Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

Nós, há dez anos

 

Rui Cerdeira Branco: «Da lápide que contem a inscrição da data de fundação de um certo clube (e não a de nascimento do seu primeiro fundador ali enterrado) a uma outra lápide de um outro fundador de um outro clube (curiosamente com o mesmo nome) que havia sido fundado em 1893 e sobrevivido escassos meses, extinguindo-se em 1894. Como única prova da continuidade entre o clube primogénito e o que lhe herdou o nome, há o relato de ter havido um (1) jogador de uma das primeiras equipas do clube ainda sobrevivo que teria sido amigo do fundador do defunto primogénito. E assim acontece revisionismo histórico em Porutgal. Em 1976 e após 70 anos de rica história, orgulhavam-se os associados do aniversário, o septuagésimo, precisamente. Hoje despreza-se tal memória e diria mesmo apouca-se a história que se devia achar de monta ao se sentir a necessidade de encontrar um outro berço, uma outra era, um outro estatudo suportado numa maior patine. Perante este ridículo oferecido de bandeja como não prezar ainda mais o sentido histórico e o respeito pela memória que caracteriza o nosso Sporting? Quem se envergonha de ter "só" 107 anos? Nós não!»

O dia seguinte

Foram os melhores 45 minutos desta época, mesmo sem a enorme qualidade do sueco ponta de lança, muito pelas extraordinárias prestações de Edwards e Morita. Os dois golos foram pouco para o completo controlo do jogo e as oportunidades criadas, mas o de longe melhor jogador do plantel e essencial no jogo de compensações com a dupla do meio-campo, Pedro Gonçalves, estava naqueles dias em que podia chutar 50 vezes sem acertar na baliza. Isto contra um Rio Ave que ainda há pouco tempo esteve a ganhar ao Porto até quase aos 90 minutos e foi preciso o árbitro inclinar o campo para perder o jogo.

Veio a 2.ª parte, veio o desgaste da jornada europeia, veio um golo invalidado ao Rio Ave que podia ter complicado as coisas, vieram as substituições que enfraqueceram o onze, Pedro Gonçalves continuou a falhar e Paulinho encontrou a sua vertente de santo, em vez de marcar o seu segundo golo resolveu tentar "ressuscitar" o no momento "morto" Trincão, com péssimos resultados, nem marcou nem o Trincão "ressuscitou". Que se passa com o talentoso internacional A por Portugal, que passou pelo Barcelona e pelo Wolves, para dar a triste imagem que deu ontem em Alvalade? Qual será o melhor remédio ?  Não faço ideia.

Sou completamente contra o bullying através das redes sociais aos jogadores. Alimentar ódios aos jogadores para além do que são os gostos e apreciações de cada um sobre o valor dos mesmos, é  como cuspir na sopa que se come. Quem andou no tiro ao alvo ao Paulinho descobre agora que é um dos melhores marcadores do campeonato. Quem andou a gozar com o "soneca" descobre agora que foi o melhor em campo, com um golo simplesmente genial.

Foi o Paulinho, depois o Esgaio, depois o Edwards, agora o Trincão, um dos melhores jogadores da época passada e que atravessa um péssimo período, quando nada sai bem. Quem é do Sporting só pode mesmo apoiar o rapaz. Tudo o resto é de andrade ou lampião. Mas se querem ser isso, estão à vontade para irem para lá bater palmas aos craques que custaram mais e renderam metade do que o Trincão. 

No final do jogo veio o pior: a lesão de Diomande nem ele sabe porquê, depois uma entrada sobre Morita que o deixou combalido. Com Gyökeres no banco, são três jogadores que estavam em grande forma a ter uma semana complicada em vésperas da visita ao Farense. 

Melhores em campo? Edwards e Morita, um no primeiro tempo, outro no segundo. Morita e Huljmand, enquanto não fraquejam fisicamente, fazem um meio-campo de excelência, como se viu ontem na primeira parte.

 

Algumas notas finais.

