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És a nossa Fé!

A primeira vez*

É tão miserável quanto isso, mas não me recordo qual foi o primeiro jogo que fui ver ao velhinho Alvalade. Sei que ganhámos, sei que estava com o meu pai e com o meu irmão e sei que gostei. Já era do Sporting e a ida ao Estádio foi o cumprimento de uma promessa que há muito era devida. Era muito miúdo – devia ter 6 ou 7 anos – e não devo ter ligado grande coisa ao desafio em si.

Do baú escondido das minhas memórias, tiro odores, sons e cores. O cheiro das bifanas e dos coratos, o barulho das claques e dos adeptos e aquele imenso verde que nos enchia os olhos e nos deixava (e ainda hoje) nos deixa felizes.

E o regresso a casa, com a sensação de dever cumprido. Entrava, como adepto, no círculo de confiança de gerações de sportinguistas que, juntos, incentivam os nossos a jogar e marcar golos.

Pedinchei tudo o que podia pedinchar. Bandeira, cachecol, camisola... Possivelmente consciente da importância que estava a viver, o meu pai lá acedeu ao recuerdo da praxe e saí de Alvalade com a minha primeira camisola oficiosa do Sporting. Não havia para o meu tamanho, pelo que acabei por levar uma que, acho, só me serviu perfeitamente quase dois anos depois. Na altura estava já puída e gasta, depois de meses e meses de intensos usos e lavagens.

Os anos foram passando, a família cresceu e alargou-se. Ainda vamos ao Estádio juntos sempre que as vidas de todos assim o permitem. Quando o meu sobrinho mais velho começou a ter idade para isso, o meu irmão introduziu-o nesta nossa tertúlia familiar, masculina e desportiva. Em breve, será a minha vez de levar o meu filho e estreá-lo nestas lides. À semelhança do que aconteceu comigo, quero que a primeira ida dele ao Estádio seja emblemática e marcante.

No jogo que formos ver, possivelmente ainda nesta época, desculpem-me os mais fanáticos, mas não será importante saber se vamos ganhar ou perder. Claro que gostava que o meu filho visse o Sporting pela primeira vez a jogar e a ganhar. E, já agora, a dar uma cabazada das antigas!!! Mas, acima de tudo, quero que ele se lembre da sua primeira vez. Que, quando chegar à minha idade e a nostalgia apertar, olhe para os recuerdos que ainda terá – o pai vai ser mais organizado nisso que o avô.... – e recorde que foi naquele dia que se iniciou na tradição familiar. E que feche a caixa onde estas memórias estão e se vire para o seu filho, meu neto, e diga: “Está na hora de irmos para Alvalade com o avô. Vai ser a sua estreia, filho”. E, no caminho para o Estádio, recordaremos certamente como foi boa a nossa primeira vez e a falta que fazem os que, infelizmente, já não estarão connosco.

 

*Artigo desta semana no Jornal do Sporting

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