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És a nossa Fé!

Dia dos fiéis defuntos

Não sou muito dado a religião. Sou, graças a Deus, agnóstico.

No entanto estou a rezar a todos os santinhos para que amanhã, dia deles todos (até de santo Edmundo e desculpem a ligação para uma página que nada tem a ver com futebol), o Sporting consiga a vitória que lhe dará o acesso aos 1/8 da Liga dos Campeões. Sou até gajo para comprar um ramo de flores para colocar aos pés do Leão do Bruno, se isso acontecer, vejam lá bem a minha ânsia...

Postada que está a minha declaração de interesses, claramente que os melhores jogadores e treinador do Mundo voltarão a ser os nossos.

Há no entanto algo que ultrapassa a importante passagem aos 1/8 da LC e que é a péssima época que a equipa está a realizar e que a desejada passagem não camufla. Seguindo o ritmo do desempenho, corre-se o risco de que lá para Maio o sétimo lugar esteja novamente ao nosso alcance, uma vez que o treinador (pelo menos é quem verbaliza a opção) não está a pensar em contratar ninguém em Janeiro e confirmando-se esta cena catastrófica, chamem-me lá o que quiserem, quem não questionar todo o futebol do Sporting, trazendo à liça comparações com outros clubes de outros campeonatos e realidades financeiras a anos-luz da portuguesa, não está a ser sério, ou pelo menos está a ser relapso.

Quando alguém compara o campeonato inglês, alemão ou até espanhol, onde os orçamentos dos clubes de topo e de base não são muito diferentes (em Inglaterra o clube que ganha o acesso à PL é quem mais factura na época, p.e.) e onde os planteis estão recheados de excelentes jogadores, comparar os clubes portugueses, dos três grandes e até do Braga, para baixo, com os clubes até final das tabelas de Inglaterra, Alemanha e Espanha, parece-me uma atitude de avestruz e um argumento pouco sério.

Eu não quero que o Sporting despeça o treinador, seria uma estupidez despedir um activo que tem uma clásula de rescisão de 30M€. Eu não quero que o presidente do Sporting se demita de ser presidente, mas quero que o presidente do Sporting comece a ser presidente do Sporting e assuma as responsabilidades inerentes ao cargo e quero que o treinador deixe der ser casmurro e deixe até de inventar.

Se há clube onde Amorim pode crescer e começar a caminhada para uma carreira de êxito, esse clube é o Sporting, mas caramba, terá que fazer por isso.

E não, a passagem aos 1/8 da LC não limpa a cagada que foi até agora esta época do nosso descontentamento. De alguns de nós, que para outros alguns, está tudo como dantes, o quartel-general continua em Abrantes.

Should I stay or should I go?

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É impossível ser-se Sportinguista e estar, neste momento, satisfeito. Não fujo à regra. Ainda assim, se há treinador que me parece capaz de dar a volta é Rúben Amorim. 

Por agora, ainda estou com o Mister, ainda acredito que é possível reinventar-se. Parece-me, até, que não só é desejável que o faça como o Sporting é o local ideal para o fazer. E para o bem de todos, Rúben Amorim incluído.

Assim vamos de mal a pior

Arouca, 1 - Sporting, 0

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Nuno Santos parece incrédulo após quarta derrota do Sporting na Liga

Foto: Octávio Passos / Lusa

 

Rúben Amorim errou: preparou um onze titular de recurso, cheio de segundas linhas, para defrontar o Arouca. Tinha a possibilidade de reforçar a quarta posição, ficando apenas um ponto atrás do FC Porto. Saiu de lá com uma derrota (a primeira vez que a equipa local pontuou num desafio contra o Sporting), viu os portistas aumentarem a distância mesmo após empatarem com o Santa Clara (estão agora com mais quatro pontos) e o Braga já com mais seis. O líder, Benfica, está agora 12 pontos acima de nós, cada vez mais líder. Pior ainda: o Casa Pia volta a ultrapassar-nos, retomando o quarto posto. E amanhã o V. Guimarães, se vencer o Famalicão, remete-nos para um humilhante sexto lugar.

Perdemos por um golo sem resposta. Marcado aos 47' pelo capitão do Arouca, João Basso, após cobrança de um canto. Em quatro cantos de que dispôs, a equipa da casa transformou um em golo. Nós, como de costume, trememos a cada lance de bola parada defensiva. E somos incapazes de utilizar da melhor maneira aqueles de que beneficiamos. Desta vez foram dez cantos a nosso favor. O melhor que conseguimos foi aos 90', com um cabeceamento de Coates, travado pelo guardião arouquense.

Nessa altura já o nosso capitão funcionava como ponta-de-lança improvisado. Amorim, com Paulinho e Morita ausentes por lesão, decidiu piorar as coisas mantendo Edwards, Ugarte, Porro e Nuno Santos no banco. No onze que actuou de início surgiram Nazinho (em estreia como titular), Dário (estreante na equipa principal esta época), Rochinha e Arthur - além de Esgaio, regressado de uma espécie de "sabática" após exibição desastrosa contra o Marselha.

