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És a nossa Fé!

Menos

A gente sabe que se o golo da vitória na final tivesse sido do nosso sócio 100.000, a "chinfrineira" ainda não tinha acabado.

Posto este ponto de ordem à "mesa", sou só eu, ou ultrapassa já as marcas o "escarcéu" que está a ser feito com Éder?

Tudo na vida deve ter o seu peso e a sua medida, e ambos devem equivaler-se em ordem a manter um equilíbrio estável e com sentido. Éder teve o seu justo reconhecimento, terá porventura a gratidão eterna de muitos adeptos e do futebol português pelo feito alcançado, mas na minha modesta opinião, tudo o que é a mais é exagerado e tende a quebrar aquele equilíbrio que atrás referi.

Éder não passará a ser melhor ponta de lança depois deste golo. Não passará a ser imprescindível na selecção.

Podem argumentar que todas as homenagens são poucas e todas elas justas. Admito que sim, a minha é feita com este postal, mas às tantas, com a banalização de tanta coisa em seu redor, não sairá o próprio prejudicado com tanto "barulho"?

Ou esta onda de carinho em torno do, por ora, cisne, não passa de uma manobra para fazer esquecer outras figuras da final?

Em duas finais, só Portugal marcou

Alguns continuam a uivar por aí, clamando contra o futebol "defensivo" da selecção nacional. Não sei onde é que esta gente andou nos últimos anos e que espectáculos de futebol a nível de selecções pôde espreitar ultimamente.

Pois eu vi isto: Portugal foi a única selecção que marcou um golo nas duas mais recentes finais entre clubes no futebol de alta competição.

A 27 de Junho, na final da Copa América em que se defrontaram Argentina e Chile, a partida terminou empatada a zero ao fim de 120'. Teve de se recorrer ao desempate por penáltis, com vitória chilena.

A 10 de Julho, na final do Campeonato da Europa, também os franceses ficaram em branco após duas horas de jogo.

Destas quatro selecções, só Portugal marcou. A tal selecção "defensiva" foi capaz de concretizar aquilo que nem a Argentina de Messi nem o Chile de Vidal nem a França de Griezmann fizeram.

As primeiras impressões

Espero que se confirme a regra: um mau início da pré-temporada pode indiciar uma boa época.

Se assim for, o Sporting terá dias risonhos pela frente. Porque neste primeiro jogo de preparação mais a sério, concluído há pouco na Suíça frente ao Mónaco, a nossa equipa teve uma exibição fraquíssima. Com um resultado a condizer: perdemos 1-4. A turma treinada por Leonardo Jardim dominou durante quase todo o encontro. E venceu sem margem para dúvidas, com golos de Germain (12'), Falcão (23' e 66') e Carrillo (82').

Só Podence, marcador do solitário golo leonino aos 21', sobressaiu no nosso onze titular, empurrando-o para a baliza monegasca na primeira parte. Mas valeu-lhe de pouco o esforço. Com quatro dos nossos titulares ausentes (Rui Patrício, William Carvalho, Adrien e João Mário), ficou bem evidente que a equipa está muito emperrada e necessita de ganhar ritmo de jogo.

A maior curiosidade era espreitar o desempenho do nosso principal reforço até agora: o internacional sérvio Petrovic, de 27 anos, oriundo do Dínamo de Kiev. É cedo para ajuizar. E é muito mais prematuro especular sobre a possibilidade de termos aqui um eventual sucessor de William Carvalho na posição de médio defensivo. Esperemos para ver.

 

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Apreciação sucinta dos nossos jogadores:

 

Azbe Jug - Quando Rui Patrício está ausente, nota-se ainda mais a sua importância. O jovem guarda-redes esloveno pareceu mal batido em dois dos golos e mostrou-se sempre intranquilo.

 

Schelotto - Primeira parte desastrosa. Os dois primeiros golos foram construídos pela sua ala. Voltou a ser batido em velocidade duas outras vezes. Em notória quebra física na segunda parte.

