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És a nossa Fé!

No tempo dos mitos - Júlio Fernandes

Concentrado e de poucas palavras todos o tratávamos por Sr. Júlio. Com Pedro de Almeida (que só voltaria de Angola depois do 25 de Abril), Manuel de Oliveira, Valentim Baptista e Lídia Faria eram pouco menos que semi-deuses entre nós, uns chavalitos.

Isto numa era mesosóica, anterior ao Fosbury flop.

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Faltou uma homenagem a Moniz Pereira

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 Mário Moniz Pereira com Carlos Lopes em Janeiro de 1976: seis meses depois, o segundo conquistaria a primeira medalha olímpica de atletismo para Portugal

 

Mário Moniz Pereira foi um dos raros portugueses de excepção que tiveram o privilégio de ser homenageados várias vezes em vida: Medalha de Mérito Desportivo, Comenda da Ordem do Infante D. Henrique, Comenda da Ordem da Instrução Pública, Medalha de Mérito em Ouro, Ordem Olímpica, Leão de Ouro com Palma, Grande Oficial da Ordem do Infante. Ao contrário do que é costume nas sociedades latinas em geral e na portuguesa em particular, mais dadas à veneração dos mortos.

Nós próprios, à nossa modesta escala, várias vezes o mencionámos no És a Nossa Fé e nunca deixámos passar, por exemplo, um seu aniversário sem a devida e merecida menção. Basta clicar na etiqueta moniz pereira para confirmar isso.

 

Foi também o melhor representante da cultura leonina, pelo ecletismo de que sempre deu provas no seu  percurso pessoal enquanto praticante de ginástica, futebol, andebol, basquetebol, ténis, ténis de mesa, hóquei em patins, natação, tiro, equitação e esgrima.

Onde mais se distinguiu foi no voleibol, tendo sido duas vezes campeão nacional (1953/54 e 1955/56), a última também como treinador. E acima de tudo no atletismo, começando pelo título de campeão universitário de Portugal no triplo salto: aqui, como treinador e dirigente com o pelouro das modalidades, conquistou tudo quanto havia para conquistar: provas e campeonatos no plano nacional, europeu, mundial e olímpico. Com destaque para a primeira medalha de ouro portuguesa em Olimpíadas, obtida por Carlos Lopes em Los Angeles, na inesquecível madrugada de 13 de Agosto de 1984, quando nenhum português conseguiu dormir.

 

Mas na hora da despedida do Senhor Atletismo, ilustre sócio n.º 2 do Sporting Clube de Portugal, conclui-se com tristeza que faltou a homenagem que ele mais desejaria: o regresso da pista de atletismo ao estádio do nosso clube.

Pista que o pioneiro Estádio José Alvalade orgulhosamente possuía e foi utilizada por milhares de atletas - em benefício da instituição leonina e do desporto português. Pista que a partir de 1979 passou a ser de tartan, por insistente reivindicação de Moniz Pereira, no rescaldo da medalha de prata obtida na prova dos 10.000 metros dos Jogos Olímpicos de Montreal por Carlos Lopes, o mais brilhante dos seus pupilos. Pista que se perdeu em 2003: o projecto encomendado a Tomás Taveira - só virado para o futebol, esquecendo o ecletismo que é marca distintiva do Sporting - não a contemplava. Nem foi possível reparar o erro, apesar de o custo final do novo estádio ter excedido em 75% o montante inicialmente estipulado.

De todas as homenagens, esta teria sido a que ele preferiria. Foi a única que ficou por concretizar.

Ascensão meteórica? Pergunta ao Andy Weir, pá!

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Não sei se a imagem ficou muito perceptível, mas a ideia é conseguirmos ler ali em cima: "ascensão meteórica".

Ok, conseguimos ler, verdade?

Qual o contexto da coisa?

É aqui que me socorro da p. 32 (o meu número preferido da NBA, o número de Magic Johnson e de Kevin McHale) d' A Bola d' hoje; a frase: "Equipa feminina do Sporting protagonista de ascensão meteórica" está sobre a fotografia mas o título da notícia diz: "Leoas dão salto enorme até à Liga".

