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És a nossa Fé!

Faz tão bem!

O jogo de ontem não foi transmitido pela RTP internacional, mas felizmente houve um canal alemão que o fez: o RTL Nitro. Nunca a seleção portuguesa teve este estatuto e faz muito bem ouvir o comentador alemão Markus Kavka referir-se aos nossos jogadores como "os campeões europeus", ou "a seleção campeã da Europa".


É certo que, apesar de uma certa força inicial, os húngaros se tornaram inofensivos, depois de sofrerem os dois primeiros golos, mas é igualmente isso que define uma boa equipa: Portugal dominou o jogo. Markus Kavka fartou-se de nos elogiar. Portugal jogou como se estivesse destinado a voos mais altos.
Esperemos que sim!

A angústia do árbitro perante o golo

Hoje, dia de jogo da nossa seleção, aproveito para falar de um antigo árbitro da FIFA: o suíço Urs Meier (eu já explico a ligação). É muito conhecido na Alemanha, já que, depois de terminada essa sua carreira, em 2004, inciou uma outra, como comentador do canal ZDF, ao lado de Jürgen Klopp (o famoso treinador do Dortmund, que está, neste momento, em Liverpool) e, por vezes, Franz Beckenbauer. Enquanto Jürgen Klopp analisava o desmpenho das equipas, Urs Meier funcionava como expert de arbitragem.

 

Du Bist Die Entscheidung.jpg

 

Recentemente, o suíço surpreendeu ao publicar um livro de auto-ajuda, com o título: TU és a decisão - agir rapida e resolutamente (tradução minha e literal do alemão). Urs Meier baseia-se na sua experiência como árbitro de futebol e defende a tese de que devemos confiar mais no nosso sexto sentido. O primeiro capítulo intitula-se precisamente: "Como usar a intuição numa decisão" e inicia-se assim:

 

"Quartos-de-final do Campeonato Europeu de 2004. Minuto 89 do jogo Inglaterra contra Portugal. 1:1 no marcador."

 

Urs Meier enche quatro (!) páginas (as primeiras deste livro) com esse minuto 89, em que ele assinalou uma falta contra Portugal, da qual resultou um golo de Campbell. O árbitro suíço anulou esse golo, porporcionando assim que Portugal passasse à meia-final por penáltis. Foi uma das piores decisões da sua vida, diz ele, porque, apesar de realmente ter havido uma falta de John Terry sobre o nosso guarda-redes Ricardo, ele não a viu! Confessa que estava em má posição e a confusão na grande área portuguesa era enorme, numa amálgama de vinte jogadores. Mesmo assim, ele quebrou uma regra dos árbitros que diz "só apitar o que se vê" e anulou o golo! Baseado na sua intuição! Quando a bola entrou na baliza e os ingleses festejavam, enquanto os portugueses reclamavam desesperados, Urs Meier notou que John Terry, em vez de se juntar ao regozijo dos seus colegas, olhou para ele. E a sua intuição disse-lhe: se o jogador olha para mim, numa altura destas, é porque tem a consciência pesada. E anulou o golo apenas baseado nisso.

 

Mais tarde, o vídeo do lance provou que houve falta. Mas também provou que era impossível Urs Meier tê-la visto. O árbitro teve problemas com a FIFA, um jornal inglês divulgou o seu endereço eletrónico e ele recebeu 16 000 emails de protesto, ameaças de morte inclusive. Deu por terminada a sua carreira ainda nesse ano.

 

Urs Meier proporcionou a primeira final portuguesa num Campeonato da Europa. E o minuto 89 do jogo entre Portugal e a Inglaterra fica eternizado e descrito ao pormenor neste seu livro.

Evidências

Não é só A Bola, Pedro! A RTP também entra no jogo.

 

Ontem, Pizzi veio garantir, em conferência de imprensa, que os jogadores do Benfica vão colaborar com os jogadores do Porto nos jogos da seleção, mesmo estando o derby à vista!

 

Como?

