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És a nossa Fé!

Rever os estatutos - I

Os estatutos do Sporting Clube de Portugal e regulamentos de funcionamento da Assembleia-Geral carecem de revisão urgente, sob pena de continuarmos, em pleno séc. XXI, presos algures no séc. XX.

Questões processuais menores como aprovação da acta da AG anterior, precisam ficar resolvidas sem estarem sujeitas à interpretação pessoal do PMAG, mas também não serem passíveis de servirem como ferramenta de quem tentar boicotar o normal funcionamento, que deve correr de forma célere.

Nas A.G. eleitorais, onde não existe debate prévio à votação, o esclarecimento decorreu em campanha anterior, faz sentido introduzir o voto electrónico, garantidas que estejam as necessárias medidas de segurança, para evitar qualquer possível tentativa de fraude. Existe hoje tecnologia que o permite fazer.

Na A.G. ordinária, onde se discute e aprova orçamentos e contas do clube, não faz qualquer sentido o voto electrónico, mas também não é imperioso forçar uma ida dos sócios a Lisboa. Pelo menos aos sócios que estejam em Portugal. Será possível encontrar alguns núcleos com condições e que o queiram fazer, onde seja disponibilizada a transmissão em directo da A.G., obviamente que certificando que esses núcleos aderentes, no decorrer da mesma, apenas permitam a presença de sócios do clube, maiores de idade e com as quotas em dia. Será facílimo fazer deslocar a cada um desses locais funcionários do clube para creditarem presenças e contarem os votos obtidos. Diria que 6 a 8 locais (núcleos), incluindo os arquipélagos dos Açores e Madeira, tornariam possível um aumento da proximidade entre clube e sócios. Eventualmente a prazo até conquistaríamos novos adeptos para se fazerem sócios, encurtando distâncias entre o Sporting e sportinguistas.  

Não gostei

Detesto perder, nem que seja a feijões. Por isso não gostei que o Sporting - mesmo num jogo-treino, de preparação da próxima época - tenha perdido com um modesto clube não-profissional, despromovido à terceira divisão do futebol suíço.

Há mínimos a manter. Até em defesa da marca Sporting além-fronteiras. Estou certo de que Marcel Keizer terá dito algo como isto aos jogadores no balneário. 

Faz hoje um ano

 

Muita coisa havia já sido feita no Sporting desde o histórico dia 23 de Junho. Há um ano, a 12 de Julho de 2018, enumerei aqui as principais medidas logo concretizadas nessas três semanas posteriores à queda de Bruno de Carvalho:

 

«- Marcação para 8 de Setembro de eleições para todos os órgãos sociais do Sporting.

- Dispensa do técnico Mihajlovic, que vinha ganhar 12 milhões de euros em três anos.

- Contratação de José Peseiro, único treinador que levou o nosso clube a uma final europeia desde 1964.

- Readmissão, praticamente em bloco, da equipa clínica que havia sido despedida pelo anterior Conselho Directivo.

- Regresso ao clube, sem encargos adicionais, do melhor jogador do campeonato 2017/2018.

- Regresso ao clube, sem encargos adicionais, de um jogador campeão europeu em título e o nosso terceiro maior internacional de sempre, formado na Academia leonina.

- Negociações para os regressos de outros jogadores, nomeadamente aqueles que rescindiram contrato com o Sporting na sequência dos dramáticos acontecimentos de Alcochete;

- Abertura de conversações multilaterais para a transferência negociada de jogadores que invocaram justa causa para rescindir com o clube.

- Desencadeamento dos mecanismos jurídicos destinados a compensar financeiramente o Sporting nos casos dos jogadores que já assinaram unilateralmente por outros emblemas.»

