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És a nossa Fé!

Faz hoje um ano

 

1

Pela primeira vez em 112 anos de história do Sporting, um presidente era destituído numa assembleia geral revogatória. Por vontade expressa dos sócios, detentores exclusivos da soberania no clube.

Bruno de Carvalho foi derrotado em toda a linha num conclave leonino que tudo fez para que não se realizasse e a que jurou até não comparecer. Solene promessa quebrada - como tantas outras - à beira do encerramento das urnas, quando irrompeu no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, com a sua habitual troupe de fiéis, para exercer o direito de voto que lhe estava negado por se encontrar suspenso de sócio.

De nada lhe valeu ter votado nele próprio, à margem dos regulamentos internos. 

Carvalho, que alguns imaginavam como sempre-em-pé, caía com estrondo 15 meses após ter sido reeleito para um segundo mandato com 86% dos votos e apenas quatro meses depois de ter recebido, em assembleia geral, o aval de 89,5% dos sócios para dar corpo a um conjunto de alterações estatutárias. 

Os números não deixavam margem para dúvidas: 71,36% dos participantes nesta histórica assembleia geral votaram "sim" à destituição, com apenas 28,64% a pronunciarem-se pela manutenção do sucessor de Godinho Lopes.

Mais significativo ainda: Carvalho perdeu em todas as mesas de voto, tanto naquelas onde exerceram  o seu direito de eleitores os sócios mais antigos como nas que estavam reservadas aos sócios mais recentes. 

 

2

Em cima da hora, pronunciou-se o Francisco Almeida Leite:

«Este bando deixou o clube em muito mau estado e precisamos todos de ter a inteligência e o saber fazer para o recuperar e devolver à sua glória. O segundo passo é a realização de eleições e o terceiro será a reconciliação interna. Depois de tudo isto é preciso virar os holofotes para fora. Seremos vitoriosos.

E assim reagiu o Ricardo Roque:

«BdC não tem emenda. Hoje [ontem] mesmo provou isso com um comportamento indigno. Afinal é ele o incendiário. Que vergonha o ódio por ele inspirado, o comportamento miserável da sua guarda pretoriana na assembleia na Altice Arena, ofendendo e impedindo quem não estava por ele.»

Conclusão imediata do Pedro Bello Moraes:

«Nós, sócios e adeptos do Sporting Clube Portugal, ganhámos. São vencedores até os que votaram vencidos, hoje na AG. Somos todos ganhadores porque reganhámos a honra, o respeito, o amor próprio, essa entidade que diz basta, que exige e reconquista o lugar a que verdadeiramente se pertence.»

 

3

Este escrutínio, recebido com urros de indignação pelos apaniguados do destituído, conduzia o Sporting a novo processo eleitoral. Havendo já eleições marcadas: iriam realizar-se a 8 de Setembro, conforme designação expressa pelo presidente da Assembleia Geral, Jaime Marta Soares.

Já a pensar nessa data, escreveu o Luciano Amaral:

«Parece haver muita gente com vontade de devolver na mesma moeda a forma como foi tratada por Bruno de Carvalho. Não me parece bem. O caso deve ser tratado no domínio que lhe é próprio: o do delírio e da paranóia. É esquecer. Fundamental é agora arranjar candidaturas que sejam capazes de sarar a horrível ferida que se abriu no clube. Lá está, é o mais difícil. Mas tem de ser possível.»

O António de Almeida exprimia um desejo imediato:

«Importa agora virar a página, livres que estamos do pesadelo. Enquanto sócio, quero que a comissão de gestão apresente tão breve quanto possível um relatório do estado do clube e que seja nomeada uma nova administração da SAD.»

 

4

Numa inequívoca demonstração de mau-perder e de falta de estatura democrática, Carvalho disparava contra os próprios sportinguistas: «O Sporting não é dos sócios, é o que sempre foi: dos stromps, dos maçons. (...) Prefiro deixar de acreditar no clube. Já não acredito nisto.»

Nada de novo, afinal. Um ano antes, bem ao seu estilo, tinha chamado «reles, porcos e nojentos» a sócios do Sporting, durante uma assembleia geral do clube.

 

5

Durante a madrugada de 24 de Junho de 2018, o dirigente destituído escreveu as suas habituais ladainhas no Facebook. Deixando pérolas como estas:

“Quem esteve na AG percebeu que os resultados estão ao contrário... mas chega!”

“Mas para mim acabou. Podia impugnar esta AG por todas as ilegalidades cometidas: sim. Mas não o vou fazer. Era só o adiar o ter de devolver o Clube a quem nele mesmo manda.”

“Hoje deixei de ser para sempre sócio e adepto deste Clube. A tristeza é tremenda mas a desilusão matou tudo!”

“Afinal o sportingado era eu, pois era um sportinguista enganado...”

“Não, não vou regressar para as bancadas. Não, não vou mais vibrar com as vitórias.” 

“A minha carta de suspensão vitalicia de sócio segue segunda feira e nunca mais seguirei sequer os eventos desportivos do Clube.”

Palavras, no seu conjunto, reveladoras de um «anti-sportinguismo primário», como as classificou o Francisco Almeida Leite. 

 

6

Na tarde desse dia, novo volte face, bem revelador de um destempero mental: Carvalho regressava ao Facebook para revelar que iria impugnar a assembleia geral que o destituíra e candidatar-se às eleições.

Agora acabou. Querem guerra. Eu compro! Vou impugnar a AG e o Presidente da SAD ainda sou eu! Vou a eleições. Vamos ver quem vence. Se são a maioria dos sócios ou os ‘podres’ e os Viscondes!"

Isto após uma conferência de imprensa da Comissão de Gestão, liderada por Artur Torres Pereira, em que José Sousa Cintra foi apresentado como novo presidente da SAD leonina. Conferência que - finalmente - contou com a cobertura em directo da Sporting TV. Uma estreia em iniciativas públicas da Comissão de Gestão.

E Carvalho logo correu à TSF para uma entrevista em que procurou desvalorizar o voto, preferindo destacar o que os seus fiéis haviam debitado no púlpito, durante a assembleia geral, assumindo-se como donos do microfone: «Houve 69 intervenções e apenas cinco foram contra o Conselho Diretivo.» Confundindo uma reunião magna leonina com uma reunião geral de alunos de liceu do século passado.

 

7

Por cá, as opiniões dividiam-se.

