O Rui Gomes que é um grande historiador do futebol e principalmente do seu clube , trouxe-nos aqui uma capa de uma revista do Record . Quando olhei para estes jogadores a minha primeira reacção foi o facto de o SCP ter sido condenado a pagar ao clube da segunda.circular uma verba pela transferencia do Paulo de Sousa e do Pacheco, quando o seu clube tinha os salários em atraso, o que equivale a dizer que poderiam cancelar o seu contrato e virem para o SCP a custo Zero.
Salvo erro, nessa altura o Presidente dos nossos-rivais era aquela pessoa que não pagava impostos, porque os seus rendimentos eram equivalentes ao ordenado mínimo nacional. Esse Senhor em entrevistas dadas afirmou que o seu clube tinha os salários em atraso, mas o SCP teve de pagar uma importância, cujo valor rondava os 700/750 contos. Na altura fiquei desesperado com a atitude dos nossos advogados, pois não souberam impor a verdade, ou seja os salários em atraso que era uma justificação para se transferirem para o SCP à borla.
Esta história tem outros ingredientes, pois quem deliberou sobre esta sanção, foi salvo erro,um orgão da Federação Portuguesa de Futebol , composta em maioria por pessoas afectas ao tal clube da segunda.circular e que depois o caso foi para um tribunal qualquer, que confirmou o pagamento que tivemos de fazer.
São histórias antigas, que fazem parte da nossa memória,em que os anos passados não conseguem apagar as injustiças que se foram fazendo ao longo da nossa existência.
Tem razão quanto à história. Um dos motivos que ainda hoje tenho a revista. Fomos apanhados num «campo inclinado» e o Sousa Cintra soube atacar mas depois não soube defender e o Sporting, pelos meios que descreveu, teve que pagar a factura.
Estava convencido que o nosso Presidente era outro, o tal que andou a vender terrenos ao preço da uva mijoca , mas que nunca conseguiu fazer ao SCP o mesmo que um seu antigo colega fez na C.M.L . entregando (penso que à borla ) terrenos para a construção do campo de futebol do clube da segunda-circular . Mais tarde esse estimado autarca foi vice-presidente do tal clube.
Em relação ao SCP que tinha muitos terrenos e eu confirmo, pois todos os dias como atleta do clube os percorria, ficámos sem nada e vendemos ao preço da chuva, quer ao Metro, quer à C.M.L . e a pouco e pouco foram desaparecendo do nosso Activo.
Sempre tivemos "excelentes" dirigentes, que pugnaram pelos nossos interesses. Fica de fora o Presidente João Rocha que me parece ter sido o único que negociou como deve ser.
Para quem não tinha um metro quadrado de terreno e de repente aparece com milhares , não há dúvida que Deus . fez mais um serviço público dando aos "pobres" o que deveria ser bem pago
O então presidente era Sousa Cintra. Recordo-me perfeitamente da apresentação de Pacheco e Paulo Sousa em Alvalade, empoleirados no Mercedes branco de Sousa Cintra que, por coincidência e nada mais, foi importado por um primo meu em Lisboa e que dei uma pequena «mão» para a sua legalização. É de lembrar, ainda, que a operação incluia também João Pinto que, à última da hora foi repescado no Sul de Espanha por Jorge de Brito. Além de tudo isto, e poucos devem recordar, Rui Costa era também um dos alvos e só uma intervenção mesmo na véspera do seu casamento, regularizando a sua situação contratual, é que evitou a sua vinda para o Sporting. Tudo isto ocorreu numa espécie de vingança do Sporting num período que o Benfica atravessava uma grave crise económico-financeira, que incluia ordenados em atraso com diversos jogadores do topo. Por acaso, tenho o registo comprovativo de tudo isto mas também é um período de defeso que acompanhei muito ao perto.
Sabe que a minha idade já tem muitas lacunas, sendo a memória uma delas. Acompanhei sempre a vida do SCP com muita intensidade e quando haviam casos que nos prejudicavam eu ficava pior que estragado, pois sempre pugnei pela transparência e pela seriedade , embora eu saiba que isto sempre foi uma utopia.
O Rui Gomes é uma pessoa mais nova, que guarda estas recordações, como eu fiz durante muitos anos e quando a minha mulher faleceu mudei de casa e a maior parte desse espólio que hoje me seria útil, foi parar ao contentor. Isto para lhe dizer que estava convencido que o Pedro Santana Lopes é que tinha pago as indemnizações aos nossos vizinhos, pois até penso que ele foi eleito depois do homem das cervejas o Sousa Cintra.
O processo ocorreu dentro do consulado de Sousa Cintra, que esteve na presidência de 1989 a 1995. As polémicas transferências tiveram lugar no verão de 1993. Posteriormente, o Benfica surge a exigir indemnização e o caso arrastou-se até que a derradeira fase, que incluiu o pagamento, surgiu já na época de Santana Lopes (1995-9) por mediação da FIFA. Literalmente, o pagamento foi efectuado por Santana Lopes, mas ele apenas herdou e processou a fase final. No meu comentário, referi sempre o todo do processo e não, exclusivamente, a parte que se associa com o pagamento.
A sua memória está excelente. Como diz, eu sou mais novo, mas há determinados eventos que não me recordo, outros que tenho memória vivída.