1. Para a Juveleo, que desta vez esteve impecável no apoio à equipa, reconhecida pela mesma no final. Todos teriamos a ganhar se a claque  controlasse a javardice criminosa de alguns lá dentro que certamente se sabe quem são (ainda agora na Áustria tentaram que o Sporting fosse punido pela UEFA e que não existam adeptos leoninos no próximo jogo fora, penso que na Polónia) e que encontrasse uma forma de convivência com a Direcção eleita no Sporting. É óbvio que o Sporting precisa duma Juveleo forte e entusiástica, e que a Juveleo precisa do Sporting. E que se ultrapasse de vez o triste e vergonhoso episódio do assalto a Alcochete, onde diferentes membros da claque, incluindo um ex-lider, estiveram envolvidos.

2. Para o árbitro, do qual tinha a pior opinião a partir dos jogos em que apitou o Sporting e em que se mostrou um palhaço presunçoso. Desta vez, mesmo mal auxiliado, esteve quase impecável num estilo europeu bem diferente dos APAFs do costume, e dos Duartes Gomes do comentário e putativos candidatos a qualquer coisita. Deveria ter sido o VAR a alertá-lo para a expulsão do Ventura naquela entrada sobre Morita.

3. Para a hora do jogo, 20h15m, demasiado cedo para um dia de semana em Lisboa. Demorei cerca de 1h25m a fazer 20kms, estacionar a quase 2kms, e andar o resto. E a prova é que já o Sporting tinha marcado e ainda havia quem andasse a subir as bancadas para se sentar. Mesmo assim, quase 34 mil em Alvalade numa segunda-feira à noite, vitória clara para o Sporting, cânticos para o Paulinho, cânticos para Amorim, uma noite em cheio.

SL

Rescaldo do jogo de ontem

descarregar.webp

Edwards felicitado pelos colegas após ter marcado o segundo - seu golo de estreia na temporada

Foto: José Sena Goulão / Lusa

 

Gostei

 

De vencer mais um jogo, desta vez contra o Rio Ave. Derrotámos a simpática equipa de Vila do Conde (2-0), com resultado construído ao intervalo em Alvalade. Pela quinta vez consecutiva: desde Setembro de 2019 que dominamos sempre este adversário. Foi o nosso sexto triunfo em sete desafios da temporada em curso. Continuamos invencíveis.

 

Da vitória sem sofrer golos. Mantivemos a nossa baliza inviolada: há três jogos seguidos que não permitimos às equipas adversárias fazerem o gosto ao pé em nossa casa. Mérito absoluto do trio de centrais composto por Coates, Gonçalo Inácio e Diomande.

 

Da primeira parte. Nível muito elevado: talvez os melhores 45' iniciais do Sporting até ao momento nesta Liga 2023/2024. Muita dinâmica, muito jogo colectivo, muita bola trocada ao primeiro toque. Equipa confiante. Jogadores concentrados, solidários. Contínua mobilidade do trio da frente. O rolo compressor leonino funcionou quase na perfeição neste período da partida.

 

De Edwards. Grande partida do inglês, a sua melhor até agora na temporada em curso. Rúben Amorim apostou nele como titular - e fez bem. O ex-Tottenham, acutilante e desequilibrador, participa na construção do primeiro golo e foi ele próprio a marcar o segundo, aos 26' - um golaço, fuzilando o guarda-redes de ângulo muito apertado após fazer um túnel ao defesa que tentava segurá-lo. Estreia a marcar em 2023/2024. O melhor em campo. 

 

De Morita. Pêndulo da equipa. Fôlego impressionante, controlo total do meio-campo em parceria quase perfeita com Morten. Assegura equilíbrios defensivos sem nunca tirar os olhos da baliza adversária. Foi assim que iniciou a construção do primeiro golo, em contra-ataque rápido, sendo ele também a fazer a assistência para Paulinho a meter lá dentro, logo aos 10'. Decisivo.

 

De Paulinho. Abriu o marcador, aos 10', encostando a bola após cruzamento perfeito de Morita. Já leva cinco marcados à sexta jornada - tantos como os que assinou em todo o campeonato anterior. Que diferença.

 

De Nuno Santos. Outra grande partida do nosso ala esquerdo, cada vez mais criativo e acutilante. Quase marcou aos 14' e aos 56' - de trivela, neste último lance. Nunca vira a cara à luta. Incorpora como poucos o espírito leonino. Anda a fazer tudo para ser chamado à selecção.