Escreveu o Edmundo Gonçalves:

«Diz que se vai recandidatar. Quero deixar claro que acho que sim, que se deve recandidatar.»

Escreveu o Francisco Almeida Leite:

«Bruno de Carvalho não pode mesmo ser candidato às próximas eleições, sob pena do circo se instalar definitivamente.»

 

8

«Parece cada vez mais óbvio que Bruno de Carvalho tem um problema psiquiátrico grave. A sua atitude nas últimas 24 horas torna esta constatação indiscutível a meu ver», sentenciou o Filipe Moura.

«Acho Bruno de Carvalho o seu próprio pior inimigo e tenho pena que tenha chegado a este estado de exaustão emocional que o fez cometer erros atrás de erros, de forma e conteúdo, desde há uns meses. Como ouvi muita gente repetir, tinha tudo para ser o melhor presidente de sempre. Espero e desejo que em breve possa voltar a vibrar com as nossas vitórias, que são sempre de todos, e voltar a acolher o Sporting no seu coração e na sua vida», assinalou o Pedro Boucherie Mendes.

«Sai pela porta dos fundos, sem honra nem glória nem dignidade. Insultando o clube que devia ter servido e os sócios a quem jurou lealdade e competência», concluí eu.

 

9

«Um dia - que neste momento não sou capaz de precisar - livrar-nos-emos de Bruno de Carvalho e do seu séquito de fanáticos. Até lá, a nossa atenção deveria recair nos motivos que levaram mais de 80% dos sócios a votar num mitómano. Sem esse exercício de catarse colectiva, corremos o risco de voltarmos a cair no mesmo erro», reflectiu o Filipe Arede Nunes.

Apesar de tudo, respirava-se já uma atmosfera diferente.

A sensação ficou expressa numa só palavra, aqui deixada pelo João Caetano Dias: «Alívio.»

 

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A voz do leitor

«Bruno de Carvalho prometeu nas eleições de 2013, num debate televisivo, um investidor que injectaria 18 milhões no clube. Nunca houve esse investimento. Depois das eleições, que ganhou com 90%, achou-se o dono do clube, anunciando a chegada dum filho nos ecrãs do estádio, promovendo a mulher internamente e aumentando exponencialmente os custos com a sociedade de advogados onde trabalha o primo e onde meteu o sogro. Veio para servir-se do Sporting. Como poderia continuar à frente dos destinos do clube alguém de “costas voltadas” com o plantel? Um pequeno pormenor: no dia da final da Taça contra o Aves nem ao hotel foi almoçar, como fez Marta Soares, por exemplo.»

 

Verde Protector, neste texto do António de Almeida

Faz hoje um ano

 

Foi um dia histórico para o Sporting. Por vários motivos. Pela mobilização, em número inédito, dos sportinguistas na salvação do clube contra os desmandos de um grotesco tiranete que ameaçava afundá-lo. Pela desassombrada afirmação da vontade dos sócios enfrentando uma pequena turba de cortesãos que tudo fez para silenciar a voz da vasta maioria. Pelo exemplo de civilidade de quase todos em absoluto contraste com o indecoroso comportamento da guarda pretoriana do carvalhismo já em decomposição.

Uma data que não será esquecida: 23 de Junho de 2018.

 

Nos parágrafos seguintes, lembrarei a sucessão de postais que por ordem cronológica foram sendo publicados, nesse longo dia, no És a Nossa Fé.

 

Escrevi eu

«Dia S. De Sporting, sim.»

 

Escreveu o Pedro Azevedo:

«Votem em consciência, da forma que entenderem, mas tenham sempre presente que o Sporting não pode continuar adiado. Ganhe quem ganhar, domingo será outro dia e o Sporting precisará de todos nós, do nosso amor pelo clube, para começar a sua reconstrução.»

 

Escreveu o Ricardo Roque

«Bruno de Carvalho não foi à Madeira na última jornada. Não foi à Academia às 16 horas daquela 3.ª feira de maio... Não foi à final da Taça de Portugal no Jamor. Não vai à assembleia geral... Precisamos dele para quê?»

 

Escreveu o JPT:

«Que nos lembremos deste "És a Nossa Fé", desta nossa "fé". Que nas diferentes opiniões e modos de paixão possamos estar congregados, com os desacordos, que os há e muitos, mas sem conflitos. E amanhã também.»

 

Escrevi eu:

«Hoje o que está em causa é a devolução aos sócios da decisão soberana de escolha dos novos titulares de todos os órgãos sociais do clube - Mesa da Assembleia Geral, Conselho Directivo e Conselho Fiscal e Disciplinar - ou de apenas dois destes órgãos, com exclusão do Conselho Directivo. Opção legítima, democrática e com base estatutária. Só depende de nós, sim.»

 

Escreveu o António de Almeida:

«O que tenho absoluta certeza é que na hipótese dos sócios cometerem harakiri e votarem pela permanência do déspota, de hoje em diante não mais cessará a prepotência, o autoritarismo no nosso clube.»

 

Escreveu o Luciano Amaral:

«O homem é insuportável e danoso. Mesmo com ele fora vai ser difícil. Mas com ele lá tornou-se impossível.»

 

Escrevi eu:

«Não é o momento de olhar para o lado, assobiar de mãos nos bolsos, compor um soneto ou parar no meio da ponte. Este é o momento de tomar partido. Pelo Sporting ou pelos sete coveiros do Sporting.»

 

Escreveu o Ricardo Roque:

«Nas cerca de duas horas que levei na fila até votar senti uma imensa tristeza pelo que via e ouvia. O resultado não vai sarar a divisão, mas o sectarismo que vivenciei fez-me questionar sobre a minha condição futura na nossa instituição. O mal feito vai levar tempo a ser erradicado.»

 

Escreveu o José Navarro de Andrade:

«Cheguei às duas da tarde e, ordeiramente, só consegui entrar às três. Mas não foi no Pavilhão Atlântico que entrei, antes numa twilight zone: tinha regressado às RGAs de 75. Os apoiantes do Bruno, por táctica, iam arengando ao microfone uns atrás de outros. Não sei como vai acabar o dia. Menos imagino qual será o resultado da votação. Temo, porém, o pior. De qualquer maneira o Sporting está uma Jugoslávia, com Milosevic e tudo. Nunca me senti tão infeliz neste meu clube.»