Balanço (22)

diaby-e1546884509767.jpg

 

O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre DIABY:

 

JPT: «Um avançado prometedor.» (12 de Janeiro)

- Edmundo Gonçalves: «É sina do Sporting jogar sempre com um jogador a menos. Hoje foi Diaby que não esteve em campo 80 minutos.» (13 de Janeiro)

Eu: «O treinador reagiu da melhor forma, não baixando os braços: mandou sair o médio defensivo, Gudelj, trocando-o pelo extremo Diaby. Seis minutos depois, a ousadia do técnico foi recompensada: o jovem maliano deu profundidade ao nosso ataque, acabando por ser derrubado em falta na grande área azul e branca: por indicação do vídeo-árbitro, João Pinheiro apontou para a marca de penálti. Era o momento decisivo da final, que nos abria o caminho do troféu.» (26 de Janeiro)

Duarte Fonseca: «Não joga o Jovane porque se aposta num tal de Diaby que não sabe dar um chuto numa bola...» (1 de Fevereiro)

- Francisco Chaveiro Reis: «Petrovic, Gudelj ou Diaby são teimosias do holandês que parece agora trair-se, com cautelas demasiadas.» (4 de Fevereiro)

Francisco Vasconcelos: «É limitado mas voluntarioso: parece-me pouco para quem quer ser vencedor.» (8 de Março)

Luís Lisboa: «Prefiro mil vezes ver um Jovane a titular do que um Diaby.» (8 de Maio)

Leonardo Ralha: «Merecem respeito, pois não duvido por um instante que ambos dão o melhor que podem e que conseguem, mas acredito que me lembrarei desta Taça de Portugal como aquela que o Sporting conquistou com Bruno Gaspar e Diaby no onze titular.» (25 de Maio)

- José Navarro de Andrade: «É uma carta fora do baralho. Com os ansiados regressos de Mama Baldé, Gelson Dala e Matheus Pereira (terá aprendido a lição?) o maliano torna-se redundante.» (28 de Maio)

A voz do leitor

«O Sporting devia encarar como prioridade absoluta e urgente a implementação do voto electrónico.
Na era da tecnologia não passa pela cabeça de ninguém que os sócios tenham de ir fisicamente a Lisboa se quiserem participar e votar documentos desta importância. É de um atraso que não se explica e já não se pode aceitar.»

 

João Gil, neste texto do António de Almeida

Maldição do 7?

Creio que este ano não existirá, está muito bem entregue a Rafael Camacho. Um jogador que passou pela formação.

 

Os números, até agora, atribuídos:

1. Renan Ribeiro

3. Tiago Ilori

5. Eduardo

7. Rafael Camacho

8. Bruno Fernandes

10. Luciano Vietto

11. Raphinha

13. Ristovski

14. Luís Neto

16. Battaglia

19. Rosier

20. Gonzalo Plata

22. Mathieu

27. Miguel Luís

28. Bas Dost

29. Luiz Phellype

35. Nuno Mendes

37. Wendel

50. Thierry Correia

64. Ivanildo Fernandes

68. Daniel Bragança

72. Eduardo Quaresma

73. Matheus Pereira

75. Abdu Conte

77. Jovane Cabral

78. Joelson Fernandes

81. Luís Maximiano

98. Doumbia

99. Diogo Sousa

 

(Eu preferia ver a forma antiga, os jogadores em campo de 1 a 11.)

Balanço (21)

jovane1167b3da.jpg

 

O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre JOVANE:

 

Pedro Azevedo: «Já se sabia que Cabral era nome de navegador intrépido e Jovane não foge à regra. Mudou por completo o cariz do jogo, descobrindo novos caminhos para a nau leonina, entre ventos e marés adversos.» (5 de Novembro)

Leonardo Ralha: «Recebeu com o pé a bola como se esta fosse colorida nas mãos de uma criança e fez o arco em ogiva que sossegou o espírito dos sportinguistas que tremiam com a desvantajosa vantagem do 1-2 que parecia eterno enquanto durasse. O golo que marcou fica como o melhor momento de um jogo movimentado.» (4 de Dezembro)

- António de Almeida: «Voltou a entrar e mexer no jogo.» (17 de Dezembro)

- José Navarro de Andrade: «Falta-lhe discernimento e apuro (aquelas biqueiradas..)» (24 de Dezembro)

