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És a nossa Fé!

2023 em balanço (7)

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DERROTA DO ANO: 1-2 CONTRA O BENFICA NA LUZ

Aconteceu a 12 de Novembro. Esteve para ser noite de festa, terminou em noite de pesadelo. Na casa do nosso mais velho rival, cheia para apreciar um dos clássicos do ano. Partida com desfecho absolutamente decepcionante para nós.

Ao intervalo, vencíamos 1-0. Congelando as bancadas do estádio da Luz, onde já ferviam palavras de impaciência e até indignação contra o treinador Roger Schmidt. Autor do golo, o suspeito do costume: Viktor Gyökeres, imparável, fuzilou a baliza encarnada ao conseguir libertar-se do espartilho duplo de Otamendi e António Silva. Foi no final da primeira parte, o que nos abria felizes expectativas.

Também Edwards esteve em grande. «Primoroso passe para golo aos 33', isolando Pedro Gonçalves após neutralizar a defesa encarnada. E excelente passe vertical que lançou o internacional sueco para o primeiro golo da partida, aos 45», escrevi aqui nos apontamentos sobre o jogo, pouco depois do apito final.

Aos 52', ficámos reduzidos a dez. Por segundo amarelo exibido pelo árbitro Soares Dias a Gonçalo Inácio. O que forçou a saída de Edwards. Mas aguentámo-nos. Até ao descalabro do tempo extra, em que sofremos dois golos de rajada, aos 90'+4 e aos 90'+6.

Confesso não me lembrar de algo assim. No termo do tempo regulamentar, tínhamos mais 6 pontos virtuais do que o Benfica, reforçando a nossa liderança isolada do campeonato. Quando a partida terminou, estávamos em igualdade pontual - mas abaixo deles no critério do desempate. O SLB virou o resultado quando nas bancadas já esvoaçavam centenas de lenços brancos, acenando à despedida prematura do técnico alemão. 

Houve outros momentos maus em 2023, mas este foi o que mais me doeu. Ao ponto de ter desabafado deste modo na crónica do jogo: «Soçobrámos mesmo ao cair do pano. Foi traumático - ao nível daquele monumental falhanço de Bryan Ruiz a dois metros da baliza também frente ao Benfica, em Alvalade, que nos custou o campeonato de 2016.»

Não terei sido o único a pensar assim.

 

 

Derrota do ano em 2012: final da Taça de Portugal (20 de Maio)

Derrota do ano em 2013: 0-1 em casa contra o Paços de Ferreira (5 de Janeiro)

Derrota do ano em 2014: 3-4 contra o Schalke 04 em Gelsenkirchen (21 de Outubro)

Derrota do ano em 2015: 1-3 contra o CSKA em Moscovo (26 de Agosto)

Derrota do ano em 2016: 0-1 contra o Benfica em casa (5 de Março)

Derrota do ano em 2017: 1-3 contra o Belenenses em casa (7 de Maio)

Derrota do ano em 2018: final da Taça de Portugal (20 de Maio)

           Derrota do ano em 2019: Supertaça (4 de Agosto)

Derrota do ano em 2020: 1-4 contra o Lask Linz em casa (1 de Outubro)

Derrota do ano em 2021: 1-5 contra o Ajax em casa (15 de Setembro)

Derrota do ano em 2022: 1-4 contra o Marselha em França (4 de Outubro)

Adiós, Navarro!

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Lembram-se do Navarro? Sim, esse. O tal.

 

«É muito fácil aceitar que estamos dispostos a dar 7,5M (que podem chegar aos 12,5M) por 80% do passe de um central que joga no Mafra da II Liga, emprestado pelos vikings com quem vamos jogar na Liga Europa, isto quando, ainda há dias, Ruben Amorim garantiu que não contratamos outro ponta de lança, porque não temos capacidade de investir no tipo de avançado desejado. Ainda a propósito dos 7,5 M€ do jovem central da II Liga, por exemplo, o Gil Vicente em agosto pedia 6 M pelo Fran Navarro, mas o espanhol poderia ser uma séria ameaça para o goleador João Paulo, este, ainda é a mais cara transferência de sempre do Sporting.» Palavra dum comentador anónimo, aqui, a 30 de Janeiro de 2023.