 

Coates - Pareceu preso de movimentos: precisa de ganhar automatismos nesta fase de preparação. Mostrou-se demasiado lento na jogada do terceiro golo do Mónaco.

 

Rúben Semedo - O nosso melhor defesa. Confiante, com boa qualidade técnica e capacidade de passe, bloqueou as vias de acesso à baliza leonina pelo seu lado. Um esforço insuficiente.

 

Marvin - Continua tímido a atacar, o principal defeito que lhe notei na época passada. Perdeu vários confrontos individuais e revelou alguma falta de confiança.

 

Petrovic - Chega a Alvalade com boas credenciais que precisa de comprovar em campo. Tem físico e parece com vontade de acertar. Hoje esteve pouco móvel, demasiado contido, muito próximo dos centrais. Saiu aos 64'.

 

Gelson Martins - Pouco resultou da sua parceria com Schelotto na nossa ala direita. Foi por ali que o Mónaco mais atacou, causando sucessivos calafrios ao Sporting. Saiu aos 64'.

 

Bryan Ruiz - Ostentou a braçadeira de capitão. Pareceu um pouco ausente da partida. Falhou um golo aos 46' por querer adornar o lance. Demasiado discreto. Saiu aos 74'.

 

Matheus Pereira - Bons apontamentos, mas intermitentes. Um remate com perigo aos 36'. Grande passe para Bryan, desperdiçado dez minutos depois. Voluntarioso mas por vezes precipitado. Saiu aos 64'.

 

Podence - De longe o nosso melhor jogador na partida. Marcou aos 21': justa recompensa pelo seu desempenho como segundo avançado. Desmarcou-se bem e serviu com qualidade e precisão. Saiu aos 64'.

 

Barcos - Ainda não foi desta que vimos um golo dele. Mas podia ter marcado se correspondesse da melhor maneira a um excelente passe de Podence aos 60'. Saiu quatro minutos depois.

 

Palhinha - Substituiu Petrovic. Prometia mais do que mostrou. Muito contido, demasiado encostado aos centrais, não evitou progressão de Falcão no terceiro golo do Mónaco. Exibição modesta.

 

Iuri Medeiros - Substituiu Gelson Martins. Mal se deu por ele. Foi prejudicado por ter entrado no flanco direito já com Schelotto esgotado: as combinações com o italo-argentino não resultaram.

 

Bruno César - Substituiu Matheus Pereira. Outro jogador demasiado discreto. Rende mais quando joga sobre a ala, sem necessidade de recorrer a movimentações interiores, com hoje sucedeu.

 

Teo Gutiérrez - Substituiu Podence. Algumas tabelinhas com Slimani não chegaram para provocar boa impressão. O argelino fez-lhe quase uma assistência para golo aos 89'. Mas o colombiano chutou ao lado.

 

Slimani - Substituiu Barcos. Única entrada que pareceu beneficiar a nossa manobra colectiva. Dois bons passes para Teo, aos 79' e 89'. Cabeceamento aos 85', ainda sem a intensidade a que nos habituou.

 

Jefferson - Substituiu Marvin. Sem vantagem para a equipa. Se o holandês se revelou totalmente inofensivo na transição ofensiva, o brasileiro limitou-se a seguir-lhe o exemplo.

 

Aquilani - Substituiu Bryan Ruiz. Tal como na época passada, joga pelo seguro e procura abrir linhas de passe. Mas parece faltar-lhe sempre um suplemento de entusiasmo. Hoje a regra confirmou-se.

Balanço do Euro 2016 (2)

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O que fui escrevendo aqui sobre a campanha vitoriosa de Portugal no Campeonato da Europa de Futebol:

 

18 de Junho: Portugal-Áustria (0-0). «Ronaldo teve cinco oportunidades de marcar, mas não conseguiu concretizar nenhuma. Incluindo um penálti, ao ser derrubado claramente em zona proibida. Por excesso de pressão ou défice de confiança, o astro madeirense rematou ao poste, gorando-se assim a melhor oportunidade portuguesa de todo o jogo. Já antes, aos 29', Nani cabeceara à madeira. De nada valeu, portanto, Portugal ter sido seis vezes mais rematador do que a equipa adversária, que aliás denotou sempre muitas fragilidade na manobra ofensiva.»