 

O experimentalismo do técnico, destinado a poupar meia equipa para o desafio de amanhã em Alvalade contra o Eintracht, fracassou. Não apenas derrubando as nossas últimas hipóteses de ainda sonhar com o título de campeão, ao somarmos a quarta derrota em onze jogos da Liga 2022/2023, mas também desmoralizando a equipa, que só pode sentir-se frustrada com mais este fracasso. 

Além de deitar por terra aquele belo lema que nos serviu de inspiração ao título conquistado em 2021: "Jogo a jogo." Queimar a etapa de Arouca antes de receber o Eintracht para a Liga dos Campeões  contraria o mote concebido por Amorim. 

A verdade é que a equipa, preenchendo a linha ofensiva com três extremos, foi incapaz de converter as oportunidades criadas ao longo da partida. Nove, no total: por Trincão (8'), Gonçalo Inácio (18'), Rochinha (23'), Esgaio (42'), Porro (64' e 78') e Pedro Gonçalves (75' e 90'+1), além do já referido lance protagonizado por Coates - que foi, a par de Porro, o mais rematador dos nossos: quatro remates cada. O que diz muito do desempenho colectivo do Sporting em Arouca.

 

Sofremos anteontem mais um golo (já levamos 14 encaixados nas 11 partidas da Liga e 23 no total dos 17 jogos efectuados na temporada em curso, dez dos quais de bola parada). Já somamos tantas derrotas como as registadas nos dois campeonatos anteriores do princípio ao fim: desde a calamitosa época 2012/2013 que não tínhamos quatro nesta fase. Além de havermos sido eliminados da Taça de Portugal pelo Varzim, do terceiro escalão.

Adán foi, de longe, o nosso melhor neste desafio. Sem culpa no golo sofrido, aos 47', impediu o Arouca de ampliar a vantagem com excelentes defesas aos 40' e aos 51', a remates de Alan Ruiz e Tiago Esgaio. 

O pior voltou a ser Trincão, que continua a parecer um corpo estranho nesta equipa, sem conseguir integrar-se na dinâmica colectiva. Pedro Gonçalves também andou mal, mas aqui por responsabilidade do técnico, que o forçou a jogar em linhas mais recuadas, distante da baliza - logo ele, melhor marcador leonino das épocas anteriores e que em 2020/2021 chegou mesmo a sagrar-se Rei dos Artilheiros no campeonato.

Tudo mais difícil a partir de agora? Sem dúvida. Não havia necessidade.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Sai de Arouca com a noção do dever cumprido apesar de mais um golo encaixado. Duas preciosas defesas suas impediram a turma da casa de nos ganhar por margem maior.

Gonçalo Inácio - A história do jogo certamente seria outra se tivesse cabeceado na direcção certa aos 18'. Ultrapassado em lance perigoso aos 40'. Saiu aos 53, já amarelado. 

Coates - O capitão cumpriu missão de sacrifício no quarto de hora final, actuando como ponta-de-lança de emergência. Quatro remates - um dos quais ia dando golo, aos 90'.

Matheus Reis - Central à esquerda, preocupou-se muito em acorrer às dobras de Nazinho. Rende mais como ala. Assim faz menos uso tanto da velocidade como dos dotes técnicos.

Esgaio - Voltou a ser titular - e foi até dos pés dele, aos 42', que surgiu o nosso maior lance de perigo da primeira parte. O que já diz quase tudo sobre a ineficácia ofensiva leonina.

Dário - Com Morita fora de combate e Ugarte poupado a pensar no Eintracht, actuou como médio defensivo em estreia a titular. Falhou a cobertura no lance do golo arouquense.

Pedro Gonçalves - É desperdício vê-lo jogar como médio de transição, tendo a baliza mais distante. Tal como com o Chaves, voltou a não render neste posto. Convém não repetir.

Nazinho - Outra estreia como titular. Excelente passe cruzado, a partir da linha esquerda, servindo Esgaio num golo falhado. Mas divide com Dário responsabilidade no golo sofrido.

Trincão - Foi o primeiro a desperdiçar um golo do nosso lado, logo aos 8'. Falhou emenda ao segundo poste, aos 29. Andou muito errante, facilmente neutralizado pelo adversário.

Rochinha - Também ele parece um corpo estranho nesta equipa. Tarda em encontrar o seu lugar. Grande lance individual aos 23', mas falhou no último passe. Nada mais fez.

Arthur - Pareceu o mais dinâmico do nosso trio da frente, como avançado-centro improvisado. Não é ali que funciona melhor. Mesmo assim, sacou dois amarelos.

Ugarte - Substituiu Dário aos 53'. Deu intensidade ao nosso meio-campo, com a sua habitual entrega ao jogo. Mas mantém péssima relação com a baliza: dois disparos para a bancada.

Porro - Inconformado, cheio de vontade de virar o resultado, substituiu o apático Esgaio aos 53'. Quatro remates. Teve o golo nos pés aos 81': a bola roçou o poste.

St. Juste - Em campo desde o minuto 53, por saída de Gonçalo, reforçou a segurança defensiva. Mas o pior já estava feito, com o golo sofrido. O problema era lá na frente.

Edwards - Substituiu Rochinha (58'). Entrou na pior fase, quando o Arouca já estacionara, a defender a vantagem. À sua frente só havia uma floresta de pernas intransponíveis.

