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És a nossa Fé!

Uma orquestra em construção

Mais uma vitória deste Sporting de Rúben Amorim perante uma equipa com a qual tinha perdido na 1ª volta, fruto duma superioridade evidente e por um resultado que apenas pecou por escasso.

A partir dum modelo táctico atípico no que ao futebol português diz respeito, bem diferente do utilizado na formação, estamos a conseguir ganhar os jogos ao mesmo tempo que preparamos a próxima época, lançando jovens e testando a sua adequação a determinadas posições. Percebe-se bem que os jogadores entram em campo para fazer determinadas coisas treinadas e não deixadas ao sabor do improviso, a equipa consegue avançar e recuar harmoniosamente no terreno, intervalar progressão apoiada com passes longos e variações de flanco, e ser eficaz nas bolas paradas defensivas e ofensivas. Depois, claro, acontecem aqui e ali erros por querer fazer bem que por vezes se pagam caro, falhas deste ou daquele, ou simplesmente falta de categoria dum ou doutro. Digamos que a orquestra ainda está em construção, a partitura é complicada e requer inteligência na interpretação, a qualidade de jogo está ainda longe de ser entusiasmente, e sendo assim a nota artística não pode ser  famosa.

Mas a base da orquestra está encontrada. Ontem, 10 dos 15 utilizados são sub-23, muitos deles a beneficiar do processo de selecção levado a cabo por esta Direcção e que incluiu a sua integração no estágio de pré-época com Keizer. Alguns deles são simplesmente muito bons, não demorarão muito a impor-se nas Selecções A respectivas e a valer muitos milhões. 

E que dizer dos outros? Coates, Borja e Ristovski beneficiaram imenso com este sistema. Sporar trabalha bem mais do que finaliza, mas isso não chega. Neto ficou na sombra de Coates. Os argentinos ressentiram-se imenso com a paragem. Renan, Ilori, Eduardo, Rosier e Mattheus Oliveira parecem definitivamente cartas fora do baralho. LP29, com as limitações decorrentes da lesão grave no joelho, também não sei se terá lugar. Quando tinha tudo para finalmente engrenar, o Francisco Geraldes... aleijou-se. Ou é mesmo falta de sorte ou trata-se daquilo que distingue as eternas promessas daqueles que chegam longe na profissão.

SL

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Da vitória desta noite, em casa, contra o Gil Vicente. Derrotámos por 2-1 a equipa que tinha vencido o FCP na primeira jornada da Liga 2019/2020 e que nos dobrou (1-3) na primeira volta, em Barcelos. Desta vez com domínio total do jogo: foi, oficialmente, o nosso triunfo n.º 1500 no primeiro escalão do campeonato nacional de futebol. O resultado - que por este motivo será sempre lembrado no futuro - começou a ser construído aos 21', com golo de Wendel. Plata ampliou a vantagem aos 49'. A equipa minhota reduziu aos 90', marcando de penálti.

 

De Plata. Destacou-se nesta partida, em que teve o melhor desempenho desde a chegada do novo técnico. É dele a assistência para o primeiro golo, com um cruzamento atrasado para a grande área, e é ele quem consegue os três pontos ao apontar o segundo, aproveitando muito bem um atraso disparatado de um defesa adversário, batendo em velocidade os seus opositores. Podia ter marcado outro, aos 85', na sequência de um excelente centro de Nuno Mendes. O melhor em campo.

 

De Wendel. Foi ele a pautar o jogo leonino, liderando as transições ofensivas, bem entrosado com Matheus Nunes. Precisão de passe, argúcia na leitura de jogo e capacidade de variação de flanco, baralhando marcações e dando criatividade ao processo ofensivo. Parece estar um pouco em toda a extensão do terreno, como se verificou no golo inicial, quando ganhou o ressalto, após falhanço de Sporar, e rematou com êxito. Fez um excelente passe em velocidade isolando Plata, num lance que o jovem equatoriano desperdiçou.

 

De Nuno Mendes. Vem subindo de rendimento jogo após jogo, tornando-se cada vez mais influente. A jogada do primeiro golo tem início num excelente lançamento lateral, das mãos dele. Actuando sobretudo como médio-ala no corredor esquerdo, neste sistema implantado por Rúben Amorim, destacou-se em duas iniciativas ofensivas aos 6' e aos 85'. Transpira confiança e boa condição física, parecendo bem articulado com Borja, que lhe assegura as dobras no seu flanco.

