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És a nossa Fé!

Vamos imaginar que...

(peço desculpa por 'pensar em voz alta')

... alguém na sua actividade profissional comete actos, eventualmente, ilegais e a única beneficiária de tais actos é a sua entidade patronal.
Esses actos são descobertos e, obviamente, essa pessoa é detida e acusada. A entidade patronal, que foi, afinal, a única beneficiada, não é acusada e nada lhe acontece.

Isto não pode acontecer, pois não?

Sessões contínuas de alucinação

Não há conquistas duradouras sem estabilidade nem equilíbrio. Tudo quanto não existe no Sporting.

Mais de vinte treinadores desde o início do século. Dezasseis nos últimos dez anos. Vamos no quarto só na era Varandas. E vamos no terceiro presidente em 14 meses.

Já se ouvem por aí gritos para surgir um quarto presidente, vindo sabe-se lá de onde - talvez de uma recente derrota eleitoral. E também para aparecer outro treinador já depois deste, que seria o sétimo desde Maio do ano passado (Jesus, Mihajlovic, Peseiro, Fernandes, Keizer, Pontes e esse tal).

Desculpem-me o desabafo: às vezes parece haver sessões contínuas de alucinação no nosso clube. Só o que gastámos nestes quase 20 anos em indemnizações a treinadores despedidos dava para contratar o Messi.

Comparar

 

Há três anos, à quarta jornada, íamos isolados no primeiro posto, com 12 pontos: oito golos marcados e só um sofrido.

 

Há dois anos, estávamos novamente em primeiro - com 12 pontos, os mesmos do FC Porto: dez golos marcados e apenas um sofrido.

 

Há um ano, seguíamos de novo em primeiro - com 10 pontos, os mesmos do Benfica e do Braga, correspondendo a três vitórias e um empate: sete golos marcados e três sofridos.

 

Agora ocupamos o sexto posto da tabela classificativa. Somamos sete pontos - a três do Famalicão, que lidera. Levamos oito golos marcados e seis sofridos.

 

O que diz Salgado Zenha

«Os desequilíbrios financeiros ainda não desapareceram na totalidade.»

«Este ano tivemos um défice operacional na ordem dos 30 milhões de euros.»

«[Foi preciso] Fazer ajustes essenciais na massa salarial, sobretudo de jogadores excedentários.»

«Os encargos com salários, incluindo de jogadores de futebol, correspondiam no início da época a cerca de 100% das receitas operacionais. O recomendado pela UEFA é um limite de 70%.»

«Vamos ter uma redução da massa salarial na ordem dos 12 milhões de euros.»

«Procuramos eficiência na gestão do desporto e manter a qualidade no futebol. Não queremos cortar por cortar.»

«Não vamos cometer loucuras. Mas também não vamos apertar o cinto de forma desmesurada e sem estratégia.»

«Um clube no mercado português, para ser competitivo, tem de vender jogadores de futebol. Porque não temos as receitas de outros mercados, como o inglês ou o espanhol.»

«O Sporting tem capitais próprios negativos. Mas não é insolvente. Tem activos muito valiosos e uma situação de alguma estabilidade financeira desse ponto de vista. Tendo um activo como o Bruno Fernandes, se tiver algum aperto sei que o posso vender quando quiser. Daí a solvência.»

«O Sporting não está neste momento numa situação de folga financeira. Não está porque nos últimos anos cometeu excessos e o que aconteceu no ano passado fez o Sporting dar vários passos atrás. Nós agora estamos a corrigir esta situação. Mas estamos a corrigi-la com pés e cabeça.»

 

Declarações de Francisco Salgado Zenha, vice-presidente do Sporting com o pelouro financeiro, ontem, no Jornal das 8 da TVI

A voz do leitor

«Há muito boa gente do Sporting que anda desde a época passada, ainda esta não tinha terminado, a queixar-se da pesada herança de Sousa Cintra e da Comissão de Gestão. É a mesma boa gente que difunde a ideia que o Sporting está em risco de não ter como pagar as contas e por isso não tem como manter Bas Dost, Bruno Fernandes, que a formação não vale nada, que não se aproveita nenhum dos sub-23, ao mesmo tempo que diz que vamos ter um plantel melhor que o do ano passado com condições para lutar pelo título. E depois vemos a debandada de jogadores despachados para o primeiro que aparece, as aquisições de jogadores vulgares comparados com os entretanto despachados e ficamos com dúvidas.»

 

João Gil, neste texto do Luís Lisboa

Do outro mundo

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Foto Lusa

 

Noventa e três golos em 160 jogos com a camisola da selecção nacional vestida. Mais 25 do que Messi já marcou pela selecção da Argentina.

Hoje foram mais quatro, que abriram caminho à goleada portuguesa frente à Lituânia, em Vílnius, na campanha para o nosso acesso à fase final do Europeu 2020. Com William Carvalho a fechar a contagem quase à beira do fim.

Cristiano Ronaldo, incomparável. Um jogador do outro mundo.

«Aquela tarde de glória...

...dos cinco violinos (*).

 

A mais famosa formação de todos os tempos no futebol português foi, sem dúvida, aquela que apareceu nos nossos campos na década de 40 e a que chamaram de os «cinco violinos».

Os três mosqueteiros eram... quatro. Os «violinos» eram cinco: Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano.

António Jesus Correia, extremo-direito, nasceu em 3 de Abril de 1924. O seu primeiro clube foi o Paço de Arcos, de onde se transferiu para o Sporting na época de 1943-44. Terminou a sua carreira na CUF, onde permaneceu apenas três meses, na época de 1955-56. Envergou 13 vezes a camisola da selecção nacional de futebol, pela qual marcou três golos.

Manuel Vasques, interior-direito, nasceu a 29 de Julho de 1926. Representou o Unidos Futebol Clube, de onde se transferiu na temporada de 1944-45 para o Grupo Desportivo da CUF e, duas épocas mais tarde, para o Sporting. A sua actividade findou no Atlético Clube de Portugal, clube em que ingressou na época de 1959-60. «Rei dos marcadores» na época de 1950-51, com 29 golos marcados e 26 vezes internacional, marcou cinco golos pela selecção.