Pergunto, António Barros (que assina a coisa) saberá o que significa "ascensão"?

Saberá o que significa "meteórica"?

Ascensão = Acto ou efeito de ascender. = ASCENSO, ELEVAÇÃO, SUBIDA

2. [Figurado]  Estado do que está a subir ou a elevar-se.

3. Passagem a posição ou cargo superior. = PROMOÇÃO

"ascensão", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/ascens%C3%A3o [consultado em 23-06-2015].

 Meteórica=relativo a meteoro=

1. [Astronomia]  Fenómeno atmosférico, em geral (ex.: uma chuva, uma aurora boreal, um arco-íris ou um relâmpago são meteoros).

2. [Astronomia]  Fenómeno luminoso provocado pela deslocação de um corpúsculo sólido, quase sempre de pequenas dimensões, tornado incandescente em consequência da fricção nas camadas atmosféricas. = ESTRELA-CADENTE

3. [Figurado]  Pessoa ou coisa que goza de esplendor passageiro.

"meteoro", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/meteoro [consultado em 23-06-2015].
Pronto.
Esta parte técnica é aborrecida mas temos um ponto de partida para debater.
Ascensão e salto são sinónimos, significam subir.
Meteórica significa (salvo melhor interpretação) descer.
Assim, aquilo que A Bola tenta menorizar é um feito brilhante que permitiu às nossas leoas e ao leão Luís Abreu (o treinador) passar da II divisão até à Liga Feminina em, apenas, três anos... tipo o Mafra; estar na Primeira Liga de futebol daqui a duas épocas; é dum feito desse tipo que estamos a falar.
Para A Bola, subiram rápido mas gozam de esplendor passageiro...
É aqui que me socorro do "The Marcian" de Andy Weir e indo, directamente, para a página 366, leio o seguinte:
"Por isso agora em órbitra, Watney tinha uma vista desimpedida de Marte. A superfície do planeta, vermelha e salpicada de crateras parecia estender-se a perder de vista (...) Vai-te foder - disse ele ao planeta vermelho lá em baixo."
Poderia acabar aqui mas o objectivo deste "post" não é puxar as orelhas a um jornalista anglófono, não é publicitar um livro americano; é sim dar os parabéns às nossas meninas e ao nosso "menino", é dar alguma visibilidade a uma modalidade que, também, contribui para sermos o que somos: o Sporting Clube de Portugal; um clube que com Esforço, Dedicação e Devoção conquista a Glória.
 

 

Grandes leoas

O atletismo feminino no Sporting soma e segue. Depois da conquista do título de campeãs nacionais em pista coberta, pela 20ª vez consecutiva, as nossas leoas venceram o título nacional de clubes ao ar livre.

Com destaque para as seguintes atletas:

Dorcas Bazolo - Primeiro lugar nos 100m e nos 200m.

Cátia Azevedo - Primeiro lugar nos 400m.

Joana Costa - Primeiro lugar nos 1500m.

Sara Moreira - Primeiro lugar nos 3000m e nos 5000m.

Vera Santos - Primeiro lugar nos 3000m marcha.

Anabela Neto - Primeiro lugar no salto em altura.

Patrícia Mamona - Primeiro lugar no triplo salto.

Marta Onofre - Primeiro lugar no salto com vara.

Jessica Inchude - Primeiro lugar no lançamento do peso.

Irina Rodrigues - Primeiro lugar no lançamento do disco.

Sílvia Cruz - Primeiro lugar no lançamento do dardo.

Vânia Silva - Primeiro lugar no lançamento do martelo.

Cada vez mais longe

O ecletismo leonino continua vivo e com saúde. Como ficou demonstrado com a subida do Sporting ao pódio na Taça dos Clubes Campeões Europeus em atletismo. Um terceiro lugar colectivo proporcionado sobretudo pelas vitórias de Sara Moreira nos 5000m e nos 3000m, de Patrícia Mamona no triplo salto e de Irina Rodrigues no lançamento do disco.

Leoas que estão de parabéns. São mais velozes e chegam cada vez mais longe.

