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És a nossa Fé!

Tudo ao molho e FÉ em Deus - A estrelinha de Santos

Muita reza deverá ter feito D. Fernando, o infante Santo(s) da lusa nação, que nunca viu a equipa por si liderada libertar-se da masmorra táctica engendrada pelos mouros comandados por Hervé Renard. Sem bola, Portugal foi para uma batalha com as pantufas de João Mário contra uns magrebinos armados até aos dentes. Nesse sentido, não foi surpreendente para ninguém assistir às constantes invasões marroquinas, que privilegiaram flanquear os portugueses pelo seu lado esquerdo, onde o nosso Guerreiro (Raphael) sentiu o poder das garras de um adversário com o diabo no corpo (Amrabat).

 

Enquanto o jogo foi jogo e não foi guerra, Portugal dominou. Assim, e para não variar, voltámos a marcar cedo. Ronaldo (quem mais?) compareceu a uma assistência de Moutinho (o melhor luso) e concretizou um "penalty" de cabeça. Pouco tempo depois, correspondendo a um passe de Raphael Guerreiro, CR7 rematou rente ao poste. O problema é que o domínio da equipa das quinas só duraria uns 10 minutos...

 

A partir daí, os avanços marroquinos seriam uma constante. Aos 11 minutos, Rui Patrício defendeu um cabeceamento perigoso e, logo depois, foi o eminente Moutinho a salvar um golo iminente. Até ao intervalo, a equipa liderada por Renard tomou conta do meio campo e Amrabat colocou a cabeça de Guerreiro a andar à roda, perfurando uma e outra vez e centrando com intenção maldosa. A excepção à regra foi um passe açucarado de Cristiano para Guedes, isolado, que se perdeu por falta de eficácia do valenciano.

 

Para a segunda parte, voltámos com os mesmos jogadores, apenas com umas "nuances" de troca de posicionamento entre João Mário e Gonçalo Guedes. O 4-4-2 luso não funcionava e Guedes, João Mário e Bernardo Silva eram totalmente inoperantes. Assim, após uma defesa salvadora de Rui Patrício, Fernando Santos tentou alterar algo, colocando Gelson (saiu Bernardo) na ala direita e alterando o esquema para um 4-3-3 ou, mais concretamente, um 4-2-3-1. Nada de significativo se alterou até porque o jovem da Formação do Sporting nunca conseguiu ter espaço para aplicar a sua velocidade. Em conformidade, o treinador português voltou a mexer, desta vez fazendo entrar Bruno Fernandes para o lugar de um desinspiradíssimo e pouco combativo João Mário. Mais uma vez, não resultaria. Desde os 70 minutos, os magrebinos instalar-se-iam nas imediações da baliza de Rui Patrício, em sucessivas vagas de ataque, e de lá não sairiam praticamente até ao fim do jogo. Adrien ainda refrescaria o miolo, substituindo o esgotado Moutinho, um homem que se entregou à luta sem vacilar.

 

Em resumo, mais uma exibição descolorida da selecção nacional. Hoje valeu a atenção e reflexos de Rui Patrício, a combatividade de Moutinho e o habitual engodo pelo golo de Cristiano Ronaldo. E, claro, a já lendária estrelinha da sorte de Fernando Santos, a qual se sobrepôs à existente na bandeira marroquina. Destaques ainda para Cedric, bem melhor a defender que Guerreiro e para Fonte, mais esclarecido que Pepe. William tentou arrumar a casa, ganhando e perdendo bolas a meio campo.

 

Triunfo muito lisonjeiro para Portugal que tem agora quatro pontos, fruto de uma vitória e de um empate, bastando uma igualdade frente ao Irão para a tão desejada qualificação para os Oitavos-de-final. 2 jogos, 4 golos marcados, todos "by CR7". Precisamos de mais, de muito mais. Temos capacidade de sofrimento mas está a faltar a magia dos desequilibradores. Sem eles, não teremos condições de ir muito mais longe. É que Ronaldo é excelente, mas nem sempre pode valer por três...

 

Tenor "Tudo ao molho...": João Moutinho

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Muito Ronaldo para pouco Portugal...

Portugal venceu Marrocos, é o mais importante, mas a exibição foi paupérrima, diria que a nossa selecção é Ronaldo e mais 10. Rui Patrício fez uma grande defesa no único remate com perigo à nossa baliza, Cedric, Pepe e João Moutinho sem realizarem uma exibição por aí além estiveram a um nível aceitável, com os restantes a oscilarem entre o fraco e o mau. Gonçalo Guedes, Bernardo Silva e João Mário muitos furos abaixo do que podem, foram os elementos mais fracos, não se percebendo a teimosia de Fernando Santos na manutenção do avançado do Valência. Mas os substitutos estiveram ao mesmo fraco nível dos substituídos.