É preciso vir garantir uma coisa dessas perante os jornalistas? E é notícia de Telejornal?!

 

Pois foi com esta não-notícia que o serviço público de televisão, no seu principal noticiário, se referiu ontem aos jogos da nossa equipa de todos, dando largos minutos de tempo de antena a Pizzi e às suas bombásticas declarações.

Os futebolistas e os excursionistas

Há jogadores de futebol, aqueles que são convocados para uma dupla jornada de qualificação e jogam, depois há os outros, os que vão por ir, porque ainda há lugares no autocarro ou no avião.

Jogadores de futebol:

Rui Patrício - 180'

João Mário - 105'

William Carvalho - 90'

Gelson Martins - 41'

Excursionistas:

Nélson Semedo - 0'

Pizzi - 0'

Renato Sanches - 0'

Afinal há final

O jogo de ontem começou muito bem, com a selecção a trabalhar para o empate como é costume. É espantoso como até a Gales dá a iniciativa do jogo. Estávamos já todos confortadinhos, a enroscar-nos no sofá para um bom cochilo, a apreciar o que (não) se passava em campo, até que houve algo de semelhante a uma jogada perigosa: João Mário e Cristiano fizeram uma tabelinha, e João Mário, com a proverbial eficácia na finalização que bem lhe conheço no Sporting, atirou a bola sabe-se lá para onde. Nesta altura Danilo continuava a demonstrar que era melhor que William (a sabedoria convencional no início do campeonato) enquanto Renato Sanches estava entre o passe errado n e n+1. Ao intervalo parecia tudo bem encaminhado para se depositar a fé numa defesa do Rui Patrício nos penáltis.

 

Até que, no início da segunda, o Cristiano Ronaldo lá sacou aquele golo à Michael Jordan (como alguém já lhe chamou). Três golos no campeonato, três grandes golos, sendo este o segundo à la Jordan. O golo de Ronaldo foi quanto bastou para Gales abrir o jogo. E quanto bastou para o Nani meter outra batata lá dentro. Estava arrematado. Gales, ainda por cima sem Ramsey, não dava para mais nada. Por volta dos 70 minutos, Santos, sempre cheio de medo que o jogo se torne demasiado vertiginoso, tirou Renato e pôs André Gomes, para defender melhor. E mais à frente tirou Adrien para pôr Moutinho, com o mesmo objectivo (e também poupar Adrien para a final, acho eu).

 

Julgo que uma performance deste género, que nós tendemos a achar que é mau futebol, se protagonizada pela Itália, seria logo classificada como "típico cinismo transalpino" ou como uma "lição táctica como só a Itália sabe dar". É estranho estar deste lado, tão pouco português.

 

No final, numa demonstração do racismo da França e do Sporting, Adrien (um francês sportinguista, louro e de olhos azuis) saiu abraçado a Renato Sanches. Como desta vez foi fácil eleger Ronaldo o melhor em campo, Mendes estava satisfeito e não foi preciso os utilizadores do site da UEFA votarem em João Moutinho ou Renato Sanches. Depois dos galeses, vêm os gauleses. Preocupa-me o caseirismo dos árbitros.

Um empirista meticuloso

Acho que foi o Buda que disse: "o que tem de ser, tem de ser". Se não foi o Buda, foi Chalana, ou outro sábio assim do género. Pouco importa. O que importa é que é bem verdadeiro, sobretudo quando se trata do mister Fernando Santos. Santos tinha de experimentar todas as asneiras. Aquelas que toda a gente viu desde o início. Tinha de pôr Moutinho e Vieirinha durante três jogos, tinha de pôr Eliseu a jogar e tinha de não aproveitar o entendimento chave-na-mão que o trio William-João Mário-Adrien lhe garantia. Não vale a pena brincar: Santos é um empirista. Teve de experimentar para saber se era verdadeiro. É como aquela história do tipo que vê uma poia de cão no passeio, põe lá o dedo e depois... Bem, sabem o resto. E um empirista bem meticuloso: por exemplo, no caso de André Gomes, teve de experimentar quatro vezes.