Melhor português: William Carvalho.

Observações adicionais:

«É verdade que o meio-campo português esteve mais dinâmico do que no desafio anterior. Para isso muito contribuiu a troca do apático Danilo por William Carvalho, que esticou sempre o jogo com os seus passes longos, permitindo à selecção nacional ganhar vários metros de terreno.»

«Percebe-se mal a reiterada aposta do seleccionador num João Moutinho sem dinâmica no miolo do terreno.»

«Para quê fazer entrar Rafa aos 89', quando o desfecho da partida já estava anunciado?»

Sonho de uma noite de Verão

Amigos, a vitória sobre a França fez nascer um penacho em cada cabeça e esporas em cada calcanhar. O português anda por aí com ares de combatente da Guerra Peninsular. O vento da história sopra-nos na cara. Somos uma nação de 10 milhões de almas erectas como lanças. Mas venhamos e convenhamos: o triunfo sobre os gauleses merece toda essa euforia.

Aliás, este campeonato europeu dá um argumento para um belíssimo filme onde o futebol é um frívolo pretexto. A modéstia do resultado na final não obscurece uma multiplicidade de coisas: determinação, resistência, perversidade, paixão e drama, muito drama. Hello Hollywood, anyone out there?

Daqui a uns anos a pergunta clássica será “onde estavas a 10 de Julho de 2016?”. Sendo uma mulher de fé – anos de sportinguista cinzelaram-na tornando-a inabalável – decidi ver a final acompanhada. Ou melhor, muito bem acompanhada por cerca de dez mil pessoas no Parque de Santa Catarina no Funchal. Arrepiante. Queria assistir à consagração de Ronaldo no Stade de France na ilha que o viu nascer. Dores partilhadas doem menos e alegrias valem mais.

Armada com a camisola da selecção, cachecol, bandeira, canto a plenos pulmões aos heróis do mar e do estádio “que hão-de levar-te à vitória”. Ao meu lado a minha filha adolescente limpa discretamente uma lágrima. O começo de qualquer partida de futebol é uma janela aberta para o infinito. E a essência do futebol, o que o torna fascinante, é a possibilidade. Aos oito minutos o capitão português cai, derrubado pela perfídia de Payet e no estádio ecoam assobios dos adeptos franceses. Muitíssimas vezes Ronaldo é estátua e, muitíssimas vezes, é vaia. O destino dos divinos.

Atrás de mim um pré-adolescente diz, com o delicioso sotaque madeirense, “se ganharmos este jogo faço uma tatuagem do Ronaldo. Estou disposto a tudo”. Ronaldo volta ao campo. E os franceses repetem os assobios infames. Talvez devessem aprender alguma coisa com os fans irlandeses ou islandeses. Ronaldo sai de campo banhado em lágrimas. Aplausos em pé no Funchal, o Stade de France levanta-se como mar encrespado.

“Vamos embora, não aguento mais”, suplica-me a minha filha. “Não”, respondi,” nunca se abandona uma batalha a meio. Podemos perdê-la, porém nunca por falta de comparência”. Olha-me como se lhe dissesse que ia saltar de wingsuit do Cabo Girão, mas está habituada à loucura da mãe.

No campo as caravelas portuguesas enfrentam mar adverso. Rui Patrício de “grandíssima estatura” na defesa inspira aos franceses mais temor que o gigante Adamastor, guardião do Cabo da Boa Esperança. A equipa, movida a raiva, tece o mais que humano feito e aos cento e dez minutos um filho da Guiné, meu país natal e meu chão, remata arrastando consigo uma nação espalhada pelos cinco continentes. Éder marcou contra os franceses num verdadeiro milagre do futebol. Vejam vocês a ironia da vida e do futebol, talvez o mais contestado jogador do onze transforma-se num triunfador.

