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És a nossa Fé!

O que disse Sousa Cintra

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«Rui Patrício é um jogador fantástico, dos melhores do Mundo. Quis sair e não vale a pena voltar atrás. A verba que o Sporting vai receber é à volta de 18 milhões de euros, um pouco menos.»

 

«O lugar de Bruno Fernandes é no Sporting e estou convencido que isso vai acontecer. Espero dar essa notícia aos sportinguistas. Com Podence é igual. Espero que isso aconteça porque estou a tratar desse assunto. Estamos a conversar.»

 

«Gelson? O meu desejo é que ele regresse, é um jovem com grande futuro. Não sei... Se sair, leva uma nódoa. Quero o melhor para Gelson, mas não posso deixar de defender o Sporting, as negociações não podem ser feitas de qualquer maneira.»

 

«Com um contrato daqueles, super milionário e absurdo... Não tenho nada contra ele [Mihajlovic], mas nunca ganhou nada. Não havia quaisquer vitórias. Sabia que foi um grande jogador a marcar livres mas o Sporting não precisa de um marcador de livres.»

 

«O Augusto Inácio é um funcionário, está lá. Porque deixaria de estar? Não vou dizer que vai haver um novo director desportivo, quero é que o Sporting tenha um bom desempenho e para isso as pessoas têm que estar empenhadas.»

 

Esta noite, à SIC e à SIC Notícias, em entrevista conduzida pelo jornalista Paulo Garcia

Carvão e transparência

É uma imagem impossível, eu sei, mas diz que os diamantes são uma espécie de composto de carbono e são transparentes e brilham imenso. Por isso, depois de ouvir e ver Cintra na SIC, a minha aversão a notícias sem confirmação sente-se tentada a acreditar nos rumores que vão correndo.

Pois então parece (e não será rumor, Cintra acaba de o confirmar) que Podence e Bruno Fernandes regressarão ao clube. Ora, crendo no carvão que vai sendo publicado, parece que ao regresso se juntará um prémio de assinatura. A ser verdade, ele lá saberá se tem dinheiro para lhes pagar, mas não deve ser difícil, já que a situção não deve ser tão má como a pintam. Pelo menos foi o que subentendi das palavras de Cintra ao intenso interrogatório sobre o tema a que o papagaio da SIC o submeteu (caramba, podia ter referido que entrou ontem em vigor o contrato de mais de 500M€ com a NOS, ficava-lhe bem).

Muito bem, que regressem. Tenho alguma curiosidade (a confirmarem-se as comissões) em saber qual vai ser a explicação que vai ser dada aos que não abandonaram o barco e qual será a sua reacção. E quais as consequências para a saúde do balneário. Se eu fosse saudosista, diria que provavelmente fará pior que um post no facebook, mas não sou e quero crer que o período de felicidade anunciado por Cintra tudo ultrapassará. Anseio verdadeiramente por isso. Anseio tanto que amanhã, logo pela manhã e numa prova de confiança nos jovens que ficaram e naqueles que regressam com vontade de triunfar, irei renovar o meu bilhete de época.

Disse ainda que vai negociar Patrício por 18M€. Tenho algum interesse e não serei provavelmente o único, em saber quanto desse valor chegará realmente ao Sporting, se mais, se menos que aquilo que foi apregoado há bem pouco tempo (timidamente falou em agentes e comissões, mas foi assunto que não interessou ao entrevistador, que lhe passou por cima como cão por vinha vindimada). Seria da maior, elementar e já agora mais que necessária transparência.

A talhe de foice, gostaria também de ouvir os candidatos às eleições de 8 de Setembro a pronunciarem-se sobre o tema rescisões e sobre estes três casos em particular e que medidas tomarão para tratar do inevitável desconforto.

Achei piada à referência à vitória no Futsal, "...fomos campeões já com esta direcção". Ó Cintra, menos...