Nuno Santos - Entrou aos 58', rendendo Nazinho, depois de ter visto um amarelo ainda no banco, por protestos. Talvez isto o afectasse: foi incapaz de fazer a diferença.

Nós, há dez anos

 

Tiago Cabral: «Sendo certo que o momento presente pede reflexão cuidada, é este o estado da arte do Sporting: lutamos jogo a jogo para vencer, não apenas o jogo em si mas esta letargia que se instalou nos jogadores do Sporting. Não é de agora a sensação que tenho de ver os jogadores do Sporting com complexos de inferioridade em relação a benfica e porto. Ao longo das últimas décadas temos assistido a um declínio do nosso clube, disfarçado por dois campeonatos e por várias taças de Portugal. O nosso declínio começou com a hegemonia, pelos meios que todos sabemos, do fc porto.»

 

Eu: «Chegado a este ponto, o Sporting precisa de uma refundação urgente. Esta é uma condição essencial para que o nosso clube volte a lutar por um lugar ao sol no futebol profissional português, recuperando influência e prestígio - dentro e fora dos estádios. É uma condição essencial para que o Sporting corresponda hoje aos pergaminhos históricos que conquistou não só no futebol mas no conjunto do desporto nacional. As mudanças internas não podem resumir-se a um jogo de cadeiras nas quais tomam assento, à vez, os mesmos do costume - aqueles que são responsáveis pela degradação do SCP, uma das mais prestigiadas siglas do associativismo desportivo português.»

Pódio: Adán, Ugarte, Coates

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Arouca-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Adán: 16

Coates: 15

Ugarte: 15

Porro: 14

Edwards: 14

St. Juste: 14

Matheus Reis: 14

Arthur: 12

Esgaio: 12

Gonçalo Inácio: 12

Pedro Gonçalves: 12

Nuno Santos: 10

Rochinha: 10

Dário: 10

Nazinho: 10

Trincão: 10

 

O Jogo e A Bola elegeram Adán como melhor Leão em campo. Record optou por Porro.

Nós, há dez anos

 

Francisco Almeida Leite: «Vergonhoso, o jogo de ontem. Como os últimos. Pela primeira vez na vida saí antes do jogo acabar e debaixo de uma chuva torrencial. Uma lástima aquela equipa. Espero que o Franky saiba alguma coisa de futebol. Ou estamos verdadeiramente fritos.»

 

JPT: «Não sei o que virá a seguir, porventura não serão bons anos. Mas após se ter "dissipado" (uma palavra desresponsabilizadora) o património do clube e gerado um gigantesca dívida, duas presidências devastadoras como a do inconcebível Bettencourt e agora esta, a do beirense Godinho Lopes, não devem deixar grande espaço de manobra.»

 

Eu: «Que retorno estamos a colher deste avultado investimento no nosso pior arranque de sempre no campeonato? Ficou ontem à vista de todos, no estádio: Elias nem sequer se equipou contra a Académica, ficando fora da lista dos convocados. Excepção à regra? Longe disso: nos 13 jogos desta temporada, o dispendioso médio brasileiro actuou 90 minutos em apenas dois deles. Entrou como titular em seis outros jogos nos quais acabou substituído. Foi suplente não utilizado em duas partidas e nem chegou a ser convocado nos três restantes. Marcou um golo - contra o Horsens, na pré-eliminatória da Liga Europa. Custou tanto para apenas render isto. Ou não render, para falar claro.»

A época do Liverpool

Esta temporada do Liverpool está a ser uma decepção. Ontem perdeu em casa com o medíocre Leeds e à 12a jornada arrasta-se no 9o lugar, já a 16 pontos do líder Arsenal com tantas vitórias quanto empates e derrotas. Começa também a ser evidente que a compra de Darwin, por mais do dobro do preço de venda de Sané, além da dispensa de Origi a custo zero, um verdadeiro ponta-de-lança, não melhorou a equipa, pelo contrário. Fora estas pequenas alterações a formação do Liverpool é praticamente a mesma que dantes era um fenómeno de intensidade, eficácia e alegria, e agora parece desvitalizada e desorientada em campo.

Jurgen Klopp está a fazer a 6a época no Liverpool e vendo bem, se descontarmos a exuberância que o popularizou, o seu palmarés não é assombroso à frente de uma equipa que se credita como uma das melhores do mundo: 1 campeonato, uma taça e, sim, uma Liga dos Campeões.

Os adeptos e a direcção do Liverpool não são estúpidos nem alimentam tendências suicidas. De modo que não lhes passa pela cabeça pôr em causa o trabalho de Klopp. Confiam que melhores dias virão, tão bons como os que já tiveram, porque nada indica que isto não seja uma fase.

É invejável esta maturidade.

Rescaldo do jogo de ontem

 

Não gostei

 

Da derrota. Mais uma. Agora contra o Arouca: foi a nossa quarta, em 11 jogos deste campeonato. E a sétima derrota em 17 jogos disputados nesta temporada em três competições. Pior ainda: nunca tínhamos perdido pontos em Arouca. Resultado histórico, portanto, pela negativa. Como tinha sido a derrota em casa contra o Chaves. E a recente humilhação frente ao Varzim, que nos afastou da Taça de Portugal.