No Parque de Santa Catarina e em qualquer pedaço de terra onde bata um coração português grita-se num uníssono canto de esperança goloooooooooooooooooo. A Matilde filma, coloca fotografias no Instagram, atualiza o status no Facebook, recebe os parabéns das amigas alemãs, polacas, russas e não se volta a sentar. Nem ela, nem ninguém naquele Parque. Os minutos passam dolorosamente. Está quase, está quase, está quase. Prrrrrrrrrrrriiiiiiiiiiiiiiiii.

Campeões, campeões, campeões nós somos campeões. Quero lá saber de técnica, de futebol bonito. A vitória foi perfeita e irretocável. O futebol português conquistou em Paris o maior feito da sua história. Éder, o patinho feio, foi o herói de uma equipa guerreira que derrotou a anfitriã e favorita França no prolongamento. Cristiano Ronaldo, o capitão-treinador-motivador - adepto sofredor, ergueu o troféu por nós. Concretizou um sonho mais que merecido e fez-nos aportar no porto de todas as esperanças.

Esperei 44 anos pelo sonho desta noite de Verão. E por aquele momento de poder demonstrar à minha filha que por mais táctico, ensaiado, treinado que esteja o futebol ele é como a vida, nunca está livre do imponderável, nem da poesia. A seguir fomos buzinar para a Avenida do Mar que a “gente trabalha o ano inteiro por um momento de sonho”.

 

PS - Obrigada ao Nelson Rodrigues, o melhor cronista de futebol de todos os tempos e que me ensinou a amar este desporto.

Manuel José e o "fascínio" das derrotas

Mesmo com a Taça da Europa já conquistada e exibida em Portugal, e com largos milhares de pessoas apoiando a selecção nas ruas das mais diversas cidades mundiais, de Paris a Díli, não passa um só dia sem que as carpideiras de turno surjam nas pantalhas a bramir contra o "futebol feio" praticado pela equipa das quinas no Euro 2016.

Curiosamente, nenhuma dessas carpideiras nos indica qual terá sido o "futebol lindo" observado nos estádios franceses que sirva de modelo a Portugal.

Era bom que elucidassem gente como eu.

 

Na primeira linha dos disparos, o que não é inédito, figura um técnico de futebol: Manuel José.

Há pouco mais de 24 horas, na RTP 3, o português que chegou a brilhar no campeonato egípcio ultrapassou tudo quanto já dissera antes, proferindo esta declaração: "Dizem que jogámos futebol [no Euro 2016], não jogámos à bola. Então eu prefiro que se jogue à bola. Porque no fundo o que o povo quer é isso: ganharmos com qualidade. Se temos qualidade não podemos jogar um futebol medíocre. Quanto melhor jogarmos, aumentam as possibilidades de podermos ganhar. De vez em quando não ganhamos, mas isso é o fascínio que o futebol tem."

 

Admiro a ousadia destes comentadores que falam em nome do "povo", como Manuel José agora fez. Ignoro quem o mandatou como porta-voz dos portugueses, mas declaro desde já que não lhe passei procuração para falar por mim.

Eu, ao contrário dele, não sinto o menor "fascínio" em perder. Foi isso que sucedeu nos campeonatos da Europa durante mais de meio século: fomos perdendo sempre. Ou porque não atingíamos a qualificação para a fase final ou porque sucumbíamos à beira do fim, quase a atingir o objectivo.

Ao contrário do que sucedeu agora. Fascinante, para mim, é ganhar.

 

Quanto ao "futebol medíocre" a que alude Manuel José, lamento desiludi-lo, mas a UEFA não partilha da opinião dele.

Se partilhasse, não teria incluído dois golos portugueses nos cinco que seleccionou com vista à votação em linha que decorre para eleger o melhor do torneio: o de Cristiano Ronaldo contra o País de Gales e o de Éder contra a França.

Presumo que nenhum deles merecerá o voto de Manuel José. Mas garanto-lhe que é retribuído: eu também não votaria nele para seleccionador nacional.