Mas também sabemos que a selecção com Fernando Santos pode jogar mal, por vezes nem ganhar e contudo chegar longe. Hoje valeu apenas o resultado, porque em nada fomos superiores a Marrocos, apenas a eficácia inicial de Ronaldo bastou para a vitória, porque perante tanta mediocridade nem o capitão esteve perto do seu nível, até os livres bateu de forma desinspirada, no entanto uma vez mais carregou a equipa, o que não é coisa pouca.

A ver o Mundial (6)

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VINGÁMOS ENFIM A DERROTA DE 1986

 

Vitória suada e muito sofrida da selecção nacional, ao princípio da tarde de hoje, contra Marrocos - que chegou invicta à fase final deste Campeonato do Mundo, com 25 golos marcados e nenhum sofrido na campanha de qualificação.

Uma vitória que ficou construída logo aos 4', com um golo do melhor jogador português de todos os tempos. Só ele, Cristiano Ronaldo, se mostra capaz de desfazer os nós que se vão atravessando no nosso caminho.

Este resultado ilude. Porque é muito superior à exibição da equipa das quinas: Portugal correu menos, teve menos posse de bola (47%), rematou menos, fez menos passes e obteve menos cantos do que os marroquinos, que pareceram sempre acreditar mais num resultado positivo. Nunca tivemos controlo prolongado da bola, nunca fomos capazes de segurar a partida.

 

Houve exibições deploráveis do nosso lado.

Raphael Guerreiro, completamente fora de forma, abriu avenidas no nosso corredor esquerdo e nunca foi eficaz na manobra ofensiva.

Bernardo Silva, inoperante, passou ao lado do jogo: quando deu lugar a Gelson Martins, aos 59', já ia tarde.

Gonçalo Guedes, em quem o seleccionador Fernando Santos inexplicavelmente voltou a apostar como titular nesta partida após uma prestação medíocre frente a Espanha, falhou duas hipóteses de golo - numa delas, aos 39', era só preciso empurrar a bola e nem isso conseguiu.

Bruno Fernandes, desta vez fora do onze inicial, entrou aos 71' para render João Mário e nunca conseguiu demonstrar qualquer dos atributos revelados na época passada em Alvalade.

 

Tivemos duas oportunidades de golo, aproveitámos uma. Ronaldo fuzilou de cabeça, após centro primoroso de João Moutinho. Leva já 85 marcados pela selecção - é o jogador europeu mais concretizador de todos os tempos, tendo hoje ultrapassado o húngaro Puskás. 

Este triunfo em Moscovo - que vinga enfim a humilhante derrota que Marrocos nos impôs em 1986 no Mundial do México - deveu-se a ele, claro. E também a Rui Patrício, que fez uma defesa excepcional aos 57', impedindo um golo que já parecia inevitável. Um gigante, que ainda me custa muito ver longe de Alvalade. Vai demorar a cicatrizar esta ferida que permanece aberta.

 

O melhor - Cristiano Ronaldo. Decisivo, uma vez mais. Tal como sucedera contra a Espanha, marcou logo aos 4', sentenciando a partida. E ainda ofereceu um golo que Gonçalo Guedes escandalosamente desperdiçou aos 39'. Só ele e Rui Patrício mereceram verdadeiramente esta vitória.

O pior - Raphael Guerreiro. Não parece reunir atributos mínimos para intregrar a selecção neste Mundial. Comparado com Fábio Coentrão, que nem chegou a ser convocado, parece um futebolista de um escalão secundário. Presumo que ficará no banco na próxima partida, frente ao Irão. É já na segunda-feira.

 

Portugal, 1 - Marrocos, 0

Mundial 2018 - Factos e Protagonistas (1ªJornada)


  • Cristiano Ronaldo colocou a fasquia demasiado alta para os seus concorrentes. O "hat trick" do capitão português parece ter afectado psicológicamente os seus rivais Messi e Neymar. O argentino, inclusivamente, desperdiçou uma grande penalidade;

  • Quatro jogadores bisaram. Cheryshev (Rússia), Diego Costa (Espanha), Romelu Lukaku (Bélgica) e "Citizen" Kane (Inglaterra) marcaram por duas vezes.

