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És a nossa Fé!

Cru, assado... cozido

Leram o título?

Leiam outra vez, alteraria duas letras na última palavra e representaria, exactamente, como me sinto.

Calma, calma, não é um estado de alma, é o estado do corpo, do meu pesado tronco sportinguista carregado durante dez quilómetros (foram só oito mais adiante explicarei porquê) na segunda corrida do grande Sporting Clube de Portugal.

Foi uma corrida a cru, não sou gajo de ginásios, nem de caminhadas, muito menos de corridas.

Ora se um gajo como eu, cujo único exercício que faz é o lançamento, não da vara, mas sim do palito para as entranhas do caracol, acampanhado com o levantamento do peso (dumas canecas de cerveja) pode correr dez (oito) quilómetros qualquer pessoa pode.

Posso não ser grande atleta mas sou um gajo de convicções.

Como escreveu Kundera: "Na altura em que recusou renegar as suas convicções, foi despedido do trabalho (...) isso não o tinha quebrado. Estava apaixonado pelo seu destino e até o próprio caminho para a ruína lhe parecia nobre e belo (...) não afirmei que estava apaixonado por si próprio, e sim pelo seu destino". (in «Le livre du rire et de l´oubli"; tradução de Tereza Coelho).

Corro até onde puder e quando não puder desisto, pensei, não corria há mais de cinco anos (tenho uma arreliadora lesão no joelho esquerdo, desde os tempos que o futsal se chamava futebol de salão e era jogado em ringues com pisos e tabelas de cimento).

O tempo ajudou, a refrescante chuva foi um benção enviada pelo meu homónimo (São Pedro) o corpo respondeu bem e aos quatro quilómetros achei que era a altura certa para voltar para trás (o desenho do percurso facilita este tipo de mudanças que permite que cada sportinguista estabeleça o seu limite).

Oito quilómetros, portanto.

Com esforço (muito), com dedicação, com devoção e como corolário disso a glória de ter passado o pórtico, a meta, aquilo que me pareceu um arco do triunfo, qual César, qual Napoleão, qual quê... é possível, ainda é possível...

Se um gajo como eu corre oito quilómetros e acaba a prova em glória no interior do nosso amado estádio; o nosso amado clube pode ser campeão com o mesmo esforço, com a mesma dedicação e com a mesma devoção alcançaremos a glória.

A mensagem do "post" é a seguinte: o meu destino era acabar a corrida (consciente dos meus limites) o destino do Sporting é ser vencedor com o nosso apoio, sem frutas, sem chocolates, sem jogos no Algarve, sem golos marcados com a mão e sem golos marcados ao colo dos guarda-redes.

 

2 comentários

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    Pedro Oliveira 15.10.2012

    Obrigado pelo testemunho, Francisco.
    "nos momentos em que o fôlego ou as pernas aconselhavam a parar, a persistência e desejo em chegar a Alvalade falaram mais alto" foi isso, acho que foi, que nos movia, que nos fez dar mais um uma passada em direcção à meta.
    Aquela volta dentro do estádio foi inesquecível, lembro-me de ter passado na zona do "Directivo XXI" e ter pensado na tragédia (que, felizmente, não o foi) da queda por causa da camisola do Capel; recordo aquela pequena subida em direcção ao relvado (o que me custou subir aquilo, parecia que as pernas não queriam mais) depois, passou tudo, parecia um miúdo a olhar embevecido o estádio, como nunca o vira antes, gostei muito e para o ano vou repetir, claro.
    Abraço e saudações leoninas.
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