Desportivismo? O desportivismo é uma treta

 

Quis, justa e merecidamente, homenagear o nóvel campeão europeu do triplo salto indoor.

Desejava igualmente fazer o mesmo à atleta feminina na mesma disciplina, o que infelizmente não foi possível, apesar da boa prestação na final.

À parte os comentários que mandei para o lixo porque sim (e porque sim entenda-se impublicáveis), todos os restantes que foram publicados, com uma honrosa excepção, fizeram tábua rasa do desportivismo inerente ao post, focando-se em assunto que nada tem que ver com Nelson Évora. Escolhendo o acessório, em detrimento do essêncial.

 

Aprenderam todos com o mestre da táctica, certamente.

Parabéns!

Parabéns a Nelson Évora pela brilhante conquista da medalha de ouro no triplo salto, nos europeus de pista coberta.

Estou é um pouco "estranho" com o facto de um atleta poder concorrer pelo seu clube a uma prova de selecções, ou onde os atletas concorrem em representação dos seus países.

É que para alguma comunicação social Nelson Évora concorreu como atleta do Benfica, ao contrário de Patrícia Mamona, atleta do Sporting e na mesma disciplina, já que de um se refere o clube ("o atleta do Benfica conseguiu a medalha de ouro...") e a Patrícia é "a atleta portuguesa..." Tão mesquinhos, previdentes, facciosos, tendenciosos, asquerosos, ranhosos que eles são. Todos!

 

Ainda assim, reitero os parabéns a Nelson Évora. Que repita! Portugal e os portugueses que amam o desporto agradecem. Com foto e tudo:

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Dignidade

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Ai que o homem se zangou em público com a equipa. Ai, coitados dos jogadores que agora vão ficar assim e assado. Ai que o senhor lá do Norte, guru de toda a gestão eficiente do futebol ameaça jogadores, mas tudo em privado e no recato de um qualquer calor da noite. Ai ai. Que dores. Ai ai que as virgens do politicamente correcto ficaram assanhadas. Enfim. Perdemos feio e a mensagem foi clara. Como isto é para gente inteligente, percebe quem quer, quem não quer apanha o próximo comboio. Ou então que vá a correr. E por falar em correr, que grande dignidade mostrou a nossa leoa Sara Moreira em Nova Iorque. Um exemplo.

Elas na história do Sporting (10): Naide Gomes

 

 

Enezenaide do Rosário da Vera Cruz Gomes, conhecida no mundo do desporto como Naide Gomes – ao que se conta, devido, por um lado, às dificuldades de pronunciar o nome e, por outro, ao facto de ele não caber nos marcadores electrónicos - é, sem margem para dúvidas, uma das maiores figuras da hIstória do Sporting Clube de Portugal. Qualquer vista de olhos, por mais distraída que seja, ao seu longo e riquíssimo currículo o confirmará, se é que alguém exige que tal juízo seja corroborado. Quantos atletas, mulheres ou homens, praticantes de atletismo ou de seja que actividade desportiva for, podem apresentar, nos anais do clube, um rol tão extenso de títulos,  vitórias em diversas disciplinas, recordes nacionais, medalhas, internacionalizações, participações em competições internacionais, em jogos olímpicos  e o mais que me estiver a escapar? Muito poucos, certamente.

 

 

A figura de Naide Gomes, no espaço do desporto português, resplandece de tal maneira que me considero dispensado de fazer  uma apresentação desenvolvida do seu palmarés. Mesmo uma enumeração sumariada dos seus triunfos, medalhas e recordes seria demasiado longa para um texto deste tipo, pelo que, como tem sido hábito, remeto os mais interessados para sites especializados na matéria, como este, por exemplo.