Balanço do Euro 2016 (1)

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O que fui escrevendo aqui sobre a campanha vitoriosa de Portugal no Campeonato da Europa de Futebol:

 

14 de Junho: Portugal-Islândia (1-1). «Frente à modestíssima Islândia, que se estreia num Campeonato da Europa, a selecção das quinas não conseguiu melhor do que um empate longe de quase todas as previsões. Jogando num ritmo lento, denunciado, previsível, sem automatismos, deixámos os islandeses dominar em largos minutos da segunda parte apesar de termos terminado o encontro com 66% de posse de bola. Com um Ronaldo apático, um Danilo ineficaz e um Moutinho que mal se viu.

Marcador do golo português: Nani.

Melhor português: Nani.

Observações adicionais:

«Se compararmos com 2004, em que perdemos o jogo inaugural frente à Grécia, e com 2012, em que saímos derrotados pela Alemanha na primeira partida, até conseguimos fazer melhor.»

«Vieirinha, Danilo e Moutinho foram os piores da selecção nacional. Mas é fácil substituí-los. Devem jogar os que estão em melhores condições - a regra é esta.»

«Insistir em Moutinho como titular é um erro grosseiro.»

«Ronaldo, com mais de 50 jogos de alta rotação nesta temporada, encontra-se longe da melhor forma física, como ontem ficou evidente. Ainda assim fez o melhor cruzamento do jogo.»

 

Ruipatricismo

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Todos os jogos que valem um título com o tempo acabam dando a volta, de modo que o fim se torna o começo, e vice-versa. Que ninguém duvide de que dentro de alguns anos, talvez décadas, quando um bebé actual se interessar por futebol e se interessar naquilo que aconteceu nesse verão distante de 2016, a primeira coisa que encontrará no Google será a foto de um punhado de eufóricos jogadores portugueses, levantando a taça, no palco de Saint-Denis. E aí, se ele quiser, pode experimentar tirar as suas próprias conclusões, num ensaio absurdo, mas por certo maravilhoso. Quem terá marcado mais golos? Quem terá sido o artista? Será que algum foi expulso nos últimos minutos? "Ao olhar para aquele careca eu diria" ...

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... Mas de volta para a foto de Portugal triunfante. Dela podem tirar-se várias ilações que, por mais que não se tenha seguido a final, não andarão longe da realidade. Ronaldo aparece no centro com o troféu na mão, uma veia saliente no pescoço, do tamanho de um tubo de uma fábrica de produtos químicos e uma ligadura castanha que cobre todo o joelho esquerdo.  Waterloo?  Vietname?  Aceitam-se apostas. O que é certo é que ele terá superado uma batalha dura e difícil e recuperou o seu lugar no centro do plantel para proclamar a sua vitória. Poucos metros à direita, também chama a atenção o rosto de João Mário, cuja felicidade se manifesta em várias rugas que chegam a cobrir-lhe as pálpebras. Mas por entre as dobras daquela pele "cubana" não se esconde apenas um triunfo nacional:  Ali está espelhada uma exibição individual do cara... que se reflete em muitas ofertas de contratos com muitos zeros a cair no seu mail. E se continuarmos nessa direção e a dirigir os olhos para o canto, deparamo-nos com a figura de Éder, que longe de se preocupar com a sua pose, faz uma selfie e é só sorrisos, consciente da sua singularidade. "Olha, mãe, sou eu. Sou eu e consegui, "coño". Fui eu que marquei!"

E será assim com todos. Bruno Alves, Quaresma, Pepe, Moutinho, André Gomes ... os jogadores de Fernando Santos foram congelados pelos flashes no momento certo, e as suas aparências e gestos contêm histórias com um pouco do esforço que qualquer um poderia adivinhar. O desfile de rostos, no entanto, está incompleto. Essa falta poderia ser irrelevante. Poderia não ser importante. Poderia por absurdo, ser uma trivialidade.

Mas é Rui Patricio que lá não está. E isso, no resumo daquela gesta, é uma ofensa grave, uma atrocidade. Demasiado afastado, na ponta do "pelotão" de campeões, o guarda-redes luso não ficou na "chapa" da grande maioria dos fotógrafos que cobriam o evento, deixando um buraco irreparável nos seus instantâneos.

