A acreditar na imprensa de hoje o que aconteceu ontem no Bessa, Boavista 3 vs. Benfica 0, foi normal.
Não foi.
Antes deste jogo, o Boavista tinha dois jogos em casa, duas derrotas, seis golos sofridos, zero marcados.
Parece que palavras como: humilhação, descalabro, vergonha, desgraça e assim, estão reservadas para as goleadas sofridas pelo Sporting.
Vejamos alguns títulos, A Bola opta pelo título fofinho de: "Lição de xadrez"; Record: "A águia cai do pedestal"; O Jogo: "Boavistão tira águia do poleiro"; JN: "Pantera crava as garras"; CM: "Pantera trava voo da águia".
Nenhum destes jornais puxa para manchete o resultado, lendo alguns dos títulos até poderíamos pensar num empate.
Os do costume virão dizer que me preocupo mais com o Benfica que com o Sporting, a questão não é essa, às vezes, faz falta olharmos para além do óbvio, como dizia Sophia: "vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar" ou num outro registo, Zeca Afonso: "o faz falta é avisar a malta".
- No andebol, vitória categórica da nossa equipa na Pérola do Atlântico: derrotámos a Madeira SAD por 28-34. Balanço muito positivo: oito jogos, oito vitórias no campeonato nacional da modalidade.
- No futebol, comportamento exemplar da nossa equipa B, que venceu e convenceu: goleámos o Belenenses SAD B por 4-1, no estádio Aurélio Pereira. Mantemos a liderança da série G, cumprida a quarta jornada do chamado Campeonato de Portugal.
- Ainda no futebol, vitória no terreno do Santa Clara - deslocação sempre difícil. Derrotámos a equipa açoriana por 2-1, cumprindo o terceiro triunfo fora de casa em quatro jornadas da Liga 2020/2021.
- Nota dissonante neste registo de vitórias do Sporting nas mais recentes rondas de diversas modalidades: no futsal feminino foi mal sucedida a nossa deslocação ao reduto dos Leões de Porto Salvo, em desafio de estreia do respectivo campeonato nacional: perdemos 1-5.
Mas o balanço global é, naturalmente, muito positivo.
- No andebol, a nível de competições internacionais, o Sporting acaba de derrotar o Dínamo de Bucareste, por 27-25, na Roménia. Iniciando da melhor maneira a campanha na Liga Europa da temporada em curso.
- Também no andebol, vitória clara por 30-21 no jogo Sporting-Boa Hora: somamos sete triunfos nas primeiras sete jornadas do campeonato nacional. Destaque para o melhor marcador da nossa equipa neste desafio: Francisco Tavares, oriundo da formação leonina, com oito golos.
- No futsal, vitória importante na deslocação a Braga: derrotámos a equipa minhota por 2-1, com uma exibição superior ao resultado. Cumprida a quarta jornada do campeonato. Continuamos invictos nesta competição.
- No hóquei em patins, goleada leonina: derrotámos o Famalicense por 10-2. Cumprida a quarta jornada do campeonato nacional desta modalidade.
- No futebol feminino, as Leoas derrotaram o Estoril por 3-1, somando a quarta vitória consecutiva à quarta jornada do respectivo campeonato.
- Na Liga Revelação, correspondente ao campeonato sub-23 de futebol masculino, derrotámos 3-1 o Portimonense na deslocação ao Algarve.
- No futebol profissional, empatámos 2-2 em Alvalade frente ao FC Porto, campeão nacional. Num estádio sem público - onde, portanto, o chamado "factor casa" não fez a diferença - e com uma escandalosa actuação da arbitragem, com o VAR a mandar reverter duas decisões do árbitro (penálti favorável ao Sporting e expulsão de um defesa portista) em grosseira violação do protocolo que o rege.