 

«O Navarro não presta, acabou de marcar em Paços, já leva 12 golos na Liga, e já não vai para Braga, vai mesmo para o Porto, mas só na próxima temporada, provavelmente o Porto vai vender um avançado.» Palavras, provavelmente, do mesmo anónimo. No dia seguinte. Enquanto arrasava Diomande aqui.

 

«O Navarro não interessa ao Sporting porque faz golos, e o Sporting não pode ter um plantel com 30 e tal jogadores, segundo o nosso treinador.» Este comentário, assinado Leão de Alfragide, foi a 20 de Abril. 

 

«Avançados a bom preço que marcam golos como esse e como o Fran Navarro não servem para o Sporting da Nova Era.» Outro, anónimo até ao tutano, veio vomitar isto a 3 de Julho.

 

«O Amorim exige, e o Amorim vai ter, já tinha sido assim com o goleador Paulinho, neste caso concreto, vamos investir 23 milhões no jovem sueco, porque vivemos desafogadamente ou faustosamente, mesmo sem Champions. O velho crocodilo 'teso como um virote', investe 15 milhões, e contrata 2 jovens espanhóis de enorme qualidade e potencial, já perfeitamente identificados com o futebol português: Iván Jaime e Fran Navarro ambos irão custar 15 milhões, e ambos não pagam um Gyokeres do Amorim.» Estas, "assinadas" por um tal Leão da Estrada, foram aqui publicadas a 4 de Julho. A patada desta vez já não era em Diomande, mas em Gyökeres. Para rasgar Frederico Varandas e enaltecer o decrépito presidente do FCP, cônsul honorário de Palermo na Invicta e patrono dos verdazuis. 

 

«Durante três anos não era necessário um ponta de lança e agora gastamos 24M num, quando poderíamos ter gasto um terço deste valor com o Navarro.» Na mesma linha, apareceu outro (ou seria o mesmo?) a 14 de Julho. Sempre com a mesma lógica: apontar baterias ao presidente por ter contratado Viktor Gyökeres.

 

«Os falidos do norte foram a Barcelos, e contrataram o Navarro com 25 anos, e que foi o 3º melhor marcador da nossa Liga, ou que fez 37 golos em dois anos no Gil Vicente, e custou-lhes 6 milhões, e supostamente o novo Guardiola nem o quis.» Este comentário é de 20 de Julho, "assinado" à americana: Only Lions roar as Lions. Mesma lógica: os do Porto é que sabem gerir, Varandas é um nabo.

 

«Sobre a comparação Gyokeres/Navarro: 1 Gyokeres fez 21 golos na Championship em 49 jogos, custou-nos 20 milhões. 2 Navarro fez 17 golos na Liga portuguesa (a 6ª melhor da Europa), em 34 jogos, e custou-lhes 6 milhões.» Arrazoado dum tal Rui Cunha (putativo pseudónimo de Bruno de Carvalho) a 26 de Julho. Deslumbrado com a brilhante gestão desportiva de PdC.

 

«Sporting: Gyokeres 20 milhões, Hjulmand 18 milhões, tudo somado dá 38 milhões investidos em apenas dois reforços, média de 19 milhões por reforço. Porto: Varela 8 milhões, Nico Gonzalez 8 milhões, Fran Navarro 7 milhões, tudo somado dá 23 milhões em 3 reforços, média de 7,66 milhões por reforço.» Cereja em cima do bolo, esta bojarda de quem assina Leão do Algarve, a 12 de Agosto. Embevecido já não apenas com Navarro, mas com todos os fiascos dos andrades.

Que já mostraram muito bem o que valem. Ou o que não valem.

