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És a nossa Fé!

A quem aproveita isto?

Títulos de primeira página - repito: de primeira página - da imprensa desportiva deste domingo:

O Jogo - "Carro do árbitro apedrejado à saída de Alvalade"

Record - "Carro do árbitro apedrejado"

A Bola - "Carro do árbitro Manuel Oliveira apedrejado à saída de Alvalade"

 

Horas depois, em directo num canal televisivo, o presidente da APAF, José Gomes, desmentia cabalmente estas pseudo-notícias. E o próprio árbitro Manuel Oliveira acabou por declarar também que não houve apedrejamento algum nem se apercebeu de qualquer atitude hostil fora do estádio.

Pergunto: a quem aproveita tudo isto?

The day after

«Um sonoro rugido de leão ecoava em Alvalade. Era o Sporting, versão 2015/16, em apresentação oficial, antes do jogo com a Roma, para a quarta edição do Troféu Cinco Violinos. O mote estava dado: o acordar do leão - era o que se lia no relvado (...). E este acordar tem um maestro: Jorge Jesus. O novo treinador sportinguista, de resto, foi dos mais aplaudidos da tarde/noite. O efeito Jesus a fazer sentir-se em Alvalade. E ainda por cima o Sporting ganhou o troféu.»

Rui Baioneta, A Bola

 

«O Sporting está a sair de forma promissora na pré-época. Depois de vencer um torneio na África do Sul, apresentou-se aos sócios derrubando o Roma, opositor com assento directo na Liga dos Campeões e que já tinha defrontado Real Madrid e Manchester City sem perder (empatou com ambos e ganhou aos madrilenos nos penáltis). O leão mostra força, organização e princípios de jogo.»

Carlos Machado, O Jogo

 

«Ninguém pode negar à equipa de Jorge Jesus a arte de ganhar bem e mostrar uma superioridade indiscutível.»

Rui Dias, Record

 

«Cinco jogos, outras tantas vitórias e dois troféus conquistados. Sobressaíram [ontem] os nomes de Slimani, incansável e a caminhar a olhos vistos para um estatuto de intocável, e Jefferson, enquanto batedor de bolas paradas capaz de acentuar o factor de desequilíbrio quando o aperto dos jogos for grande.»

Rui Miguel Gomes, O Jogo

 

«Um triunfo frente à Roma, mesmo num jogo com ritmo baixo e sem grandes preocupações competitivas, é um bom tónico para o que se segue. A equipa confirmou que está a crescer e, sobretudo, a conseguir encontrar pontos de definição. Precisamente o que ainda não se viu no Benfica até ao momento.»

Nuno Farinha, Record

 

«A equipa já defende com bastante eficácia, já pressiona com alguma intensidade e é aquela que, na hora de rematar, mais afinada está. Há optimismo no ar para as bandas de Alvalade. (...) E que interessante será, daqui por oito dias, o reencontro de Jesus com o Benfica.»

Rogério Azevedo, A Bola

Manchete revisitada

 

Marco Silva recusa acordo[1].png

 

Se há coisa que gosto de fazer é revisitar antigas primeiras páginas de jornais. Às vezes, por sinal, nada antigas. Foi o que me sucedeu hoje, ao rever a categórica manchete do Record de 26 de Junho: "Marco recusa acordo".

O que recusava ele? Aquilo que lhe oferecia a direcção leonina: "um ano de salários e a proibição de treinar Benfica e FC Porto".

Em poucos dias, esta manchete foi ultrapassada pelos acontecimentos. Houve acordo, sim. Marco Silva aceitou o equivalente a um ano de salários e a interdição de treinar na Luz ou no Dragão nas próximas duas temporadas.

E lá rumou à Grécia, onde lhe desejo a melhor sorte. Sem dramas, sem guerras, sem novas manchetes inflamadas.