 

De rever Ugarte em Alvalade. Desta vez só na tribuna, assistindo ao jogo - entre os 34.355 que compareceram no estádio. Mas é um sinal inequívoco da excelente atmosfera no balneário do Sporting sob o comando técnico de Amorim. Sente saudades, deixou saudades.

 

De termos conquistado 16 pontos em 18 possíveis. Mais seis do que na mesma fase do campeonato anterior. Eficácia sem margem para dúvida. Marcámos até agora em todos os jogos. Estamos no topo da Liga, à sexta jornada.

 

De termos cumprido outro jogo sem perder. Se somarmos o de ontem às 14 rondas finais da Liga 2022/2023 e aos desafios das cinco jornadas iniciais deste campeonato, mais o da Liga Europa na Áustria, já levamos 21 sem conhecer o mau sabor da derrota em partidas oficiais. 

 

De ver o Sporting no comando da Liga. Seguimos com os mesmos pontos do que o FC Porto, mas com melhor relação entre os golos marcados e sofridos (12-4 nós, 10-5 eles). A fazer lembrar a nossa dinâmica vitoriosa que nos levou à conquista do título em 2021.

 

 

Não gostei

 

Da ausência de Gyökeres. Após seis jogos a titular, o internacional sueco desta vez ficou de fora. Ainda com queixas musculares originadas no lance do golo que marcou na Liga Europa. O treinador, por precaução, manteve-o no banco de suplentes. Fez bem. De caminho, demonstrou que a equipa não treme sem aquele que tem sido o mais influente dos nossos jogadores.

 

Da lesão de Diomande. O jovem internacional marfinense viu-se forçado a abandonar o relvado com problemas de mobilidade, felizmente mesmo à beira do fim do jogo (90'+2, substituído por Neto). Oxalá não seja nada de grave.

 

Dos desperdícios de Pedro Gonçalves. Foi batalhador, abriu espaços, trabalhou para a equipa, pôs em prática o chamado "jogo invisível". Só pecou na finalização, ao contrário daquilo a que habituou os adeptos. Aos 30', atirou à barra. Isolado por Edwards, falhou por pouco aos 33'. Aos 45'+4 voltou a ser perdulário, rematando por cima (novamente servido pelo inglês). Rasou a trave aos 60'. Queria muito marcar, não conseguiu. Esforço inglório.

 

De Trincão. Outra exibição falhada: ainda não acertou uma na época actual. Substituiu Edwards aos 67', mostrando os defeitos do costume: perde-se em fintas inconsequentes, sem a noção do jogo colectivo, dá sempre um toque a mais na bola, é desarmado com excessiva facilidade, torna-se inofensivo. Até chegou a ouvir assobios num desses lances, aos 86': não havia necessidade.

 

Do golo anulado a Costinha, do Rio Ave. Por 6 centímetros, aos 49' - assim decidiu o vídeo-árbitro Nuno Almeida. Sejamos prejudicados ou beneficiados, direi sempre isto: é ridículo inutilizarem golos por uma distância equivalente ao do tamanho médio de um caracol. São decisões que lesam esta modalidade desportiva que tanto nos apaixona.

Mirem-se no exemplo...

Em primeiro lugar deixem-me dizer que gostei desta vitória que só falhou por falta de mais golos!

Posto isto sei que o futebol é na sua génese um espectáculo. Ora sendo-o, tem um horário de início e um de fim, sendo que este varia... Coisas da bola, acrescento!

Nos dias de jogo tento sempre chegar a horas. Irrita-me solenemente estar sentado a ver a partida e ter que me levantar para deixar passar espectadores que por qualquer razão chegam atrasados.

O que também já percebi é que na maioria das vezes o problema não será atraso dos adeptos à chegada ao estádio, mas tão-somente da forma como se processa a entrada. Já estive mais de 10 minutos só para passar o telemóvel no leitor.

Todos os anos há novas maneiras de entrar, mas o que parece curioso é que quando tudo está já oleado... acaba a época e na seguinte volta o calvário! Não imagino de quem será a culpa, mas algo terá de mudar. 