 

 

Naide Gomes nasceu em S.Tomé, em representação de cuja selecção esteve presente, entre outras competições, nos Jogos Olímpicos de Sidney, nos Jogos Pan-Africanos, em Joanesburgo, e nos Campeonatos da África Central, nos Camarões, em que ganhou cinco medalhas. Tinha onze anos quando saiu de S.Tomé e já estava perto de fazer dezoito, ainda júnior, portanto, quando veio para o Sporting, onde começou a ser treinada por Abreu Matos. Só relativamente tarde optou definitivamente pelo salto em comprimento, prova que viria a celebrizá-la e na qual obteve os mais importantes triunfos da carreira, não tendo, no entanto, deixado os seus créditos por mãos alheias nalgumas outras disciplinas. Assim, foi, também, campeã nacional de salto em altura e dos 100m barreiras, tanto ao ar livre como em pista coberta. Começou pelas provas combinadas, onde obteve, igualmente, grandes êxitos, em Portugal e no estrangeiro, tendo sido campeã nacional de hepatlo. Em todas estas provas, Naide Gomes foi recordista nacional, ultrapassando marcas que, nalguns casos, já duravam há largos anos, tendo ainda, na companhia de Eva Vital, Sónia Tavares e Carla Tavares, as duas últimas também atletas do Sporting, batido, em 2009, o record nacional dos 4X100m. Mas, foi, de facto, principalmente no salto em comprimento que Naide adquiriu o direito a um lugar de eleição na história do Sporting Clube de Portugal. A partir de 2002, ganhou dezassete títulos nacionais desta disciplina, nove delas em pista coberta. Esta nossa grande atleta levou o máximo nacional até aos 7,12m, tendo-o batido, imagine-se, vinte e oito vezes ( 28, não é engano), catorze delas em pista coberta.

 

Em grandes provas internacionais, Naide Gomes, para abreviar e evitar um post gigantesco, obteve, ao ar livre, dois segundos lugares em campeonatos da Europa, em Gotemburgo, em 2006, e em Barcelona, em 2010, ambos no salto em comprimento, tendo sido quarta classificada no Mundial de Osaca, em 2007, e no de Berlim, em 2009, também no salto em comprimento. Em pista coberta as coisas correram melhor, Naide não foi perseguida pelo azar que a atormentou ao ar livre – nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, por exemplo, falhou a qualificação para a final do salto em comprimento, num ano em que atingira os 7,12m  e em que fora, em Valência, campeã mundial de pista coberta – tendo conseguido dois títulos mundiais, em Budapeste 2004, no pentatlo, e, como já disse, em Valência 2008, e dois europeus, em Madrid 2005 e Birmingham 2007,os últimos três no salto em comprimento. Igualmente nesta disciplina, Naide Gomes foi vice-campeã mundial, em pista coberta, em Moscovo 2006 e em Doha 2010, e segunda classificada no Europeu de Paris, em 2011. Refira-se, ainda, que no pentatlo, em pista coberta, Naide foi também vice-campeã europeia no campeonato de 2002, em Viena.

 

 

Mais longe poderíamos ir se quiséssemos descrever exaustivamente a carreira de Naide, nem mencionei, por exemplo, o facto de ela ter sido vice-campeã mundial universitária em Izmir 2005. Mas, para o efeito, parece-me que basta. Os dados que apresento são mais do que suficientes para a elevar, como me propus, a um lugar de honra na história do Sporting Clube de Portugal. Estou, como é óbvio, a partilhar um sentimento comum a muitos e muitos sportinguistas, como pode concluir-se do facto de ter merecido já 10 Prémios Stromp, um número quase inacreditável.

 

 

Termino hoje esta série de posts sobre  algumas grandes mulheres da vida do nosso clube, algumas mulheres que, permitam que repita o que disse no primeiro texto, dedicado a Lídia Faria, parece, às vezes, estarem a ser esquecidas e que, contudo, desempenharam um papel talvez decisivo  na consolidação e propagação do sportinguismo e contribuíram de forma extraordinária para que muitos e muitos portugueses transmitissem aos seus filhos estes sentimentos e esta cultura desportiva, esta vaidade de ter participado na construção e crescimento de um clube com milhões de adeptos a partir, já lá vão mais de cem anos, da iniciativa de um pequeno núcleo de fundadores.