A martelo

Entre os dois últimos campeonatos ganhos pelo SCP, que emolduram o nascimento deste milénio, um jogador chamado Martelinho ajudou o Boavista a conquistar o seu primeiro e único título nacional de futebol. Para muitos, o voluntarioso extremo é um ficheiro que a memória já se encarregou de apagar, como o faz cada vez mais assertivamente com aqueles a quem falta o carisma, predicado indispensável à dimensão mítica. Martelinho foi um empregado talentoso, uma simples peça do xadrez. Porque o evoco, então, no meu primeiro post enquanto membro da equipa do És a Nossa Fé? Por razões de ordem diversa: antes de mais porque me disponho aqui, qual Martelinho, a colocar o talento que me possam reconhecer ao serviço de algo maior - o blogue e, claro, acima de tudo, o SCP; depois porque a simpatia com que lembro o jogador e o inesperada que resulta a sua evocação reflectem ambas a sensação que me causou o convite do Pedro Correia, um ex-colega de redacção no Diário de Notícias; ainda porque as festas de S. João já se anunciam e, como bom portuense, também eu conto passar mais uma noite de martelinho na mão; mas principalmente porque, e isto é uma dor de alma para quem ainda se sente jornalista, são cada vez mais as notícias a martelo o que enche as páginas, os ecrãs e o éter dos nossos órgãos de comunicação social. A que hoje me traz aqui é a de dois extremos que se diz quererem jogar no extremo oposto ao de Martelinho: Carrillo e Mané. Daquele, os três diários desportivos quase garantem que se recusa a renovar; deste, um deles chama à primeira página a revelação de que está a "forçar a saída". Ora, Carrillo, como se sabe, nunca jogou a ponta dum corno até esta época, aparecendo e desaparecendo em fogachos inconsistentes que mais não davam do que para lhe detectar um potencial tremendo e lamentar o seu não aproveitamento; caso, na verdade, ele se recuse a renovar, estamos em presença de alguém que cospe literalmente na sopa que lhe foi dada a comer. O SCP teve a paciência de o trabalhar, de insistir com ele, de não o deixar cair, de fazer dele o grande jogador que finalmente prova ser. E a resposta é: agora que estou bom, até à vista. Mané ainda tem de comer muito pão para se alcandorar ao topo, mas, a acreditar nos jornais, quer dar um passo maior do que a perna. À revelia do clube. Em ambos os casos, estas notícias espalham a noção de que o SCP não é um clube-destino, é um clube-passagem. Diminuem o SCP. E, logo aí, têm de ser lidas com o devido distanciamento. O distanciamento crítico de quem sabe qual é hoje a importância estratégica dos jornais no "negócio do futebol" (termo recorrentemente usado e que eu detesto) e como eles a usam. Olhemos um pouco mais em detalhe para a notícia sobre Mané. Na capa d'A Bola ele "força" a saída. Lá dentro, já é o Mónaco que lhe oferece um salário não sei quantas vezes maior que o do SCP. Ou seja, o rapaz não pia, que se saiba. A Carrillo também ainda ninguém ouviu dizer nada de esclarecedor, mas a ordem do(s) dia(s) faz-se com a inevitabilidade da sua despedida. Isto num quadro em que Marco Silva, alegadamente, e desde o Natal, já prepara a nova época noutras paragens. O irónico de tudo isto, se formos a ver, é que se há clube português que tem fugido com dignidade ao fado de ser barriga de aluguer, ele chama-se SCP. E por isso é um exemplo. Podem os jornais espelhar a inveja e o ressabiamento dos outros, tentando de todas as maneiras pegar fogo à casa leonina, no que contam com a ajuda de tantos pretensos sportinguistas. Cada vez mais, a informação fidedigna sobre o SCP é difundida pelo SCP. E a comunicação social tem de se capacitar da sua culpa. A credibilidade está num extremo, a pirotecnia noticiosa no outro. Chamem-me ingénuo, se quiserem: para mim, Mané e Carrillo são dos nossos. Os jornais, esses, podem gastar o defeso inteiro a martelar na mesma tecla.

Jornalismo da treta

No dia de hoje ficamos todos a saber que o Bruno de Carvalho vai vender todos os jogadores do Sporting Clube de Portugal ... e tivemos sorte em ele não vender a meio da época como os do norte ...  ai é que era caixa de jornal ou mesmo tema de comentário na RTP ...

Monopólio vermelho

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Achei insólito ver o jornal mais "azul e branco" em Portugal mudar de cor, como sucede aos camaleões, por pressão de uma campanha publicitária. E surgir ontem nas bancas com uma tonalidade de fazer corar de fúria o próprio Pinto da Costa.

Os outros apareceram pintados da mesma cor. Mas a diferença foi nenhuma, pois já surgem diariamente assim.

Pódio: Jefferson, William, João Mário

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Benfica pelos três diários desportivos:

 

Jefferson: 19

William Carvalho: 17

João Mário: 17

Tobias Figueiredo: 16

Cédric: 16

Adrien: 15

Paulo Oliveira: 15

Rui Patrício: 15

Carrillo: 14

Montero: 14

Nani: 13

Carlos Mané: 11

Tanaka: 1

 

A Bola elegeu William Carvalho como figura do jogo. O Record optou por Tobias Figueiredo. O Jogo escolheu Jefferson.

Pódio: Carlos Mané, Carrillo, Montero

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Arouca-Sporting pelos três diários desportivos:

Carlos Mané: 18

Carrillo: 18

Montero: 17

Adrien: 16

Rui Patrício: 15

Tobias Figueiredo: 15

William Carvalho: 15

Cédric: 14

João Mário: 14

Paulo Oliveira: 14

Jonathan Silva: 12

André Martins: 11

Tanaka: 10

Capel: 7

O fim da história em 16 linhas

Record de hoje, pág. 8. Escondida ao fundo da página, uma notícia com o seguinte título: «Um abraço a selar a paz».
Que diz essa notícia? Bruno de Carvalho e Marco Silva «partilharam um abraço após o final do desafio», celebrando juntos a vitória sobre o Famalicão.
Após tanto alarido durante três semanas, o epílogo da história surge ao fundo de uma página par, em lugar discretíssimo. Mereceu uma singela notícia de 16 linhas.

E agora?

Estou preocupado.

O que é que eles vão escrever amanhã nas capas da borla, do rascord e do nojo?

Ainda se fosse uma vitoriazita tremida e "à rasca", ainda podiam dizer que sim.

Se fosse um empate então, teria sido uma forma de dizer que talvez.

Uma derrota, ahhhhhh uma derrota, teria sido amarelo sobre verde e até podiam dizer que não!

 

Mas olha, temos pena! foi sem espinhas e até podiam ter sido mais.

Ah! e os "coisos" fizeram as pazes, coisa de somenos...

Não me venham é com pantominices, por favor, e não inventem outras.

Voltem-se agora para a venda do craque abaixo do valor da cláusula e outras notícias interessantes, passivos de centenas de milhões, negócios de frutóchiclate e etc. que a malta vai gastar os oitenta cêntimos, perdão noventa, no vosso lixo!

 

Allez Sporting, allez!

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