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És a nossa Fé!

Tanto... por tão pouco

Não é de esperar que este meu escrito venha a ganhar concursos de popularidade neste ou em qualquer outro espaço verde-e-branco, no entanto, em boa consciência, não consigo distanciar-me da ideia de nunca ter visto tão enorme sentimento de gratidão, por tão pouco, dando asas ao velho provérbio: «Mais vale cair em graça do que ser engraçado».

 

Ricardo Sá Pinto foi contratado para liderar a equipa principal do Sporting e não conseguiu levar a concordata a bom porto, ponto final. Não está em causa o seu mítico «coração de leão», a sua popularidade no universo sportinguista, nem o seu vincado querer vencer, mas sim a qualidade do seu desempenho e, sobretudo, as suas aptidões, à raiz, para a função. É indiscutível que, quando chegou, deparou com uma equipa despojada de alma, garra e dinâmica competitiva e que ele, no curto prazo, soube incutir essas faculdades no grupo, que acabaram por contribuir para os êxitos na Liga Europa frente ao Matallist e ao Manchester City, culminando no afastamento, pelos mínimos, às mãos do Athletic Bilbao. Na Liga registou moderado sucesso com nove vitórias em doze jogos, mas as derrotas frente ao Gil Vicente e ao Vitória de Setúbal foram cruciais para o abandono do 3.º lugar e do muito desejado acesso à Liga dos Campeões. Segue-se, então, a ainda difícil de aceitar derrota no Jamor frente à Académica.

 

A história desta época é tão complexa, pelo decorrer das coisas, como simples por um calendário de jogos que, teoricamente, beneficiava o Sporting até à 5.ª jornada da Liga: Guimarães (0-0), Rio Ave (0-1), Marítimo (1-1), Gil Vicente (2-1) e Estoril (2-2), assim como na Liga Europa, com o Horsens no «play-off», o Basileia (0-0) e a infame derrota frente ao Videoton (3-0), na fase de grupos. Considerando o muito melhorado plantel à disposição e o estado da Liga, não é exagero algum adiantar que o Sporting tinha a obrigação de estar em primeiro lugar com 15 pontos em cinco jogos - e não com apenas 5 golos marcados - e idem na Liga Europa, com 6 pontos em dois jogos.

 

Tomar decisões, assumir riscos e responsabilidades são componentes naturais da liderança; daí que o ónus de responder pela contratação de Ricardo Sá Pinto seja da pertença exclusiva da Direcção. Neste caso em particular - pese as boas intenções - o risco assumido extremou, logo à partida, pela inexperiência e pelo óbvio diminuto currículo do treinador. Dito isto, não deixa de existir causa para também questionar a clarividência e sensatez do próprio Sá Pinto perante o convite que lhe foi endereçado, ao qual, após ponderação mais circunspecta, ele devia ter  respondido: «Senhor presidente, fico grato e honrado pela confiança depositada em mim e muito embora seja esse o meu primordial objectivo, em boa fé, neste momento, sou obrigado a declinar, por entender que ainda não reúno a totalidade das condições técnicas para satisfazer os requisitos inerentes ao cargo à dimensão do Sporting e por sentir que é preferível dar continuidade à minha evolução, liderando os juniores, onde considero que estou a fazer um bom trabalho. Um dia mais tarde, com certeza, haverá ocasião para reavaliar a situação, caso ela me seja apresentada». 

 

Fica agora no ar a dúvida se aceitará ou não a posição na estrutura ou se optará por se distanciar do Sporting neste momento. A exemplo de Paulo Bento, poderá não exigir compensação para o balanço do seu vínculo contratual ou, como Domingos Paciência, preferir manter-se no desemprego a usufruir de um bom salário pago pelo Sporting. Só espero que a posição oferecida não seja a de liderar a equipa B, o que, a meu ver, não seria a melhor das opções.

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