- Pela segunda semana consecutiva, Augusto Inácio volta a assumir protagonismo mediático, entre rasgados elogios ao antigo presidente Bruno de Carvalho. «Ele deu muito ao Sporting. Tenho a certeza de que mais ninguém no mundo fazia um trabalho tão bom como eu e o Bruno de Carvalho fizemos no Sporting naqueles anos», disse o antigo director do futebol do Sporting, que cessou estas funções em Junho de 2015, logo após a contratação de Jorge Jesus como treinador. Em entrevista a um programa no YouTube, Inácio reitera a possibilidade de se candidatar à presidência do Sporting. E garante: «Se avançar com uma candidatura será para levar até ao fim.»
Infelizmente o clube deixou de ter algo que une a sua massa adepta. Há clubes que se unem em torno do seu cariz regional e deste posicionamento contra um poder central (o caso do FC Porto), outros unem-se numa certa matriz popular, das massas, como uma formiga para se sentir bem e forte tem de viver num imenso formigueiro (o exemplo do SLB).
No caso do Sporting, a união fazia-se simplesmente pelas vitórias nas diversas competições, pelos ídolos desportivos que usavam as nossas cores, pelo respeito e galhardia com que os nossos atletas competiam.
O Sporting nasceu aristocrático, elitista e foi captando uma massa adepta com base nos seus valores, a raiz do nosso lema "Esforço, Dedicação, Devoção e Glória", o querer ganhar, mas com brio e respeito.
Durante anos, o Sporting foi isso e conseguiu-se impor por esta matriz.
Mas depois vieram novos tempos. Ainda antes do 25 de Abril, o Benfica cresceu numa génese popular mas que interessava ao Salazar para agradar a esse povo (toda a história do Eusébio é disso exemplo, desde o rapto até ser obrigado a ficar no clube), ficando o Sporting conotado com as elites.
A seguir ao 25 de Abril surge o poder do regionalismo do Porto, as grandes forças do futebol mudam-se para o norte, e Pinto da Costa aproveita-se disso e cria o seu império, mais clubes na 1.ª divisão dentro do seu arco de poder, os dirigentes de arbitragem, os próprios árbitros, as "frutas" e os "apitos dourados".
Já em pleno século XXI surge novamente o mote antigo de agradar ao povo, com uma imensa comunicação social a desejar vitórias benfiquistas. [Lembremos] aquela célebre frase: com o SLB a ganhar, a economia cresce.
Neste contexto, o Sporting perdeu-se nos seus labirintos e definhou nas suas conquistas. Basta ver o countdown de títulos de campeão desde a década de 50 até agora: tem sido um eterno decrescente até um redondo zero nesta última década.
Como a base da união do clube eram as suas conquistas desportivas e o seu brio desportivo, toda esta base enraizada apodreceu e surgiram milhentas facções dentro do clube (eu digo por vezes que não há um só Sporting, mas sim três milhões de Sportings, um por cada adepto). Desde o Sporting popular ao Sporting elitista e que vê o povo com desdém. Do Sporting que quer ser ecléctico ao Sporting que deseja só ter futebol, capitalista, financeiro, detido a 100% por investidores.
Há até um Sporting que é anti-competições profissionais, que não concorda com o futebol negócio, dos empresários. Eu chamo-lhe Sporting CIF - club internacional de foot-ball, que segundo a história abandonou as competições oficiais para fazer as sua próprias porque não gostou do caminho profissionalizante do desporto.
É pois neste labirinto de diversos caminhos, muitos deles sem qualquer saída possível, que vive o nosso clube. Seria importante fazer uma reflexão séria, urgentemente.
Muitos vão dizer que isso resolve-se com vitórias. É certo. Mas andamos há 40 anos a correr atrás do prejuízo, buscando incessantemente vitórias, umas vezes através do filão da formação, outras vezes através de "unhas", outras por um milagreiro (tipo JJ), e a verdade é que só têm resultado em rotundos fracassos e um continuado maior atraso em relação aos nossos rivais.