Fernando Baptista Seixas Peyroteo, o mais velho dos «cinco violinos», nasceu a 10 de Março de 1918 e era avançado-centro. Principiou no Sporting Clube de Luanda, de onde se transferiu para o Sporting Clube de Portugal, na época de 1937-38. Vinte vezes foi chamado à selecção nacional, pela qual marcou 15 golos.

O interior-esquerdo era José António Barreto Travassos. Nasceu a 22 de Fevereiro de 1926 e começou a sua carreira no Unidos Futebol Clube, de onde transitou para a CUF em 1944-45. Viria a ingressar no Sporting na época de 1946-47. Autor de seis golos nas suas internacionalizações, foi o primeiro futebolista português a ter a honra de envergar a camisola da U. E. F. A., em jogo realizado em Belfast, a 13 de Agosto de 1955. Daí que se tenha popularizado como o «Zé da Europa».

Finalmente, o extremo-esquerdo: Albano Narciso Pereira. Nasceu em 22 de Dezembro de 1922. Começou no Barreirense, transferindo-se para o Seixal na temporada de 1939-40 e para o Sporting em 1943-44. No declínio da sua carreira, voltou ao Seixal, em 1957-58, para, finalmente, acabá-la no Mangualde, para onde transitou na temporada de 1963-64.

Dotados todos de grande tecnicismo, constituíam um ataque temível. Desde a fogosidade — e habilidade — de Jesus Correia e Albano ao virtuosismo de Vasques e Travassos, este o «cérebro» da equipa. Menos tecnicista embora que os seus companheiros, Fernando Peyroteo era o terror dos guarda-redes. Dotado de magnífica compleição física, aguentava o embate com os defesas contrários, travando sempre luta rija mas dentro das normas da maior correcçao. Temível goleador, o que lhe valeu, por cinco vezes, o título de «rei dos marcadores», obteve o record de 43 golos marcados num só campeonato, record que se manteve até à época de 1973-74,ano em que Yazalde alcançou 46 golos.

Curiosamente, em encontros da selecção nacional, os «cinco violinos» só se encontraram todos juntos duas vezes : no III Portugal-Irlanda, em 23 de Maio de 1948, com a vitória dos portugueses por 2-0, golos de Peyroteo e Albano, e no XXI Portugal-Espanha, em 20 de Março de 1949, que terminou empatado 1-1, com um golo de Peyroteo.

Mas entre os «cinco violinos», um caso particularmente curioso é o de Jesus Correia. Jogador internacional de futebol e de hóquei em patins, foi multicampeão em qualquer deles. Especialmente no hóquei patinado, em que conheceu todos os títulos possíveis: desde campeão regional a nacional, de campeão europeu a mundial. Quanto a internacionalizações, teve «só»... 149.

Nem sempre foi fácil harmonizar a prática das duas modalidades, já que ocasiões houve em que saía do rinque para ir a correr para o aeroporto juntar-se aos outros «violinos» e vice-versa.

Muitos foram os títulos e triunfos alcançados. Muitas foram as tardes de glória. Estamo-nos a recordar, por exemplo, daquele jogo realizado em Lisboa, onde o Vasco da Gama, aureolado então de grande fama e prestígio, perdeu por 2-3.

Cândido de Oliveira, por exemplo, recordava, assim, dois jogos em que jogaram os «cinco violinos»:

Temos sempre presentes dois jogos em Madrid, realizados por Jesus Correia pelo Sporting! Um, contra o Atlético, em que ele marcou todos os seis golos da equipa; outro, na Taça Latina, no jogo com o Torino, no qual Peyroteo marcou três golos que pareciam copiados a... papel químico!

Passagem em profundidade de Vasques, para a linha de cabeceira; partida em velocidade de Jesus Correia, a recolher a bola quase no limite do campo e entrega, com a bola rasa, a Peyroteo, para o limiar da grande área e remate seco e raso do avançado-centro. Três golos iguaizinhos uns aos outros; no esquema e desenvolvimento, e, os três, tendo na base a utilização da excepcional velocidade de Jesus Correia e, depois, a sua entrega para o sítio e no momento óptimo.

Esta última lembrança não pode desligar-se desta observação: primeiro Peyroteo e, depois, Jesus Correiadesapareceram prematuramente do futebol! Foi pena. Porque, ainda hoje, estou certo disso, podíamos ver nos nossos campos em plena acção, os célebres «cinco violinos»! E se isso sucedesse, talvez eles já não tocassem com a mesma desenvoltura... Decerto. Mas, quem sabe se não tocariam, agora, passados alguns anos, outra espécie de música, menos viva, de ritmo mais lento, mas porventura mais bela: sugerida pela longa experiência e determinada pelo refinamento do saber e da inteligência prática?!

Mas a melhor recordação dos «cinco violinos» data de 17 de Novembro de 1946. Última jornada do Campeonato de Lisboa. Frente a frente iriam estar os dois eternos rivais: Benfica e Sporting. Jogo decisivo para a conquista do título.

Com arbitragem de Carlos Canuto, as equipas alinharam assim:

BENFICA: Pinto Machado; Teixeira e Félix; Jacinto, Moreira e Francisco Ferreira; Espírito Santo, Arsénio, Júlio, Baptista e Rogério.

SPORTING: Azevedo; Cardoso e Manuel Marques; Canário, Barrosa e Veríssimo; Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano.

Mal soara o apito para o pontapé de saída, o Sporting lançou-se deliberadamente ao ataque, em busca da vitória, único resultado que lhe convinha. E perante a pressão inicial dos «leões» a defesa benfiquista mostrava alguma desorientação jogando atabalhoadamente.

Passado, porém, o primeiro quarto de hora, o Benfica sacudiu a pressão contrária, lançando-se também ao ataque. O estado enlameado do terreno, porém, a prender a bola, não facilitava o seu processo de jogo, feito de passes rasos. Por outro lado, a precipitação do seu ataque prejudicou a precisão dos lances.

Coube, por fim, ao Sporting abrir o activo. Eram decorridos 41 minutos de jogo. Lance criado por Peyroteo em posição de fora-de-jogo. O árbitro, porém, deixou seguir, e Jesus Correia, apoderando-se do esférico, atirou um petardo com o pé esquerdo. O guarda-redes dos «encarnados» ainda meteu as mãos à bola, mas esta ressaltou para o poste, bateu-lhe no corpo e entrou na baliza.