A actual Direcção deveria pensar nisso! E perceber como é feito nos estádios dos grandes clubes europeus, nomeadamente em Inglaterra, Espanha ou Itália.

Não são só jogadores que devemos importar... Eficiência também!

Nós, há dez anos

 

Filipe Arede Nunes: «No meu texto Memórias de Alvalade o nosso comentador Roberto Dias recorda uma famosa agressão de Caniggia a Emílio Peixe que ficou impune. Fui ao Youtube e encontrei o excelente vídeo que aqui deixo sobre a análise da arbitragem do jogo. Não tinha memória disso mas aparentemente foi um jogo bastante violento.»

 

Paulo Ferreira: «Sem corantes nem conservantes, sem meias palavras ou meias medidas, com realismo e sem cinismo, com frontalidade e identidade, com Valores e Príncipios, com Orgulho e Honra, sem réstea de complexada subserviência a Norte ou bizarra complacência a Sul, eis o Sporting que nos foi sonegado durante... muitos anos!»

 

Eu: «Excelente, a longa entrevista de seis páginas que o presidente do Sporting concedeu à edição de hoje do Jornal de Negócios.»

A voz do leitor

«A jogar pela esquerda numa defesa a três, [Gonçalo Inácio] é o melhor defesa central jovem português e um dos melhores da Europa. É muito bom na defesa com os pés e por alto e muito bom na saída com um excelente pé esquerdo. É um defesa goleador no momento ofensivo fruto do seu excelente jogo aéreo. Estranharia que ficasse em Alvalade depois desta temporada.»

 

JG, neste meu texto

Amanhã à noite em Alvalade

Se calhar muitos ainda não perceberam a importância da vitória na Áustria, e não falo daquela seita letal ao Sporting que enxovalha o treinador e os jogadores nas redes sociais até ao momento do golo da vitória e depois desaparece como que por encanto.

O Sporting conseguiu ganhar fora na Liga Europa rodando jogadores, "alargando" o plantel, e possibilitando que amanhã tenhamos Morita, Esgaio, Nuno Santos, Pedro Gonçalves e Edwards nas melhores condições físicas frente a um.sempre difícil Rio Ave.

Huljmand, Gyökeres e Diomande são mesmo excelentes contratações, e nesta equipa de Amorim muito irão evoluir. Arrisco-me a dizer que não me recordo de nenhum defesa do Sporting nos últimos 50 anos com a potência física de Diomande nem nenhum atacante com a de Gyökeres. Essa característica estava a faltar no Sporting nos últimos anos.

Nem tudo está bem. O talentoso Trincão parece atravessar uma crise de confiança alarmante. Para a ultrapassar precisará do apoio de todos. E os jovens de Alcochete do plantel não estão a constituir uma real mais-valia do mesmo. De Catamo ja falei, realmente estranho que Essugo esteja a passar ao lado da época, e se não conta precisávamos de mais um médio-centro. O trio que veio do Porto, agora integrado na B, ainda não demonstra o potencial que se previa.

Sendo assim, prevejo que amanhã o Sporting consiga controlar o jogo do primeiro ao último minuto, que Adán tenha muito pouco que fazer, e que não seja necessário entrar nos minutos de compensação para conquistarmos os 3 pontos.

SL

Nós, há dez anos

 

José Manuel Barroso: «Gostei, francamente gostei, das palavras de Bruno de Carvalho sobre o jogo com o Rio Ave. Não se refugiou - como já o não fizera Leonardo Jardim - no 'erro' de arbitragem, foi direto às causas: uma péssima exibição, um manifesto abrandar do querer, uma incipiência confrangedora na segunda parte. Direto aos jogadores que mostraram não ser capazes de se bater com um adversário superior. Dias maus, todas as equipas têm, ciclos maus também. Mas o nosso ciclo menos bom não pode começar - depois do arranque valoroso - contra os mais pequenos.»

 

Tiago Cabral: «Agora vamos imaginar que Jesus em vez de estar em Guimarães estava no estádio da luz. Caso? Qual caso? Há imagens que provem a agressão?»