Neste momento, já não basta mudar de plantel ou treinador. O mote é mesmo mudar de presidente de mês a mês, consoante a bola entra ou não entra na baliza.
Com isto, não saímos do marasmo e da tragicomédia em que está o nosso clube.
É a altura de todos os sócios e adeptos porem a mão na consciência e seguirem as conhecidas palavras que um célebre presidente dos EUA [John Kennedy], fez ao seu povo: «Não perguntem o que é que o vosso país pode fazer por vocês, perguntem o que é que vocês podem fazer pelo vosso país.»
É nisto que os sócios devem pensar: o que poderemos fazer para tornar o clube mais forte? E não esperar que o clube resolva os nossos problemas e as nossas frustrações.
É mais importante acalmar as ideias e deixar a ansiedade para trás das costas.
Texto do leitor Rui Miguel, publicado originalmente aqui.
- Sporting conquista a Taça de Portugal em basquetebol, derrotando na final o FC Porto. Há 40 anos que não vencíamos este título na modalidade, reintroduzida em 2019 ao nível dos escalões seniores masculinos.
- Sporting vence por 5-3 o Vilafranquense, na terceira jornada do campeonato nacional de hóquei em patins feminino.
- Sporting empata 1-1 no pavilhão da Luz, no clássico de hóquei em patins correspondente à terceira jornada da modalidade. O golo de Matías Platero que daria a vitória leonina contra o Benfica foi invalidado: erro grosseiro do árbitro. A bola «ultrapassou mesmo a linha de baliza», como ontem assinalou a jornalista Marina Alves, na crónica do jogo no Record.
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No Sporting das competições virtuais:
- Carlos Vieira, ex-número dois de Bruno de Carvalho, critica Rúben Amorim por «não indicar aos jogadores para serem mais agressivos», propõe que os actuais dirigentes se submetam a uma «moção de confiança» e acredita ter um «papel relevante» na vida do Sporting, confessando em declarações à Rádio Renascença que ambiciona «ser membro do Conselho Fiscal» de uma futura direcção.
- Grupo de sócios anuncia entrega de requerimentos ao presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sporting para a realização de duas assembleias gerais: uma destinada à destituição dos actuais corpos sociais e outra visando a reintegração, como «sócios de pleno direito», dos antigos dirigentes Bruno de Carvalho e Alexandre Godinho.
- «Reino do leão a ferro e fogo», titula a Renascença, citando outro grupo de sócios do Sporting que reclama a destituição imediata do presidente da MAG. Este grupo dirigiu ao Tribunal Central Cível de Lisboa uma providência cautelar para suspender a assembleia geral já realizada e fez uma participação disciplinar contra Rogério Alves «por violação flagrante dos estatutos».
- Dias Ferreira anuncia ter «um plano para salvar» a SAD leonina de cair em mãos exteriores ao clube. Em declarações concedidas ao canal televisivo do jornal A Bola, o ex-vice-presidente e ex-presidente da MAG acusou o Conselho Directivo de «violar os estatutos» ao atribuir nomes de glórias do clube às portas de Alvalade. Sobre o futebol, disparou: «O Sporting não tem equipa.»
- Schelotto, ex-defesa leonino, revela ter interposto uma acção contra o Sporting no Tribunal Arbitral do Desporto, em Lausana, alegando ter sido «coagido a abdicar de verbas a que tinha direito», por contrato, quando se transferiu de Alvalade para o Brighton, em Inglaterra.
O jornalista Henrique Monteiro, que já foi um dos autores desta casa, escreveu algumas linhas sobre a alteração dos Estatutos do Sporting. Advoga que as contas do clube deixem de ser aprovadas pelos sócios em AG e que seja eleito uma espécie de senado, de forma proporcional, passando esse acto para esse senado. Não deixa de ser curioso que esta ideia sobressaia agora, Henrique Monteiro realça que para este novo órgão transitassem diversas competências da AG, mas apenas refere esta em concreto.