O ataque do Sporting continuou a ser o mais certo até ao intervalo. Porém, pouco antes de atingidos os 45 minutos, os «leões» sofreram um percalço.

Ataque do Benfica. Remate à baliza. Tentativa de defesa por parte de Azevedo, que se magoa seriamente num braço e é forçado a abandonar a baliza leonina. E lá foi Jesus Correia ocupar o lugar de guarda-redes. Aqueles dois ou três minutos que faltavam para o intervalo pareceram-lhe horas. Jesus Correia tremia como «varas verdes». Mas o intervalo chegou com o Sporting a vencer por 1-0.

Nos balneários, perante o medo alucinante que Jesus Correia manifestava, ficou decidido que outro jogador ocupasse o lugar entre os postes. Foi Veríssimo o escolhido. Entretanto, por força das circunstâncias, houve necessidade de mais algumas mexidas na equipa. Assim, Travassos recuou para médio, enquanto Jesus Correia passou a ocupar o posto de interior-esquerdo.

Sem o concurso de Azevedo e com as modificações impostas pela sua ausência, parecia que tudo se iria alterar.

Com efeito, mal se reatara a partida, logo se viu a disposição dos «encarnados» em se lançarem deliberadamente ao ataque, procurando o golo com sofreguidão. Só que a precipitação com que atacavam não proporcionava o golo. Por outro lado, e ante a pressão insistente do adversário, os «leões» aglomeravam-se defronte da sua baliza, formando um bloco intransponível. Os jogadores leoninos defendiam-se como autênticos leões, afastando o perigo de qualquer maneira e procurando barrar de todas as formas o caminho para as redes.

Perante a surpresa geral, Azevedo regressou ao terreno 12 minutos após o reatamento. Alegria transbordante entre o público afecto aos «leões». O seu regresso, embora com uma luxação no cotovelo esquerdo, aumentou o moral do grupo, dando-lhe uma alma nova. E o Sporting, que até aí se engarrafara na defesa, passou de imediato ao ataque, jogando com decisão e discernimento.

Sentindo o perigo, Francisco Ferreira, o capitão benfiquista, passa a ocupar o posto de interior-esquerdo, fazendo recuar Baptista. Minutos depois, os «encarnados» conseguem restabelecer a igualdade. No seguimento de uma descida pelo lado esquerdo, Arsénio recolhe a bola, na posição de interior-esquerdo, e remata com um pontapé raso que Azevedo não consegue defender, até porque o remate foi disparado para o lado do braço esquerdo, que se encontrava magoado.

Esperava-se, nessa altura, que o Benfica acautelasse o resultado, já que o empate lhe bastava. Mas não sucedeu isso. Pelo contrário, os «encarnados» decidiram-se pelo ataque, em que se lançaram abertamente. Só que a sofreguidão e precipitação com que o fizeram não permitiram o resultado por eles desejado. Os remates foram poucos e mesmo esses feitos, precisamente, para o lado que mais convinha a Azevedo: o direito.

Mesmo assim, o Benfica esteve prestes a conseguir o 2-1. Aos 20 minutos, Espírito Santo foge pela direita, interna-se e remata forte a um canto.

Estirada de Azevedo que desvia a bola para canto só com um punho, na mais espectacular jogada de todo o encontro. Depois, caiu no chão, de novo magoado.

Uma ovação estrondosa sublinhou a beleza do lance.

Evitando esse golo que colocaria o resultado em 2-1, numa altura em que o Benfica estava a ganhar claro ascendente, Azevedo ditou a sorte do jogo.

O Benfica ainda insistiu e, no minuto seguinte, na sequência da melhor jogada que o seu ataque logrou em toda a partida, esteve à beira de marcar, mas o golo fugiu por um tris.

Perto da meia hora, Arsénio ainda conseguiria bater Azevedo, mas estava em posição de fora-de-jogo e o tento acabou por ser anulado.

Faltando pouco para acabar o jogo, esperava-se que o Benfica procurasse segurar o resultado. Mas não. Os seus jogadores continuaram apostados em bater Azevedo, o que não voltaria a acontecer.

A cinco minutos do fim, o resultado parecia feito e o título parecia nas mãos dos «encarnados».

Num minuto, porém, tudo se alterou. Aos 40 minutos, Albano, de posse do esférico, apoderou-se da bola e atirou a meia altura. A bola fez tabela no poste e foi aninhar-se no fundo das redes.

Ainda não se haviam extinguido os últimos aplausos do público afecto aos leões quando, no minuto seguinte, Jesus Correia fugiu pela direita. Centro raso, e Peyroteo, que vinha lançado em corrida, rematou, imparavelmente, o terceiro tento da sua equipa.

Como referia Ribeiro dos Reis, no seu comentário ao jogo, «a cinco minutos do fim, o Benfica, com o resultado em 1-1, tinha ainda o título à vista, mas não acautelou suficientemente a sua baliza, não obstante os ‘avisos’ dados por algumas incursões perigosas do Sporting, e quando o remate bem colocado de Albano fez tabela no poste e levou a bola ao fundo das redes, logo se reconheceu que estava ditado o vencedor.

O Sporting ‘cresceu’ a olhos vistos nesses cinco minutos finais, consolidou a vitória com um terceiro golo, feito a seguir, e o Benfica não teve ensejo para qualquer reacção, aceitando a derrota, nessa altura inevitável».

Na apreciação aos jogadores, Ribeiro dos Reis, comentava, assim, a actuação dos «cinco violinos»:

«Na linha da frente, Vasques foi o melhor a ligar jogo e o que mais insistentemente visou a baliza. Nesse capítulo, desta vez levou vantagem sobre Travassos, que só teve uns dois remates perigosos.

A asa esquerda Albano-Travassos ligou bem e perturbou a habitual regularidade de Jacinto. Jesus Correia só nos agradou na ponta final do desafio em que teve iniciativa, jogando na toada que lhe era habitual na época passada.

Peyroteo, que reaparecia após um interregno de várias semanas, apagou-se muito, renunciando a iniciativas e não mostrando o engodo habitual pela baliza. Só na fase final assinalou a presença com um golo da sua marca.»