 

Escreveu o JPT:

«A polícia sai com os sacos com os votos na mão, dizem os jornalistas. Mas está por confirmar. Reforços policiais chegam, rumores de manifestações espontâneas, expectativas de jacqueries. Um descalabro numa associação, uma enorme tristeza. Mas, ao mesmo tempo... acabou o pesadelo. Quanto muito haverá insónias. Mas o pesadelo? Acabou. E hoje é o primeiro dia do resto...»

 

Escrevi eu:

«Dia D: destituído. Agora há que colar os cacos. Com urgência.»

 

Escreveu o António de Almeida:

«Bem pode agora [Bruno de Carvalho] procurar subterfúgios, usar de manobras dilatórias ou mesmo impugnação, que os sportinguistas e o país não tolerariam qualquer chapelada à soberana decisão dos sócios. Vamos a eleições.»

O nosso dia da libertação foi há exactamente um ano...

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Junho de 2018 trouxe aos sportinguistas alguns inenarráveis momentos, protagonizados por um aspirante a déspota alucinado que julgando-se iluminado, tipo aprendiz de Napoleão, ameaçou tomar para si um clube centenário. À semelhança de todos os ditadores, apesar de ter ainda hoje muitos seguidores, barricados numa seita letal ao Sporting, a verdade é que acabou escorraçado pelas massas, faz exactamente hoje um ano, quando uma esmagadora maioria de sócios libertou o clube do jugo do tirano.

23 de Junho deveria passar a ser comemorado pelo clube como dia do sócio, porque vivemos um momento épico de determinação individual no pavilhão Atlântico, numa soalheira tarde de Verão, com uma afluência record de associados esperando na fila interminável, acossados e insultados por uma turba de jagunços ameaçadores, funcionando como guarda pretoriana do errático pequeno líder. Indiferentes a tudo e todos, no interior do recinto o cenário era infernal, com grunhos urrando, assobiando, impedindo de falar qualquer um que não fosse dos seus. Chegaram até a agredir sócios. Felizmente a força policial no local impediu que tais vermes levassem por diante os seus intentos.

No final o amor pelo clube falou mais alto. Os sócios que corajosamente se sujeitaram ao enxovalho para exercer a sua vontade viram o esforço recompensado com o afastamento do usurpador e restabelecida a normalidade estatutária. Se é verdade que 23 de Junho representou para o Sporting o que há 200 anos Waterloo representou para a Europa, não tivemos heróis nem vencedores naquela tarde. Quem ganhou verdadeiramente foram os sócios, todos os sócios, anónimos na sua grande maioria, que esperaram estoicamente na fila, votaram e viraram costas à turba infame. Graças aos sócios, todos os sócios, estamos hoje melhor que há um ano, o clube voltou a ser dos sportinguistas.

Viva o Sporting!

As notícias e o fisco

Um textinho muito interessante e esclarecedor de Carlos Vieira.

"Nota aos meus amigos sobre vendas de jogadores por valores a rondar 120M e sobre o facto de nada ser comunicado até agora. Este meu post é mais académico e só visa fazer pensar num aspeto que pouca gente tem referido, na comunicação social e nos “mentideros” económico-financeiros
1. As contas da SAD vendedora, apresentavam a 31 de dezembro de 2018 resultado líquido positivo (na ordem dos € 20M positivos); a perspetiva geral para o final do exercício já era positiva em termos contabilísticos e fiscais;
2. O relatório e contas fala inclusive de eventos subsequentes relacionados com alienações de passes de jogadores que iriam já fazer manter o resultado ficar estabilizado num lucro no final do exercício económico e fiscal, a 30 de junho de 2019 (que se atinge daqui a dias);
3. Em nenhum local dos relatórios e contas se refere que a SAD tem prejuízos fiscais acumulados de exercícios anteriores (o que faz sentido face aos lucros sucessivos que tem tido anualmente);
4. O jogador que se refere ir ser vendido (os seus direitos desportivos, entenda-se) tem um valor contabilístico perto de zero, sendo um jogador formado na Academia da SAD;
5. Assim, uma venda pelos supostos 120M iria originar um pagamento de IRC (já daqui a uns meses) na ordem dos € 27M (olha o nosso Ministro das Finanças, aos pulos,… ou talvez não);
6. Há a possibilidade de se reduzir a fatura no ponto acima para cerca de metade, mas se, e só se (no meu modesto entender) se proceder a aquisições de jogadores do mesmo montante, no corrente ano e nos próximos dois (e se não se fizerem mais vendas). Mas pelo menos cerca de € 13M iriam para o nosso tão carenciado erário público;
7. Assim, antevejo que o negócio, a fazer-se, seja posterior a 30 de junho pois sempre se ganham mais um ano para se gerir formal e mediaticamente todos os passos que aqui referi. Com muito planeamento à mistura."

Balanço (3)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre RISTOVSKI:

 

Eu: «O macedónio não é um primor de técnica, está mais que visto. Ontem confirmou-se lá à frente, quando optou por atirar para a bancada quando tinha Dost e Nani isolados à sua esquerda. Mas bateu-se como um Leão contra Brahimi, um dos mais categorizados adversários. Fez um corte providencial aos 54'. Exibiu boa forma física do princípio ao fim.» (27de Janeiro)

JPT: «Ristovski acaba de ser expulso. Terá dito demais ao árbitro. Mas é inacreditável que tudo isto se passe diante de um árbitro, dois fiscais-de-linha e a rapaziada do VAR (que deve falar em situações de expulsão). O homem leva uma cotovelada tamanha que logo lhe cresceu um gigante galo. Foi de propósito. Diante do árbitro. E todos se calam. Não vale a pena. O futebol só dá para um tipo se irritar. Saudações leoninas.» (30 de Janeiro)

- João Goulão: «Um Ristovski completamente desorientado deixa ao lento e lesionado Petrovic, defesa central por empréstimo, a responsabilidade de o ir cobrir e obviamente foi "faca em manteiga".» (30 de Janeiro)

Leonardo Ralha: «Grande beneficiário da nova táctica, o macedónio serviu-se da velocidade e rapidez de execução para fazer muitos estragos à ala esquerda dos visitantes. Tanto assim é que na primeira parte foi o principal fornecedor de Bas Dost, oferecendo-lhe aquele que deveria ter sido o primeiro golo do jogo. Depois do intervalo foi menos solicitado pelos colegas, destacando-se sobretudo nas missões defensivas.» (18 de Fevereiro)

- Francisco Vasconcelos: «É um bom suplente.» (8 de Março)