 

E não se diga que o nosso homem não dá um toque pessoal a tudo. Finalmente, lá usou o famigerado meio-campo do Sporting. Mas em vez de aproveitar as suas capacidades ofensivas (de que ainda se viram uns vislumbres), aproveitou a suas capacidades destrutivas: pôs Adrien a secar Modric e William a secar Rakitic. E a verdade é que resultou. Resultou naquilo que Santos queria: um não-jogo de futebol, um catenaccio estratosférico. Modric e Rakitic não podiam fazer nada e o nosso meio-campo tinha ordens para não fazer nada. Foi assim que chegámos ao fim da primeira parte, altura em que Renato Sanches ainda não tinha entrado em campo mas já liderava a votação dos utilizadores do site da UEFA para melhor jogador em campo. Sim, os mesmos que há dois jogos elegeram Moutinho.

 

Na segunda parte, Santos lá meteu, finalmente, aquele que já então era o homem do jogo. Por mim, estava arrematada a equipa daqui para a frente. Enfim, talvez preferisse experimentar o Rafa em vez do Sanches, mas nem o Mendes nem o nacional-lampionismo o permitiriam. Fiquemos assim. E foi assim que o jogo ficou mais ou menos na mesma, até ao momento em que Santos fez a sua mudança de assinatura, certamente já em pânico pela vertigem que observava em campo: tirou um jogador ofensivo e pôs dois trincos. Mal visto: deixou de haver Adrien a marcar Modric e a Croácia quase marcou por duas vezes. Até que, com a Croácia toda na grande área portuguesa, Quaresma rouba a bola, mete em Ronaldo, que mete em Sanches, etc.

 

Na conferência de imprensa, Santos disse que "o João" (i.e. Moutinho) só não jogou por "problemas físicos". Fiquei em pânico. É isso, minha gente, isto ainda não acabou.

O Moutinho dos vendavais

A selecção continua a impressionar. Como diria Luís Freitas Lobo, Fernando Santos é um homem com "princípios tácticos muito bem definidos". Julgo que o maior desses princípios (Freitas Lobo também lhe chamaria "cultura táctica") é o seguinte: "nenhuma equipa por mim treinada jogará bom futebol". Foi arreigado a este princípio basilar que Santos, ainda para mais depois de verificar que também os utilizadores do site da UEFA partilham a mesma "cultura táctica", voltou a escolher João Moutinho para titular. E a verdade é que Moutinho correspondeu perfeitamente, com uma exibição esplendorosa: nem um passe perigoso, centros inconsequentes, muitos passes curtinhos para os centrais ou os colegas do lado. Enfim, toda uma panóplia técnica capaz de deixar os utilizadores do site da UEFA maravilhados. A exibição só não foi perfeita porque acabou por inspirar Cristiano Ronaldo a fazer uma espectacular assistência "à Xavi" para o primeiro golo de Portugal. Ronaldo, ao fim de 40 minutos daquela geringonça, passou-lhe uma ideia pela cabeça: "deixa-me cá explicar ao Moutinho como é que se faz".

 

Não se percebe porque razão Santos abdicou dos seus princípios tácticos para o início da segunda parte, quando retirou Moutinho (porquê, se estava claramente a ser o pior em campo?) e promoveu a entrada de Renato Sanches e, depois, quando retirou André Gomes (um jogador também ao estilo de Santos, com o pequeno problema de estar a jogar um bocadinho melhor do que Moutinho) e fez entrar Quaresma. Foi aí que tudo se desvirtuou. Sanches não andou muito longe dos tais princípios tácticos, mas foi melhor do que Moutinho, o que não terá sido do agrado do treinador. Sobretudo, com Quaresma encostado à linha e a bola a avançar um bocadinho nos pés de Sanches, João Mário ficou na sua posição natural (e não naquela em que Santos o coloca normalmente) e Wiliam com mais espaço. Não é que a selecção começou a jogar bem? Tudo começou a ser mais fluido, com a bola a correr entre os três do meio-campo (William, Renato e João Mário) e a chegar perigosa a Nani, Quaresma e Ronaldo. O espectáculo era insuportável para Fernando Santos, que decidiu pôr cobro à situação: a certa altura, com o resultado em 3-3 e a Hungria encostada às cordas, decidiu jogar com dois trincos. Enfim, sempre é a Hungria, de que Fernando Santos se lembra bem na infância: em cada húngaro ele via um Puskás, um Czibor, um Kocsis. "Estes gajos estiveram quase a ganhar o Mundial de 1954, quem sabe o que nos farão a nós", pensou. E assim se segurou aquele resultado precioso.