  • A Inglaterra mostrou ter mais jogadores (Kane à cabeça) do que treinador. Southgate passou toda a segunda parte a não entender a alteração táctica promovida pelo seu homólogo tunisino. Valeu a inspiração de Harry Kane para evitar um embaraçoso empate;

  • A Rússia, comandada pelo génio de Golovin, conseguiu o resultado mais desnivelado. Os russos bateram a Arábia Saudita por 5-0 e o médio impressionou com 1 golo e 2 assistências;

  • O Senegal foi a única equipa africana a vencer. Os senegaleses bateram uns promissores polacos, quarto-finalistas do último Europeu, dando razão a Mourinho que acreditava na sua qualificação;

  • Em contrapartida, Irão e Japão mostraram a evolução do futebol asiático. Os iranianos bateram Marrocos e os nipónicos venceram a forte equipa da Colômbia que tem jogadores como Falcão, James Rodriguez ou Cuadrado;

  • Dos sul-americanos, só o Uruguai venceu e mesmo assim com um golo no último minuto. Vitória sofrida dos uruguaios com um golo de Gimenez no dealbar do jogo contro o Egipto, empates surpresa da Argentina (contra a Islândia) e do Brasil (frente à Suiça), derrotas de Colômbia e Perú;

  • A campeã do mundo começou a perder. Os germânicos foram vencidos e convencidos por um surpreendentemente maduro México;

  • O jogo Portugal vs Espanha foi o que teve mais golos. Portugueses e espanhóis fizeram abanar as redes por seis vezes;

  • Entre os países da América do Norte e Central, o México foi o único vencedor. E logo com uma vitória sobre a todo-poderosa Alemanha. Costa Rica e Panamá perderam face a Sérvia e Bélgica;

  • Oito equipas europeias venceram. Rússia, França, Dinamarca, Croácia, Sérvia, Suécia, Bélgica e Inglaterra mostraram o domínio do continente europeu;

  • De uma maneira geral, os favoritos e principais "outsiders" desiludiram. Vitórias escassas de França e Inglaterra, empates de Brasil, Argentina e Espanha, derrota da Alemanha.

A ver o Mundial (5)

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O MELHOR DA RUA DELE

 

Neymar reclamou para si, há dias, o título de melhor futebolista do mundo - alegando, com alguma graça, que Cristiano Ronaldo e Messi «são de outro planeta». Está cheio de razão: não devemos comparar algo incomparável, como ontem o Brasil-Suíça bem evidenciou. Exibição fraquinha do "escrete canarinho", que se deixou empatar após um golaço de Philippe Coutinho logo aos 20'. O craque do Barcelona rematou cruzado, de fora da área, assinando um dos melhores golos do Mundial até ao momento.

Quanto ao avançado do PSG, parecia um gatinho inofensivo. O melhor que conseguiu foi um cabeceamento à figura do guarda-redes Sommer, iam decorridos 88'. Sempre muito vigiado, actuou com pouca intensidade e perdeu inúmeras bolas, sem nunca fazer a diferença. Esteve muito longe de provar que é o melhor do mundo ou até o melhor do Brasil. Mas é, seguramente, o melhor da rua dele.

Valha a verdade: os pentacampeões brasileiros podem queixar-se do árbitro. Não apenas no golo sofrido aos 50' - precedido de falta evidente do marcador, Zuber, sobre o central Miranda, impedido de saltar à bola com ele - mas também num penálti cometido sobre Gabriel Jesus a que o árbitro fez vista grossa, sempre com o consentimento do vídeo-árbitro, que neste Mundial tem mantido intervenção mínima. Numa prova evidente de que as críticas que costumamos fazer por cá aos senhores do apito, quando os consideramos os piores da Europa são manifestamente exageradas.

 

Brasil, 1 - Suíça, 1

A ver o Mundial (4)

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O FIM DA HEGEMONIA ALEMÃ

 

A primeira grande surpresa do Mundial aconteceu há pouco: a Alemanha foi derrotada em Moscovo pelo México de Ochoa, Herrera, Vela, Chicharito e Layún. Uma partida emocionante em que os mexicanos souberam impor a sua organização colectiva frente à superioridade germânica. Em campo estavam seis titulares da final de 2014, em que a selecção alemã derrotou a Argentina: Neuer, Boateng, Hummels, Ozil, Kroos e Müller.

Foi um bom espectáculo de futebol, emotivo do princípio ao fim, com a turma germânica a dispor de mais posse de bola mas quase sempre de modo inconsequente. Os mexicanos nunca deixaram de explorar o contra-ataque, em ofensivas perigosas que poderiam ter-lhes valido um segundo golo.