 

Do onze inicial que o treinador pôs em campo. Rúben Amorim mudou meia equipa titular. Fazendo entrar Esgaio, Dário, Nazinho, Arthur e Rochinha enquanto mantinha Porro, Nuno Santos, Ugarte e Edwards no banco. Nem o facto de o FC Porto ter perdido dois pontos horas antes reforçou a ambição do técnico: Amorim abdicou do lema "jogo a jogo" e do princípio "jogam sempre os melhores". Fatal para as aspirações do Sporting, que podia ter saído de Arouca com apenas menos um ponto do FCP e veio de lá com menos quatro. E estamos agora a 12 do Benfica, líder da prova.

 

Da ausência de um ponta-de-lança. Paulinho está novamente lesionado - pela segunda vez em menos de três meses. Como não há outro avançado-centro na equipa A leonina, aparentemente por opção do treinador, Amorim montou uma linha ofensiva composta por... três extremos. Tal como não há omeletes sem ovos, também é difícil haver golos sem pontas-de-lança. Sobretudo contra dois terços das equipas portuguesas, que sabem aquartelar-se muito bem nos redutos defensivos - à semelhança do que nós fizemos há dias contra o Tottenham. A experiência do técnico não resultou: daí esta derrota (1-0) em Arouca.

 

Do recuo de Pedro Gonçalves. O melhor artilheiro da Liga 2020/2021 torna-se banal quando é forçado a jogar nas linhas médias. Perde o seu principal atributo, revelado no Sporting: marcar golos. Ao fazer o nosso n.º 28 actuar vários metros mais atrás, Amorim retirou-lhe essa característica sem obter nada de valioso em troca. Não é a primeira vez que comete este erro, mas vai insistindo nele. Sem que se perceba porquê.

 

Da "falta de eficácia". Assim chama o treinador leonino à nossa incapacidade de jogar com a baliza, metendo a bola lá dentro. Contabilizei oito oportunidades de golo, divididas por igual entre as duas partes: Trincão aos 8'; Gonçalo Inácio aos 18'; Rochinha aos 23'; Esgaio aos 42'; Porro aos 64'; Pedro Gonçalves aos 75' e aos 90'+1; Coates aos 90'. Umas vezes não resultou devido a boas intervenções do guarda-redes adversário, outras simplesmente por inabilidade dos nossos jogadores. De meia-distância, nem uma: Ugarte tentou, mas chutou duas vezes para a bancada.

 

De ver Coates lá na frente. Pensava que não voltaria a acontecer, mas enganei-me: a cerca de um quarto de hora do fim, Amorim lá mandou o nosso capitão plantar-se na grande área ao Arouca, como ponta-de-lança improvisado - precisamente a posição que o treinador não quis preencher quando este plantel foi planeado. Esforço inútil: o internacional uruguaio continua em branco nesta Liga 2022/2023. Mas quase marcou, num disparo de cabeça após um canto, no último minuto de tempo regulamentar, dando origem à defesa da noite, protagonizada pelo seu compatriota Arruabarrena.

 

Das bolas paradas defensivas. Esta equipa treme a cada canto, a cada livre, até a cada lançamento da linha lateral. Voltou a tremer ontem, aos 47': de um canto nasceu o golo do Arouca, com Dário e Nazinho batidos na altura por João Basso. Nós, pelo contrário, fomos incapazes de criar perigo em nove dos dez cantos de que beneficiámos. 

 

Do festival de passes falhados. Não consultei os dados estatísticos, nem necessito deles para concluir que ao nível da precisão do passe voltámos a falhar neste Arouca-Sporting, por consecutivas entregas da bola ao adversário. Pior: abdicámos de a disputar vezes a mais, concedendo a iniciativa à equipa da casa. Ficou evidente que precisamos de um patrão no meio-campo - é uma das várias lacunas deste decepcionante Sporting 2022/2023. 

 

De termos dado 53' de avanço ao Arouca. Amorim, mesmo percebendo que nada estava a carburar bem, manteve a equipa intocável ao intervalo, que chegou com 0-0. Só depois de termos sofrido o golo logo no recomeço, aos 47', decidiu fazer alterações mandando entrar Ugarte para o lugar de Dário, Porro para o lugar de Esgaio e St. Juste para o lugar do amarelado Gonçalo Inácio. Podia ter dado certo, mas as falhas de finalização persistiram, agravadas pelo descontrolo emocional dos jogadores: a partir de certa altura a consistência colectiva deu lugar a tentativas individuais de resolver o problema. Que permaneceu sem solução.

 

Da sucessão de lesões. Temos mais dois jogadores fora de combate: Morita e Paulinho. Nunca me recordo de tantos profissionais declarados inaptos para jogar em escassos três meses numa época futebolística. Nem sequer nos conturbados tempos da pandemia. 

 

De Trincão. Começa a ser exasperante a falta de intensidade competitiva deste jogador que tem bons atributos técnicos mas é incapaz de se revelar como reforço na dinâmica colectiva. Ou está sempre uns metros à frente ou mais atrás do que devia, ou dá um toque a mais na bola ou se perde em virtuosismos de futsal. Voltou a acontecer.

 

Do sexto jogo seguido fora de casa a sofrer golos. A nossa defesa continua em estado calamitoso. Em 11 jornadas, sofremos 14 golos. E nos 17 desafios já disputados nesta temporada, encaixámos 23. São números de equipa do meio da tabela, não de equipa grande.