 

No meio disto tudo, o grande problema de Santos é Cristiano Ronaldo. Ele bem parecia já ter abosrvido a cultura táctica de Santos nos dois primeiros jogos, relançando o eterno tópico "a culpa é do Ronaldo" (para citar os clássicos) com que o português gosta de se entreter. Mas já estava a ser demais para ele. Vai daí e arranca uma exibição desastrosa: uma assistência preciosa, um golo de antologia e outro golo que, não sendo de antologia, só ele sabe fazer, com uma elevação à basquetebolista. Que decepção, Ronaldo. Estávamos a ir tão bem. Não repitas, por favor.

Sobre a seleção

Não sei qual o onze que Fernando Santos (quem se lembrou de escolher este homem para a selecção deveria, talvez, ter-se recordado que as suas equipas nunca jogaram grande futebol e que ele foi capaz de perder um campeonato com o Jardel a jogar com ele) vai apresentar logo nem qual o modelo de jogo. No entanto, se jogar em 4-4-2, e se quiser colocar em campo, ao mesmo tempo, Ronaldo, Nani e Quaresma (três jogadores com características muito ofensivas) deveria apostar, no meio-campo, em William, Adrien e João Mário.

Pergunta-se - ou pelo menos é legítimo que se pergunte - se a minha aposta neste três jogadores resulta de eles jogarem no Sporting. Sim, mas não por eu ser sportinguista ou devido ao facto de os três jogarem do Sporting. Se fossem atletas do Arrentela eu diria o mesmo. O Sporting jogou todo o ano com William a 6, Adrien a 8 e João Mário a interior direito, um sistema que deu equílibrio ao jogo leonino e que permitiu que os três dessem, sempre, muita rotatividade ao meio-campo. Estes são jogadores que estão rotinados, habituados a jogar em conjunto e capazes, praticamente sozinhos, de equilibrarem as transições ofensivas e defensivas.

Nada, note-se, contra Renato Sanches, Danilo ou André Gomes que penso serem enormes jogadores. Aliás, há muito tempo que a equipa de Portugal não tinha tamanha qualidade no meio-campo. Apostaria nos jogadores leoninos sobretudo porque penso que seriam capazes de dar mais à selecção.

Colocaria Quaresma no lugar de André Gomes (que penso, apesar de tudo, ter feito um jogo interessante contra a Islândia) porque está em grande forma e porque tem o elemento desequilibrador que o jogador do Valência não tem. Penso que a melhor posição para o André Gomes é a 8, mas a época de Adrien e as suas características pessoais fazem do jogador do Sporting, neste momento, e a meu ver, melhor para o lugar. Jogaria com Cédric porque é, no meu entendimento, mais jogador que Vieirinha e fecha melhor ao meio nos cruzamentos da esquerda.

Assim, a minha equipa para logo seria: Rui Patrício, Cédric Soares, Pepe, Ricardo Carvalho, Raphael Guerreiro; William Carvalho, Adrien Silva, João Mário, Ricardo Quaresma, Nani e Cristiano Ronaldo.

Sábado há mais. Igual?

A sério, se havia jogador português para fazer frente aos islandeses, era mesmo o rastafari, que até entrou bem no jogo, com uma cacetada em cheio num louro ( e eu juro que me deu algum gozo ). Justiça seja feita, no pouco tempo que esteve em campo jogou o que Moutinho se esqueceu de jogar no tempo que lá esteve dentro: Fez um passe certeiro. Mas aos 71 minutos, senhor engenheiro? E vão seis, para os 5 milhões...