 

De Coates. O capitão da equipa não é apenas o patrão da defesa: aos 29 anos, é o mais veterano do onze titular, que hoje apresentava uma idade média de 22,6 anos. Domina todos os momentos de jogo no reduto mais recuado, ganhando lances aéreos e nunca desperdiçando uma oportunidade de ajudar a equipa no plano ofensivo, nomeadamente durante as marcações de cantos. Cortes muito oportunos aos 19', 63' e 68'.

 

De Ristovski. Foi titular pelo segundo jogo consecutivo e confirmou que tem vontade e energia para agarrar o lugar, que neste modelo 3-4-3 estimula o seu pendor ofensivo. Características bem patentes na jogada rápida que desenvolveu na construção do primeiro golo, recebendo a bola de Sporar e colocando-a nos pés de Plata, numa demonstração clara de bom futebol de ataque. Dois cruzamentos, aos 61' e aos 83', mereciam ter sido mais bem aproveitados.

 

De Max. Exibição segura e consistente. Fez duas grandes defesas: aos 35', quando revelou óptimos reflexos ao travar um tiro de Barayé disparado já dentro da área; e aos 64', quando evitou que o Gil Vicente marcasse de livre directo.

 

De mais duas estreias na equipa principal. Aos 81', Amorim mandou sair Matheus Nunes e lançou Tiago Tomás, que na época passada marcou 28 golos pela equipa sub-17 e este ano apontou três na Liga Revelação. Tem 18 anos e promete tornar-se um avançado de referência no Sporting. Aos 90'+1 entrou Joelson: com apenas 17 anos, é um dos nossos mais brilhantes jogadores do escalão júnior. Substituiu Sporar, ainda a tempo de marcar um livre directo. Nem um nem outro esquecerão este dia de estreia. Que foi também o dia do 114.º aniversário do Sporting.

 

Da contínua aposta na formação. Rúben Amorim fez alinhar quatro jogadores oriundos da Academia leonina no onze inicial (Luís Maximiano, Eduardo Quaresma, Nuno Mendes e Rafael Camacho), mais três sub-23 que têm completado a formação em Alvalade (Matheus Nunes, Wendel e Plata). Com Tomás e Joelson, já são cinco os jogadores que o actual treinador leonino estreou nos últimos desafios. Sem inibições nem complexos de qualquer espécie.

 

Da homenagem a grandes Leões em dia de aniversário. Excelente, a ideia de imprimir nas camisolas dos jogadores os nomes de craques históricos do futebol do Sporting. Max, por exemplo, apareceu como Damas. E os nossos golos foram marcados por Jesus Correia (Wendel) e Balakov (Plata). Tiago Tomás tinha o nome de Cristiano Ronaldo estampado na camisola e Joelson estreou-se em homenagem explícita a Yazalde - era o nome que trazia escrito nas costas.

 

De somarmos quatro jogos seguidos a ganhar, pela primeira vez na temporada em curso.  Além disso levamos uns inéditos (nesta época) seis jogos consecutivos sem perder. Indício evidente de que continuamos no bom caminho, por mais que isso faça perder as estribeiras a alguns - ao presidente do Braga, por exemplo, que ontem tentou visar o Sporting num patético comunicado em que anunciava o despedimento do treinador Custódio, sucessor de Rúben Amorim, ao fim de apenas seis jogos.

 

De consolidarmos o terceiro posto. Temos agora cinco pontos de avanço em relação ao Braga, novamente derrotado (perdeu 2-3 com o Rio Ave), e encurtámos a distância face ao Benfica, que nesta ronda soçobrou perante o Marítimo (0-2). O segundo lugar está agora a nove pontos. É difícil alcançá-lo, mas não impossível. Algo impensável há um mês.

 

Da "estrelinha" do treinador. Rúben Amorim, técnico com fama de sortudo, soma agora quinze jogos sem perder no campeonato. Só é pena que nove desses quinze tenham sido ao serviço do Braga. No Sporting, regista cinco vitórias (Aves, Paços de Ferreira, Tondela, Belenenses SAD e Gil Vicente) e um empate (em Guimarães).

 

 

Não gostei
 
 

De ver a equipa tão desfalcada. Já não nos bastava termos perdido Bruno Fernandes (que brilha em Manchester, onde acaba de marcar pela primeira vez dois golos ao serviço do United) e Mathieu (recém-retirado do futebol). Vietto e Luiz Phellype continuam afastados por lesões. Francisco Geraldes magoou-se no último treino antes deste jogo. Acuña (já recuperado) e Jovane ficaram de fora, por opção técnica. Por um ou outro motivo, não pudemos contar com pelo menos quatro jogadores considerados imprescindíveis no onze titular do início da época.

