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És a nossa Fé!

Há muitos anos, era eu grande fã de Luis Figo

 em Alvalade, tinha discussões na Superior Sul com outros sócios, sobre a sua performance.

- Só pensa no penteado!

- Passa o tempo no chão!

- Ele quer é saber do cabelo! 

E eu que não fossem parvos, que vissem mais que isso, que chatos e velhos do Restelo-mas-em-Alvalade. 

O Sporting não ganhava, e lá vinha o cabelo do Figo à conversa. É facto (e pena) que Figo não foi campeão no Sporting, mas a culpa não foi certamente do cabelo.

Não mudámos muito. Só que hoje, em vez de cabelo, são os cães de um, o restaurante de outro, no instagram. Divido-me. Os rapazes têm direito às suas redes sociais, oficiais ou não, têm direito a divulgar os seus projectos e tempos livres. Se acho que podia haver algum recato, ou demonstração de insatisfação? Acho, percebo perfeitamente que custe passar um domingo a pensar que perdemos 1-3 com o Belenenses, e vê-los (aparentemente) de ânimo leve partilhar as suas vidas tranquilas.

Mas assim como não temos nada a ver com a vida pessoal do presidente - não tenho mesmo, quero não saber nada disso se puder - podemos não ver estas partilhas. Há um botão de unfollow ao alcance de cada indignado. 

Eu cá divirto-me bastante com os videos do Francisco Geraldes. E mesmo com os cães do William. E distingo isso do que possam demonstrar pelo Sporting. 

Esta coisa estranha de não ir a Alvalade

Parece que perdi um belo jogo e uma bela exibição dos nossos rapazes.

Perdi um golaço de Bruno César e mais três, pelo que vi ainda há pouco num resumo na TV.

Perdi o entusiasmo de mais de 40 mil nas bancadas.

Apesar da falta ter sido por uma razão po(n)derosa, fica um sentimento estranho, que obriga a olhar para o telefone quase de minuto a minuto, não confiando no sinal sonoro que me avisa dos golos.

Outra destas e dá-me uma coisinha má.

Quando as bancadas estavam vazias

Ontem assinalei aqui as cinco maiores assistências registadas no nosso estádio - quatro das quais já com Jorge Jesus no comando técnico da equipa.

Hoje, em complemento, lembro qual foi o número mais baixo de espectadores em Alvalade: aconteceu no jogo Sporting-Varzim, na quarta jornada da Taça de Portugal, a 26 de Outubro de 2005, com apenas 6112 adeptos nas bancadas. Filipe Soares Franco liderava o clube e a equipa era treinada por Paulo Bento. Vitória leonina por 2-0, com golos de Miguel Garcia e Liedson.

Para o campeonato, o pior registo ocorreu a 5 de Janeiro de 2013, num Sporting-Paços de Ferreira: apenas 6157 resistentes acorreram ao estádio. Numa altura em que o presidente era Godinho Lopes e o comando técnico fora confiado ao belga Franky Vercauteren, aliás despedido na sequência desse encontro, que terminou em derrota (0-1).

Outros tempos, outros números. Por vezes convém avivar memórias.

Cada vez mais a ver Jesus

Quatro das cinco maiores assistências de sempre no actual estádio José Alvalade, proporcionando as nossas melhores receitas de bilheteira, registaram-se já com Jorge Jesus no comando técnico do Sporting. As contas, hoje divulgadas pelo jornal A Bola, não deixam lugar a dúvidas: os 50.046 espectadores na recepção ao Real Madrid desta terça-feira estabeleceram um novo máximo, ultrapassando os 49.992 ingressos no dia da inauguração, a 6 de Agosto de 2003.

Neste top five incluem-se o Sporting-Benfica (49.699) do último campeonato e os dois mais recentes clássicos Sporting-FC Porto, ocorridos a 2 de Janeiro (49.382) e 28 de Agosto (49.399).

Faltou uma homenagem a Moniz Pereira

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 Mário Moniz Pereira com Carlos Lopes em Janeiro de 1976: seis meses depois, o segundo conquistaria a primeira medalha olímpica de atletismo para Portugal

 

Mário Moniz Pereira foi um dos raros portugueses de excepção que tiveram o privilégio de ser homenageados várias vezes em vida: Medalha de Mérito Desportivo, Comenda da Ordem do Infante D. Henrique, Comenda da Ordem da Instrução Pública, Medalha de Mérito em Ouro, Ordem Olímpica, Leão de Ouro com Palma, Grande Oficial da Ordem do Infante. Ao contrário do que é costume nas sociedades latinas em geral e na portuguesa em particular, mais dadas à veneração dos mortos.