A vitória foi construída aos 35', num desses lances de futebol rápido, desenrolado ao primeiro toque, com a defesa alemã demasiado subida, sem rins para acompanhar a velocidade de Chicharito, que assistiu, e Lozano, que fuzilou a baliza à guarda de Neuer.

Há 36 anos que a poderosa Alemanha não perdia uma partida inicial de um Campeonato do Mundo - a anterior fora em 1982, no inesquecível certame disputado em terras espanholas, ao ser derrotada 1-2 frente à Argélia. Nos últimos quatro mundiais, em jogos de estreia, os alemães golearam sempre. Essa hegemonia terminou hoje. E torna este Mundial mais emocionante.

 

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O primeiro jogo do dia opôs a Costa Rica à Sérvia. Confesso: estava a torcer pela simpática selecção costarriquenha, que no Mundial do Brasil exibiu um futebol de grande qualidade e mantém quase intocável o seu onze-base. O maestro é o "nosso" Bryan Ruiz", que saiu entretanto de Alvalade envolto na máxima discrição, quase sem ninguém dar por isso.

Jogo pastoso, com maior acutilância sérvia mas superioridade técnica da Costa Rica, onde Bryan continua a ter bons pormenores - embora nem sempre com a intensidade necessária, como muito bem sabemos. Outro nosso velho conhecido, Joel Campbell, entrou a meio da segunda parte e também se mostrou igual a si próprio: muita finta no entretanto, mas quase sempre condenado a perder a bola na hora da decisão. Já vimos este filme.

 

Alemanha, 0 - México, 1

Costa Rica, 0 - Sérvia, 1

A ver o Mundial (3)

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O PENÁLTI QUE MESSI FALHOU

 

Se o Campeonato do Mundo é o palco decisivo para a atribuição da Bola de Ouro 2018, Cristiano Ronaldo leva já larga vantagem em relação ao rival de sempre. Lionel Messi teve ontem uma apagada prestação ao serviço da selecção do seu país: a Argentina não conseguiu melhor do que um frustrante empate (1-1) frente à Islândia, que foi uma das boas surpresas no Euro-2016 e já está a dar nas vistas neste Mundial.

O pior momento de Messi ocorreu num daqueles instantes decisivos em que Cristiano Ronaldo não costuma falhar: quando tinha apenas pela frente o guarda-redes, à distância de 11 metros. La Pulga partiu sem convicção para a bola e permitiu que o guarda-redes Halldorsson defendesse a grande penalidade. Estava conseguida a fotografia emblemática desta partida. E os islandeses carimbavam um precioso ponto que os faz sonhar com a fase seguinte da competição máxima do futebol.

Valeu aos argentinos o golo de Agüero para não saírem derrotados. Um golo marcado cedo, logo aos 19', e que lhes indiciava uma partida tranquila, com muita posse de bola e reduzido desgaste físico. Durou-lhes pouco, esta sensação de superioridade: quatro minutos depois Finnbogason empatava. O compacto reduto defensivo da Islândia permitiu aos herdeiros dos vikings aferrolhar os caminhos para a sua baliza.

Pela selecção argentina, Messi já dispôs de 21 penáltis. Falhou quatro - ou seja, 19%. Nada que deslumbre seja quem for.

 

Argentina, 1 - Islândia, 1

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Ronaldo unlimited

Estava o jogo na sua alvorada e já Cristiano Ronaldo "comia" Nacho(s) como aperitivo para o que viria a seguir. Finta, falta, penálti e primeiro golo. De seguida, servido por Bruno Fernandes, CR7 assistiu auspiciosamente Gonçalo Guedes mas ao valenciano faltou espontaneidade. Portugal era mais perigoso mas a Espanha marcou numa jogada atípica, que foi uma traição ao seu tiki taka: lançamento longo para Diego Costa e este, sozinho contra três defesas, conseguiu empatar.

 

Os "nuestros hermanos" ficaram por cima do jogo e Portugal não mais conseguiu atinar com o passe/repasse espanhol. Acontece que o futebol é imprevisível e após um remate forte de Cristiano, De Gea abriu a capoeira, permitindo aos lusos irem para o intervalo na frente. 

 

No segundo tempo intensificou-se a pressão espanhola. Os portugueses defenderam um livre como se fossem uma equipa dos regionais e de uma forma simples a Espanha chegaria a nova igualdade. Quase de seguida, os comandados de Fernando Santos mostraram falta de intensidade defensiva, desperdiçaram duas/três oportunidades de aliviarem a bola das imediações da sua área e esta sobrou para Nacho que marcou um golaço. 