- António de Almeida: «Injustamente cadstigado com dois jogos, ficou impossibilitado de disputar a 1.ª mão da meia-final da taça de Portugal frente ao Benfica no estádio da Luz. Corre agora o risco de ficar de fora da 2.ª mão, graças a uma incompreensível, diria mesmo absurda, decisão de Manuel Mota. O Sporting já anunciou recurso, vamos ter mais do mesmo? É que, além de prejudicar o clube, também é muito injusto para o atleta.» (31 de Março)

- José Navarro de Andrade: «Será um bom suplente de quem vier, tal como o foi do saudoso Piccini. Estará Thierry Correia capaz de ascender à primeira equipa?» (28 de Maio)

A voz do leitor

«A importância da presença habitual de crianças e jovens em Alvalade deveria ser de incentivo obrigatório por parte da direcção do Clube. E deveria haver torniquetes próprios para crianças, para evitar os abusos, senão paga o justo pelo pecador. A Gamebox também tem uma componente de ajuda ao Clube, é preciso não esquecer. A situação financeira do Clube não é a melhor, apesar de achar que está controlada. Os que - ainda agora - acham que a anterior direcção era o sol na terra, e deixou o clube cheio de dinheiro, é que deviam pagar o aumento das Gameboxes.»

 

JMA, neste meu texto

A história não se reescreve

A história não se reescreve. Só há uma verdade histórica, independentemente das versões que se possam ir publicando ao sabor de interesses de países, de grupos económicos, de organizações ou até de pessoas.

A história recente da nossa organização conta-nos sobre um episódio violento, traumático, de consequências ainda imprevisíveis, perpretado por um grupo de pessoas onde, sabe-se, estavam alguns dos dirigentes, ex-dirigentes e elementos da claque JuveLeo.

A nossa história recente conta-nos do desvario de um presidente que tinha tudo para ser, de longe, o melhor presidente que a organização alguma vez teve, mas que desbaratou um apoio incondicional quase absoluto, com claro prejuízo para a mesma organização e para os resultados obtidos e provavelmente a obter.

Esta é uma versão da história que nos oferece, à maioria, muito poucas reticências. Há até quem seja mais severo e queira escrever uma versão em que o referido presidente foi o mandante da acção criminosa daquele violento episódio.

Soube-se agora que o responsável pela segurança de Alcochete foi avisado com 14 minutos de antecedência (um quarto de hora) que iria haver uma invasão. Divulga o insuspeito "Expresso" que o oficial de ligação com os GOA, Bruno Jacinto, avisou o responsável pela segurança da academia, Ricardo Gonçalves, 14 minutos antes da invasão. Consta dos autos da GNR, diz aquele semanário. Deixo apenas uma simples pergunta para, perdoem a imodéstia, ajudar a contribuir para encontrar a versão correcta da história: 14 minutos não foram suficientes para encerrar os portões e para pôr em prática o plano de segurança?

Peça a peça, pedaço a pedaço, detalhe a detalhe, responsável a responsável, espero que a verdadeira história deste episódio seja revelada a todos, que a investigação policial revele a verdade dos factos e os responsáveis por eles e que estes, sejam quem sejam e estejam a que nível estiverem, ou estiveram, na organização, sejam por eles devidamente condenados.

Como nota de rodapé, pergunto apenas a quem interessa a morosidade do apuramento das responsabilidades. Posso até dizer-vos quem é prejudicado diariamente e até ao final do processo ou quiçá até para além dele, como bónus: O Sporting!

 

Nota post publicação: Alguém me chamou a atenção para a data de publicação desta notícia (já tem um ano, é de 24/MAI/18). Estando ela desactualizada, não belisca em nada o conteúdo deste post.

Como devem ter-se apercebido, não foram libertados comentários. Por minha exclusiva vontade.

 

Balanço (2)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre SALIN:

 

Pedro Azevedo: «Em terra de cónegos, o Sporting foi abençoado pelo baptismo de fogo de um francês que estava (está?) para ser dispensado e que só acidentalmente entrou em campo, por lesão durante o aquecimento do titular Viviano. De facto, Romain Salin foi decisivo na fase em que o Sporting andou à deriva, nomeadamente nos primeiros 25 minutos da segunda parte, realizando três grandes defesas.» (12 de Agosto)

- José Navarro de Andrade: «Salin! Salin! Salin!» (25 de Agosto)

- Edmundo Gonçalves: «Foi o nosso melhor e o melhor em campo e não vejo mais ninguém que tenha que destacar.» (25 de Agosto)

Eu: «De longe o melhor em campo nesta sua estreia em clássicos do futebol português. Actuação superlativa do guarda-redes francês, que assinou seguramente uma das mais conseguidas exibições da sua carreira. Valeu-nos o ponto alcançado na Luz, seguramente, com enormes defesas aos 6' (a cabeceamento de Rúben Dias), aos 20' (novamente R. Dias), aos 21' (Cervi), aos 52' (Pizzi), 70', 72' e 90'+6. Não restam dúvidas: agarrou a titularidade.» (26 de Agosto)

Leonardo Ralha: «Conseguir a rara proeza de chegar ao final do jogo sem golos sofridos implicou uma mão-cheia de excelentes intervenções, num festival de classe que arrancou na primeira parte, quando uma das habituais paragens colectivas da defesa leonina fez aparecer um adversário isolado à entrada da pequena área. Ainda melhor esteve nos últimos minutos de jogo, quando a vantagem de 0-2 poderia ter sido escassa para atingir as meias-finais caso o guarda-redes não tivesse desviado remates com selo de golo como se não houvesse amanhã.» (17 de Janeiro)

- Francisco Vasconcelos: «Renan não é mau mas Salin está longe de me convencer, sendo necessário alguém que nos assegure que a baliza fica bem entregue» (8 de Março)

Faz hoje um ano

 

Véspera da histórica assembleia geral convocada, a pedido de um grupo alargado de sócios, para destituir o presidente Bruno de Carvalho por grave e grosseira violação dos seus deveres estatutários na condução do clube.

Nesse dia, 22 de Junho de 2018, soube-se que o dirigente leonino havia perdido as duas providências cautelares que apresentara, desistindo de outras duas. O Juízo Legal Cível de Lisboa declarou a legalidade da Comissão de Gestão nomeada por Jaime Marta Soares e da suspensão de Bruno de Carvalho de presidente do clube.

