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És a nossa Fé!

Os melhores golos do Sporting (48)

Golo de CRISTIANO RONALDO

Sporting - Moreirense, 3-0

7 de Outubro de 2002, Estádio José Alvalade

 

O melhor jogador do mundo, formado na academia leonina, começou com pé direito a sua extraordinária carreira como profissional do futebol. De verde e branco. Muitos de nós ainda nos lembramos de testemunhar ao vivo este fantástico golo do jovem atacante, então com apenas 17 anos.

O astro madeirense era ainda júnior de primeiro ano quando se estreou como titular da equipa principal à sexta jornada do campeonato 2002/03, disputada no histórico Estádio José Alvalade. O Sporting, campeão em título, derrotou o Moreirense neste encontro, em que Ronaldo marcou dois golos.

O primeiro tornou-se inesquecível. Para ele e para nós. O futuro Bola de Ouro recebeu a redondinha a meio-campo, com um passe de calcanhar de Toñito, e correu com ela, caminhando para a glória. Deixou três adversários pelo caminho e fuzilou o guarda-redes forasteiro, desencadeando calorosos aplausos e entusiásticas expressões de euforia em todo o estádio. Era o prenúncio de um dos mais brilhantes destinos já registados no desporto-rei. Com a nossa marca de origem.

"Minha Nossa Senhora! Que golo magistral de Cristiano Ronaldo!", exclamou o narrador do jogo, em vibrante e espontânea homenagem à capacidade técnica do jovem funchalense, que não escondia a pressa em tornar-se monarca coroado do reino do futebol.

"Quem viu, viu; quem não viu, visse!": podemos dizer isto hoje, ao recordar este golo, parafraseando António Oliveira. No final da temporada, despedimo-nos do velho estádio, que viria a ser demolido, e de Ronaldo, que rumou a Manchester. Por uma quantia tão ridícula que devia envergonhar quem tratou desse negócio: só 8,2 milhões de euros chegaram aos cofres leoninos, como depois se saberia.

Mas essa é uma história triste, que não me apetece aprofundar agora. Fiquemo-nos pela feliz memória daquele golo inicial do adolescente de raízes modestas que não tardaria a ser conhecido nos mais recônditos recantos do globo.

 

Os melhores golos do Sporting (47)

Golo de IZMAILOV

FC Porto - Sporting, 0-1

11 de Agosto de 2007, Estádio Municipal de Leiria

 

Não tenho a memória prodigiosa de um Rui Tovar ou de um Fernando Correia para conseguir lembrar com pormenor e exactidão um resultado, os marcadores ou o recorte técnico do golo marcado de um jogo do Sporting ocorrido há 5 ou mais anos. Afinal de contas, são quase 50 jogos por ano a seguir o nosso clube, fora outras partidas com interesse.

No entanto, há jogos de que nos recordamos perfeitamente, como se tivessem acontecido ontem, ainda que já levem alguns aninhos. O que é que faz, pois, com que um jogo específico de há 5 anos perdure na memória do adepto e uma partida da época passada não?

Basta ler alguns testemunhos nesta rubrica para encontrar a resposta: a espectacularidade do golo.

Podemos já não recordar o jogo e as suas incidências na totalidade, mas o golo, esse, continua bem vivo dentro de nós.

Hoje quero partilhar convosco um golo extraordinário que vi marcar com a camisola verde e branca, golo que ainda por cima valeu um troféu.

Falo da bomba de Marat Izmailov que fuzilou as redes de Helton na final da supertaça relativa à época 2006/2007, jogada em Leiria contra o Porto.

Do jogo propriamente dito recordo-me que foi uma típica partida de início de época. Muita transpiração, pouca inspiração.

O jogo valeu pelo golo de Izmailov, que seguramente justificou o preço pago por cada adepto que se deslocou a Leiria.

Atrevo-me a dizer que no futuro museu do Sporting, numa ala multimédia qualquer, o vídeo deste golo fará, obrigatoriamente, parte do elenco de golos históricos marcados pelo Sporting a passarem pelos ecrãs.

Os melhores golos do Sporting (46)

 

Golo de TANAKA

Braga - Sporting, 0-1

11 de Janeiro de 2015, estádio do Braga

 

Há jogadores a quem basta um golo para se tornarem ídolos de multidões. Aconteceu no Sporting, durante a breve passagem do japonês Junya Tanaka pelas hostes leoninas. Ia complicada a nossa travessia na Liga 2014/15, afectada por um conflito larvar entre o presidente e o treinador, estava aferrolhado o nosso desafio em Braga, com um persistente empate a zero para além do tempo regulamentar, quando o artilheiro nipónico dispôs de um pontapé de livre, alguns metros fora da área, na banda direita do corredor central.

Decorria o terceiro minuto do tempo extra, aquele seria o último lance da partida. Tanaka tomou algum balanço, disparou com força e precisão, a bola descreveu um ligeiro arco e foi anichar-se ao fundo da baliza bracarense. Um remate indefensável, candidato a melhor golo de bola parada de todo o campeonato e um dos nossos mais vibrantes golos dos últimos anos. Perante a euforia dos jogadores em campo, perante a euforia de milhões de adeptos que acompanhavam a transmissão televisiva - tantos já descrentes da possibilidade de o Sporting trazer três pontos da Cidade dos Arcebispos.