 

Subitamente, estávamos pela primeira vez em desvantagem no marcador e a Espanha parecia uma Armada Invencível. Mas, o nosso Francis Drake, o capitão Cristiano Ronaldo não dorme em serviço. O madeirense ganhou uma falta à entrada da área e ele próprio a converteu, aplicando um remate potente com a parte de dentro do seu pé direito que contornou sublimemente a barreira espanhola e entrou junto ao ângulo superior da baliza espanhola. De Gea, colocado do outro lado, permaneceu imóvel, olhando, qual controlador aéreo. O mundo inteiro pôs as mãos na cabeça, Florentino Perez colocou as mãos na carteira. É que tudo leva a crer que este "hat-trick" lhe vai sair muito caro.

 

E assim terminaria um jogo em que, se a Espanha foi como o ferro (Hierro, em castelhano), Ronaldo foi como o aço.

 

Portugal revelou desinspiração na frente (Guedes e Bernardo), falta de intensidade no miolo (William e Moutinho) e fragilidade na zona central (Pepe e Fonte). É justo dizer que hoje (ou quase sempre?) Cristiano foi o salvador da pátria.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Cristiano Ronaldo

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A ver o Mundial (2)

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O MELHOR É ELE. E MAIS NINGUÉM

 

Complexo de inferioridade? Deslumbramento? Sorte? Incapacidade de gerir uma vantagem que pareceu caída do céu? Falta de intensidade? Confiança no melhor de todos para corrigir as asneiras de vários?

Talvez um pouco de tudo isto.

Portugal estreou-se hoje no Campeonato do Mundo na Rússia defrontando uma velha rival: a selecção espanhola, campeã mundial de 2010 e bicampeã europeia (2008, 2012) antes do nosso inesquecível triunfo no Parque dos Príncipes, vai fazer dois anos. Estivemos à beira de perder, empatámos quase in extremis e podíamos até ter vencido mesmo ao cair do pano.

 

Houve de tudo nesta emocionante partida. Começámos a vencer no duelo ibérico disputado em Sochi, iam decorridos 3 minutos, com um penálti convertido por Cristiano Ronaldo a castigar uma falta que talvez o árbitro não marcasse noutra circunstância. Tivemos um período de algum protagonismo nessa primeira parte mas depressa cedemos domínio territorial aos espanhóis, que tanto apreciam a posse de bola. Exagerámos de tal maneira nesse dispositivo táctico que logo se prenunciou o golo do empate, convertido por Diogo Costa - após descalabro defensivo português de que o próprio guarda-redes não está isento.

O intervalo aproximava-se quando nos sorriu novo golpe de sorte: outro golo de Ronaldo, aproveitando um frango do  tamanho de um peru do guardião espanhol, De Gea. E assim, com vantagem por 2-1, chegámos ao segundo tempo. Em que, aí sim, levámos um banho de bola do onze que há dois dias deixou de ser dirigido por Julen Lopetegui.

A selecção espanhola - com 62% de posse de bola na totalidade do jogo - revelou-se um conjunto afinadíssimo, sob a batuta de um maestro genial chamado Iniesta. Os nossos flancos, entregues a Bruno Fernandes e Bernardo Silva, não funcionavam. A defesa tremia a cada investida castelhana. E à frente Ronaldo, único que teimava em dar luta, permanecia desacompanhado: Gonçalo Guedes revelou-se uma nulidade.

 

De rajada, com quatro minutos de intervalo, sofremos dois golos - mais um do hispano-brasileiro e outro de Nacho. A equipa implorava por mexidas que chegaram tarde mais felizmente ainda a tempo: entre os minutos 68 e 70 Fernando Santos fez sair Bruno Fernandes, Bernardo Silva e Guedes, mandando entrar João Mário, Quaresma e André Silva. Portugal melhorou. Mas apenas Ronaldo fez a diferença. Foi ele - uma vez mais - a inventar um golo. O nosso terceiro, o do empate com Espanha, ao cavar um livre aos 88', exemplarmente marcado com o seu monumental pé-canhão.

Empate precioso, resultado lisonjeiro para as nossas cores, mas que premeia o desempenho do melhor jogador do mundo: 151 internacionalizações, 84 golos marcados com a camisola das quinas, maior marcador europeu de todos os tempos, único a marcar três a Espanha numa fase final de uma grande competição do futebol.

É ele, é ele - e mais ninguém.