 

Do excesso de golos falhados. Em pelo menos três ocasiões, desperdiçámos oportunidades soberanas de sentenciar o jogo, que manteve o desfecho incerto até final. Sporar falhou um golo cantado na sequência de um canto, aos 14'. Plata decidiu mal aos 45', quando tinha apenas o guarda-redes pela frente. Aos 47', também isolado, Wendel rematou com força mas à figura do guardião gilista.

 

De Camacho. Amorim optou por trazê-lo de volta aos titulares, mas o jovem que já actuou no Liverpool não foi feliz neste regresso ao onze. Trapalhão, desligado dos colegas, pareceu sempre desconfortável na ala esquerda, onde o técnico o colocou de início. Anda a faltar-lhe acerto e consistência. E nem o facto de ter jogado com o nome de Figo nas costas (último n.º 7 que obteve sucesso no Sporting) pareceu inspirá-lo. Quando saiu, aos 69', já parecia ter ido tarde.

 

De Idrissa Doumbia. Substituiu Camacho e nos minutos iniciais até parecia embalado para uma boa exibição, reforçando o meio-campo para compensar um Wendel já muito desgastado. Mas teve uma péssima intervenção quase ao cair do pano, ao cometer um penálti absolutamente desnecessário, quando a bola já se encaminhava para fora da área e o Gil Vicente continuava sem causar real perigo à nossa organização defensiva. Deste modo não apenas permitiu que a equipa minhota marcasse como deu oportunidade a que o autor do golo fosse um tal Rúben Ribeiro, que anda há dois anos em litígio aberto com o Sporting e teve a sorte de regressar a Alvalade com as bancadas sem público. Se alguém merece uma vaia monumental dos sportinguistas é este indivíduo que faz da ingratidão um lema.

Armas e viscondes assinalados: Três pontos e dois golos com “lay-off” a 50%

Belenenses SAD 1 - Sporting 3

Liga NOS - 28.ª Jornada

26 de Junho de 2020

 

Luís Maximiano (3,0)

Sofreu um golo a seco, sem que Licá tenha colocado primeiro uma musiquinha ou atenuado a iluminação - muito pelo contrário, o jovem guarda-redes teve o sol a fustigar-lhe os olhos na primeira parte -, mas esse dissabor serviu de aviso e ficou atento a outros desvarios de uma linha defensiva que se ressentiu do infeliz pendurar de chuteiras de Mathieu. Conseguiu evitar piores sarilhos sempre que o Belenenses SAD avançava pelo terreno, contribuindo para a tranquilidade pós-reviravolta. Estima-se que aproveite os tempos livres para consultar todos os compêndios que encontre acerca da nobre arte de executar alívios com os pés.

Eduardo Quaresma (2,0)

Quando foi substituído terá sentido um alívio tão grande quanto o dos adeptos - engano ledo e cego desses últimos, como a entrada de Tiago Ilori se apresentou a demonstrar -, pois o prodigioso adolescente viveu uma final de tarde de pesadelo na Cidade do Futebol. Co-autor moral do golo da Belenenses SAD, pois não só colocou atabalhoadamente a bola nos pés de Nilton Varela como deixou Licá em posição regular, sentiu o peso do erro e não mais se reencontrou. Mesmo os cortes oportunos saíram imperfeitos e as tentativas de saída com bola não resultaram. Melhores dias virão, certamente.

Coates (3,5)

Faltaram-lhe asas para impedir o golo do adversário, mas elevou-se nos céus para fazer o empate de cabeça e prestar homenagem ao francês que começou por ser colega e acabou por tornar-se amigo. Imperial como último reduto de uma defesa em dia não, o uruguaio ficou perto de bisar na segunda parte e assumiu como poucos seriam capazes a braçadeira de capitão e o estatuto de resistente, após as transferências de Bruno Fernandes e Bas Dost, o fim da carreira de Mathieu e a lesão de Acuña. Assim de repente, do alto dos seus 29 anos, agora é ele o “velhinho” do plantel.