Temos assistido, pouco depois da tomada de posse desta direcção, a diversos Sportinguistas com acesso a órgãos de comunicação social, a difundirem uma série de ideias e propostas que têm sempre um ponto em comum: Retirar poder de decisão aos sócios.
Sendo o Sporting um clube desportivo, não apenas uma empresa com accionistas, é estranho esta vontade de alguns em querer que a participação dos sócios do clube, afinal os seus verdadeiros donos, seja reduzida à mera função de contribuidor. Temos quem queira que o clube, logo os sócios, deixem de ter uma maioria qualificada na sad, o que equivale a entregar a alguém estranho o controlo da gestão financeira, económica e desportiva do futebol do clube, podendo, e exemplos não faltam, no futuro alienar essa posição a quem bem entender e por fim desligar por completo a Sporting SAD do clube, dos sócios. É mais estranho ainda haver Sportinguistas que defendendo esta hipótese, estão é claro no seu direito, o façam agora, numa altura em que se acumulam passivos monstruosos, em que a juntar ao défice de cerca de 70 milhões de Euros se vai juntar o falhanço da liga europa e a ausência de público no estádio, elevando este défice para perto dos 100 milhões de Euros. É nestas circunstâncias que alguns Sportinguistas defendem a venda da Sporting SAD a um investidor. Quantos investidores, e já agora, que tipo de investidores, considerariam investir numa SAD com estes problemas financeiros? Qual o valor pelo qual iriam avaliar a SAD? Quanto vale uma SAD com cerca de 300 milhões de passivo e a aumentar? Os Sportinguistas têm que fazer escolhas, temos que decidir se queremos continuar a bater no peito e afirmar que somos diferentes ou então entrar no carrossel e não nos importarmos em perder a SAD e com as suas consequências.
Voltando à proposta da criação de um senado para onde transitam algumas competências da AG, retirando-as aos sócios, com destaque para a aprovação de contas, é notório que há aqui uma clara tentativa de diminuir o poder dos sócios. De seguida se as contas são aprovadas pelo senado, porque não também o orçamento? E já agora também a decisão de expulsão de sócios? Em resumo esta proposta está ligada ao recente chumbo das contas e do orçamento, sendo esta uma forma de avisar os sócios que decisões contrárias a esta direcção, podem levar à diminuição do poder de decisão dos sócios.
Por isso sim afirmo e reafirmo, é necessária quanto antes a demissão dos órgãos sociais do clube, permitindo aos sócios escolher alguém com capacidade, que veja nos sócios o seu apoio e não os seus inimigos, que conte com os sócios nesta luta que é dirigir o nosso grande Clube.
Precisamos de saber escolher e acima de tudo não ter medo.
Postas de pescada no "És a nossa Fé!" após termos esmagado o Aberdeen:
1. UEFA c/ covid-19; AntónioF
2. Contrastes; Pedro Correia
3. Quente & Frio; Pedro Correia
4. A rede; Luís Lisboa
5. Vencemos uns padeiros escoceses; José Cruz
6. Pódio: Tiago Tomás, Coates, Porro; Pedro Correia
Postas de pescada no "És a nossa Fé!" após termos sido esmagados pela arbitragem e pela "invulgar" condição física do Lask (até agora 2020.10.03; 16H40):
1. Um problema escondido à vista de todos; José Navarro de Andrade
2. Ensaio sobre a cegueira; Edmundo Gonçalves
3. Salvar a honra e o bom nome do Sporting; Francisco Almeida Leite
4. Francisco Geraldes e Gelson Dala; Pedro Correia
5. G'anda barraca!; jpt
6. O único sofrimento desta noite; Leonardo Ralha
7. Imaturidade total; José Cruz
8. Uma derrota humilhante; Luís Lisboa
9. Há décadas que não temos glória no futebol; Pedro Bello Moraes
10. Vamos lá cambada; Pedro Boucherie Mendes
11. Pódio: Tiago Tomás, Nuno Santos, Wendel, Pedro Correia
12. Calma de morte; Francisco Almeida Leite
13. Bem-vindos ao "novo" Sporting; Paulo Guilherme Figueiredo
Dezanove "posts", seis, quando ganhámos, o dobro e mais um quando perdemos.