 

Referi um pequeno número de figuras, tendo eu, certamente, cometido  injustiças com a exclusão de algumas outras. Haverá muitos nomes que poderia ter incluído na série, mas, como avisei no início, não pretendi mais do que mencionar os que me parecessem especialmente relevantes, aqueles que eu considerasse imprescindíveis em qualquer lista deste género. Atendendo à riqueza da história do Sporting, é certo que outros que se dediquem a esta tarefa terão escolhas diferentes, talvez muito diferentes, todas com tão boas razões como as que apresentei. O atletismo foi esmagadoramente representado nesta minha selecção, mas salientei, também, a ginástica e o ténis de mesa, desportos que, muito graças às desportistas cujas carreiras no Sporting me esforcei por pôr em evidência, contribuiram, de forma decisiva, para o ecletismo de que tanto nos orgulhamos. Aqui neste blogue ou em qualquer outro sítio, espero que apareçam outros nomes. Venham eles, que ideias e memórias de grandes cometimentos não hão-de faltar.

 

Elas na história do Sporting (8): Teresa Machado

 

 

Após uma breve incursão no ténis de mesa, na companhia de Madalena Gentil, regressemos ao atletismo e a um dos mais altissonantes nomes dos anais do Sporting Clube de Portugal e deste fabuloso desporto no nosso país:Teresa Machado. Não fora o esmagamento a que o futebol sujeita qualquer outra actividade desportiva em Portugal e escrever um texto sobre esta fantástica atleta seria bem mais exigente, já que obrigaria a um esforço suplementar de pesquisa e a um especial vigor da imaginação. Seria como escrever sobre Luís Figo, Cristiano Ronaldo, Mário Coluna ou Eusébio, saber-se -ia  quase tudo sobre ela e eu seria forçado a procurar estes e aqueles detalhes mais incógnitos ou obscuros.

 

Assim, com a vida facilitada pelo desconhecimento geral de um nome que não está ligado ao futebol - não quero com isto dizer que o mal esteja radicado nos leitores com paciência para a leitura dos textos que tenho escrito para esta  série, ele está, antes, no clima criado, acima de tudo, pela imprensa desportiva, cujos critérios mercantilistas, muito mais do que quaisquer outros, se é que estes existem, trucidam implacavelmente tudo o que escape ao dia a dia em redor do sacrossanto e adorado esférico - basta-me fazer uma resenha dos triunfos e resultados obtidos por esta nossa inacreditável atleta para que qualquer interessado fique, como eu, imediatamente convencido da elementar justiça de a colocar entre as grandes figuras da história do Sporting Clube de Portugal.

 

Teresa Machado veio para o Sporting aos 17 anos de idade, em 1986, ano em que, representando o Galitos - centenário clube e relevantíssima instituição aveirense, em que vale a pena pôr os olhos - foi pela primeira vez campeã nacional de lançamento do disco. Até ao final da sua carreira, foi campeã nacional de peso e disco por cinquenta e três vezes (53!), dezasseis vezes no lançamento do disco, dezoito no do peso e dezanove no do peso em pista coberta. No decurso dos dezassete anos em que representou o Sporting, entre 1986 e 2003 - a excepção foi 1994, ano em que os muitos problemas financeiros que afectaram o clube a levaram a praticar o atletismo ao serviço da Junta de Freguesia de São Jacinto - Teresa Machado conquistou quarenta e quatro títulos nacionais. A lista  das suas vitórias, recordes nacionais e participações em competições internacionais não pode ser minimamente exaustiva num texto deste género. Aconselho, por isso, os mais interessados a recorrerem à WikiSporting, cuja involuntária ajuda muito agradeço, para se porem a par de um historial de tirar a respiração.

 

 

Sem, portanto, querer submeter-me e aos leitores a tarefa tão extenuante, recordo, apenas, que Teresa Machado, além da conquista dos campeonatos nacionais acima referidos, participou nos Jogos Olímpicos de Barcelona, Atlanta, Sidney e Atenas,  em sete Campeonatos do Mundo, em três Campeonatos da Europa, em cinco Campeonatos Ibero-Americanos, em cinco Challenges e Taças da Europa de Lançamentos, em dezoito Taças da Europa (em Peso e Disco), num Campeonato do Mundo de Juniores e num Campeonato da Europa de Juniores. Tudo isto,é claro, sem falar de uma grande série de importantes eventos desportivos internacionais que, no currículo de qualquer atleta, serão mencionados com justificadíssimo alarde.