Nós próprios, à nossa modesta escala, várias vezes o mencionámos no És a Nossa Fé e nunca deixámos passar, por exemplo, um seu aniversário sem a devida e merecida menção. Basta clicar na etiqueta moniz pereira para confirmar isso.

 

Foi também o melhor representante da cultura leonina, pelo ecletismo de que sempre deu provas no seu  percurso pessoal enquanto praticante de ginástica, futebol, andebol, basquetebol, ténis, ténis de mesa, hóquei em patins, natação, tiro, equitação e esgrima.

Onde mais se distinguiu foi no voleibol, tendo sido duas vezes campeão nacional (1953/54 e 1955/56), a última também como treinador. E acima de tudo no atletismo, começando pelo título de campeão universitário de Portugal no triplo salto: aqui, como treinador e dirigente com o pelouro das modalidades, conquistou tudo quanto havia para conquistar: provas e campeonatos no plano nacional, europeu, mundial e olímpico. Com destaque para a primeira medalha de ouro portuguesa em Olimpíadas, obtida por Carlos Lopes em Los Angeles, na inesquecível madrugada de 13 de Agosto de 1984, quando nenhum português conseguiu dormir.

 

Mas na hora da despedida do Senhor Atletismo, ilustre sócio n.º 2 do Sporting Clube de Portugal, conclui-se com tristeza que faltou a homenagem que ele mais desejaria: o regresso da pista de atletismo ao estádio do nosso clube.

Pista que o pioneiro Estádio José Alvalade orgulhosamente possuía e foi utilizada por milhares de atletas - em benefício da instituição leonina e do desporto português. Pista que a partir de 1979 passou a ser de tartan, por insistente reivindicação de Moniz Pereira, no rescaldo da medalha de prata obtida na prova dos 10.000 metros dos Jogos Olímpicos de Montreal por Carlos Lopes, o mais brilhante dos seus pupilos. Pista que se perdeu em 2003: o projecto encomendado a Tomás Taveira - só virado para o futebol, esquecendo o ecletismo que é marca distintiva do Sporting - não a contemplava. Nem foi possível reparar o erro, apesar de o custo final do novo estádio ter excedido em 75% o montante inicialmente estipulado.

De todas as homenagens, esta teria sido a que ele preferiria. Foi a única que ficou por concretizar.

Não apreciei de todo...

... Que só a 45 minutos do início do jogo tenham aberto as portas do estádio. Cheguei cedo mas acabei por me sentar no meu lugar quase à hora do jogo muito por causa das filas e das tão costumadas revistas. Não sei de quem foi a culpa desta situação ou se são os regulamentos da Liga que impõem esta regra, mas que não gostei isso é certo.

Um impressionante testemunho em primeira mão

«Eu estive lá, no local do acontecimento, isto é, no sector do Estádio (A13) bombardeado pelas tochas, petardos, cadeiras, isqueiros... basicamente tudo o que dava para ser arremessado a partir da bancada B, onde se encontravam os adeptos do Benfica. A minha "sorte" foi estar sentado mais acima, numa fila já coberta pela bancada B. Assim, apenas tive o “privilégio” de ver tudo ali a acontecer, 20 metros à minha frente.

(...)

- Não é folclore ver uma multidão em debandada, para fugir à chuva de objectos perigosos e que colocavam a sua integridade física em causa;

- Não é folclore ver crianças a chorar de terror durante e após a fuga;

- Não é folclore ver um grupo de miúdas adolescentes agarradas entre si e a tremer de pânico;

- Não é folclore ver dois jovens de 20 anos levar bastonadas da PSP, apenas porque se enganaram na porta de saída das bancadas para as escadarias, desconhecendo que essa saída tinha ligação para o sector onde se encontravam as claques do Benfica;

- Não é folclore ouvir, já fora do Estádio, pessoas ao telefone a acalmar os familiares com promessas de ser a última vez que vai ao futebol.»

 

Virgílio, no blogue A Norte de Alvalade

Crime?

Ainda não tinha visto as pormenorizadas imagens que o Edmundo Gonçalves publica aqui. Já no estádio o acontecimento pareceu brutal e teve resposta pronta da polícia de intervenção. Havia muitas crianças nas bancadas, mas por um bambúrrio de sorte nenhuma foi atingida. Perguntaria aos senhores juristas se isto não configura uma tentativa de homicídio? Há precedente, não há? 

 

Quero mais jogos a meio da tarde

Quero mais jogos a meio da tarde e porque quero, hoje levo os Leões do futuro comigo. Bom, pelo menos parte deles :-)
Rumo a Alvalade no dia dos núcleos e das famílias com um adversário que já vai sendo habitual encontrarmos neste dia.

O jogo e o que se passa em torno dele pode acompanhar-se também no twitter com as hashtags: #DiadeSporting #SportingCP

Bom jogo!

{ Blog fundado em 2012. }

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