Borja (1,5)

O adeus de Mathieu levou muitos (alguns dos quais nem sequer seus empresários) a reclamar a titularidade, o jovem central esquerdino com idade de júnior que poucos viram jogar, mas Ruben Amorim foi conservador e atribuiu um lugar no onze a Borja. Foi mais uma oportunidade de observar a falta de clarividência na abordagem dos lances, a escassez de critério com bola e as falhas escusadas de um profissional esforçado que não consegue fazer melhor. E que mais uma vez foi salvo pelo videoárbitro, o qual detectou fora de jogo antes de Borja ter cometido falta para grande penalidade.

Ristovski (3,0)

Muito sofreu no arranque do jogo, soterrado numa avalancha ofensiva da equipa da casa emprestada, mas logrou avançar no terreno e deixar marca no resultado. O cruzamento que permitiu a Jovane Cabral rematar de forma acrobática demonstra que o macedónio é bem melhor do que lhe dão crédito, repetindo a assistência na segunda parte, desta vez num cruzamento rente à relva para os pés de Francisco Geraldes, que quase elevou o resultado para 1-4.

Nuno Mendes (3,0)

Manteve a velocidade, maturidade e consistência que ameaçam fazer de si uma figura do futebol português. Mesmo afectado pela saída precoce de Jovane Cabral manteve-se em excelente ritmo, aproveitando a janela aberta pela lesão de Acuña.

Matheus Nunes (3,0)

Teve muito trabalho no arranque do jogo e reviengou por entre adversários como se nada fosse. Começa a ser claro que tem capacidade de sobreviver à hipérbole presidencial com que foi presenteado.

Wendel (3,0)

Voltou a ser maestro na construção de jogo, melhorando bastante depois do intervalo. Convém que assuma o estatuto de veterano prematuro do plantel, assumindo ter voz de comando.

Jovane Cabral (4,0)

Assume-se como o melhor jogador da Liga NOS no desconfinamento, acumulando exibições que estão longe de se explicar apenas com a boa condição física. Acelerador das partículas de futebol leonino, Jovane Cabral rematou de forma acrobática e espectacular no golo que selou a reviravolta e urdiu na perfeição a troca de bola com Sporar que resultou no pénalti marcado à segunda tentativa. Problemas físicos levaram a que fosse substituído ao intervalo (tal como farão com que fique de fora da recepção ao Gil Vicente), comprovando que se consegue ser muitíssimo produtivo mesmo estando em “lay-off” a 50%. Resta saber se o peso da sua ausência será tão sentido quanto a da sua presença.

Gonzalo Plata (3,0)

Fez por assumir mais o jogo após a saída de Jovane Cabral, mas ainda lhe falta objectividade e, no limite, golo nos pés. Já arriscou bastante, mas tem de arriscar mais para subir mais alguns degraus.

Sporar (3,0)

Surpreendentemente decisivo para um avançado que ficou em branco, o esloveno não só “sacou” um pénalti como desviou as atenções da defesa, permitindo a Jovane acorrer sossegado ao cruzamento de Ristovski. Mesmo quando se viu mais sozinho deu luta aos centrais da Belenenses SAD e fez sempre pela vida, abrindo espaços para os colegas.

Francisco Geraldes (3,0)

Teve direito a meio jogo e tirou partido do voto parcial de confiança, mostrando-se rematador e empenhado em deixar marca. Encontrou pela frente um excelente guarda-redes, o que impediu maior glória a recompensar o esforço, dedicação e devoção. Mas fez a pré-candidatura ao onze titular e à permanência no plantel na próxima temporada, curiosamente pouco depois de ter dado uma entrevista em que confessou ver o seu potencial demasiado irrealizado.

Tiago Ilori (1,5)

Regressou à equipa para salvar Eduardo Quaresma de si próprio, mas nada de melhor conseguiu fazer do que o adolescente no relvado, recordando os adeptos daqueles tempos infaustos em que era visto com maior frequência de leão ao peito. Salvo pelo videoárbitro num lance de contra-ataque da Belenenses SAD, mostrou que a porta de saída deveria ser serventia da casa.

Idrissa Doumbia (2,5)

Descomplicado e despretensioso, refrescou o meio-campo defensivo com pouco brilho e muito razoável eficiência. Talvez possa ser útil ao plantel, talvez possa evoluir, mas manter João Palhinha nos quadros do Sporting seria melhor ideia.

Rafael Camacho (1,5)

Conseguiu-se fintar-se a si próprio nas tentativas de envolvimento na manobra ofensiva. Ristovski poderá não ser um Zambrotta, mas Rafael Camacho não é, definitivamente, a aposta mais segura para pôr termo à maldição da camisola 7.

