«Se são as mesmas, o caruncho fica lá»
José Carlos, ex-capitão do Sporting, foi um dos maiores campeões de sempre do nosso clube. Ganhou três campeonatos e quatro Taças de Portugal. E foi um dos jogadores que participaram na conquista do nosso maior troféu de sempre: a Taça das Taças, em 1964. Dois anos depois, integrou como titular a selecção nacional no Campeonato do Mundo de Inglaterra em que subimos ao pódio, com o aplauso simultâneo da crítica e do público, para espanto do planeta do futebol.
Nada do que se passa no terreno do jogo lhe é estranho. Nada do que se passa em Alvalade lhe passa ao lado. Vale a pena registar o que ele diz. Vale a pena reflectir no que ele afirmou em entrevista à edição de hoje do diário Record.
Transcrevo algumas frases:
«O Sporting fez muitas contratações, gastou muito dinheiro e, de palpável, vê-se pouco. A época é a pior da história do clube, a mudar permanentemente de jogadores. Alguns que tinham possibilidades de jogar foram-se embora e ficaram alguns que não têm categoria para o Sporting.»
«Se a equipa jogasse bem, era sempre campo cheio e as receitas aumentariam. Agora, não há jogadores em Portugal que possam jogar no Sporting? Porque é que o Sporting não foi buscar o Lima? Gastaram-se milhões...»
«Não cabe na cabeça de ninguém este caso do Izmailov: ou houve incompetência do departamento médico, ou incompetência dos responsáveis do futebol, ou o jogador andou a enganar o clube. Deviam tê-lo posto em sentido.»
«Jesualdo Ferreira entrou para um cargo e depois mandaram o treinador embora - outro mau acto de gestão, porque ele (Vercauteren) não conhecia o futebol português. O Jesualdo teve a vantagem de conhecer alguns jogadores. Agora, quem ganhar deve fazer uma limpeza, mas uma limpeza a sério. E deve ir buscar pessoas que nunca tenham passado pelo Sporting. Porque se são as mesmas, o caruncho fica lá.»
Foto: José Carlos em 1971. Bons tempos no Sporting... (imagem: blogue Tesouro Verde)