 

Não festejo empates. Mas reconheço que não é nada mau empatar com Espanha na abertura de um Mundial.

Agora já podemos enfrentar com maior tranquilidade o jogo contra Marrocos, em Moscovo, na próxima quarta-feira.

Marcelo Rebelo de Sousa prometeu que vai assistir in loco. Acredito que nos servirá de talismã.

 

O melhor - Cristiano Ronaldo. Marcou três golos: um de penálti, outro de bola corrida, outro de livre directo. E foi ele a sofrer as faltas que deram origem à grande penalidade e ao livre. Iguala Pelé, Seeler e Klose a marcar em quatro Mundiais. Impressionante.

O pior - Gonçalo Guedes. Fernando Santos apostou nele, em vez de André Silva, na posição mais avançada. Aposta falhada: o ex-benfiquista desperdiçou um golo cantado, a passe de CR7, aos 22', e falhou a marcação a Busquets na assistência para o segundo golo espanhol. Para esquecer.

 

Portugal, 3 - Espanha, 3

A ver o Mundial (1)

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Este é o quarto Mundial consecutivo que acompanho como autor de blogues. Comecei em 2006, no Corta-Fitas, escrevendo sobre o Campeonato do Mundo nesse ano realizado na Alemanha, com vitória da Itália. Prossegui em 2010, no Delito de Opinião, com anotações sobre o Mundial da África do Sul - de má memória para nós, de memória gratíssima para os espanhóis, que enfim se sagraram campeões à escala planetária, com uma equipa de sonho: Casillas, Iniesta, Xavi, Sergio Ramos, Poyol, Fábregas, Busquets, Xabi Alonso, David Silva, David Villa, Fernando Torres. Continuei em 2014, já no És a Nossa Fé, numa série que aqui dediquei ao Mundial do Brasil, de que a Alemanha saiu vencedora.

Confesso: o Campeonato do Mundo, que ontem começou na Rússia, é talvez aquele que menos me apetece ver - e já contabilizo doze, como espectador atento. Nem preciso de vos explicar porquê.

Até já.

Que comecem os jogos

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Desanuviemos, apetece-me falar de futebol dentro das quatro linhas.

A maior goleada de sempre num Mundial, Green Point Stadium, 2010.06.21, com um dos golos a ser marcado por Liedson que entrou aos 77 minutosquatro minutos depois já estava a celebrar.

O jogo mais recente da selecção, com a particularidade de um dos golos ter sido marcado pelo (então) jogador do Sporting, Bruno Fernandes.

Dois jogos, duas vitórias, dez golos marcados e zero sofridos, é isto.

 

E Para Desanuviar...

... Falemos do Mundial! Afinal, não somos os únicos com jogadores a precisarem de equilíbrio psicológico, depois da bomba que caiu sobre a seleção espanhola. Mas nem era da Espanha que queria falar e, sim, da Alemanha, que, ou me engano muito, ou vai surpreender pela negativa.

 

Depois de uma qualificação impecável (só vitórias), os alemães fraquejaram nos jogos de preparação para o Mundial. Nem começaram muito mal, ao empatarem precisamente com a Espanha de Lopetegui por 1:1, a 23 de Março, mas seguiu-se uma derrota frente ao Brasil, por 1:0, a 27 do mesmo mês. Ambos os jogos foram disputados em casa e havia muita expectativa, principalmente em relação ao último, depois da vitória histórica da seleção germânica por 7:1, nas meias-finais do último Mundial, que pôs o Brasil em estado de choque. Embora se tratasse de um jogo amigável, a derrota desestabilizou a equipa, com jogadores a criticarem-se uns aos outros.

 

Em Maio, deu-se outro acontecimento, aliás fora das quatro linhas, que ainda hoje afeta a seleção: os turco-germânicos Mesut Özil e İlkay Gündoğan, ambos jogadores escalados para o Mundial da Rússia, aproveitaram uma visita do Presidente turco Recep Tayyip Erdoğan a Londres para se encontrarem com ele e lhe oferecerem camisolas suas, autografadas, do Arsenal e do Manchester City. Foram tiradas várias fotografias com os três, coisa que causou bastante mal-estar, pois Erdoğan usou-as nas redes sociais para a sua campanha eleitoral (há cerca de dois milhões de eleitores turcos na Alemanha).

 

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A 2 de Junho, Özil  e Gündoğan foram muito assobiados no jogo contra a Áustria, essa potência futebolística, e os alemães acabaram por perder por 2:1! Joachim Löw, que ainda tinha quatro jogadores a mais, decidiu, por fim, quem iria definitivamente à Rússia. E foi duramente criticado (também em Inglaterra), por resolver prescindir de Leroy Sané, jovem talento que joga atualmente no Manchester City.