Mas trouxemos mesmo. Graças a Tanaka, que foi o herói daquele dia e viria a figurar nas manchetes da manhã seguinte. Efémero herói que aguentaria cerca de um ano mais em Alvalade, sem nunca ter conseguido uma verdadeira oportunidade de ingressar como titular na equipa. Em 35 partidas de Leão ao peito, participando apenas em 13 jogos completos, o japonês marcou sete golos e fez seis assistências. Um registo que, aliado ao profissionalismo sempre revelado nos treinos, fez dele um jogador sempre simpático aos olhos dos sportinguistas enquanto permaneceu sob a fugaz orientação técnica de Marco Silva e Jorge Jesus.

Os melhores golos do Sporting (45)

Golo de JORGE CADETE

Beira-Mar - Sporting, 1-1

22 de Novembro de 1992, Estádio Mário Duarte

 

Jorge Cadete foi um dos bons avançados portugueses da década de noventa. No Sporting fez muitos golos tendo mesmo chegado a vencer o troféu de melhor marcador do campeonato na época de 1992/1993 (18 golos). Cadete era, segundo me recordo, um jogador elegante e de talento mas também bastante lutador.

No Sporting jogou bastante e marcou perto de setenta golos mas foi numa das épocas que fez no Celtic que se destacou no futebol europeu, tendo-se sagrado, na época de 1996/1997, o melhor marcador do campeonato escocês com 33 golos.

O jogo de Aveiro, cujo resumo vi, talvez, no famoso Domingo Desportivo da RTP, não terá sido grande coisa mas o golo (a ver a partir do minuto 2:09) de Jorge Cadete, de calcanhar, ficou-me na memória. O lance, de uma execução técnica brilhante e de um sentido de colocação fantástico, é daqueles que fazem levantar um estádio. Para mim, tantos anos depois de ter começado a ver futebol, continua a ser um dos mais belos que vi.

 

 

Os melhores golos do Sporting (balanço)

Eis os golos já seleccionados até agora na nossa série colectiva Os melhores golos do Sporting:

 

1. Diego Capel: golo no Sporting-Athletic Bilbao (Abril de 2012)

Escolha de Alexandre Poço

 

2. Iordanov: golo no Sporting-Marítimo (Junho de 1995)

Escolha de Bernardo Pires de Lima

 

3. Jordão: golo no Sporting-FC Porto (Janeiro de 1983)

Escolha de Cristina Torrão

 

4. André Cruz: golo no Salgueiros-Sporting (Maio de 2000)

Escolha de Duarte Fonseca

 

5. Mário: golo no FC Porto-Sporting (Maio de 1987)

Escolha de Edmundo Gonçalves

 

6. Miguel Garcia: golo no Alkmaar-Sporting (Maio de 2005)

Escolha de Eduardo Hilário

 

7. Balakov: golo no Sporting-Benfica (Outubro de 1992)

Escolha de Filipe Arede Nunes

 

8. Montero: golo no Sporting-Marítimo (Outubro de 2014)

Escolha de Filipe Moura

 

9. Jardel: golo no Benfica-Sporting (Dezembro de 2001)

Escolha de Gabriel Santos

 

10. Matías Fernández: golo no Manchester City-Sporting (Março de 2012)

Escolha de Francisco Almeida Leite

 

11. Niculae: golo no Sporting-FC Porto (Agosto de 2001)

Escolha de Francisco Melo

 

12. Pedro Barbosa: golo no FC Porto-Sporting (Janeiro de 2002)

Escolha de João António

 

13. Slimani: golo no Sporting-Braga (Maio de 2015)

Escolha de Frederico Dias de Jesus

 

14. Liedson: golo no Benfica-Sporting (Janeiro de 2006)

Escolha de João Caetano Dias

 

15. Yazalde: golo no Sporting-Benfica (Março de 1974)

Escolha de João Távora

 

16. Xandão: golo no Sporting-Manchester City (Março de 2012)

Escolha de José da Xã

 

17. Mário Jorge: golo no Sporting-FC Porto (Janeiro de 1982)

Escolha de José Navarro de Andrade

 

18. Acosta: golo no Sporting-FC Porto (Março de 2000)

Escolha de Luciano Amaral

 

19. Tiuí: golo no Sporting-FC Porto (Maio de 2008)

Escolha de Luís de Aguiar Fernandes

 

20. Juskowiak: golo no Sporting-Boavista (Abril de 1994)

Escolha de Marta Spínola

 

21. Pedro Barbosa: golo no Sporting-União de Leiria (Novembro de 2000)

Escolha de Francisco Chaveiro Reis

 

22. João Morais: golo no Sporting-MTK (Maio de 1964)

Escolha minha

 

23. Matías Fernández: golo no Sporting-Everton (Fevereiro de 2010)

Escolha de Pedro Oliveira

 

24. Cherbakov: golo no Sporting-Beira-Mar (Maio de 1993)

Escolha de Rui Cerdeira Branco

 

