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O que está em jogo? (1)

MAIORIA DO CAPITAL DA SAD E A IMPORTÂNCIA DOS SÓCIOS

 

Uma das questões mais importantes para mim nestas eleições é o papel que cada candidato entende estar reservado aos sócios na tomada de decisões da vida do Sporting. Se até há alguns anos não havia volta a dar e a última palavra era sempre dos sócios, desde a criação da SAD que a alteração desse estado de coisas é uma possibilidade. E é uma tentação em que muitos já quiseram cair. Aliás, a tentativa de diminuir a importância dada à vontade dos sócios na condução dos destinos do Sporting foi uma das características mais marcantes do status quo em que o Sporting mergulhou há quase 20 anos. Soares Franco chegou até a assumir com todas as letras que queria "um clube só de futebol, sem sócios mas com adeptos que não se intrometam na gestão nem tenham voto nas eleições dos corpos sociais"


É por isso que a manutenção da maioria do capital da SAD nas mãos do clube e, portanto, dos sócios, ou a sua venda a um (ou vários) investidores externos, é uma questão que se reveste da maior importância. Por uma questão de princípio, sempre defendi o primeiro cenário. A condução dos destinos de um clube centenário tornado grande pelo ritmo da emoção e da paixão dos seus adeptos e sócios, não pode dispensar a sua palavra, nem deixar de a considerar decisiva. Dificilmente alguém decidirá o melhor para o Sporting e se preocupará mais com ele do que aqueles que mais o amam. As comparações com clubes ingleses, onde a cultura é diferente e os clubes vivem exclusivamente para o futebol, não servem. Nem a comparação com o fc porto, clube que não tem a maioria da sua SAD, mas que tem uma gestão com resultados desportivos do melhor que Portugal já viu, e que baixa substancialmente o risco inerente a não ter uma posição maioritária.


Sobre este assunto, os dois principais candidatos têm convicções diferentes. Há dois anos, Bruno de Carvalho defendeu que o Sporting não deve abrir abrir mão da maioria do capital da sua SAD, muito menos enquanto estiver tão fragilizado, posição que reafirmou durante os últimos dois anos. Nesta campanha, manteve-se coerente. Pode ler-se no seu programa que pretende a "entrada de novos investidores na Sporting SAD, com o Sporting Clube de Portugal a ficar sempre com a maioria do capital." O único cenário em que Bruno de Carvalho admitirá, no futuro, ponderar a hipótese de um Sporting sem maioria na SAD, é em condições de sucesso desportivo do clube, ao ponto de o mesmo poder pensar ganhar uma Liga dos Campeões. Ou seja, um clube com uma liderança tão bem sucedida e eficaz, que os outros investidores (ainda que na maioria quando somados) não terão motivos para por em causa as decisões do clube e dos seus sócios. Perda da maioria do capital da SAD num Sporting forte é diferente da perda dessa maioria num Sporting fragilizado.


Quam não percebe essa diferença é José Couceiro que se tem mostrado altamente receptivo à ideia de um Sporting sem a maioria da SAD, apresentando-a como uma solução para os problemas do clube no imediato. Vai dizendo que tal cenário só aconteceria se os interesses do Sporting fossem acautelados, sem dizer que tal não seria possível garantir na prática, principalmente num momento como este. Apesar de não ter confirmado que iria por este caminho, a sua disponibilidade para o percorrer já é perigosa que chegue para mim. É, portanto, o único dos dois candidatos que não vê grande problema em reduzir o peso da vontade dos sócios nas decisões do futuro do Sporting, que se adivinha extermamente sensível e delicado. A desvalorização do papel dos sócios está, assim, presente nesta candidatura. Couceiro terá, inclusivamente, dito ontem numa entrevista que o facto de os estatutos consagrarem a possibilidade de os sócios poderem convocar uma Assembleia Geral para discutir os destinos do seu clube é um erro. Sintomático.


Sempre entendi que o Sporting fará tanto mais sentido quanto mais for dos sportinguistas e para os sportinguistas. No dia 23, uma eventual vitória de Couceiro será a materialização de uma grande ironia: a maioria dos sócios dar a vitória a alguém que lhes quer tirar o clube.

 

 

(Alguns leitores poderão achar útil ler isto e isto.)

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