 

Se nos campeonatos Ibero-Americanos Teresa Machado nos brindou com excelentes vitórias, tendo ganho a medalha de ouro do lançamento de disco em 1990, em Manaus, a medalha de ouro, também do lançamento do disco, em 1994, em Mar del Plata, a medalha de ouro, ainda do lançamento do disco, em 1998, em Lisboa, e a medalha de bronze do lançamento do peso, igualmente em 1998, em Lisboa, já nos Jogos Olímpicos e nos Campeonatos do Mundo pareceu, quase sempre, atingida por síndrome idêntica à que travou a, mesmo assim, extraordinária carreira internacional de outro dos maiores nomes da história do Sporting, o do inesquecível Fernando Mamede. Apesar desta limitação, Teresa Machado conseguiu um 10º lugar nos Jogos Olímpicos de Atlanta e um 11º nos de Sidney, um 6º no Mundial de Atenas e um 10º no de Paris e, ainda, um 7º e um 9º lugares nos Europeus de Munique e Budapeste, respectivamente. Repare-se que estamos a falar dos lançamentos do disco e peso, provas de enorme dificuldade técnica que, muito mais do que hoje, levantavam grandes problemas aos atletas nacionais.

 

 

Se nos propusermos falar de recordes nacionais, salientemos, não nos preocupando com os tantos e tantos que Teresa Machado bateu ao longo da sua carreira e já passaram à história, os que ainda estão em vigor: peso, 17,18 m, em 1996; peso em pista coberta, 17,26 m, em 1998; disco, 65,40, em 1998; peso, sub 23, 16,46, em 1991; peso, juniores, 15,54, em 1988; peso em pista coberta, sub 23, 16,41, em 1990 e peso em pista coberta, juniores, 15,69, em 1988. Repito, trata-se de recordes que ainda perduram, como os mais desconfiados ou incrédulos podem verificar no site da Federação Portuguesa de Atletismo. Sublinho, já que estou a falar em recordes nacionais, que Teresa Machado também chegou a ter o do lançamento do martelo. Quase me esquecia de o mencionar, por aqui se vendo a importância que mais um ou outro máximo vem a ter na avaliação final da carreira da atleta.

 

A vida de Teresa Machado dava um filme. Os interessados podem vê-lo no site Atletismo Estatística, em que Manuel Arons de Carvalho desenha com brevidade a história desportiva da nossa grande atleta. Como conta este jornalista, em toda a sua carreira, aqui se incluindo os dezassete anos no Sporting, Teresa Machado manteve-se sempre em Aveiro, onde, inicialmente trabalhava numa fábrica de confecções, sem nunca deixar de ser orientada pelo seu primeiro e único treinador, Júlio Cirino. Chegou a treinar-se num jardim público, a tomar cuidado com os seus utentes, treinou-se num parque de estacionamento, com Júlio Cirino a dar-lhe orientações pela janela do seu escritório, e conseguiu, finalmente, que lhe cedessem um areal vedado, ao pé da lota do peixe da Gafanha da Nazaré.

 

 

Por motivos que desconheço, Teresa Machado, ao fim de dezassete anos no Sporting, acabou por ir parar aos Açores, onde, durante quatro anos, representou o Clube Operário Desportivo. No final da carreira, ainda esteve um ano no F.C. Porto, ao serviço do qual, já com quarenta anos, ainda foi a terceira melhor portuguesa no lançamento do disco.

 

Não tenho quaisquer dúvidas sobre o que está reservado, na história do Sporting Clube de Portugal, para esta  excepcional desportista, que foi distinguida, entre outras honrarias, com dois Prémios Stromp, em 1988 e 1997. Um lugar dos mais altos, como é óbvio.

Heróis do Sporting, heróis portugueses

 

Foi há 30 anos! Lembro-me tão bem!