25. Niculae: golo no Sporting-Milan (Dezembro de 2001)

Escolha de Pedro Almeida Cabral

 

26. Figo: golo no Benfica-Sporting (Dezembro de 1993)

Escolha de Tiago Cabral

 

27. Montero: golo no Sporting-Académica (Janeiro de 2016)

Escolha de Zélia Parreira

 

28. Liedson: golo no Benfica-Sporting (Janeiro de 2006)

Escolha de António Manuel Venda

 

29. Peyroteo: golos no Sporting-Leça (Fevereiro de 1942)

Escolha de Alda Telles

 

30. Manuel Fernandes: golo no Sporting-Benfica (Dezembro de 1986)

Escolha minha

 

31. Marco Caneira: golo no Sporting-Inter (Setembro de 2006)

Escolha do Alexandre Poço

 

32. Balakov: golo no V. Setúbal-Sporting (Agosto de 1993)

Escolha do Filipe Moura

 

33. Carlos Xavier: golo no CSKA-Sporting (Outubro de 1982)

Escolha do Edmundo Gonçalves

 

34. Paíto: golo no Benfica-Sporting (Janeiro de 2005)

Escolha da Cristina Torrão

 

35. Nani: golo no Sporting-Gil Vicente (Fevereiro de 2015)

Escolha do José da Xã

 

36. Pinilla: golo no Sporting-Moreirense (Novembro de 2004)

Escolha do Francisco Chaveiro Reis

 

37. Vukcevic: golo no Sporting-Benfica (Abril de 2008)

Escolha do Gabriel Santos

 

38. Paulo Torres: golo no V. Guimarães-Sporting (Maio de 1993)

Escolha do Filipe Arede Nunes

 

39. António Oliveira: golo no Sporting-Dìnamo de Zagreb (Setembro de 1982)

Escolha do Pedro Boucherie Mendes

 

40. Ricardo Sá Pinto: golo no Gil Vicente-Sporting (Janeiro de 2005)

Escolha do Bernardo Pires de Lima

 

41. Liedson: golo no Sporting-Nacional (Fevereiro de 2007)

Escolha do Tiago Cabral

 

42. António Oliveira: golo no Sporting-Dínamo de Zagreb (Setembro de 1982)

Escolha do Luciano Amaral

 

43. André Cruz: golo no Beira-Mar-Sporting (Janeiro de 2002)

Escolha do João António

 

44. Osvaldo Silva: golo no Sporting-Manchester United (Março de 1964)

Escolha minha

 

Vamos chegar pelo menos à meia centena de golos. Agradecendo desde já o contributo que os leitores nos queiram dar.

Fica a promessa: no final elegeremos o melhor golo de sempre, contando com o vosso voto.

Os melhores golos do Sporting (44)

 

Golo de OSVALDO SILVA

Sporting, 5 - Manchester United, 0

18 de Março de 1964, Estádio José Alvalade

 

Já que nenhum dos meus colegas de blogue se chega à frente para prosseguir esta série, avanço eu de novo. Para aqui deixar uma das lembranças mais gratas de todos os sportinguistas - mesmo daqueles que não a viveram excepto nas histórias do jogo que ouviram narrar a pais e avós.

Refiro-me aos épicos quartos-de-final da Taça dos Vencedores das Taças da época 1963/64, que viríamos a vencer merecidamente frente ao MTK de Budapeste. Mas para lá chegar foi preciso derrubar aquele que já então era um dos maiores pilares do futebol do Velho Continente: o poderoso Manchester United, que quatro épocas depois viria a sagrar-se campeão europeu. O célebre United onde alinhavam craques como Bobby Charlton (estrela do Mundial de 1966, em que subiu ao pódio), Dennis Law (Bola de Ouro em 1965) e George Best.

Em Old Trafford, na primeira mão, tínhamos sofrido uma derrota copiosa: 4-1. Eram poucos a acreditar na reviravolta. Mas ela ocorreu mesmo, num jogo de sonho em que cilindrámos tão poderosos adversários. A nossa goleada começou a ser construída logo aos 2 minutos numa grande penalidade convertida por Osvaldo Silva, que viria a marcar mais dois golos. Os restantes foram convertidos por Geo e João Morais.

É o quinto e último golo que aqui vos trago. O golo da confirmação da reviravolta leonina na eliminatória, concretizado aos 54 minutos. Um míssil disparado a 30 metros da baliza adversária por Osvaldo Silva, brasileiro que tão boas recordações deixou em Alvalade.

Vale a pena lembrar o onze leonino nesta partida: Carvalho; Pedro Gomes, Alexandre Baptista, José Carlos, Hilário; Fernando Mendes, Geo; Osvaldo Silva, Figueiredo, Mascarenhas e Morais. Heróis de uma saga que nunca se apagará da nossa memória colectiva. Vários deles ainda se encontram por cá. E merecem sem dúvida a perpétua homenagem dos sportinguistas de todas as gerações.

Os melhores golos do Sporting (43)

Golo de ANDRÉ CRUZ

Beira-Mar, 1 - Sporting, 2

5 de Janeiro de 2002

 

A minha segunda escolha recaiu em André Cruz, um dos melhores defesas que passaram no nosso clube.