 

Estes e mais uns quantos sofreram enorme desgosto na sexta-feira. Motivo? Sérgio Conceição, farto de tanta inépcia, decidiu despachar o tal brilhante "reforço" espanhol, mandando-o às malvas. «Fran Navarro está encaminhado», limitou-se a dizer o técnico portista em conferência de imprensa. Segue para o Olympiacos, emprestado com opção de compra.

O que fez no FCP? Entrou em dez jogos, conseguiu um golito. Nada mais.

Adiós, Navarro!

Que pena. Um rapazinho tão brilhante... Como devem andar tristes, os verdazuis.

Nós, há dez anos

 

Eu: «Sim, eu sei: para alguns, Adrien será mais revelação do que confirmação do ano. Não é o meu caso. Porque já em 2013 o jovem médio formado na nossa academia emitira sinais suficientes de que era um valor a ter em conta. Isso sucedia desde o tempo em que, emprestado pelo Sporting à Académica, foi fulcral na conquista da Taça de Portugal pela turma de Coimbra, precisamente frente à nossa equipa. O profissionalismo falou mais alto do que o tributo às origens. Em boa hora Adrien regressou a Alvalade, com contrato até Junho de 2017 e uma cláusula de rescisão de 40 milhões de euros, contrariando notícias sopradas por fontes muito duvidosas e o gozo indisfarçável de alguns comentadores que já o imaginavam longe do Sporting. Comentadores como o inefável Joaquim Rita, que chegou a soprar frases como esta no sítio do costume: "Pela qualidade que tem, Adrien entraria como uma luva quer no Benfica quer no FC Porto." Previsão falhada, entre tantas outras.»

A voz do leitor

«Obrigado por tudo, Pedro Gonçalves, mas tivemos o Pedro Barbosa demasiado tempo e o Bryan Ruiz nunca deveria ter envergado as lendárias insígnias do Leão Rampante. Ter um misto dos dois no plantel é prolongar uma agonia que dura há 40 anos. O Sporting Clube de Portugal tem que se livrar de jogadores e treinadores (José Peseiro e Carlos Queirós) com essa carga!»

 

Elitista, neste meu texto

2023, um ano bom para o Sporting Clube de Portugal

Com todos os seus altos e baixos o ano que ainda agora findou só pode ser considerado  bom para o nosso clube.

- Primeiro, o clube e a SAD reportam resultados financeiros positivos num quadro de permanente reforço de infraestruturas e plantéis, estando o valor do plantel do futebol muito próximo (*) de ultrapassar o do FC Porto, de acordo com o TM.

- Segundo, existem resultados positivos assinaláveis no futebol e nas modalidades, dos quais se salienta a boa campanha europeia no Futebol e a conquista da Liga Nacional de Futsal, mesmo em luta directa com dois rivais que gastam duas ou três vezes mais. Chegámos ao fim do ano no topo da classificação nas Ligas de Futebol, Futsal, Andebol, Hóquei e Basquetebol, em 2º lugar em mais duas modalidades.

- Terceiro, porque foram finalmente obtidos com dois bancos privados portugueses os acordos que significam a reestruturação financeira do universo Sporting em termos muito vantajosos. Abrem a porta para a entrada dum parceiro estratégico para a SAD.

- Quarto, porque ao contrário de situações anteriores, no estádio e no pavilhão, as nossas equipas voltaram a gozar do apoio incondicional de todos a começar pelas claques (pirotecnia e javardice muito penalizadora para o clube é outro tema).

 - Quinto, porque foi finalmente começado o processo de reabilitação do estádio e zonas circundantes, ainda muito aquém da grandeza do clube.

Tudo isto só foi possível :

- Pela estabilidade que se sente a todos os níveis, que começa no presidente e se estende aos plantéis. Em todos existem atletas com muitos anos de casa que sentem a camisola e transmitem aos mais novos o ADN Sporting.