Contudo, as melhores «palmas» da crítica foram dirigidas a Azevedo, «cujo nome deve ficar intimamente ligado a esta vitória do Sporting, não pela quantidade de trabalho produzido —os adversários não o obrigaram a entrar em acção repetidamente— mas pela ‘qualidade’ do que foi obrigado a executar, sobretudo depois de se ter magoado».

De acordo com a crítica, fácil é concluir que os «cinco violinos» não estiveram tão afinados nessa tarde como noutras oportunidades. Mesmo assim, porém, obter três golos frente ao Benfica, na própria casa deste, constituiu sem dúvida proeza que não se pode subestimar. Só um grande ataque como aquele conseguiria, por certo, desfeitear o Benfica naquelas circunstâncias.

Daí que essa tarde vivida no velho Campo Grande esteja na memória de todos a que ela assistiram e, particularmente, dos «cinco violinos» para quem constituiu, na verdade, uma tarde inesquecível.»

 

In.: BORGAL, Clément; GARCIA, Fernando - 15 histórias de futebol. Lisboa : Verbo, 1980. pp. 137-147

 

(*) ... para o Pedro Azevedo.

O enigma Pedro Mendes

Tantos são os enigmas na gestão do futebol profissional leonino que pouco se tem falado na ausência de inscrição na Liga de Pedro Mendes, promissor avançado dos sub-23 e única alternativa viável nos quadros do Sporting para a posição de Luiz Phellype.

 

Embora sucumba à tentação de catalogar esta decisão como apenas mais um caso de incompetência suicidária, a dúvida metódica instala-se: haverá algo na relação contratual de Pedro Mendes com a SAD do Sporting que esteja a cercear o potencial de sucesso (não tão improvável quanto isso) do jovem avançado?

 

Se alguém quiser esclarecer ficarei muito agradecido. Eu e mais uns quantos sportinguistas, estou em crer.

 

«Azevedo

a sua carreira e as suas preferências

João Azevedo é o guarda-redes mais categorizado. O seu nome pronuncia-se com simpatia e admiração por todos quantos, de uma ponta à outra do país, se interessem pelo futebol. E mais ainda: - a personalidade do guarda-redes nacional goza no estrangeiro do justo prestígio que conquistou pelas suas brilhantes e famosas defesas.
O futebol português, que tem tido algumas boas figuras, na baliza, encontrou em Azevedo um estilo próprio, subindo gradualmente em perfeição, oferecendo-nos rasgos de bela energia a um sentido admirável de visão, ao concluírem-se à boca das redes as mais perigosas jogadas.
O nosso “keeper” está na ordem do dia, É o n.º 1 do nosso futebol.
Fomos conversar com o famoso Azevedo do Barreiro. Encontrá-lo, não é coisa fácil, mas ao fim e ao cabo, Azevedo, bom rapaz, não deixou de cavaquear um pouco connosco. Ei-lo na nossa frente, recordando os seus bons tempos de garoto, datas, e revivendo os mais variados casos.
Azevedo tem 30 anos de idade e 14 de jogador de futebol – sempre em guarda-redes. Porquê? Ele nos conta…
- Nunca joguei em outro lugar senão nas redes. Mesmo em miúdo era só este posto que ocupava. E revelo-lhe os porquês. Por ser o lugar de mais descanso… Jogávamos na praia, cá no Barreiro, desafios que ocupavam toda a manhã. Tanta hora a jogar na areia era de arrasar! Assim, eu na baliza, descansava. Interessei-me depois por este lugar e continuei. Quando enverguei pela primeira vez uma camisola de clube desportivo foi para ocupar a defesa das redes do grupo infantil do Barreirense. Tinha talvez menos de 16 anos e lá me conservei três épocas. Depois fui para o Luso, só um ano e na época de 1935-36 ingressei no Sporting.
- Cuja carreira tem sido vitoriosa, atalhamos.
- Sim. Reconheço que valho alguma coisa no futebol, por intuição, por habilidade, mas também porque tenho procurado rodear a minha vida de jogador da bola de cuidada preparação, técnica e física.
- Pensa ainda jogar muito tempo?
- A não ser alguma infelicidade ou qualquer imprevisto, pretendo estar na primeira categoria do Sporting até aos 35 anos. Até quando puder! Por enquanto sinto-me em boa forma..
- Quando aparecer o substituto para o “team” nacional, o Azevedo continuará…
- Quanto a mim – um facto não prejudica o outro. Admito que surja em qualquer altura um elemento capaz de me substituir. O mesmo sucedeu quando eu subi. Continuarei a jogar. Que tem isso?
- Qual o jogador que actualmente revela mais qualidades para o substituir?
Azevedo já deve ter pensado neste caso, pois nos responde com prontidão.
- Martins, Valongo e Capela, este mais jovem… São por enquanto os três valores que vejo no nosso futebol com mais possibilidade de me substituírem em lugar tão ingrato e difícil.
Azevedo deve ser um dos nossos jogadores o que melhor visão tem do jogo. No seu posto, observa com inteligência, a jogada… Sabe recolher impressões.
- Qual o avançado português que mais o perturba?
- Espírito Santo. Quando se acerca das minhas balizas com a bola nos pés, sinto perigo. E saio para a defesa com o dobro da atenção e do cuidado. Veloz, salta bem, sabe evitar de forma especial a defesa, e é magnífico a desmarcar-se. Este atrativos acompanham o seu bom chute.
Continuamos a falar de jogadores.
- Depois, aprecio Moreira, Arsénio, Francisco Ferreira, Quaresma, e dos jogadores novos, uma que me impressiona muito bem, o belenense Andrade. Dos da minha idade considero-os todos bons. Lá nos “leões” é tudo fixe. Dos antigos recordo, entre outros, Mourão e Pinga. E, agora que falamos de gente da bola não posso esquecer o elemento, precioso para a minha vida de jogador – o massagista Manuel Marques. Além de ser de uma competência na sua profissão, tem tido especiais cuidados comigo. Conhece-me dos pés à cabeça. Sabe como funciona o meu corpo melhor que eu, como funciona e reage. Assistido pelo massagista Manuel Marques tenho uma fé enorme na minha actividade…
- Que lhe parece o comportamento do Sporting?
- Boa equipa, e podemos ainda ganhar o campeonato. Questão de força e vontade.
- Com uma carreira já longa e recheada de jogos perigosos, qual terá sido a defesa mais difícil de Azevedo?
- Talvez pareça estranho, mas a melhor defesa, quanto a mim, que fiz no decorrer destes 14 anos, foi um mergulho formidável, aos pés de um avançado portuense, Já não me recordo do nome do avançado, pois isto aconteceu há uns anos. De resto, não tenho recordações especiais. Tardes boas e má, vitórias, derrotas, o jogo com a Alemanha, no empate a 2 bolas, e agora o jogo com os ingleses.
Aproveitamos para falar do estrangeiro. Azevedo já alinhou em 14 jogos internacionais e visitou a Espanha, Alemanha, Itália, Suíça e França.
- Em todos estes desafios encontrou grandes jogadores?
Azevedo pensa um pouco, revê a série de encontros, e diz-nos:
- É inegável que, de todos, os que mais me impressionaram foram os dois extremos ingleses da R.A.F.
- Que resultado prevê no próximo Portugal – Espanha?
- É possível ganharmos. Se o grupo entrar em campo com a vontade com que pisou a relva do Estádio Nacional no jogo com a R.A.F., não será extremamente difícil vencer os espanhóis. Temos categoria.
Abordámos aina um assunto que constitui uma passagem importante na vida de Azevedo. A sua projectada viagem ao Brasil. O “Keeper” nacional não se surpreendeu com a nossa curiosidade.
- Todos os assuntos que a ele se referem estão adormecidos. Talvez um dia…
- Durante a sua carreira de jogador tem recebido convites para alinhar por outros clubes?
- Nunca recebi dessas propostas. Já agora – “leão” até ao fim.
Terminámos a conversa. Chegara a vez de oferecermos aos nossos leitores a página dedicada a João Azevedo – que ela merece logo que publicámos a primeira. Quando abandonámos o Barreiro trazíamos connosco, além destas palavras, a certeza de que teremos Azevedo para muito tempo.»