Danilo? Moutinho?

Não perdemos graças a S. Patrício.

Espero que o Nandinho durma bem sobre a merda de jogo a que acabámos de assistir.

Parece que se apuram os dois primeiros e o terceiro pode ter hipótese, talvez cheguemos aos oitavos. Como já disse por aí, não chegaremos muito mais longe.

Talvez no dia em que a cor das camisolas não diga quem é que joga, consigamos chegar lá.

Calma!

À boa maneira portuguesa, ontem, viu-se alguma excitação com o resultado e performance da nossa selecção. Mas, minha gente, lembro-vos que era só a Estónia. Eu digo só, mas não quero faltar ao respeito. Só porque se tivesse mais qualidade estava no Euro. 

Convem lembrar que os adversários que vamos defrontar serão mais fortes e que de nada nos adianta entrar confiançudos a achar que está ganho.

É que já se sabe que, depois, à também boa maneira portuguesa, em caso de desaire, já ninguem presta e o treinador devia ter levado A em vez de B e devia demitir-se.

Eu com isto não estou a desejar mal a ninguem, até espero que a nossa selecção tenha o maior sucesso, mas já tenho alguns anos de futebol para saber que é preciso muita calma. É que quer se queira, quer não, para vencer é preciso ganhar a todos e nós, nos ultimos anos, temos falhado com os mais fortes.

A carraça que (não) foi carraça

O jornal A Bola de 2016.03.30 define assim (p.6) a actuação do rapaz das rastas: "Foi carraça".

Confesso que durante o jogo não me lembrava de nenhum incómodo (e a carraça é um animal que incomoda bastante) causado por Renato Sanches (RS).

Munido do comando da televisão e dum bloco de notas visionei, novamente, toda a segunda parte do jogo para ver a carraça em acção.

O que vão ler a seguir é o relato exaustivo de todas as vezes que RS tocou na bola e das "brilhantes" decisões que tomou.

46', Fonte procura uma linha de passe e RS esconde-se atrás de Fellaini.

48'41'', RS recolhe uma bola de André Gomes após um alívio defensivo de Pepe, comenta-se "Portugal muito bem" como que a celebrar a primeira vez que a coqueluche toca na bola, após quase quatro minutos em campo, retomando, recolhe de André Gomes, dá de primeira para Guerreiro; Guerreiro para André Gomes que tenta colocar em Danilo, a bola toca ainda na cabeça de RS (48'52) e vai mesmo para o médio defensivo ex-Marítimo.

Ronaldo para Renato (49'10'') que deixa de primeira para Cédric.

49'53'', recebe a bola de Cédric que tenta iniciar um ataque e atrasa-a para Fonte.

50'37'', mais um passe atrasado desta vez para Danilo.

57'34'', falta não assinalada sobre Nani, alívio atabalhoado dos belgas para o nosso meio campo, a bola cai no local onde está RS, na televisão comenta-se "um bom trabalho de RS" e o que faz o Maradona da Musgueira? Um passe longo para Nani ou para Ronaldo? Parte para cima dos belgas com a bola controlada, finta meia equipa e marca golo? Infelizmente não faz nada disso... passa a bola a Fellaini (talvez devido a alguma identificação capilar).

61'36'', se tiverem curiosidade revejam a jogada que originará o golo belga, desde o início, tendo especial atenção ao posicionamento, melhor ao desposicionamento de RS. O médio sai à maluca a uma bola no meio campo, não toca na bola, não faz falta, nem recupera a posição à frente da defesa... bola metida para a esquerda do ataque belga, a forma com RS aborda aquele lance acaba por desposicionar o lado direito da defesa portuguesa (Cédric e Bernardo Silva)... bola mais para a esquerda ainda, depois a clássica corrida para a linha de fundo, cruzamento e golo belga, o golo dos manos Lukaku.