Com esta escolha de Cintra para treinador, já não sei se o Bruno seria destituído

E não percebo como, com esta escolha de treinador, a Comissão de Gestão pode falar em querer recuperar os jogadores que rescindiram. Que bom jogador quer ser treinado por Peseiro? Obrigar um jogador a ser treinado pelo Peseiro é motivo para rescisão com justa causa, tanto ou mais que ter como presidente o Bruno de Carvalho.

Vi Sousa Cintra com Peseiro e fui renovar o lugar no estádio

Oiço e leio reservas, até duras críticas à escolha de José Peseiro para treinador da principal equipa do Sporting. O título deste texto é demonstrativo do quão longe estou do chorrilho negativista que para aí anda.

Lembro que o clube ainda atravessa uma profunda crise. A liderança está entregue a uma comissão de gestão. A governação é transitória. Além destes factos perguntas há cujas respostas, quanto a mim, apresentam outras evidências, também elas pouco animadoras: Que escolhas tinha Sousa Cintra? E pergunto-o perguntando ainda: Quantos treinadores aceitariam, hoje, trabalhar no Sporting sabendo que daqui por três meses haverá nova liderança no clube?

José Peseiro conhece o futebol português e isso é meio caminho andado para haver menos asneira. Já cá esteve e não foi ganhador? Sim, é verdade, como o é nos últimos três anos termos estado entregues ao exorbitantemente caro Jorge Jesus que cá chegou tri-campeão e todo ele promessas de glória resgatada, mas que connosco levou-nos a conquistar um troféu apenas, ingloriamente, o mais pequeno deles todos.

Optimista inveterado que sou, de Peseiro, no lugar de o lembrar como "pé-frio", prefiro recordá-lo como o treinador responsável por um dos melhores "futebóis" que vi jogar em Alvalade.

Venha a nova época. Eu vou lá estar. 

A fina flor do entulho

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Em 1987 Paulo Futre ficou no 2º lugar na votação para a Bola de Ouro, o prémio do France Football para melhor jogador. Gullit ganhou (106 votos), Futre teve 91. Depois? Butragueno [o "dono da quinta", hoje director no Real] (61), Michel (agora falado como hipótese para treinador do Real) (31), Lineker (o monstruoso goleador, ainda hoje sempre ouvido no futebol inglês) (13), John Barnes (10), Marco Van Basten (ex-seleccionador holandês) (10), Vialli (9), Bryan Robson (7), e por aí adiante ... Gullit estava no Milan e muito isso terá contribuído para vitória, a qual não apouco, o homem era um jogador extraordinário. Mas também o era Paulo Futre, que acabara de ganhar a Taça dos Campeões Europeus. Mas, naqueles tempos, de outra exposição mediática internacional dos portugueses, ainda por cima ele transferira-se para um então secundário Atlético de Madrid. Pouco importa agora se mereceu ganhar ou não. Era uma estrela internacional. E se a sua carreira não foi ainda mais brilhante deveu-se decerto aos rumos que teve: demasiados anos no seu Atlético de Madrid, em tempos cinzentos do clube; lesões quando já maduro partiu para o campeonato italiano, então o maior palco. Depois, já retirado, foi director desportivo do Atlético de Madrid. 

Sim, saiu do Sporting em conflito, mas a história está tantas vezes contada que não vale a pena regressar a ela. Foi um erro histórico de gestão. Não me parece que isso menorize, tantas décadas passadas, a importância que Futre teve no futebol português, de longe o melhor e mais célebre jogador da sua geração. E a sua representatividade no Sporting. Penso que a sua foto como "bola de prata", ainda para mais nessas condições, deveria ser afixada em Alvalade, ao lado daquelas de Figo e Cristiano Ronaldo que servem como paisagem nas fotos oficiais, como símbolos do reconhecimento internacional que a formação sportinguista tem tido nas últimas 4 décadas.

Estou a defendê-lo como candidato a presidente do Sporting ou como director desportivo do clube? Não. Não me compete. Estou a lembrar Paulo Futre, como património do futebol e do próprio clube.