Neste "blog" não há conformismo, não há pensamento único mas há sportinguismo, "vivaosporting" (tudo junto) como escrevi num postal anterior.
Sei que tenho andado um tanto afastado destas lides de escrita sobre o Sporting. Todavia gosto muito de futebol, andebol, hóquei, atletismo e tudo o seja desporto e que essencialmente envolva o Sporting. Gosto muito pouco das outras coisas e que ultimamente têm sido a maioria....
Vai daí afastei-me um pouco. Porém hoje...
... estive em Alvalade, no estádio do Sporting onde existe nas suas instalações, como todos sabem, uma clínica privada. E foi ao passar por aquele que percebi do que tenho actualmente muitas, mas muitas saudades. Assim, estou saudoso:
- de ir “à bola”;
- de comer aquele hambúrguer com ovo e beber uma imperial (ou mais);
- de sentir o pulsar de um clube através dos seus adeptos;
- dos pregões dos vendedores de cachecóis e bonés;
- de subir aquelas escadas e sentar-me no meu lugar e ver aquele estádio e o seu relvado;
- de cantar a plenos pulmões “O mundo sabe que…”;
- de gritar “goooooooooooooooooooolo” até ficar rouco;
- de abraçar o meu filho nos festejos;
- de barafustar contra tudo e todos;
- daquele nervoso miudinho do final de um jogo electrizante;
- do incentivo das claques que nunca se calam;
- de vencer um jogo por margem alargada;
- de sair do estádio a comentar o bom resultado;
- de comer aquele pão quente com chouriço que alguém vende na rua;
- de chegar a casa à pressa para rever os golos na televisão.
E, finalmente, tenho muitas saudades de ver o Sporting novamente Campeão.
Não deve haver clube em Portugal - e talvez até no mundo - tão fértil em teorias da conspiração como o Sporting.
O que quer que possa ser dito ou decidido, em Alvalade, obedece sempre a uma lógica oculta e maquiavélica. É assim que muitos pensam.
Ontem, ao escrever aqui no blogue a minha posição favorável à atribuição do nome de Cristiano Ronaldo à Academia leonina, neste assunto em divergência com um texto anterior do Filipe Moura, logo fui brindado por amáveis leitores com a suspeita de que estaríamos perante uma decisão anunciada agora - antes do início do nosso primeiro jogo oficial da época e a duas semanas do fecho do mercado de transferências - «para distrair» os adeptos dessa magna questão que é a votação, em assembleia geral ordinária, do relatório de gestão e contas do exercício financeiro anterior e do orçamento para o próximo exercício.
Salvo o devido respeito, como agora é norma dizer-se em todos os programas de debate futebolístico, imaginar que os sócios do Sporting possam confundir as contas do clube com uma homenagem onomástica a Cristiano Ronaldo equivale a tomar-nos por imbecis. Uma coisa nada tem a ver com outra.
Mas é inútil contrariar a tendência hoje em voga: as redes não tardaram a fervilhar de indignação. E lá veio o argumento habitual: Cristiano Ronaldo «é para distrair». Como se esta homenagem não valesse por si própria.
Voltaremos a ouvir esta narrativa quando o melhor jogador do mundo vier assistir à inauguração simbólica da Academia Cristiano Ronaldo, sabendo-se que faz questão em estar presente mas só poderá viajar de Itália a Alcochete quando o calendário das suas provas desportivas permitir.
Este é um tema que, por analogia, me suscita uma catadupa de interrogações.
A estátua do Leão inaugurada junto ao estádio em Junho de 2017 também terá sido «para distrair»?
