Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

Mal, Sérgio. Mal.

Contrariando o princípio básico de não falar dos adversários, deixo hoje aqui uma nota a Sérgio Conceição.Gosto do Sérgio, acho que é competente e que tem conseguido criar espírito de equipa, amor à camisola, união entre adeptos, jogadores e direcção. Mas ontem esteve mal.

Ao tentar menorizar o Sporting, sublinhando o percurso alegadamente fácil da nossa equipa até ao Jamor, o treinador do FC Porto acabou por desrespeitar todas as equipas que referiu (sem necessidade nenhuma) e por diminuir o próprio Clube, incluindo-o no lote das equipas "fáceis" que o Sporting teve que defrontar e vencer.

 

Dois momentos!

Desde já assumo que não gosto que os jogos se decidam por grandes penalidades.

Mas estas são as regras por todos conhecidas e aceites.

Todavia quando estou em casa geralmente não vejo na televisão estas decisões. Deixa-me fora de mim. Relembro a título de exemplo a final da Taça com o Braga... Como diz o Edmundo "ca nervos".

Este é, assim. o primeiro momento...

A última noite foi diferente. Vi o jogo no Estádio com uma fleuma quase britânica, certo do que estaria para acontecer. Ao meu redor barafustava-se, ralhava-se, aplaudia-se, chorava-se. Eu, anormalmente calmo, esperava pelo golo. Que veio e que não vi, tal a confusão na grande área e a distância do meu lugar.

Este é, portanto, o segundo momento.

Como os dois momentos que seguem infra!

(imagens gravadas do meu lugar)

Tudo ao molho e FÉ em Deus - O (J)amor nos tempos de cólera

De um lado estava uma Altice equipa, do outro uma equipa a precisar de desatar alguns NOS, mas o destino do jogo teve dois momentos reveladores logo no seu início. Primeiro, Battaglia perseguiu uma bola ombro-a-ombro com Brahimi e abafou-o. De seguida, Acuña rodou como um discóbolo sobre Maxi Pereira, ganhou a bola e viu o seu adversário sair projectado uns bons 3 metros. Dois argentinos do Sporting, dois dos vários sul-americanos em evidência na equipa leonina. 

 

Presságios à parte, o primeiro tempo foi um joguinho. O Porto sufocou de pressão o coração (meio campo) da construção leonina. Com todas as artérias por onde se poderia escoar o futebol do Sporting bloqueadas, o cérebro (Bruno Fernandes) não teve oxigénio para pensar o jogo, o que afectou a motricidade colectiva. Ainda assim, coube aos leões a melhor oportunidade: mesmo com o ar rarefeito, Gelson conseguiu conjugar um pique com a ginga que tem naquele corpo de dançarino e deixou Alex Telles a pedir multa por excesso de velocidade; de seguida, o ala leonino decidiu bem, colocando a bola no sítio certo, na pequena área, mas o lance perder-se-ia perante a complacência de um insolitamente amorfo Dost.

 

A segunda parte já foi um jogo. O Sporting agarrou a partida pelos colarinhos e foi pressionando a equipa portista. Tal intensificar-se-ia após Jorge Jesus ter mexido na equipa, primeiro acidentalmente - fazendo entrar Ristovski por lesão de Piccini - , depois decisivamente, trocando Fábio Coentrão por Montero. Pressentindo a fraqueza do adversário, vendo a presa ali à mercê, o treinador leonino colocou novos desafios à defesa portista. Entretanto, o nosso Exterminador Implacável desparasitava os vírus e bactérias com que outrora a equipa do Dragão contaminara o nosso meio campo, arranjando ainda tempo para combinar com Gelson dentro da área portista ou subir mais alto, após um canto, possibilitando o remate vitorioso, com o pé direito, a Coates. E só não foi ainda mais longe, porque Jorge Sousa lembrou-se de vêr uma falta - após uma recuperação de bola no último terço portista - onde só houve o ímpeto de um homem empenhado em trazer justiça ao povo de Alvalade. Exterminador Implacável, Homem do Bombo ou, simplesmente, Batman, ele é nosso, ele é Rodrigo Battaglia.

 

A partida foi para prolongamento e este foi um jogão. Na primeira metade, o Sporting desperdiçou 3 boas oportunidades, por Gelson, Montero e Bruno Fernandes. Na segunda, Doumbia - acabado de ser lançado em campo, por troca com Dost - foi à procura da fortuna, mas o MÁXImo que conseguiu foi encontrar um mealheiro na cabeça do defesa uruguaio do FC Porto. Entrámos então na "lotaria" das grandes penalidades e os nossos jogadores mostraram uma concentração e pontaria fantásticas, qualificando-se assim para a final do Jamor.

 

No Sporting, destaque para as excelentes exibições de Sebastián Coates - decisivo no desarme sobre Soares, oportuno no golo que empatou a eliminatória e exemplar no penálti marcado (ai Jesus, que sofrimento quando o vi partir para a bola...) - , Marcus Acuña (incontáveis as vezes que percorreu, acima e abaixo o seu corredor) e Rodrigo Battaglia (o melhor que se pode dizer dele é que na sua área de acção a relva não cresce). Muito bem, também, Mathieu, o super intenso Ristovski (que pulmão!!) e Gelson. "Monteiro" (marcou o penálti decisivo com a frieza de um cirurgião, noutro lance, deixou Alex Telles nas urgências de nefrologia e ameaça tornar-se no maior carrasco de Sérgio Conceição em Taças de Portugal), Bryan Ruiz (bom jogo) e Bruno Fernandes (com o corpo a pedir cama e os pulmões uma máscara de oxigénio, foi melhorando durante a partida) também foram decisivos, marcando de forma irrepreensível os seus castigos máximos. Num jogo para homens de barba rija, a nossa equipa nunca se desorientou perante o ímpeto contrário e, tal como Cassius Clay, soube ir dançando com o adversário, desgastando-o até lhe aplicar a estocada fatal. Não deu para k.o., mas ganhámos na decisão por pontos. Está de parabéns, Jorge Jesus.