Battaglia (2,0)

Poucos minutos em campo, sem cometer erros graves ou justificar o estatuto de que goza no plantel desde o resgate pós-rescisão.

Ruben Amorim (3,5)

Resistiu a arriscar em Gonçalo Inácio e também não deu a estreia a Joelson Fernandes que muitos sportinguistas esperavam, preferindo jogar pelo seguro com a entrada do tecnicista Francisco Geraldes após Jovane Cabral dar sinal de problemas físicos. Aceita-se o conservadorismo do treinador, claramente insatisfeito com a forma como a equipa se deixou pressionar no arranque do jogo, tal como se deve salientar a estrelinha da sorte que o leva a observar o descalabro dos rivais directos, a jusante e a montante, ao ponto de uma vitória na recepção ao Gil Vicente (sem Mathieu, Acuña, Vietto e Jovane Cabral...) poder colocar o Sporting a nove pontos do Benfica e com cinco de vantagem sobre o Sporting de Braga.

114 anos de sportinguismo

Sou do Sporting desde que me conheço por gente, portanto praí desde os cinco, seis anos, já o Sporting era um "senhor" quase com a minha idade actual, sessenta anos.

Esta coisa do tempo e do passar dele é tão simples como complexa. Aos sessenta anos de idade o Sporting era uma instituição já com enormes pergaminhos e havia conquistado adeptos por todo o Mundo, não lhe vindo estes cinquenta e quatro acrescentar grande coisa, pois o cimento de que foi construído estava já consolidado e os alicerces, de tão fortes e bem assentes em fundações sólidas, foram e são o garante de que, apesar de ventos, tempestades e alguns terramotos, o Sporting continua um edifício sólido e, pela capacidade da sua massa adepta anónima, pronto para mais cento e catorze vezes cento e catorze, pelo menos.

Eu sou Sporting mas não pelo futebol, curiosamente. Nasci, nas palavras de Aquilino, no interior esquecido e ostracizado, num lugar a 5km de Tomar (tão perto e tão longe) que em 1960 não tinha nem electricidade, nem água canalizada, tão pouco recolha de resíduos e que ainda hoje, ano da (des)graça de 2020, não tem saneamento. Uma curiosidade: Sabem onde a minha avó, que era uma mulher extraordinária nascida em 1915 e que fez a quarta classe (coisa raríssima até nos homens - o meu avô era praticamente analfabeto) e era uma leitora compulsiva, guardava o peixe (chicharro e chaputa, a dois vinte e cinco tostões e um quarteirão de sardinhas, às vezes) que se ia comprar "à Vila" ao sábado? Dentro da caruma, na casa da lenha, que era um lugar fresco e as moscas não conseguiam lá chegar e o sal ajudava a conservar.

Mas adiante... Eu sou Sporting por culpa do ciclismo, do Joaquim Agostinho, do João Roque e das transmissões da então Emissora Nacional das etapas da Volta a Portugal em Bicicleta, que se realizava no período de férias. Havia lá em casa, e eu guardo-o religiosamente, um rádio Philips com Onda Média e Onda Curta (que o meu pai comprou para ouvir as notícias da Guerra Colonial e também a Rádio Moscovo, não necessariamente por esta ordem e que só é pena ser vermelho, raios!) onde a miudagem ouvia todos os dias o desenrolar das etapas, descritas quase como se de um relato de "bola" se tratasse e entusiasmavam verdadeiramente. Nesses anos o Sporting era rei na estrada e, salvo uma ou outra excepção, rara, todos somos hoje sportinguistas, os que nos colávamos àquelas transmissões que nos faziam também viajar e que fazemos questão de recordar nas muitas sessões de copos na adega de um ou outro, acompanhadas sempre da discussão da vida do clube.

Não há tradição de sportinguismo "militante" na minha família. O meu pai é sportinguista ferrenho, é certo: eu para o irritar digo-lhe que ele é um sportinguista lampião, porque quando as coisas começam a correr mal para o nosso lado, quase que passa a torcer pelos outros (hoje já não, que os quase 84 já lhe retiraram as preocupações com o futebol); a minha mãe é sportinguista porque eu sou e assim aprendeu a gostar do clube e esta prosa lembrou-me que a promessa de a levar a Alvalade (por seu desejo) ainda está por cumprir...