 

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Há 30 anos Sousa Cintra ascendeu a presidente do Sporting, assim se concluindo a difícil transição após a partida de João Rocha, um grande presidente, porventura o maior que o clube teve. Tal como Rocha, Cintra é um self made man, coisa que ofende alguns que julgam que um "senhor" é o que lhes lembra o que leram (quando liam) nos livros da Condessa de Ségur, e que se pelam por brasões e consoantes excêntricas nos nomes (se forem consoantes duplas então é-lhes orgástico). Sem perceberem que isso são nomes e símbolos que nada mais representam do que ser descendente de contrabandistas de origem transpirenaica ou de negreiros luso-brasileiros, (re)instalados em Lisboa e no Porto durante XIX. Ou seja, que são símbolos e nomes que mostram que se descende de self made men. Enfim, Cintra foi um bom presidente, um pouco patusco na sua forma descomplexada de se exprimir, mas segurou o clube numa altura bem difícil. Como homem de negócios é muito resmungado (eu quase desmaiei quando soube que ia esburacar ao largo da costa em busca de petróleo, mas não sei se tinha justificação para tal). Mas, e deixemo-nos de coisas, nos 25 anos que se seguiram à sua presidência nunca ouvi que tivesse agido com dolo, em prejuízo do clube.

 

Estou a defendê-lo como futuro presidente? Como actual presidente da SAD? Não. Estou apenas a lembrar-me do que vi na TV no sábado passado. A doutora Elsa Judas, associada que havia sido cooptada para um órgão dirigente oficioso pelo ex-presidente Bruno de Carvalho, dizer nas cercanias do pavilhão onde decorria a assembleia-geral que depois da votação todos teriam que aceitar os resultados, e a partir do dia seguinte continuar o Sporting em unidade, esquecendo as diferentes opiniões.  

Agora, resultados conhecidos, dia seguinte passado, a associada Elsa Judas escreve isto sobre estes dois vultos: "a fina flor do entulho". Este é o espírito truculento, insultuoso, infértil, e (visivelmente) errático, que vigorou sob Bruno de Carvalho. E seus apaniguados. A doutora Elsa Judas terá os seus méritos como jurista (ao que li como colega do doutor Fernando Seara, comentador futebolístico, autarca e jurista). E será uma aguerrida e apaixonada sportinguista. Mas compara-se, no historial do clube, a Futre ou Cintra, para se atrever a este tipo de "bocas"? E com que fundamento? Que críticas substantivas haverá a fazer a estes dois indivíduos? Que fizeram eles recentemente que prejudicasse o clube (quanto muito, alguns mais radicais acusá-los-ão de ... terem apoiado Bruno de Carvalho).

Judas demonstra bem, neste seu evidente atrevimento, o pouco que restou do carvalhismo. Este estertor, carregado de fel. Está na altura da imprensa, e de nós, nas redes sociais e nos blogs, deixarmos de ecoar esta gente, dar-lhes o silêncio devido. E assim deixarmos definhar esta fina flor do entulho.

Duas, vá, três notas

Ouvi hoje Torres Perreira dizer que a SAD está em falência técnica. Só será novidade para quem andou distraído, foi declaradamente dito que o empréstimo obrigacionista de 15M€ serviria para resolver problemas de tesouraria. Os capitais próprios negativos serão de 9M€, sendo que antes das rescisões eram de 7M€ positivos, portanto com a venda de um ou dois jogadores a situação estaria perfeitamente controlada. O que eu quero ver é Cintra defender até à exaustão os interesses do clube e da SAD junto da FIFA, que é onde se devem dirimir os conflitos contratuais com os jogadores, como lá está escrito com todas as letras. A propósito de falência técnica, recordo os 100M€ de capitais próprios negativos deixados por Godinho Lopes, muito bem recuperados pelo agora demitido (sim, já sei, estragou tudo e o diabo a sete, mas 100 menos 9, mesmo para um tipo com pouca queda para as contas, são 91).