Entrevista de Fernando Sá publicada na revista STADIUM, n.º 171, de 13 de Março de 1946. pp. 4, 15

Ambição de campeão

Apaixonado pelo Sporting que sou, é com profundo orgulho que começo hoje a dar o meu modesto contributo para este blog de referência no mundo leonino. E com enorme gratidão pelo convite, claro.

Além da paixão verde-e-branca, e de uma inabalável confiança e sede de troféus, trago alguma experiência - de jornalismo, de Governo e de gestão.

O Sporting Clube de Portugal, naquilo que é a sua história incomparável no desporto em Portugal - que vai desde troféus europeus no futebol a ouro olímpico na maratona - está, para mim, sempre em primeiro lugar. Acima deste ou daquele indivíduo ou grupo. Se aqueles que o dirigem não se considerarem maiores do que esta Instituição, terão o meu apoio, mesmo nos momentos difíceis. Quando/se acharem maiores do que o Sporting, se confundirem com ele, ou simplesmente se aproveitarem dele, terão a minha oposição feroz.

Não podem esperar de mim a fulanização, o ataque pessoal, a descrença. Somos um clube com valores diferentes e temos de lutar por eles todos os dias, todos os minutos e segundos que estamos em campo. 

Vivemos uma fase desafiante, sim. Mas alguma vez houve fases fáceis, num país onde os nossos principais rivais têm um longo historial de manobrar as instituições e as regras a seu favor? A semântica não será o forte de LF Vieira, mas há dias gabava-se da "hegemonia" do seu clube no futebol português...

É importante sermos exigentes dentro de casa, e temos muito trabalho a fazer. Mas não nos podemos distrair de estar absolutamente vigilantes e actuantes em relação a tudo o que se passa à nossa volta. E não é preciso ir muito mais longe do que a última jornada para o demonstrar: três penáltis contra o SCP; uma expulsão absurda a favor do FCP no 1.º minuto de jogo; um Braga (os "guerreiros"...) apático contra o SLB, a marcar dois golos na  própria baliza.

E é isso que mais me preocupa no SCP de Frederico Varandas. Quero ver mais vigilância em relação aos nossos rivais e mais vontade de ganhar. Na entrevista de há dias, queria ter ouvido um plano para chegar ao título nacional - esta época ou, o mais tardar, na próxima. Queria ter ouvido várias vezes a palavra "campeão". Ou "campeonato". Em vez disso, ouvi muitas justificações, às vezes com uma truculência algo excessiva. Demasiado "olhar para dentro" e pouco olhar para fora. Podemos ter a melhor formação e a melhor equipa do campeonato. Mas nunca ganharemos nada enquanto o Sr. Vieira ajudar a compor os orçamentos de um terço (ou mais...) dos clubes da 1.ª Liga, comprando jogadores para depois despachar. Como, aliás, se entreteve a fazer nos últimos meses. É preciso falar sobre isto. Contra isto. 

Nada de masoquismos. Nada de carneirismos. Nada de choradinhos. Zero de dramatismos. Tudo pelo SCP.

SL

Formação

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Há 18 anos que o Sporting não conquista o título de campeão nacional de futebol - o mais ambicionado do desporto português.
O nosso melhor desempenho desde então, no campeonato, ocorreu no tempo de Paulo Bento - precisamente o período em que, neste século, o Sporting mais apostou na formação. Nani, Rui Patrício, João Moutinho, Miguel Veloso, Adrien e Carriço, por exemplo.
Ora se a formação nos dá prestígio, dinheiro, identidade e troféus - quatro, no tempo de Paulo Bento - porque não haveremos de apostar mais nela?

A voz do leitor

«Preparou-se um plano B para a saída do Bruno Fernandes mas não havia plano A. O Raphinha quanto a mim só é boa venda para quem tem os cofres vazios, pois com 22 anos a fazer o que ele fazia o seu preço é uma pechincha no mercado actual.»

 

Miguel Bento, neste meu texto

Os nossos ídolos (37): Azevedo

Falar de ídolos, para mim, é simples: é falar de Manuel Fernandes.

Porém, nas “futeboladas” da minha infância, não era ele quem eu encarnava. Como a minha habilidade para 'jogar à bola' era pouca, não havia outra alternativa senão ser... guarda-redes.

Duas pedras, a três passos de distância, era a minha baliza, colocadas na estrada ou no recreio da escola, umas luvas “mal amanhadas” e aí estava eu.