Um jogador como não temos e que tanta falta nos fazia esta época. O André resolvia o que estava complicado com o seu pé esquerdo e que nos fazia pensar que qualquer livre do meio do meio campo para a frente era como um elementar penalty. Como aconteceu neste jogo em Aveiro em que marcou dois golos, recordados aqui.

 

Os melhores golos do Sporting (42)

Golo de ANTÓNIO OLIVEIRA

Sporting-Dínamo Zagreb, 3-0

Estádio José Alvalade, 29 de Setembro de 1982

 

Na primeira ronda do ciclo, já tinha mencionado um golo para além daquele que escolhi: o segundo do hat-trick de António Oliveira ao Dínamo Zagreb, a 29 de Setembro de 1982. Soube agora que outro companheiro de blog também o escolheu para esta segunda ronda. Não faz mal. Cada um dos golos de Oliveira nesse jogo é sensacional. Por isso, reformulo e fico-me pelo primeiro (mas até podia ser o terceiro). Oliveira era um génio dentro de campo (fora de campo é outra história) e jogou no Sporting no auge das suas capacidades, que também logo a seguir se desvaneceram. Quando digo génio, penso mesmo num jogador de classe mundial, prejudicado pelo facto de, naquele tempo, o futebol não ser a mesma indústria que é hoje.

 

Como também já disse, a equipa de 1981-82 foi a melhor que vi vestindo a camisola do Sporting. Ainda sou do tempo do Yazalde, mas era uma criança. No princípio dos anos 80, era um adolescente, ainda suficientemente ingénuo para continuar a ter uma relação quase infantil com o jogo mas já suficientemente adulto para apreciar subtilezas técnicas e tácticas. É nessa medida que digo que esta foi a melhor equipa do Sporting que vi jogar: Mezsaros, Inácio, Eurico, José Eduardo, Carlos Xavier, Mário Jorge, Oliveira, Jordão, Manuel Fernandes e outros. Treinados por Malcom Allison, tinham sido campeões em 1981-82. Desfalcados, sem Allison e com Oliveira no papel de treinador-jogador, desfizeram-se em 1982-1983. Mesmo assim, ainda foi possível ver um último recital, justamente esta vitória em Alvalade por 3-0 para a Taça dos Campeões Europeus.

 

Oliveira arrancou uma exibição inacreditável, de que resultaram três golos, todos espectaculares. Diz-se que, no fim, Oliveira proferiu a famosa sentença: "quem viu, viu, quem não viu, tivesse visto".

 

Os melhores golos do Sporting (41)

Golo de LIEDSON

Sporting, 5 - Nacional, 1

7 de Fevereiro de 2007, Estádio José Alvalade

 

Estávamos em plena época de Paulo Bento, com exibições assim-assim quase coiso. Em Fevereiro de 2007 recebemos o Nacional. O resultado de 5-1 é como as papas e bolos, para enganar tolos. Foi um jogo sofrido, começamos, claro, a perder e assim estivemos até aos 75 minutos. A partir do primeiro golo foi um vendaval que se apoderou da nossa equipa, onde militava um avançado, Bueno de seu nome, que neste jogo fez um poker. Na sua passagem pelo nosso clube totalizou sete remates certeiros, podemos dizer que foi um jogador que focou a sua produção apenas num jogo.

 

Mas quem tem Liedson espera sempre o melhor, e se esse tal Bueno fez neste jogo quatro golos, o último diga-se também um belo golo, o que no estádio me marcou, a mim e ao Avalos, central sul americano que passou pelo nosso futebol, foi o 3-1 da autoria do nosso 31. O levezinho aplicou um toque de calcanhar ainda no meio-campo e depois foi como uma flecha directo à baliza para fazer o que fazia melhor, marcar.

É ver e admirar

 

Os melhores golos do Sporting (40)

 

Golo de RICARDO SÁ PINTO

Gil Vicente-Sporting (0-3)

23 de Janeiro de 2005, estádio Cidade de Barcelos

 

Depois de Iordanov, Ricardo Sá Pinto. Nem podia ser outra a sequência, ou não fossem os meus dois grandes ídolos de juventude, dois grandes capitães, dois lutadores incansáveis pela nossa camisola. O Sá até tinha algo mais com que me identifico particularmente: mau feitio nas derrotas, dureza em cada lance e uma outra raiva incontida quando marcava.

Não quero dar publicidade a quem levou com ela, até porque de repente vêm-me à memória momentos muito mais inesquecíveis com o Sá Pinto no centro. A vitória na Taça contra o Marítimo, o banho de bola em Paris na Supertaça contra o Porto, o triplete que veio ganhar depois dos anos em Espanha, ou a celebração em frente à nossa Juve quando demos três ao Beitar Jerusalém e nos apurámos pela primeira vez para a fase de grupos da Champions. O Sá já não era jogador do Sporting mas não deixava de ser nosso.