O sucessor de Godinho Lopes saía derrotado em toda a linha junto do poder judicial.

 

Nos boletins de voto entretanto impressos lia-se isto:

«Revogação colectiva, com justa causa, do mandato dos membros do Conselho Directivo:

"Sim, não, abstenção»

No fundo, duas opções: sim ou não à destituição?

 

O meu depoimento, parte 1:

«É o momento de votar. Para destituir o responsável pelo maior descalabro da história do Sporting. Por eleições imediatas para todos os órgãos sociais. Por uma auditoria de gestão urgente ao Sporting. Pelo regresso inadiável da legalidade ao clube. Só falta um dia.»

O meu depoimento, parte 2:

«Acuso Bruno de Carvalho de ter protagonizado o mais vergonhoso capítulo da história centenária de uma instituição de utilidade pública. Acuso Bruno de Carvalho de procurar impedir por todos os meios a expressão da voz dos sócios. Acuso Bruno de Carvalho de ter medo de ser escrutinado em eleições. Acuso Bruno de Carvalho de estar desesperadamente agarrado ao lugar. Acuso Bruno de Carvalho de manifesta falta de dimensão ética, cultural e democrática, o que o inibe de permanecer como presidente do Sporting Clube de Portugal e presidente da SAD leonina.»

 

O depoimento do João Távora:

«Que ninguém falte amanhã à Assembleia Geral, para resgatarmos o Sporting desta canalha sem valores ou princípios.»

 

O depoimento do Ricardo Roque:

«Dia 23 felizmente que não tenho de escolher entre Bruno de Carvalho e Jaime Marta Soares. Seria escolher entre a espada e a parede. Vou votar pela devolução do poder aos sócios, por marcação imediata de eleições! Sábado, a minha resposta é obviamente, SIM!»

 

O depoimento do Filipe Moura:

«Admito que Bruno de Carvalho resolveu muitos problemas no Sporting quando chegou mas, dado o seu carácter, vaidade e prepotência, são muitos mais (e mais graves) os problemas que cria. Neste momento a sua permanência no Sporting não vai resolver nada e só pode trazer ainda mais problemas.»

 

O depoimento do Edmundo Gonçalves:

«Já faltou mais para termos o Godinho de volta. NÃO, nem pensar!»

 

O depoimento do JPT:

«Caramba, será assim tão difícil perceber o grau de monumental desatino a que esta direcção chegou? As pessoas vivem numa outra realidade?»

 

O depoimento do António de Almeida:

«O país já não suporta este figurão, o Sporting não sobreviveria por muito mais tempo nesta deriva lunática que nos está a levar para o abismo. Sim à revogação do mandato do actual Conselho Directivo. Viva o Sporting!!!»

 

O depoimento do Pedro Bello Moraes:

«Acredito que 23 de Junho de 2018 será o dia da libertação e consequente restauração do Sporting Clube Portugal. Voto Sim à revogação do Conselho Directivo do SCP. Sim ao fim de Bruno de Carvalho, esse pequenino homem que ilusoriamente se engrandeceu à custa da grandeza do nosso clube. O Sporting é nosso.»

 

O depoimento do Luís de Aguiar Fernandes:

«Amanhã, eu estarei lá. Votarei "Sim", porque acho que é fundamental haver novas eleições para acalmar os ânimos, esperando depois uma candidatura que se proponha a seguir o rumo do primeiro mandato de Bruno de Carvalho. No entanto, acho que o "Não" irá vencer. Se assim for, podem agradecer a Marta Soares, Ricciardi, Roquette, Sobrinho e afins, por, sem quererem, mostrarem aos sportinguistas o quão grave seria voltar ao passado.»

 

O depoimento do Rui Cerdeira Branco:

«Tenho escrito pouco por aqui mas tenho escrito e, na medida do possível, feito o que posso, por aí, para tentar resgatar o Sporting de um dos momentos mais negros da sua história. Amanhã é dia de pôr um ponto final nesse mesmo destino trágico que temos vivido, da forma mais genuína e devota possível: pelo voto, em família. Amanhã será Dia de Sporting e há um grande Siiiiiiiiiim para dar ao futuro do clube.»

A voz do leitor

«Tendo em conta a forma como saiu, Ilori nunca deveria ter voltado. Muito menos não se tendo afirmado, porque uma coisa era querer singrar no futebol e por esse motivo até ter "forçado a barra" um pouco, a gente não gosta, mas compreende. Mas tendo em conta o que foi, não devia voltar nunca. Até porque tínhamos Domingos Duarte e Ivanildo, pelo menos, a merecer o lugar de terceiro e quarto centrais do plantel. Terá sido o negócio menos bom de uma boa janela de transferências em Janeiro, onde me parece que contratámos bem e não demasiado caro. Por mim, a ser verdade que tem mercado no Championship, ia pelo preço a que veio.»

 

Rui Marado Moreira, neste texto do Luís Lisboa

Balanço (1)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre RENAN:

 

Pedro Azevedo: «Na baliza, a novidade Renan. (É verdade, o futebol evoluiu muito desde os meus tempos de juventude. Nas "peladas", que fazia com os amigos, o gordo ia sempre à baliza, agora não deixam o Viviano jogar.) (...) Esteve bem, mas a sua colocação de pés, no lance do golo inglês, não pareceu pacífica.» (26 de Outubro)

Eu: «Renan Ribeiro acaba de defender três penáltis. Graças a ele, e só a ele, o Sporting conseguiu dobrar o Braga e vai comparecer sábado na final da Taça da Liga: defenderemos contra o FC Porto o troféu de que somos titulares. Espero que todos quantos há quatro meses vêm injuriando este bravo guarda-redes brasileiro, titular da nossa equipa, metam enfim a grafonola no saco.» (23 de Janeiro)

- Francisco Vasconcelos: «Renan não é mau mas Salin está longe de me convencer, sendo necessário alguém que nos assegure que a baliza fica bem entregue.» (8 de Março)

- Leonardo Ralha: «Houve quem tivesse muitas dúvidas quanto ao valor do guarda-redes, incluindo este que vos escreve, mas o segundo troféu conquistado por sua intervenção directa começam a fazê-las dissipar. Mostrou-se decisivo logo no início, defendendo um forte remate de Soares que resultou de um alívio disfarçado de assistência para golo de Bruno Gaspar. Embalou para uma grande exibição, mesmo sem conseguir evitar os dois golos do FC Porto, destacando-se numa segunda parte de intenso domínio portista.» (26 de Maio)