Imaginava-me então uma outra figura do Sporting, aquele que o meu pai dizia ter sido o maior guarda-redes de todos os tempos: Azevedo! “Até de braço partido defendeu a baliza do Sporting”, dizia. Um Benfica - Sporting disputado a 17 de Novembro de 1946, soube mais tarde.

Procurei a crónica desse jogo, escrita por Tavares da Silva na revista Stadium. Este é o texto:

 

«(…) A partida emocionante de Lisboa!

As forças alinharam no Campo Grande da maneira que seguidamente indicamos, sob arbitragem de Carlos Canuto.

Benfica – P. Machado, Teixeira, Félix, Jacinto, Moreira, F. Ferreira, E. Santo, Arsénio, Júlio, V. Baptista e Rogério.

Sporting – Azevedo, Cardoso, Manuel Marques, Canário, Veríssimo, Barrosa, J. Correia, Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano.

A pugna ofereceu variados matizes: domínio de um, e logo de outro grupo; vitória a sorrir a um dos teams, para depressa se voltar para o outro. Ainda uma lesão de capital importância, levando Jesus Correia e Veríssimo para dentro das balizas.

Quando Canuto apitou para o começo – os leões desencadearam sem perda de tempo as suas ofensivas. Tal orientação denunciava o seu estado de espírito. Na realidade era ao Sporting, lògicamente [sic], que competia o assalto, devendo o Benfica, a coberto da sua vantagem, aguardar com serenidade o desenvolvimento do jogo. Mas, caso estranho!, os benfiquenses [sic] mostravam-se mais impacientes e sob mais viva influência nervosa, do que o seu adversário. Este jámais [sic] perdeu a cabeça, conservando sempre o cérebro a trabalhar. Mesmo nos momentos angustiosos, vide a fase de Veríssimo nas redes, os seus elementos souberam vigiar e coligar-se na defesa comum das redes.

Já o seu adversário não teve tacto para explorar a inferioridade numérica do antagonista, visto os seus elementos de ataque se embrulharem em frente das redes, traçando um futebol confuso em vez de espalhar o jogo pelas asas. Deste modo, os bons rematadores da linha atacante do Benfica não puderam aplicar com êxito os chamados golpes mortais. A bola encontrava sempre na sua trajectória o corpo de um jogador, ou num pé salvador de defesas.

Quando Azevedo reentrou incapaz de mover o braço esquerdo caído e inerte ao longo do corpo, o Benfica ainda fez o empate pelo lado desse braço, mas em seguida desistiu para mudar de rumo ao remate, proporcionando a Azevedo mais algumas defesas com a sua inconfundível rubrica.

Quando o empate parecia ser o resultado definitivo, o Sporting deu o golpe de teatro. Um remate de Albano, seguido de outro, também mortal, de Peyroteo, decidiram sem apelação o pleito.

O Sporting produziu excelente trabalho: equipa de ciência e de boa condição física. Sabendo como se realiza e tendo forças para realizar. A sua mecânica raramente foi destruída: na defesa, colocação de Barrosa no centro do terreno (3 backs); médio de ataque, e uma dianteira, rápida e precisa, forte e eficaz.

O Benfica encontrava-se num dia de má inspiração, dando alguns dos seus elementos a ideia de uma perturbação que não lhes deixava ver a sangue-frio as jogadas, por vezes fáceis, ou as manobras a fazer. A ligação ou colaboração, da defesa para a média, tornou-se deficiente pela necessidade da linha medular acorrer à frente, ao verificar a ineficácia da dianteira. Os interiores, perdidos no meio da confusão, também se esqueceram de dar à célula medular o auxílio indispensável, e dessa falha geraram-se fortes ataques sportinguistas.

Mas demos um golpes de vista à actividade dos jogadores, que é uma forma de fazer luz sobre o que se passou em campo. Comecemos pela equipa vencedora.

João Azevedo destacou-se como a figura central da partida. Meteu o público no bolso: primeiro com um punhado de defesas incomparáveis; segundo, pelo seu espírito de sacrifício. O seu regresso às redes, cheio de dores, justifica-se, pelo lado clubista, como chicotada moral no conjunto. E logo se viu o influxo.

Cardoso comportou-se como mestre que é, visão do lance antecipações magníficas. Manuel Marques, elástico, vivo, outro estilo, mas igualmente um valor. Barrosa, na feição de defesa, a que melhor se coaduna com as suas faculdades, transformou-se num elemento precioso. Importa aguardar o futuro. Canário construiu muito jogo, passando modelarmente. Veríssimo, quanto a nós, rendeu mais do que a sua média. Com espantosa energia nunca se considerou batido, e ao defender não se esqueceu de atacar.

Jesus Correia talvez mereça a classificação de elemento mais perigoso: jogada sóbria, mas invulgarmente rápida, e uma bola que merecia ser inscrita nos Tratado de técnica. Vasques, um dominador da bola, cumpriu a sua tarefa. Peyroteo, talvez com menos mobilidade, foi a ameaça de sempre; o seu alinhamento fortaleceu a equipa. Travassos evolucionou no campo com donaire, e sabendo o que fazia. Albano, mais sóbrio que de outra vezes, teve jogadas de excelente marca.

No Benfica, julgamos que P. Machado não teve culpas nos golos. Talvez no terceiro… Mas a verdade é que os remates rápidos e potentes surpreendem e batem qualquer guarda-redes. Teixeira jogou francamente bem, de bom despacho de bola, sentindo e antecipação, com a desvantagem do seu companheiro (que talvez não seja defesa mas continue a ser médio!) se mostrar pouco certo e seguro, Jacinto apagou-se um pouco: sem iniciativa e menos feliz nas respostas que ordinàriamente [sic].

Moreira desenvolveu extraordinária actividade em certo período, mas em toada de defesa.

Francisco Ferreira despendeu energia a rodos: quando viu a altura a altura de atacar, lançou-se abertamente nesse caminho mas não teve acompanhantes. Espírito Santo não progrediu no terreno. Arsénio produziu lances de grande vivacidade, mas acabou, arrasado, físicamente [sic]. Júlio perdeu-se no meio da confusão geral. Vítor Baptista, rematou com oportunidade, colocação e força (o melhor dos rematadores!), a par de deficiências de posição. Rogério, de bons pormenores, decaiu um pouco, e raramente pôde perfurar a barreira adversária.