Eu: «Há-de ir longe, tudo o indica. Basta-lhe trabalhar para isso, com a humildade indispensável a qualquer profissional que sonha sagrar-se campeão.» (28 de Dezembro)

- Duarte Fonseca: «Não joga o Jovane porque se aposta num tal de Diaby que não sabe dar um chuto numa bola...» (1 de Fevereiro)

Francisco Vasconcelos: «Precisa de ter cabeça para ser constante, sem as oscilações de forma que já apresentou.» (8 de Março)

Luís Lisboa: «Prefiro mil vezes ver um Jovane a titular do que um Diaby.» (8 de Maio)

Faz hoje um ano

 

Outra boa notícia, pelo segundo dia consecutivo. Depois de Bruno Fernandes, a 11 de Julho de 2018 Nani regressava a Alvalade, sem encargos adicionais para o clube. Vinha com dois anos de contrato e mais outro de opção.

«Preferi o Sporting por uma questão de orgulho», declarou o campeão europeu durante a conferência de imprensa de apresentação, tendo ao seu lado o presidente interino da SAD leonina, Sousa Cintra.

 

Na corrida eleitoral do Sporting, também se registavam novidades: após ter deixado o Sporting «em cacos» - Augusto Inácio dixit - Bruno de Carvalho via o próprio brunismo estilhaçar-se: o seu ex-vice-presidente Carlos Vieira pretendia candidatar-se à presidência leonina. E até já tinha lema: «Sporting primeiro».

A voz do leitor

«Esta administração está a conseguir, dentro das limitações financeiras que temos, comprar com critério e com salários comedidos. Pode não acertar sempre, mas por enquanto não temos razões de queixa. O Sporting não pode errar como errou no passado, pagando caro por jogadores que valem pouco ou nada, e temos muitos exemplos disto com várias direcções e vários presidentes.»

 

António Pereira, neste meu postal

Os destaques: Plata, Eduardo, Camacho

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Uma sensaboria, o primeiro jogo de preparação do Sporting com vista à época 2019/2020. Decorreu na Suíça, junto ao Lago Zurique, frente à modesta equipa do Rapperswil-Jona, despromovida à terceira divisão do campeonato helvético.

Apesar de ter defrontado um grupo amador, o conjunto leonino revelou várias debilidades - naturais, desde logo, pelo facto de os suíços estarem já mais adiantados na preparação da temporada. Debilidades que levaram a nossa equipa a sair derrotada, por 1-2. O resultado, nestes casos, é quase irrelevante, mas não deixa de ser significativo que tenhamos sido incapazes de marcar em lance corrido. O nosso golo solitário foi apontado de penálti, aos 13', por Bruno Fernandes. Vencíamos por 1-0 quando chegou o intervalo.

 

No fundo, foram dois jogos diferentes. Porque ao intervalo Marcel Keizer substituiu toda a equipa, fazendo alinhar hoje 22 jogadores no relvado suíço. Registou-se uma quebra inevitável da qualidade exibicional na segunda parte, em que alinharam oito elementos da nossa formação - alguns ainda juniores.

Não pode ser negado: os dois golos suíços nasceram de inaceitáveis lapsos defensivos leoninos, designadamente do nosso defesa mais experimentado, Ilori, que pareceu desconcentrado em ambos os lances, colocando os suíços em jogo. 

Destaque para as oportunidades dadas aos jovens da formação leonina. Hoje Keizer fez alinhar vários deles (Nuno Mendes, Eduardo Quaresma, Abdu Conté, Ivanildo Fernandes, Rafael Camacho) em estreia na equipa principal do Sporting.

 

Esta partida, que contou com a assistência de algumas dezenas de emigrantes portugueses, serviu sobretudo para analisar os reforços do Sporting. Nota positiva, acima de todos, para o equatoriano Plata - de longe o melhor em campo na segunda parte. Também gostei das prestações de Eduardo e Camacho. Mas é muito cedo para tirar conclusões que possam parecer definitivas.