 

Eu: «Contra o Rio Ave, o nosso meio-campo esteve desta vez abaixo das exibições e do rendimento noutros jogos. Isso fez toda a diferença. Houve também erros individuais, nomeadamente na defesa, que comprometeram a exibição colectiva, com reflexos no resultado.»

A voz do leitor

«O poder instalado no futebol nacional nunca teve grande vontade de promover reformas profundas na organização das competições desportivas profissionais por uma singela razão: assim, como está, as mordomias para os próprios estão garantidas. Doutra forma, a coisa poderia correr mal.»

 

António Goes de Andrade, neste texto do Edmundo Gonçalves

Portugal 18; Lelos 18

lelos.jpeg

Quem viu, viu.

Quem não sabe quem é Raffaele Storti (Rafael Estorti, para os puristas da língua) procure.

Quem não assistiu ao jogo de "rugby" (râguebi, para os puristas [experimentem pronunciar como está escrito, "ra-gue-bi) entre a Geórgia e Portugal, procure ver.

Excelente espectáculo televisivo, parabéns à RTP 2.

Um jogo emocionante com os primeiros pontos de Portugal num campeonato do mundo, alicerçado num resultado sem batota.

Podíamos ter perdido, podíamos ter vencido, um jogo fantástico de parte a parte, jogadores que são um misto de Cash Flo e de John Cena mas que não fazem cenas fingidas, correm, lutam, sofrem, sangram e no final abraçam-se e sorriem.

Os últimos três minutos valem por todo o jogo a nível de emoção mas re-recomendo se poderem vejam todo o jogo.

Pódio: Gyökeres, Diomande, P. Gonçalves

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sturm Graz-Sporting, da Liga Europa, pelos três diários desportivos:

 

Gyökeres: 19

Diomande: 19

Pedro Gonçalves: 16

Gonçalo Inácio: 16

Paulinho: 16

Nuno Santos: 15

Morten: 15

Adán: 15

Coates: 15

Daniel Bragança: 14

Geny: 14

Matheus Reis: 13

Trincão: 11

Morita: 8

Fresneda: 7

Edwards: 7

 

O Record e A Bola elegeram Gyökeres como melhor em campo. O Jogo optou por Diomande.

Como liquidar um jornal

Uma capa de uma só côr, monotemática, sobre um assunto de rodapé.

Isto no dia em que os Lobos, a selecção nacional de rugby, disputam o jogo da sua vida no mundial; ao fim de uma semana de participação portuguesa em competições europeias de futebol; no início de um fim de semana com eventos desportivos importantes em variadas modalidades. 

Andam a gemer que a imprensa desportiva está em crise, vende quase nada, a culpa é dos outros média que afastam os eleitores. Cortina de fumo para não ir ao nervo da questão: em crise, ou melhor em fase de decadência terminal, está o jornalismo desportivo.

Isto já foi um jornal razoável, hoje pede meças aos panfletos de supermercado. Não faz falta nenhuma.

bola.jpeg

Nós, há dez anos

 

Eu: «Temos uma jovem equipa em construção. Uma equipa que não deve ser assobiada nas bancadas pelos próprios adeptos: é vergonhoso que isso aconteça por parte dos mesmos de sempre. Os que assobiaram Bobby Robson e exigiram que fosse despedido por ter perdido um jogo. Os que argumentavam aos berros contra José Mourinho, impedindo-o de treinar o plantel por não ter currículo nem competência para o Sporting. Os que vaiaram Paulo Bento porque "só" chegava ao segundo lugar e colocou o Sporting na Champions em quatro épocas consecutivas. Os que apontaram a porta de saída a Domingos por não terem paciência para esperar e contribuíram para transformar Alvalade num cemitério de treinadores.»

A voz do leitor

«Eu e mais dois miúdos sportinguistas que também fazíamos a colecção de cromos, acho que nesse ano de 1970, fizemos um quadro rudimentar com os cromos colados com água e farinha e oferemos ao Vítor Damas quando ele saiu do autocarro antes do jogo. Foi uma loucura para nós ele ao sair do autocarro dirigir-se a nós e receber o quadro. O jogo foi contra a CUF do Barreiro, a nossa terra, e penso que ganhámos por 2-0. Como não tínhamos dinheiro para os bilhetes lá entrámos de mãos dados com um senhor que para esse efeito fazia de nosso pai.»