Luís Lisboa: «Esta época, quando chegou a titular, a verdade é que não me deixou grande impressão: muito preso aos postes, muito lento a repor a bola em jogo, parecia um novo Ricardo para pior, mal por mal preferia o Salin. A verdade é que foi melhorando pouco a pouco, e muito beneficiou com o regresso de Nelson como treinador de guarda-redes. Começámos a ver saídas a cruzamentos, colocações de bola nas laterais com os pés, nos médios com as mãos, começámos mais a ver coisas do Rui Patrício. Depois veio a Taça da Liga, defendeu penáltis e ganhou confiança sem entrar em vedetismos descabidos. Depois começou aqui e ali a ser o melhor em campo. E depois veio a final da Taça, onde foi dos melhores em campo (apesar daquele passe desastrado que ia correndo mal) e defendeu o penálti decisivo.» (4 de Junho)

Faz hoje um ano

 

Mais do mesmo. Bruno de Carvalho voltou a utilizar o Facebook para falar num «ataque terrorista conta 3,5 milhões de sportinguistas», comparando-o ao assalto a Alcochete. E apontando oito nomes: Jaime Marta Soares, Artur Torres Pereira, Henrique Monteiro, Frederico Varandas, Álvaro Sobrinho, José Maria Ricciardi, José Eduardo e Rogério Alves.

«O que esta gente, que se diz sportinguista, está a fazer ao Sporting e à SAD é um acto de terrorismo, similar ao que aconteceu na Academia a 15 de Maio», escreveu o presidente do Sporting a 21 de Junho de 2018.

 

Comentou o António F:

«Ter-se-á visto ao espelho? Estará a referir-se aos elementos da sua direcção?»

Comentei eu:

«Na alucinação da escrita, esqueceu-se que três dos que agora acusa foram seus colaboradores directos - um como vice-presidente do Conselho Directivo, outro em dois mandatos como presidente da Mesa da Assembleia Geral, o terceiro como director do departamento clínico leonino durante os cinco anos do actual consulado. Entre os visados figuram ainda o maior accionista individual da SAD leonina, alguém que foi seu apoiante desde a primeira hora - ao ponto de ter dado a cara por ele em tribunal - e um restante que era "tão lá de casa" que há um ano chegou a ser convidado para o casamento de quem hoje o difama.»

 

Faltavam apenas três dias para a histórica assembleia geral que poria fim ao mandato de Bruno de Carvalho, por vontade expressa dos sócios.

 

Escreveu o Pedro Bello Moraes:

«Sábado é a resposta. Para correr com o golpista e pistoleiro Carvalho, para lhe pôr um fim no nosso clube, vamos ou vamos à Assembleia Geral de Destituição. Não temos duas opções. Há só uma escolha.»

Escreveu o António de Almeida:

«O nosso clube está neste momento à beira do abismo, dia 23 os sócios decidem se querem recuar e mudar de vida ou dar um passo frente e manter o birrento mimado a postar boçalidades no FB, insultando tudo e todos para desculpar os fracassos que provoca...»

 

Neste mesmo dia, entre as 19.45 e as 20.30, o presidente da Mesa da Assembleia Geral deu uma conferência de imprensa para esclarecer os sportinguistas sobre diversos aspectos práticos relacionados com o importante conclave leonino, desfazendo dúvidas expressas pelos jornalistas ali presentes. 

Lamentavelmente, vergonhosamente, só a Sporting TV esteve ausente. «Obedecendo às instruções do chefe máximo: ordem para calar», observei aqui.

O estilo norte-coreano imperava no canal televisivo do clube, como reflexo do desvario que lá se instalara.

 

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O que poderiam ter feito com as Gamebox 2019/2020 - um exemplo

Exponho neste artigo aquuele que é um de muitos exemplos do que poderia ter sido feito se se tivesse usado de um pouco mais de bom senso e de pensamento prospetivo, indo além de objetivos de curtíssimo prazo de resultados duvidoso com a Gamebox 2019/2020.

Imaginemos que a direção do Sporting concluiu que era imperativo acabar com a Gamebox (GB) de preço único para as crianças até 11 anos. É uma opção legítima sendo que por esse mundo fora há exemplos a favor e contra essa opção.

Os nossos vizinhos da 2ª circular têm preços diferentes, os nossos futuros adversários do Liverpool têm preços fixos (inferiores ao preço mais alto que iremos praticar). Como disse, a opção é legítima e poderá haver boas razões que justifiquem a mudança. Alguma procura superior à oferta em alguns sectores pontuais do estádio, algum abuso das GB de criança por parte de adultos que compram para os filhos mas que depois são eles a usar (por manifesta incapacidade de controlo por parte do clube). Talvez haja até outras razões que me ultrapassam e que ainda não vi explicadas em lado nenhum. Razões que ainda assim nunca devem justificar soluções globais para problemas pontuais, diria eu. Mas avancemos com estes pressupostos.

O que sei é que num inquérito recente feito pelo próprio clube a alguns adeptos com GB, ficou patente que o clube tinha perfeita noção de parte dos riscos que esta alteração significativa poderia implicar.

Uma parte significativa do inquérito, além de testar reações aos preços, visava inquirir sobre formas de discriminar positivamente quem trouxesse a família para o estádio, quem trouxesse novas Gamebox, quem tivesse uma relação mais profunda com o clube ao nível das compras de merchadising e da prática desportiva. Havia até espaço para recolha de sugestões. Mas havia também alguma rigidez implícita nas opções quanto aos preços.

As opções críticas pareciam já estar tomadas (grande aumento dos preços para crianças e para alguns sectores), o que se media eram variações marginais.

Face ao que veio a acontecer, concluo que a opção tomada fez-se de forma consciente quanto ao risco de ostracizar precisamente quem tem uma relação mais profunda com o clube, de desprezar qualquer esforço significativo de discriminação positiva às famílias e a quem garante vendas significativas de GB ou a quem tem a tal relação até economicamente mais expressiva com o clube.

Mas seria mesmo necessário aumentar os preços da GB das crianças para mais do dobro num único ano para cumprir com os objetivos de modar de paradigma?

Seria mesmo necessário ocorrer o risco de o clube ser visto como estando empenhado em expulsar as crianças e/ou estar a querer explorar ao máximo quem quer ser fiel ao lema de Geração em Geração passando da venda à extorsão (como disse, os aumentos superam os 100%, mais do dobro na generalidade dos lugares, com exceção de um único sector em 36)?