A justa homenagem a Aurélio Pereira, como passou a ser conhecido o principal relvado da Academia de Alcochete desde Setembro de 2012, também terá sido «para distrair»?
Se as respostas a estas perguntas forem positivas, deixa de haver dúvidas: tudo no Sporting está envolvido em teorias da conspiração.
Sendo antes de uma assembleia geral, é «para distrair» do que estará em debate.
Sendo depois de uma assembleia geral, é «para distrair» de algum voto negativo que ali ocorra.
Sendo a meio da época, é «para distrair» de maus resultados desportivos.
Sendo no final de um mandato, é «para distrair» da campanha eleitoral que vai seguir-se.
Quando até Cristiano Ronaldo separa, nada pode unir. Esta é a principal nuvem negra que paira sobre o Sporting.
Eis o que deixo à consideração dos "verdadeiros adeptos". Sobretudo aos que vivem num mundo de permanentes conspirações. Um mundo onde se dispara primeiro e só se pensa depois.
Um João, o João Pedro de Mação, no dia em que se tornou leão.
Outro João, profissional de televisão, num dia que o encheu de satisfação.
(pareço o António Aleixo, com menos talento, claro, eh, eh, eh)
Por último, não menos importante, pelo contrário, como escreve Ricardo Rodrigues (um abraço para o Ricardo, para todos os Ricardos deste país, a quem o "Estado" não deu quinze milhões de euros, que fazem jornalismo, jornalismo verdadeiro, em jornais como Abarca): «O mais importante traduz-se no olhar (...) de Nuno: "Fiquei muito feliz"».
Beto Severo estará de saída da estrutura do Sporting. Para já, parece que deixa o posto de Team Manager, seja lá o que isso for. Depois, espera-o a porta de saída. Para mim, Beto não é dirigente, é um antigo capitão, campeão e defesa de excelência que fez 241 jogos e marcou 21 golos pelo Sporting. Ajudou a vencer dois campeonatos (um como central, a sua posição de quase sempre, e outro como defesa-direito, dando o centro à dupla Cruz-Babb); uma Taça e duas Supertaças. Ainda andou por Huelva, Bordéus e Belém, mas a sua casa sempre foi Alvalade. Não há como apagar isso.
PS: A saída de um Beto sportinguista era boa oportunidade para a entrada de outro, livre de contrato e desejoso de acabar a carreira em "casa".
Não obstante as tristes figuras que o nosso clube vai fazendo, seja dentro ou fora de campo, certo é que os adeptos leoninos jamais se escondem ou olvidam o seu amor pelo clube.
Há uns dias andei, mais uma vez, por algumas ilhas açorianas. E a exemplo do que vi o ano passado quer no Faial quer em S. Jorge, também este ano tive a oportunidade de sentir o Sporting naquele arquipélago.
Primeiro na bela ilha Amarela de Santa Maria onde existe um núcleo do Sporting ali na rua principal da Vila do Porto.
Depois e já na Ribeira Grande na inolvidável ilha verde de S. Miguel e no restaurante “Esgalha” dei também conta da paixão leonina.
Foi no dia 19 de Janeiro de 1973, eu tinha quatro anos e tal e perguntei ao meu avô Jacinto: "amanhã vai caçar o leão para Rio Maior" (na altura as crianças não tuteavam os avós, outro século).
O meu avô, só muito mais tarde o soube, nunca foi caçador, tinha uma "flóber" [anos mais tarde a professora Ivone que me apoiava/ensinava nas aulas da telescola (da outra, a preto e branco) disse-me que era uma palavra francesa que se escrevia flaubert] pois sim, para mim será será sempre a "flóber" do meu avô Jacinto, nisto sou dogmático, sou como aquelas pessoas que se opõem ao acordo ortográfico, "no meu tempo não havia gloco".
Ora bem, o meu avô que tinha uma "flóber" para espantar a passarada que tentava abicar o sustento de quatro filhos e duas filhas, não foi para Rio Maior disparar contra o leão, no entanto, amanhã serão muitos a fazê-lo.