Carlos Canoto arbitrou com mão de mestre, consentindo o jogo forte e ousado, mas sem violências. Nem um só momento deixou de ter os jogadores na mão e manteve intacta a sua serenidade e a boa disposição que caracterizam as suas arbitragens. (…)» [*]

 

Curiosamente, mais tarde, na escola quando andava no 8.º ano, numa dessas futeboladas de recreio parti o meu braço direito, porém, ao contrário de Azevedo, não regressei à baliza… Nesse ano o meu ídolo, Manuel Fernandes, marcou 4 dos 7 golos ao Benfica.

 

[*] In. STADIUM, n.º 207, 20 de Novembro de 1946. p. 3

Leonel Pontes

Com todos os seus defeitos Marcel Keizer conseguiu chegar ao Sporting, encontrar uma equipa debilitada, muito mais fraca que os rivais e levá-la ao 3º lugar da Liga, à conquista da Taça de Portugal e também da Taça da Liga. Marcel Keizer foi uma aposta pessoal do presidente e facilmente se percebe que iria insistir nele até ao limite do possível.

A época começou muito mal, com uma derrota copiosa na Supertaça, mas três jornadas depois parecia que o pior tinha passado e estávamos na calha para um resto de temporada à semelhança da anterior.

Mas em pouco mais de 10 minutos, e por acção dum artista de circo irianiano e duma noite infeliz do nosso sub-capitão, tudo caiu por terra e a liderança da Liga transformou-se numa derrota humilhante em casa, e logo na véspera do fecho do período de transferências. E esse fecho traduziu-se na saída de dois dos titulares da véspera, e na entrada de três emprestados de potencial duvidoso, mas que se encaixavam nas necessidade apontadas por Keizer. 

Depois disto tudo despedir Keizer foi por um lado incontornável dadas as prestações da equipa e a derrota, mas por outro significou um fracasso colossal do presidente/estrutura na sua aposta para treinador, obrigando-os agora a colocar um técnico que estava a fazer um óptimo trabalho nos sub-23 a lidar com um plantel desequilibrado e fragilizado, se calhar bem distante das suas ideias de jogo, e sem espaço para recorrer aos seus jovens. Não custa muito prever que Leonel Pontes vá ter uma vida breve como treinador principal do Sporting. 

Pelo que, mais dia menos dia, veremos chegar um novo treinador. Quando se ouve falar em Pedro Caixinha ou Claude Puel, fica-se logo com um receio enorme de que venha por aí um novo Marcel Keizer, um treinador de segunda ou terceira linha europeia com umas coisas boas outras nem por isso, sem capacidade para transformar e potenciar a equipa e galvanizar os sócios. E duvido muito que valha a pena pensar em Leonardo Jardim, cidadão do belo principado do Mónaco e a facturar 4K euros líquidos por ano.

O Sporting não precisa de jogadores emprestados para reciclar. O Sporting precisa dum treinador experiente, carismático, inovador, potenciador da formação e sem olhar a idades ou estatutos no momento de escolher. Precisa dum novo Malcolm Allison (ou Bobby Robson ou Boloni) no banco, precisa dum novo Manuel Fernandes (ou Oceano) como adjunto, precisa dum novo Roger Spry na preparação física, para dar exemplos que todos percebam.

Por muito agradecidos que estejamos a quem nos deu duas taças, o Sporting não pode dar-se ao luxo de vir a ter um novo Marcel Keizer, acompanhado por um conterrâneo boa pessoa mais um jovem adjunto que andava pelas arábias e um preparador físico que ainda há pouco era fisioterapeuta.

Com tudo isto, Leonel Pontes só pode mesmo ter todo o nosso apoio. Incondicional.

SL

Portugueses

Se houve aspecto que me decepcionou na presidência de Frederico Varandas, no confronto entre as luzes e sombras do primeiro ano do seu mandato, foi a condenação à irrelevância da nossa formação na primeira linha do futebol leonino. Pior: o quase desaparecimento de portugueses no onze titular que apresentamos em campo. Enquanto víamos progredir os brasileiros (Renan, Wendel, Raphinha, Luiz Phellype) e até os argentinos (Acuña e Vietto, sem esquecer o lesionado Battaglia).

Há equipas no estrangeiro que jogam com mais portugueses do que o Sporting Clube de Portugal.

 

Varandas: um ano em balanço

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Frederico Varandas iniciou funções faz hoje um ano, mandatado nas urnas por uma expressiva maioria dos votos dos sócios: 42,3%. Derrotando João Benedito (36,8%), José Maria Ricciardi (14,5%), Dias Ferreira (2,3%), Fernando Tavares Pereira (0,9%) e Rui Jorge Rego (0,5%).

Virava-se uma página convulsiva no Sporting - uma das mais atribuladas e trumáticas de sempre, marcada pelo ataque selvagem de membros das claques à Academia de Alcochete, pela rescisão unilateral de contratos de nove jogadores do futebol profissional, pela violação de normas estatutárias e disciplinares por parte do Conselho Directivo liderado por Bruno de Carvalho, pela destituição dos órgãos sociais do clube e pela expulsão do presidente, que deixou de ser sócio. De caminho, perdíamos a final da Taça de Portugal frente ao Aves e o treinador Jorge Jesus partia para outras paragens.

Nem os mais pessimistas foram capazes de antever um cenário tão dantesco neste nosso centenário clube que é instituição de utilidade pública. E poucos prognosticaram que, apesar de tudo, o Sporting acabasse por regressar ao trilho da normalidade, visível um ano depois. Um ano difícil, complexo, ainda cheio de traumas. Mas que fez acender sinais de esperança novamente em Alvalade.

Vale a pena fazer um breve balanço deste primeiro ano de mandato de Frederico Varandas, nas suas luzes e sombras. Aqui fica, pela parte que me toca:

 

Positivo

Duas taças conquistadas. Com Marcel Keizer ao comando da equipa técnica, o Sporting venceu dois troféus: a Taça da Liga (em Janeiro) e a Taça de Portugal (em Maio). Derrotando o FC Porto em ambas as finais após termos eliminado o Braga na primeira competição e o Benfica na segunda. Foram os cinco meses mais conseguidos no futebol leonino desde 2002, quando conquistámos pela última vez a dobradinha, com o treinador Laszlo Boloni.

