da melhor maneira nesta fase final do Campeonato da Europa de sub-20, prova em que não comparecíamos desde 2007. Com uma vitória sobre a temível selecção inglesa, candidata à vitória no torneio. Horas depois de a Suécia ter derrotado a Itália, outra favorita.

Tivemos em campo uma equipa madura, com grande disciplina táctica e superioridade técnica durante a maior parte do encontro. Confirmando as boas qualidades reveladas na fase de apuramento, em que obtivemos dez vitórias consecutivas.

Destaque para o bom desempenho dos jogadores do Sporting nesta partida. Paulo Oliveira, totalista na campanha do apuramento para esta fase final na República Checa, foi um pilar defensivo. William Carvalho, vital nas transições ofensivas, revelou-se o melhor em campo. João Mário marcou o golo da nossa vitória.

Também merecem nota positiva Ricardo Esgaio (que alinhou de início como lateral direito), Iuri Medeiros e Carlos Mané (que entraram aos 73' e aos 79', respectivamente).

Inglaterra, 0 - Portugal, 1

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Fica a minha pontuação aos jogadores:

 

José Sá (7). Seguro. Duas grandes defesas a remates de Kane, o astro da selecção inglesa, aos 34' e aos 80'. Voltou a revelar bons reflexos aos 48' e a travar um ataque perigoso aos 90'+2. O guardião do Marítimo só fez três jogos esta época pela equipa principal do seu clube. Mas ninguém diria: está pronto para voos mais altos.

Esgaio (7). Dinâmico. Fez uma boa primeira parte, confirmando a excelente campanha de qualificação, onde foi um dos jogadores mais utilizados. Apoiou bem o ataque, subindo muitas vezes para a linha média. Esteve mais discreto na segunda parte.

Paulo Oliveira (8). Sólido. Não por acaso, foi totalista durante a excelente qualificação dos pupilos de Rui Jorge, seleccionador sub-21. Leu bem os lances. Jogou em antecipação. Soube fazer cortes cirúrgicos. E vulgarizou Kane ao marcá-lo com eficácia.

Ilori (6). Discreto. Combinou bem com Paulo Oliveira no eixo da defesa, mas foi sempre menos exuberante do que o seu colega. Sem nunca comprometer o desempenho global da equipa.

Raphael Guerreiro (6). Irrequieto. Esteve mais retraído no seu corredor do que Esgaio na ala direita. Algo trapalhão no passe, sobretudo no primeiro tempo, foi ganhando estabilidade e revelou-se um elemento de grande utilidade na equipa. Fez um bom remate cruzado aos 56'.

William Carvalho (8). Pendular. Foi o grande estratego da nossa equipa, revelando-se ao melhor nível que tem exibido no Sporting. Bom distribuidor de jogo, eficaz nas recuperações, fundamental no jogo de contenção quando foi preciso segurar o resultado.

Sérgio Oliveira (7). Experiente. O capitão da nossa selecção, vice-campeão mundial de sub-20 em 2011, compensou em maturidade táctica e leitura de jogo algum défice de dinâmica ofensiva. Bom trabalho no lance do golo, iniciado nos seus pés.

João Mário (7). Influente. O médio leonino, jogando como extremo, estava no local certo no momento mais oportuno: foi dele o golo solitário da nossa selecção, aos 57', aproveitando um ressalto da bola que tinha acabado de embater no poste a remate de Bernardo Silva. Com espaço de manobra dentro da grande área, não desperdiçou a oportunidade. Fez a diferença.

Ivan Cavaleiro (5). Inconsequente. Revelou grande mobilidade, demonstrou espírito combativo, mas os remates não lhe saíram com pontaria. Acabou por ser o primeiro jogador a ser substituído, aos 73'.

Ricardo Pereira (6). Lutador. Deu sempre trabalho à defesa inglesa, que se desorganizou mais vezes do que se previa. Protagonista de bons lances individuais, faltou-lhe um pouco mais de espírito colectivo para melhorar o rendimento global da equipa.