E assim continua. Por isso a minha escolha nesta série vai para um golo dele. Não é um golo qualquer, mas uma resposta ao infortúnio das lesões, aos que o queriam enterrado para o futebol, os que já não acreditavam nas alegrias que ainda nos podia dar. Barcelos, 23 de Janeiro de 2005. Sá Pinto renasce depois de um par de anos com lesões graves. Quase na linha de fundo faz um chapéu ao guarda-redes aos 61 min. Era o seu segundo nesse jogo, depois de um tiro fora da área aos 29 min. Tudo com muita classe, altivez, orgulho, paixão e talento, tudo num só jogo, tudo num só golo. Aquele festejo num misto de alegria e cerrar de dentes, o punho fechado e o braço levantado de raiva.

Tínhamos acabado de passar para primeiro à condição, ainda à espera do resultado do Porto. No final dessa época chegámos à final da UEFA com uma grande campanha do Ricardo Coração de Leão. É verdade, perdêmo-la e todos chorámos nesse dia. Ele de certeza que também. Acontece que o Sá Pinto nunca perdia, só às vezes é que não ganhava. Tal e qual como o Sporting.

Os melhores golos do Sporting (39)

 

Golo de ANTÓNIO OLIVEIRA

Sporting-Dínamo de Zagreb, Taça dos Campeões Europeus (3-0)

29 de Setembro de 1982, Estádio José Alvalade

 

No dia 29 de setembro de 1982 eu já tinha doze anos e vi o jogador que mais gostei de ver com a nossa camisola a marcar três golos ao Dínamo de Zagreb, numa das mais memoráveis noites europeias da história do Sporting.
No dia em que o seu pai morreu, António Oliveira, nosso jogador e também treinador (!) mete três na baliza do Dínamo. Na baliza estava o nosso futuro guarda-redes Ivcovic, mas essa é a parte que menos importa nesta minha história.
Nós íamos pouco ao futebol, porque era caro e longe e dava pouco jeito, mas a este jogo fomos. As equipas da Cortina de Ferro metiam medo, porque os julgávamos fortes como super homens e era sempre duvidoso que a nossa habilidade latina fosse suficiente. Eram tempos em que o jogador português de 1,80 era considerado um gigante e em que as equipas portuguesas tinham uma preparação física baseada em corridas no pinhal que durava metade de meia época.
O meu pai era da Beira Alta e por alguma razão dizia Uliveira. Nós aqui em Lisboa dizemos Óliveira, mas o meu pai dizia Uliveira, e fazia-o de forma que me divertia, recordo agora.
E gostávamos todos dele, do nosso Oliveira, que vimos a estrear a nossa camisola le Coq Sportif contra o Belenenses de Artur Jorge numa primeira jornada cheia de nevoeiro e frio, naquela época de 81/82, em que fomos campeões. A partir daí, o Uliveira (com Manuel Fernandes e Jordão) passou a ser o nosso jogador favorito.
Um golo do Sporting é uma explosão no coração. Três golos a uma equipa destas, pelo mesmo jogador e esse jogador ser o Uliveira/Oliveira foi inesquecível. Tanto que o escrevo aqui e até me surpreendo que ninguém o tenha feito ainda.
António Oliveira foi um jogador brilhante, um Figo-melhor-que-o-Figo, com feitio complicado e carácter marcado. Estes três golos são todos bons, embora o segundo seja o melhor. Ele avança pelo meio, faz uma tabela, tira um central da frente e remata mesmo antes do guarda-redes chegar a ele. Foi neste jogo que a frase “por cada leão que cair, outro se levantará” nasceu e este texto do Rui Tovar júnior explica isso melhor http://ionline.pt/413551?source=social.

Por falar nisso, há pouco tempo também descobri que é Rui Tuvar e não Rui Tóvar como creio que toda a gente diz. E aproveito para perguntar, afinal será Oliveira ou Uliveira?


Não sei, sei que o pai de António Oliveira morreu naquele dia e o meu morreria menos de dez anos depois. E que o pai do Rui, um grande sportinguista que aqui homenageio, também já se foi. Fica a nota e fica o golo, porque a vida só faz sentido com gratidão. Gratidão ao meu pai por ter feito sportinguista e, claro, aos grandes golos que me levou a ver com a camisola do Sporting, como estes três. E ao Oliveira - já agora, um nome que os meus filhos têm porque a mãe não lhes deu só a teimosia e o cabelo forte.

 

p.s. a placa com a frase que está no nosso estádio é de Maio (e reporta-se a algo que Oliveira disse a propósito de estar lesionado) e este jogo, lembro, foi em Setembro. Há muito poucas ocasiões em que a ficção faz mais sentido que a realidade. Esta é uma delas.

Os melhores golos do Sporting (38)

Golo de PAULO TORRES

Vitória de Guimarães-Sporting, 2-3

1 de Maio de 1993, Estádio D. Afonso Henriques

 

Não me lembro de ter visto em este jogo mas sei que foi transmitido na televisão. No entanto, não sabendo bem porquê, o golo de Paulo Torres nunca me saiu da cabeça.

Paulo Torres ficou conhecido no universo do futebol como o "pé canhão". Jogador canhoto, actuava, normalmente, como lateral esquerdo, foi campeão do Mundo sub-20 (fez parte da chamada "geração de ouro" que despontou na transição da década de oitenta para a década de noventa) e teve uma passagem breve pelo Sporting.