 

O treinador do futsal, Nuno Dias, foi cirurgicamente castigado com 8 dias de suspensão, o que o impedirá de estar no 4.º jogo para o apuramento do campeão e se, ganho esse, também no quinto e último, na sequência do roubo vergonhoso no terceiro jogo, no João Rocha. Exijo uma resposta veemente da Comissão de Gestão, sob pena de considerar que para Torres Pereira e Sousa Cintra, o futsal não lhes merece qualquer atenção.

 

Estranho que hoje não se fale das buscas da PJ ao estádio do Benfica, na comunicação social. Esperava um ruído ensurdecedor, mas não, nada. Provavelmente Torres Pereira terá postado no facebook e eu não terei dado por isso.

 

Não levem este devaneio muito a sério. É ressaca. Ou então estou atento, ainda não percebi bem.

24 de Junho de...

«Sousa Cintra conquistaria a presidência do Sporting, a 24 de Junho de 1989, numa votação que lhe foi claramente favorável: 40 898 votos contra 16 063 de António Simões, 6 522 de Jorge Gonçalves e 109 de Miguel Catela. […] Sousa Cintra, pouco tempo depois de ter tomado posse como presidente do Sporting, exigiu: “Federação, demita-se!” E afirmou: “Tenham vergonha, senhores do Benfica.” Tudo […] por causa da viagem de Fernando Mendes de Alvalade para a Luz.»

 

In: Glória e vida de três grandes. A Bola, 1995, p. 230

Cintra banido no Carvalhistão

José de Sousa Cintra, ex-presidente do Sporting e uma das figuras mais queridas da massa adepta leonina, foi hoje impedido de entrar nas instalações do clube. Em flagrante violação de um despacho judicial, que o reconhece como membro da Comissão de Gestão.

Como se o Sporting estivesse à margem das regras vigentes num Estado de Direito.

Como se não vivêssemos num país livre.

Há apenas 15 meses, Sousa Cintra integrou a Comissão de Honra da recandidatura de Bruno de Carvalho. Nem isso lhe serviu de salvo-conduto para atravessar as trincheiras do Carvalhistão.

Sousa Cintra…

disse:

 

"O Presidente está em funções mas não está a sentir responsabilidade que é. Não entendo porque não pede demissão e resolve os problemas do clube. A época está a chegar, os sócios já mostraram que querem eleições, devia demitir-se, íamos para eleições e as coisas resolviam-se. O Sporting não merece uma coisa destas, isto é uma má imagem do Sporting e de Portugal", começou por dizer Sousa Cintra à margem de um encontro no "International Club of Portugal".

"Apoiei-o na altura, não me arrependo disso, fez um bom trabalho que está prejudicar agora. Estou arrependido agora, na fase final. Nenhum sportinguista se pode rever no que está a passar. Apelo ao presidente que se demita e se candidate de novo e depois os sportinguistas depois vão escolher quem estiver melhor para o futuro e tudo fica normalizado. O importante é haver um caminho rápido com a demissão do presidente. O tempo é muito curto, nem os nossos rivais querem uma situação destas no Sporting", acrescentou.

Outro "sportingado"

«Era bom que Bruno de Carvalho saísse agora. Acabava-se com esta onda de ruído tão negra para a vida do Sporting.»

 

«Ele agora devia sair porque está a prejudicar grandemente o Sporting.»

 

«A gente não pode continuar assim. É negativo para o Sporting.»

 

José Sousa Cintra, ex-presidente do Sporting. Há pouco, no Jornal da Noite da SIC

As eleições para a Liga, o tipo das águas...

...ou como não se ganha um campeonato por não se querer pagar a propina.

 

Contada por amigo comum (benfiquista ferrenho), passada numa futebolada que faziam com alguma regularidade:

Era Cintra o presidente do Sporting e numa dessas futeboladas, um dos candidatos à Liga, no decorrer duma conversa onde o presidente falava na vontade de ser campeão e na dificuldade de o ser, por os árbitros em regra prejudicarem o Sporting, o candidato terá proferido estas palavras: "só não ganhas se não queres, pagas trinta mil contos..."