Bernardo Silva (7). Acutilante. Embalado pela excelente época no Mónaco, onde marcou dez golos em 45 jogos, foi sempre incómodo para o reduto defensivo inglês. Fez boas trocas posicionais com João Mário, com quem construiu uma parceria muito eficaz. Foi dele o remate ao poste na sequência do qual nasceu o nosso golo.

Iuri Medeiros (6). Criativo. Entrou aos 73', substituindo um já fatigado Ivan Cavaleiro, e conferiu maior dinâmica ao nosso ataque. Pôs em sentido a defesa inglesa e combinou bem com Bernardo Silva. Aos 75' marcou muito bem um livre, com a bola a passar perto do poste. Faltou-lhe por vezes alguma concentração.

Carlos Mané (6). Irreverente. O extremo do Sporting rendeu Ricardo Pereira aos 79'. Foi igual a si próprio, com boa capacidade técnica, bom trabalho nos flancos a flectir para o centro do terreno e variações súbitas de velocidade que baralharam as marcações inglesas. Útil também nas missões defensivas.

Rúben Neves (5). Contido. Substituiu João Mário aos 85'. Entrou com a missão de contribuir para segurar o resultado. Teve êxito nesta tarefa - e mais nada se esperava dele neste jogo.

Dor de cotovelo

Os meus amigos benfiquistas, cheios de dor de cotovelo devido aos valores de excelência que continuam a emanar da academia de Alcochete, costumam gabar-se de que nos últimos anos a formação do Seixal começa a dar cartas no futebol português.

Será mesmo?

 

Vejo a convocatória para o Europeu sub-21 a realizar na República Checa, que para nós começa na próxima quinta-feira com um desafio frente à Inglaterra, e encontro lá - entre outros - os seguintes jogadores:

Do Sporting - Tobias Figueiredo, William Carvalho, João Mário, Carlos Mané, Paulo Oliveira (os quatro primeiros são da cantera leonina).

Do FC Porto - Rúben Neves, Ricardo Pereira, Gonçalo Paciência (Ricardo Pereira foi formado no Sporting).

Do Benfica - Bruno Varela.

 

Conclusão: o número de sportinguistas supera a soma dos convocados da Luz e do Dragão.

Uma vez mais se confirma, portanto, que nenhum outro clube português consegue fazer sombra ao futebol do Sporting em matéria de formação.

Prevejo que os meus amigos benfiquistas vão continuar com dor de cotovelo... 

 

ADENDA: Ricardo Esgaio (emprestado à Académica) e Iuri Medeiros (emprestado ao Arouca) são outros dois jogadores do Sporting - e da nossa formação - convocados para este Europeu.

A melhor formação é a nossa

Ao contrário das companhas veiculadas quase diariamente na imprensa escrita e televisiva, que procuram a todo o custo justificativos para defender a ideia de que a melhor formação nacional provém do Seixal, o seleccionador Rui Jorge, que tem feito um trabalho absolutamente incrível e como há muito não acontecia nos Sub-21, acabou de seleccionar para o Europeu da categoria 7 jogadores do Sporting, contra apenas 1 do Benfica e 5 do Porto.

Mais interessante ainda é analisar que dos 7 convocados do Sporting, 5 jogam habitualmente na equipa principal e os outros 2 foram titularíssimos nas equipas que os acolheram por empréstimo a meio da época. O que compara com os seleccionados dos outros clubes: o único convocado do Benfica não saiu da equipa b e dos 5 do Porto, apenas 1 joga na equipa principal com regularidade, 2 jogam na primeira liga com regularidade e o outro joga na equipa b.

Mesmo assim ainda há quem questione que a qualidade da formação leonina não é a melhor do país.

O nosso, claro

 

Conhecidas as convocatórias para os próximos jogos das selecções nacionais A e sub-21, anunciadas pelos seleccionadores Fernando Santos e Rui Jorge, ficámos a saber o peso real de cada emblema na valorização dos futebolistas portugueses.

 

Eis a distribuição dos jogadores convocados por clubes que disputam o campeonato nacional:

Sporting (8) - Rui Patrício, Cédric, João Mário, William Carvalho, Nani, Paulo Oliveira, Tobias Figueiredo, Carlos Mané.

FCP (5) - Quaresma, Rafa Soares, Ruben Neves, Ricardo Pereira, Gonçalo Paciência.