Se tudo correr pelo melhor nesta estratégia qual é o ganho máximo que se espera?

Compensa o risco de se perderem mais alguns milhares de GB em vendas este ano?

Compensa o risco de se afastarem mais uns quantos futuros adultos da vivência do clube quando as vendas de GB têm estado em queda e não propriamente fulgurantes?

As perguntas são retóricas e já sabem o que penso (ver o artigo "Este ano são menos três Gamebox"), mas não fiquemos por aí. O que se poderia ter feito para manter a estratégia e não hostilizar os sócios e, provavelmente, conseguir garantir com mais segurança o sucesso da iniciativa e ainda assim diminuir os riscos?

Eis algumas ideias simples que me parecem do mais elementar bom senso e que, creio, poderiam acabar por garantir um encaixe tão bom ou melhor e garantir também um estádio mais cheio e até mais receitas correlacionadas (ninguém gasta mais num jogo do que uma família com filhos…) por mais cerveja com álcool que se pudesse vender (e não pode, nem poderá)...

  1. Anunciar que o Sporting Clube de Portugal ia alterar a política de preço único para crianças no Estádio antes de que se começassem a receber cartas de renovação em casa;
  2. Anunciar que em dois anos os preços de crianças no estádio iriam atingir os 50% do preço de adulto do respetivo setor garantindo aumentos mais suaves e menos escandalosos;
  3. Anunciar que, com isso, o aumento máximo do preço de criança iria ser de €66 e não de €132 como está a acontecer e que os aumentos relativos nunca atingiriam os 100% mas apenas metade disso como está a acontecer;
  4. Anunciar que se pretendia, a prazo, alterar os preços relativos entre sectores no estádio mas que não se iria criar qualquer diferenciação adicional de preços nos sectores do Estádio enquanto se estivesse a implementar esta alteração de paradigma nos bilhetes dos sub-11, ou seja, todos os preços aumentariam na mesma proporção nestes próximos dois anos, exceto os de criança (há setores onde há aumentos de quase 18% para adulto + €54 e +€45 por GB e nas outras categorias além de criança);
  5. Anunciar que as GB de menores de idade quando adquiridas no âmbito da GB Familiar terão preço de criança, subindo a fasquia dos 11 anos para os 17 (alinhando com o que se passa no SLB). Haveria assim algo de concreto no espírito de Geração em Geração além de um aumento dos preços;
  6. Anunciar que sócios que tenham na sua família (uma definição e informação que já existe junto do Sporting) 3, 4 ou mais GB têm direito a incentivos especiais (sejam descontos no valor da GB, sejam outras vantagens junto do merchandinsing, convites adicionais, etc). Haveria assim algo de concreto no espírito de Geração em Geração além de um aumento dos preços;
  7. Anunciar que sócios praticantes de modalidades terão direito a condições especiais na compra da GB fomentando assim o espírito de lealdade e reconhecimento por parte do clube e fidelizando os adeptos – o mesmo para as GB modalidades.
  8. Na época de 2021/2022, já com a transição completa na GB criança, proceder à alteração de preços de alguns sectores que o Sporting quer encarecer acima dos valores de aumento anual que tem praticado.

Não concordo com a subida generalizada de preços que infelizmente não tem sido feita com respaldo no sucesso desportivo que todos quereríamos e que parece imune ao desempenho desportivo e à oferta que há em cada ano, a verdade é que, pelo menos nos últimos 10 anos, os preços têm subido muito acima do custo de vida. Neste período a inflação foi quase nula e assim continuará nos próximos anos.

Mesmo um aumento de 4% é significativo. O que dizer de 18% ou de 103%...

Os ganhos serão sempre marginais (se não forem mesmo perdas líquidas) e o afastamento do estádio por razões económicas será cada vez mais uma realidade. Mas, ainda assim esta outra forma de fazer as coisas que sugiro como mero exemplo, muito colada ao que me parecem os objetivos da direção com a GB 2019/2020, seria muito mais razoável.

Desfasaria o objetivo em dois anos mas teria a bondade de não ser tão escandalosa e de não violar as promessas e o discurso feito em campanha. E fomentaria o espírito de Geração em Geração assumindo que um dependente a cargo não deixa de o ser aos 11 anos como sucede hoje, por exemplo, com as crianças do sexo feminino que pagam preço de adulto desde o 12 anos (mulher). Aposto até que garantiria um casa mais cheia, por oferecer algo em troca a muitos dos que seriam afetados.

Agora o mal está feito e de tão incompreensível e tão mal gerido que não pode ser silenciado.

Acresce que sucede na mesma conjuntura em que os preços cobrados em várias modalidades estão a aumentar significativamente e em que os descontos até aqui existentes para famílias estão a ser cortados.

Não sei se há consciência de que uma parte significativa dos visados são exatamente os mesmos que assistem a um pedido de renovação de GB a preços estratosféricos.

Se houve essa consciência então a gestão é danosa dos interesses do clube pois não é defensável que este grupo (sócios com filhos praticantes) possa ser alvo num clube que quer ter futuro.

Se não é consciente então algo tem que mudar na capacidade de articulação interna da gestão do clube.

Falta uma visão do todo e uma capacidade de escrutinar o impacto de cada medida tomada sectorialmente naquilo que é a relação com os associados.

Gerir uma organização como o Sporting não é certamente pera doce nem nunca será. O atraso ao nível organizacional e o amadorismo herdados são conhecidos por quem é capaz de ser minimamente justo (e não vem sequer apenas da direção anterior) mas essa é a tarefa de quem está legitimado para gerir o clube.

A dos sócios é ajudarem como melhor puderem. De preferência de forma construtiva e o mais atenta possível. 

Na minha vida a participação nunca se resumiu a bater palmas, nem a deitar abaixo.

No mundo atual e numa organização com o modelo de governo do Sporting, a participação também se faz aqui. E assim será enquanto me considerem oportuno e me dê a esse trabalho.

É também assim que vejo o esforço, devoção, dedicação e glória. Sem amarras, sem cegueira, sem contrapartidas, com entrega total, com frontalidade e disponível para ajudar, em especial sempre que criticar.

Cuidado com o racional do produto futebol. Sim, é um negócio e sim, também é emoção. Mas a emoção não pode servir para se converter numa sensação de exploração.