Dum lado da barricada os conservadores, os legitimistas, aqueles que acham que um presidente é eleito e enquanto não violar os estatutos, enquanto não tiver indícios de demência, continua a ser o presidente até às próximas eleições, são os Sportinguistas; do outro lado, amanhã, estarão todos os outros, os benfiquistas, pretendem derrotar o adversário em campo, os portistas, nada têm a perder, podem ganhar algo, a notícia da contratação de Bruno Wilson não apareceu por acaso, os braguistas, legitimamente, pretendem chegar ao terceiro lugar, vão jogar tudo dentro e fora do campo (já falei do Bruno Wilson?) e todas as outras falanges, claques, cliques e assim que se dizem "sportinguistas" mas que na verdade são anti-presidente do Sporting; "há presidente, sou contra", como diria Marx.
Amanhã, temos de ser todos Sportinguistas sem aspas, todos juntos a levarmos o Sporting à vitória, à conquista do terceiro lugar, pode parecer pouco, infelizmente, é o que alguns de nós queremos alcançar (outros nem por isso).
Foi ali, naquele quarto que o meu menino ouviu (estávamos sem televisão e a bem da verdade ele adormeceu muito antes do final do jogo, estava 0-0, na altura) a primeira derrota do Sporting.
Do nosso Sporting.
Faz hoje, precisamente, dois meses, que nasceu, telefonei ao meu pai, nesse dia, as minhas palavras foram estas: "nasceu um sportinguista, é saudável" o meu pai sorriu, engasgado, choroso (não se pode dizer) e disse algo do género: "o menino que escolha, não o pressiones, é uma grande responsabilidade".
Como se fosse responsabilidade querer que o meu filho seja um homem bom, honesto e respeitável.
Qual era a alternativa?
Luís Filipe Vieira?
Pinto da Costa?
Felizmente em 2020.05.20 o presidente do Sporting não é razão de vergonha para ninguém.
Era um bocadinho, totó, papá" dir-me-á o rebento daqui a uns anos.
Sorrirei, encolherei os ombros, dir-lhe-ei: "e o que estava antes?"
(não fiz as contas, se o campeonato tivesse começado no dia 20 de Maio, se só tivessem contado os jogos que vi em directo na televisão [todos, excepto o último com o Porto] em que lugar estaria o Sporting do "malandro" Varandas, treinado pelo lampião Amorim?)
Adoro estas manhãs a seguir aos jogos do Sporting, quando ganhamos.
Cinco desafios superados sob o comando do actual treinador - 13 pontos conquistados em 15 possíveis. Somos a equipa com melhor desempenho pontual desde o recomeço da competição, apesar de termos perdido vários jogadores cruciais desde o início da segunda volta - desde logo Bruno Fernandes, mas também Acuña e Vietto (entretanto lesionados) e Mathieu (que acaba de abandonar prematuramente a profissão, também devido a lesão).
Temos, em simultâneo, a nossa equipa mais jovem desta Liga: ontem o mais velho em campo era o capitão Coates, com 29 anos. Média de idades no onze titular: 22,8.
"Apostar na formação" deixou de ser um slogan vazio e tornou-se realidade.
É sempre assim: o Sporting ganha e poucos aparecem.
Quanto mais vai ganhando, mais tranquilas são estas águas.
Se tivéssemos empatado, já rondavam vozes agoirentas por aí.
Se tivéssemos perdido - por um golo que fosse, até marcado com a mão - e nestas caixas de comentários logo desaguava um caudal de "verdadeiros adeptos" (reais ou virtuais) a ferver de indignação, urrando aos quatro ventos, exigindo decapitações "para ontem". Do presidente, do treinador, dos jogadores, se calhar até do roupeiro.
Tudo aos gritinhos.
Prefiro assim. Manhã calma, sem vuvuzelas anónimas na posta restante cá do blogue. E mais três pontos amealhados.