Pelos resultados, verifica-se que a resposta à Cintra terá sido mesmo esta: "pagar pra esses fdp? nem morto!"

É certo que o próprio (conhecido entre os pares por "Fala Barato") não revelou se seria ele mesmo a tratar do assunto, se sabia de quem tratava, ou se sabia apenas em quanto estava o preço do campeonato...*

Por via das dúvidas, para o bom nome da Liga e apesar do C. Arbitragem ser um órgão federativo (local que se sabe ser muito mal frequentado), melhor foi que o candidato não tivesse sido eleito!

 

 

* - e também é certo que Cintra tratou de evitar ser campeão, ao despedir Bobby Robson! Resta em seu favor o facto de não querer jogar sujo, o que não é de todo desprezível.

Três erros históricos

Na sequência do texto do Adelino Cunha a expressar o seu ponto de vista sobre os piores presidentes da história recente do Sporting, julgo relevante exprimir, no meu ponto de vista, quais terão sido, não os piores presidentes, mas os piores erros de gestão.

 

Excluo as saídas das principais pérolas da Academia (Figo, que saiu praticamente de graça, e Cristiano Ronaldo, vendido muito barato bem antes do tempo - um "negócio à Bettencourt"), pois esses terão sido erros de gestão financeira. Refiro-me mesmo a erros desportivos.

 

Talvez tudo tenha começado com a saída de Malcolm Allison do comando da equipa, conforme um leitor comentou no texto do Adelino. Esse talvez tenha sido o "erro zero". Mas, nos últimos 30 anos, os erros principais, por ordem cronológica, a meu ver foram:

 

  • a saída de Futre para o Porto em 1984;
  • o despedimento de Bobby Robson (contratado logo de seguida pelo Porto) em 1994;
  • a venda de João Moutinho ao Porto em 2010.

Os três erros tiveram como único beneficiário o FC Porto de Pinto da Costa.

 

Antes da contratação de Futre, Pinto da Costa ainda não havia sido campeão nacional (e o FC Porto era um clube em tudo inferior ao Sporting). Depois de contratar Futre, o FC Porto foi bicampeão nacional e campeão europeu (algo que o Sporting nunca foi).

 

Bobby Robson, nunca é de mais lembrar, saiu quando o Sporting era líder do campeonato. Foi para o Porto e logo nesse ano ganhou a Taça frente ao Sporting. Deu início ao "penta" - até então o recorde de títulos consecutivos era do Sporting. Mais importante: foi graças a esse penta que o FC Porto ultrapassou o Sporting em número de títulos, num fosso que se tem vindo a alargar. Quando Robson treinava o Sporting, o clube ainda tinha mais títulos que o Porto. A saída deste treinador representou portanto um ponto de viragem. Tal como a de Futre. Sempre graças ao Sporting.

 

João Moutinho era o capitão da equipa. Não faz sentido, em lugar nenhum, um clube reforçar um adversário direto. O significado da saída de Moutinho é esse: o Sporting reconhece que o Porto deixou de ser um seu adversário direto. Não disputam os mesmos objetivos. Tem sido assim desde que Moutinho saiu. Esta saída, embora por si só não justifique toda esta realidade, é dela o seu maior símbolo.

 

Convém recordar o nome dos presidentes responsáveis por estas decisões: João Rocha, José Sousa Cintra e José Eduardo Bettencourt. No caso dos dois primeiros, as suas longas presidências tiveram aspetos positivos e negativos. Não consigo mencionar um aspeto positivo da presidência do último.

"Pior que isto é quase impossível"

José Sousa Cintra surgiu na noite de terça-feira, num debate na SIC Notícias, como advogado da actual direcção, agitando a teoria do caos: ou se está com Godinho Lopes ou se está "contra o Sporting". Confundindo legítimas críticas ao presidente com críticas ao nosso clube. Que é de todos, incluindo dos que criticam por convicção e por imperativo de consciência, e não é propriedade privada de ninguém.

