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És a nossa Fé!

Substituível

Com a saída de Antero Henrique, o homem-forte da estrutura futebolística do FC Porto, vários conhecidos adeptos portistas apressaram-se a dizer na praça pública que "não há ninguém insubstituível".

Talvez alguns não tenham percebido que estas palavras, por maioria de razão, se aplicam como uma luva a Pinto da Costa.

A grande nádega

Pareceu, nos últimos 30 anos, que o grande malefício do futebol português era o FC Porto. Mas o Porto nunca passou (porque nunca quis mais, porque fez disso a sua força) de um clube regional. O que o Porto fez foi conseguir tirar ao Benfica, a partir dos anos 80, os esquemas de "estrutura" que o Benfica construiu nos anos 60 e 70: ou julgam que a "estrutura" é só de agora?

 

Mas a grande nádega é, realmente, o Benfica, com a sua vocação de União Nacional, como a capa de hoje d'A Bola bem ilustra:

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Era assim no tempo da outra senhora e assim continuou a ser até o FC Porto o ter conseguido interromper. O FC Porto conseguiu fazer isso, mas nunca quis ser mais do que aquilo que é: um clube. A grande nádega tem delírios de grandeza.

Cada vez mais fundo

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Jogando em casa, numa badalada entrevista ao canal portista, Pinto da Costa confidenciou que se recandidata ao cargo que exerce há 34 anos porque o FC Porto bateu no fundo... com ele ao leme.

Extraordinário raciocínio do tiranossauro rex.

Daqui para a frente, portanto, será sempre a descer no bunker azul. Do rés-do-chão à cave, da cave à subcave, da subcave ao subterrâneo. Do calor da noite ao frio polar.

Ir-res-pi-rá-vel

De repente, vejo tantas virgens denunciando o ambiente irrespirável (absolutamente ir-res-pi-rá-vel!) que se vive no futebol português. Pois: aparece o Sporting a ameaçar o duopoliozinho dos meninos e os meninos já não gostam. Recordam-se certamente dos tempos das lucíliadas, das capeladas, do apito dourado, das esperas em parques de estacionamento e na tasca do pai do árbitro (ah não, espera, isso foi anteontem...) e de como tudo era belo. Era um tempo de grandes senhores, de cavalheiros, um tempo de lindo desportivismo, de futebol pelo futebol.

Unânimes

O árbitro Luís Ferreira (da associação de futebol de Braga) mandou marcar um penálti que não existiu aos 40' do FCP-Moreirense quando os portistas perdiam 0-2.

Opinião unânime do Tribunal do diário O Jogo: esta grande penalidade nunca devia ter sido assinalada.

 

Jorge Coroado: «André Micael jogou a bola, endossando-a para canto. Maxi, com toda a sua experiência, enganou dois em um: árbitro e assistente. Não houve motivo para ser assinalada grande penalidade.»

Pedro Henriques: «Um lance difícil em movimento rápido. André Micael, com o pé direito, toca apenas na bola, sendo que Maxi Pereira se deixa cair antes de qualquer contacto. Não houve, portanto, motivo para assinalar grande penalidade.»

José Leirós: «André Micael esticou a perna deliberadamente para jogar a bola e foi o que fez: jogou-a com o pé direito. O contacto com Maxi é posterior e inevitável e já com o defesa portista em desequilíbrio. Errou o juiz ao assinalar grande penalidade.»

 

Acrescento a opinião do jornal Record, expressa pela pena do seu director, António Magalhães:

«André Micael vai ao duelo com Maxi, estica a perna direita e faz o corte sem falta, apesar do contacto posterior. O árbitro assinala (mal) penálti.»

fácil vs. difícil

É mais fácil vencer jogando com 11 e o adversário com 10.

É mais fácil vencer um grupo de excursionistas russos de férias no Algarve que o terceiro classificado do campeonato alemão.

É mais fácil vencer fora o actual campeão em título do que a União da Madeira.

É mais fácil ao Porto vencer fora o actual campeão em título do que o segundo classificado do campeonato alemão.

O coiso 1 e o coiso 2

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Sucedem-se os portistas que declaram preferir, caso o FCP não vença o campeonato, que o SLB o ganhe em vez do Sporting. Quem é que se importa com isso? Bem, eu  não me importo. A última coisa que quereria era o apoio de semelhantes espécimes: que o dêem lá aos outros. Isto serve apenas para recordar tempos passados, em que tanto adoravam o Sporting - era quando o Sporting andava a 30 pontos do primeiro lugar e acabava o campeonato entre o 4º e o 7º lugares.