Mas quase tão bom como a chegada de Carlos Lopes à meta foi a cerimónia de encerramento das Olimpíadas de Los Angeles 1984 se ter dado logo a seguir. O Estádio a rebentar pelas costuras, o mundo inteiro de olhos postos no ecrã televisivo, a esperar pelo espetáculo, a esperar por Lionel Ritchie. E, mesmo antes de ele começar a cantar, ouviu-se... o hino português! A nossa bandeira subia, Carlos Lopes no pódium com a medalha! Viva!

Elas na história do Sporting (6): Manuela Alves

 

Manuela Alves depois de Conceição, a sua gémea. Com um percurso no Sporting idêntico ao da irmã, Manuela Alves começou por se notabilizar quando, ainda no Desportivo de Lourenço Marques, foi, com a idade de quinze anos, campeã de Portugal dos 400 metros. Depois da vinda para  Lisboa, a atleta entrou para o Sporting, em representação do qual foi campeã de Portugal, por três anos consecutivos, entre 1975 e 1977, dos 400 metros e dos 400 metros barreiras. Saliente-se, igualmente, a sua participação nas vitórias do Sporting, entre os anos de 1974 e 1977, nos campeonatos nacionais das estafetas de 4X400 metros, quatro vezes consecutivas, portanto, e a sua inclusão numa equipa nacional que, em 1977, bateu o record nacional da especialidade, impondo-o por um período de oito anos.

 

 

Mudando de prova, refira-se que Manuela Alves venceu ainda, em representação do Sporting,  o campeonato nacional da estafeta de 4X100 metros, na temporada de 1977.

 

Manuela Alves acabou por não ter tido uma carreira com tantos títulos como a sua irmã, tendo sido uma atleta muito mais marcada pela especialização, nos 400 metros e 400 metros barreiras, como vimos. Ao longo dos anos em que representou o Sporting fez, de qualquer maneira, o suficiente, numa época de ouro do nosso atletismo feminino, para que a devamos considerar um nome a reter na história do clube.

Elas na história do Sporting (5): Conceição Alves

 

Conceição Alves, mais um nome gigante na história do Sporting e do atletismo português. Tal como as atletas a que foram dedicados os números anteriores desta série, Conceição Alves foi uma desportista que representou o Sporting a um nível elevadíssimo, muito difícil de atingir por qualquer atleta de qualquer modalidade, como facilmente concluiremos se prestarmos uma pequena atenção aos extraordinários resultados que obteve no decurso da sua carreira, tanto a nível individual como integrada em equipas do clube.

 

 

Conceição Alves, com a sua irmã gémea Manuela, também nossa grande atleta, para quem está reservado um próximo número destas evocações, veio para Portugal, oriunda de Moçambique, onde se distinguia com as cores do Desportivo de Lourenço Marques, e ingressou no Sporting em 1974, ano em que logo começou a dar nas vistas no salto em altura, disciplina em que viria a fazer-se notar, para a época e tendo em conta as limitações do atletismo português, num plano quase estratosférico. Naquele tempo, em que a especialização começava, no atletismo, a dar, entre nós, os primeiros passos, Conceição Alves conseguiu, ao longo de muitos anos de carreira, resultados excepcionais numa notável variedade de disciplinas. Muito sinteticamente, deixando, como tenho feito, a quem quiser uma relação mais pormenorizada, a indicação deste sítio, a que agradeço os elementos a seguir referidos, podemos destacar:

 

- foi campeã de Portugal dos 100 metros barreiras em quatro ocasiões, batendo várias vezes o respectivo record nacional;

- foi três vezes campeã de Portugal de salto em altura;

- bateu 12 vezes o record nacional da disciplina, fazendo progredir a respectiva marca de 1,61 m até 1,77 m, tendo esta última permanecido inultrapassada durante 9 anos;

- foi campeã de Portugal de salto em comprimento em duas temporadas, tendo também obtido três vezes o respectivo máximo nacional;

- foi, uma vez, campeã nacional do lançamento do peso;

- tendo-se dedicado, atendendo ao seu ecletismo, às provas combinadas, Conceição Alves foi, ainda, campeã nacional e recordista nacional do pentatlo e, depois, do heptatlo

e

- em pista coberta, obteve muitos títulos e máximos nacionais nos 60 metros barreiras, salto em altura e salto em comprimento.