- Pelo comportamento de dirigentes, treinadores e atletas. Calmos, educados, assertivos, focados, sem espaço para personagens rasteiras e sem vergonha como alguns que representam os rivais, com Sérgio Conceição e Pepe à cabeça.

- Pela competência dos técnicos que têm sabido fazer evoluir e projectar jovens formados localmente ou contratados fora, conjugando-os com atletas mais experientes e modelos de comportamento. Nesse aspecto, Rúben Amorim, Nuno Dias e Ricardo Costa, cada com as especificidades da respectiva modalidade, "escreveram o livro" do que é ser treinador do Sporting nos próximos tempos.

 

Alguns dirão que está de volta o "Campo Grande FC", que este não é o Sporting deles, o da exigência desbragada, da luta contra tudo e todos, da pirotecnia irresponsável, das "associações" desligadas do clube a que dizem pertencer.

Mas é o meu, aquele que conheci com o saudoso presidente João Rocha quando comecei a frequentar as bancadas de Alvalade.

Mas não chega, queremos mais, muito mais!

Vamos então a 2024!!! 

A começar pela próxima sexta-feira, dia em que recebemos o Estoril.

 

(*) Estava mas já não está. À data de hoje:

1. SL Benfica 352,5 M€

2. Sporting CP 315,3 M€

3. FC Porto 280,1 M€  (Mesmo incluindo o David Carmo a 14M€... )

4. Sp Braga 137,0 M€

SL

Titular e suplentes

Rúben Amorim é o nosso treinador titular.

Vou apresentar três suplentes que já foram treinadores do Sporting Clube de Portugal.

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1. Ricardo Sá Pinto, eliminou o Manchester City de Mancini (que venceria a Premier League) das competições europeias.

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2. José Mário Mourinho, chantageou o Benfica, colocou-se sob a pata do leão e diz a lenda foi impedido pela Juventude Leonina (obrigado, JL) de continuar como treinador após duas horas.

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3. Jorge Jesus, venceu o Benfica na Luz por 0-3, tinha tudo encaminhado para vencer o campeonato mas os pós da porta 18, as toupeiras, os padres e as missas que levaram à detenção do presidente do "glorioso, impediram-no.

Recordo Tapie foi preso e o Marselha foi para a segunda divisão. Por cá o presidente é preso mas o clube, o Benfica, continua, cantando e rindo, na primeira divisão.

Classificação actual de Sá Pinto:

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Classificação actual de Mourinho:

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Classificação actual de Jesus:

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Então?

Continuamos com Rúben Amorim ou substituímo-lo por um dos nossos ex-treinadores (ou outros)?

2023 em balanço (6)

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DESPEDIDA DO ANO: UGARTE

Todos gostaríamos que tivesse passado mais tempo connosco. Acabou por saber a pouco, naquelas duas épocas entre Agosto de 2021 e Junho de 2023. Mas valeu a pena vê-lo de verde e branco: é um futebolista cheio de classe, muito acima da média. Titular absoluto desde a partida de João Palhinha no Verão de 2022, destacou-se de modo irrepreensível. Merecia ter ficado num período de melhor rendimento global da equipa, em vez de pontificar num campeonato em que nos quedámos no quarto posto.

O uruguaio Manuel Ugarte Ribeiro, hoje com 22 anos, não tem culpa disso. Ele cumpriu a parte que lhe cabia, na posição de médio defensivo. Sempre disponível para as dobras dos colegas mais recuados, tanto no corredor central como nas alas. Com inegável capacidade de luta, visão de jogo, robustez física e comprovada capacidade técnica, confirmou em Alvalade a impressão muito positiva que já causara antes, no Famalicão. 

Em boa hora foi contratado ao emblema minhoto. Chegou por 12,5 milhões de euros, brilhou de leão ao peito e rumou há sete meses ao Paris Saint-Germain, que lhe adquiriu o passe por 60 milhões. Tornou-se assim o segundo jogador que mais dinheiro proporcionou aos cofres leoninos, apenas superado pelos 65 milhões de euros gerados na saída de Bruno Fernandes para o Manchester United, em Janeiro de 2020. 