"O que tem acontecido ultimamente é muita gente a falar mal do Sporting, isso é que é desagradável", declarou o ex-presidente sportinguista. Confundindo causas com efeitos: incompreensível seria, a meu ver, a eventual inexistência de críticas internas quando o clube vive a pior fase de sempre da sua história.

O mais curioso, no entanto, é que o próprio Sousa Cintra não hesitou também em cair na tentação de ser "desagradável". À medida que o debate prosseguia, foi dizendo coisas como estas:

 

«Não há um sportinguista que esteja satisfeito com a situação actual do Sporting.»

«Que as coisas estão mal toda a gente o reconhece.»

«O Sporting está com péssimos resultados, está uma instabilidade completa, e havia que trazer alguém com credibilidade para arrumar a casa na área do futebol. Ninguém pode negar que Jesualdo Ferreira é um senhor do futebol, foi campeão pelo Porto durante três anos seguidos...»

«O Sporting este ano não foi feliz com as aquisições. A verdade é que não resultaram. Não resultaram.»

«Houve decisões que eu, se fosse presidente do Sporting, não fazia. Primeira: gastar dinheiro [a comprar jogadores] tendo a prata da casa.»

«O resultado está à vista: pior que isto é quase impossível acontecer.»

 

Sousa Cintra mostrou, assim, ser o pior dos advogados de defesa do presidente - o que aliás abona a seu favor. Afinal também ele poderia dizer - como disse o nosso ex-campeão nacional José Eduardo, outro participante do debate: "Eu não ataco o Sporting: critico os dirigentes que estão a governar mal o Sporting. A minha forma de ser sportinguista é não ser cúmplice, pelo silêncio acomodado, com tudo quanto está a acontecer."

O que dizem eles

 

«Se daqui para a frente jogarem sempre assim (como jogaram contra o Gil Vicente), o Sporting é um candidato ao título. Jogarão de igual para igual com o Benfica, com o Porto e com os demais. Os jogadores mostraram raça e dinamismo com categoria, com qualidade, que quis sempre ganhar. Foi o arranque para uma grande temporada do Sporting. As críticas à volta de Ricardo Sá Pinto originaram muitas interrogações, o que desgasta a equipa, as pessoas que gostam de futebol, os sportinguistas. Sá Pinto tem as características de que o Sporting precisa: é um vencedor, uma pessoa que transmite confiança, garra e isso é muito importante para qualquer clube. O Sá Pinto procura a união e ontem ficou provado que essa união existe. Há sempre detractores, gente que gosta da desunião para outros fins. Ontem, ficou mais que provado que a equipa está mais que unida e disposta a lutar sempre pelas vitórias».

 

-    José Sousa Cintra    -

 

Observação: Privei pela primeira vez com o ex-presidente do Sporting em Novembro de 1986 numa recepção no então seu Hotel Palace em Vidago. Admito que estava longe da minha imaginação que cerca de três anos mais tarde ele viesse a assumir a liderança do Clube. De certo que é o desejo de todos os sportinguistas que a sua crença sobre a futura competitividade do Sporting se venha a confirmar.

 

Nunca é tarde

 

Sousa Cintra voltou para dizer que o Sporting está "no bom caminho” e que “é preciso ter confiança e esperar”, “pois as coisas vão melhorar”. Quando li isto no Público mal queria acreditar. Quase lhe perdoei ter despedido o Bobby Robson. Quase, porque essa espinha está aqui atravessada há muitos anos.

De certo ninguém esperava que Cintra revelasse, assim de repente, tanta sensatez. Sobre a reunião do Conselho Leonino do próximo dia 31, o ex-presidente foi ao ponto de contrariar algumas vozes que têm falado a destempo: “O que se passa lá, fica lá dentro, os problemas dos clubes devem ser tratados internamente e não na praça pública”. Ora nem mais.

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