Com essa decisão de se postar na ponta "esquecida", deixando todo o destaque para o resto do balneário, quedando-se na bruma das celebrações, o "porteiro" tinha apenas acabado de se apresentar à sociedade. Assistimos ao baptismo de um herói diferente. O ruipatricismo, em última análise. Essa corrente filosófica que nos marcará de agora em diante cada vez que alguém nos perguntar o que aconteceu naquele verão distante de 2016. Em primeiro lugar teremos que olhar bem para a fotografia. E, em seguida, falar sobre Rui Patrício. Pelo menos durante meia hora.

 

 

Com a devida vénia, daqui, com tradução minha, o que não é sinónimo qualidade. :)

Perdoem-me a piroseira de um post dirigido a alguém na segunda pessoa

Em 2004 choraste, e eu, que nunca chorei com a selecção, tive vontade de chorar contigo. "É tão menininho..." pensava, dizia. Nunca te deixei, segui-te sempre, quis saber sempre mais, ver mais. Saber onde podias chegar. Ano após ano.

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Ontem, quando te vi no chão e depois em lágrimas, pensei "não chores. Não chores, que também choro". Voltaste, porque és o maior e não desistes à primeira, não desististe em 12 anos, nunca viraste a cara a tanta ingratidão que se viu e ouviu, não sei quantos teriam essa capacidade, mas tu tens.

Não deu para continuares, e vieram as lágrimas novamente. Porque vives para todos os jogos, mas aqui entre nós, uma final é uma final, e detestas não estar presente.

Depois o momento de um verdadeiro capitão. E deixa-me dizer já aqui que muitas vezes eu disse: "ser capitão é uma pressão de que ele não precisa", e hoje sei por que nunca deixaste de o ser. Cresceste, amadureceste, sabes ser capitão nos momentos cruciais. Quem me conhece sabe como gosto do capitão da Itália e - detesto admitir isto - vê-lo de costas nos penalties dos colegas, quando se apregoavam um grupo unido, custou-me. Podem ser superstições, crendices, pode ter sido para não dar um grito ao Zaza, mas esse gesto ficou-me. No prolongamento vieste dar ânimo a todos, dentro e fora de campo. Abraços, gritos ou sussurros, o capitão estava ali com eles. O mimado, o birrento (atenção, adoro essas pequenas birras), estava ali a dar de si aos restantes.

Mais lágrimas no golo do Éder. És maravilhoso quando choras de alegria. És o maior, o melhor do mundo mesmo a chorar,quero lá saber. Chorei contigo antes, chorei contigo agora.

Quando levantaste a taça, senti as lágrimas chegarem. Talvez por tudo o que ouvi e li de 2004 para cá, em cada europeu e mundial, sempre a mesma conversa, sempre os mesmos argumentos idiotas e ressabiados. Ou talvez me tenha voltado simplesmente a emocionar com Portugal.

Doze anos, esperei 12 anos para te ver ali, assim. E vi. És o maior, meu  ric'menine.

Algumas notas sobre a vitória da Selecção Nacional em Paris

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A nossa vitória não resulta de um acto ou personalidade genial mas foi-o duma determinação individual incomensurável e dum enorme espírito colectivo dum grupo bem liderado. Uma bela parábola para os portugueses.

 

Para aqueles que tinham dúvidas, Rui Patrício confirmou que é um guarda-redes ao nível dos melhores do mundo.

 

Ainda a tempo o seleccionador percebeu a vantagem de utilizar William Carvalho, Adrien Silva e João Mário, um trio que apesar de não ter revelado a habitual eficácia atacante conferiu uma robustez e fiabilidade de movimentos ao meio-campo português. 

 

Fernando Santos revelou-se um verdadeiro líder: sóbrio, discreto e corajoso, conseguiu unir a sua equipa não à sua volta, mas alinhada na sua estratégia e focada no objectivo da vitória. Um homem com uma fé inabalável.