 

Manuel Pinheiro, neste meu texto

Nós, há dez anos

 

José Manuel Barroso: «O empate de hoje - apesar do "erro" do Xistra, relapso o homem! - não foi apenas por culpa desse "erro". Foi porque a equipa fez uma exibição medíocre, bem pior do que já indiciara em Olhão, culpa da bem montada postura tática do Rio Ave e da incapacidade para romper essa teia. A segunda parte foi muito má mesmo, quando se esperava correção do que fora feito de menos bom na primeira. Aos 50 minutos de jogo tínhamos 3 remates à baliza, contra 6 do Rio Ave. Não tivemos o penalti que o Xistra "não viu", mas tivémos os deuses por nós nos dois golos falhados pelo adversário, que nos foi superior em toda a segunda metade do jogo.»

 

José Navarro de Andrade: «"Não vi!" é o que parecem dizer os beiços do Xistra de caras para um penálti que foi detectado até nos telescópios de Atacama. Ora se um senhor árbitro deve a sua existência apenas e tão somente para ver o que se passa em jogo, dizer que "não viu" é como o piloto despenhar o avião porque "não viu" a pista, ou o cientista do CERM evocar que "não viu" o momento em que as partículas colidiram, ou, para usar exemplo mais ao nivel do Xistra, é como o vendendor na feira dos burros se enganar no troco porque "não viu". Ou seja, justa causa para irradiação... Como tudo isto é natural no campeonato português e esta besta do Xistra já a conhecemos de gingeira, quer dizer que a máquina está de novo a funcionar depois da pequena surpresa das primeiras jornadas.»

Quente & frio

descarregar.webp

Vitória ao Sturm Graz desfez a maldição: foi a primeira vez que o Sporting triunfou na Áustria

Foto: Christian Bruna / EPA

 

Gostei muito da nossa estreia internacional desta época. Fomos vencer ontem (1-2) o Sturm Graz, equipa austríaca que segue em segundo lugar no campeonato do seu país. Não se tratou de uma simples vitória: foi a primeira vez que o Sporting arrancou um triunfo na Áustria - antes tínhamos ali somado dois empates e quatro derrotas. Muito saborosos, portanto, estes três pontos ali conseguidos neste início da nossa campanha na Liga Europa. Outra proeza de Rúben Amorim ao leme do emblema leonino. Balanço da temporada até agora: cinco vitórias e um empate. Melhor ainda: levamos vinte jogos oficiais seguidos sem perder. Nada mal.

 

Gostei da nossa segunda parte, sacudindo a apatia do primeiro tempo, e sobretudo da actuação do Sporting após a vaga de substituições. Desta vez o treinador mexeu muito bem na equipa, em duas fases: aos 62' tirou Matheus Reis e Trincão, mandando entrar Nuno Santos e Pedro Gonçalves; aos 78', Daniel Bragança, Geny e Morten deram lugar a Edwards, Fresneda e Morita. Perdíamos por 1-0 desde o minuto 58, havia que dar a volta à situação. Amorim não hesitou. As alterações trouxeram nova dinâmica e acutilância à equipa, que passou a visar com insistência a baliza adversária. Aí emergiram as figuras leoninas do jogo Com três destaques. Gyökeres, que marcou o primeiro aos 75', em lance de existência premiando o seu esforço incansável: quarto golo em apenas seis jogos de verde e branco - além de ontem ter feito "amarelar" dois adversários. Pedro Gonçalves, que está nos dois golos: pormenor de classe ao tirar um defesa do caminho e fazer o remate inicial antes da recarga do sueco; e marcando de forma exímia o livre de que resultou o segundo, aos 84'. Finalmente, Diomande: vai deslumbrando de jogo para jogo. Também ele participa nos dois golos, primeiro ao centrar e depois ao rematar cruzado, com a bola ainda a sofrer um ligeiro desvio em Coates. Este golo foi creditado ao uruguaio, mas merecia ser do marfinense, que elejo como o melhor dos nossos em campo. Quem diria que há oito meses andava pela Liga 2...