Quando digo que não há tradição de sportinguismo, comparo-me com outros que tinham o estádio ali à mão e desde pequenos, por influência de pais ou avós, frequentaram o espaço sagrado do clube, tendo outra vivência que a distância enorme, de cento e poucos quilómetros e más estradas e muito poucos transportes, não permitia.

Depois foi a mudança de residência para a cidade, aos sete anos, que coincidiram com o crescimento do União de Tomar, a sua subida à Primeira Divisão e, aí sim, o amor pelo Sporting tornou-se uma realidade palpável e não perdi um jogo do Sporting no Municipal, acompanhado do meu pai (a minha mãe apenas assistiu a um jogo, não gostou do que ouviu: "Enquanto estavam a ganhar era só vivas, quando passaram a jogar mal já não prestavam p'ra nada, é tudo maluco!" Neste capítulo mudámos pouco, direi.

Aos catorze já jogava futebol (bom... vocês sabem, jogar, jogar...) e já ia a Lisboa ver um ou outro jogo "em casa", com o Benfica não falhava e até ir morar na capital, aos vinte, com a idade a avançar e alguma independência, as visitas a Alvalade eram regulares e incluiam jogos europeus.

A partir dos vinte, pode dizer-se, começou a minha verdadeira ligação ao clube. Passado pouco tempo adquiri um lugar cativo, depois veio a bancada nova e comprei uma cadeira de que não me esquecerei nunca, me custou quatro contos e quinhentos e quarenta anos de sofrimento por uma camisola linda e que me faz vibrar e me comove cada vez que a vejo envergada por um qualquer atleta e também muitas ocasiões de alegria, que são obviamente as que sabem melhor e as que se recordam com prazer.

Hoje é o aniversário não só de um clube desportivo. É um dia de festa para aqueles que entendem o desporto como isso mesmo, uma festa, para aqueles que se revêem num lema de honestidade e que entendem que o desporto não é sinónimo de ganhar a qualquer preço. O Sporting tem tido ao longo destes seus 114 anos de vida muitas convulsões internas, algumas bem duras, mas honra seja feita a todos os que o dirigiram, nunca enveredaram pelo caminho da mentira, da trafulhice, da vigarice, da antítese do que deve ser o desporto. É por isso que tenho orgulho em fazer parte desta família!

Prognósticos antes do jogo

Alvalade (ainda sem público) será palco logo à noite, a partir das 21.15, do Sporting-Gil Vicente. Temos más recordações da equipa visitante, que na primeira volta, a 1 de Dezembro, nos venceu por 3-1. Sem esquecer que logo na jornada inaugural desta Liga 2019/2020 derrotou o FC Porto pela mesma marca.

Segue-se a pergunta habitual: quais são os vossos prognósticos para este jogo?

Entre os mais comentados

Nos  22 destaques  feitos pelo Sapo em Junho para assinalar os dez blogues mais comentados nesta plataforma ao longo do mês, És a Nossa Fé recebeu 22 menções. Fazendo assim o pleno, pelo 13.º mês consecutivo.

Além disso, figurámos também  22 vezes no pódio  dos mais comentados - com quinze "medalhas de ouro", duas de "prata" e cinco de "bronze". Fomos primeiros, portanto, em 68% dos dias que estiveram sob escrutínio.

Recorde-se que os textos publicados ao fim de semana são agregados aos de sexta-feira para este efeito, o que leva o número de destaques a ser inferior ao número de dias.

 

Os 22 textos foram estes, por ordem cronológica:

 

Os crimes de Alcochete (134 comentários, o mais comentado do fim de semana)

Sporting com Rumo (80 comentários, terceiro mais comentado do dia) 

Os jogadores de Varandas (balanço) (76 comentários, terceiro mais comentado do dia) 

Prognósticos antes do jogo (56 comentários, terceiro mais comentado do dia)

Um genuíno momento de alegria (40 comentários, o mais comentado do dia) 

Os de sempre (74 comentários, o mais comentado do fim de semana)  

Almas gémeas (72 comentários, o mais comentado do dia)

O contraste não podia ser maior (80 comentários, o mais comentado do dia) 

Democracia? Que democracia? (88 comentários, o mais comentado do dia) 

Uma sucessão de trapalhadas (38 comentários, o mais comentado do dia)  

Prognósticos antes do jogo (58 comentários, o mais comentado do fim de semana)  

Quem rende Vietto? (32 comentários, terceiro mais comentado do dia) 

A claque em guerra com o clube (86 comentários, o mais comentado do dia) 

Prognósticos antes do jogo (44 comentários, terceiro mais comentado do dia) 