 

Payet, a estrela francesa que prometia ser a revelação deste campeonato europeu, conseguiu o seu maior momento de glória aos oito minutos da final em Paris ao lesionar Cristiano Ronaldo que assim se viu impedido de jogar o jogo da sua vida. O resultado foi o reforço da tenacidade dos seus companheiros. 

 

Receio que a qualidade da prestação dos jogadores do Sporting neste torneio resulte num assédio que desestabilize as suas merecidas férias e prejudique a preparação da equipa. Tudo por um bem maior.

 

Desde a fundação de Portugal que a Mãe de Jesus é chamada a apadrinhar os mais nobres feitos nacionais - os outros não. Um sinal de que este País apesar de tudo resiste como um local aprazível.  

 

Uma vitória destas vive-se uma vez na vida, ficará gravada na história do futebol e os seus heróis serão celebrados pelos nossos netos e bisnetos. Festejemos hoje e tomemos o seu exemplo, para regressarmos aos nossos afazeres com mais entrega e determinação. Portugal pode ser muito mais. 

Não foi um sonho

Portugal acordou sem voz, pés doridos e poucas horas de sono. Só olhando para os quiosques tivemos a certeza de que não tínhamos sonhado. Pela primeira vez na história, conquistamos um título de séniores. Vencemos o campeonato na Europa no Estádio Nacional de França, contra a equipa da casa, que em 1984, 2000 e 2006 foi a nossa “besta negra”. Fizemo-lo com um golo de Éder, saco de pancada das redes sociais anos a fio e que ontem, com um belo pontapé, nos fez sonhar. Curiosame...nte, a glória não chegou com Eusébio, Torres, Coluna, Simões, Futre, Rui Costa ou Figo nem sequer com uma equipa que jogou futebol bonito. Chegou com uma equipa que teve num brasileiro veterano a sua figura, seguido de um miúdo de 18 anos. Ronaldo, o capitão, até marcou três golões mas não esteve ao seu melhor nível. Na final, nem esteve em campo na maior parte do tempo, por culpa de um joelho alheio. Mas chorou. Primeiro de tristeza como em 2004 e depois de alegria como nunca.

Fez-se história, das mãos do Patrício até aos pés de Éder. Passando e muito pela persistência de Fernando Santos. Eu não acreditei desde o inicio. Mas mordi a língua e festejei. Hoje, haja café.

 

PS: O que conta é a seleção mas ver quatro jogdores do Sporting e oito da sua formação no onze campeão europeu é um grande orgulho.

Nostradamus Oliveira, uma profecia no És a nossa Fé

No És a nossa Fé sempre acreditámos, alguns de nós sempre acreditaram e a bem da verdade eu não me incluo nesses.

Mas este foi, provavelmente, o único "blog" no mundo a prever o que aconteceu ontem, cá fica um extracto desse diálogo, datado de 2016.07.07:

SportingSempreÉ a melhor final que poderia ser. Temos condições para ganhar, o melhor jogador do mundo está do nosso lado, do lado deles apenas um descendente de portugueses me enche as medidas.
Que pena não estar deste lado. Vamos a isso Portugal.

Pedro OliveiraNem mais. Só discordamos num pormenor, quem tem Ederzito não precisa de Griezmann para nada.

Voilá

A ver o Europeu (15)

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10 de Julho de 2016: nunca mais nos esqueceremos desta data. Portugal chegou onde muito poucos previam, contrariando todos os profetas da desgraça: somos enfim campeões da Europa. O nosso maior troféu de sempre no futebol sénior a nível de selecções. Um troféu com que vários de nós sonhávamos há décadas.

Foi com indescritível alegria que vi o nosso capitão Cristiano Ronaldo acabar de erguer o troféu conquistado com tanto suor e tanto sofrimento pela selecção nacional no Stade de France, silenciando a arrogância, a pesporrência e o chauvinismo gaulês.