 

Do árbitro Rui Costa. Aos 68', fez vista grossa a uma biqueirada apontada por David Simão ao rosto de Edwards, em claro jogo perigoso - falta digna de amarelo, o que faria o jogador arouquense sair por acumulação de cartões. O mais idoso árbitro do futebol português beneficiou claramente a equipa da casa neste lance.

 

 

Gostei

 

De Adán. Único jogador do Sporting que merece nota positiva. Sem a menor culpa no golo sofrido, ainda impediu dois do Arouca - que podia ter vencido por 2-0 ou até 3-0. Merecem destaque estas defesas, aos 40' e aos 51'.

 

De Porro. Dos que saltaram do banco, só ele foi capaz de agitar o jogo. Entrou cheio de ganas de dar a volta ao resultado, embora nem sempre com o discernimento que se impunha. Quase marcou aos 64', assistido por Ugarte. Devia ter jogado de início.

 

Dos adeptos leoninos. Não foi por falta de apoio que o Sporting saiu derrotado de Arouca. Nunca faltou incentivo das bancadas - mesmo à chuva, nos minutos finais, mesmo com o resultado desfavorável, mesmo vendo vários dos nossos a arrastar-se em campo por cansaço ou falta de inspiração.

O Sporting não é para brincadeiras

Perder com Varzim, Arouca, Chaves e Boavista não é normal. Não competir na Taça de Portugal nesta fase também não é normal. Ter a possibilidade de se qualificar para os oitavos-de-final da Champions na terça-feira é um acontecimento raro, uma oportunidade de ouro que deve ser aproveitada. O Sporting é isto tudo neste momento.

Depois disso faremos contas. Uma coisa é certa e todos nós já apontámos aqui: a época foi muito mal planeada e aí a responsabilidade divide-se entre a direção do clube, a estrutura do futebol e o próprio Amorim, que gosta muito de entrar nos pelouros de outros e dizer que "não há dinheiro". Não é assim, o Sporting gastou somas consideráveis em jogadores que simplesmente não produzem e outros são autênticos "flops". A responsabilidade é, por isso, partilhada.

O que se viu ontem foi quase surreal: mudar meia equipa para perder com o Arouca parece quase mentira. Mas aconteceu. Há dias em que as opções de Amorim parecem ilógicas. Ontem foi mais um dia.

Nunca esquecer que o Sporting está acima do seu treinador, dos jogadores do plantel atual e, no limite, da sua direção. E vai ter que sobreviver a esta fase péssima, como sobreviveu a outras, e vai olhar para a frente e voltar a sorrir. Mas, por favor, treinador, jogadores e direção: não brinquem com o Sporting. Isso não. O Sporting não é para brincadeiras.

 

O dia seguinte

O Sporting entrou em Arouca para ganhar e, quer o onze inicial quer os que entraram depois, correram, meteram o pé, quiseram ganhar, e se não puderam sair de lá com uma vitória foi porque apanharam um adversário competente, um árbitro ao nível da mediocridade apadrinhada que é, e a sorte é verdade que também não ajudou. Merecem o meu aplauso.

Mas não foi só isso, e para mim a razão principal da derrota não foi nenhuma dessas.

Amorim que me perdoe, eu que sempre o apoiei e não é por mais uma derrota que o vou deixar de apoiar, terça-feira lá estarei para o apoiar e à equipa de novo, mas esta derrota deve-se muito à sua invenção, não faço ideia de onde lhe veio a inspiração dum ataque móvel a quatro, retirando o melhor goleador do sítio onde se marcam golos. Desta vez não merece mesmo o meu aplauso.

Pedro Gonçalves até pode ser um óptimo médio e fez carreira enquanto tal, mas notabilizou-se no Sporting por marcar golos. Muitos golos. E Rochinha, Trincão, Edwards e Arthur Gomes marcam golos de quando em vez, nunca foram goleadores em lado nenhum. Ora os jogos ganham-se a marcar golos, e até a marcar mais golos do que os que se sofrem. Pedro Gonçalves a médio é um desperdício de bradar aos céus.

Este jogo em Arouca foi quase uma cópia do jogo em casa contra o Chaves. Uma primeira parte com o Pedro a organizar e a ir lá à frente uma vez por outra, os três avançados a entrar mais ou menos facilmente na defesa contrária, e a falhar, uma oportunidade atrás da outra. Depois uma segunda parte onde a equipa entra a dormir, sofre um golo escusado, e aí o adversário enche o peito de confiança, recua no terreno, vem a pressão de dar a volta ao resultado, todos a querer fazer depressa o que se tem de fazer bem, Coates a ponta de lança, hoje até Adán lá foi, mas por muito que se queira meter a bola lá dentro ou há sempre um pé ou uma cabeça de alguém na frente, ou uma defesa incrível do guarda-redes contrário. E depois numa ou noutra perda de bola atacante surge um contra-ataque rápido adversário que dá golo ou quase.

 

Isto assim não dá.

Ganhar a equipas pequenas, fisicamente bem mais fortes que a nossa, em relvados pesados, sem ponta de lança e com o avançado goleador convertido em médio, sem presença permanente na área contrária nem capacidade no jogo aéreo é complicado. E quando a sorte não ajuda, a derrota é quase certa.