As suas excelentes prestações no Sporting valeram-lhe ser distinguido para o onze ideal da Liga 2022/2023 por votação dos treinadores e capitães das equipas que participaram na prova. Os números atestaram o seu desempenho: participou em 31 desafios, conseguiu 189 recuperações de bola e protagonizou 122 desarmes - neste caso atingindo novo recorde na competição máxima do futebol português. Ganhou fama como especialista em roubo de bolas - no melhor sentido da expressão.

Estava ainda entre nós quando se estreou como internacional A pelo seu país após ter integrado as equipas sub-20 e sub-23 do Uruguai. Ponto alto, até agora, nesta carreira pela selecção: a convocatória para o Mundial-2022, no Catar. Bem merecida.

Continuamos a acompanhar a carreira dele à distância. O que facilmente se compreende: ele será sempre um dos nossos. Deixou saudades: é a melhor carta de recomendação.

 

Despedida do ano em 2012: Polga

 Despedida do ano em 2013: Wolfswinkel

Despedida do ano em 2014: Leonardo Jardim

Despedida do ano em 2015: Marco Silva

Despedida do ano em 2016: Slimani

Despedida do ano em 2017: Adrien

Despedida do ano em 2018: Jorge Jesus

Despedida do ano em 2019: Bas Dost

Despedida do ano em 2020: Bruno Fernandes

Despedida do ano em 2021: Nuno Mendes

Despedida do ano em 2022: Palhinha

Tiro sueco derrubou muralha algarvia

Portimonense, 1 - Sporting, 2

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Gyökeres, mesmo sob marcação cerrada, voltou a brilhar: por vezes cansa só de o ver

Foto Luis Forra / Lusa

 

A expressão "estacionar o autocarro" parece ter sido inventada por Paulo Sérgio. O treinador do Portimonense - que passou há mais de dez anos por Alvalade, sem deixar saudades - adoptou nesta recepção à nossa equipa um sistema hiper-defensivo. Espécie de 6-3-1, anichando os seus pupilos numa extensão máxima de 25 metros, deixando toda a iniciativa atacante ao Sporting. Dois defesas receberam a missão de patrulhar Gyökeres a tempo inteiro, roubando-lhe espaço de manobra e remetendo-o a zonas mais recuadas.

Muralha própria de equipa pequena, receando ser goleada em casa pelo onze que pratica melhor futebol da temporada.

Funcionou, mas só até ao intervalo. O primeiro tempo decorreu com os nossos jogadores à procura de uma fresta naquela muralha, sem sucesso. O melhor que conseguiram foi já no tempo extra, quando Edwards rematou forte mas por cima.

É verdade que anteontem nos faltavam três titulares: Coates estava ausente por lesão, Gonçalo Inácio e Morten cumpriam castigo. Mas isto não explica a nossa lentidão de processos neste primeiro tempo nem a inoperância do corredor direito do Sporting, onde Edwards e Geny por vezes se atropelavam e o moçambicano parecia estar já com a cabeça na selecção do seu país, que representará nas próximas semanas. 

Também não explica a incapacidade de gerarmos perigo nos lances de bola parada, que apareceram em catadupa: dez cantos nos primeiros 45 minutos, igualando o registo máximo da prova até ao momento.

 

Rúben Amorim soube puxar pelos jogadores na prelecção que lhes fez ao intervalo. Surgiram com outro ânimo no excelente tapete verde de Portimão. Beneficiando também dos primeiros sinais de fadiga física revelados pela turma algarvia. Aí o eficaz Sporting desta Liga 2023/2024 voltou à tona. 

