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És a nossa Fé!

Cuidado com as hipérboles

 

Nunca gostei de hipérboles em jornalismo: julgo mesmo que são realidades incompatíveis. O jornalismo tem base factual e recorre a uma linguagem sóbria, contida. A hipérbole, pelo contrário, pertence ao reino da propaganda. E em regra, enquanto tal, só funciona distorcendo os factos - isto é, pervertendo o jornalismo.

Vem isto agora a propósito da moda - que considero muito discutível - de tratar os jogadores de futebol por alcunhas nas páginas dos periódicos especializados em desporto. Sou contra este mau hábito: só os reis medievais eram conhecidos pelos cognomes, não faz sentido recuperar essa tradição na moderníssima sociedade de hoje.

Mas o facto é que continuo a ler estas alcunhas hiperbólicas na nossa imprensa. Ainda há dias, uma página dedicada a Labyad num desses periódicos chamava-lhe por duas vezes "Leão do Atlas". Mas ia mais longe: Labyad era denominado "pérola" enquanto se incensava o "génio criativo" deste jovem marroquino de apenas 19 anos, marcador de dois golos em 22 jogos nesta temporada.

Labyad tem talento e uma enorme "margem de progressão", como se diz em jargão futebolístico. Mas deverá trabalhar muito para conquistar o título de "Leão do Atlas" - e sobretudo para conquistar títulos a sério. Porque o blablablá jornalístico não vence campeonatos. E por vezes pode até afectar os jogadores: basta que se convençam que tudo quanto dizem deles corresponde à verdade.

4 comentários

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    Pedro Correia 07.03.2013

    Meu caro, a minha perpectiva é estritamente do ponto de vista jornalístico. Acho um disparate haver cada vez mais títulos e destaques com jogadores trocando-lhes os nomes pelas alcunhas. O Labyad é o Leão do Atlas, o Ricky é o Lobo, o Izmailov é o Czar, o Liedson é o Levezinho, o Carrillo é o La Culebra, o Cardozo é o Tacuara, etc, etc...
  • Sem imagem de perfil

    Tobias Minus 08.03.2013

    Pedro Correia

    completamente de acordo consigo

    do mais patético

    que por cá

    vi escarrapachado

    em colossal pantalha

    foi a do

    'Manelélé'

    que traduz na perfeição

    a ideia

    da frase final do seu texto
  • Imagem de perfil

    Pedro Correia 09.03.2013

    Patético, sem qualquer dúvida.
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