 

Num tempo de cólera no futebol português, esta vitória do Sporting é o triunfo do enorme amor que os seus adeptos têm pelo jogo e pelo clube, que vai passando de geração para geração, enchendo bancadas ao longo dos anos, independentemente da escassez de títulos e das razões que todos sabemos a justificam. Ontem, jogámos como SEMPRE e ganhámos como NUNCA. Uma força bem viva e indestrutível! Vivó SPORTING !!! 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Sebastián Coates, Rodrigo Battaglia e Marcus Acuña(*)

 

#savingprivateryan

 

(*) após muita ponderação, hesitação e sono, não consegui desatar o nó, pelo que excepcionalmente atribuí o título de melhor em campo a este trio de sul-americanos.

sportingportotaçaportugal.jpg

 

Quente & frio

Gostei muito de tudo. Do jogo repleto de emoção do princípio ao fim. Das bancadas em Alvalade cheias de adeptos vibrantes. Da nossa capacidade de superar obstáculos - com 55 desafios já disputados nesta temporada, contra apenas 47 dos portistas. Da entrega dos jogadores leoninos à luta pelo segundo troféu mais cobiçado do futebol português. Da nossa superioridade durante quase toda a partida. Do nosso triunfo em campo frente ao FC Porto, por 1-0 - o primeiro clássico que terminamos nesta época com vitória no tempo regulamentar de jogo. Do nosso acesso à final da Taça de Portugal, que disputaremos a 20 de Maio no estádio do Jamor.

 

Gostei do golo de Coates, que nos permitiu empatar a eliminatória, após termos sido derrotados 0-1 na primeira mão, no Porto. O internacional uruguaio, que tinha estado no centro de todas as críticas pela desastrada exibição frente ao Atlético de Madrid, na capital espanhola, soube redimir-se esta noite em Alvalade, não apenas por ter sido o único a meter a bola nas redes adversárias mas também pela sua excelente actuação no plano defensivo, com corte soberbos aos 31', 42' e 111'. Destacou-se ainda, no desempate por penáltis, por ter convertido a nossa quarta grande penalidade. Após Bruno Fernandes, Bryan Ruiz e Mathieu, e antecedendo Montero. Nenhum deles falhou neste momento decisivo.

 

Gostei pouco do sofrimento a que fomos submetidos até este desfecho bem sucedido - o terceiro que conseguimos por marcação de penáltis, após a meia-final da Taça da Liga (contra o FCP) e a final desta competição (contra o V. Setúbal), também decididas por grandes penalidades, com a balança a pender sempre a nosso favor. Prova inequívoca da maturidade competitiva e da força mental do plantel verde e branco, por mais que o cansaço físico prevaleça. Tudo está bem quando acaba bem.

 

Não gostei da ineficácia ofensiva dos nossos avançados, incapazes de marcar um só golo em lances de bola corrida ou bola parada. Bas Dost, anulado pelos centrais portistas, praticamente passou ao lado do jogo. Montero teve bons apontamentos (nomeadamente quando partiu os rins a Alex Telles, numa incursão pelo flanco direito aos 116') mas só foi bem sucedido na ronda dos penáltis finais. Doumbia entrou muito tarde, aos 105', e pouco ou nada fez no escasso tempo em que esteve em campo.

 

Não gostei nada da meia hora inicial desta meia-final em Alvalade, em que o Sporting se mostrou lento, previsível, inofensivo à frente, com notória falta de intensidade. Felizmente soubemos dar a volta por cima e melhorar muito no segundo tempo, culminando no golo aos 84' que levou a partida para prolongamento. Era já meia vitória, antecipando o bom desfecho desta difícil partida que ainda mais valoriza o triunfo leonino. Prenúncio de novas e ainda mais saborosas vitórias.

Estás a ver Bruno, eu posso

"És um labrego, trolha e aldrabão! Já ninguém te consegue (não te consigo) aturar!

Vai mandar no G15 e aproveita e vai...

Idiota, aldrabão...

Adoras ser o Presidente do benfica b...

Agora faz mais um comunicado..."

 

Nota de rodapé: Esta alimária esqueceu-se de falar do penalti claro contra o seu clube no jogo em casa com o Sporting, que daria o possível 0-1.

Memórias de Peyroteo (11)

(cont.)

 

«MUITO OBRIGADO, “MISTER” SEZABO!

 

Para iniciar a minha carreira desportiva no Sporting Clube de Portugal, fui entregue, como já se sabe, aos cuidados do grande treinador que é José Sezabo.

Tal como acontece a todos os futebolistas no momento do primeiro contacto com o Mestre, ouvi a sua prelecção habitual:

- “O senhor, para mim, quando entra em campo a fim de jogar futebol, não é o Peyroteo mas sim o número 9. Claro está que seria despropositado chamar: ó n.º 9! Não estamos na tropa, a chamar os magalas pelo seu número, mas, quando estamos a trabalhar, não interessam os nomes mas apenas os jogadores, o que eles fazem, como treinam e como jogam. Aqui não há amizades! Que me importa que o senhor se chame Peyroteo, se não jogar nada? O nome não conta, o que conta é o jogo, o seu interesse e respeito pela camisola que veste, a amizade com os camaradas da equipa, respeito pelo público e pelo adversário. O nome de cada um não tem valor quando não há bom jogo. Será melhor não ter nome e jogar bom futebol…”

Mestre José Sezabo repetia estas suas considerações sempre que algum dos seus pupilos - geralmente o Manuel Marques, mais conhecido pelo “Manecas” - dizia prever dificuldades porque o adversário à sua guarda se chamava fulano ou beltrano.