O nosso ponto forte era o corredor esquerdo, com boa articulação entre Matheus Reis e Nuno Santos. Pedro Gonçalves, novamente remetido ao meio-campo, tentava infilitrar-se entre linhas, beneficiando da solidez posicional de Morita: o japonês brilhou como n.º 6 improvisado num dos seus melhores desempenhos de sempre ao serviço do Sporting. É um dos jogadores mais completos deste plantel. E um dos obreiros deste percurso vitorioso que já produziu 19 triunfos em 25 partidas nas quatro frentes futebolísticas e nos confirma no comando do campeonato à entrada deste ano novo. 

Algo que não acontecia desde 2021. Sabemos o final feliz dessa história.

 

A insistência foi tanta que acabou por produzir bons frutos. Num magnífico passe teleguiado de Pedro Gonçalves aproveitando uma das raras ocasiões em que Gyökeres dispôs de espaço de manobra em posição frontal. O sueco, letal como poucos, não perdoou: num par de segundos, meteu-a lá dentro. Inaugurando o marcador naquele minuto 59. Confirma-se a tendência: cumprimos 15 jornadas sem nunca ficar em branco.

Lá teve Paulo Sérgio de tirar o autocarro do parque de estacionamento, procurando enfim - também ele - esticar o jogo. Aproveitando sobretudo deslizes defensivos dos nossos. Houve três. À primeira, o Portimonense marcou. Na cobrança de um livre a punir falta desnecessária de Diomande na meia esquerda e o mau posicionamento da barreira. Depois, aos 78' e aos 85', brilhou Adán ao fazer a mancha e cortar ângulo de remate aos adversários que se isolavam. Beneficiando, no primeiro lance, da preciosa ajuda de Eduardo Quaresma.

 

Estava escrito que não sairíamos do Algarve sem os três pontos. Assim foi: a bola voltou a entrar na baliza certa, coroando a melhor jogada colectiva do desafio, também desenrolada no corredor esquerdo. Com a "gordinha" a girar de Matheus para Nuno e deste para Morita com o internacional nipónico a cruzar para o centro da área: Paulinho, de costas para as redes, pôs a funcionar o calcanhar. Era noite de sorte: a bola tabelou caprichosamente num defesa e traiu o guarda-redes Vinicius. Que cinco minutos antes, num voo espectacular, impedira Morita de marcar.

Paulinho esteve no melhor e também no pior, quando falhou golo cantado após centro milimétrico do suspeito do costume. Gyökeres voltou a terminar um jogo da forma que já começa a tornar-se habitual: parece ter energia para começar tudo de novo. 

"Cansa só de ver", deve ter pensado o tristonho Paulo Sérgio. O sueco - melhor em campo - derrubou-lhe a muralha. Bastou um tiro só.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Ainda não é desta que o nosso guarda-redes mete os papéis para a reforma. Bons reflexos a impedir golos aos 78' e aos 85'. Sem culpa no que sofreu, aos 68'.

Neto - Fez só a primeira parte, como central à direita. Amarelado aos 34', ficou condicionado. Já tinha abusado dos passes à queima e de falta de fluidez na construção.

Diomande - Supriu ausência de Coates. Seguro excepto em dois momentos: entrada fora de tempo aos 67' (valeu-lhe um amarelo) e falta desnecessária aos 68' (custou-nos o golo).

Matheus Reis - Completou trio de centrais, actuando pela esquerda. Foi o que teve melhor desempenho, articulando muito bem com Nuno Santos. Iniciou construção do segundo golo.

Geny - Titular na ala direita, demasiado discreto. Complicou alguns lances, pecou por falta de entendimento com Edwards. Quando saiu, aos 83', parecia que já não estava lá.

Morita - Com Morten ausente, foi ele o número 6. Mas fez muito mais do que isso: variou flancos com visão de jogo e precisão de passe, recuperou 14 bolas, assistiu no golo 2. Exemplar.

Pedro Gonçalves - Médio de construção, tentou explorar zonas interiores. Marcou mal vários cantos. Mas redimiu-se com espectacular assistência para Gyökeres no primeiro golo.

Nuno Santos - Dinâmico, dominou o corredor esquerdo num constante vaivém à procura de espaços para colocar a bola. Interveio no segundo golo, em passe açucarado para Morita.