Excepto uma: o Sporting não carece de soluções nos extremos ofensivos. Temos Raphinha, Camacho, Jovane, Matheus Pereira e Plata. Acuña e Diaby também podem fazer estas posições. Mais reforços para quê?

 

............................................................................................

 

Os jogadores, um a um:

 

Renan (29 anos).

Mais: manteve as nossas redes intactas enquanto esteve em campo, na primeira parte.

Menos: alguma intranquilidade num lance em que se viu forçado a sair dos postes.

Nota: 5

 

Thierry (20 anos).

Mais: em bom plano nos confrontos individuais.

Menos: podia ter subido um pouco mais na sua ala.

Nota: 5

 

Neto (31 anos).

Mais: reforço no eixo da defesa, rendeu sem problemas o ausente Coates.

Menos: faltou alguma articulação com Mathieu, o que não admira.

Nota: 6

 

Mathieu (35 anos).

Mais: corte impecável - bem ao seu jeito - aos 40', num lance difícil.

Menos: falhou alguns passes.

Nota: 6

 

Nuno Mendes (17 anos).

Mais: fez circular bem a bola, compensando as ausências de Acuña, Borja e Jefferson na lateral esquerda.

Menos: nervosismo pontual, mais que justificável nesta estreia absoluta pela equipa principal

Nota: 6

 

Idrissa Doumbia (21 anos).

Mais: o marfinense soube ligar as linhas enquanto médio mais recuado, parecendo o principal candidato a titular na posição 6.

Menos: falta-lhe alguma cultura posicional para render frente a equipas com mais jogo ofensivo.

Nota: 5

 

Wendel (21 anos).

Mais: protagonizou as tabelinhas mais vistosas no corredor central, municiando o ataque leonino.

Menos: continua por vezes demasiado agarrado à bola.

Nota: 6

 

Bruno Fernandes (24 anos).

Mais: capitão nos 45' iniciais, não se limitou a usar a braçadeira: foi um verdadeiro líder em campo. Marcou muito bem o penálti de que resultaria o nosso único golo.

Menos: só jogou a primeira parte e fez falta no segunto tempo. Soube a pouco.

Nota: 7

 

Raphinha (22 anos).

Mais: muito dinâmico, arrancou a grande penalidade que nos daria vantagem temporária no marcador.

Menos: ainda com falta de automatismos, o que se justifica.

Nota: 6

 

Vietto (26 anos).

Mais: o reforço argentino, jogando inicialmente como ala esquerdo, rematou muito bem colocado, fazendo a bola subir um pouco acima da barra, aos 28'.

Menos: vê-se que rende mais na zona central do ataque.

Nota: 6

 

Bas Dost (30 anos).

Mais: o melhor que fez foi mandar uma bola a rasar o poste, aos 9'.

Menos: ainda muito preso de movimentos.

Nota: 4

 

Maximiano (20 anos).

Mais: estreou-se como segundo guarda-redes da equipa principal do Sporting, como prova de confiança do técnico nas suas capacidades.

Menos: sofrer dois golos em 45 minutos frente a uma equipa não-profissional marcou esta estreia de forma negativa.

Nota: 3

 

Eduardo Quaresma (17 anos).

Mais: estreia absoluta na equipa principal, ainda júnior, como lateral direito durante toda a segunda parte: vai recordar sempre este jogo.

Menos: muito voluntarismo por vezes prejudicado pelo excesso de nervosismo.

Nota: 5

 

Ivanildo (23 anos).

Mais: coube-lhe um repto muito importante: ocupar no segundo tempo a posição que o veterano Mathieu havia preenchido nos 45' iniciais.

Menos: podia ter feito melhor em qualquer dos golos sofridos.

Nota: 4

 

Ilori (26 anos).

Mais: algum atrevimento no início da construção ofensiva, fazendo impor a sua condição física.

Menos: colocou em jogo os adversários em ambos os golos, facilmente evitáveis.