Isto é apenas o essencial, o mínimo que podemos salientar na sua carreira, nem sequer refiro os contributos que teve para os muitos títulos colectivos do Sporting. Acrescentando uma especialidade às que acima menciono, poderíamos, por exemplo, dar o merecido relevo à sua participação em duas equipas do clube que venceram campeonatos de Portugal da estafeta de 4x100 metros. E poderíamos, também, destacar as muitas competições em que participou em representação do país.

 

Estes resultados e uma carreira devotada ao clube parecem-me mais do que suficientes para que incluamos Conceição Alves entre as grandes figuras da história do Sporting. Podemos ter a esperança de que este nome enorme não seja facilmente esquecido, tanto mais quanto tivermos em conta que lhe foram atribuídos um Prémio Stromp, em 1979, e, mais recentemente, em 2012, um prémio Rugidos de Leão. Mas é bom que, de vez em quando, relembremos a figura inesquecível de Conceição Alves entre as de grandes atletas do clube, praticantes de muitas modalidades, a que devemos a grandeza do Sporting Clube de Portugal.

 

Pelo seu contributo para a história de um Sporting com a dimensão que os seus fundadores sonharam e com a grandeza que nós, sportinguistas, queremos que se mantenha, uma calorosa saudação, de sincero reconhecimento, a Conceição Alves.

Elas na história do Sporting (4): Céu Lopes

 Outra grande atleta do Sporting, que competiu em companhia de Lídia Faria, Eulália Mendes e Francelina Anacleto, a que me referi nos números anteriores, foi Céu Lopes. Excelente praticante da velocidade prolongada, Céu Lopes foi, entre as mais notáveis atletas portuguesas, uma das primeiras ou mesmo a primeira a não enveredar por uma abordagem generalista do atletismo, dedicando-se, praticamente em exclusivo, a uma especialidade.

 

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O currículo de Céu Lopes é suficientemente eloquente, dispensando bem mais apresentações ou elogios. Resumidamente: vencedora, em 1968, fazendo parte da equipa do Sporting, do campeonato nacional da estafeta de 4x100 metros; cinco vezes consecutivas campeã nacional de 800 metros, entre 1968 e 1972; três vezes consecutivas campeã nacional de 400 metros, entre 1968 e 1970; duas vezes campeã nacional de 1500 metros, em 1971 e 1972, e vencedora, integrando sempre equipas do Sporting, por quatro vezes consecutivas, entre 1969 e 1972, do título nacional da estafeta de 4x400 metros. Foi recordista nacional, tendo superado muitas vezes as respectivas marcas, de 400 metros, 800 metros, 1500 metros e 4x 400 metros, sendo que, no ano de 1972, chegou a deter simultaneamente todos estes máximos. Também em 1972, foi a primeira atleta do Sporting a ganhar o Campeonato Nacional de Corta-Mato Feminino.

 

Lembro-me bem de, jovem, acompanhar o atletismo do Sporting e de ficar rendido às proezas e elegância de Céu Lopes, que, tanto quanto consigo lembrar-me, somava à qualidade dos seus resultados uma dimensão estética da técnica de corrida que, ainda mais, a valorizava. Não sei bem porquê, esta nossa grande atleta, pelo que posso julgar a partir das minhas conversas com outros devotos do clube e do atletismo e de algumas leituras, nomeadamente noutros blogues, não terá ficado tão ligada às memórias de muitos sportinguistas como aquelas a quem dediquei os três primeiros textos desta série. Pura injustiça, claro, se é que isto é mesmo verdade. O breve resumo acima exposto fala por si e não deixa margem para dúvidas sobre o nosso dever de prestar uma condigna homenagem a Maria do Céu Lopes, destacando o seu nome, com o devido relevo, ou seja a letras de ouro, como ela bem merece, na história do Sporting Clube de Portugal.

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