Não matem os leões dos leõezinhos de ouro, no processo. Podemos recuperar de muita coisa, não sei se resistiremos muito tempo a um caminho mal gerido de mercantilização da relação. A relação tem que ser sentida como tendo dois lados e não pode ser artificial e de mero oportunismo, nem se pode resumir a "experiências" pontuais encenadas no estádio ou seus arrabaldes.

Não é fácil, mas é muito fácil fazer enormes asneiras, como está a ser este caso.

O verdadeiro burro não é quem erra, é quem insiste no erro. Vejam lá isso.

Saudações leoninas.

RonRon, NáNá (como jogar e comentar futsal)

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Este "post" pode parecer algo requentado e fora de época.

É uma resposta a alguns comentários aqui.

No dia que escrevi sobre futsal não sabia que NáNá (o comentador escolhido pela RTP para o quarto jogo, supostamente, o jogo do título, era um ex guarda-redes do Benfica).

Revi o jogo e os comentários, ver entre o minuto quatro e o minuto três da primeira parte:

"Ninguém ganhou três vezes seguidas ao Sporting".

"O Benfica está a um passo de o conseguir fazer".

Algumas pessoas têm dúvidas que o Benfica "tinha" de conquistar este título, vejam/leiam este "post" n´ O Artista do Dia e tirem as vossas próprias conclusões.

(aos comentadores que me acusaram de estar a faltar à verdade, não vale a pena virem a correr pedir desculpas, sei que erraram, sei que mentiram, sei que vão ter de viver com isso, as desculpas não se pedem, evitam-se).

Na imagem a tal mão de Roncaglio (RonRon) [como vimos pelo exemplo de Fernando (NáNá) os guarda-redes do Benfica têm os nomes infatilizados] que também mereceu um comentário do ex; algo do género: "Roncaglio muito bem, defende com a mão mas não faz nenhum gesto que o denuncie"; um excelente actor, portanto, já que não conseguem vencer com as regras do jogo, contornam-se, quebram-se, desrespeitam-se os colegas de profissão mas está tudo bem, desde que não sejam apanhados.

Mais uma vez um alerta para a televisão que é paga com o dinheiro dos meus impostos, menos, ok, menos palavras, menos teorias, menos parcialidade, enfim menos parvoíces durante os jogos.

Publicidade enganosa

Sobre o preçário dos novos lugares de época no nosso estádio já se pronunciaram aqui - e bem - o Rui Cerdeira Branco e o Edmundo Gonçalves. É uma decisão incompreensível e inadmissível da Direcção leonina. 

Nada tenho a acrescentar. Direi apenas que lamento ter visto, na anterior campanha para venda de gameboxes, a utilização de Francisco Geraldes, profissional oriundo da formação do Sporting, como isco para atrair adeptos. Sabemos o que aconteceu: o jogador acabou por ser mandado às malvas, sem oportunidades para mostrar o que vale perante aqueles que confiávamos e confiamos no seu talento.

Foi publicidade enganosa, afinal. Espero que não se repita.

O custo das gamebox

O Rui Cerdeira Branco já abordou este tema mais abaixo no blog, mas eu acho interessante apresentar aqui as minhas contas, não sem que antes deva dizer que a minha alma está parva!
Antes de ir aos valores, a confissão de que nunca me passou pela cabeça que houvesse chicos que usam um bilhete/GB de criança para entrar no estádio com regularidade. É algo a um nível que eu nunca imaginei que pudesse acontecer! Principalmente na nossa casa, connosco, que somos "diferentes". Diferentes... 'Tá bem!
Ora vamos lá ao orçamento: Ir a Alvalade passou para mim a ser muito mais caro desde que mudei de residência, são agora mais cerca de 80km e 5,80€ de portagem em cada jogo. Ou seja, são cerca de 2100km (180,00€ +-) e de 150,00€ em portagens. A GB aumentou alguma coisa, confesso que não sei quanto custou a da época passada, mas lendo o que por aí se escreve, andará num aumento a rondar os 5%. Ou seja, a "brincadeira, a que devo ainda juntar as quotas, vai-me sair em perto de 700€. Haverá ainda a acrescentar o custo da bifana e da imperial, que serão mais cerca de 150,00€ se não for comilão e "bebilão" e já vamos nos 850,00€. E são estas as contas que deverão ser feitas.

A questão essencial é se fará algum sentido, excluindo o factor irracional que é apoiar um clube, gastar tanto dinheiro num espectáculo que está à partida viciado. Se fará sentido gastar tanto dinheiro para assistir a um jogo em que sabemos ir ser inapelavelmente prejudicados. Se fará sentido gastar tanto dinheiro para assistir a três ou quatro jogos "bons" (Benfica, Braga, Guimarães, Porto) e passar o resto da época a assistir a um estacionar de autocarros e a anti-jogo que apenas dá sono e por vezes, infelizmente, nos proporciona a perda dele na noite a seguir. Se se justifica gastar tanto dinheiro num espectáculo com cada vez menos qualidade, com dirigentes mal formados, com grupos de adeptos, organizados ou não, caceteiros e com maus intérpretes dentro de campo, árbitros incluídos.

A questão é mesmo esta: Valerá a pena gastar tanto dinheiro com um mau produto? E a resposta é, definitivamente, não! 

Por outro lado há quanto à política de preços das GB uma péssima comunicação (parece ser sina). A GB, que deveria ser um factor agregador, um meio de juntar sócios à volta da equipa, uma forma de encher o estádio, não atinge esse objectivo porque não são explicadas aos sócios as opções e porque são elas tomadas. Nesta época, a primeira a iniciar por este CD, não se pedindo borlas deveria privilegiar-se o que atrás disse e criarem-se fórmulas que potenciassem a reconciliação e a agregação da família sportinguista. Sabemos que os custos são os mesmos, mas o mesmo valor (melhor, mais caro) com ou sem Liga dos Campeões, faz a diferença e o aumento "louco" da GB criança é mesmo de quem trata os assuntos com os pés, ou de quem está desfazado da realidade do clube, porque aumentar assim as GB criança, é meio caminho andado para levar menos gente ao estádio.

Em conclusão, ainda que provavelmente o coração vença esta batalha, a minha parte racional vai dar bastante luta! Bom, se eu fumasse e consumisse um maço de cigarros por dia, a brincadeira ficar-me-ia por 1825,00€ com efeitos muito mais nefastos para a minha saúde. A ver vamos...

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