Nota: 3

 

Conté (21 anos).

Mais: arriscou várias missões ofensivas a partir da lateral esquerda.

Menos: exibição no período complementar inferior à de Thierry no primeiro tempo.

Nota: 4

 

Eduardo (24 anos).

Mais: exibição personalizada do reforço vindo do Belenenses, como médio de contenção encarregado de participar na primeira fase dos lances ofensivos.

Menos: parece sentir-se mais à vontade num sector mais avançado do meio-campo do que na posição 6.

Nota: 6

 

Miguel Luís (20 anos).

Mais: foi capitão durante todo o segundo tempo, numa prova de confiança no seu discernimento.

Menos: fez afunilar o jogo em excesso pelo corredor central, desaproveitando as alas.

Nota: 5

 

Matheus Pereira (23 anos).

Mais: liderou as operações na frente de ataque leonina durante todo o período complementar.

Menos: abriu linhas de passe nem sempre aproveitadas pelos companheiros.

Nota: 6

 

Plata (18 anos).

Mais: internacional sub-20 do Equador, protagonizou os melhores momentos do Sporting no segundo tempo. Dominou o corredor direito e levou a bola a embater na barra aos 51'. É mesmo reforço.

Menos: neste jogo foi pouco testado nas manobras defensivas.

Nota: 7

 

Camacho (19 anos).

Mais: ex-Liverpool, também formado no Sporting, revelou muito boa técnica como ala esquerdo, parecendo ser também um reforço de qualidade.

Menos: faltou-lhe entrosamento com os colegas, o que se compreende.

Nota: 6

 

Luiz Phellype (25 anos).

Mais: nada egoísta, apoiou os colegas nos lances de bola parada defensiva.

Menos: mal se deu por ele no ataque.

Nota: 4

«Os Aurélios»

Faz hoje três anos - a 10 de Julho de 2016 - que Portugal, no futebol, conquistava o maior feito da sua história.

 

Esta, convém não esquecer, foi a equipa:

 

Rui Patrício (1)

Cédric (21)

Pepe (3)

José Fonte (4)

Raphaël Guerreiro (5)

William Carvalho (14)

Renato Sanches (16) - substituído aos 79 minutos por Éder (9)

Adrien Silva (23) - substituído aos 66 minutos por João Moutinho (8)

João Mário (10)

Nani (17)

Cristiano Ronaldo (7) - substituído após 25 minutos por Ricardo Quaresma (20)

 

Treinador: Fernando Santos

Derrotas, autogolos e sorrisos incrédulos

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A imagem mostra-nos o programa de jogo do último desafio disputado no "velhinho" Alvalade, logo na nota de abertura podemos ler isto: Tudo começou a 10 de Junho de 1956. Aqui se viveram alegrias inesquecíveis como a da inauguração, a do primeiro campeonato nacional de 1958, a epopeia da Taça das Taças, com os 5-0 ao Manchester [United] de permeio, os campeonatos de 62, 66, 70, 74, 80, 82, o grande regresso aos títulos máximos em 2000 e 2002.

Os que passaram por estas bancadas poderam sentir a fibra de Joaquim Agostinho, dos grandes recordistas de atletismo como Carlos Lopes e Fernando Mamede (...).

Neste jogo, o último, em Alvalade, dum lado estava a equipa campeã em título, do outro um Vitória Futebol Clube  já, matematicamente, despromovido.

Dum lado um estádio cheio de adeptos sportinguistas apesar da hora (20H45) do outro meia dúzia de gatos pingados que tinham viajado de Setúbal.

Aconteceu, o que sabemos, o Vitória venceu, autogolo do nosso central Beto e golo do avançado Meyong aos 93 minutos; na jornada seguinte o outro Futebol Clube, no Porto.

Última jornada de 2002/2003, o campeão em título vai visitar o, matematicamente, campeão, mais do mesmo, autogolo de Pablo Contreras e vitória do Porto.