E ver mais uma vez Coates fazer no final o que um ponta de lança devia ter feito desde o início do jogo é deprimente. Se um ponta de lança "clássico" é solução, porque é que não temos nenhum no plantel? Porque é que Slimani não foi substituido?

Melhor em campo? Dário Essugo, muito boa primeira parte, evoluiu muito na B, temos ali um trinco com um grande futuro que pode substituir ou complementar Ugarte. Porro entrou com tudo, esteve muito bem também.

 

E agora? Agora é o Eintracht Frankfurt, terça-feira em Alvalade, muita coisa para ganhar ainda esta temporada.

SL

Quando os lobos uivam

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Não é noite de lua cheia mas parece, ouvem-se uivos à lua.

Fomos eliminados da Taça de Portugal devido a golo irregular do Varzim e hoje perdemos o jogo em Arouca graças a uma péssima arbitragem de Rui Costa. Podemos arranjar outros culpados mas vamos a factos.

O programa "Juízo Final" na Sport TV faz uma análise de alguns lances polémicos; o Sporting não foi beneficiado em nenhum lance, todas as decisões polémicas foram favoráveis ao Arouca, aos setenta e poucos minutos David Simão pontapeia a cabeça de Edwards, podia ser vermelho directo, nem sequer foi amarelo (seria o segundo) o habilidoso Rui Costa decidiu não marcar falta, sequer. Já para não falar no inacreditável cartão amarelo mostrado a Gonçalo Inácio.

É diferente estarmos a ver o jogo no sofá ou no estádio (apelo a Luís Lisboa para nos dizer o que viu).

No estádio apercebemo-nos melhor da arrogância dos árbitros, apercebemo-nos melhor das faltas e faltinhas, apercebemo-nos melhor do tempo de jogo desperdiçado.

Quantos minutos de jogo roubou o guarda-redes do Arouca ao jogo?

Queremos encontrar culpados?

Força!

Prefiro apoiar a iniciativa do Arouca pela preservação do lobo ibérico, força nisso, arouquenses e na segunda volta que façam a devida retribuição dos resultados com Benfica e Braga.

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A culpa foi de Amorim

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Foto: Miguel Pereira / Global Imagens

 

Haverá quem diga que a culpa é dos árbitros, das claques, do mega-empresário Mendes, do seleccionador Santos, da conspiração universal. Mas hoje o Sporting atirou a toalha ao chão em definitivo no campeonato ao deixar-se perder em Arouca. Na linha das derrotas frente ao Chaves e ao Boavista, além da eliminação frente ao modesto Varzim, do terceiro escalão, para a Taça de Portugal.

Não vale a pena inventar responsáveis. A culpa, desta vez, é toda de Rúben Amorim. Num desafio que precisávamos mesmo de vencer, aproveitando os dois pontos perdidos pelo FC Porto frente ao Santa Clara, o técnico leonino entendeu escalar um onze sem cinco titulares - e ainda neutralizou um sexto, Pedro Gonçalves, ao mandá-lo recuar no terreno. Como se não fosse o nosso melhor marcador de golos.

Esta brincadeira deu 53 minutos de avanço ao Arouca - todo o primeiro tempo acrescido de oito minutos da segunda parte, quando Amorim decidiu enfim mexer na equipa, quando já perdíamos 0-1 desde o minuto 47. 

Saímos de Arouca com a quarta derrota em onze jogos da Liga 2022/2023. Temos apenas 19 pontos em 33 possíveis. Vemos o líder, Benfica, agora a 12 pontos de distância. E corremos o risco de cair para o sexto lugar após esta ronda.

Deixem lá as teorias da conspiração. Rúben Amorim deve uma desculpa aos adeptos. Sobretudo aos que se deslocaram a Arouca e levaram em cima com a chuva, com a péssima exibição da equipa e com mais três pontos desperdiçados.

Tem a palavra o presidente

Se conseguir verbalizar duas frases seguidas, claro.

Claro que não é ele que falha os golos, não é ele que dá casas na defesa, não é ele que passa noventa minutos a fazer que joga mas não joga, não é ele que escala a equipa, mas os sócios têm que ouvir a sua voz transmitindo o seu inconformismo.

Um presidente almofadinha não serve os interesses do clube.

Exige-se uma posição do presidente sobre esta desgraçada entrada na época em curso.

Não é preciso berrar, nem dar pontapés na parede do balneário.

Exige-se que fale e que exija comprometimento e que diga ao treinador que os jogos se ganham com golos e que só depois de se estar a ganhar é que se pode defender resultados.

Hoje a culpa é toda de Amorim, por não querer começar com os melhores. Se não é intencional, parece. E dos jogadores, que se estão cagando (perdoem o meu francês) para os resultados. A inflacção para eles passa ao lado e os milhares, centenas nalguns casos, pingam sempre ao final do mês. Faltam dois dias.

É dia de jogo

E eu vou lá estar, doido da cabeça... desta vez, a cores e ao vivo.

Não vale a pena falar agora da Champions, o foco tem de estar mesmo em Arouca.