Edwards - Apagado no primeiro tempo. Ainda assim, foi dele o nosso único remate digno desse nome (45'+1). Melhorou muito após o intervalo. Ofereceu três golos que Paulinho desperdiçou.

Paulinho - Esteve no melhor (o golo-carambola, de calcanhar, que nos valeu três pontos) e no pior (desperdiçou três ou quatro). Voltou a marcar na Liga após quase dois meses de jejum.

Gyökeres - Quase sem espaço para se movimentar, aos 59' libertou-se enfim do espartilho e meteu-a lá dentro. Nada egoísta, construiu golo para Paulinho (90'+5), mas o colega falhou.

Eduardo Quaresma - Rendeu Neto no segundo tempo. Exibição muito positiva. Deu nas vistas com um carrinho que tirou o pão da boca ao Portimonense, a meias com Adán (78').

Daniel Bragança - Substituiu Pedro Gonçalves, com lesão no pé esquerdo, aos 75'. Pareceu condicionado, no plano físico ou psicológico. Errou passe aos 85': podia ter corrido mal.

Esgaio - Entrou aos 83', rendendo Geny. Jogo importante por simbolismo: foi a 150.ª vez que actuou pela equipa principal do Sporting. Não falhou nenhum dos 15 jogos desta Liga.

Trincão - Entrou aos 90'+1, substituindo Edwards. Só para queimar tempo. Mal tocou na bola.

Doze anos depois

Outros vão, nós ficamos: faz toda a diferença

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És a Nossa Fé nasceu há precisamente doze anos. Recebemos de então para cá mais de 4,8 milhões de visitantes e acima de 10,7 milhões de visualizações.

Publicámos 25.960 postais, registámos 387.465 comentários. Incluindo o texto mais comentado de 2023 de todos os blogues sportinguistas inscritos na plataforma SAPO.

Passado este tempo, há cada vez mais motivos para continuarmos aqui. Em apoio declarado ao nosso clube de sempre.

É o que faremos.

Nas boas horas, como nas más. Em todos os momentos. 

Enquanto outros desertam, nós ficamos. Somos diferentes também por isto.

Nós, há dez anos

 

Eu: «William é bom a vários níveis. No poderio atlético, na visão de jogo, na disciplina táctica, no rigor posicional, na destreza técnica, na autoridade natural em campo. Joga primeiro para a equipa e só depois para a bancada. Exemplar na recuperação de bolas e no corte de lances perigosos, tornou-se já também uma referência na construção de manobras ofensivas, com notável precisão de passe, mesmo a longa distância. Falta-lhe alguma maturidade competitiva, o que é natural num jogador com enorme margem de progressão. Mas ninguém tem dúvidas de que está destinado a brilhar no Mundial de Futebol, a disputar daqui a seis meses. Aliás, passou com distinção no primeiro teste ao nível da selecção de futebol, em Novembro, quando Paulo Bento o fez entrar em jogo no decisivo embate contra a Suécia que nos valeu o passaporte para o Brasil. Promete muito, William Carvalho. Mas em grande parte já é uma certeza. Não só em benefício do Sporting mas do conjunto do futebol português.»

A voz do leitor

«Cristiano Ronaldo atingiu, pela oitava vez, a marca de 50 golos num ano civil. Caso único na história do futebol mundial. Cristiano Ronaldo ultrapassou, pela décima quarta vez, a marca de 40 golos num ano civil. Caso único na história do futebol mundial. E para os que dizem que Cristiano Ronaldo é egoísta e joga pouco para a equipa é sempre adequado lembrar-lhes que a lenda viva é o rei das assistências na Liga dos Campeões - 42 assistências, sabendo que Cristiano Ronaldo não bate pontapés de canto, como é o caso de outros considerados bons "assistentes".»

 

Leão Até Morrer, neste postal

Pág. 8/8

{ Blogue fundado em 2012. }

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