Embora tenha sido fugaz o período em que vestiu a camisola verde e branca o golo (ver a partir do minuto 5:50) que marcou ao Vitória de Guimarães em Maio de 1993 (livre directo descaído para a esquerda da grande área), de uma execução técnica e de uma violência impressionante, é dos mais incríveis de que me lembro. O guarda-redes do Vitória (Madureira), embora tenha tentado a defesa, foi incapaz de travar a brutalidade do pontapé de Paulo Torres.

Este é, para mim, entre os muitos de que me recordo, um dos melhores golos de sempre do Sporting!

 

 

Os melhores golos do Sporting (37)

 

Golo de VUKCEVIC

Sporting 5 - Benfica 3

16 de Abril de 2008

 

Decorria a época 2007-2008, o Sporting era treinado por Paulo Bento e estava praticamente arredado do título nacional. Depois de ter "ultrapassado" o Estrela da Amadora nos quartos de final, a turma de Alvalade defrontava o Benfica em casa. Para ambas as equipas era um jogo de "tudo ou nada" de quase "vida ou de morte", uma questão de salvar a época desportiva.

Lembro-me deste jogo num tempo em que estudava em Aveiro. Habitualmente ia ver os grandes jogos com o meu saudoso Tio e grande Amigo Souto, juntamente com os seus companheiros e grandes artistas da pública e reconhecida associação, a Aveiroarte. Nesse dia, escolheram o restaurante do Hotel Imperial, bem no centro histórico da cidade, para assistir ao jogo e degustar um magnífico manjar.

Lembro-me bem que não ia muito confiante quanto ao resultado do jogo e muito menos ao intervalo, quando o Benfica já ganhava por 0-2. Na segunda parte, foi o que se viu... uma reviravolta de leão que culminou num grande golo de levantar o estádio, marcado por Vukcevic. E o nosso amado Clube a vencer, no fim, por 5 a 3!

Os melhores golos do Sporting (36)

 

Golo de PINILLA

Sporting 4 Moreirense 1

28 de novembro de 2004

 

Mauricio Pinilla fez 32 anos no mês passado. É um avançado chileno, cheio de tatuagens e ginga, que tem uma carreira modesta passada em Itália (Atalanta, Cagliari, Génova, Palermo, Grosseto, Chievo e Inter); Espanha (Celta e Racing); Escócia (Hearts); Chipre (Apollon) e, claro, Chile (Universidad do Chile, por duas vezes). O seu maior feito foi ter vencido a Copa América em 2015. O seu segundo maior feito foi quase ter eliminado o Brasil do “seu” Mundial, atirando uma bola à barra de Júlio César.

 

Quando tinha 20 anos e só tinha marcado dois golos na Europa, chegou a Alvalade. Corria o ano de 2004 e o jovem chileno pôs-se ao dispor do Mister Peseiro, envergando a camisa 87. No ataque, tinha a concorrência de Niculae, Sá Pinto, Douala, Danny (iria para a Rússia a meio da época), Liedson, Saleiro e Mota. Não vingou, tendo ficado apenas tempo suficiente para marcar 7 golos em 28 partidas. Lembro-me bem de ter marcado ao AZ (Co Adriaanse ficou lixado) e de ter feito um hat-trick ao Braga.

 

Mas o golo que aqui destaco foi marcado ao Moreirense. Numa noite fria de novembro, fez o 1-0. Carlos Martins, Hugo Viana e Liedson fariam os outros três da equipa da casa e Afonso Martins (sete anos de leão ao peito) reduziu. Aos 8 minutos de jogo o chileno recebe com o peito e mesmo parecendo atrapalhado, vira-se, deixa dois defesas para trás e quando tem já quatro homens à sua volta, remata para um golão. Indefensável para angolano João Ricardo. Pini, Pini, Pinigol!

 

 

Os melhores golos do Sporting (35)

Golo de NANI

Sporting, 2 - Gil Vicente, 0

22 de Fevereiro de 2015, Estádio José Alvalade

 

Lembro-me do Nani muito antes de ser futebolista, da escola do meu filho mais novo onde foram colegas de turma. Ele e outro jovem que depois não vingou no futebol.

Mas Nani é um daqueles jogadores que nunca enganou. Era um diamante puro, desejoso de ser devidamente lapidado. E a sua partida para o Manchester United só confirmou o que se sabia dele: era um atleta fantástico.

Andou alguns anos por terras de Sua Majestade até que o nosso presidente Bruno de Carvalho o foi "resgatar" à cidade do "Teatro dos Sonhos" para jogar uma época no nosso (e dele!) Sporting.

O golo que aqui trago será para mim um dos melhores deste jogador. A anteceder o jogo lembro-me que se falou muito de uma eventual lesão, de declarações nas redes sociais, um ror de não-notícias que tinham a intenção de desestabilizar a equipa.

O relógio da "SportTV" marca 68 minutos e o vídeo é curto, apenas 8 segundos, mas suficientes para percebermos o lançamento de linha lateral de Miguel Lopes que vê Nani a correr e endereça-lhe a bola que este toca com a cabeça para a frente e desfere um remate portentoso com o pé esquerdo que levantou o estádio.