O Mestre, servindo-se do seu mau português mas dos seus profundos conhecimentos do futebol, dizia:

- “Sinhor Monecas, não brincar. Nem quê jogue Sinhor Presidente! Sinhor Monecas tem quê ir! Não dizer um coisa dê isso. Nome dê gajo não interessar; jogar bem, sinhor Monecas, jogar bem e ver como méter advérsário na algibeira dê colete. Espérteza, sinhor Monecas, sempre espérteza!”

Ora os treinos começavam às 8 da manhã mas, às 7,45, já toda a rapaziada devia estar equipada, em condições de entrar no rectângulo e a essa hora, Mestre Sezabo, de fato de treino e de boina na cabeça, devidamente equipado enfim, chegava à nossa cabine, pegava no apito que trazia pendurado ao pescoço, suspenso por um cordel bastante sujo, aliás, dava três estridentes apitadelas e exclamava:

- “Bom dia, sinhores. Vamos trabaiar. Qui está está ; qui non está non está e dar-se dez-per-cente para ele…”

Este “dar-se dez-per-cente”, era o mesmo que dizer que quem não estivesse à hora exacta no campo seria castigado com o equivalente a 10% do seu vencimento mensal, ou melhor, aquele “dar” equivalia a “tirar”…

Necessário se tomava entendê-lo, não fosse haver má interpretação, porque se aquele “dar” equivalesse mesmo a “dar”, estou crente que a rapaziada ficaria toda na cabine I As vezes, em dias de muita chuva ou frio, não era nada mau, mesmo que o “dar” fosse “tirar”, mas o pior é que sem fôlego não podiamos jogar futebol…

Vem a propósito contar que nessas manhãs em que, precisamente à hora de entrarmos no campo para treinar, chovia a potes, a rapaziada, conhecendo muito bem o seu treinador, e para o ouvir, dizia:

- “Isto não pode ser, “Mister” Sezabo! Como se pode jogar à bola assim com tanta chuva? Não vê que o terreno está cheio de lama e vamos escorregar muito?”

Resposta pronta:

- “ Cárágo, sinhores! Bom ideia! Ficar tudos a cabine, com um condição: fazer domingo árbitro não entrar a campo se estar dê chuva. Ser ideia bêstial, sinhores! Mas se árbitro entrar a campo e sinhores não estar habituados chão molhado e jogar mal, dar para sinhores um mês de ordenado de castigo! Estar bem? Estar bem, amigos?”

Em face de tais perspectivas, com chuva e vento, com frio ou calor, lá íamos treinar, acompanhados – sempre! - de Mestre Sezabo. Sim, porque ele apanhava a mesma chuva, sofria o mesmo frio, suportava o mesmo calor e afirmava orgulhoso:

- “Véliote (o mesmo que velhote) não cortar prego!”

Não raramente, comentando o que o Mestre dizia referindo-se ao nosso.pedido brincalhão, eu dizia:

- “El-Rei manda marchar, não manda chover!…” e, certa manhã, em vez de dizer aquelas coisas todas acerca do estado do terreno e da disposição do árbitro, Mestre Sezabo voltou-se para mim e, muito sério, pediu:

- “Fernando; dizer para eles aquele coisa bonito que você saber. Dizer, sr. Férnando, se fazia favor!”

Claro que não repeti a frase porque podia apanhar com uma toalha encharcada!

Era assim. Nós gostávamos de ouvir falar Mestre Sezabo e por isso inventávamos uma série de maroteiras para o fazer falar.

Por exemplo, disse-lhe um dia:

- “Talvez fosse bom, “Mister” Sezabo, eu não treinar hoje porque sinto uma dor aqui no pé direito e posso aleijar-me mais; depois, no domingo, se isso acontecer, não posso jogar…

O Mestre, fitando-me complacente, respondeu:

- “Não fazer mal, sr. Férnando. Experimentar porque ser melhor magoar-se a “treining” que no jogo! No “treining” substi- tuir-se você mas no jogo, lei não permitir; ser um sarílio!”

A rir, disse-lhe por fim:

- “Não tenho nada “Mister”! Era só a reinar.,

Quase zangado, em tom severo mas respeitador, exclamou:

- “Férnando não brincar, não falar muito porque ficar sem fôlego e fazer falta para “treining”…

Invariavelmente, “Mister” Sezabo terminava desta forma as suas “recomendações” de fim de semana:

- “Silêncio, sinhores, ouvirem com atenção: sexta-feira banho quente e massagem; sábado dê tarde, na sede, têoria-táctica dê jogo sobre tabuleiro, com bonecas e, mais importante, sinhores, ficharem torneira dê nêmoros dê mininas. Atenção, fazer muito mal e precisar canetas para jogo.

O brincalhão do Manecas não perdia a ocasião para dizer das suas:

- “Mas, “Mister” Sezabo, não deve esquecer que um- homem é um homem, e os casados têm certos deveres a cumprir” - e logo se travava um diálogo neste género:

- “Sinhor Monecas não dizer um coisa dê isso; sempre sinhor Monecas, cárágo! Fazer este: chigar a casa quinta-feira para jantar e dizer sua mulier quê sopa estar um sucata, arranjar-se uma discussão, fazer zaragata, ir-se deitar zangado com ela, voltar-se lado contrária e só fazer-se pazes segundo-feira. Ouvir-se sr. Monecas, ouvir-se?

