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És a nossa Fé!

Pietro Mennea

 

Morreu um mito do atletismo, o mais extraordinário velocista europeu que vi  correr e, a nível global, um dos maiores da história deste desporto. Campeão europeu e olímpico, recordista mundial dos 200 metros durante 17 anos, entre 1979 e 1996, ano em que o seu tempo foi batido por Michael Johnson, mantendo-se, ainda, no entanto, como record da Europa, único atleta de sempre a ter comparecido em quatro finais olímpicas consecutivas da distância, este fantástico sprinter italiano faz-me sonhar com os tempos em que o Sporting era muito, muito grande. Em 1979, na inauguração da pista de tartan do Estádio José de Alvalade, Pietro Mennea, competindo na Taça dos Clubes Campeões Europeus de Atletismo, venceu os 100 metros no excepcional tempo, à época, de 10,00 segundos, embora com cronometragem manual. Outros grandes atletas, campeões e recordistas olímpicos, europeus e mundiais participaram nessa competição, em que o Sporting se classificou em 5º lugar, com vitórias de Fernando Mamede nos 5 000 e 10 000 metros e de José Carvalho nos 400 metros com barreiras. Na altura, ainda jovem, eu colaborava com o Jornal do Sporting e coube-me, após as diversas provas, recolher as declarações de alguns dos intervenientes, entre eles as do inesquecível Pietro Mennea. Parece-me que ainda o vejo e ouço, poucos minutos depois de acabar o seu vôo rasante pelo estádio, a proferir algumas palavras de circunstância que eu mal consegui registar, impressionado com a proximidade e troca de palavras com um atleta que já ameaçava vir a tornar-se uma lenda.

 

Por esses anos, tudo corria bem ao nosso clube. No atletismo, fomos uma série de vezes campeões europeus de corta-mato, obtivemos lugares muito  honrosos nos campeonatos europeus de pista entre clubes, sobre Fernando Mamede e Carlos Lopes está tudo dito, tínhamos o já referido José Carvalho, tínhamos João Campos, Raposo Borges, Aniceto Simões, Conceição Alves, Hélder de Jesus e até nos veteranos, com Péricles Pinto, nos fazíamos representar com brilhantismo por esse mundo fora; fomos campeões nacionais de basquetebol e de andebol e campeões nacionais e europeus de hóquei em patins; no futebol, pudemos regozijar-nos com grandes equipas, fomos campeões e tivemos o privilégio de ver jogadores como Manuel Fernandes, Jordão ou Oliveira; no ciclismo, o nosso júbilo não se continha perante as proezas de Joaquim Agostinho e Marco Chagas e, em modalidades como a ginástica, o clube exultava com uma massificação que conduziu à existência de milhares e milhares de praticantes. Até no tiro o Sporting se destacou: Armando Marques competiu em três jogos olímpicos, tendo ganho uma  medalha de prata em 1976. E a culminar tudo isto, tínhamos dirigentes da dimensão de um João Rocha, perante cuja memória me curvo com o respeito de um sportinguista que sabe o muito que o clube lhe deve.

 

A possibilidade de vermos desportistas como Pietro Mennea a competirem em nossa casa é cada vez mais remota. Não temos pista de atletismo, nem de ciclismo, nem de nada, não temos um pavilhão, não temos equipas de nenhum desses desportos que fizeram o nosso orgulho e não temos dirigentes que pareçam capazes de gerir, ao menos, um modesto clube de bairro. Estamos reduzidos a isto, a um mero clube de futebol cada vez mais confinado às memórias de um passado glorioso, sem horizontes de grandeza e, muitas vezes, aviltante e ruidosamente mergulhado em discussões estéreis sobre questões totalmente desinteressantes ou de duvidosíssima utilidade.

 

Faltam dois dias para as eleições. Pessoalmente, embora temendo o pior cenário, confio em que os resultados não permitam que sejamos conduzidos a um desastre ainda maior. Mas, aconteça o que acontecer, como me parecem desconsoladoramente distantes os tempos em que era tão natural ver competir no nosso estádio  figuras como Pietro Mennea, a lendária Flecha do Sul.

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