Braga (2) - Éder, Rafa.

Paços de Ferreira (2) - Ruben Pinto, Sérgio Oliveira.

Académica (1) - Ricardo Esgaio.

Marítimo (1) - José Sá.

Nacional (1) - Rui Silva.

V. Setúbal (1) - F. Venâncio.

Estoril (1) - Tó Zé.

SLB (1) - Eliseu.

Belenenses (1) - Ventura.

 

Conclusão: só um clube fornece jogadores a todas as posições das duas selecções mais representativas do futebol português.

O nosso, claro. 

Obrigado, Rui Jorge

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É mais que tempo de dar os parabéns a Rui Jorge. Qualificou a selecção portuguesa sub-21 para a fase final do Campeonato da Europa com um percurso cem por cento vitorioso: dez vitórias em dez jogos. Uma campanha que culminou no play-off disputado com a Holanda: triunfo  (2-0) e agora  (5-4). Mesmo sem o contributo de William Carvalho, João Mário, André Gomes (convocados para a selecção A) e Bruma (lesionado).

Nada disto acontece por acaso: é resultado de muito esforço, muito trabalho, muito profissionalismo. Nem sempre reconhecidos pelos órgãos de informação, que preferem destacar a espuma dos dias, e por certos teóricos da bola, que adoram discorrer sobre a "ausência de jovens valores no futebol português", sem perceber que a realidade se encarrega a todo o passo de contrariar tais palavras.

É tempo de deixar aqui uma palavra de apreço e gratidão ao responsável máximo deste sucesso dos sub-21. Obrigado, Rui Jorge.

Como é possível?

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Olho incrédulo, uma vez mais, para a primeira página do jornal A Bola, edição de hoje. "Como é possível não apostarem nestes miúdos?", interroga-se com indignação o matutino que alguns - cada vez menos - ainda consideram a "Bíblia do futebol".

Tanta indignação a propósito de quê? Da "fantástica exibição" de um jogador que o Benfica dispensou, remetendo-o para o principado do Mónaco, onde agora actua às ordens do ex-treinador sportinguista, Leonardo Jardim. E do "grande golo" ontem marcado por Carlos Mané, selando a vitória da selecção portuguesa sub-21 frente à Holanda.

"Titularidade de Rúben Neves no FC Porto é uma saudável excepção na aposta em jovens na liga portuguesa", destaca ainda o jornal. Mentindo. Rúben Neves pode ser excepção, mas no Porto. Porque no Sporting - que também integra a Liga portuguesa - a regra é aproveitar os jovens jogadores, oriundos da formação. Exactamente ao contrário do que A Bola dá a entender, omitindo o nome do nosso clube.

Na última página, em editorial subscrito por José Manuel Delgado, o tom é o mesmo. "Esta tentação provinciana e periférica de desvalorizar o que é nosso e preferir o que vem de fora deve ser combatida", insurge-se o editorialista. Talvez pretenda visar o Benfica, mas falta-lhe o desassombro para chamar as coisas pelos seus nomes. E é incapaz de mencionar o Sporting, também aqui, como excepção à regra.

 

Vamos a factos.

Na equipa principal do nosso clube alinham actualmente - com regularidade - estes jogadores, todos oriundos da Academia de Alcochete:

Rui Patrício (26 anos)

Cédric Soares (23 anos)

William Carvalho (22 anos)

Adrien Silva (25 anos)

André Martins (24 anos)

João Mário (21 anos)

Carlos Mané (20 anos)

Nani (28 anos)

Além destes, dois outros elementos da nossa formação treinam com regularidade na equipa A:

Ricardo Esgaio (21 anos)

Tobias Figueiredo (20 anos)

Dez, portanto. Número insuficiente, no entanto, para impressionar o jornal A Bola. Que devia ter a honestidade intelectual de distinguir o Sporting dos outros clubes e de saber que o "grande golo" de Carlos Mané enquanto sub-21 não surge por acaso: é fruto de muito e bom trabalho em Alvalde.

