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És a nossa Fé!

As claques*

Nunca pertenci a nenhuma claque. Nunca vi um jogo no Estádio sentado entre eles. Por isso, tudo o que aqui posso dizer poderá ser mal-interpretado ou passível de crítica. Que seja o que tiver de ser...

Apesar do meu afastamento em relação a estes grupos organizados de sportinguistas, confesso-vos que sempre me causaram admiração e, em miúdo, achava-lhes graça. Os cânticos, as faixas, a provocação ao adversário faziam parte de um imaginário que me transportava para as batalhas épicas da Idade Média.

No final de contas, os sportinguistas das claques estão sempre presentes, faça chuva ou faça sol, deslocam-se ao estrangeiro para apoiar a equipa, fazem milhares de quilómetros para dizer “presente” e tantas vezes, com as coreografias organizadas, os gritos de guerra e o apoio aos nossos jogadores, acredito que muitos deles acabem por ver os 90 minutos de jogo muito mal e porcamente. E, ao contrário de muitos sportinguistas, estão no Estádio antes do jogo acabar e ficam até ao fim. Ou mesmo depois disso.

Mas algo se tem vindo a passar no reino das claques, num ritmo de descrédito que não é de agora. Hoje, as claques são vistas como um grupo de arruaceiros, infiltradas de anarquistas, extremistas (de direita e de esquerda), que usam o futebol para dar azo às suas avarias.

No Sporting, não estamos imunes a tudo isto. Mas quero genuinamente ver a floresta e não olhar apenas para a árvore. E sei que, entre as várias claques do nosso Clube, há elementos válidos, sportinguistas tão bons ou melhores do que qualquer um de nós. Sempre olhámos para eles como o sangue do nosso Clube. Com o comportamento das claques no Estádio, ficávamos a saber se os sportinguistas estavam a gostar do treinador, do jogador X ou do jogo em questão que estávamos a ver.

Conscientes do potencial das claques e do seu valor para o Clube, as direcções tentaram “domesticá-las”. E isto passou-se tanto no nosso Clube, como em todos os outros. Verbas, prebendas, facilidades, sedes, espaços no Estádio, fechar os olhos a situações nem sempre claras.

Sabemos que a situação no Clube em termos de futebol está como está. E das claques, temos vindo a assistir ao corolário do pulsar do que pensam muitos sportinguistas. Mas há coisas que, desculpem a franqueza, podem ser permitadas a um qualquer adepto anónimo, mas nunca às claques: “Greve” de apoio ao Clube e, no jogo com o Paços de Ferreira, gritos de guerra que evocam outras guerras não é possível.

Todas as reclamações são legítimas ou questionáveis, consoante as nossas opiniões pessoais, mas durante os 90 minutos de jogo o que se pede as claques é o mesmo que se pede a qualquer sportinguista: que apoiem a Equipa, que dêem força aos jogadores. É para isso que, supostamente, existem. Foi para isso que, supostamente, foram criadas.

Se as nossas claques deixaram de acreditar e optam por não apoiar, e pelo meio, usam a sua notoriedade para criar novos focos de instabilidade ao Clube, para é que servem mesmo?

*Artigo publicado hoje no Jornal do Sporting

{ Blog fundado em 2012. }

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