 

No último jogo amigável, a Alemanha não foi além de uma vitória à tangente por 2:1, em casa, frente à Arábia Saudita. Houve mais assobios de descontentamento em relação à exibição da equipa e, na entrevista que se seguiu, Joachim Löw, embora esforçando-se por se manter calmo e amável, não conseguiu disfarçar o nervosismo. O verniz quase acabou por estalar, quando o jornalista tornou a abordar a questão das fotos de Özil  e Gündoğan com o Presidente turco.

 

Enfim, a Alemanha é sempre candidata ao título. Na minha opinião, porém, e apesar da qualificação deslumbrante, a era Löw devia ter terminado no último Europeu, no qual os germânicos ficaram aquém das expectativas. Veremos como correm as coisas, desta vez...

Hoje giro eu - Quem vencerá o Mundial?

Bem sei que a luta no Sporting está ao rubro - e Sporting e rubro na mesma frase já por si só deveria ser um contra-senso -, mas não querendo desviar as atenções esta semana inicia-se o Campeonato do Mundo de futebol. É curioso, mas antigamente um ano de Mundial era de bom augúrio para os sportinguistas, premiado quase sempre com a conquista do campeonato nacional de futebol. Foi assim antes da 2ª Grande Guerra, com os campeonatos de Portugal celebrados em 1934 e 38 e, após esta, com os títulos vencidos em 1954, 58, 62, 66, 70, 74. Ininterruptamente. Após a revolução de Abril, o sortilégio perdeu-se, embora ainda tenhamos ganho em 1982 e em 2002.  

 

Este ano, os favoritos, como quase sempre, são a França, a Argentina, a Espanha, a Alemanha e o Brasil, aliando a tradição ao bom momento do seu futebol (com a excepção da celeste argentina). Escrevo aqui há algum tempo sobre futebol e terei, passe a presunção, granjeado algum respeito pelas minhas opiniões. Seria, por isso, prudente apontar um destes 5 como o favorito à vitória final. Acontece que a vida não tem sabor se não se admitirem correr alguns riscos e eu vou fazê-lo, na medida em que vou escolher um "outsider" para campeão do mundo. 

 

Tenho vindo a observar o crescimento das camadas jovens inglesas. Subitamente, após anos e anos sem história nestes escalões, o futebol inglês tem vindo paulatinamente a afirmar-se. Alguns destes jogadores, agora já seniores, estarão muito perto do ponto ideal de maturação. Creio que "rebentarão" neste mundial ou no europeu que lhe sucederá. Inserida num presumívelmente fácil grupo G, o futuro desta selecção inglesa muito dependerá do prospectivo alinhamento dos quartos-de-final e da capacidade da "equipa de Sua Majestade" de ultrapassar a sua habitual "besta negra", a toda-poderosa Alemanha (ou o Brasil), mas julgo desta vez estarão reunidos os condimentos necessários a que tal aconteça. 

 

Quem tem defesas rápidos e capazes de dar profundidade como Kyle Walker, Rose ou o jovem prodígio Alexander-Arnold, médios com golo como Lingard ou Alli ou avançados com a codícia de um Kane ou de um Vardy tem de ambicionar a glória suprema. Por isso, fazendo votos de que Portugal faça uma grande campanha (que bom seria levantar o troféu), ouso avançar com a Inglaterra como selecção minha favorita para vencer o Mundial. 

 

E os Nossos Leitores, quem perspectivam poder ganhar o ceptro? Agradecia que se pronunciassem, indicando nos comentários as razões do favoritismo da "Vossa" selecção. Desfrutem! Muito obrigado pela Vossa participação. No final, indicarei os vencedores deste concurso de dedução/adivinhação.

 

 

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Quanto pior, melhor

Precisamente no dia em que a selecção nacional iniciou a concentração na Rússia, para o campeonato mundial de futebol, ele anuncia aos quatro ventos no Facebook - traindo pela enésima vez uma promessa solenemente feitarepetida aos adeptos leoninos - que vai processar Rui Patrício, titular absoluto do onze português. Por "difamação e calúnia", garante. Já esquecido de tudo quanto andou a escrever e a dizer sobre o capitão do Sporting - até na véspera da final da Taça de Portugal, quatro dias após o ataque dos jagunços a Alcochete. Já esquecido de ter assistido impávido e sereno à miserável agressão ao nosso guarda-redes com tochas incendiárias por parte dos queridos membros da sua claque de estimação, em pleno estádio José Alvalade, segundos após ter começado um decisivo jogo contra o Benfica.