- Ouvi, “Mister”, mas isso é uma vergonha!…

- Sinhor Monecas, cárágo, dar-se uma cabeçada para si! Malandro dê gajo! Depois não quixar-se; adversário marcar ponto e sinhor ver ordenado fim dê mês. Sinhor Franco fazer-se a barba a sinhor Monecas!…”

O leitor pode ficar com a certeza de que, de vez em quando, sou forçado a interromper o que estou escrevendo porque río com gosto, não do que escrevi mas porque me vêm à memória os verdadeiros termos, as frazes que eles empregavam e os apartes dos outros companheiros da equipa, Imaginem o que seria o Soeiro e o Paciência, a um canto da cabine, agarradinhos, imitando um parzinho amoroso! Muito ternos - um muito escuro e o outro muito feio! O Paciência a “atacar” e o Soeiro a “defender-se” dos impulsos amorosos de matulão, até que um de nós chamou a atenção de “Mister” Sezabo, para ver os amorosos…

O treinador agarrou numa toalha, abriu a torneira da água do duche, molhou-a bem e… não chegou a atirar porque se escangalhou a rir e ficou sem forças!… Apenas disse com muita graça:

- “Cárágo, Paciência! Você ser um garoto bêstial!…

 

Chegava o domingo, jogava-se, invariavelmente ganhávamos e no fim do encontro, o Manecas perguntava a Mestre Sezabo:

- “Então, “Mister”, que tal joguei?”

- “Tá bem ; sr. Monecas bestial”.

- Pois fique sabendo que não fiz nada daquilo que o senhor me disse na quinta-feira! Foi tudo ao contrário e joguei bem! Está a ver?

- “Cuidado! Sinhor Monecas não brincar…”

- “Não estou a brincar, é a sério, “Mister”!”

- “Muito bem, sr. Monecas. Sinhor Tesoureiro falar para sinhor final dê mês”.

Ao fim e ao cabo, o Manecas não era multado porque todos sabíamos - e Mestre Sezabo também - que ele era um grande “pintor”, pois até o apelidamos de Malhoa…

 

Nos primeiros tempos de jogador de futebol, vivi em Sintra e o comboio que me trazia para Lisboa, partia daquela encantadora Vila, às 6,03 da manhã para chegar à Estação do Rossio às 6,45 aproximadamente. Nos Restauradores tomava o carro eléctrico e chegava ao velho Estádio Alvalade por volta das 7,20 e, portanto, com tempo suficiente para me equipar e treinar às 7,45.

Tudo era feito pontualmente sob as ordens de Mestre Sezabo. Cinco minutos de atraso equivaliam a 10% de multa sobre um ordenado de 700$00 mensais.

Um dia, porque o meu velho despertador, cansado de muitos anos de trabalho, não tocou às 5,15, fez-me perder o comboio das 6,03 da manhã e cheguei a Alvalade com meia hora de atraso, mesmo utilizando um táxi desde os Restauradores à porta da cabine.

Quando entrei no rectângulo já Mestre Sezabo dirigia o treino. Cumprimentei-o, apresentei desculpas e pedi licença para treinar e, por se tratar do habitual treino de conjunto, dirigi-me para o meu posto, onde outro avançado-centro se encontrava.

Mestre Sezabo exclamou:

- “ Cárágo Férnando, não fazer um coisa dê isso! Primeiro dar-se quatro voltas a corer e quatro em marcha. Indispensável “footing”; Férnando aquecer músculos!…”

Assim fiz e enquanto decorria o treino de conjunto, andava eu a dar as voltas ao rectângulo, fazendo, afinal, o mesmo que todos já haviam feito logo que entraram no campo.

Era mais fácil Mestre Sezabo dispensar um jogador do treino de conjunto do que do treino de preparação atlética.

Acabadas as voltas, entrei para o lugar de avançado-centro e, no final do treino, fiquei - como sempre - no campo, apenas com Mestre Sezabo, para fazer o treino individual de técnica de futebol. Mestre Sezabo dizia que este género de treino servia para eu aprender a fazer “fèstinhas” na bola…

Cerca das 10,30 tomámos o banho e encontrámo-nos para virmos para a Baixa.

É preciso acentuar que a equipa do Sporting treinava apenas às terças e quintas-feiras, ao passo que eu fazia dois treinos extra: às quartas e sextas-feiras, para me “especializar” no pontapé ao golo…

Logo que nos encontrámos à saída das cabines, renovei os meus pedidos de desculpas por ter chegado atrasado, etc., etc.

Mestre Sezabo interrompeu-me:

- “Férnando ter que ser multado dez-per-cente no ordenado. Férnando ter quê dar exemplo. Tudos égales, Férnando…”

- “Bem sei “Mister”, que somos todos iguais mas a verdade é que eu treino quatro vezes por semana e eles só duas vezes. Hoje chego meia hora mais tarde e o “Mister” multa-me…”

- “O. K. Férnando! Você treinar quatro vezes por sêmana mas não treinar para mim; treinar para si! Mas para a sêmana quê vem, Férnando treinar só dois vezes como outros…”

- Não é isso, “Mister”; não me importo de treinar três ou quatro vezes por semana e virei quantas vezes o senhor entender mas, parece-me que merecia ser desculpado hoje…

- “Não poder ser, Férnando. Se disculpar, outros dizerem para mim quê você ser mênino bonito. Tudos égales, Férnando! “

Nada havia a fazer e ninguém me livrava da multa de 70$00. Não é que, verdadeiramente, aquela importância me fizesse grande falta. O facto, em si, de ser multado por falta de cumprimento dos meus deveres é que me desgostava mas, na verdade, Mestre Sezabo tinha a razão pelo seu lado.

Quando, no fim do Campo Grande, me despedi de Mestre Sezabo, pois ia almoçar com minha irmã, residente, ao tempo, na Avenida 5 de Outubro, o meu treinador não me deixou sair do “eléctrico”:

- “Não; Férnando fazer favor dê vir até à Baixa…

- “Mas, Sr. Sezabo,.