Um golo que fez chorar o jogador e emocionou toda a nação leonina.

 

 

Os melhores golos do Sporting (34)

Golo de PAÍTO

Benfica 7, Sporting 6 (gp) - oitavos-de-final Taça de Portugal

26 de Janeiro de 2005, Estádio do Sport Lisboa e Benfica

 

Apesar de Hector Yazalde já ter sido homenageado nesta série pelo João Távora, era minha intenção tornar a fazê-lo, pois o argentino foi dos melhores goleadores que já passaram pelo Sporting. Ganhou duas Bolas de Prata e uma Bota de Ouro, estabelecendo um recorde europeu, com 46 golos em 30 jogos, nessa época memorável de 1973/74. Yazalde chegou a marcar seis num jogo, contra o Montijo, tendo sido o autor de nove golos contra o Oriental (distribuídos pelos dois jogos - cinco num e quatro noutro), e marcando três num jogo contra o Barreirense e outros tantos contra a CUF (informações daqui).

 

Infelizmente, nem todos os golos de Yazalde se encontram disponíveis em vídeo e os que encontrei apresentam uma qualidade tão fraca, que decidi homenagear aqui outro golo, sugerido pelo nosso leitor/comentador Guilherme Rosado, neste post de Gabriel Santos.

 

O golo do moçambicano Paíto, nos oitavos de final da Taça de Portugal 2004/05 contra o Benfica, chega a ser considerado o melhor golo de sempre do Sporting, em comentários pela internet. De facto, eu nem tenho palavras para o classificar, é do género de golos como talvez só o Maradona, na sua fase áurea, conseguisse marcar.

 

Deixo-vos então com a arte de Paíto:

Os melhores golos do Sporting (33)

Golo de CARLOS XAVIER

CSKA-Sporting, Taça dos Campeões Europeus (2-2)

20 de Outubro de 1982, estádio Vasil Levski (Sófia)

 

Este estava guardado na memória e foi um daqueles em que pensei para início do meu contributo nesta série.

A esta distância é irrelevante o resultado, inclusive desta eliminatória (da Taça dos Campeões Europeus), ganha pelo Sporting. Começámos a competição eliminando o Dínamo de Zagreb, com um acumulado de 3-1 e haveríamos de cair na eliminatória seguinte, os quartos, frente à Real Sociedad, com vitória em Alvalade por 1-0 e derrota em San Sebastián por 0-2.

Com uma cajadada só poderemos assistir a dois belos golos do Sporting: o do grande Manuel Fernandes e o golaço de Carlos Xavier.

 

 

Os melhores golos do Sporting (32)

 

Golo de BALAKOV

V. Setúbal-Sporting, 2-3

29 de Agosto de 1993, Estádio do Bonfim

 

O Sporting formou o Figo e o Cristiano Ronaldo, mas que eu me recorde o jogador que mais classe demonstrou com a camisola verde e branca foi provavelmente Krassimir Balakov. Eu estava de férias, assisti a este difícil e bem disputado Vitória de Setúbal-Sporting da época de 1993/94 diretamente na TV e nunca me esquecerei do primeiro golo do Sporting, que podemos rever neste vídeo a partir dos 2 min 15 s.

No dia seguinte, o título do jornal: "Quem tem Balakov tem tudo". Bem, o Balakov não era tudo: o Sporting também tinha um grande treinador (Bobby Robson) e outros grandes jogadores (como o Cherbakov). Refiro o Cherbakov porque nem o Cherbakov nem o Bobby Robson acabariam a época no Sporting, como é bem sabido: Cherbakov por um infortúnio, e Robson pela decisão mais estúpida que um presidente do Sporting tomou.

Ficam aqui os golos deste jogo como recordação de uma equipa que bem merecia ter sido campeã, com destaque para o primeiro, pelo grande maestro.

 

Os melhores golos do Sporting (31)

Golo de MARCO CANEIRA

Sporting-Inter de Milão, 1-0

12 de Setembro de 2006, Estádio José Alvalade

 

Esta grande série colectiva volta ao início para recordar uma das grandes noites europeias do nosso clube, uma de várias que já assistimos no Estádio José de Alvalade. 1ª jornada do Grupo B da edição 2006/2007 da Liga dos Campeões. Sporting com um grupo nada fácil - Inter de Milão, Spartak de Moscovo e Bayern de Munique.

 

Quis o destino que o primeiro jogo fosse em casa com os transalpinos. Hoje, o Inter não assustaria tanto como então, visto que nessa noite quente de fim de Verão a equipa de Milão apresentava no seu onze, entre outros, Toldo, Córdoba, Stankovic, Patrick Vieira, Walter Samuel, Ibrahimovic e o "nosso" Luís Figo. Era um gigante europeu com uma equipa recheada de craques. Um adversário à altura do Sporting. 

 

Do nosso lado estavam Ricardo, Polga, Marco Caneira, Tonel, Abel, Nani, Miguel Veloso, João Moutinho, Romagnoli, Djaló e o levezinho Liedson. Oito portugueses, alguns deles craques da formação de Alcochete, contra as estrelas do Inter. Um David contra um Golias. 