O padrão é o mesmo: declarar guerra aos jogadores. Talvez com inveja por ganharem mais que ele, certamente com ciúmes por serem inifinitamente mais populares que ele. O descontrolo emocional é o mesmo de sempre. Infelizmente, continuamos à mercê de alguém que, não satisfeito por ter lançado fogo ao Sporting, quer também lançar fogo à selecção.

Para ele é sempre assim: quanto pior, melhor.

Resumo da matéria dada

Terminada a fase de grupos do apuramento para o Mundial 2018, é hora de fazer uma pequena análise. A Alemanha, uma das melhores equipas do mundo, alcançou dez vitórias em dez jogos, marcando 43 golos e sofrendo apenas 4, tal como Portugal e Croácia. Foi a melhor seleção na hora de fazer o golo, a par da Bélgica, que marcou os mesmos 43 golos nas suas 9 vitórias e um empate. Melhor defender esteve a Inglaterra (de Eric Dier), que só sofreu 3 golos. Ataques de respeito foram ainda os de Espanha (36), Portugal (30), Polónia (28), Bósnia (24), Suíça (23) ou Sérvia (20). Boas a defender foram também as equipas de Suíça (5) e França, República da Irlanda, País de Gales, Bélgica e Grécia que se ficaram pelos 6 golos sofridos. O pior ataque foi o do Liechtenstein, que só festejou uma vez. Perto, ficaram Malta, Gibraltar, Letónia, Kosovo, com apenas 3. San Marino só marcou 2, tal como Andorra.

Se a Alemanha alcançou 10 vitórias, Portugal, Suíça, Bélgica e Espanha não ficaram muito atrás, somando 9. Inglaterra e Polónia venceram 8 vezes. No que toca a empates, a vitória vai para País de Gales e Geórgia, do Grupo D, que empataram cinco vezes, cada uma. Em termos de derrotas, destaque para Gibraltar, San Marino e Liechtenstein que só souberam perder. Malta e Kosovo ficaram-se pelas 9 derrotas.

O melhor marcador foi Lewandowski que marcou 16 dos 28 golos da Polónia. O avançado do Bayern de Munique marcou um golo no 4-2 ao Montenegro. Cristiano Ronaldo (15) e Lukaku (11) foram os senhores que se seguiram. Joshua Kimmich destacou-se a oferecer golos, fazendo 9 assistências. Curiosamente, os mesmos números foram verificados no apuramento na zona asiátia. Ahmed Khalil (EAU) marcou 16 vezes, Mohammad Al Sahlawi (Arábia Saudita), 15 e Tim Cahill (Austrália), 11.

Ficam estas curiosidades, antes de pensarmos a cem por cento no jogo com o Oleiros, o San Marino da Taça de Portugal. 

Na Rússia, com William

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Nunca duvidei um só momento que estaríamos no Campeonato do Mundo de Futebol na Rússia, onde seremos cabeça-de-série.

Desta vez nem precisávamos de fazer contas: era só uma questão de tempo até vermos o passaporte carimbado. E assim foi, ontem à noite, no triunfo por 2-0 frente à Suíça que nos reconduziu ao primeiro lugar do grupo, coroando uma série de nove jogos da equipa das quinas sempre a vencer.

 

Desta vez nem foi preciso Cristiano Ronaldo fazer o gosto ao pé, tendo protagonizado até um dos momentos mais caricatos do desafio, mesmo ao cair do pano, quando João Mário o isolou e ele foi incapaz de superar a isolada oposição do guarda-redes suíço - em contraste com Messi, que marcou três na deslocação da Argentina ao Equador, virando o resultado do jogo, após os anfitriões se terem adiantado no marcador, e qualificando in extremis a sua selecção para o Mundial.

Pior sorte tiveram a Holanda e o Chile, que ficaram de fora.

 

Este Portugal-Suíça não foi um jogo épico, longe disso. E só um autogolo dos nossos adversários, aos 42', abriu caminho para a vitória. Mas dele retive, sobretudo, algo que não esquecerei: o estádio da Luz em peso a aplaudir o nosso William, aos 49' e aos 56', sublinhando com toda a justiça dois lances de virtuosismo técnico do nosso capitão que fascinou e empolgou quem lá se encontrava.

Aplausos merecidos. E de excelente augúrio para o Mundial da Rússia.

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