- “Vir, Férnando; precisar muito falar consigo…”

Seguimos conversando acerca de futebol, dos jogos-passados e dos futuros, das tácticas, da técnica e eu sem atinar com o motivo porque me convidara a ir à Baixa mas, na Praça dos Restauradores, Mestre Sezabo mudou de assunto;

- “Férnando: eu não dar dez-per-cente, mas vamos comprar déspértador novinho em folha para tocar sempre. Custar cinquenta escudos; poupar vinte escudos, Férnando e não multar você. Foi a minha vez de dizer O. K. “Mister” Sezabo! O. K. e muito obrigado”.

E lá fomos comprar o despertador salvador da multa - dessa e de muitas outras que sofreria se não fosse ele!

Mestre Sezabo escolheu um despertador capaz de acordar um morto e, no domingo seguinte, na cabine, antes do jogo, disse à rapaziada:

- “Cárágo, sinhores! Férnando não chigar mais atrasado a “treining”. Fumos comprar déspértador, exprimentar tocar lá na loja e fazer um barulheira quê Azevedo vai ouvir no Bareiro…

E assim cortou qualquer hipótese de apadrinhamento…

 

Durante o tempo que joguei futebol e até mesmo já depois de abandonar o desporto, alguns amigos me têm dito que Mestre Sezabo é um bom treinador mas trata mal os seus pupilos, insulta e ofende os rapazes, castiga-os injustamente e, por ser assim, abre conflitos com os dirigentes dos clubes onde trabalha.

Nada há mais injusto e mais falso! Já escrevi e repito que José Sezabo - húngaro de nascimento e português por naturalização - não conhece a gramática da Pátria que adoptou. Veio para Portugal ensinar futebol e não para aprender português. Inegavelmente, atingiu o objectivo: ensinou muito e muitos - pequenos e grandes!

Nos primeiros contactos com a “rapaziada da bola” ensinaram-lhe, maldosamente, algumas frases a que davam sentido e significado diferentes. Decorou-as e repetiu-as quando lhe parecia oportuno, até que outros melhor intencionados procuraram corrigi-lo.

É certo que, por vezes, nos dirigia uma palavra um tanto ou quanto violenta e menos própria, mas todos nós sabíamos que Mestre Sezabo não nos queria ofender ou insultar deliberadamente. Pois se ele, ao referir-se ao seu filho José - que nesse tempo fazia parte dos futebolistas do Sporting - criticando-o, em presença de todos, por uma má tarde na defesa das balizas do seu grupo, disse tanta barbaridade que nos sentimos no dever moral de o chamar à razão, fazendo-lhe sentir que dizer tais “coisas” de seu filho era ofender-se a si próprio, ao que José Sezabo respondeu:

- “Sinhores, fazer favor respeitarem seu treinador. Eu falar com Zé, não chamar família que estar sossegada a casa, no trabaio. Não ter nada quê ver um coisa com outra. Não dizer um coisa dê isso… Família de tudos ser sagrada. Por favor, sinhores, não brincar!…”

A princípio, chocáva-nos a maneira de falar de Mestre Sezabo, principalmente eu, que mal o conhecia, pois quando vim para o Sporting já ele era treinador do Clube.

O melhor processo de não tomar como ofensiva a sua fraseologia era não dar às suas palavras o verdadeiro significado. Assim, se ele dizia “cárágo”, devíamos entender caramba; não dar “poráda”, seria não dar pancada…

É certo que tivemos alguns mãl-entendidos e até discussões acaloradas, mas nunca por ele me ter dirigido, conscientemente, frases ofensivas.

Não procuro defender o meu grande amigo e bom Mestre José Sezabo; sou apenas justo para com o homem cujo saber está na base do pouco ou muito que fiz como futebolista, quer na equipa do Sporting, quer na Selecção Portuguesa de Futebol.

É na linguagem geralmente empregada por ele que tentarei reproduzir proveitosos conselhos que me deu:

- “Férnando: você ter qualidades bestiais para fazer-se melhor avançado dê Mundo! Ter quê não esquecer muitos coisas. Ver, Férnando: preparação física ser fundamental; “footing”, Férnando, marchas, marchar muito ser indispensável. Primeiro arranjar canetas e dê seguida ser fácil jogar “foot-ball”, Você pensar e saber muito bem mandar Bernardo às compras (o mesmo que atirar ao golo) mas se você não ter força nas canetas não interessar saber- dê isso. Primeiro preparação física, depois “foot-ball”. Disciplina no “treining” ser indispensável, Férnando. Cuidar dê saúde. Não fumar ou fumar pouco. Não ir muitos vezes a cinema porque toda gente fumar e ar dê fumo fazer muito mal desportista. Rio Tejo ser muito bonita; ir ver gaivotas, Férnando! Você ser novo, ter tempo olhar para garotas! Fazer-se primeiro grande jogador e dêpois ser mais fácil. Deitar cedo vésperas dê “treining” e dia de “treining” deitar cedo para descansar…”

Terei motivos para receber como ofensa o facto de ser “bestial” e ter “canetas” em vez de pernas? Vaíha-nos Santo António!…

Continuemos a apreciar Mestre Sezabo, através dos seus conselhos e do seu mau português falado.

No final dos treinos e, mesmo, no intervalo e fim dos encontros oficiais, não raramente alguns jogadores corriam para a torneira da água do lavatório a fim de fazerem um gargarejo e sempre que isto sucedia, ouvíamos logo “Mister” Sezabo a gritar:

- “Sinhores, não beberem água fria porque garganta estar quente; água fria fazer inginhas (o mesmo que anginas). Sinhor Zé trazer chá quente para sinhores jogadores”.