Quando há praticamente oito décadas foi assinado o fatídico armistício, depois da invasão da França pela Alemanha nazi, que terminou com uma parada militar em plenos Campos Elíseos, o acordo previa a criação no sul de França daquilo a que se chamou de “Estado Fantoche”. Este tinha sede em Vichy, e era liderado pelo General Pétain. Estávamos perante uma novidade estrutural. Transpondo para o plano da vida interna do nosso clube, desafiamos o leitor a fazer uso da expressão para criar uma analogia com o futebol português e o estado em que se encontra o Sporting Clube de Vichy... perdoem-nos, o Sporting Clube de Portugal.
No primeiro caso, organizado através de afinidades da mais variada índole, este é constituído por estruturas que, por norma, dizem-se independentes, mas que assumem posições que as vinculam a interesses tantas vezes a raiar a opacidade. Tal seria já de si deprimente, não fosse o caso de estarmos perante uma novidade: a inclusão do Sporting Clube de Portugal no lote de clubes cuja estratégia e pensamento para o futebol português é acéfala. Pior, rege-se pelo ondular entre as boas relações que os seus dirigentes, para infelicidade de quem pugna por um clube com uma reputação acima de qualquer dúvida, pretendem reatar ou fortalecer com quem tem levado os níveis éticos da modalidade para um grau catastrófico.
As últimas semanas trouxeram à liça mais uma demonstração da total dependência do Sporting Clube de Portugal face a interesses terceiros, e que em nada dignificam a modalidade. A disputa de poder, mais uma, no interior da Liga Portugal mereceria uma reação forte. Colocar o dedo na ferida, um bater de punho na mesa. Mas os punhos de renda de quem governa um clube com 114 anos e mais de 3 milhões de adeptos não lhes permite, como sabemos há muito tempo, sequer o esforço mental de tentar abandonar a órbita de mais um dos muitos coveiros do futebol português.
Apenas a última de tantas e tantas demonstrações de falta de alma e sentimento verde-e-branco! Basicamente, estamos a assumir a nossa posição de clube fantoche.
Triste clube que se permite, mais uma vez, ter à frente dos seus destinos quem não se preocupa em encontrar soluções que visem ultrapassar as dificuldades (conjunturais ou não), antes preferindo comunicar, constantemente, em canais amigos (?) os dramas da pesada herança. E, não vá alguém ter dúvidas do destino previamente definido, aqui e ali, cada vez mais desprovidos de falta de pudor, surgem os arautos da venda da SAD. Até já se discorre sobre exemplos tão extraordinários como o Wolverhampton (oh! Ironia) para justificar tamanho desiderato. Não se preocupem, caros amigos, a memória não é curta, também conhecemos o destino do Málaga, do Rangers ou do Parma. E nem precisamos de ir muito longe, por certo que Beira Mar, ou Belenenses, vos diz algo.
Triste sina de viver em constante convulsão interna, o famoso dividir para reinar. Os exemplos são tantos que nem um encarte especial do jornal do clube teria espaço suficiente para enumerá-los. Mas deixamos uns poucos à consideração do caro leitor, desde as claques como origem de todo o mal, aos adeptos a quem se exige que retirem o calçado antes de entrar no estádio, sem esquecer o desplante de considerar o Sporting Clube de Portugal um simples ponto de passagem para um grande da Europa; o Valência, talvez, eventualmente o Mónaco ou, hélas, o tão famoso Wolverhampton.
Temos no nosso seio demasiados interesses. Interesses que fogem ao critério de quem sofre, vibra e sonha com muito mais para um clube que, ainda que em constante confronto autofágico, tem todas as condições para se assumir como a verdadeira potência desportiva. Tal como acontece até nos Estados Fantoche, as populações inevitavelmente têm um assomo de dignidade e vontade de serem livres, acreditamos que, um dia, ousaremos lutar juntos pelo Sporting Clube de Portugal.
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