 

Já os nossos vizinhos ainda não foram tão explícitos porque (ao contrário dos outros) mantêm a esperança de vir a ganhar o campeonato e vêem o Porto muito longe. Mas há sinais: recordo um almoço na Tasquinha do Lagarto, sinto-o entre conhecidos e amigos, e até cito aqui esse cúmulo da lampionice (do alemão Überlampionsmus), Rui Gomes da Silva, que ontem disse preferir um campeonato disputado entre Benfica e Porto a um disputado entre Benfica e Sporting.

 

Olha, estão bem uns para os outros. Lembram-me aqueles insuportáveis Coiso 1 e Coiso 2 da história do Gato do Chapéu, do Dr.Seuss. São tão lindos.

Em Portugal, só há dois clubes

É preciso ir à Tasca do Cherba para encontrar pérolas como esta (não tenho ido ao barbeiro ultimamente):

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Mas acho que é recíproco. O "povo benfiquista" também não se engana: no outro dia, na inevitável Tasquinha do Lagarto, arranjei dois companheiros de mesa, dois amigos, um sportinguista e outro benfiquista. Ainda tentei falar racionalmente com o homem (o benfiquista, quero dizer), mas ele passou o almoço a malhar e a malhar e rematou, lá mais para o fim: "entre vocês e os tripeiros, prefiro os tripeiros".

 

Estamos mesmo perante um belíssimo par de nádegas. Diz que em Portugal só há dois clubes: o Benfica e o anti-Benfica. A sério?

Ganhámos NOS

Estava com um mau pressentimento. No dia 1, só consegui ir almoçar às quatro da tarde. Por coincidência, no mesmo sítio e à mesma hora, estava o Bryan Ruiz. Os meus filhos foram logo a correr pedir um autógrafo. Mas eu fiquei a pensar: não é bom sinal este tipo estar aqui a esta hora. Das duas uma: ou fez um festão de fim de ano, deitou-se às tantas e não vai jogar nada, ou está mesmo lesionado (como se chegou a dizer no dia anterior) e não vai jogar. Durante o jogo, a bola bateu na trave uma vez e outra no poste. Às tantas, até o raio de uma bola que ia direitinha para canto bateu na bandeirola e o Porto recuperou-a. Pensei: estão com um chouriço homérico e ainda marcam o empate. Até que o Bryan Ruiz se lembrou de dar uma aula prática sobre como marcar meio golo com uma assistência fenomenal para o Slimani. Eu sei o que se passou: ele lembrou-se dos miúdos que lhe tinham ido pedir um autógrafo no dia anterior e decidiu mostrar que era mesmo digno desse autógrafo. Portanto, já sabem a quem agradecer aquele segundo golo.

Rescaldo do jogo de ontem

1.jpg

 

 

Gostei

 

Da vitória. Triunfo claro sobre o FC Porto num clássico que confirmou todas as expectativas. Ganhámos por 2-0 e estivemos mais próximos do 3-0 (com uma bola ao poste e outra à barra) do que os portistas de marcarem o golo de honra.

 

Do nosso domínio. O Sporting foi sempre a melhor equipa em campo, sem discussão. Impôs um jogo acelerado, em pressão alta e fluxo contínuo, com perfeita organização colectiva.

 

Do ambiente em Alvalade.  Esta noite estivemos 49.382 em Alvalade. Estádio cheio, ambiente vibrante, atmosfera digna da melhor festa do futebol.

 

De Slimani. Marcou dois golos (26' e 85'), poderia ter marcado um terceiro (rematou à barra aos 64') e foi incansável na construção da vitória. Fez um centro perfeito para o remate de Bryan Ruiz aos 69'. Até se envolveu com frequência na manobra defensiva, sem egoísmos de qualquer espécie. Merece o título de melhor em campo. E leva dez golos já facturados neste campeonato.

 

De Adrien. O pulmão da equipa, o estratego do nosso onze. Sempre em jogo, sempre a ler bem as incidências da partida, sem falhar um passe. Foi um elemento crucial desta importante vitória. Merecia ter marcado: aos 70' atirou ao poste,com um disparo após assistência de Gelson Martins.

 

De João Mário. Neste jogo tudo lhe saiu bem. Começou por dar o mote com duas jogadas excelentes no flanco esquerdo (aos 16' e 37') que nos fizeram saltar das bancadas. Baralhou continuamente as marcações, dando um toque suplementar de classe à exibição leonina. Aos 64' fez uma assistência perfeita para Slimani, que cabeceou à barra.