Note-se que este chá era composto de sumo de limão, água morna e açúcar, do que resultava uma bebida agradável.

Oiçamos o Mestre:

- “Durante desafio não ligar importância ao que adversário dizer para si, Férnando. Gajos quererem desmoralizar para você. Tapar ouvidos Férnando, porque eles não terem categoria para ofender para você. Não dar “poráda” para advérsário porque distrair com pancadaria e perder ocasião de fazer golo. Não risponder a agressão; aguentar, Férnando! Gajos quererem você sair dê jogo, complicar vida dê companheiros e dê Sporting. Mandar gajos dar passeio fundo dê mar…”

De outra vez…

Todos os jogadores se encontravam reunidos em volta da mesa sobre a qual estava o oleado verde com as linhas do rectângulo de jogo marcadas a branco e os 22 bonecos, 11 de cada cor, representando os jogadores. Para começar, o Manecas - sempre o maroto do Manecas, a quem “Mister” Sezabo, quando estava irritado, chamava sinhor Mônécas - fazia desaparecer um ou dois bonecos. Claro está que “Mister” Sezabo, ao dar pela falta, protestava com energia:

- “Sinhores, não brincarem; darem bônecas para começar trabaio…

Depois de muita insistência do nosso treinador, o Manecas entregava-os e logo “Mister” Sezabo dizia abanando a cabeça:

- “Cárágo, sinhores! Mônécas ser maniáco…”

Nós riamos, a lição começava mas se o jogo de domingo seguinte era com o Benfica ou qualquer dos clubes chamados grandes, portanto, com elevada massa associativa, havia logo (para ouvir o “Mister”, é claro) quem disparasse uma frase neste género:

- “Tudo o que o “Mister’”’ está a dizer está bem mas há uma coisa com que o senhor não contou: com os adeptos deles a gritarem. Fazem um barulho tremendo e isso influi no resultado…

Mestre Sezabo, que encarava tudo muito a sério, levantava-se e ainda mais corado do que é, exclamava:

- “Cárágo, sinhor! Dar uma cabêçada para si. Não brincar, não rir porque não têr graça nenhum! Ouvir bem sinhores tudos?!…”

Nestas graças intervinha, quase sempre o Manecas que, pegando na deixa, acrescentava:

- “Eles fazem tanto barulho “Mister” que a gente não vê a bola, só ouve gritar: Benfica! Benfica! Benfica!…”

- “Sinhor Mônécas-interrompia o nosso treinador - não. perturbar rapaziada com esses coisas. Fixar, sinhores, fixar: maior dur dê… cabeça” para gajos é mêter boia na baliza. Passar bòla bons condições e Férnando fazer calar tudos; gajos não piar mais! Ir ver, sinhores,

- “Tá bem, “Mister”, mas eu fico com a minha ideia…”

- “Mônécas ser mêluco, sinhores. Não ligar a ele. Domingo, estar em cabine um hora antes dê jogo. Falar-se mais; não fazer mal lembrar-se têoria-táctica dê hoje. Deitar cedo, sinhores e bom disposição….”

Todos amigos, conscientes das responsabilidades que nos esperavam, lá íamos a caminho de nossas casas ou do trabalho, recordando e fixando tudo quanto de verdade nos havia dito Mestre Sezabo - e era tudo verdade e acertado! - acerca do jogo seguinte.

Recordo e fixo, especialmente com vista aos novos jogadores, mais alguns judiciosos conselhos de Mestre Sezabo e para não perderem o sabor, escrevo como ele pronuncia:

- “ Assim que Férnando entrar campo dê adversário, pensar imediatamente preparar posição dê receber bola e “mandar Bernardo às compras”. Dentro dê grande área, Férnando, nem quê sinhor Prêsidente, dê joelios, pedir passe dê bola, você não dar, Férnando!. Atirar bola para baliza; só último caso dar bola companheiro bem colocado a têreno. Dentro dê grande área, se Férnando não ter companheiro nenhum e ter só sua frente dois ou três advérsários, não driblar; chutar para frente direcção dê baliza com maior força possível, Primeiro vez advérsário meter cabeça e ficar mal tratado porque arrancar cabelo dê gajo; segundo vez, Férnando, advérsário baixar cabêça, guarda-redes não esperar força dê remate e bola entrar, a baliza. Experimentar sinhor Férnando! Se advérsário dizer coisas feias para si, querer perturbar você. Não comer a isca, Férnando. Entrar duro para advérsário, não magoar ninguém mas dizer para eles: eu “estar aqui”; marcar prêsença, fazer sentir peso dê corpo. Lei permitir, sinhor Férnando! “Foot-baU” não ser jogo para meninas. Se companheiro dê equipa dar conselio para si, com bons maneiras, aceitar Férnando. Dentro dê campo não discutir. Se pensar não ser bom conselio, intervalo ou final dê jogo conversar com Sezabo. Boa harmonia indispensável para jogar-se bom “foot-ball”.

Estes conselhos, embora dados num português muito dele, foram-me extraordinariamente úteis pela vida fora enquanto joguei futebol.

Mestre Sezabo não limitava a sua acção de treinador e de orientador dos jogadores de futebol a seu cargo apenas às horas que com eles vivia em treinos e jogos; levava o seu interesse ao ponto de fiscalizar - umas vezes discretamente e outras abertas e directamente - a vida particular dos componentes da equipa. Acreditava em todos nós, ao mesmo tempo que de todos duvidava. Era o que se pode dizer, confiava desconfiando!