 

Gostei pouco da nossa falta de intensidade durante todo o primeiro tempo. Com a equipa a acusar os defeitos do costume: lenta na transição, demasiada posse estéril de bola, falta de capacidade de penetração nas linhas adversárias, processos muitos denunciados na construção ofensiva. E sem um só remate enquadrado. Ficou a sensação que devíamos ter posto o pé no acelerador logo nessa fase de jogo, preservando os jogadores da tensa incerteza daqueles 20 minutos finais. O Sturm é uma equipa totalmente ao nosso alcance, como ficou confirmado nestes três pontos que trouxemos da Áustria. Com apenas dois jogadores claramente acima da média: o guarda-redes holandês Scherpen (fez três defesas de grande categoria) e o médio ofensivo georgiano Kiteishvili (iniciou o lance que culminou no golo deles com um tiro disparado ao nosso poste direito). 

 

Não gostei das cinco alterações simultâneas feitas por Amorim face ao jogo anterior, contra o Moreirense. Para poupar vários titulares ao desgaste da Liga Europa. É verdade que o campeonato nacional é a nossa prioridade e o próximo desafio será com o Rio Ave já na segunda-feira. Mas Daniel Bragança (pouco dinâmico, pouco agressivo, falhando passes em progressão) revelou-se claramente inferior a Morita, Geny é muito mais inexperiente do que Esgaio e Matheus Reis não fez esquecer Nuno Santos. Paulinho foi perdulário na hora de visar as redes: rondou o golo, sem sucesso, aos 41', 59' e 67'. Muito pior esteve Trincão, que continua a parecer perdido em campo: ainda não fez uma só exibição bem conseguida nesta temporada 2023/2024. Sem justificar a titularidade, longe disso.

 

Não gostei nada do estado da relva. O chamado "tapete verde" apresentou-se impróprio para uma grande competição desportiva europeia. Prejudicando os jogadores mais tecnicistas da melhor equipa - a nossa. Tenho a certeza de que o relvado do José Alvalade estará em muito melhores condições quando recebermos a Atalanta na segunda jornada do nosso grupo, a 5 de Outubro.

O dia seguinte

Não foi um grande jogo do Sporting na Áustria, muito longe disso, mas foi uma grande vitória perante o Sturm Graz, uma das melhores equipas austríacas. Todos se lembrarão doutros resultados contra equipas desse país, um futebol físico e objectivo sempre a correr e a dar no osso. Depois existe a questão das prioridades e da gestão do plantel. Bragança e Trincão têm de jogar para contarem mais à frente, mas a verdade é que agora deixam imenso a desejar. Catamo a ala, continuo a dizer que é um erro de casting, um jogador ali não pode perder bolas por insistir em fintas nem muito menos deixar sair a jogar o defesa depois de perder a bola. De qualquer maneira o Sporting chegou a meio da segunda parte com a equipa contrária cansada e apostada em defender a magra contagem, entrou Pedro Gonçalves e tudo mudou. Dois golos merecidos e a vitória assegurada. Obviamente que entrando com os titulares a vitória teria sido mais fácil de obter, mas ao insistir sempre no mesmo onze corre-se o risco de chegar às decisões e termos metade do plantel rebentada e a outra metade desmotivada. SL

Os melhores prognósticos

Desta vez houve muitos vencedores: sete no total. Aqui fica o quadro de honra: Cristina Torrão, Fernando, Leoa 6000, Luís Ferreira, Maximilien Robespierre, Tiago Elias e Tiago Oliveira. Todos acertaram no resultado do Sporting-Moreirense (3-0). Vaticinando, com acerto, em Gyökeres como um dos marcadores - os outros foram Morten e Diomande, que nenhum deles anteviu.

Também justifica registo um quarteto de leitores que, tendo previsto o desfecho leonino nesta quinta ronda do campeonato, só "atirou ao poste" no capítulo dos goleadores. De qualquer modo fica a menção, também merecida: João Paulo Palha, Manuel Parreira, Paulo Batista e Salgas.

{ Blogue fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2024
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2023
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2022
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2021
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2020
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2019
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2018
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2017
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2016
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2015
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2014
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2013
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2012
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D