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Perdas irreparáveis

O Sporting deu uma volta de 180 graus em poucos meses. Em Setembro de 2012, já com a equipa de Sá Pinto a viver uma crise de resultados, Godinho Lopes veio a público revelar que tinha recusado propostas para a saída de “quatro ou cinco jogadores”. “O Sporting teve ofertas razoáveis para cinco jogadores e não quis aceitar, não porque do ponto de vista económico não precisasse, mas porque entendeu que a equipa tem de ser sustentada numa certa continuidade. Os nossos objectivos e ambições são grandes e a saída de jogadores não ajudaria.”

Quatro meses depois, vender tornou-se uma prioridade. As grandes ambições limitam-se a assegurar um lugar nas competições europeias e o próximo título ao alcance do Sporting é a final da Taça da Liga da próxima época, que se disputa em Abril de 2014. O timing mudou, os jogadores desvalorizaram com a crise interna e a propalada necessidade de gerar encaixe financeiro reduz ainda mais o poder negocial de Godinho Lopes.

O Sporting não tem sabido escolher o momento certo para vender os seus jogadores mas a tendência não se reduz à actual direcção. Desde que Nani saiu para o Manchester United em 2007 por 25,5 milhões de euros, os grandes negócios desapareceram e os que se fizeram destacaram-se pela incapacidade de perceber o melhor momento para dizer sim à troca de uma mais-valia desportiva por uma financeira.

Carriço é o último exemplo. O central/trinco da formação estreou-se na equipa principal em 2008/2009 e assumiu um lugar de destaque desde o primeiro momento. A projecção dada pela Liga dos Campeões fez com que os clubes estrangeiros reparassem na sua evolução e em 2011, a imprensa inglesa chegou a falar em 18 milhões de euros, que poderiam aparecer de um de três interessados – Chelsea, Man. City e Man. United. Mais realistas, pareceram os seis milhões oferecidos pelo Spartak, em 2010.

O jogador continuou em Alvalade até ao último dia de 2012. No último ano de contrato, o acordo de renovação nunca chegou e o Reading apareceu para recrutar o jogador de 24 anos a troco de 750 mil euros e uma percentagem de uma futura venda ou um bónus caso renove.

Também livre para assinar por outra equipa desde ontem está Bruno Pereirinha. O médio que também pode ser lateral nunca foi imprescindível em Alvalade mas deu nas vistas durante a era de Paulo Bento. Não era uma estrela, mas foi o suficiente para se especular de uma oferta de 3,1 milhões de euros do Bolton em 2010. O resto da história já se sabe: o jogador continuou, desvalorizou, joga cada vez menos e neste momento ninguém acredita que possa representar um encaixe financeiro minimamente significativo aos leões.

Pior exemplo João Moutinho continua a figurar no topo da pirâmide da falta de sensibilidade para encontrar as melhores oportunidades de negócio ou, em oposição, a capacidade de continuar a valorizar os seus jogadores. A ascensão do internacional português foi meteórica e todos os anos, os interessados faziam fila. O Sporting nunca quis: eram os 22,5 milhões de euros da cláusula de rescisão (mais tarde 25), ou nada. O Everton rondou os 20 milhões de euros por diversas vezes mas a saída – a mal – do médio só se deu no Verão de 2010.

José Eduardo Bettencourt apelidou-o de “maçã podre” e permitiu que saísse a troco de 11 milhões de euros e 25% de uma futura mais-valia. Moutinho precisou de menos de um ano para recuperar o seu valor de mercado e é agora uma das maiores mais-valias do FC Porto. Caso seja vendido pelos valores de que se fala, Alvalade ainda pode receber um valor superior a cinco milhões de euros. Será o suficiente para se tornar no terceiro jogador que mais dinheiro deu ao Sporting atrás de Nani e Ronaldo (venda mais os 5% dos direitos de formação quando saiu para Madrid), mas nem por isso deixa de ser visto como um péssimo negócio por sócios e adeptos.

Miguel Veloso, Simon Vukcevic e Yannick Djaló são os nomes que completam o ramalhete. Os três juntos renderam menos de 15 milhões de euros, curiosamente o valor mínimo pelo qual Pini Zahavi, empresário do médio português em 2009, admitia negociar. O Manchester City esteve perto de avançar com 21 milhões de euros, o Bolton viu dez milhões recusados e e em 2010 o Genoa conseguiu a transferência por nove.

Yannick Djaló teve o Aston Villa disposto a pagar seis milhões em 2010 mas acabou por sair um ano depois para o Nice por um valor que ainda hoje parece uma incógnita. Já Vukcevic saiu por 2,3 milhões de euros, três anos depois de os leões terem recusado uma proposta concreta de 4,5 vinda de um fundo. Somando os valores dos seis jogadores, os leões encaixaram cerca de 25 milhões de euros quando poderiam ter recebido mais do dobro.

 

(Rui Pedro Silva, Daniel Carriço. Mais uma venda que chega no momento errado, texto publicado no jornal i)

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