Em vésperas de jogos importantes, não foram raras as vezes que se apresentou em casa de alguns jogadores a certificar-se se as suas recomendações de “deitar cedo” eram cumpridas e felizmente, exceptuando um ou outro caso isolado, nunca houve motivo para desgostos e isto não só pela nítida compreensão da maioria dos componentes da equipa do Sporting mas, também e, talvez, principalmente por nenhum deles querer dar a “Mister” Sezabo o desgosto de não o encontrar em casa nessas noites.

Brincávamos com o nosso treinador mas respeitávamo-lo como ele nos respeitava. Os seus conselhos e ensinamentos eram escutados e tomados na devida consideração por todos nós. A disciplina que impunha à equipa, a par da incontestável competência do nosso Mestre, esteve na base dos seus êxitos.

 

Falei do meu grande Mestre e amigo José Sezabo.

Quero afirmar mais uma vez que, se não tudo, pelo menos uma grande parte do que fui como jogador de futebol, a Mestre José Sezabo o devo. Os seus conselhos preciosos e sábios fizeram de mim um avançado-centro de certa classe, com nome em Portugal e no estrangeiro.

Aqui lhe presto a minha modesta mas sincera homenagem.

Mestre José Sezabo não é um treinador vulgar. É um verdadeiro e competentíssimo Mestre do “foot-ball association”, a quem o futebol português já muito deve.

Termino como comecei:

Muito obrigado Mestre José Sezabo.»

 

In: Peyroteo, Fernando - Memórias de Peyroteo. 5ª ed. Lisboa : [s.n.], 1957 ( Lisboa : - Tip. Freitas Brito). pp. 94 - 104

Prognósticos antes do jogo

Não costumo alargar esta janela de prognósticos a jogos que não integrem o campeonato nacional de futebol. Mesmo assim são 34 por temporada - o que perfaz 68 textos, pois faço sempre questão em assinalar quem venceu ou, se não houver vencedor, em deixar isso mesmo expresso. Até para registo futuro.

Pois hoje vou abrir uma excepção, a poucas horas daquele que pode bem ser o nosso principal desafio da actual época futebolística. Peço os vossos vaticínios para o resultado do Sporting-FC Porto desta noite de quarta-feira, na importante segunda mão da meia-final da Taça verdadeira. Sem esquecer os nomes dos marcadores dos nossos golos, se os houver.

Um apelo

Mais logo, o que está em jogo é demasiado importante para que percamos tempo a olhar para o umbigo. 

Em campo só entra o Sporting. Espero que nos concentremos num massivo apoio aos jogadores, do primeiro ao último minuto, e não nos distraiamos com minudências nem com terceiros alheios ao relvado.

Nos cantos, atrás das balizas, nas centrais somos todos feitos de Sporting. Sublimemos o que e quem nos une, ignoremos o que e quem nos divide.

Todo o estádio a cantar, força Sporting allez 🎶

 

Tudo ao molho e FÉ em Deus (especial) - Ganhámos, não foi?

Afastado da primeira equipa para, alegadamente, curar algumas mazelas, eis que Bruno de Carvalho regressa ao terreno de jogo em Soure. Últimamente visto em pavilhões, não se pode dizer que a pequena vila do Concelho de Coimbra lhe possibilite um regresso aos grandes palcos. Ainda assim, não sendo um ambiente de Champions, os espectadores prestam-lhe uma ovação.

 

À primeira vista, Bruno apresenta boa cara, sinal de que o descanso lhe terá feito bem. Mas, a imagem é enganadora. Mal o jogo começa, já combalido e por terra, leva uma primeira pernada:

- "Uma familia não vê um membro no chão e dá-lhe pontapés" -, dirá, posteriormente, no Flash-Interview.

- "Pois não, pois não ... " -, dirão em coro os restantes jogadores, ouvidos na Zona Mista, ainda lembrados dos ecos da derrota em Madrid.

 

No entretanto, Bruno vai tentando galvanizar a restante equipa:

- "Apertem com eles" -, afirma resoluto, pedindo mais vontade em bater o adversário.

- "Apertem com eles como eu achar" -, responde-lhe o árbitro, pouco solícito em anuir à agressividade pedida.

 

O Juíz apita para o intervalo e Bruno aproveita para lêr alguns SMS. Um deles é de Carlos Carneiro, jogador de andebol, e o presidente-treinador-jogador partilha-o com o balneário, enquanto pede mais concentração aos seus defesas, melhor pontaria ao seu avançado, corrige alguns aspectos técnicos e combina umas "bojecas" com Coentrão após o jogo. De seguida, dá uma entrevista à Rádio-Soure, a exigir mais empenhamento aos jogadores. A equipa regressa para o segundo tempo, não sem antes Bruno piscar o olho à assistência, enquanto solta uma tirada filosófica em que põe a um canto o "penso, logo existo" de Descartes, que corrige para "blogo ... , perdão, espicaço, logo ganho". A massa adepta aprova, consciente de que para existir o clube tem de ganhar. É assim, à falta de umas "bojardas" no campo, que Bruno pretende levar a equipa à glória.

 

A verdade é que a segunda parte corre bem e a vitória é assegurada. Em conferência de imprensa, ao presidente-treinador-jogador é transmitido que os jogadores não terão ficado muito satisfeitos com as mensagens ao intervalo. Ufano, Bruno apenas diz:

- "Ganhámos, não foi?".

 

 

Aviso: vêr qualquer semelhança entre este texto e a realidade será um caso de pura ingratidão.

BrunoDeCarvalho.png

 

Erros que se repetem

Há dias escrevi aqui sobre o profissionalismo e o compromisso em todos os pormenores (https://sporting.blogs.sapo.pt/o-compromisso-e-o-profissionalismo-em-3867666). E sobre as deficiências na nossa comunicação e respetivos instrumentos: site e redes sociais. 