Às vezes é necessário recordar as derrotas, recordar os momentos maus, na última época em que fomos campeões perdemos os dois últimos jogos com dois autogolos, depois batemos com os pés no fundo da piscina, viemos acima, respirámos.

Inacreditavelmente, com Fernando Santos, foi ele que nos colocou um sorriso incrédulo nos lábios, um jogo maravilhoso na inauguração do novo estádio, um Manchester United de rastos (e não era treinado por Mourinho) e um leão rampante, pujante, dominador.

Sem desculpas

A estrutura directiva da SAD leonina está a contratar cedo e, tanto quanto é possível afirmar até ao momento, está a contratar bem. Num esforço deliberado para ter o plantel definido, no essencial, na pré-temporada que hoje começa, já com a bola a rolar, no estágio da Suíça.

Sem desculpas para Marcel Keizer, portanto. Não lhe exigimos menos ambição do que esta à frente do futebol do Sporting: atacar o título.

Balanço (20)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre NANI:

 

- José Navarro de Andrade: «É um problema, tem ideias, sabe o que faz, sabe explicar-se; irreverências que para um sargento que gosta de fazer voz grossa, de miolo-mole e pouco articulado, são muito desestabilizadoras.» (7 de Outubro)

Pedro Azevedo: «Procurou o espaço entrelinhas e deixou a sua marca no jogo (e não, não me refiro só às pernas de Mamadu). Foi um verdadeiro capitão e nunca se rendeu.» (5 de Novembro)

Leonardo Ralha: «Três grandes passes, diligentemente subaproveitados por Acuña e Raphinha, marcaram uma exibição em que o capitão do Sporting foi o cérebro que faltou a outros e esteve em melhores condições físicas do que a maioria.» (24 de Janeiro)

- Francisco Melo: «Num ano muito delicado, a viver a pior fase da época, o Sporting deixa Nani e Montero irem embora??? Logo dois dos mais virtuosos e dedicados jogadores do plantel!?Desculpem, mas esta notícia fere mais a nossa alma de leão do que a derrota de ontem.» (15 de Fevereiro)

- JPT: «Não há dinheiro para o manter? Talvez. Mas mais exigência se deverá ter a analisar o efectivo valor dos recém-contratados. Para os quais houve dinheiro. Valor no jogo jogado. Valor na classe transmitida. Valor na contribuição para que o clube se vá transferindo de geração em geração.» (15 de Fevereiro)

Edmundo Gonçalves: «Não me parece que seja caso para agradecimento, que este e outros jogadores são muito bem pagos para exercerem a sua profissão, mas aqui fica todo o meu enorme reconhecimento pelo sportinguismo, profissionalismo, amor à verde-e-branca, sempre demonstrados por Luís Nani, que nunca nos envergonhou, antes pelo contrário, elevou bem alto o nome do seu e nosso clube do coração.» (18 de Fevereiro)

Eu: «Melhor em campo contra o Loures, em Outubro. Uma assistência para golo e participação em outro contra o Lusitano Vildemoinhos, em Novembro. Intervenção activa na vitória contra o Feirense, em Janeiro. A Taça de Portugal 2019 também é tua, Nani. Como já foram as de 2007 e de 2015.» (27 de Maio)

Luís Lisboa: «A tendência para Nani procurar espaços anteriores e temporizar o jogo chocava com a tendência de Bruno Fernandes para esticá-lo e solicitar a profundidade. O certo é que Nani começou melhor a temporada que Bruno Fernandes, depois foram-se equivalendo.» (24 de Junho)

Faz hoje um ano

 

Há um ano, no Sporting, a pré-temporada ia decorrendo com os sobressaltos que já se previam: um treinador recém-chegado, uma equipa retalhada, uma campanha eleitoral em curso, crise de tesouraria e um enorme dano reputacional causado pelo assalto a Alcochete, cujo processo judicial levara já à detenção de 42 suspeitos. Tudo isto recaía em cima dos ombros dos gestores interinos do clube e da SAD leonina.