Decidam-se (74 comentários, segundo mais comentado do dia) 

Desde a chegada de Rúben Amorim (62 comentários, segundo mais comentado do fim de semana) 

O campeão do assobio (62 comentários, o mais comentado do dia) 

Modelo de Governação de Samuel Almeida (57 comentários, o mais comentado do dia) 

O caluniador (60 comentários, o mais comentado do dia) 

Higiene que já tardava (72 comentários, o mais comentado do dia)  

Tranquilidade (88 comentários, o mais comentado do fim de semana)

Cinco jornadas com Rúben Amorim (40 comentários, o mais comentado do dia)

 

Com um total de 1473 comentários nestes postais. Da autoria da CAL, do Francisco Chaveiro Reis e de mim próprio.

Fica o agradecimento a quem nos dá a honra de visitar e comentar. E, naturalmente, também aos responsáveis do Sapo por esta iniciativa.

A voz do leitor

«Klopp é um bom exemplo porque é hoje quase indiscutível. Mas mesmo Klopp precisou de tempo, quer em Liverpool quer em Dortmund. E em Dortmund teve uma última época muito complicada. Montar uma equipa campeã demora tempo (ou custa muito dinheiro) e até os bons treinadores têm maus ciclos de jogos ou mesmo más épocas.»

 

Luís Ferreira, neste meu texto

Na alegria e na tristeza

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O futebol é tramado.

Há um ano, por esta altura, Bruno Lage e Marcel Keizer eram os homens do momento.

Poucos meses mais tarde, promoviam uma inédita mas muito amena cavaqueira, em vésperas de novo derby.

Ora, se no final desse jogo, de muito má memória para as nossas hostes, poucos apostariam as fichas em como Keizer chegaria até ao Natal, já no caso de Lage, a aposta, seguramente, seria em sentido bastante inverso. E o começo do campeonato apenas veio reforçar cada uma dessas impressões. 

Bom, mas a verdade é que Lage, à imagem de Keizer, também não vai terminar o campeonato, saindo, igualmente, pela porta pequena.

Estes momentos, que também exemplificam a magia (negra?) do futebol, devem-nos levar a concluir que,  no que toca à bola, nada, mas mesmo nada, deve ser dado por garantido. 

Olha a bola, Manel

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No dia 29 de Abril de 2020 nasceu o Manuel, filho de Maria e de Bruno (na imagem), precisamente, no dia em que o bebé completava dois meses, o pai foi despedido da maneira que todos pudemos ver.

Não me vou alongar, Pedro Correia já falou numa posta anterior da forma ignóbil como Bruno foi despedido, não está em causa se é bom ou mau treinador mas como ser humano merecia ter sido tratado com respeito, na hora da despedida.

Luís Filipe Vieira fez aquilo que se fazia, nos tempos pré-PAN, a um cão vadio, enxotou Bruno Lage.

Um abraço solidário para Bruno Lage e felicidades para a carreira.

A "chama imensa" por Jesus

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Bruno Lage, que alguns pândegos de fanática militância encarnada há uns meses proclamavam como «novo Mourinho», foi de queixo ao chão no Funchal: duas derrotas consecutivas no campeonato, em casa contra Santa Clara e fora contra o periclitante Marítimo, afastaram o antigo menino prodígio do comando técnico do SLB.

Aliás o malogrado treinador começou por ser afastado da conferência de imprensa posterior ao jogo, dando lugar ao presidente do clube, que com suprema hipocrisia fez de porta-voz do técnico, proclamando que este assalariado é que tomara a iniciativa de cessar funções. Assim, em vez de «Vieira demite Lage», como de facto aconteceu, o título noticioso passou a ser «Vieira aceita demissão de Lage». Não concebo forma mais cobarde de gerir um clube: eis o futebol a imitar o pior da política.

É caso para dizer que foi literalmente corrido a pontapé: negam-lhe, por esta via, o direito à indemnização a que tinha direito por contrato renovado apenas há sete meses e chegam ao ponto de lhe negarem até o direito à palavra. Mais uma página vergonhosa no futebol do Benfica, que acaba de correr com o segundo treinador em ano e meio: espero que mereça o repúdio da associação profissional do sector.

 

Jorge Jesus - garante a imprensa da especialidade - é o preferido do ainda presidente benfiquista, que lhe terá dito de Lisboa para o Rio de Janeiro: «Anda-te embora e depois falamos».