Seis títulos europeus. Contra a expectativa de muitos, este foi um ano de forte protagonismo do Sporting nas modalidades, com destaque para as conquistas europeias. Com nada menos de seis títulos internacionais acumulados em cinco modalidades: Liga dos Campeões de futsal, Liga Europeia de hóquei em patins, Liga dos Campeões de judo, Taça dos Clubes Campeões Europeus de corta-mato feminino e campeonatos europeus de golbol (masculino e feminino). No judo, Jorge Fonseca e Daria Bilodid sagraram-se campeões mundiais. E vencemos a Taça Ibérica em râguebi (masculino e feminino).

Modalidades em alta. Apesar das mudanças ocorridas, o Sporting continuou a marcar posição como clube eclético. Com vitórias no futsal (Taça de Portugal, Supertaça  e campeonato sub-20), andebol (campeonato de juniores), atletismo masculino (campeonatos de estrada e corta-mato), atletismo feminino (estrada, corta-mato e pista coberta), judo (campeonato), natação (campeonato), ténis de mesa (campeonato, Taça de Portugal e Supertaça), ginástica masculina (campeonato por equipas em trampolins) e râguebi feminino (campeonato, Taça de Portugal e Supertaça). Novidade: o basquetebol regressou a Alvalade 24 anos depois.

Investimento na Academia. Iniciaram-se as obras de ampliação e beneficiação da Academia de Alcochete, que se encontrava visivelmente degradada. Estando já em curso a renovação dos campos de treino e a remodelação de diversas infraestruturas de apoio desportivo. Este projecto - que, segundo Varandas, totalizará entre 10 milhões e 12 milhões de euros - prevê o alargamento de toda a ala destinada à formação dos sub-7 aos sub-23, que deverá estender-se por mais sete hectares até 2021.

55 milhões no Verão. A janela de transferências estival saldou-se pela maior soma de sempre na venda de passes de jogadores que pertenciam ao plantel leonino: mais de 55 milhões de euros ficaram garantidos para os cofres de Alvalade. Com destaque para as saídas de Raphinha (para o Rennes) por 21 milhões e Thierry Correia (para o Valência) por 12 milhões. Ficou também solucionado o conflito com o Olympiacos, tendo o clube grego assumido o pagamento de sete milhões de euros ao Sporting por Podence, um dos nove jogadores que rescindiram unilateralmente contrato após o assalto à Academia de Alcochete.

 

Negativo

Instabilidade técnica. Vamos no quarto treinador no futebol profissional - e nada garante que não esteja para chegar um quinto a curto prazo. Varandas apontou a porta de saída a José Peseiro menos de dois meses após ter tomado posse. Seguiu-se Tiago Fernandes, interino, que comandou a equipa em três jogos sem derrotas. Em Novembro, chegou Marcel Keizer, que acabou despedido dez meses mais tarde. Leonel Pontes, que vinha orientando com sucesso a equipa sub-23, assegura provisoriamente o comando do plantel principal. Resta ver até quando.

Formação à margem. Em Janeiro, pela primeira vez desde Outubro de 2007 (568 jogos depois), a nossa equipa de futebol entrou em campo sem nenhum jogador da formação no onze titular. Aos poucos, os elementos formados na Academia de Alcochete eram emprestados (Matheus Pereira, Francisco Geraldes e Domingos Duarte, por exemplo), saíam sem lucro para a SAD (Nani) ou eram relegados para a bancada (Jovane e Miguel Luís). Desmentindo uma das promessas mais emblemáticas feitas pelo candidato Varandas durante a campanha.

Reforços por exibir. Desde Janeiro chegaram 13 reforços. Mas apenas dois têm actuado regularmente como titulares: Luiz Phellype e Idrissa Doumbia. Ilori foi promovido e logo despromovido, Borja joga com intermitências, Neto faz aparições esporádicas. Vietto ainda só fez dois jogos como titular, Eduardo e Plata mal actuaram ainda e Camacho e Rosier (que chegou lesionado) aguardam estreia em desafios oficiais. No último dia do mercado de Verão desembarcaram mais três, todos por empréstimo: Jesé, Fernando e Bolasie. Três incógnitas, cada qual a seu modo.

Bruno e Bas Dost. A gestão dos casos Bruno Fernandes e Bas Dost pecou por improvisação, passividade e amadorismo. A SAD aguardou quase até ao limite do fecho do mercado por propostas de aquisição do nosso médio criativo, acabando por não receber nenhuma pela quantia que havia fixado: cerca de 70 milhões de euros. Gorada esta venda, houve que apressar outras saídas, incluindo a do nosso maior goleador, Bas Dost, que saiu por apenas sete milhões - cifra baixíssima para um jogador que marcou 93 golos em três temporadas no Sporting e chegou a ser o segundo maior goleador dos campeonatos europeus. Pior: ficámos sem ponta-de-lança alternativo. Luiz Phellype é agora o único.

Duas goleadas. Custa sempre sofrer muitos golos, mas ainda mais quando o adversário é o nosso mais velho rival. Sucedeu duas vezes nestes últimos seis meses: primeiro no campeonato, em Fevereiro, quando o Benfica nos derrotou por 2-4 em Alvalade; depois em Agosto, na Supertaça, ao sermos humilhados pela mesma equipa no estádio do Algarve, de onde saímos derrotados por 0-5. Uma goleada que (Varandas viria a confessar um mês depois) traçou o destino de Marcel Keizer. E fez começar da pior maneira a época 2019/2020.

A voz do leitor

«Não me parece que as três contratações sejam cirúrgicas mas o tempo dirá. Não temos ponta de lença mas a selecção nacional também não. Messi e Cristiano Ronaldo não são de certeza. Qualquer treinador que viesse agora seria uma incerteza, como Leonel Pontes. A hipótese Mourinho no Sporting? Viu-se a fortuna em aquisições que fez no Manchester para nada. Agora trabalho e sorte é o que desejo a Leonel Pontes que, como adjunto de Paulo Bento, foi quatro vezes à Liga dos Campeões.»

 

Leão de Queluz, neste meu postal

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