Nove jogos, nove vitórias

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Carlos Mané: grande golo na selecção sub-21

 

Algumas sumidades andam por aí a rasgar as vestes, clamando contra a "falta de formação" no futebol português. A vitória da nossa selecção de sub-21 hoje frente à Holanda, no país do adversário, por 2-0 é mais um desmentido vivo daquelas teses debitadas até à náusea por pseudo-especialistas na matéria.

Com este resultado, Portugal encontra-se praticamente apurado para o Campeonato da Europa, faltando apenas cumprir a segunda mão deste play off, na próxima terça-feira, em Paços de Ferreira. Isto depois de uma campanha brilhante na fase de grupos: os jovens orientados por Rui Jorge conseguiram oito vitórias em oito jogos.

Hoje os sub-21 obtiveram novo triunfo. Apesar de estarem desfalcados de nomes como Bruma (lesionado), João Mário, William Carvalho e André Gomes (entretanto desviados para a selecção A, que joga sábado contra a França). Mas não faltaram jogadores do Sporting, como Esgaio, Paulo Oliveira, Iuri Medeiros e sobretudo Carlos Mané, que marcou o segundo golo, com belíssima execução técnica. Ele que é suplente na nossa equipa principal, o que vem desmentir também a teoria de que "não temos banco" à altura dos desafios.

Parabéns aos jogadores que derrotaram uma selecção que já por duas vezes se sagrou campeã europeia de sub-21. Parabéns a Rui Jorge. Deixem as tais sumidades continuar a bramir contra a "falta de jovens talentos" no futebol português e desmintam-nas como bem sabem. Com novos jogos vibrantes, com novos golos dignos de levantar qualquer bancada.

 

Prospecção

 

Raphaël Guerreiro de seu nome. Lateral esquerdo a sua posição. Jogou ontem pela selecção de sub-21. Muita qualidade neste luso-francês que optou por defender as cores nacionais.

É certo que o jogo foi contra o Azerbeijão, pelo que as situações de prova não foram as mais interessantes, no entanto, há pormenores que não enganam. Sentido posicional, quer a defender quer a atacar, domínio de bola, capacidade de posse e de passe, movimentações no espaço para dar possibilidade de troca de boa. Tudo feito com muita naturalidade e inteligência.

Tem 19 anos e está na altura certa para, com o devido acompanhamento, se tornar num bom lateral esquerdo. Para já, é titular do Lorient da Ligue 1.

Os sub-21

Ontem, no jogo dos sub21, apesar da vitória, o que vi foi:

- Jogadores: William Carvalho

- Com potencial: José sá, João Amorim, Rafa e Betinho

- Fraquinhos: André Gomes, Luís Martins e os dois centrais

- Os outros (não têm muito potencial, mas também não são tão fracos como os 4 anteriores): Sérgio Oliveira e Ivan Cavaleiro

 

Sobre os suplentes que entraram:

- É quase criminoso ter João Mário no banco, quando as alternativas são Sérgio Oliveira e André Gomes;

- Ricardo parece-me ser uma espécie de Douala português.

 

Rui Jorge que não se iluda com esta vitória porque, com aquela defesa e aquele meio-campo, principalmente, vai ter muitas dores de cabeça.

As escolhas das selecções

Enquanto Paulo Bento continua a depositar confiança no suplente do Deportivo da Corunha - até já consta que marcou dois golos - Rui Jorge, pela preparação para o Campeonato da Europa de sub-21 2015, reconhece apenas um talento numa equipa bem recheada de talentos. Luís Ribeiro, guarda-redes da equipa B do Sporting, foi o único jogador «leonino» convocado para o amistoso frente à Ucrânia no dia 15 de Outubro. Isto, de um plantel que inclui, entre outros, Betinho, Tiago Ilori, Ricardo Esgaio, Iuri Medeiros e João Mário, já para não evocar Bruma pelos seus 17 anos. William Carvalho, jogador do Sporting emprestado ao Cercle Brugge, foi o outro «leão» convocado. Não deixa de pasmar que num país com tantos jovem talentos, Portugal tenha sido afastado dos recém-realizados Jogos Olímpicos de Londres e do Campeonato da Europa de sub-21 2013. Muitas experiências e, quando chega à hora da verdade, ficamos frequentemente... pelo caminho. 

 

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