65', ressalto de bola na defesa, RS atrapalha-se sem saber o que fazer e sofre falta de Witsel, talvez o grande momento de RS durante todo o jogo, sofreu uma falta (um puxão de camisola) no meio campo defensivo... daqui a uns anos quando recordar este jogo RS vai dizer: "dizem que não joguei nada mas não é verdade, houve uma jogada em que eu saía como uma seta em direcção à baliza dos belgas e o Witsel teve de me travar em falta se não era um golo certo".

65'45',' recupera uma bola chutada à toa por um belga para impedir um lançamento lateral, deixa para Cédric.

69'10'', recebe a bola de Quaresma e passa para o lado a Danilo.

70', a única corrida que RS faz com bola, combina com Bernardo Silva e atira a bola, disparatadamente, pela linha de fundo quase junto à bandeirola de canto, atenção, aquilo não foi um remate nem um passe, foi uma "coisa" que lhe saiu na altura.

73', Fernando Santos apercebe-se (só agora?) que Portugal joga com menos um, RS não ataca nem defende, anda para ali, tira André Gomes, coloca William Carvalho a jogar ao lado de Danilo e deve ter dito a RS aquilo que os treinadores dizem a um jogador quando já não têm mais substituições e esse jogador está inferiorizado fisicamente: "joga ali mais à frente, tenta não atrapalhar os nossos jogadores e tenta correr atrás dos outros para ver se os atrapalhas."

78'03'', excelente passe de William para RS que se encontra no grande círculo, com Éder a desmarcar-se, deixa-se antecipar por um belga, ainda assim consegue mais uma vez tocar a bola para trás, para Danilo; perde-se uma potencial jogada de golo, não se riam, uma combinação atacante entre RS e Éder.

78'30'', William Carvalho tenta uma combinação atacante com RS mas este não estava para ali virado e não provoca nenhum movimento de ruptura, nem nenhum desequilíbrio, dá um toque de primeira para William como quem diz: "corre tu que eu tenho jogo com o Braga na sexta-feira e não estou para me cansar".

80', RS perde a bola, provocando na sequência da jogada uma situação de golo para a Bélgica.

87', António Tadeia diz o óbvio: "Renato fez um jogo tímido, muito diferente daquilo que costuma fazer no Benfica, pode ter tido ali algum receio de destapar, de deixar os adversários fugirem, então não terá arriscado tanto naquilo que é o seu ponto forte, a forma como acelera o jogo de meio campo"; "parece-me mais equilibrado, mais preocupado", diz o narrador da RTP 1, continua Tadeia: "mas ao mesmo tempo também mais preocupado com os equilíbrios defensivos mas incapaz de criar equilíbrios ofensivos". Equilíbrios? mas aquilo era um número de circo ou um jogo de futebol?

90'30'', o Maradona da Musgueira vai tocar pela última vez na bola e vai fechar com chave de ouro a sua actuação... recebe mais uma vez a bola de William, corre três passos com ela, faz um compasso de espera e atrasa para Danny; já vi muitas vezes este tipo de jogada, no rugby.

Então o que acham? Foi ou não carraça?

E é contra a Alemanha!

Não gosto de jogos entre Portugal e a Alemanha, põem-me sempre numa situação muito ingrata.

Primeiro, porque o meu marido é alemão e, por mais fair-play que se tenha, é sempre desconfortável saber que a pessoa sentada ao nosso lado está a torcer pela equipa contrária. Não temos filhos e, neste caso, até sou tentada a dizer "ainda bem". Sabe-se lá que lado os coitados haveriam de escolher...

Segundo, porque, não estando em Portugal, é muito penoso aguentar os festejos alemães, depois de uma derrota da nossa seleção. E, nos últimos anos, têm acontecido algumas...

A transmissão do jogo em direto já está anunciada no ARD, o primeiro canal alemão, decisão surgida apenas depois de este país ter assegurado a participação na meia-final. E desta vez, quero ser eu a festejar!

 

Força, Portugal!

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