É conhecido o carinho que ambos dedicam um ao outro, ao ponto de Jesus, há cerca de um ano, ter chamado «meu presidente» a Vieira numa sessão pública. Para que ficasse devidamente registado.

Longínquos são já os tempos em que ele e a sua equipa técnica custaram 25 milhões de euros em três épocas no Sporting que se saldaram pela conquista de uma Taça da Liga - a mais cara do futebol português. Aliás ele nunca escondeu por que motivo trocou a Luz por Alvalade, em 2015: «Mudei, porque fui obrigado.»

 

E se ele acabar mesmo por regressar ao SLB? Devemos ter receio de enfrentá-lo como adversário? São questões que deixo à consideração dos leitores. Responda quem quiser.

Amanhã à noite em Alvalade

Depois de três vitórias consecutivas, o Sporting volta a defrontar o Gil Vicente, agora em Alvalade. Na primeira volta, o Sporting foi derrotado sem apelo nem agravo por 1-3, no jogo onde Max se estreou a titular, e Ilori fez uma daquelas ofertas que levam a questionar o que tem entre as orelhas. E ainda tivemos direito a que no final do jogo o treinador do Gil Vicente viesse passar um atestado de incompetência ao plantel. Dizia ele: "O Sporting, para ter melhores resultados, precisa de melhores jogadores. Pode andar a mudar de treinador, a mudar de presidente, mas aquilo de que precisa é de um plantel mais reforçado." Concluia o António de Almeida: "Das duas uma, em Janeiro o mercado reabre, ou muda o cenário, ou contem com os meus votos para mudarmos de presidente, sem obviamente regressarmos ao passado recente."

Ainda tivemos muito que sofrer para que o cenário mudasse, e Janeiro foi um mês horrível. Depois, e a partir de muito boas e corajosas decisões (até que enfim!) do presidente, o cenário efectivamente  mudou. Se calhar amanhã no final do jogo o Vítor Oliveira vai dizer outra coisa, bem diferente. Mas vai ser mais um jogo bem difícil para esta nossa equipa actual comandada por Coates com mais um ou dois jogadores experientes e o resto entre os 17 e os 23 anos.

 

Na última semana voltámos a ter um prognóstico certo, o do Luís Ferreira. Vamos então a nova ronda, sem conhecimento dos convocados. Estão à vontade para alterar o vosso prognóstico conforme os imprevistos.

Convocados esses que devem ser mais ou menos os seguintes:

Guarda-redes: Maximiano e Renan.

Defesas Centrais: Coates, Neto, Quaresma, Borja e Ilori

Alas: Camacho, Rosier (?), Ristovski, Nuno Mendes

Médios Centro: Battaglia, Wendel, Doumbia, Matheus Nunes, Mattheus Oliveira (?) e Eduardo (?).

Avançados: Jovane, Francisco Geraldes, Plata, Pedro Mendes e Sporar.

 

Sendo assim, e como em onze que ganha e joga bem não se mexe, aposto na repetição do último onze:

Max; Quaresma, Coates e Borja; Ristovski, Matheus, Wendel e Nuno Mendes; Jovane, Sporar e Plata.

Mas isto sou eu aqui a pensar.

 

Concluindo,

Amanhá à noite o Sporting entra em campo em Alvalade para vencer o Gil Vicente e manter o 3.º lugar na Liga (a única coisa que depende de nós). Considerando o sistema táctico de Rúben Amorim, qual seria o vosso onze? 

SL

Os melhores prognósticos

Outra ronda bem sucedida. Não só para o Sporting, que venceu 3-1 fora de casa o mesmo adversário que há três anos, também para o campeonato, nos foi ganhar pela mesma marca em Alvalade, quebrando um jejum de 62 anos, mas também nesta ronda de prognósticos. Com seis autores / leitores do blogue a acertarem no resultado: Anonimus, CAL, Carlos Alves, Horst Neumann, Leão do Fundão e Leonardo Ralha

Mesmo com o critério do desempate, restaram quatro vencedores: Anonimus, Carlos Alves, Leão do Fundão e Leonardo Ralha. Todos de parabéns, claro. E permito-me destacar o requinte do nosso leitor fundanense, que levou o vaticínio a este ponto: «1-3 - Três golos de Jeremy Mathieu, embora sejam marcados por Coates, Sporar e Jovane.» Só Sporar esteve ali a mais, embora certamente também desejasse marcar naquele jogo tão especial de homenagem a um dos melhores centrais que o Sporting já conheceu.

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