O pior era a destruição do nosso onze titular: Podence rumava ao Olympiacos, Gelson Martins encontrava asilo no Atlético de Madrid, Rúben Ribeiro poderia transitar para o Nantes e falava-se no interesse do Dortumund por Rafael Leão. Tudo à margem dos interesses leoninos, pois os jogadores haviam rescindido os contratos alegando justa causa.

Felizmente não havia só más notícias geradas pela pesada herança carvalhista e pela turbulência subsequente à destituição do presidente: a 10 de Julho de 2018, Bruno Fernandes era apresentado novamente aos sócios em Alvalade. Sousa Cintra conseguira convencê-lo a regressar.

Nem todos aplaudiam, claro. Uma das vozes que mais se levantaram em protesto contra este regresso foi a de Elsa Judas, putativa "presidente" da ilegalíssima Comissão Transitória da Mesa da Assembleia Geral do Sporting, que correu para o Facebook a insultar Bruno Fernandes, chamando-lhe «mercenário». Era a pior face do brunismo ainda a estrebuchar.

 

Seguem-se excertos de textos aqui publicados nesse dia.

 

Escreveu o Francisco Chaveiro Reis:

«Nunca achei que os jogadores que rescindiram fossem traidores (apesar de achar que alguns se aproveitaram da situação) mas Bruno volta atrás, após se ter atirado dinheiro para o problema. Ao primeiro erro, será assobiado (não por mim) e este regresso com mais dinheiro será lembrado. Ao primeiro golão, tudo será esquecido?»

Com ressalva posterior: «Admito aqui que me precipitei no meu post. Ao que parece, segundo o próprio e Sousa Cintra, o regresso não teve como prémio o aumento de contrato. Continuo a achar que a saída seria o melhor cenário depois da rescisão, mas fui injusto para o jogador.»

 

Comentei eu:

«Fez Sousa Cintra muito bem. Fez Bruno Fernandes muito bem. Enterraram um contencioso que nunca devia ter existido e que prometia eternizar-se em tribunais sem qualquer proveito desportivo nem financeiro para qualquer das partes. A bem do Sporting, que daqui a uma época ou duas pode obter de retorno, com elevados proveitos, o investimento agora feito.»

 

Observou o Pedro Azevedo:

«Escusado será expressar aos nossos leitores o meu contentamento com o facto de as negociações terem chegado a bom porto, perdão, bom SPORTING, eu que durante o ano sempre considerei Bruno uns furos acima de qualquer outro jogador do plantel. (...) Obrigado Bruno e obrigado ao presidente da Comissão de Gestão, José de Sousa Cintra. Bem-hajam!»

 

Assinalou o Edmundo Gonçalves:

«O Sporting não se pode dar ao luxo de prescindir de um jogador da qualidade de Bruno Fernandes e apesar da minha animosidade para com os suores de que foi acometido, vejo-me na obrigação de o aceitar de volta. Digo bem, vejo-me na obrigação, porque provavelmente o seu destino seria um dos rivais e mais vale aceitá-lo contrariado que vê-lo a jogar contra nós.»

 

Nesse mesmo dia, outra boa notícia para os cofres de Alvalade: Cristiano Ronaldo transitava do Real Madrid para a Juventus, concretizando-se assim a terceira transferência mais cara de sempre no futebol mundial.

Graças a isso, o Sporting recebia 2,5 milhões de euros, no âmbito do mecanismo de solidariedade da FIFA, por ter formado o jogador.

A voz do leitor

«O Sporting tem de se consolidar como um projecto desportivo onde os bons jogadores afirmam-se e saem para o estrelato e onde os jogadores que não se afirmam também encontram soluções para as suas carreiras. Tem de haver um plano de carreira para potenciar a valorização de todos os jogadores. Sem ser apetecível para os jogadores (e isso começa a ser um problema sério, por exemplo, na formação), seja porque não se aposta, seja porque se trata mal as pessoas, etc, o Sporting vê a vida a complicar-se no longo prazo.»

 

Rui Marado Moreira, neste meu postal

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