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O "International Board" da FIFA aprova tecnologia

Uma decisão histórica foi hoje tomada pelo «International Board» da FIFA, o órgão responsável pelas regras do futebol: numa reunião em Zurique, foi aprovada a tecnologia na linha da baliza, com efeito no Mundial de Clubes 2012 em Tóquio, na Taça das Confederações 2013 e no Mundial 2014. Dois tipos de tecnologia serão utilizados, o «Hawk Eye», baseado na utilização de diversas câmaras, e o «Goalref», que utiliza um campo magnético e uma bola especial.

 

Os argumentos em prol desta inovação são bem conhecidos, o que não evita que esta decisão da FIFA seja menos controversa. Não hesito em adiantar a minha discórdia, não tanto pela implementação dos referidos meios para os fins citados, mas muito mais pelo precedente. Entendo que a beleza do futebol, e a discussão que a sua imperfeição provoca, é parte integral do espectáculo, sustentado exclusivamente pelo ser humano, quer seja ele atleta ou árbitro. A partir do momento que se começa a depender em meios tecnológicos, esse componente natural vai desaparecer e, com ele, tudo aquilo que desperta a paixão do mundo pelo jogo. Com o precedente estabelecido e concretizada a satisfação de todos aqueles que são adeptos da medida, muito em breve surgirão outras semelhantes exigências. Uma qualquer tecnologia para o fora-de-jogo, para a grande penalidade, para a determinação da falta, etc., etc., etc.. Por que não eliminar o árbitro completamente e substituí-lo por um robô situado a meio  campo com visão grande angular que dê cobertura ao rectângulo inteiro? No processo, os confrontos entre árbitro e jogador ou treinador também seriam eliminados, porque ninguém se atreverá a discutir com uma máquina que não tem sentimentos e que é incapaz de errar. Não é difícil de prever que a próxima exigência vai ser a utilização de vídeo para rever certos lances de maior grau de dificuldade e sensibilidade. Além de tudo mais, não acredito que a bola especial que terá que ser utilizada no sistema «Goalref» não precipite problemas, tanto com o controlo como com a trajectória. O segundo sistema tem outro componente incontornável: em competições do alto nível internacional, não existirá esse problema, mas assim que for implementado nos campeonatos domésticos, fica por explicar quem vai providenciar as câmaras indispensáveis para o sistema funcionar e, sobretudo, quem vai assumir a despesa. O jogo é o jogo, e não podem existir regras para umas provas e não para outras. Seja o que for, terá, logicamente, que ser implementado globalmente. Nada mais faz sentido.

2 comentários

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    Rui Gomes 06.07.2012

    O parecer expresso não passa de uma mera opinião, ou se desejar, preferência, a minha. Rugby e o futebol americano são desportos distintos e a suas respectivas paixões são incomparáveis ao futebol, que é a modalide número um no mundo, por muito.
    Não acompanho o rugby, mas até joguei o futebol americano durante três anos. Conheço-o perfeitamente. Tem uma outra dimensão e é talhado para esse tipo de intervenção com constantes paragens e efeitos colaterais. O «nosso» futebol é vivido 7 dias por sema´na, 365/6 dias por ano. A inerente discussão faz tanto parte do jogo como o jogo em si. Os erros da linha da baliza, ocorrerão, no máximo, meia dúzia de vezes ao ano. Não é uma ocorrência diária. Claro, que quando surgem numa competição internacional o impacto é muito maior e, daí, a acrescida discussão. Aquele que ocorreu na baliza da Inglaterra no Euro 2012, era perfeitamente evitável com o árbitro de baliza a dois ou três metros de distância. Fica por explicar como é que ele não viu a bola atravessar a linha de golo. Mas, reitero, a minha principal contenda até não é os meios tecnológicos na linha da baliza. É o precedente que estabelece, abrindo portas para outras inovações. O futuro dirá quais os benefícios/prejuizos para o futebol com o passar do tempo.
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