 

De Bryan Ruiz. Foi uma das surpresas de Jorge Jesus para este jogo, actuando com liberdade de movimentos no eixo central, à frente de Adrien, quando se esperaria Montero naquela posição. Como sempre, pertenceram-lhe alguns dos lances com maior requinte técnico. Mas a cereja em cima do bolo foi a soberba assistência que fez para o segundo golo de Slimani, com um passe a rasgar a defesa portista.

 

De Rui Patrício. Teve duas intervenções decisivas: a primeira aos 19', quando saiu dos postes sem a menor hesitação, anulando uma cavalgada de Aboubakar; a segunda aos 32', fazendo a mancha com toda a eficácia quando tinha pela frente o mesmo jogador.

 

De Naldo. Fez a sua melhor exibição de verde e branco. Impecável no eixo da defesa: cortou tudo quanto havia a cortar. Terá agarrado de vez a titularidade nesta partida.

 

De ver o nome do novo patrocinador estampado nas camisolas. A lembrar-nos do excelente negócio que o Sporting fez com o operador televisivo vizinho de Alvalade.

 

De começar o ano desportivo da melhor maneira. A vencer, naturalmente.

 

De ver o Sporting novamente no topo da classificação. Recuperámos o nosso lugar natural, na liderança do campeonato, após só uma semana na segunda posição. Queremos manter-nos em primeiro. Queremos ser campeões, como esta noite milhares de vozes entoaram no estádio.

 

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Não gostei

 

De William Carvalho. Apático, desligado, sem ritmo, a falhar passes e a perder bolas. Destoou do resto da equipa com uma exibição irreconhecível.

 

Da tardia entrada em campo de Aquilani. O italiano só entrou aos 88'. Para render Adrien. Devia ter aparecido mais cedo, substituindo William.

 

Do treinador do FC Porto. Lopetegui passou o tempo a gesticular como um actor de filmes burlescos e a gritar aos jogadores. Transmite uma imagem de permanente intranquilidade que só pode contagiar a equipa.

 

Fotografias minhas, tiradas esta noite em Alvalade

Inadmissíveis

«Jorge Sousa não esteve bem na sua deslocação à Madeira para dirigir o encontro entre o Nacional e o FC Porto, usurpando dois castigos máximos à equipa de Manuel Machado: um por mão de Marcano e outro por falta clara deste jogador sobre João Aurélio, erros inadmissíveis para um árbitro internacional.»

Joaquim Campos, ex-árbitro internacional, no Record de hoje

A efemeridade, uma história do senhor feliz e do senhor contente

Começo com uma citação: "Se tivesse de me descrever, diria que estou muito feliz. Sou o Happy One".

Estávamos em 2013.06.11 e esta frase fora recuperada por Rui Catalão para ilustrar o artigo publicado na pág. 46 do Jornal I, na mesma página falava-se, também, dum certo Paulo Fonseca que ia trocar o Paços de Ferreira pelo Porto.

"Tenho contrato [José Mourinho] de quatro anos e espero que possamos ir até ao fim. Depois se estivermos contentes...".

Rui Catalão termina esse artigo desta forma:

"É a fórmula do sucesso: Mourinho como Senhor Feliz, Roman Abramovich como Senhor Contente."

A efemeridade, escrevi no título, passaram dois anos e alguns meses, Rui Catalão já não escreve no I, Paulo Fonseca está a norte do Porto e nem Mourinho está feliz nem Abramovich está contente.

Como leitura complementar um texto que escrevi há mais de cinco anos mas que de certa forma continua actual, cada vez mais actual, talvez.

Balancete

Percebeu-se esta época que os novos donos dos cordelinhos residem ali para Carnide. A maneira como o Benfica ganhou este campeonato, sem mostrar jogo de jeito, mas mantendo-se sempre no primeiro lugar, mostra uma coisa: depois de 30 anos em que o "sistema" estava no Norte, agora está do outro lado da nossa rua. O ano passado não tenho dúvidas de que o Benfica mereceu ganhar o campeonato. Tinha grandes jogadores e jogava bem. Mas este ano chegou a ser penoso ver alguns dos seus jogos e a maneira como o "colinho" os foi resolvendo. O presidente do Sporting, por aquilo que vai dizendo, já mostrou que percebe onde está a nova sede do sistema. Mas isso não basta. É preciso fazer qualquer coisa para contrariar isso. Porque senão o presidente ficará como uma espécie de boca da verdade, tão correcta no que diz quanto inútil no que faz.

{ Blog fundado em 2012. }

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