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És a nossa Fé!

Os leões e os cordeiros

Perguntam-me por que motivo vou vendo, com alguma regularidade, os programas televisivos em que se debate futebol. Respondo sempre da mesma forma: porque só podemos ver o que há, não o que não há.

Nos tempos que correm, todos temos consciência de que uma parte do que se desenrola nos jogos se disputa fora de campo - na especulação tornada notícia, nas manchetes tendenciosas afectadas pelo vírus da clubite aguda, nos discursos de técnicos e dirigentes que procuram condicionar as equipas de arbitragem e até naquilo que se proclama nos fóruns radiofónicos e televisivos.

É sobretudo nesta última área que muitas vezes o Sporting já entra em campo derrotado. Gostava de dizer o contrário, mas há que reconhecer as evidências. Quando um lampião chama "idiota" em directo a um suposto representante nosso e não escuta a resposta que merece, ficamos esclarecidos. Porque não se pode exigir aos jogadores do Sporting que se batam em campo como leões enquanto quem exibe credenciais sportinguistas na televisão se comporta como um cordeiro.

Padre Alberto Neto

 

Hoje, em conversa com um amigo, lembrei-me do Padre Alberto Neto. Não, em primeiro lugar, a propósito do Sporting, antes dos nossos tempos do Pedro Nunes. Foi aí que o conheci, como professor de Religião e Moral, naquela época disciplina obrigatória e, diga-se em abono da verdade, bastante menos nociva e maleficente do que, já então, mas, principalmente, alguns anos mais tarde, muitos viriam a acusá-la. Nalguns casos, admito que poucos, de que fui testemunha, a matéria era, pelo contrário, pretexto para debates, reflexões e tomadas de consciência que propiciavam uma abertura de espírito e um conhecimento do mundo muito mais vastos do que superiormente  se pretenderia.

 

O Padre Alberto Neto foi um bom exemplo da capacidade para  despertar em adolescentes o gosto pela interrogação, pelo hábito de questionar, pela dúvida salutar e construtiva e pela curiosidade de saber. Não só nas aulas, mas também numa série de actividades paralelas que  promovia e dirigia com grande habilidade e tacto, o Padre Alberto, ao leccionar uma disciplina aparentemente pouco propícia a grandes cometimentos pedagógicos, até porque não atribuia nota relevante para a média,  conseguiu exercer uma influência mais duradoura e sólida do que alguns professores encarregados de disciplinas com outro peso curricular. 

 

A história da intervenção cívica do Padre Alberto Neto, a nível, pelo menos, de um conhecimento público mais alargado, ficou essencialmente marcada pela sua participação nos acontecimentos da Capela do Rato, de que era capelão, ocorridos na passagem de 1972 para 1973 e que desempenharam um importante papel na luta dos católicos nesse tempo conhecidos como progressistas contra a guerra colonial.

 

O Padre Alberto estendeu entusiasticamente a sua actividade ao desporto e ao Sporting, pelo qual tinha uma enorme paixão. Embora não possa dizer que ele tenha tido algum relevo no nascimento do meu sportinguismo, já que este me tinha sido incutido pelo meu pai e constituía, como continua a constituir, uma espécie de herança e marca familiar, o arrebatamento leonino do Padre Alberto, lembro-me bem, era um orgulho para mim e para muitos colegas, a quem, na figura de um professor tão ou mais ferrenho do que nós, se revelava uma personagem modelar e inspiradora. Depois de sair do Pedro Nunes encontrei-o poucas vezes. Continuava a lembrar-se de mim, como, de resto, de um grande número de alunos, e nessas ocasiões falámos sempre do Sporting, com a habitual exaltação.

 

No princípio dos anos 70, o Padre Alberto Neto foi dirigente do Sporting, tendo sido responsável pelo futebol juvenil, pela formação, como hoje se diria e, no seu caso, seria particularmente adequado, e, também, tanto quanto me lembro, pelo futebol profissional, no tempo de João Rocha.

 

O Padre Alberto foi assassinado, com um tiro, em 1987, na zona de Setúbal. A sua morte permanece, passado tanto tempo, um enigma, mas o exemplo que nos deixou de cidadão, pedagogo e dirigente desportivo é um legado que não será fácil esquecer.

 

 

Isto sim, é ser leão

 

«Em 1945, quando comecei a treinar no Sporting, perguntaram-me o objectivo número um e eu disse: "Que um dia um atleta treinado por mim vá aos Jogos Olímpicos ganhar a medalha de ouro, e que o hino português seja ouvido em todo o Mundo." Responderam que era maluco, mas disse que ia tentar. Demorou 39 anos.»

Mário Moniz Pereira, em entrevista ao nosso Leonardo Ralha, na revista Domingo, do Correio da Manhã

Foto Record

Há 1 ano

2012. Também no mês de Abril. Noutro Estádio, a 1.5 km. O Sporting deu a machadada final na luta do Benfica pelo campeonato. Preferimos ser nós a fazer festa, mas se - devido a circunstâncias várias - apenas temos a chance de estragar a dos outros, então vamos lá gelar o dito "inferno". Para cima deles, rapazeada! Vamos Sporting!

Bênção papal

Bento XVI não caiu nas boas graças de toda a gente, mas, no último dia do seu pontificado, e à laia de homenagem, não resisto a mostrá-lo a afagar um leãozinho.

 

 

É que uma bênção destas não será de desprezar. Ao ponto a que o nosso Sporting chegou, é bem capaz de precisar de intervenção divina...

Desculpem...

… mas este post do Tiago Cabral, sobre esta notícia, deixou-me sentimental. Na verdade, amizades leão/humanos são mais que possíveis, o que prova que o leão é um animal inteligente, sensível e agradecido (tem sentimentos, não há dúvida). E ter um leão por amigo deve ser uma coisa fantástica!

 

 

A amizade de John Rendall e Anthony Bourke pelo leão Christian, que adotaram em bebé, nos finais de 1960, deixa-me de rastos. Quando o bicho ficou grande demais para manter na cidade (eles viviam em Londres com o “gatinho”!), conseguiram, depois de muitos esforços e ainda mais burocracia, integrá-lo na selva queniana. Mas Christian nunca os esqueceu e, sempre que os dois o visitavam, ele, já leão adulto, alegrava-se como uma criança traquina. Vejo os vídeos e choro baba e ranho!

 

 

Quem estiver interessado em mais pormenores, pode ler a história aqui.

 

 

Por isso, saber que os leões africanos estão em vias de extinção deixa-me, novamente, à beira das lágrimas.

 

Mas acabei de saber que Jesualdo se estreou com uma vitória.

Parece que ainda há esperança para a humanidade!

{ Blog fundado em 2012. }

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