Num estádio onde fui pela primeira vez em 16/9/2012 ver o Sporting B ganhar ao Arouca que iria subir de divisão por 1-2 com um dos golos do extremo-direito Esgaio de penalti e o presidente do Arouca ou o filho, já não me recordo, pegados com o Manuel Fernandes no final. Depois voltei para um novo 1-2 em 18/01/2014, golos de Rojo e Slimani, um dos primeiros golos dele ao serviço do Sporting. Como não há duas sem três, se calhar o Sporting vai ganhar amanhã, mas têm sido assim:

12/13 : 1-2 (B

13/14 : 1-2

14/15 : 1-3

15/16 : 0-1

16/17 : 1-2

17/18 : N/J

18/19: N/J

19/20: N/J

20/21: N/J

21/22: 1-2

Disse Amorim na conferência de imprensa: "Não podemos perder mais pontos, principalmente até à paragem do Mundial." A questão é mesma essa, depois das derrotas com o Chaves e o Boavista, e agora que nos aproximámos do trio da frente, não podemos ceder de novo.

 

Sem Paulinho nem Morita e alguns outros presos por arames, vai ser preciso mesmo acertar no onze inicial para levar de vencida uma equipa de luta num relvado pequeno e fustigado pelas últimas chuvadas. 

Tudo começa na defesa. Talvez Amorim insista no trio de Londres, Inácio-Coates-Matheus Reis, com Porro ou Esgaio à direita e Nuno Santos ou Názinho na esquerda.

Depois quem vai fazer companhia a Ugarte no centro? Mateus Fernandes ou Sotiris?

E no ataque, entre Rochinha ou Arthur Gomes, algum vai entrar de início em vez de Trincão ou Edwards? Porque não aproveitar o excelente momento de forma do Fatawu?

Qual é a vossa opinião?

 

Sem intensidade e capacidade de meter o pé, o Sporting não passa em Arouca, pelo que terá de ser mesmo uma equipa de luta aquela que entrar em campo mais logo.

E quando joga um nosso ex-jogador do outro lado muitas vezes ele faz o jogo da vida dele, foi o caso de Edwards em Londres, pode ser o caso do Alan Ruiz no Arouca, que consiga fazer o que nunca fez no Sporting.

Confiança total em Rúben Amorim, confiança total nesta equipa!

SL

2022/2023: marcadores dos nossos golos

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Pedro Gonçalves 6 (Braga, Rio Ave, Rio Ave, Portimonense, Gil Vicente, Casa Pia)

Nuno Santos 5 (Braga, Eintracht Frankfurt, Portimonense, Santa Clara, Casa Pia)

Edwards 5 (Braga, Estoril, Eintracht Frankfurt, Boavista, Tottenham)

Trincão 4 (Eintracht Frankfurt, Portimonense, Portimonense, Marselha)

Morita 2 (Gil Vicente, Santa Clara)

Paulinho 2 (Tottenham, Casa Pia)

Matheus Nunes 1 (Rio Ave)

St. Juste 1 (Estoril)

Arthur 1 (Tottenham)

Rochinha 1 (Gil Vicente)

Nós, há dez anos

 

Adelino Cunha: «Deus sabe que vou arrepender-me de dizer isto: mas o senhor Vercauteren vai falhar. Vai falhar onde o Domingos falhou. Vai falhar onde o Sá Pinto falhou. Vai falhar onde o Oceano falhou. Vai falhar onde até o Mourinho falharia. O Sporting está numa dinâmica de falhanço há muito tempo e andamos a fingir que não vemos essa espiral a sugar-nos a vitalidade e o orgulho.»

 

Alexandre Poço: «Não há volta a dar, quatro derrotas consecutivas é obra, e é obra para um clube como o Sporting Clube de Portugal. Já chega, estamos fartos de levar pancada jogo após jogo. Em Alvalade mandamos nós e não podemos voltar a perder pontos, principalmente com equipas pequenas. Que "comece" hoje a nossa época 2012/2013. Vamos Sporting!»

 

José Navarro de Andrade: «Lá vou eu feito parvo, à chuva e aos encontrões no metro em hora de ponta. Isto é um vício...»

 

Zélia Parreira: «Sei que amanhã isto me vai passar, mas hoje preciso de dizer isto. Estou farta.»

 

Eu: «O pior arranque de sempre da temporada. Com a equipa fora da Taça de Portugal, no último lugar do seu grupo da Liga Europa e a dez pontos da liderança no campeonato. Sete pontos abaixo do Sporting de Braga. Seis jogos seguidos sem ganhar. O segundo pior ataque da Liga (só acima do Marítimo). Doze golos sofridos. Perda de dois pontos por jogo em termos médios. Derrotas consecutivas com o Videoton, o FC Porto, o Moreirense e o Genk. Empate em casa com a Académica num jogo medíocre que terminou há pouco. Mais um.»

A voz do leitor

«Há uns anos, o clube tinha os problemas que tinha, mas o departamento médico, liderado por Frederico Varandas, era de excelência. Basta recordar que foi um departamento que em 2015 reprovou a "estrela" Kevin-Prince Boateng, que vinha do Milão, por problemas físicos, e que no ano seguinte detectou um problema cardíaco a Lucas Silva, que vinha emprestado pelo Real Madrid, algo que o departamento médico deste clube não tinha detectado. Posso estar enganado, mas com o departamento médico do tempo de Varandas, St. Juste não tinha assinado pelo Sporting.»