 

Mas nesse jogo, onde Ricardo e a nossa defesa foram várias vezes testados, a magia percorria o meio-campo leonino e o avançado contrava com dois quebra-cabeças, Djaló nos movimentos e Liedson nas finalizações. Jogo vibrante, com várias oportunidades para cada lado, teve um herói mais-ou-menos-improvável. Menos, porque nestes jogos apontamos sempre como prováveis marcadores os extremos endiabrados, os médios criativos ou os avançados temíveis. Mais, porque Caneira, nas épocas que fez de Leão ao peito, várias vezes foi chamado para bater os livres (embora sem muito sucesso, diga-se).

 

Nessa noite, os astros alinharam-se e um excelente passe longo de Tonel foi directo à peitaça de Marco Caneira, libertou-se de Maicon e atirou à baliza um remate bem colocado, que ao fugir do enorme Francesco Toldo beijou a trave e morreu nas redes defendidas pelos italianos. Alvalade explodiu, estávamos a vencer ao todo-poderoso Inter de Milão. Aguentámos e no fim os 3 pontos ficaram em Lisboa. Uma noite de glória europeia com um golaço inesquecível do lateral Marco Caneira.

 

Os melhores golos do Sporting (30)

 

Golo de MANUEL FERNANDES

Sporting, 7 - Benfica, 1

14 de Dezembro de 1986, Estádio José Alvalade

 

Já passaram quase 30 anos mas os ecos deste jogo não se apagaram da memória leonina. Foi uma das partidas épicas do Sporting Clube de Portugal, que culminou na nossa maior goleada frente ao Benfica.

Vale a pena recordar quem alinhou neste clássico lisboeta. O Sporting entrou em campo com Damas, Gabriel, Pedro Venâncio, Virgílio, Fernando Mendes, Oceano, Zinho, Litos, Mário Jorge, Manuel Fernandes e Ralph Meade. Aos 78 minutos, Duílio substituiu Fernando Mendes e Litos deu lugar a Silvinho.

Do onze inicial do Benfica constavam Silvino Louro, Veloso, Dito, Oliveira, Álvaro Magalhães, Shéu Han, Carlos Manuel, Diamantino Miranda, Vando, Chiquinho e Rui Águas. Shéu e Diamantino seriam rendidos na segunda parte por Nunes e César Brito.

 

Parecia um dérbi igual a vários outros, com natural ascendente da nossa equipa, que jogava em casa. Vencíamos ao intervalo, mas por margem escassa: apenas 1-0, com golo de Mário Jorge.

Tudo mudou no segundo tempo - e de que maneira: mais seis golos do Sporting, quatro dos quais marcados pelo nosso capitão, Manuel Fernandes. Com uma exibição digna de antologia do colectivo leonino, que fez ajoelhar a turma encarnada. Quando o árbitro Vítor Correia apitou, dando o jogo por concluído, as reacções nas bancadas não podiam ser mais antagónicas: ondas de júbilo da nossa massa adepta e raiva incontida dos benfiquistas, que queimaram cartões de sócio e bandeiras encarnadas.

 

Eu vivia então longe do País: assisti ao desafio a 14 mil quilómetros de distância, pela televisão, com oito fusos horários de diferença, já na madrugada de 15 de Dezembro de 1986. Mas lembro-me como se fosse hoje da exibição portentosa daqueles jogadores, que se tornaram heróis do panteão leonino. Lembro-me sobretudo do nosso "Manel", que parecia apostado em rebentar a escala, superar todos os obstáculos, ver inscrito o seu nome em Alvalade com letras de ouro a título vitalício.

É um dos golos dele que quero aqui destacar. O nosso quinto - o mais belo do lote. Que começa com uma jogada de insistência desenhada por Litos no flanco esquerdo, levando ao tapete a ala encarnada e assistindo o capitão. Manuel Fernandes, com perfeita leitura de jogo, domina o corredor central e mergulha em direcção à bola, cabeceando-a com intensidade e colocação, bem enquadrado com a baliza de Silvino. Reparem bem nas imagens do resumo que aqui trago: vale a pena ver e rever toda a jogada.

Registou-se uma explosão de alegria na equipa comandada por Manuel José, com réplicas em todas as bancadas do saudoso estádio José Alvalade - excepto no sector confinado aos benfiquistas, que começaram a fazer uso imoderado dos isqueiros.

 

Volto ao resumo deste jogo, aqui com locução de Gabriel Alves e Rui Tovar, sempre que a equipa do Sporting atravessa ocasionais crises de inspiração. O vídeo integral da segunda parte devia aliás constar das sessões de treino motivacional em Alcochete: é quanto basta para recarregar baterias.

E lembro-me também sempre deste jogo quando vejo Diamantino dar largas ao seu imenso fel contra o Sporting em todas as intervenções que faz na pantalha, onde agora é comentador de futebol. Sou incapaz de dissociá-lo desta monumental derrota do SLB. E consigo entender a amarga penitência que ele continua a cumprir quase trinta anos depois.

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