 

É uma vitória de Portugal, sim. Mas é antes de mais nada a vitória de um grupo de trabalho muito bem comandado por um homem -  Fernando Santos - que revelou ambição desde o primeiro instante e soube incuti-la na selecção, que jogou unida como raras vezes a vimos, com uma maturidade táctica inegável e um ânimo que não claudicou quando Cristiano Ronaldo se lesionou hoje gravemente num embate com Payet, iam decorridos apenas 8', e deixou de poder dar o seu contributo para esta final, acabando por ser rendido aos 25'.

As lágrimas que lhe caíam pelo rosto enquanto era retirado em maca farão parte a partir de agora da inapagável iconografia do desporto-rei.

 

Com ele em campo tudo teria sido mais fácil. Mas assim provámos à Europa do futebol - e a alguns comentadores portugueses que nunca deixaram de denegrir a selecção durante toda esta campanha europeia - que a equipa das quinas não é só "o clube do Ronaldo". É muito mais que isso. É uma equipa madura, sólida, solidária. Capaz de chegar mais longe do que qualquer outra.

Que o digam os jogadores franceses, que hoje enfrentaram Rui Patrício - para mim o herói do jogo, naquela que foi talvez a melhor exibição da sua carreira como guarda-redes da selecção. E uma dupla imbatível de centrais formada por Pepe e José Fonte. E o melhor lateral esquerdo deste Europeu, Raphael Guerreiro, que disparou um petardo à barra da baliza de Lloris aos 108', naquilo que já era um prenúncio do golo português. E um Cédric combativo, que nunca virou a cara à luta. E um William Carvalho que funcionou como primeiro baluarte do nosso dique defensivo. E um João Mário com vocação para brilhar nos melhores palcos europeus. E um Nani que nunca deixou de puxar os colegas para a frente. E um Éder que funcionou afinal como a mais inesperada arma secreta da selecção nacional, marcando aos 109' o golo que levou a França ao tapete e nos poupou ao sofrimento acrescido das grandes penalidades que já muitos antevíamos.

 

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Dirão alguns que tivemos sorte, que jogámos feio e jogámos mal: porque haveriam de mudar agora o discurso se não disseram outra coisa durante mais de um mês?

Mas é claramente injusto reduzir a estas palavras e estes rótulos um trabalho iniciado há quase dois anos e que já com Fernando Santos ao leme da selecção registou 14 jogos oficiais - com dez vitórias e quatro empates. Não perdemos uma só partida nesta fase final do Europeu, em que eliminámos a Croácia (uma das selecções apontadas como favoritas antes do torneio), o País de Gales (equipa sensação durante dois terços da prova) e a campeoníssima França, anfitriã e principal candidata à vitória desde o apito inicial do Euro 2016.

Todos os obstáculos foram superados. No momento em que Cristiano Ronaldo ergueu a Taça da Europa perante largos milhares de portugueses em delírio nas bancadas do estádio, estavam vingadas todas as outras vezes em que jogámos bem, jogámos bonito - e regressámos a casa sem troféu algum.

Esse tempo acabou de vez.

 

Ficaram hoje também vingadas as nossas derrotas nas meias-finais do Europeu de 1984 e do Euro 2000, e o nosso afastamento do Mundial de 2006, igualmente nas meias-finais. Sempre contra a França. As tradições existem muitas vezes para isto mesmo: para serem quebradas.

O momento é de celebração nacional, com o campeão europeu mais velho de sempre (Ricardo Carvalho) e o mais novo de sempre (Renato Sanches). Enquanto escrevo estas linhas escuto uma sinfonia de buzinas na avenida onde moro e gente a gritar "Nós somos campeões!"

Muitos dos que buzinam e gritam nem se lembraram de pôr este ano bandeirinhas à janela e não deixaram de lançar farpas sarcásticas ao seleccionador, descrentes das nossas possibilidades de vitória. Nada como um triunfo desportivo para apagar memórias e congregar multidões.

Atenção, porém: ninguém merece tanto celebrar como Fernando Santos e os nossos jogadores. Sim, esta vitória é um pouco de todos nós. Mas é sobretudo deles.

 

Portugal, 1 - França, 0

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