 

Vítor Hugo Vieira, neste meu texto

Croquetes

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Adoro croquetes e só tenho pena que a excelente cozinheira cá de casa ponha tantas reticências quando lhe falo nisso, dá mesmo trabalho a fazer, mas quando faz o resultado é mesmo excelente.

Mas só muito pontualmente me atrevo a comer essa coisa fora de casa, não tenho estômago para a porcaria salgada e engordurada que povoa os "buffets" e os "caterings" dos hotéis e dos eventos.

Depois há os "croquetes", a gente fina que povoa esses eventos, alguma de verdadeiras posses, outra que não tem dinheiro para fazer cantar um cego, mas que sempre arranja maneira de lá aparecer.

O maior "croquete" que conheci como presidente do Sporting foi o saudoso João Rocha que veio com o projecto da SCP-Sociedade de Construções e Planeamento. Ficaram famosos os caterings de Alvalade, ou até os almoços privados de lagosta para cima com que brindava quem entendia, que o diga o ex-director do jornal A Bola, Vitor Serpa. Depois dele vieram outros como José Roquette, Santana Lopes e Dias da Cunha, uns do primeiro tipo, outros do segundo. Com Bruno de Carvalho havia "croquetes" com fartura em Alvalade, com Eduardo Barroso à cabeça, dizem que muitos aliciados com "tachos" para os filhos, e com o "Zé dos Tachos" a pôr os ditos croquetes na mesa. E ele mesmo Bruno de Carvalho não é exactamente filho dum operário da Lisnave nem dum trabalhador do campo, o percurso e os gostos dele estão à vista de todos.

Entra-se na bancada central de Alvalade, olha-se em volta, mulheres e homens, novos e velhos, famílias e amigos, nesta conjuntura pré-post-Covid, e nada indica que prefiram os croquetes dos eventos pagos por outros a um bom prego no pão nalguma roulotte junto ao estádio pagos por eles mesmos. 

Do que não gostam mesmo, e também por isso escolhem estar ali, é da javardice que alguns, se calhar de famílias de "croquetes", teimam em fazer no estádio e no pavilhão, estragando o espectáculo, pondo em risco a segurança de todos os outros, especialmente daqueles que por ignorância ou convicção partilham o mesmo espaço, e contribuindo para a diminuição das presenças. Também no assalto a Alcochete existiram rapazinhos de boas famílias a serem acusados, e advogados bem caros a tratar do assunto. No ano passado, penso que antes do jogo com o Ajax, chego a Alvalade e deparo com polícias de "shot-guns" empunhadas a serem provocados e insultados por uma turba destas.

Alguns dizem que a central não gosta das claques, as quer fora do estádio e quer ver o futebol em silêncio. Ora isso é completamente falso, a central adora as claques sempre e quando cumprem a sua função de cantar e apoiar a equipa, todos nos recordamos dos minutos finais memoráveis do jogo da época passada com o Man.City. Detesta é quando se viram contra a própria equipa logo desde o início do jogo e contra os restantes adeptos, como fizeram no jogo com o Casa Pia. 

Depois há quem fique indignado com aquilo que viu, como risos e aplausos da central à carga policial. Ora, com o jogo a decorrer e o Sporting a atacar para marcar, a única coisa que vi na central (pelo menos na minha) foi risos e aplausos decorrentes do próprio jogo, e profunda irritação pela confusão criada pela claque. E depois foi mais uma vez um valente assobio quando se insurgiram contra o presidente. Querer que a central se indigne com o que aconteceu é tempo perdido, se acontecer de novo, e então com esta situação nova e bem perigosa dos ACABs, os assobios ainda vão ser mais fortes para a Superior Sul. Um dia destes qualquer um de nós a entrar ou a sair de Alvalade pode apanhar com uma bala de borracha perdida ou algo pior.

Frederico Varandas parece ter o condão de reduzir a oposição à indigência. Qualquer candidato ou candidato a candidato com pretensões a ser presidente teria forçosamente de dirigir o seu discurso para a tal "bancada central", a do estádio e a de fora dele, dado que é onde estão muitos dos mais velhos, muitos dos mais antigos e consequentemente com mais votos, muitos com influência em diferentes sectores da sociedade, é ali e à volta dali que se decide a eleição. Mas parece que em vez de candidatos para concorrer com Frederico Varandas a presidente do Sporting, cegos pelo ódio que nutrem para com a personagem, querem é concorrer para presidentes da Curva Sul. E depois ficam admirados com os 6% dos votos que recebem. 

 

PS: Este é um blogue moderado pelos autores, quem quiser debater o tema civilizadamente está à vontade, comentários ofensivos ou mesmo javardos seguem directamente para a reciclagem.

SL

Prognósticos antes do jogo

Ainda há dois dias jogámos em Londres e novo desafio já aí vem. Será amanhã, a partir das 20.30, em Arouca com a equipa local.

Recordo que em Outubro de 2021 fomos lá vencer, por 1-2, embora esse triunfo não tenha sido nada fácil. O problema ficou resolvido com golos leoninos marcados por Matheus Nunes e Nuno Santos.

Agora como será? Aguardo os vossos palpites.

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