Nem de propósito, hoje lá se volta a ler na Agenda que, no domingo, a equipa de Voleibol tem o 3º jogo da final às 15 horas, no PavJR, e que a equipa principal de futebol joga contra o Boavista às 16 horas, no Estádio de Alvalade. Claro que, mais uma vez, não é assim. Mas se nós que nos interessamos por estas coisas, como adeptos, detetamos estes erros, porque carga de água quem, profissionalmente, deveria não os cometer pois é pago para fazer bem, nem os corrige atempadamente? E falo nisto pois o pior é que no anúncio da venda dos bilhetes online o erro é reiterado (só já quando se entra na venda é que se lê, discretamente, a hora certa). Não, o jogo de futebol não é às 16 horas mas sim às 20:15!!! 

Isto não é má vontade, é desilusão por ver que podemos fazer muito melhor e, no entanto, é o que sevê. Se alguém da organização do Sporting dedica a sua atenção a ler o que escrevemos, pense nisso e então esteja à vontade e mande corrigir a asneira. É o mínimo. Até porque pode ser determinante para maior assistência aos jogos, no caso aos dois.

Para que não restem dúvidas, aqui fica:

 

Sport

 Sport1

 

 

 

 

 

 

 

Contar até 10

O nosso clube pagou alguns camiões de notas por um jogador português magrito que jogava num clube italiano do meio da tabela. Alguns meses depois, Bruno Fernandes caminha depressa para ser titular (aí pelo segundo ou terceiro jogo) da seleção campeã da Europa que vai à Rússia jogar o Mundial.
Em tempos em que o dez foi extinto do jogo e das táticas, eis que o nosso Bruno jogador se destaca numa posição que só não lhe chamamos dez porque parece mal. É o “joga atrás” do Bas Dost, é o “joga mais encostado ao William”, é o “joga mais pela direita”, é o que quisermos, embora a mim me pareça um dez.

O que é justo é dizer-se que me parece sportinguista desde pequeno. A sua entrega e disponibilidade são de juntar num consenso um Brunista com um tipo da oposição mais opositora. BF seria um extraordinário casting para o papel de bombeiro que salva seis velhotes e os seus cães naqueles fogos que não foram culpa de ninguém e que de noite conta uma história ao filho para o adormecer.
A sua competitividade, seja contra o Atlético de Madrid ou contra os Unidos do Bombarral é a mesma. É um jogador generoso e com noção de espetáculo, solidário com a equipa e os colegas, com verdadeira qualidade individual, um verdadeiro leão como os adeptos sabem reconhecer. Não sei se ele cresceu leão, mas vê-se que ama o clube, respeita os adeptos, quer vencer trofeus por ele, mas também por todos nós.
Cá fora nada percebemos de bola, mas aquele fulgor físico naquele corpito que mais parece criado a carcaças com fiambre e leite com chocolate - e as poucas ou nenhumas lesões -  dizem-me que em Itália se trabalha melhor essa parte e talvez fosse bom pegar num avião e ir lá estagiar. Se há coelho da Duracell na nossa liga é Bruno Fernandes.
Seria o último jogador que eu (se fosse big boss) deixaria sair. E o primeiro a quem entregaria a braçadeira, caso esta ficasse disponível.  

Os marcadores dos nossos golos na Liga

Bas Dost 25

Bruno Fernandes 9

Gelson Martins 8

Acuña 4

Mathieu 2

Coates 2

Bryan Ruiz 2

Adrien

Battaglia

Fábio Coentrão

William Carvalho

Montero

Rafael Leão

autogolo do Moreirense

 

«Bas Dost marcou ontem [domingo] o 32.º golo na época, 25.º na Liga, chegando mais uma vez a um número ao alcance de poucos. Em toda a história dos leões no campeonato, apenas mais cinco goleadores marcaram 25 ou mais golos em mais do que uma época: João Martins, Peyroteo, Yazalde, Jordão e Manuel Fernandes.»

Do jornal Record de ontem

Agressões a polícias e jornalistas

O IPDJ - tutelado pelo secretário de Estado do Desporto - continua a fazer orelhas moucas à lei da selva que vigora na Luz. Desta vez foram "só" seis polícias feridos pelo bando de grunhos que conta com o apoio da firma Vieira, Gonçalves & Guerra, Lda. Essas bestas recorreram aos vidrões das redondezas para agredirem os agentes da autoridade com garrafas de todos os tamanhos e feitios.

Furiosos com a  derrota em campo, sem conseguirem intimidar a equipa de arbitragem, os lampiões "sem nome" viraram-se também contra os repórteres ali presentes. Do mal, o menos: o Sindicato dos Jornalistas emitiu um vigoroso comunicado de  condenação das inadmissíveis agressões de que foram alvo os profissionais da informação que faziam o seu trabalho no local onde se desenrolou o Benfica-Porto.

Pelo menos desta vez a culpa não foi das "declarações antidemocráticas" de Bruno de Carvalho...

A voz do leitor

«Nos próximos dias o Sporting será alvo de todos os ataques por parte da comunicação social devido à nossa importância para a decisão do campeonato e pela luta do segundo lugar que possibilitará o acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões. Neste momento o melhor que os nossos inimigos podem fazer é utilizar as palavras do presidente para manipular os sportinguistas e manter as entrevistas aos croquetes.»

 

JHC, neste meu texto

Os prognósticos passaram ao lado

Desta vez ninguém acertou. O que não admira: foi a primeira vez, em 30 jornadas, que o Sporting marcou quatro golos numa partida desde campeonato.

A boa réplica desenvolvida pelo Belenenses, que marcou três, também não ajudou. Mas mesmo com os prognósticos a passarem ao lado dos nossos leitores e dos meus colegas de blogue, o mais importante foi conseguido.

Refiro-me aos três pontos correspondentes à vitória em campo.

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D