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És a nossa Fé!

Na morte de Cruz dos Santos

 

Acabo de saber que faleceu Fernando Cruz dos Santos, um jornalista que me habituei a ler desde miúdo, nas páginas do jornal A Bola, e a respeitar como profissional isento e sério - um exemplo para as gerações mais jovens. Com ele aprendi, designadamente, muito sobre arbitragem.

Cruz dos Santos, que exerceu funções redactoriais naquele periódico durante 42 anos, entre 1954 e 1996, destacou-se por ter sido o primeiro jornalista a entrevistar Eusébio, quando o futuro astro do futebol português e mundial chegou a Lisboa, em Dezembro de 1960: várias vezes recordou esse encontro inicial com o craque que já se tinha evidenciado como atacante do Sporting de Lourenço Marques.

Mesmo depois da aposentação, Cruz dos Santos continuou a escrever no períodico onde fez toda a sua carreira. Até há poucos dias. Uma das últimas crónicas fazia aliás alusão ao seu recente internamento hospitalar. Apenas há três semanas, criticou sem rodeios a vergonhosa actuação do árbitro João Capela no jogo Benfica-Sporting.

Foi sempre, até ao fim, fiel aos princípios deontológicos que abraçou com lisura e convicção. Para ele, o jornalismo devia conter sempre uma missão pedagógica, nunca indissociável da formação cívica dos leitores.

Curvo-me perante a memória deste prestigiado jornalista que foi também um cidadão de mérito. E faço votos para que o seu exemplo perdure.

 

Imagem: Cruz dos Santos com Eusébio (foto A Bola)

2 comentários

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    Pedro Correia 16.05.2013

    Estamos em sintonia, caro João Paulo. Creio aliás que o nosso critério de grande exigência actual em relação à chamada imprensa desportiva se deve precisamente por termos lido, ainda muito jovens, o velho jornal 'A Bola' onde toda uma geração de jornalistas, independentemente da convicção clubística de cada um, punha acima de tudo, no exercício da sua tarefa profissional, os valores da isenção, do rigor e da qualidade. Cruz dos Santos era o último sobrevivente dessa geração, que incluiu Carlos Miranda, Carlos Pinhão, Vítor Santos, Alfredo Farinha, Aurélio Márcio, Fernando Vaz, Homero Serpa e (na fotografia) Nuno Ferrari.
    Concordo consigo: na difícil e espinhosa missão de avaliar as arbitragens, Cruz dos Santos era - de há longo tempo a esta parte - "a maior referência do jornalismo português", deixando um lugar muito difícil de preencher.
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